Pois é, seria estranho alguém dizer que a minha vida é igual a dos outros. O que sinceramente, não é verdade.Meu nome é Sophia, tenho 16 anos e moro na Flórida.Parece normal para você?É, por enquanto sim.

Acordo de manhã, tomo um banho rápido, visto minha roupa, como minhas panquecas, dou um abraço apertado em minha mãe e saio de casa para esperar o ônibus. É sempre assim, minha rotina espetacular da manhã.

Minha mãe se separou de meu pai quando eu tinha doze anos.Lembro como se fosse ontem.Minha mãe me mandou sentar no sofá para termos “uma conversinha”.No começo, pensei que era por causa do meu boletim, mas depois que vi meu pai chorando do lado dela.Na época, ele era muito próximo de mim.Aos sábados, íamos para a floresta que tinha perto de casa acampar.Nós cassávamos, pescávamos e cantávamos na frente da fogueira.Nunca soube caçar, mas sei montar um pequeno acampamento pequeno com qualquer material que encontrar. Ele era o melhor pai do mundo.

Então, eles conversaram comigo.Disseram que a relação deles estava péssima.Então meu pai foi direto no assunto e disse toda a verdade.Corri para meu quarto para chorar, era a primeira vez que eu estava chorando perto do meu pai.Por isso que hoje em dia, não choro por qualquer coisa, porque eu fiquei mais forte a partir daquilo.Então fugi de casa na mesma noite, eu fui para a floresta.Sobrevivi três dias, depois voltei para casa por causa da sede.Logo depois disso, minha mãe me colocou de castigo.Não pude ver meu pai indo embora de casa.Fiquei sabendo que ele se mudou para a floresta mais improvável do mundo, não sei onde é, mas um dia vou atrás dele.

Saí de casa depois de me despedir de minha mãe e sentei no banquinho onde sento todos os dias.Do outro lado da rua, um garoto loiro que estuda na minha sala fica sentado em um outro banco.Nunca nos falamos, mas o conheço de algum lugar.Não da sala.Acho que ele estudou comigo no primeiro ano.O garoto me encarava todos os dias.Todas as vezes que eu olhava para ele, o pobre menino ficava vermelho.Estava achando a cada dia que ele era meio esquisitinho.

Nem liguei para ele nos últimos dias, até passar uma semana.Fiz minha rotina de sempre e fui esperar o ônibus em meu banquinho.

Na segunda-feira, o ônibus chega e entro nele antes do garoto.Há somente dois bancos sobrando e sento diretamente em um deles.Como o banco que está ao meu lado era o último, o menino sentou nele.Peguei meu caderno de desenho e comecei a fazer o desenho da floresta em que íamos com meu pai.

-Oi.Adorei seu desenho. –Ele diz.

-Oi...Obrigada.-Respondo

-Meu nome é Pedro.Se eu não me engano seu nome é Sophia...Né?

-Sim –Olho para ele reparando em seus olhos castanhos e profundos –Como me conhece?

-Estudamos juntos no primeiro ano, e hoje estudo na sua sala de biologia.

-Eu sabia que te conhecia de algum lugar, mas não lembrava de onde.

-Agora eu acho que lembra.

-É, aos poucos vou lembrando.

-Porque você fica sozinha naquele banco?

-Sei lá, não tenho amigos então fico lá sozinha mesmo.

-Na próxima vez, sente-se comigo.Podemos ser ótimos amigos.

-É, pode ser.Mas e você, nunca te vi com alguém naquele banco.

-É pelo mesmo motivo do seu...Sou meio tímido.

-Somos dois.Se me conhecia, porque nunca se sentou comigo?

-Nunca tive coragem. –Ele diz ficando corado.

-Porque precisa de coragem para falar comigo?

O ônibus chegou na escola e Pedro saiu na disparada.Tentei ir atrás dele, mas quase caio nos degraus do ônibus.Entro na escola, mas não o vejo.Provavelmente, o verei de novo na aula de biologia.

Minha escola não é grande coisa.Particular, mas pequena.Vou para meu armário pegar o material necessário para a aula.Reparo que no fim do corredor, Pedro está no armário dele.Fecho a porta e vou atrás dele.Mas uma garota me interrompe.

Helena é a garota mais ridícula dessa escola.Digamos que toda escola tem uma garota que acha que tudo pertence a ela.Mas cá entre nós, tenho muita inveja do cabelo loiro e sedoso dela.

-Olha quem encontramos!- Diz ela com um tom de desprezo.

-Me deixa em paz ta!-Digo com baixo e ruim som.

-Você está atrapalhando a minha passagem querida.-Ela diz.

Reúno forças para dizer uma coisa que pode acabar comigo, mas não aguentava mais ela.

-Tira essa sua bolsa falsa da Tommy da minha frente que eu deixo você passar!- Berro.

Ela me olha com cara de nojo.Mas tira a bolsa da minha frente e me olha com cara de quem vai se vingar.Ignoro, e continuo andando atrás de Pedro.Infelizmente, sinal toca e tenho que desistir da procura.Entro na sala e me sento.

Encontro minha melhor amiga sentada do meu lado.Melody é uma pessoa engraçada e divertida.Admiro seu cabelo: castanho claro quase loiro com uma mecha vermelha.

Conversamos sobre o fim de semana antes da professora entrar na sala.Não conto para Melody sobre Pedro. Enquanto a aula seguia, eu não tirava o pensamento de Pedro na minha cabeça.Porque ele teria que ter coragem de falar comigo?Isso é ridículo!

Finalmente a aula acabou, a próxima era de biologia.Entrei na sala e procurei por Pedro.Ele estava sentado com um garoto ruivo.Se eu não me engano, o nome dele é Gabriel.

-Bem alunos –Diz a professora –Hoje vocês receberão um comunicado de passeio. Vamos a um lugar bem diferente do comum.Vamos para o Brasil, explorar a floresta Amazônica!