Uncommon Love
23 Amigos ou Inimigos?
Notas iniciais
Danny POV
Sentia-me acabado, perplexo, sem acreditar no que eu acabara de presenciar. Todo o meu esforço em descobrir algo sobre aquela maldita Débora fora em vão, tarde de mais. Já não importava, tudo que eu sentia naquele momento era raiva dela e medo por Damon e Elena.
– Você só pode estar de brincadeira! – A voz de Caroline era um uivo de indignação e perplexidade. Permaneci imóvel a espera de Damon que nada fez. Elena soluçava no sofá enquanto Bonnie a abraçava sem ter palavras para confortá-la – Isso só pode ser brincadeira... Como você se permitiu?! – ela gritou indo em sua direção – Como você pode deixar que algo assim acontecesse? – Disse em meio a tentativas de socar Damon – Eu não posso acreditar, Damon!
– Caroline! Caroline! – Matt a chamou seguindo em sua direção – Caroline, não – ele a agarrou e a puxou contra seu corpo para imobilizá-la e conseguir tirá-la de perto de Damon que continuava imóvel, com lágrimas molhando a face.
– Me larga! Maldito, Damon! Depois de tudo que nós passamos juntos todos esses anos! Nós ralamos tanto como advogados, seu imbecil, pra você jogar a sua carreira no lixo por essa... Por essa... – ela olhava Elena com nojo.
– Caroline – Elena tentou argumentar em vão.
– Você, garota... – ela disse em tom baixo e Matt finalmente a largou – Você... Criando problemas em todos os lugares em que te mandavam... Você tinha que causar um estrago aqui também... Você tem noção do que você fez?
– Não, Caroline – Damon finalmente se fez ouvir, mais foi interrompido pela voz grave e raivosa de Nathan.
– Não? Não, Damon? Você não tem noção mesmo? – ele levantou e se pôs a frente de Damon – Olha pra você! Está acabado! O que vai fazer?
– Eu a amo. Será que ninguém consegue entender isso? – Ele gritou de volta em plenos pulmões.
– Ama, é claro que ama! – Nathan debochou – com um corpo desses, quem não amaria? Só que garotas como essa há em montes em Nova York, seu retardado!
– Chega! – Damon gritou – Eu não permitirei que falem da Elena assim dentro da minha casa!
Ahh, claro! – Nathan gargalhou.
– Já chega, já está de bom tamanho, Nathan – me aproximei dele e o segurei pelo ombro tentando ao máximo manter a calma e o afastar de perto de Damon.
– E você, cara? – ele virou-se contra mim e me deu um empurrão – E você? Comeu essa garota também!
– Hey! – o repreendi – Vai com calma. Chega de problemas.
– Chega? Os problemas ainda nem começaram, principalmente pra esse babaca incestuoso ai – ele virou-se novamente na direção de Damon – O que a sua família vai dizer? O que a imprensa vai dizer? Você vai ser processado, a empresa em que trabalhamos vai ser processada, você vai ser julgado no conselho de advocacia, vai ficar desempregado e com o nome na lama enquanto essa garota vai sentar no sofá da casa dos avós, pra onde você mesmo disse que ela sempre volta, e vai rir da sua cara enquanto você saboreia a deliciosa comida da prisão!
– Eu quero todos vocês fora daqui! – gritei o mais alto que pude, mais eles não pareceram ouvir – Vocês são surdos?! – Nathan voltou a me encarar – Eu disse FORA DESSA CASA! – Nathan disparou porta a fora.
– Danny! – Caroline tentou argumentar, mais não dei ouvidos, eu já estava farto de tanta acusação, era como assistir a um julgamento sem uma defesa.
– Matt tira a Caroline daqui – falei autoritário a ela que continuava a manter seu olhar firme.
– Você sabia – ela acusou-me – Você já sabia, não é?!
– Matt... – ele seguiu na direção dela e a segurou.
– Vocês sabem que nós não somos o problema de vocês – ele me encarou – Aquela garota é que é – disse referindo-se a maldita Débora, balancei a cabeça em uma concordância silenciosa e então ele forçou Caroline a se retirar.
