Notas iniciais
28.07.2015, terça-feira. Los Angeles, USA.
Cheguei ao prédio da empresa e assim que a porta se fechou, escutei um pigarreio vindo por trás de mim e virei-me, encontrando a loira mais linda da vida.
— Olá, mel. Bom dia! — Juliete, a recepcionista que operava no turno da manhã saudou-me parando logo a minha frente com uma pilha de papéis em seus antebraços. — Senhor Jeffrey me pediu para avisar-lhe que hoje ele novamente não poderá comparecer a empresa, a mãe dele ainda está internada e ele não explicou direito o que houve com os irmãos por não poderem ficar com ela. Bom, o chefe esteve agora pouco aqui e disse que conta contigo. — ela fez uma careta e deu dois tapinhas em meu ombro direito. — Boa sorte!
— Obrigada, sua boba. — falei risonha e pegando os papéis que antes estava em seus braços. — Mas para a minha sorte hoje, pelo menos nesse horário, as coisas estão muito tranquilas, ou estou enganada.
— Nada disso, está certíssima. Somente querendo lhe adiantar dei uma olhada na nossa planilha e hoje tu não tens praticamente nada para resolver, mas depois tu olha direito, viu? Estava sem meu óculo. — ela disse rindo e me dando um beijo na bochecha. — Agora deixe-me ir, e bom trabalho, melzinha.
— Pra você também, doidinha! — disse antes de vê-la curvar num corredor mais a frente e caminhei para as escadas, subindo quatro lances seguidos até chegar ao andar em que o meu escritório e o Jeffrey se encontravam.
Entrei no dele e coloquei a pilha pequena de papéis sobre a mesa. Liguei o seu computador, o qual ele havia me confidenciado a senha, e sentei-me em sua cadeira giratória.
Chequei o seu e-mail e estava tudo ok, aproveitei para olhar o e-mail e site da empresa para ver se estava tudo em ordem, e por coincidência também estava.
Analisei os papéis e percebi que somente precisavam dos carimbos da empresa e assinatura do chefe para comprovar o recibo. Sendo assim, carimbei todos e coloquei no cofre especial da empresa, na qual somente o chefe, eu e o Jeffrey tínhamos acesso.
— Dona Amelie! — escutei a voz de Lucy e virei-me num pulo, terminando de fechar o cofre. — Me conte TUDO! — ela disse dando bastante ênfase na última palavra.
— Tudo o que? — fiz-me de desentendida e caminhando de volta a sala de Jeffrey, sentei-me na cadeira vendo-a imitar o ato e acomodar-se ao assento que havia na frente da mesa.
— Ata, agora a senhorita não sabe, né? — neguei com a cabeça seriamente e ela riu. — Sua idiota, fala logo como foi o encontro com Daren.
— Escuta aqui, você não tem o que fazer não, mulher? — resmunguei fechando as abas que eu havia deixado abertas no computador e desliguei a tela.
— Não, todos na verdade estão sem nada pra fazer. Mas aqui, não foge do assunto, fala. — sorri para a minha amiga e consertei-me na cadeira.
— Ué, não teve nada demais. Ele me levou a um restaurante muito lindo e legal nas montanhas, inclusive te levarei lá qualquer dia desses. Me contou coisas sobre a adolescência dele e me levou de volta até em casa. — contei sobre o nosso passeio de dez dias atrás, admitindo sem rodeios e a cara dela não foi de quem gostou muito.
— Credo! Só isso? E os beijos amiga? — dei um tapa em sua testa arrancando uma gargalhada gostosa de sua boca. — Mas aqui, você já foi mais rápida.
— LUCY! Eu o conheço não faz nem um mês direito, para com isso. O cara tem uma filha.
— Mas tem uma esposa? Não né, ata.
— Como sabes?
— Ué, já ouviu falar num troço chamado ‘facebook’ então, lá possui o estado civil das pessoas e...
— Idiota. — falei risonha levantando de onde eu estava sentada e tentando empurra-la de sua cadeira na intenção de derrubá-la, mas não tive êxito.
— Já falei garota! Se joga, para de ficar se remoendo por uma coisa do passado. Amelie, você tem noção do quanto de amores que tu já perdeu? Tá... pode ser que os outros não rolaram porque ESSE DAQUI, DAREN tinha que dar certo, mas cara, não perde, por favor. Dê-se uma chance, dê a ele uma chance, dê a vocês uma chance, senão, se joga da ponte, por favor.
