Uma vida quase normal
2 Capitulo 2
Todos entraram na euforia.Eu entrei mais ainda por que quando crescer quero ser bióloga então...
Uma coisa inesperada aconteceu, Pedro me deu um papelzinho amarelado e escuro.Abri a carta.Nela estava escrito com giz de cera e com uma letra pequena:
“Eu sei que acabamos de nos conhecer, mas, quero deixar registrado que mesmo não tendo chances de ficar com você eu... estou todo enrolado. Vou ser mais direto: Eu gosto de você e sempre gostei desde o dia em que você apareceu na sala do primeiro ano com um vestidinho vermelho e laço nos cabelos. Saiba que para mim você é única”.
É a coisa mais linda que já me disseram.Mas por mais que seja muito lindo, tenho que o conhecer melhor.
A aula acabou e eu estava confusa demais para dizer uma palavra.Pedi para Melody me esperar na mesa do lanche em que sempre sentamos.
Peguei meu lanche na cantina e fui andando para a última mesa que era onde eu e Melody nos sentamos.Pedro estava no mesmo corredor que eu e vindo em minha direção.Andei mais rápido para falar com ele.Então, reparei que o sapato de salto de Helena estava bem na minha frente.Caí bem no meio do refeitório.Meu cabelo ficou encharcado e grudento por causa do suco de laranja que caiu em mim, minhas calças ficaram com manchas de molho e dentro do meu sapato eu encontrei ovos.Se eu estava chorando?Nem um pouco.Estava fervendo ódio.
Reuni forças e me levantei.Todos caíram na gargalhada.Saí correndo rumo a algum lugar.Encontrei uma porta que por sorte, estava aberta.
Era o quarto do zelador.Sentei no chão e comecei a pensar em quanto tempo vou ficar ali.Não conseguia acreditar no que acabara de acontecer.Só sei que vou me vingar, de um jeito ou de outro.
Pensei em como me vingar.Não sou boa nessas coisas, mas sou boa em montar armadilhas.Talvez colocar uma bombinha d’ água em seu armário ou colocar um balde de tinta na porta para cair nela.
De repente, a porta do quarto começou a abrir.Entrei em pânico e comecei a suar.
Um garoto moreno de olhos verdes enfiou sua cabeça no vão da porta.
–O que está fazendo aqui garota?-Diz ele.
–Eu, bem...
–Não precisa explicar!Vi o que houve com você.Quer ajuda?
–Seria incomodo?
–Claro que não.Sou o Nicolas, prazer.
–Sou...
–Sophia.Sim, nós nos conhecemos.
–Pois é, não me lembro de você.
–Estudamos juntos no primeiro ano.
–Nossa...Muita gente estudou comigo no primeiro ano.
–Bem, venha comigo.Temos que limpar você, não?
–Sim.
Caminhamos pela escola até chegarmos em uma outra porta.Era o vestiário feminino.Paramos na porta e antes de entrar, Nicolas verifica se não tem ninguém lá dentro.
–Você tem alguma outra roupa?-Ele pergunta.
–Tenho no meu armário.
–Eu pego para você, aproveito e pego um xampu e condicionador.
–Porque está fazendo isso?
–Digamos que quando éramos pequenos, tinha uma quedinha por você.Nunca tive chances de mostrar isso pra você.Escolhi agora.
–Sério?Legal...
–Enfim.
–Aqui está a chave –Dei-a para ele –Tem uma blusa vermelha e um jeans.
–Já volto.
–Espere.Vou tomar banho no vestiário?
–Tecnicamente, sim.
–É permitido?
–Meu pai é zelador da escola.Acho que tenho certos privilégios –Ele disse e logo saiu correndo.
Entrei no banheiro e fiquei esperando.Para me distrair, pensei na gentileza do garoto.Porque foi tão gentil comigo?Bem, só sei que ele é muito fofo, e por um momento, pensava em como ele poderia gostar de mim.
Ouvi um “toc-toc” na porta.Abri a porta e Nicolas estava lá com as roupas, com o xampu, com o condicionador e com uma toalha rosa.
–Prontinho.Não se esqueça de trancar a porta.
–Tudo bem.
Tranquei a porta e fui até uma cabine de chuveiro.Tirei minhas roupas e tomei um banho rápido.Logo, terminei o banho e coloquei as roupas de volta em meu corpo.Sai do banheiro e encontrei Nicolas sentado do lado da porta.
–Muito obrigada mesmo.-Eu agradeci.
–Foi um prazer ajudar.Não, não leve as roupas.Eu lavo para você.
–Você é muito gentil.Muito obrigada mesmo.
–Qualquer coisa é só me procurar.
–Tudo bem.-Dou um beijo na bochecha dele e vou para a secretaria ligar para minha mãe.
Depois de meia hora, pego minhas coisas e vou para casa na viatura policial de minha mãe.
Contei para ela tudo o que aconteceu.Ela disse que iria ligar para escola e reclamar da Helena e agradecer pela ajuda de Nicolas.
Cheguei em casa e troquei de roupa novamente.Como não tinha nada para fazer, saí de casa para dar uma volta.
Enquanto andava, pensava em Nicolas e em Pedro.Distrai-me quando percebi que esbarrei em um garoto que estava segurando sacolas de compras.
–Ei garota!Olha para onde você anda!-Ele berrou demonstrando que estava com pressa.
Dei passagem para ele e o reconheci da sala de aula.Enfim, resolvi voltar para casa.
Cheguei lá e deitei em minha cama para ler.Em meia hora eu dormi.Sonhei com o dia em que cheguei na escola no primeiro ano.
Eu estava usando um vestido vermelho e um laço combinando no cabelo.Quando cheguei lá, já fiz uma amiga: Melody.Na época ela era morena.Então encontrei Pedro.Ele estava com uma blusa branca e de jeans.Seus cabelos louros estavam penteados de lado com gel.Ele segurava uma flor vermelha e ia vindo em minha direção.Então ele me deu a flor me deu um beijo na bochecha.
A aula havia começado, Pedro estava sentado do meu lado e não largava de minhas mãos.A professora abriu a porta da sala e duas crianças estavam na porta.Era Nicolas e, provavelmente, sua irmã.A professora então, pediu para Pedro sair de seu lugar para Nicolas se sentar.Pedro não desgrudou suas mãos das minhas, mas a professora mandou ele soltar.Quando Nicolas se sentou, olhou bem para meu rosto.Dez minutos depois, ele me deu um bilhetinho.Eu já vi esse bilhete antes...Talvez esteja em meu quarto ainda.Tentei ler o bilhete do sonho, mas estava muito embaçado.Pelo jeito eu devo ter gostado do que estava escrito, pois dei um beijo em sua bochecha.Pedro olhou para nós dois e fez uma careta para Nicolas.Depois o sonho deu uma disparada no tempo.Agora eu estava do lado de minha mãe e de meu pai, no momento que eu iria me mudar de cidade.Já tinha uns seis anos de idade.Pedro apareceu de repente e pediu para meus pais para falar comigo.Logo, chegou perto de mim e começamos a conversar, mas eu não ouvia nada do sonho.Só ouvi a última frase que ele me disse: “Quando crescermos, você se casaria comigo?”.
Depois de dizer isso, ele me deu um anel.Então, quando eu iria responder meu pai me pegou no braço para irmos embora.Pedro colocou meu anel em meu bolso e depois disso, fiz uma birra tremenda para não me levarem.
Fale com o autor