Notas iniciais
E chegaaaaaamos ao último capítulo... não vou dizer nada, confiram! Boa leitura!

Dia 10 de Setembro chegou e nunca foi tão sombrio como aquele. Eram os oito anos de Daniela, e ela estava lá, inerte em seu dia. Os médicos não davam notícias de avanços e progressos da pequena, apenas a mesma, só diziam para terem esperanças. Cecília já estava na reta final da gravidez, seu parto estava previsto para dali duas semanas. Se não fosse pelo bebê e a responsabilidade por uma criança, Cecília já teria desmoronado. Sua mente dizia que não havia mais jeito, mas seu coração dizia para esperar, que no fundo tudo ia se resolver. E ela estava pendurada ali no meio, entre a razão e a emoção.

Chovia torrencialmente naquela tarde, o que deixava o dia ainda mais taciturno. Cecília e Fernando faziam um lanche na cafeteria do hospital quando um chamado nos alto-falantes chamou a atenção de ambos.

“Dr. Pablo, comparecer urgentemente a ala de Unidade de Terapia Intensiva.”

Os dois deixaram a mesa no mesmo instante e correram até a UTI. Viram alguns médicos entrarem correndo no quarto em que Daniela residia e se desesperaram. Foram até lá, mas uma enfermeira os impediu de entrar.

— Lamento, mas não podem entrar aqui.

— É A NOSSA FILHA!

Correram até a parede de vidro e viram Daniela de olhos arregalados, porém sem foco, enquanto arqueava as costas numa tentativa falha de respirar. Cecília cobriu a boca desesperada e lágrimas saltaram de seus olhos, enquanto se escorava no marido para não cair. Um homem negro, aparentemente da equipe do Dr. Pablo, retirou o tubo da garganta de Daniela e cobriu o buraco.

— NÃO! — Cecília gritou. Aquilo mantinha Daniela viva.

Então Daniela parou de se debater e arquear, caiu no travesseiro e fechou os olhos. O mesmo médico que tirou seu tubo agora fazia uma massagem em seu peito.

— NÃO! POR QUE FIZERAM ISSO? — Cecília batia no vidro.

— Vamos, pequenina. Vamos lá, você consegue. — o médico murmurava enquanto esfregava o peito de Daniela.

Então, como se tudo ocorresse em câmera lenta, Daniela deu uma tossida e respiradas pesadas seguidas, até se normalizar, e foi quando abriu os olhinhos novamente e começou a chorar. O médico que lhe fazia a massagem sorriu.

— Não chore, lindinha. Você é bem forte. Vai ficar tudo bem agora.

Cecília quase desmaiou ali mesmo. Mas em vez disso, sorriu. Sorriu para a filha, sorriu para o marido. Os dois se abraçaram, finalmente tudo ia ficar bem.

...

Daniela voltou ao quarto depois da checagem médica, Cecília não pode ficar mais feliz. Ela e Fernando paparicavam a menina a todo momento, não saíam de seu lado.

— Mamãe! Não sabe quem eu vi. — Daniela disse com a vozinha fraca por conta do tubo que havia estado ali.

— Quem, minha princesa?

— O Miguel!

— Miguel? — tinha o cenho franzido — Quem é Miguel?

— É, mamãe. O Miguel, meu irmãozinho.

Cecília estranhou. Ainda não sabiam nem o sexo do bebê, decidiram deixar em surpresa, muito menos o nome que dariam.

— Ele disse que tava chegando e que iria me ajudar. A gente brincou bastante. — sorriu.

— Você conversou com ele? — Cecília sorriu amorosa acariciando os cabelos da menina.

— Claro né, mamãe.— revirou os olhinhos — Eu tava me sentindo muito sozinha, aí ele apareceu do meu lado e falou que se chamava Miguel e que tava chegando pra me ajudar. Ele era tão lindinho. Tinha o cabelo e os olhos iguais do papai.

Cecília e Fernando sorriram, a pequena estava convicta com sua afirmação, e ficaram contentes dela ter se divertido enquanto dormia em seus quase três meses em coma.