Sentei-me novamente a minha cadeira e respirei fundo.
— Ele é lindo, não é? — perguntei sentindo meu rosto inteiro esquentar.
— Lindo ainda é apelido, com todo respeito. — ela riu passando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. — A filha dele é uma graça também.
— É sim, sou “xonada” naquela pequena. — sorri piscando algumas vezes e senti meu celular vibrar dentro da bolsa. O peguei rapidamente e vi que a mensagem era de número desconhecido e dizia:
“Repasse essa mensagem e ainda hoje terá uma surpresa” — D. S.
Não pude conter uma risada e entreguei o celular a Lucy, que gargalhou juntamente comigo. Em seguida, porém, o telefone do escritório tocou e atendi escutando do outro lado da linha a voz de Juliete dizendo-me que uma encomenda havia acabado de chegar para mim e pedindo a minha autorização para a subida da mesma, o que fora óbvio. E de antemão, solicitei a ela que fizesse um pedido para uma cafeteria próxima daqui, dois cafés cremosos ao leite com mais duas caixinhas de donuts recheadas e cobertas, logo após, porém, finalizamos a ligação e um carinha deixara aos pés da porta em seguida uma caixa vermelha com somente um fio de sisal lhe envolvendo num laço.
A ansiedade tomou conta de mim e então corri para abri-la, desfazendo rapidamente o laço e vendo que dentro dela, sob muitos embrulhos havia um buque de rosas e sem ter tempo para gargalhar meu corpo iniciou uma sequencia de espirros.
— Ain, tadinho!— Lucy disse retirando de perto de mim as rosas e continuei a espirrar algumas vezes me afastando dela e escorando-me no batente da porta. Apontei para o celular, dando mais uns três espirros e pedindo para que ela o pegasse, espirrei mais uma vez e caminhei até o pequeno bebedouro pequeno da agencia, peguei um copo e enchi-o de água, bebendo tudo num só gole.
Caminhei de volta até a sala e após dar mais um espirro, peguei meu celular. Apesar da crise que eu acabara de ter, eu havia amado o presente e não pude evitar dizer isso a ele.
“São lindas, fico muito agradecida pela surpresa.”— enviei de volta e Lucy grudada em meu cangote soltou uma gargalhada.
— Mentirosa, espirrou igual uma descontrolada e amou o presente?
— Ué, isso por algum acaso significa que eu não tenha gostado da surpresa? Sua chata. — resmunguei dando um peteleco em sua testa e voltando a me sentar na cadeira, fungando profundamente.
Durante todo o resto do dia Lucy ficou entocada naquela sala junto comigo. Nos empanturramos de tortas doces, cafés, rosquinhas recheadas e sucos naturais. Observamos durante o dia inteiro a cidade de Los Angeles do alto daquele edifício. As pessoas correndo na praça principal, os vendedores de pipoca, algodão-doce e churros já se colocando a postos. Assistimos o sol se pondo aos poucos, e sinceramente, fora a coisa mais linda daquele dia, o céu se pintando com um belo degrade de cores que ia desde um rosa claro a um laranja bem fraquinho. Vimos também a primeiras luzes dos postes das ruas se ascenderem até nos darmos conta de que estava na nossa hora.
— Meninas, já estou indo. Vão querer carona? — Rachel, a mais veterana naquela empresa se prontificou enquanto guardávamos nossas coisas.
— Oh, eu aceito. — Lucy e eu dissemos unissonamente, acompanhando Rachel até a porta, e assim que descemos as escadas e íamos caminhando até o Sedan da nossa amiga, dei um espirro e logo em seguida vimos um carro preto parar de frente para onde nós estávamos e de imediato senti meus músculos enrijecerem-se.
Os vidros se abaixaram e sorri ao ver quem era.
— E ai, aceita uma carona? — Daren perguntou sério.
— Meninas, nos vemos amanhã. — disse de forma constrangida ao ver seus olhares e fiz uma careta, abraçando-as e selando suas bochechas, caminhando até o carro de Daren, entrando no mesmo, fechando a porta em seguida e passando cinto por mim. — Boa noite! — o saudei fitando seu rosto e vendo-o que estava com um sorriso nos lábios enquanto xeretava algo sob seu banco.
— Ótima noite.— seu tom de voz demonstrava que ele estava rindo e em seguida ele voltou a posição normal. O cabelo estava envolto numa fita preta e os olhos me fitavam. — Seu nariz está vermelho, Amelie. — sorri segurando uma risada e enfim ele deu partida no carro.
