Acordei suando frio.Olhei no relógio e já eram cinco horas da manhã.Faltam duas horas para começar minha fantástica rotina.

Levantei e fui direto para a gaveta que se encontrava do lado de meu guarda — roupas.

Abri uma caixinha de madeira e encontrei várias coisas.Mas o que estava procurando mesmo era o anel e o bilhete.O anel estava enrolado em um tecido fino cor – de — rosa.Ainda estava em bom estado e servia em meu dedo.Deixei-o em meu dedo.Encontrei o bilhete, mas o papel já estava velho e não dava para ler.Deitei de volta na cama e fiquei pensando no que acabei de presenciar.Pedro me pedira em casamento. É oficial, hoje mesmo vou falar com ele.

Não consegui dormir, então já me arrumei e fiz o café da manhã.Sentei no sofá e fiquei olhando para o anel.Quando menos esperava, às duas horas se passaram.Minha mãe se levantou e disse que sairia de casa mais cedo por causa de seu trabalho.Então, tomei o café sozinha.

Minha mãe é policial.Todo o dia prende no mínimo dois ladrões.Ela ama esse emprego.O coronel Jonhson é um homem de cabelos louros bem curtos.Ele tem a aparência de alguém que lutou na segunda guerra mundial.Minha mãe diz que ele é uma pessoa de total confiança. É o responsável por treinar novos policiais.

Quando terminei o café, fui até meu banquinho esperar o ônibus.Pedro ainda não estava lá.Para me distrair, peguei meu caderno de desenho e comecei a desenhar.Em dez minutos desenhei uma garotinha segurando a mão de um garotinho.

–Outra coisa que invejo em você são seus desenhos –Diz Pedro de repente –Me ensina?

–Claro -Respondo –Me responderia uma coisa?

–Sim.

–Reconhece esse anel? –Mostro o anel para ele.

–Você guardou.

–É, sonhei ontem à noite com o dia em que você...Bem...Meio que me pediu em casamento.

–Era uma coisa de criança.

–Eu sei, mas me mandou aquela carta ontem.

–O que é que tem?Não reconheceu?

–Como assim?

–É a mesma coisa que eu te disse no dia em que você foi embora.Você pensou que...

–Pensei.

–Pensou que eu gostava de você?

–É.

–Bem, se eu gostasse de você não faria tão rápido.

–É, concordo.

–Nossa...

Pedro desviou o olhar de meus olhos nervoso e fitou uma Ferrari vermelha que passava bem devagar na nossa frente.O sol bateu no rosto dele reparei que ele estava corado.

Dentro da Ferrari, Helena e sua mãe riam de nós.De repente, o ônibus passou direto sem nos ver.Helena e sua mãe riram mais alto e partiram com a Ferrari.

–Ela nos fez perder o ônibus!-Eu berrei saltando do banco.

–O que vamos fazer?

–Tenho uma idéia, mas não é das boas.Vamos ter que ir andando.

–Pelo menos temos tempo.

–Vamos.

Começamos a caminhar e Pedro puxou papo.

–Então.O que aconteceu ontem?

–Não foi nada.

–Foi sim.Ela é horrível...Lamento mesmo.

–Tudo bem, estou acostumada.

–Não vou deixar que você passe por isso.Qualquer coisa que ela fizer, me procure.

–Tudo bem, obrigada.

–E seu pai?Fiquei sabendo que seus pais se separaram.

–O que tem ele? –Eu disse quase chorando novamente.

–Porque ele se separou de sua mãe?

–Na verdade minha mãe se separou dele.De acordo com o que ela me contou, ele era muito grosso e chegava bêbado em casa.

–Nossa.

–E seus pais?- Pergunto.

–Não são separados, mas brigam muito.

–Sorte sua.Sinto muita a falta de meu pai.

–Como ele se chama?E sua mãe?

–Meu pai se chama Paulo e minha mãe se chama Lindsay.

–Ela é policial né?

–Sim.

–É muito arriscado não?

–Sim, mas se eu pudesse ser policial quando crescer eu seria.O que quer ser quando crescer?

–Uma coisa: médico.

–É outra opção para mim.

–Quero salvar vidas.

–Bem, também vejo por esse lado.

–Só quer ser policial?É uma opção.

–Bióloga é a minha outra opção. É meu sonho desde pequena.

Os olhos dele estavam quase verdes com o sol.

–Olha!Chegamos!

Depois de meia hora finalmente chegamos.Entramos e o sinal tocou bem na hora.Antes de irmos para as aulas, bebemos água.

–Nos encontramos na aula de biologia.

–Tudo bem.

A minha primeira aula era de matemática.Novamente, não prestei atenção na aula por estar pensando em Pedro.Apaixonada?Não sei, mas sentia alguma coisa por ele.

A aula acabou e fui para meu armário para pegar meu material.Quando abri a porta, minhas roupas estavam lá.Lavadas e passadas e cheiravam a rosas.O nível de gentileza de Nicolas é incrível.

Peguei o material e fui para a aula.Melody estava lá sentada do lado de minha cadeira como sempre.Pedro sorriu e acenou para mim.Sentei-me e a aula começou.Um toc-toc começou na porta.A professora abriu a porta e Nicolas e sua irmã, Nicole, estavam lá.Pedro olhou para ele com cara de desprezo e se levantou para sentar-se do meu lado.Nicolas se sentou na minha frente e Nicole se sentou do lado dele.

–Oi –Ele diz.

–Oi.Muito obrigada pelas roupas.

–E obrigado por falar bem de mim para sua mãe.

–Falou bem dele para sua mãe?- Perguntou Pedro.

–Eu só disse que ele me ajudou.-Respondi.

–Ele te ajudou?Quando?Como? –Melody perguntou.

–Agora não...-Nicolas diz.

