Notas iniciais
03.07.2015, sexta-feira. Los Angeles, USA.
Já havia se passado uma semana desde que Amelie encontrara-se casualmente com Louise e Daren na frente do prédio na qual trabalhava, e diferentemente da calmaria que estava naquele dia, a empresa hoje encontrava-se um fuzuê.
Amelie andava apressada em direção à sala de Jeffrey, seu subchefe, quando de repente deu de cara com Lucy, sua melhor amiga e companheira de trabalho.
— Ow, ow! Vai com calma ai, arco-íris ambulante! — ela disse olhando sua amiga que trajava um vestido azul-céu de gola em ‘u’ com mangas longas, e calçava um scarpin verde-cana com bolinhas rosa-choque. — O que houve? — apesar de Amelie sorrir abertamente, como de costume, alguma coisa dizia que não estava tão bem.
Sensor da amizade.
— Hoje a empresa está uma loucura. Você acredita que tem problemas guardados por anos? E logo agora eles decidiram vir à tona? — ela disse num murmúrio, passando a mão direita pela testa, fazendo sua amiga rir. — Vou ao Jeffrey, nos falamos depois. — finalizou voltando a correr em direção à sala do seu subchefe.
— DOIDINHA! — Lucy gritou e voltou para a sua sala, tinha que concordar, a empresa estava uma loucura.
— JEF! — Amelie, afobada que só, gritou acordando seu subchefe que estava num cochilo pesado.
O pulo que Albert Jeffrey deu fez a moça gargalhar, mas suas risadas não duraram muito, já que ficara séria logo em seguida.
— Você não sabe o que aconteceu! — se tinha algo que a mulher gostava, era fazer um suspense, e dessa vez não fora diferente.
— Se você não me contar eu nunca vou saber mesmo, né? — Jeffrey resmungou apoiando de forma preguiçosa o queixo em sua mão.
Logo ela se aproximou da mesa e jogou uma papelada sobre a mesma, atribuindo uma feição de ansiedade.
— Sabe aquela verba que estava deixando todos loucos, até mesmo o chefe, e acabou que depois de um tempo deixamos para lá, ou melhor, jogamos para baixo do tapete? — ela perguntou, e seu subchefe assentiu positivamente. — Olha ai!
E enquanto Jeffrey tomava em mãos para analisar com cautela os documentos, Amelie pensava em como eles eram sonsos, o problema estava tão na cara e ainda assim não conseguiram resolver.
— Então nos passaram a perna? É isso mesmo? — Amelie saiu de seus pensamentos e focou nas palavras de Jeffrey, balançando a cabeça de forma positiva e fazendo um biquinho em seguida.
— Sim, o dinheiro foi todo desviado, e o pior, por alguém de dentro da empresa! — ambos ficaram em silêncio diante aquela fala, e provavelmente em seus pensamentos passavam várias pessoas que poderiam ser as culpadas, e nenhuma delas eles aceitavam a acreditar, apesar de serem super cabíveis.
Um pigarreio que viera do lado de fora, sendo sucedido por dois toquinhos na porta, tomou a total atenção de Amelie e Jeffrey.
— Olá Lucy, diga-nos! — o loiro a saudou.
— Então, tenho um recado para a Amelie, na verdade. — a jovem citada não pode evitar um levantada de sobrancelhas.
Um recado para ela? Normalmente o único que lhe mandava recado era o seu pai, e ainda assim era pelo celular.
— Tem gente lhe chamando na recepção, pediram para não falar o nome. — Amelie sorriu nervosamente e assentiu, mas sua curiosidade falara alto, e em seguida perguntou:
— Como são?
— Lindos! — isso fora a única coisa que Lucy dissera, já que em seguida saiu correndo para a sua sala, local onde o telefone tocava loucamente.
Amelie pediu licença a Jeffrey, que a dispensara e agradecera pela notícia, e saiu correndo agencia afora.
Seus saltos quinze apesar de finos não a incomodava, diferente daquele sapato de boneca que quebrara no meio do caminho há uma semana.
A loira desceu alguns lances de escada, correu por um corredor, e ao final dele dera de cara com um Daren bem risonho, mas que ao vê-la, ficara estático, não sabia se continuava a rir, ou parava para contempla-la.
— Opa! — ela disse levando uma de suas mãos a boca e parando para encarar aquele que possuía um sorriso de canto nos lábios carnudos. — Desculpe-me! — ele riu, voltando ao normal em seguida, mas ainda encarando-a.
— AMELIE! — a voz doce e animada de Louise ecoara pela recepção, tomando olhares ranzinzas para si.
— Filha... — Daren a encarou repousando a mão em seu ombro. — Não pode gritar aqui, ok? — a pequena apenas assentiu, e em seguida olhou para Amelie, que sorria largamente para ela.
— Que surpresa agradável, gatinha, o que faz aqui? — Looper indagou ao pegar a criança em seu colo e a encarar.
Seu amigo-urso-Claudioestava em suas mãos, e o cabelo que outrora estava preso num coque, hoje apresentava-se solto e brilhoso, assim como a dona que resplandecia como o sol.
— Nós viemos te ver! — Amelie olhou sem graça para Daren que observava as duas atenciosamente. — Você é legal! Vamos à minha casa? – ela fez um biquinho e jogou uma das mechas de Looperpara o ar.
— Filha, vai com calma! — Daren disse fazendo Amelie sorrir, mas a mesma tomou a palavra e a respondeu:
— Na sua casa eu não sei, mas nós podemos sair para tomar um sorvete, quem sabe? — a menina não conteve um enorme sorriso de felicidade, que ia de canto a canto.
— E comer algodão-doce?
— E comer algodão-doce! — a loira disse risonha, colocando-a no chão em seguida.
— Vamos? — Louise disse olhando para Amelie, que riu e balançou a cabeça negativamente.
— Filha, Amelie está em horário de trabalho. Mas nós podemos marcar aqui no seu fim de expediente, se importa? — ela negou com a cabeça e estalou a língua, olhando em seu relógio e certificando-se de que o horário estava apertando.
— Nos vemos as seis, então! — dito isso, ela despediu-se deles com um aceno e voltou a correr pelos corredores da agência, porém, assim que ia virando para subir os lances de escadas, já que preferia isso ao elevador, deu de cara com uma Lucy curiosa que possuía em seus lábios um sorriso travesso.
— Mas menina, que homem gato é esse? — Amelie a encarou meio desconsertada e respirou fundo, puxando sua amiga por escada a fora.
— Os conheci ontem! — Lucy fez um ‘o’ com a boca e ela riu.
— Já estão íntimos desse jeito? Vindo aqui no seu serviço, e tudo mais.
Looper teve de contar tudo, desde o momento em que os conheceu até a parte em que decidiram vir aqui visitá-la, acabando por arrancar um sorriso enorme de travesso dos lábios de suas amiga e um assovio típico de filmes de comédia, escutando-a dizer em seguida:
— Vai que é sua amiga! — Amelie revirou os olhos e empurrou Lucy para dentro da sala da mesma.
— Vamos nos adiantar! — gritou correndo de volta para sua sala para concluir sua planilha mensal.
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