— Então, eu não queria lhe contar, mas já contando, é que na verdade eu tenho alergia a rosas. — acabou que com esse comentário arranquei dele uma gargalhada maravilhosa.
— Eu não acredito nisso. — ele disse risonho. — Me esforcei tanto.
— Mas eu verdadeiramente gostei, sério, amei na verdade. — eu disse rindo junto com ele. — É só me dá flores de mentira da próxima vez.
— Até parece, vai ter que sofrer com sua alergia, viu? — ele disse fazendo-me rir e passei a caixa com o buque para o banco de trás, dando mais um espirro. — Mas você tem alergia a todas as espécies de flores?
— Bom, em todas que eu peguei ou ao menos cheguei perto, quase morri de tanto espirrar e me coçar. Graças a Deus depois que comecei a tratar essa alegria, ela diminuiu bastante. Eu me empolava do alto da cabeça até a planta dos pés, ficava toda vermelha, só por causa de uma flor, e eu sou apaixonada por flores.
— Ainda bem que existe as artificiais né?
— Mas elas nem se igualam as naturais, porém, ok, me contento. — ele riu virando numa rua. — E cadê a Lou?
— Está na casa da minha irmã, estamos indo lá. — o encarei assustada.
— O que? Olha o meu estado, estou horrível, dá meia volta Daren. — ele riu e parou o carro, me olhando firmemente.
— Quando você estiver horrível, Amelie, — Daren disse num sussurro se aproximando. — Será o fim do mundo, podes ter certeza, e ainda assim, estará linda, então não se preocupe. — e voltou à posição normal, dando partida novamente.
— Mas eu nem a conheço e vou, pá! aparecer na casa dela?
— Ué, vai conhecê-la agora.
— Mas... eu vou trabalhar cedo amanhã. — ele diminuiu a velocidade e assentiu. Me senti meio retardada, quantas vezes eu já havia ido dormir tarde, mas ainda assim levantava cedo para o trabalho. — Não... pode, pode ir. — pedi firmemente.
— Tem certeza? Pois não quero que esteja cansada pela manhã.
— Tenho certeza, Daren. — ele assentiu e acelerou mais um pouco, sorrindo de canto e rasgando pelas ruas da cidade.
Peguei meu celular e disquei para o numero de meu pai, que tocou três vezes até que ele me atendesse.
“Oi filha.” — ele disse com a voz sonolenta.
“Estava dormindo? Me desculpa ter te acordado.”.
“Não, que isso, pode falar.”.
“Então... é que hoje, talvez, eu chegue mais tarde em casa, ok?”.
“Sem problemas, mas só por precaução, aonde vai?” — de soslaio olhei a Daren, que parecia concentrado no caminho.
“Vou à casa da irmã de um amigo meu.”.
“Amigo?” — ele indagou meio risonho.
“Sim, papai. Um amigo.” — pude ver um sorriso escapar dos lábios de Daren.
“Está bem filha, pode ir tranquila, se quiser dormir por lá...”.
“PAPAI!” — exclamei ruborescendo. — “Até daqui a pouco, beijo.” — ele soltou um beijo estalado do outro lado da linha e desligou em seguida.
— Seu pai me parece ser uma figura. — Daren disse entrando numa rua que possuía casas na qual poderíamos chamar de verdadeiros ‘uais’.
— Ah, ele é. — confirmei soltando um sorriso. — E a sua irmã deve ser podre de rica, né? — ele fez uma manobra e estacionou o carro de frente para um casarão branco com pilastras da mesma cor em sua fronte.
— Deve não, é. — disse num murmúrio e destravou o carro para que saíssemos e assim o fizemos, sentindo a gélido da brisa noturna nos envolver.
Um portão gradeado, automaticamente abriu-se a nossa frente e ele me deu um leve empurrão para que entrássemos, o que sem dúvidas fora uma péssima escolha. Dois enormes cães saíram por de trás daquela mansão e dispararam a correr em nossa direção.
— BETA E ALFA! — Daren berrou assim que me passou para trás dele, vendo que os cachorros se preparavam para pular, o que não adiantou muito, eles continuaram a correr em alta velocidade, porém pararam ao escutar um assovio muito alto.
— Eu não quero morrer, eu não quero morrer.— muxoxei repetidamente ao encarar aqueles cavalos em miniaturas parados a nossa frente.
— Olha, você tem é muita sorte de eles não terem arrancado sua cabeça fora muito mais rápido. — gritou uma voz feminina vindo de um lugar na qual eu ainda desconhecia.
