Uma prova de amor
6 Você nunca mais vai me ver
Notas iniciais
Regina
O que está acontecendo comigo? Não estou me reconhecendo mais. Meu corpo e minha mente estão reagindo de uma forma que eu nunca vi antes.
E se for essa a doença? Será que eu posso ter pegado da Swan? Porque acredito que nem se sente quando isso acontece. Eu acho que preciso me tratar, ir ao Doutor Archie mais vezes e fazer exames.
Isso está mexendo com a minha cabeça, meu corpo está reagindo e isso não pode estar certo.
Me sinto leve e pesada ao mesmo tempo, coração acelerado minha respiração curta. Estou na minha cama tentando dormir mas não consigo com Emma Swan ao meu lado repousando como uma criança. Com um pijama meu.
Em todos os meus anos de vida nunca tinha visto alguém me irritar tanto e também me deixar indefesa tão rápido. Parecia que ela sabia como pegar no meu ponto fraco e brincar comigo com aquilo. Como se visse além do meu externo, como se enxergasse além dessa casca grossa que eu tenho. Loucura.
Soltei o ar e me virei de costas tentando me concentrar pra descansar.
Quando vejo começo a sentir sua mão passando pelo meu quadril, cintura e do nada seu corpo grudou ao meu. — Ah.. — Deixei escapar um gemido pelo ato abrupto.
— Nossa Regina.. você me deixa louca, sabia? — Swan sussurrou no meu ouvido enquanto sua mão descia pela minha barriga indo até a barra da minha calcinha.
Eu só queria me matar naquela hora porque eu simplesmente congelei e não conseguia me mexer. Apenas ofegar e segurar os gemidos.
— Você é tão linda.. eu quero você.. — O cheiro dela estava tão gostoso e a pele tão macia. Me senti desarmada com a pressão do seu corpo no meu.
— Swan.. Swan pare com isso.. — Me esforcei ao máximo que pude pra falar.
Por reflexo empinei um pouco a minha bunda em direção a ela. Acredito que tenha sido reflexo.
— Quer que eu pare? — Me arrepiei novamente com sua voz baixinha no meu ouvido. Sua mão entrou pela calcinha, o que me deixou surpresa e pulsante.
— Não... não Emma.. Não! — Abri meus olhos rapidamente.
Me virei e Swan continuava dormindo na mesma posição.
O que foi aquilo? Uma alucinação? Ou talvez um sonho. Eu preciso urgentemente fazer os exames e me consultar com o Doutor Archie.
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Acabei adormecendo e quando acordei logo me virei mas me senti vazia. Emma não estava mais ali apenas um bilhete no seu lugar.
"Obrigado por ter cuidado de mim e não me chutado pra fora da sua casa.
Me desculpa por tudo que aconteceu.
Isso com certeza não vai mais se repetir porque você nunca mais vai me ver.
Fique bem Madame Mills".
E.S.
Como ela pode ter feito isso? Ter me causado todo esse trauma e depois ir embora assim? Entrar na minha vida feito um trem bala e depois desaparecer.
Eu li e reli várias vezes aquele papel e depois joguei no lixo. Me senti com raiva e angústia. Mas não importa o que eu sinto, não estou bem da cabeça então eu preciso seguir a minha vida.
Me arrumei e fui me encontrar com um investidor em específico que insistiu em me chamar na sua empresa.
Fui de uber até meu carro que tinha ficado no estacionamento do consultório do Doutor Archie. Entrei e dirigi até meu destino.
Chegando lá fui muito bem recebida com direito a café expresso e bolinhos. Apenas tomei o café e logo fui chamada para falar com ele.
— Eu acho a sua ideia genial. — Começou me cumprimentando com um sorriso e abrindo a porta de vidro.
Me sentei um pouco empolgada na cadeira a sua frente.
— Você está certa no que esta fazendo. Essa coisa toda de que "homossexuais" devem ter os mesmos direitos e toda essa baboseira. Sinceramente eu acho ridículo e você queridinha é uma garota prodígio.
