Una lección de vida
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Lágrimas embaçavam os olhos do homem moreno que tinha as mãos grudadas no vidro a sua frente. Do outro lado, a pequena loirinha inconsciente, com seus barulhinhos de vida representados por “PI PI PI “ em uma máquina ao seu lado, um curativo em volta de um tubo que saía de sua garganta, a pele extremamente pálida e pesadas olheiras roxas, a boca sem cor em uma linha reta, os curtos cabelos sem brilho e os braços retos em seus flancos.
Seu peito pesava, a angústia o dominava e ele nada podia fazer. Era seu dever de pai amá-la e protegê-la de tudo, até daquela doença miserável. E ele falhara completamente.
O homem moreno sentiu uma mão em seu ombro e se virou, se deparando com a esposa grávida e o rosto totalmente encoberto por lágrimas. Ele abraçou-a apertado e choraram juntos, velando o sono profundo de seu pequeno tesouro.
...
— Eu quero vê-la! — disse Cecília pela enésima vez.
Estavam ela, Fernando e Madelaine juntos na sala de espera. A loira andava de um lado a outro com as mãos na cintura evidenciando a barriga dilatada coberta por uma blusa de seda preta. Usava também uma calça jeans escura para gestantes e sapatilhas, seus habituais saltos estavam proibidos.
— Amor, você não pode entrar na UTI, não fará bem ao bebê e nem a Daniela. — Fernando disse com uma expressão exaurida sentado em uma das poltronas.
— Sr. Fernando tem razão, senhora. Já está tarde, por que não vamos à casa para a senhora descansar? Logo voltamos. — sugeriu Madelaine.
— Daniela também é minha filha e eu quero vê-la. Não saio daqui sem entrar naquele maldito quarto!
Fernando suspirou e estalou a língua antes de levantar-se e ir até uma enfermeira que por ali passava. Conversou algo com ela e voltou até a esposa.
— Vamos, teimosa.
...
— Senhora, não podemos fazer esse tipo de coisa. — disse uma enfermeira — A senhora é uma exceção, então não demore, estaremos esperando aqui fora.
Cecília vestiu um tipo de roupa apropriada e entrou no quarto. A roupa era uma exigência, todos que ali entravam usavam-na, pois se tratava de um ambiente livre de qualquer tipo de bactéria. Aproximou-se da cama e chorou no mesmo instante. Daniela estava muito frágil naquele quarto, e pensar que qualquer contato poderia matá-la... Acariciou seus cabelos como pode.
— Meu amorzinho... Por que tens de sofrer tanto? Tão pequena... — deixou escapar um soluço — Sabe, a mamãe foi uma pessoa muito ruim. E hoje, eu daria tudo o que tenho para voltar no tempo e ter-lhe cuidado e amado como merecia. Eu teria a feito feliz, meu anjinho. — suspirou — Só espero que um dia você entenda tudo e possa me perdoar de verdade, porque você é tudo para mim. — chorou copiosamente após essas palavras — Não me deixe, anjinho. Eu tenho medo! Medo de um mundo em que você não exista. Eu luto por você, princesa, eu luto porque eu tenho esperança. Então volte para mim.
Cecília ajoelhou-se e chorou fortemente com a cabeça perto das mãos da filha. Seu coração estava apertado demais, uma angústia ocupava todo o seu ser. Sentiu alguém a levantar e viu Fernando, se jogou em seus braços aos prantos.
Fernando nada disse, apenas a tirou do quarto e, após ajudá-la a tirar toda aquela roupa, levou-a para Madelaine.
— Leve-a para casa, eu vou passar a noite. — Madelaine assentiu.
— Nos ligue se tiver qualquer notícia. — pediu a babá.
— Claro. — deu um beijo na testa da esposa antes delas saírem pela porta do hospital.
Fernando passou toda a noite sentado nas cadeiras em frente à parede de vidro. Médicos entravam no quarto e checavam a menina, mas nunca um avanço, sempre na mesma. E foi ali, sozinho, sofrendo, que Fernando duvidou pela primeira vez na vida se era digno de pena.
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