Uma questão de honra
1 Prólogo
– Muito bem, vocês devem saber por que estão aqui – o homem andava de um lado para o outro, encarando o bando de “homens” à sua frente, todos em uma única fileira.
Silêncio. Todos silenciosos.
– Eu perguntei, se todos sabem por que estão aqui – sua voz aumentou no salão semivazio.
– Mas ele não perguntou nada – o garoto moreno ao lado cochichou. E o capitão ouviu.
– Poderia compartilhar comigo o que você disse? – a veia em sua testa saltou.
– Que você não havia perguntado nada.
O homem deu um sorriso irônico.
– Pois agora estou perguntando – então, limpou a garganta – Vocês sabem por que estão aqui?
– Sim, senhor – as vozes masculinas se misturaram fortemente.
Ele tocou o ombro do garoto ao meu lado. Fazendo-o começar a suar frio.
– Qual seu nome?
– Soldado Loews, senhor.
– Nome inteiro.
– Soldado –limpou a garganta –, soldado Patrick Loews.
– Muito bem – o homem caminhou pela borda da fila novamente.
– Todos os garotos a direita do Loews, na ala B-2.
Dito isso, todos os garotos a nossa direita saíram, meio marchando, meio trotando. Totalmente desnecessário.
– E os que restantes – não entendi o porquê ele deu ênfase –, vão para a ala A-3.
Saímos em fila, nos direcionando por um corredor estreito e límpido. Era bem iluminado, mas não prestei atenção aos detalhes, só queria me deitar logo.
Os banheiros me deram um pouco de hesitação, todos abertos, e os vasos sanitários também. As camas tinham colchões moles demais, e a altura delas era baixa demais. Patrick deitou-se na cama ao meu lado, e eu o agradeci mentalmente por isso, pois era só o que me faltava, dormir o resto do meu treinamento ao lado de um engomadinho, ou um cara com saudades demais da família. Não que eu não sentisse saudade, mas porque eu achava exagero demais. Tenho que parar com isso, eu falo demais. E nunca paro de usar a palavra “demais”, acho que peguei esse costume quando... Oh droga! Fiz isso de novo.
– Ei, o que está pensando? – olhei para o lado e vi Patrick com as mãos em um canivete suíço, olhando para mim.
– Em nada importante, só em como vai ser o treinamento, por ora.
– Eu acho que vai ser muito foda, sabe? Bem que poderia ser como a Universidade, com garotas peitudas dançando enquanto corremos pelo campo.
– Nossa, que romantismo da sua parte. Eu nunca teria imaginado isso.
– Agradeça a minha mente maravilhosamente brilhante.
– Obrigada “mente maravilhosamente brilhante” do Patrick. Que o fez levar uma bronca logo no primeiro dia.
– Ele te fez uma bela e cordial reverência.
Revirei os olhos, Patrick era um idiota, assumido e orgulhoso de sua própria personalidade.
– Que horas você acha que vamos acordar amanhã?
– Não faço ideia.
– Sabe, estou aqui pensando em uma teoria pessoal – ele declarou pensativo.
– E sobre o que ela fala?
– Que os próximos dias serão um inferno.
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