— Bom, fico agradecida pelo contato e por estar nos apoiando juntamente com sua empresa. — Estava me sentindo um pouco incomodada mas resolvi ser gentil. Até porque eu deveria estar feliz.
— A sua ideia vai ser revolucionária, vamos acabar com essa doença de uma vez por todas. Esse pessoal vai cair e vamos mostrar pra eles que as coisas deveriam continuar sendo como sempre foram. Homem que é homem pega mulher, não é mesmo? — Deu uma risada. — Eu não tenho problemas com mulheres sabe, até acho sexy e sabemos que a maioria fazem pra agradar os homens. Mas essa coisa de viadinho querer dar uma de mulher. Totalmente ridículo.. — E ele continuou e continuou falando e eu não ouvia mais nada apenas via a boca dele se mexer e as risadas que dava.
Porque eu estava me sentindo mal por ouvir coisas que eu mesma falava? Tudo o que ele estava dizendo eu me via naquele homem e enxerguei uma pessoa horrível.
Está certo eu sei que não sou uma boa pessoa, mas naquela hora eu vi o quanto eu era desprezível. Só não estava entendendo a minha crise de consciência. Nem na TPM eu estou!?
— Desculpa mas se me der licença eu preciso ir. — Me levantei e deixei ele falando sozinho.
Saí dali o mais rápido que pude e ao abrir as portas da saída eu consegui respirar. Me senti sufocada com aquele homem falando daquele jeito sem parar.
Peguei meu carro e fui direto para o Doutor Archie.
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— Doutor preciso que me ajude e rápido! — Abri as portas do consultório e me arrependi ao ver que ele estava com uma paciente.
Ele ficou sem reação com a boca entre aberta. — Senhorita Mills, assim que terminar aqui eu já lhe atendo.
— Claro.. Me desculpe Doutor. — Fechei a porta sem jeito e aguardei ser chamada.
Se passou uns minutos e a porta se abriu. — Obrigada senhorita Blanchard, até a próxima.
Uma senhora um pouco de idade se despediu e me lançou um sorriso ao sair. Retribui com o resto de dignidade que me restava.
— Entre Srta Mills.

— Archie eu não sei o que está acontecendo comigo. Preciso que me ajude.
— O que houve? Me conte. — Ele se sentou mas eu não consegui me sentar. Fiquei andando de um lado pro outro.
— Eu acho que não estou mais sendo eu. Acredito que peguei uma doença. — Ele me olhava confuso.
— Seria a doença que você sempre me fala?
— Essa mesma. Ela está me tomando e eu ando sendo gentil e feliz.. E quando um homem me falou exatamente as coisas que eu também dizia eu me senti ofendida.
— E isso está te prejudicando?
— Não.. quer dizer sim. Eu preciso voltar a ser eu mesma.
— Você quer dizer a Regina que era preconceituosa e amarga? — Parei pra pensar por um instante. — Isso tem a ver com aquela mulher que mencionou?
— Sim tem tudo a ver. — Suspirei e resolvi me sentar. Fiquei pensativa e comecei a mexer a perna frequentemente.
— Regina sabemos o motivo de tanto ódio.. tanta amargura, tanta revolta em relação à pessoas.. digamos diferentes. Você sabe que isso se remete a algo do seu passado.. — Archie falava tranquilamente.
— Não quero falar sobre isso de novo Doutor. — Me senti incomodada com o rumo da conversa.
— Você sempre evita este assunto mas sabe como é importante. Sabe que deve superar.
— Eu já superei.
— Falou com sua mãe? — Desviei o olhar.
— Não foi necessário.
— É necessário se quiser mesmo seguir em frente. Eu acredito que.. tudo acontece por uma razão Regina. Se você está passando por isso talvez seja o universo lhe mostrando o outro lado da moeda.
— Eu sei quem eu sou, quem eu me tornei. E não vou deixar uma mulher problemática atrapalhar isso. Não vou.
— Tem certeza que foi está mulher? Quer dizer o que ela fez pra você? — Molhei meus lábios e soltei outro suspiro olhando ao redor.