Olhei os cães e percebi que um deles era da família dos Malamute-do-Alasca, parente do Husky Siberiano, já o outro eu não sabia bem se era um Fila Brasileiro ou um Dogue Canario.
— Eles tem uma apatia enorme por estranhos. — Daren disse retirando sua mão que estava parada em minha cintura, acariciando a cabeça de um dos cães, e em seguida meu olhar fora levado aos degraus que havia na frente daquela coisa que se é que podíamos chamar de mansão.
Uma moça que usava um short jeans e camiseta rasgada dos Ramones descia o ultimo degrau e caminhava em nossa direção, seus cabelos no tom rosa pastel sacudiam com cada passo que ela dava e o sorrisão dela era demais.
— Você tá ficando louca? Não prendeu essas coisas por quê? — o Malamute deu um alto e forte latido na direção de Daren ao escutar a palavra coisa. Ha, que amorzinho.
— Não fala assim deles, coitadinhos. — a voz da moça era tão suave e o olhar era tão parecido com o de Louise que me assustara com demasiada semelhança. — Da próxima vez me avisa que irá trazer acompanhante, tá bom? — ela sorriu e desviou seu olhar para mim. — Olá, que moça gata, qual seu nome?
— E ai, me chamo Amelie. — eu disse retraída e apertando a mão que estava estendida para mim, sua boca formou um 'o' e o olhar que estava sobre mim foi dirigido para Daren.
— Então tu que é a famosa Amelie?
— Acho que sim. — e ai ela arqueou de forma sugestiva para o seu irmão.
— Daren me falou muito de você. — essa foi a minha vez de levantar a sobrancelha para ele. — Inclusive, me disse que go...
— Vamos entrar né. — Daren tapou a boca da irmã com a mão e sorriu sem graça.
— Sua casa é linda. — falei acompanhando-os e demasiadamente constrangida. Rebeca deu uma longa olhada para a construção e a mesma retirou a mão de seu irmão, dando um sorriso para mim.
— É, ela é sim, mas vamos, espero que goste ainda mais de seu interior. Louise vai à loucura lá dentro. — ela completou risonha e passou a nos puxar ainda mais rápido na direção do lance de escada que havia na frente do casarão.
— Aquele é um Fila ou um Dogue?
— Um Dogue, sou apaixonada nesse bebezão. Louise fica horrorizada quando chega aqui e os vê correndo em sua direção. Sinceramente, fiquei admirada contigo só pelo fato de que eles não arrancaram sua cabeça de primeira, com estranhos eles não costumam reagir muito bem assim não.
— Opa, graças a Deus então né? — eu disse enquanto terminávamos de subir os degraus e parar de frente para a imensa porta.
— Amelie tem uma luz diferente, deve ser isso. — Daren disse sem me olhar e sorri de canto, com Rebeca analisando todo o lance.
— Acho que teremos um ótimo resto de noite, né? — a moça disse respirando fundo e nos empurrando para dentro.
Eu assim espero...
— AMELIE!— essa foi a única coisa que escutei quando adentramos no casarão, já que logo em seguida só escutei o barulho do meu corpo encontrando o chão.
— LOUISE, CUIDADO! — escutei o bradar de Daren e levei a mão ao lado inferior esquerdo de minha cabeça, sentindo a ardência e o latejar se misturar. — Amelie, está bem? — ele perguntou e suguei o ar.
— AI MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ SANGRANDO! – atentei-me a fala de Rebeca e cerrei os cílios, sentindo-a me pegar pelo antebraço e de forma vagarosa ajudar-me a levantar. — Vira ai, me deixa dá uma olhada nisso. — a negra me pediu e vi Louise arregalar os olhos, escondendo o rostinho no vão do pescoço de seu pai.
— Não pode fazer isso Lou, ela machucou, viu?— vi Daren sussurra para Louise enquanto caminhavam para um dos sofás que havia na sala.
— Daren, fica tranquilo, está tudo bem! — afirmei suavemente.
— NÃO ESTÁ! — bradou — Você tem com um corte na cabeça, e está sangrando. — franzi o cenho e vi Louise fazer um biquinho de choro.
— Daren! — Rebeca o repreendeu. — Não foi nada demais e para com isso, Amelie não vai morrer, pode ficar tranquilo tá? — ela completou e virou-se para mim — Vamos estancar esse sangramento ai e talvez terei de suturar, mas vai ficar tudo belezinha, tá? Podes ficar tranquila que aquele ali... — ela apontou para Daren, enquanto ele pegava Lou no colo e acariciava seu cabelo. — É só mais um exagerado.
