Notas iniciais
OI, OI MEUS AMORES! Tudo bem com vocês? Era para eu ter postado esse capítulo ontem, mas acabou que eu passei muuuito mal e tive que correr para o hospital, ficando lá até uma e meia da madrugada (pior dia da minha vida). Mas, muuuuito obrigada pelos comentários e seja bem-vinda 'Luma Flower', sinta-se em casa. ♥ Gente, no meio do capítulo eu coloquei o nome de alguns equipamentos e manobras do surf, então eu deixarei abaixo o que é cada um, ok?: Leash*: é aquela cordinha que une o surfista a prancha, permitindo que quando ele caia, ainda mantenha-se preso a ela e seja mais fácil de subir na prancha novamente. Cut back*; o Aéreo* e o Floater* são manobras, na verdade são umas das principais e fundamentais dentro do surf, mas tem muito mais, essas são algumas. E agora sem mais delongas: Boa leitura! ♥

18.07.2015, sábado. Los Angeles, USA.

Pela manhã Amelie já estava de pé, e quando digo manhã, quero dizer às 06h30 de um sábado.

O sol verdadeiramente havia acordado a loira entregando-a um belo bom dia.Seus raios brilhavam de forma esplendorosa, atravessando as janelas de seu quarto e refletindo na parede cores do arco-íris.

Enquanto ela vestia um short jeans e uma camiseta larga, a brisa entrava soprando alguns papéis sobre o seu criado e assoviando no pé de seu ouvido, como se a convidasse para o mar.

— Ah, eu não acredito, você também vai sair? — a voz grossa de seu pai soou pelo quarto, fazendo-a dar um pulo de susto.

— Nossa.— sussurrou levando a mão ao coração e soltando o ar que havia prendido. — Achei que estivesse dormindo bonitão. Eu vou surfar, por quê? Aconteceu algo? — Don negou sutilmente com a cabeça e sorriu.

— Nós temos que sair pra surfar hein, faz um tempo que não saímos juntos. Eu, você e seu irmão. — a loira balançou a cabeça de maneira tristonha e suspirou.

— Eu e Nando estamos crescendo.

— E eu me recuso a aceitar isso! — o comentário de seu pai a fez cair na risada, fazendo uma feição de desgosto brotar na cara do mesmo.

— Mas ele vai sair também?

— Sim, porém mais tarde, segundo o que ele me disse, vai sair para fazer um trabalho de biologia, aiai... seu irmão acha que me engana.

— Como assim? Tá achando que ele tá de namoradinha?

— Tô achando não, tenho certeza. — Don disse com um sorriso nos lábios, realmente seus filhos estavam crescendo. — Nunca vi, não para de sorrir para a tela daquele celular, chega a ser cômico. — Amelie sorriu e caminhou até o seu pai, o abraçando e beijando o alto de sua cabeça.

— Nós estamos crescendo, mas jamais lhe deixaremos. — os olhos do coroa encheram-se de lágrimas, lágrimas essas que ele tratou de sacar e logo em seguida beijou a bochecha de sua filha.

— Vai voltar para o almoço? — perguntou, recebendo de sua filha um aceno positivo com cabeça, enquanto a mesma caminhava para o banheiro. — Então está bem, boa praia minha filha, vai com Deus e cuidado hein!

— Amém, pode deixar! — exclamou alto e logo em seguida seu Don retirou-se do quarto.

Da janela do seu recinto, bem ao longe, o sol reluzia no imenso monte, deixando feixes d’água, que ficara da chuva na noite anterior, resplandecente.

E fora no momento em que Amelie saíra do banheiro que seu celular começara a tocar loucamente ao som de Downtown do belíssimo Macklemore.

Ela saltou em sua cama e pegou o smartphone, olhando no visor em seguida e vendo a foto sua junto de Lucy tirada no primeiro dia na qual haviam surfado juntas. Fora um dia memorável.

“BOM DIA, GATINHA!” — a morena gritou do outro lado da linha assim a amiga atendera. — “Vem me buscar?”.

“E ai, gata! Com certeza.” — respondeu-lhe de volta arrancando gargalhadas da morena — "Passarei ai às 07h30 ." — dito isso, Lucy concordou, as duas se despediram e a ligação fora finalizada em seguida.

Amelie para conseguir cumprir com horário logo pegou sua bolsa e deixou o quarto, caminhando para o do seu irmão, abrindo a porta e encontrando só escuridão, percebendo logo que o caçula ainda dormia.

A loira caminhou até a cama e abaixou-se para ficar na altura do irmão, que ressonava tranquilamente, e disse em seguida:

— Estou indo, beleza? — ele muxoxou algo e virou-se para a parede. — Qualquer coisa me liga. — um “uhum” totalmente sonolento fora escutado e ela selou o ombro do irmão, deixando seu quarto em seguida e posteriormente a casa.