Emma não tinha feito nada além de ser gentil e bondosa. De ajudar sempre que necessário e se preocupar comigo como ninguém nunca fez. E parece loucura eu estar admitindo isso.
— Você acha que passar uma doença pode ser algo bom? — Indaguei voltando a minha postura.
— Essa "doença" só existe na sua cabeça Regina. Nunca foi comprovado cientificamente que isso é uma doença de fato, mas resolvemos aceitar que pra você existe e isso já faz anos.
— Não eu não devo estar em mim. Eu não sou assim e você sabe.
— Pode se levar muito tempo pra ser descoberto. Depende de cada pessoa.
— Deve ter um jeito não é? Uma cura.
— Está me perguntando se existe cura gay Regina? — Fitei seus olhos por alguns segundos. Ele mantinha a mesma posição. — Não existe.
— Eu preciso fazer exames psicológicos. Preciso que me encaminhe Doutor. Me ajude!
— Tudo o que posso fazer por você querida, é encaminhar seus exames mas sabemos qual vai ser o resultado.
— Mas faça isso, por favor.
Pedi quase implorando. Eu não podia estar caindo nessa, não era real.
— Tudo bem. Mas lembre-se que o mundo dá voltas Regina. Um dia da caça outro do caçador. Se quer um conselho.. tente aprender o máximo que conseguir com isso e faça o que te faz feliz. Não deixe algo do passado estragar o seu futuro.
— Obrigada Doutor. — Me levantei e sai dali com passos apressados.
Precisava ir pra algum lugar descontar minha raiva e pensar. Decidi ir pra academia e malhar como se não houvesse amanhã.
Minha cabeça estava girando e processando tudo o que Archie havia falado.
E se for tudo obra do universo pra eu ver quem eu realmente era e tomar um rumo diferente? Ou pode ser também uma distração pra eu por tudo a perder e me render a essa doença desprezível.
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Emma
Eu não tenho palavras pra resumir como estou me sentindo. Parece que a vida tá me dando uma prova tão grande que fica difícil de suportar.
Quando eu soube que pegaram Regina meu coração quase parou. Fui correndo atrás para salva- la e no fim quem arranjou toda a confusão fui eu.
Precisava ficar longe dela. Minha vida é um mar de confusões e problemas. Ela já tinha o mundo perfeito com um namorado idiota, não precisava nenhum pouco de eu atrapalhando.
Melhor pra todo mundo assim.
— Emma.. Emma? — Senti minha colega de trabalho me cutucar no balcão da recepção.
— O que.. o que foi? — Me acordei do pensamento.
— Você está bem? Tá aí a mais de 30 minutos.
— Só estou de ressaca, mas tá tudo certo. — Menti porque sem dúvida ela iria acreditar.
— Okay. Pega esses relatórios na sala 4 pra mim que eu vou entregar pro Doutor Neal.
— As ordens. — Coloquei os dedos encostados na testa em sinal de comando.
Minha colega revirou os olhos e voltou a preencher algumas apostilas.
Fui caminhando até a sala e voltei a me perder nos meus pensamentos.
Eu precisava arrumar os números pro August e rápido, antes que ele ouse fazer algo com Regina. Não sei como ele descobriu, devia estar me seguindo a todo momento e eu não percebi.
Porque entre todas as pessoas que me conhecem ele escolheu ela? Que filho da puta.
Busquei os relatórios e fui pra emergência ajudar a socorrer alguns pacientes que haviam chegado numa ambulância.
Depois de 6 horas seguidas por ali resolvi sair pro meu intervalo pra tomar um café.
Olhei meu celular assim que sentei numa das cadeiras em frente ao balcão.
Mulan — Por que não me responde mais? Quero saber o que aconteceu naquela noite.
August — Você tem 24 horas pra recuperar meus contatos se não já sabe o que acontece
Mãe — Filha trás uma dúzia de ovos quando voltar pra casa? Eu saí do terapeuta agorinha pouco mas esqueci de comprar kkkk obrigada te amo.
Passei a mão nos meus cabelos numa forma de tentar não ficar nervosa com a mensagem de August.