– Bonnie leva a Elena pro meu quarto, cuida dela por favor – pedi e ela concordou com a cabeça, ajudando Elena a se por de pé. Baixei minha cabeça pondo-me a pensar por um instante – O que nós podemos fazer...? – Perguntei-me sem esperar por uma pronta resposta – Anda, você não pode ficar aqui jogado – segui na direção de Damon e passei seu braço por sobre o meu ombro. Ele então me encarou e se pôs ereto, mais eu não permiti que se afastasse de mim.
– Vamos. Você tem que se recuperar desse baque.
POV Damon
Despenquei sobre a cama, de cabeça baixa como um louco que bebeu vodka a noite toda. Parecia que minha cabeça explodiria e que sobre o meus ombros estava um elefante. E estava mesmo. No fim, a única coisa de que eu teria certeza era de que eles estavam certos.
– Não pode baixar a cabeça assim – Danny falou, estava em pé diante de mim – Não pode esperar que a policia venha te levar sem ter uma luta justa com a justiça e com aqueles imprestáveis dos nossos amigos.
– Eles tem razão – minha voz era um misto de tédio, ódio e rancor.
– Eles tem razão? – ele me perguntou incrédulo – Eles tem razão? Você é mesmo inacreditável! Ela te ama e ela está sofrendo muito por tudo que ela passou antes e por você! – Ele deu uma pausa, parecia não acreditar no que estava vendo – Damon, você precisa erguer essa tua cabeça como eu já te vi fazer por varias vezes, não é a primeira batalha que você perde e nem vai ser a ultima. Se você ama a Elena como eu sei que ela ama você levanta dessa cama agora, vai jogar água no rosto e esfriar essa cabeça. Você sabe que os problemas nós resolvemos conversando – Ele fechou os olhos enquanto afrouxava o nó da gravata, permaneci imóvel – Damon! – Me repreendeu mais uma vez. O olhei nos olhos e afrouxei o nó da minha gravata também, em seguida levantei-me e passei por ele em direção ao banheiro do meu quarto. Eu não precisava molhar o rosto, eu precisava era de um banho de água fria.
Elena POV
Eu sentia minha cabeça doer como nunca antes. Tentava ao máximo encontrar alguma forma de tirar a responsabilidade toda que pesaria sobre Damon. Ele não tinha culpa. Eu tinha. Não poderia deixar que ele tivesse problemas, ele tinha o Kalleo agora, tinha um lindo filho pra educar.
– Não, eu não quero mais – disse entre soluços recusando, pelo que me parecia ser a décima vez, o copo de água com açúcar que Bonnie me oferecia.
– Elena, por favor
– Isso já está me dando enjoo – respondi. Não que eu não quisesse Bonnie ali, ela estava sendo uma boa amiga ficando ao meu lado mesmo depois de saber de tudo, mais sua presença também parecia inquirir explicações ou até mesmo confissões as quais eu não possuía vontade alguma de dar.
– Como você está? – Uma voz preocupada soou da direção da porta. Danny. – Seus olhos exibiam uma um triste ar de compaixão, companheirismo, e eu sorri por impulso, sem vontade.
– ótima! – respondi com uma falsa alegria e ele bufou.
– Bon Bon – pediu com sua voz mais calma a Bonnie e ela balançou a cabeça.
– Se precisar de mim, me liga, a qualquer hora. Estou aqui pra você – ela me disse sincera e eu agradeci com um aceno de cabeça que foi substituído por lágrimas teimosas que despencavam de meus olhos a medida que ela se afastava.
– Não adianta ficar assim... – ele ajoelhou-se a minha frente e me olhou nos olhos – Aqueles idiotas só falaram aquelas coisas horríveis pra vocês por que estavam assustados, foi impulso, calor do momento. Foi uma raiva momentânea. Nenhum de nós faria nada contra o Damon, e isso inclui qualquer coisa que possa machucar você, Elena. Nada.
– Não são os amigos de vocês. É a Débora – Ele fitou pensativo, a raiva dominava aos poucos sua calma expressão – Ela sabe de tudo, tem todas as provas... Eu sempre soube que ela não tinha aceitado...
– Elena, realmente empurrou aquele garoto? – Balancei a cabeça em positivo e então ele desviou o olhar.
– Ele me agarrou! – tentei me defender – Ele me agarrou, Danny!
– E porque você mentiu? Você devia ter dito a verdade a polícia, Elena.