Na garagem o seu Ford f100do ano de 1962 a esperava, com sua long board na traseira.

***

Trestles, San Diego, USA.

A brisa marítima da praia de Trestlesa aninhava como num abraço, mas que ao invés de esquentá-la, a gelava por um todo.

— Está linda, não é? — Lucy sussurrou olhando ao redor.

A areia clara e molhada estava repleta de conchas e plantinhas rasteiras. Um céu azul e sem nuvens as engolia, mas ainda assim deixava o clima frio.

— Poxa, demais. Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui que eu até me esquecera. Trestles é maravilhosa, em todos os sentidos. — as amigas sorriram cúmplices e enterraram suas pranchas na areia, começando a desfazerem-se de suas peças de roupas, ficando somente de biquíni.

— Biquíni bonito. — Lucy comentou, ficando toda arrepiada pelo vento forte.

— Ele é né? Maravilhosinho, e não sai do corpo por nada.

Após isso, elas pegaram suas pranchas, colocaram a leash* e caminharam em direção ao mar, que logo em seu início já começava a bater em seus joelhos. A maré estava alta, e mais do que o normal. As ondas grandes se formavam, medindo no mínimo entre cinco a oito metros, essas ‘belezuras’ arrancavam-lhes longos suspiros.

Alguns surfistas mais a frente já se aventuravam também, mandando umas manobras doidas, outros ao menos tentavam.

— Que Deus nos guarde! — Lucy sussurrou e sem titubearem elas se jogaram naquela imensidão esverdeada, subindo em suas pranchas e começando a remar, um pouco longe de onde as ondas quebravam.

O surf, além de tudo é mistura do estilo de vida, com uma filosofia. Uma maneira de estar, de sentir, de ser, que lhe proporciona desafios, prazer, satisfação e acima de tudo, adrenalina.

Assim que Amelie avistou uma onda boa se formando, ela passou a remar com mais força e levantou-se, pegando impulso e mandando um cut back*, mas acabou caindo em seguida e afundou, esperando a onda terminar de quebrar e emergiu totalmente irritada em seguida.

Mais a frente Lucy remava e em seguida levantou-se entrando num tubo que se formava, mas ela acabou por cair na metade e Amelie percebendo que a mesma demorava um pouco pra emergir, já que a onda havia quebrado-se em cima dela, começara a ficar aflita e quando quase pulou da prancha para nadar até onde a amiga havia caído, viu a morena emergir, puxando o ar com força e sorrir levemente assustada.

— ESTÁ BEM? — Amelie gritou preocupada e soltou um suspiro ao vê-la fazer um sinal positivo com a mão, sorrindo em seguida e respirando fundo também.

— A segunda onda quebrou em mim, a pressão foi demais e acabei submergindo. — Lucy gritou devido ao barulho do mar.

A morena de forma majestosa subiu na prancha de novo, jogou o cabelo para trás e sinalizou para que voltassem a remar e assim o fizeram.

Não demorou muito para que uma boa onda aparecesse e as duas remaram com mais força contra ela, ficando de pé na prancha e como se tivessem combinado, mandaram um aéreo*, e assim que a prancha voltou à água, as duas completaram com um floater*, deslizando em seguida suavemente sobre a água e levantando os braços em comemoração.

— Combinamos? — Amelie perguntou risonha e apontou para a areia, fazendo menção de sair d’água.

— É uma conexão de alma, minha amiga! — Lucy brincou e passou a remar em direção a faixa de areia.

Só foi elas deixarem a água que logo voltaram a sentir o frio, e dessa vez bem mais cortante.

— E tia Elo, como está? — Amelie indagou, forrando sobre a areia uma canga e em seguida se enrolando com a toalha felpuda.

— Está melhor, graças a Deus! Ela saiu do hospital antes de ontem e está alegre que só. — Lucy respondeu fazendo o mesmo que Amelie e em seguida sentou-se, prendendo o cabelo num coque alto. — Mas nós estamos nos adaptando bastante a ela, e até limitando algumas coisas, pois agora todo cuidado é pouco. — ela disse com pesar. — É difícil vê-la desse jeito, minha mãe é sempre tão animada e agora, após os ataques cardíacos está quase impedida de fazer as coisas que mais gosta.

— É pesado... Mas vocês sabem que tem a mim e tem a Deus, né? — Amelie disse calmamente, tomando a mão de sua amiga e beijando-a na testa.

— Obrigada viu? Você é demais!

As duas continuaram a conversar por um bom tempo, falaram de inúmeras coisas, até que começaram a falar de Daren e foi nesse momento que o celular de Amelie começara a tocar loucamente, logo ela o retirou da bolsa e atendeu-o em seguida.