–Nicolas!Pensei que você não faria isso!Ainda mais com minha melhor amiga!-Berrou Melody.

–Como assim?São namorados?-Perguntei.

–Eu ia te contar no dia em que você caiu no refeitório.Depois não tive coragem.-Disse Melody.

–Estou feliz por você amiga, mas podia ter me contado depois.-Comentei –Mas só disse da gentileza de Nicolas para minha mãe.

–Mas...-Pedro quase termina a frase quando a professora pede silêncio.

A aula foi seguindo e os dois meninos se olhavam com um ar de ciúmes.Melody me olhava desconfiada.E eu, estava confusa demais para dar qualquer reação.

Se Pedro ficou tão nervoso só porque falei bem de Nicolas para minha mãe, imagina quando ele falar comigo?Que absurdo!

O dia passou bem rápido.Hoje, tenho que ir a pé para casa, pois minha mãe teve que trabalhar.Pedro foi andando comigo.

–Porque ficou tão nervoso?-Perguntei para ele.

–Quando?

–Na aula.

–Sei lá.Dizem, que vocês dois estão namorando.Ninguém sabia que a Melody estava com ele.

–Namorando?Isso seria estranho.-Eu disse dando umas risadinhas.

–Porque seria estranho?

–Bem, eu sou a garota mais boba dessa escola.E com certeza a mais feia.

–Você não é boba, muito menos feia.

–Admita, eu não sou bonita.Você só disse isso para me consolar.

–Não.Eu acho você bonita.

–Então responda: O que acha bonito em mim?

–Seus olhos, seu cabelo, o jeito que você se importa com os seus amigos, a maneira que você dá risadas, o seu sorriso e seu jeitinho desconfiado e enigmático de ser.

–Enigmática?-Eu disse rindo.

–É, você tem seus certos mistérios.

–Enfim.Não acho que você esteja falando sério.

–Estou.E em mim?

–Em você o que?

–O que acha bonito em mim?

–Bem, seu cabelo loiro, seu jeito engraçado que você sente ciúmes, a facilidade que você tem de arranjar papo e amigos e também admiro o jeito misterioso que você tem.

–Sério?Gosta do meu cabelo?Bem, você é a primeira.

–Gosto de cabelos louros.

–E gosta de olhos claros também.

–Como sabe?

–Já que gosta do Nicolas, os olhos dele devem ter colaborado nisso.

–Não gosto do Nicolas...Porque continua pensando isso? –Digo disfarçando.

–Tenho minhas intuições.Não confio nele...

–Porque não confia?

–Não sei explicar.Enfim...Vejo que está usando o anel.

–Estou.Porque se importa?

–Fico feliz que o guardou.

–É um presente de um amigo, o que esperava?

–Depois que você se mudou, essa escola nunca mais foi à mesma.

–Jura?

–Sinceramente, nunca esqueci você.Por isso não tenho tantos amigos, eu queria que você voltasse.E voltou.Mas então fiquei pensando que você ficaria sem graça por conta do anel e tudo mais.Então naquele dia em que vi você sentada naquele banco, achei melhor ir atrás de você de eu quisesse tê-la de volta.

Cai na gargalhada.

–Então está dizendo que gosta de mim?-Eu disse ainda rindo.

–NÃO!Quero dizer, gosto de você como amiga claro. –Ele disse já sem graça.

–Não precisa ter vergonha, não vou rir...Mesmo que seja meio estranho.Olha, se você gosta de mim, eu acharia fofo.Não precisa ter vergonha.

–Não gosto de você.Só como amigo.

–Pedro, pode me contar...

–É sério.Acredite em mim.Então...Gosta de alguém?

–Pedro, sabe que não tem ninguém decente nessa escola...Só o...

–Nicolas...Eu sei...

–É, admito gosto dele, mas...

–Sabia.

–Você está deixando as coisas mais complicadas!

–Relaxa criatura!

–Estou calma!-Aumentei o tom da voz.

–Ei, olha para mim.Fica calma.Se você gosta dele, pode me contar.

–Eu gosto de outro garoto!Mas não dá para deixar isso menos obvio com você fazendo isso comigo!

–Eu estou fazendo o que?Diga!

–Está me forçando a responder a pergunta!

–Só queria saber de quem você gosta!

–Acabou de me conhecer, porque quer saber?

–Porque eu também gosto de você!

Olhei nos olhos dele e ele nos meus.Ele se aproximou para me beijar, mas contive.Peguei minha bolsa que havia jogado no chão e saí correndo.Cheguei em casa e me tranquei no quarto.

Joguei-me na cama e comecei a berrar.Não sabia de quem gostava mais: do Nicolas ou do Pedro.

Comecei a dormir.Sonhei com um lugar escuro e pequeno.Uma luz apareceu no fim de um corredor longo e estreito.Andei até ela e encontrei um jardim imenso.Tinha campos de diversas flores, uma fonte bem no centro dele e mais para frente, encontrei um lago.Fui caminhando até chegar em uma árvore grande.Sentei-me no chão e comecei a comer uma fruta deliciosa.De repente, Pedro apareceu do meu lado.Começamos a conversar até que ele começou a se aproximar para um beijo.Senti meu coração batendo a mil por hora.Então aconteceu a coisa mais bizarra que já vi: Não era Pedro se aproximando, era o Nicolas.Quando menos esperava, ele me beijou.Quando olhei de volta, os olhos dele eram castanhos e o cabelo loiro, desta vez era Pedro.Levantei-me e fiquei confusa, andando para lá e para cá.Não sei porque, comecei a correr para o lago.Olhei para trás e vi Pedro e Nicolas brigando.Como não estava olhando para onde andava, a boba do sonho caiu no lago.Acordei em um pulo e caí da cama.