– Eu não sabia o que fazer, eu tive medo. Eu não sabia que estávamos tão perto da beirada, eu não sabia... O Dylan... – Minha voz fora embargada pelo choro e Danny me segurou entre seus braços num confortável abraço – Nada nunca me livrou dessa culpa...
– Nós vamos dar um jeito. Nada de mal vai acontecer, eu prometo.
Permaneci inerte no abraço de Danny. Eu não estava pronta para me soltar. Eu não sabia o que fazer e suas palavras de consolo me acalentaram naquele momento.
– Precisamos agir em conjunto agora. Damon e eu resolvemos primeiro a bronca com os nossos amigos e...
– E eu? – inquiri.
– Precisa achar a Débora ou aquele loiro. As coisas dela ainda estão aqui, podemos destruir qualquer coisa que ela tenha contra vocês.
– E se houverem copias?
– A gente revira essa casa ou da um chega pra lá nela se precisar – eu ri.
POV Damon
– Já faz 7 dias! 7 dias e eles não atendem! Nenhum deles – Fitei Danny, a raiva me consumia.
– Você não esta fazendo diferente – ele me respondeu lembrando-me que eu estava sendo hipócrita. Joguei-me no sofá. – Quando você vai falar com ela? – Não respondi – Sabia que ela está pensando em ir embora?
– Ir embora?
– Damon...
– Não... Isso já chegou longe demais – Respondi – Elena é jovem, vai se formar e ter uma brilhante carreira nos palcos. Eu não tenho o direito de tirar isso dela. Ela não pode sofrer as consequências dos meus atos...
– Seus atos? Damon, ela já é suficientemente adulta para decidir...
– Ela é menor de idade – o interrompi — filha do Stefan, do meu irmão Stefan e está sobre minha guarda, é minha responsabilidade.
Ele não respondeu, ao invés disso, discou algum numero em seu celular. Talvez eu estivesse sendo duro demais, talvez ele tivesse razão, mais as coisas entre mim e Elena chegaram a tal ponto que eu me tornara um fraco dependente. Eu estava a evitando porque sentia que se chegasse perto dela me entregaria ao prazer de tê-la em meus braços e percebi que ela também evitava a mim. Eu sabia que eu estava apaixonado por ela porque tudo que eu via de bonito me lembrava Elena e tudo que me acontecia era a ela que eu tinha necessidade de contar. Evitando sua presença eu era racional, eu pensava com meu cérebro e não com meu coração.
– Alô, senhorita Amanda, aqui é o Dr. Daniel Dessai. Dra. Forbes já chegou a Nova York? – ouve uma pausa e ele revirou os olhos – Eu preciso saber disso. Ela está no escritório? Não, não está... Certo... Amanda, Amanda, ela não vai saber que... Certo, muito bem, você vai omitir a mim essa informação, um dos sócios desse escritório? Tudo bem, foi a Dr. Forbes que não pediu para não dizer se chegou... Ta bom... – ele desligou sorrindo vitorioso, eu não entendi.
– O que? – perguntei.
– Ela chegou, não está no escritório mais ela chegou...
– Como você? – perguntei enquanto ele pegava as chaves de seu carro.
– Anda, vamos... Eu não posso mais ver meus dois melhores amigos sofrendo desse jeito. Vocês tem que se amar em paz e se fazer as pazes com a insensível da Caroline ou o arrogante do Nathan vai te fazer melhor, ótimo, você vai fazer as pazes – Ele abriu a porta decidido, mais parou em um súbito susto.
– Vim buscar as minhas coisas – Débora disse ao encarar Danny nos olhos. Sai de trás dele em direção as malas e a bolsa dela que estavam empilhadas ao lado da TV.
– Destruimos aquele pendrive e formatamos seu notbook – Joguei tudo ao pé dela.
– Você foi um ótimo anfitrião ao me receber aqui. O que eu fiz foi para dar uma lição a Elena e foi o que eu fiz e faria novamente, a nossa amizade, se é que aquilo foi uma amizade, acabou quando ela empurrou o Dylan daquele penhasco e foi por isso, só por isso que tudo acontece. Eu sei que ela procurou o Brian, mais não precisam se preocupar quanto a mim ou ele. O segredo do incesto de vocês não vai chegar as autoridades através da nossa boca. Brian e eu pagamos a divida que tínhamos com a memória do meu namorado. Mais se eu conseguir reabrir o processo do incidente, nós dois daremos depoimento contra ela. Mais tudo que eu não quero é ter que ver aquela assassina novamente.