“Pai? Aconteceu algo?” — ela indagou curiosa e em seguida escutou uma risada rouca vinda do outro lado da ligação.

“Olha, eu não tenho idade para ser seu pai não, escutou dona Amelie?” — a voz brincalhona e, apesar de que prematuramente ela já a conhecesse bem, a fez ficar embaraçada no momento.

Ela estancou, e encarou à Lucy.

“Uhm... Olá Daren, é... bom dia!” — ela titubeou fazendo Lucy rir, que logo em seguida sussurrou para que a loira colocasse no viva-voz.

“Bom dia, Amelie. Está em casa? Estou escutando um som diferente.” — a loira respondeu com um rápido não. — “Posso te ligar mais tarde caso seja melhor para você.”.

“NÃO!” — ela gritou ansiosa acabando por fazê-lo rir. — “Pode falar, não estou ocupada.”.

“Então, é que a Lou foi para a casa da minha irmã, puxa saco que só, e bom, se existe uma pessoa que odeia ficar só nos finais de semana, essa pessoa sou eu.” — a loira logo enviou um olhar desconfiado para Lucy e a mesma deu de ombros, fazendo-a revirar os olhos e focar na conversa. — “Eu queria saber se você topa sair comigo para um simples jantar, o que você acha?” — e então adivinha? Ela realizou a proesa de engasgar-se com o seu próprio ar, se é que isso pode ser possível, o que sucedeu boas gargalhadas de Daren, enquanto Lucy fazia o mesmo, abafando a sua com uma toalha. — “Amelie, você está bem?” — ele perguntou suspirando e ela fez o mesmo, de forma profunda, recompondo-se.

“É claro que estou, engasguei, somente isso.” — resmungou desajeitada e novamente ele riu, soltando um ‘tá bom. — “Mas então, respondendo sua pergunta. Eu acho uma ótima ideia.”.

“Então fechado. Podemos nos encontrar naquela mesma praça? Ás sete horas.” — Amelie respondeu com um sim, e após se despedirem ela acabou por desligar.

A loira rapidamente lançou um olhar confuso para Lucy. A mesma encarou-a de forma engraçada e ainda mais confusa, como se tivesse escrito na testa da loira uma eterna incógnita.

— O que? — a morena resmungou.

— Não acha que eu fui rápida demais? — Lucy riu falsamente e a encarou totalmente estarrecida, como se a loira tivesse cometido o maior sacrilégio.

— Amelie, para com isso, é só um jantar. — agora fora a vez de Amelie a olhar abismada.

Como assim “Só um jantar”? Pensou a loira.

— Você sabe o que vem depois de um jantar! — Lucy soltou um grito e desatou a gargalhar, levando sua mão à boca.

— Amelie, eu não acredito que você disse isso.

— NÃOOO! — a loira gritou assustada com o possível pensamento da amiga e tornou a dizer: — Você sabe que eu não me refiro a isso Lucy!

— Eu estou brincando sua boba, eu entendi. — ela respirou fundo, adotando uma expressão mais tranquila, não perdendo, porém, a seriedade. — Olha, se tiver que rolar algo, vai rolar, e deixe acontecer...

— Mas eu não estou preparada, e... argh, isso é ridículo, já estou imaginando demais. Não vai rolar nada! — Amelie resmungou bufando, porém, seu âmago torcia para que acontecesse.

— Cala a boca e deixe-me prosseguir. — ela assentiu, recebendo uma piscadela em troca. — O amor não é um sentimento para qual nós nos preparamos, ele simplesmente manifesta-se, acabou. Não tem essa de se preparar, Amelie, deixa fluir, foi assim com o Dylan. Aventure-se, amar é isso, aventurar-se, e se der errado, aventure-se de novo! — as palavras da amiga, como de costume, envolveram-na como num aconchegante abraço, tranquilizando-a por um todo e firmando-a ainda mais.

— Mas você não acha que está sendo rápido de mais? — Amelie resmungou arrancando de Lucy um brado de raiva, o que posteriormente as fizeram gargalhar.

— Larga de ser chata garota, você só descobrirá após o jantar, então, se joga!

— Está bem, dona dos conselhos amorosos. — Lucy fez um gesto soberbo com o comentário, arrancando um riso enfadonho da amiga e logo em seguida Amelie se levantou, olhando no relógio do celular que ainda estava em suas mãos. — Vamos voltar? Já são nove horas, vamos chegar a tempo de sobra para o almoço. Ai cê toma um banho e fica por lá mesmo!

Lucy sem recusar levantou-se pegando suas coisas e Amelie fez o mesmo em seguida, caminhando logo após para a caminhonete.