E estava certa! Duas semanas depois, Cecília assistia desenhos com Daniela no quarto de hospital quando sentiu suas pernas molhadas. Sabia muito bem o que aquilo significava. Daniela ficou contente na hora, finalmente seu papai e sua mamãe conheceriam o “Miguel” dos seus sonhos.

Fernando acompanhou a esposa até a ala de maternidade, Daniela insistiu em assistir o parto, mas teve que ser levada a uma sala ao lado para se preparar para a transfusão. Não era nada muito sério. Apenas seria colocado um acesso e receberia a medula. Estava muito contente, seria salva pelo irmãozinho assim como o mesmo prometera.

Cecília fazia respiração cachorrinho enquanto apertava a mão do marido.

— Mas que merda! Isso dói pra cacete!

— Isso, querida. Você está indo bem.

E mais alguns ossos se mexeram na mão de Fernando até que um choro forte irrompeu no quarto.

— É um menino! — anunciou o médico sorridente — Feliz nascimento, campeão.

Fernando beijou a esposa nos lábios, enquanto murmurava um “Você foi ótima.” e “Obrigado.”

...

Na sala ao lado, Daniela dava um sorriso tímido enquanto recebia as células do irmão. E não via a hora de conhecer o pequeno. Só ficara um pouco triste por saber que ainda ficaria mais duas semanas internada, mas era para sua própria segurança, pois com a nova medula em seu organismo as chances de infecções eram enormes, então ficaria em isolamento por alguns dias e depois poderia ter uma vida normal, só indo ao hospital em exames de rotina.

...

— Podemos ir agora? — perguntou a pequena pela enésima vez.

Cecília e Fernando foram buscar Daniela no hospital após as duas semanas, e a pequena estava tão entusiasmada que pulava no lugar, fazendo seu rabo de cavalo na altura dos ombros balançar de um lado a outro.

— Vamos, espoleta. Podemos ir agora. — Fernando brincou.

Daniela saiu do hospital no meio dos pais segurando suas mãos. Os médicos e enfermeiros se despediram dela, desejando vê-la somente em rotina. A pequena usava um vestido cor de rosa e sapatos de verniz pretos, parecia uma boneca.

Assim que abriu a porta de casa, viu Madelaine descer as escadas com um embrulho branco. Sorriu abertamente ao ver Daniela e entregou o pequeno à Cecília. A mesma foi até a sala de estar, seguida pelo marido e a filha.

— Dani, vem conhecer o Miguel. — chamou Cecília.

Daniela se aproximou e olhou para aquele par de olhos castanhos como os seus que a encaravam curiosos. Tinha o cabelo também castanho e as bochechas rosadas. Era pequeno, porém lindo.

— É como no meu sonho! — exclamou esfuziante — Oi, bebê. Sou eu, a Daniela. — disse e tapou a boca soltando risadinhas — Ele é tão fofinho. — apertou as próprias bochechas.

— Quer segurá-lo? — Cecília perguntou.

— Eu posso? — arregalou os olhos.

— Claro, meu anjo. Sente aqui. — apontou para o espaço ao seu lado.

Cecília passou o neném para Daniela, que sentiu uma alegria enorme em finalmente poder conversar novamente com Miguel.

— Oi, Miguel. Lembra de mim agora? — o bebê agarrou um dedinho de Daniela — Ele lembra! — disse aos pais e depois voltou-se ao bebê — Nós seremos grandes amigos, Miguel. E muito obrigada pela sua ajuda. Eu te amo, irmãozinho.

Cecília sentiu seu coração encher-se de amor diante daquela cena. Seus dois tesouros ali, juntos. Sua família finalmente havia encontrado a felicidade completa. Mas não somente isso, também havia encontrado um espaço no mundo para aprender as lições da vida.

Notas finais
The End?..... Nãããão, ainda falta o Epílogo :) Essa fic foi escrita há um bom tempo, foi minha primeira na verdade, e ela me ensinou tanto (literalmente). Nunca que eu desistiria dela, é meu xodózinho. Mesmo não comentando, eu vi a quantidade de leitores, e mesmo assim agradeço quem acompanhou. Até o epílogo...