– Você é inacreditável, garota! – Danny cuspiu as palavras sobre ela e saiu em direção ao elevador. Tranquei a porta na chave e fiz o mesmo, sem dizer nenhuma palavra e nem olhar pra ela.
Quando chegamos ao carro eu tentei entrar, porem fui barrado.
– O que pensa que está fazendo?
– Indo com você.
– Não, você vai andar pelo Central Park e pensar no que está fazendo a Elena e quando terminar, e eu espero que você chegue a conclusão correta desta vez, espero que você vá pra casa e encontre ela pra resolverem as coisas da forma correta e não nessa greve de silêncio que você está fazendo – ele então entrou no carro, ligou e me deixou ali a ver navios.
POV Danny
Mais calmo e pronto a tocar a campainha do apartamento de Caroline, ouvi a voz de Nathan junto a porta.
– Espero que tenha sido a coisa certa a fazer, Caroline.
– É claro que foi – o tom de Caroline era baixo porém ainda audível – Matt está chegando no aeroporto no mesmo horário dele, junto com a equipe de futebol. Pedi que ele lhe desse o endereço. Vou pra lá pra ajudar a acalmar o Damon depois de despacharmos o problema pra Richmond.
Abri a porta o mais rápido que pude. Explodi em raiva ao deduzir o que eles estavam armando.
– Não podem fazer isso com eles!
– Danny! – Caroline gritou alarmada.
– Calma cara, tudo foi bem pensado e pra proteger o nosso amigo – Nathan olhou-me nos olhos na esperança de que eu o desse ouvidos.
– Quem vem? – Perguntei em meu tom mais calmo, mais nenhum dos dois respondeu-me. Gritei no mesmo instante – Quem vem?!
– Giuseppe – Nathan disse e eu fechei as mãos em punho.
– Como puderam fazer isso com o Damon? Como puderam chamar esse homem? Eu defendi vocês. Que espécie de amigos são?
– Daniel, calma – Caroline pediu – Vai ser melhor assim.
– Calma? Eu vou manter a calma sim... Anda, me fala o horário, Caroline.
– Já deve estar a caminho do apartamento de vocês.
Tirei as chaves do bolso e disparei porta a fora com Nathan e Caroline em meu encalço. Ao meu ver, uma tragédia estava para acontecer.
POV Damon
A caminhada pelo Central Park deu-me um certo alívio. As palavras de Débora e o pensamento positivo de Danny acabaram por tirar um pouco os pesos da minha costa. Parecia-me que agora Elena e eu tinhamos 1% de chance de dar certo e mesmo que a maioria da probabilidade estivesse contra nós, até a parte mais racional de mim desejava fazer dela minha mulher.
Não que isso fosse acontecer agora. Agora, o que tínhamos que fazer era conversar.
– Elena? – Adentrei o apartamento chamando por seu nome, por mais que meu tom fosse calmo, continha um pouco de desespero. Esperei por uma resposta que não veio. Fechei os olhos e respirei fundo e quando os abri lá estava ela. Joguei minhas chaves sobre a mesa.
– Que droga, Elena! — Gritei, precisava me livrar pelo menos de uma parte do que estava preso dentro de mim naquele momento — Eu deveria ser considerado um pedófilo filho da mãe! Você só tem 18, só 18 e me deixa descontrolado! Tudo em você me atrai, seu sorriso, seu perfume, sua rebeldia. Eu sei que eu não posso, que eu não devo, mais me apaixonei pela minha sobrinha. Como amor nos faz cometer um crime tão hediondo assim?
E fiz a única coisa irracional naquele momento.
Segui de encontro a ela o mais rápido que pude, agarrando-a e prendendo-a entre mim a parede. A beijei e ela correspondeu na mesma intensidade, dando passagem a minha língua e a minha mão deslizava por sua coxa.
– Eu quero você – ela sussurrou em meu ouvido deixando-me ainda mais louco – Eu sei que é errado, mais eu quero muito você, tio Damon.
– Larga essa menina agora mesmo, Damon! – Ouvi uma voz grossa e conhecida soar da direção da porta e então todo o meu corpo paralisou – Larga a menina agora ou eu mando te prender por estupro e assedio sexual, seu canalha imundo.
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