***

Após o almoço, Lucy não demorou muito na casa da amiga, pois recebeu um telefone de seu pai dizendo que precisava da ajuda da filha, então logo após delas terem tomado banho e almoçado, a loira deu uma carona para a amiga até sua casa, aproveitando para dar um ‘oi’ a seus pais, os famosos tios do coração.

Amelie não demorou muito por lá, tinha um compromisso logo mais e a aflição a dominava, então logo voltou para casa e meteu uma hidratação em seu cabelo, com alguns óleos, abacate e a máscara hidratante.

— Amelie? — a voz de Nando ecoou pelo quarto da irmã e ela virou-se, encontrando-o escorado no batente da porta, vestindo uma bermuda preta, regata branca, tendo seus pés calçados por um par de all star pretos e os cabelos ainda úmidos apresentavam-se pouco bagunçados. — Fale para o pai que não demorarei, está bem? Antes das oito eu estou de volta. — Amelie assentiu e viu-o caminhar em sua direção, depositando um beijo em sua testa.

— Vai com Deus, e juízo!

— Ah, claro, vai ter várias garotas por lá. — resmungou risonho. — Mas amém, até logo, e juízo também, mocinha! — Nando deu-lhe uma piscadela e retirou-se do quarto, fazendo-a gargalhar.

Nando era o típico jogador de futebol americano, a diferença era que ele não era um jogador e fazia parte do clube de ciências do colégio onde estudava. Seu físico atlético e definido arrancava suspiros intermináveis pelos corredores de sua escola, e diferentemente do que pensas, apesar de que as meninas ficassem loucas, Nando não se deixava levar por nenhuma delas.

Enquanto Amelie fazia um lanche, típico de quando eu estava ansiosa para algo, percebeu que o horário já passava das cinco e meia, então correu para o seu quarto e após retirar o creme de hidratação, deixou com que seu cabelo fosse secando naturalmente e tratou de correr para seu guarda-roupa.

Uma de suas qualidades era que ela não ficava horas e horas a escolher uma roupa para sair, olhava, via a que mais lhe agradava e vestia. Simples!

Amelie apanhou um tubinho midi na cor vinho e o vestiu em seguida, mas também, como suas alças eram finas ela lembrou-se de pegar um casaquinho para caso o frio a surpreendesse.

Nos seus pés ela calçou um louboutin stiletto num tom nude, completando sua produção com uma maquiagem básica, leve e sofisticada.

Borrifou em seu busto e pescoço uma essência refrescante e levemente doce. Em suas pernas e braços aplicou um pouco de hidratante, com um aroma mais suave, não anulando o do perfume e colocou uma argola mediana em suas orelhas, ambas douradas e em seu pulso direito havia somente uma pulseira dourada, assim como os brincos.

— Uau!— a voz de Don soou do lado de dentro de seu quarto e ele pôs-se a caminhar até a filha. — Tenho certeza que não vai sair com Lucy, pois com essa produção toda. — assim que ele soltou essas palavras, a filha acabou ruborizando e as borboletas serpentearam em seu estômago.

— É... vou a um jantar. — Amelie muxoxou fazendo-o rir e olhá-la pelo espelho, levantando as mãos para os céus em seguida.

— GRAÇAS A DEUS! — ele gritou, fazendo-a o encarar com falsa ofensa, levando a mão ao coração. — Ah, qual é minha filha, há quanto tempo você não tem um encontro?

— PAI! — Amelie gritou estarrecida. — Não é um encontro, é só um jantar com um amigo. — ele sussurrou um ‘sei’e a filha passou a observar sua roupa, estava bem arrumado. — Hum... E o senhor? Todo arrumadão assim, hein? — ele fez um gesto de desdém e caminhou para a porta do quarto.

— Vou sair com uns amigos, e aqui, você tem dinheiro? — Amelie assentiu com um sorriso malandro, e Don fez um sinal de ok com a mão. — Qualquer coisa me liga. Está bem?

— Sim, mas acho que não chegarei tarde. — o coroa sorriu e mandou um beijo na direção da filha, que fez o mesmo antes de vê-lo deixar o quarto.

Já eram seis e meia, então ela pegou uma bolsa de mão com pertences importante dentro e como Nando ainda não havia chegado, ela escreveu um bilhete avisando-o que já tinha saído.

Amelie escovou os dentes e deixou sua casa, indo a pé mesmo, já que a praça era próxima da residência e a noite estava linda.

Notas finais
Gente, tem muita coisa pra rolar viu, não vai ser tão rapidinho esses dois não, viu? AHSUHAUS. ♥ Eu espero que tenham gostado, até logo, antes dessa semana acabar eu posto outro. E não, eu não sou surfista (quem me dera). ♥ XOXO! ♥♥♥♥