— Ah, tudo bem... — sussurrei por fim e saí com Rebeca a puxar-me para a escada que se dividia em duas ao seu final.
Passamos por um corredor imenso e amplo. Em toda a parede espaçosa, havia um quadro, ou melhor, conjunto de quadros, todos em tons vibrantes e de tamanhos grandiosos. Muitas portas também, portas essas em tons pretos com maçanetas brancas e toda a “parede” que sustentava a casa era feita de vidro que parecia ser limpo a todo o momento, de tão impecável que estava.
— Agora eu sei o porquê de que a Lou vai a loucura aqui. — comentei arrancando uma risada de Rebeca, que abriu a porta de algo que me parecia um consultório, e é claro, eu ficara embasbacada ao observar o local, eu não esperava por aquilo.
Havia duas macas, uma em cada lado, armários como que de enfermarias e alguns outros suportes idênticos aos de consultórios médicos.
— Você é enfermeira? — indaguei curiosa e sentei-me na maca que Rebeca me indicou.
— Fiz curso, mas optei por não seguir a carreira, todavia, fique tranquila, sei o que faço. — Rebeca respondeu risonha e apontou para dois diplomas em uma das paredes, caminhando em seguida até uma portinha que dava para o banheiro. Escutei a água cair antes dela voltar esfregando uma mão a outra. — Álcool em gel. Levo a sério as coisas, viu? — ela riu novamente e pegou uma máquina de raspar cabelo eletrônica que estava no criado-mudo. — Terei que raspar um pedaço do seu cabelo, tá? Preciso ter precisão no local do ferimento. — assenti com uma cara de tristeza e Rebeca iniciou o procedimento, retirando somente um tufo pequeno, nada muito assustador. Rebeca saiu por um instante e voltou esfregando as mãos, colocando em seguida um par de luvas de látex em suas mãos. Ela limpou o meu corte com algo que eu desconhecia e após caminhar até uma caixa e abri-la, retirou de lá uma seringa, andando em seguida até um pequeno frigobar e retirando de lá um frasco que provavelmente continha anestesiante. — Olha, vai doer um pouco, tá? — Rebeca anunciou agitando suavemente o vidrinho e enfiando a agulha no mesmo, puxando a substância que lá havia. — Eu particularmente sentia muita dor quando me machucava e tinha de usar isso, Daren e Lou também. — assenti e Rebeca se aproximou, pressionando a seringa para a retirada das bolinhas de ar.
Assenti para ela e sem delongas senti a agulha então em minha carne e quase chorei, uma ardência mais forte tomou conta do local.
— Essa substância é utilizada para anestesiar o lugar antes de começar a sutura, chama-se lidocaína. — Rebeca me informou após retirar a agulha e deu-nos as costas, descartando a seringa e a agulha da forma correta.
— Tá bem? — escutei a voz de Daren e assenti. Rebeca voltou a mim e iniciou a sutura que não durou nem vinte minutos, e logo a vi corta o fio.
— Prontinho! Agora é só ficar quietinha, pois senão os pontos abrem, já que estão fresquinhos. Ok? — assenti totalmente agradecida e deitei-me calmamente na maca. — Lou, acompanha a tia? Preciso te mostrar uma coisa. — Rebeca pediu enquanto descartava os materiais e retirava a luva, descartando-a também no lixo descartável.
— Mas tia, e a Amel...
— Louise! Vem logo. — ela disse puxando a garotinha para seu colo e saindo com ela do quarto antes que a pequena completasse a frase.
— Está com menos dor? — Daren perguntou encarando-me e troquei de posição. — Cuidado com o ponto, não pode forçar Amelie.
— Não precisava ter falado com a Lou daquele jeito.
— Desculpa, mas pô, eu fiquei assustado. — ralhou puxando uma poltrona no canto da sala para próximo da cama. — Mas não vai acontecer mais.
— Assim espero!
— Mas está com menos dor?
— Mais ou menos, está latejando um pouco ainda.
— Acho melhor você dormir um loirinha, descanse. — ele falou todo carinhoso, acariciando minha bochecha e acabei assentindo de forma sonolenta, sentindo-o selar minha testa.
— Obrigada!
E antes que eu pegasse no sono, o escutei dizer.
— Obrigada a você, por aparecer em minha vida, Amelie.
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