Depois daquela noite da festa não falei mais com Mulan e desde então ela vem me ligado e mandado mensagens e eu só queria ignorar todas elas.
Confirmei que compraria os ovos pra minha mãe e terminei meu café.
Pedi pra sair mais cedo e por sorte tinha pessoal de sobra pra eu ser liberada. Troquei de roupa e fui até meu fusca.
Dirigi até o local onde sabia que ia ter gente interessada nos números e estacionei um pouco distante.
— Eai galera. — Puxei papo com o pessoal escorado no muro e me escorei com eles.
— Cigarro? — Um dos meus conhecidos me ofereceu.
— Hoje eu aceito. — Peguei o cigarro e dei uma tragada. Fazia muito tempo que eu não fumava.
Passaram- se alguns minutos e nesse tempo vários carros chiques passaram por ali trocando dinheiro por drogas.
— Aí Sheriff tem um cara precisando de muita grana ali atrás.
Naquele lugar todo mundo tinha um apelido e o meu era Sheriff. Diziam que era por que eu tinha cara de policial. Tá bom.
Passei alguns números em troca de grana com alguns caras ricos que tiveram por ali. Eu ja sabia o que acontecia depois, eles pegavam o número conseguiam a grana e ficariam devendo pra vida toda ao meu primo. Sempre preocupados que se não pagassem estariam espondo suas vidas em risco.
Fazia tempos que eu evitava ir naquele lugar de novo, porque depois de 3 anos nesse tipo de coisa a gente só quer evitar ao máximo. Mas parece que tinha sido a pior cagada que eu já fiz na vida.
Fiquei os resto do dia ali até tarde da noite. Meu objetivo era pelo menos 30 números e consegui 34. Mandei mensagem pro August avisando.
August — Muito bem. Agora só faltam 466 pra me compensar pelo prejuízo. Espero por mais amanhã.
Bloqueei o celular e chutei uma das latas de lixo ali perto com força. — DROGA!
— Tá tudo bem mana?
— Tá tudo bem jujuba.
— Quer uma carona pra casa?
— Tô de boa valeu. — O jujuba era o mais gente boa entre eles.
No fim alguns estavam saindo e eu resolvi me retirar também. — Merda.. os ovos.
Já ia me esquecendo dos ovos que a minha mãe pediu. Passei rápido numa conveniência 24 horas e peguei a duzia.
Cheguei em casa e resolvi acender a luz.
Lá estava a minha mãe sentada em frente ao balcão da cozinha.
— Onde você estava Emma?
— Eu trouxe os ovos mãe. Posso colocar na geladeira?
— Sabe que eu e o seu pai não vamos mais aguentar isso. Nos preocupamos muito com você filha. — Abri a geladeira e coloquei os ovos ali. Fechei e suspirei pesado.
— Eu sei mãe.. Me desculpa. — Sente na sua frente. Notei que ela estava bebendo um pouco de whiskey no copo.
— Você falou que ia parar.
— E eu parei já.. isso é só temporário. Não se preocupa tá? — Peguei na sua mão. Ela me olhou com os olhos marejados e isso era pior do que enfiar uma faca no meu peito.
— Sabe que não está sendo fácil com seu pai e seu irmão. Mais você eu não sei se.. posso suportar.
— Hey.. hey mãe.. Eu sei que não tem sido fácil com a doença do pai. Tô tentando de tudo pra pagar o convênio e o aluguel mas as vezes só um trabalho não compensa por mais que seja um bom trabalho, mas eu prometo que vai ficar tudo bem.
— Você é igual a ele.. seu pai. Uma pessoa maravilhosa que doa tudo de si para ajudar quem ama. — Minha mãe sorriu com doçura e afagou meu cabelo. — Eu te amo filha.
Se levantou e caminhou até as escadas de madeira, mas antes se virou para me olhar. — Por favor toma cuidado.
— Sempre. — Tento soar divertida e vejo ela subindo para o quarto. — Também te amo!
Me deito no sofá e respiro fundo pensando em quais dos problemas na minha vida eu teria que solucionar primeiro.
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