Uma prova de amor

2 Vai ficar tudo bem eu prometo.


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários. Gostei muito!

Uma semana se passou e Regina já estava nervosa. Aquele bom humor todo dia já não estava conseguindo se manter.

Então decidiu dar uma festinha na sua casa para suas "amigas" e algum pessoal da sua empresa. A maioria foram com seus parceiros. Parecia aquelas festas com cada namorado pra sua namorada. E algumas divorciadas mal amadas ou solteiros arrogantes e babacas.

— Essa festa ta muito chata! — Tinker puxou Regina pra reclamar. — Sério, tá tipo muito chata mesmo! Um babaca não para de dar em cima de mim e uma mulher me tirou pra ouvir como eram os momentos lindos antes de se casar e então pedir o divórcio. — Revirou os olhos tomando uma bebida no canudinho.

— Do que está falando? A festa está ótima. Tem vinho, champanhe e todos parecem estar se comunicando. Só por que você não é desse tipo de gente não significa que não possa aprender a gostar.

— Eu não quero aprender porque ta chatooo..

— Melhor parar de beber.

— Com uma festa dessas!? Acho difícil.

— Quando que você vai tomar jeito na sua vida Tinker!? Pare de agir como uma adolescente rebelde e cresça. Eu não vou estar sempre aqui pra te ajudar.

— Pelo visto quem precisa de ajuda aqui é você e eu não preciso dizer o porquê! — O celular de Regina começa a vibrar e ela estende a mão pra Tinker parar de falar e ela atender o telefone.

— Te pego em 5 minutos.

— Quem está falando?

— Alguém que vai te levar no cinema.

— O que ? Mas agora?

— Sim ta ocupada demais pra isso?

— Não. Você não vem eu vou até você. E em 10 minutos.

— Okay, vou estar esperando. Se me der bolo já era.

— Que droga!

— O que foi ? — Tinker pergunta curiosa.

— Nada. Eu vou precisar sair e preciso que tome conta da festa até eu voltar. — A morena parecia desapontada. Pegou um casaco e as chaves do carro.

— Quem? Eu? Ah não, não me deixa aqui com essa gente. — A loira baixinha corria atrás dela até a porta.

— Isso é muito importante, pelo menos uma vez na sua vida eu tô pedindo esse favor.

— Foi você que quis dar essa festa com clima de gente idosa. Aff..

— Só enrola eles até eu voltar. Obrigada. — Regina fechou a porta e pegou seu carro.

Chegando em frente ao único cinema da cidade ela avistou a loira usando um suéter e um casaco preto de lã por cima com o jeans e as botas. As mexas loiras estavam soltas e mais brilhantes que dá última vez que se viram.

Já a morena usava uma vestido preto de couro e um casaco de pele por cima. Com seus cabelos negros um pouco abaixo do ombro. Sempre uma maquiagem marcante no rosto.

— Uau.. Eu falei um cinema não uma formatura. — A loira abriu um sorriso secando Regina dos pés a cabeça.

— Vamos acabar logo com isso. — Revirou os olhos e caminhou até a bilheteria.

— Eu já paguei os ingressos — Regina se virou e viu que a desconhecida estava com os tickets em mãos.

— Que seja. — As duas foram caminhando numa certa distância até a sala de cinema.

— Você está linda. — Regina ficou um pouco assustada com a aproximação da loira no seu ouvido e arrepiada pela atitude abrupta.

— Não diga isso pra mim.

— E por que não?

— Porque está falando com malícia.

— Na verdade não, só estou sendo sincera.

— Guarde sua sinceridade pra si mesma. — Ambas sentaram nas poltronas.

— Qual é a sua ? — Perguntou vendo que a morena tinha se assentado uma poltrona depois.

— Eu não vou sentar ao lado de uma desconhecida.

A loira se levantou e sentou ao seu lado estendendo a mão.

— Prazer, Emma! É falta de educação não apertar. — Regina só olhou e desprezou. — Tudo bem, pelo menos me diga seu nome.

— Prefiro continuar desconhecida pra você.

— Já entendi qual é a sua. — Sorriu olhando pra tela que se acendia. — Você é rica, tem um negócio a zelar e provavelmente não deve estar indo bem por isso precisa do dinheiro. Acha que é superior a todo mundo e sempre a dona da razão. Provavelmente homofóbica também.

— Eu gostaria de saber o que exatamente eu estou fazendo aqui?

— Me acompanhando no cinema. Vou pegar pipoca e refri, você quer?

— Não.

— Okay então. — Enquanto Emma foi pegar pipoca Regina pensou em sair dali correndo mas precisava do número.

Os trailers foram passando e logo iria começar o filme. Não demorou muito pra loira sentar ao seu lado com um balde de pipoca e um refri.

— Come vai. Tá gostoso. — Ofereceu.

— Não vou comer isso. Nem sei de onde veio.

— Da pipoqueira.

— Com que tipo de manteiga ou sal? Como vou saber se o atendente lavou as mãos antes de fazer ?

— Caralho, tá explicado porque não tem marido. — Se jogou na poltrona e encheu a boca de pipoca. Regina estava nalseada com aquela situação.

O filme terminou e a morena já estava pronta pra se levantar quando ouviu a loira se indignar.

— Como assim ele morreu??? Tinha espaço tranquilo pra ele ficar em cima daquela madeira com ela, que egoísta!!

— Está de brincadeira comigo? Você nunca assistiu Titanic?

— Não. Isso é um absurdo, pra mim ele morreu em vão. — Levantou frustrada da cadeira e saiu da sala.

— Ele morreu pra salvar ela.

— Ah fala sério!? Ele foi um trouxa isso sim.

— Você não deve entender nada de sacrifício mesmo.

— E você entende?

— Eu nem sei porque estou discutindo isso com você. Me passa a droga do número pra eu poder seguir meu caminho.

— Está bem.. — Emma revirou os olhos e foi entregar o papel. Quando a Regina foi pegar não conseguiu. — Mas eu disse uma noite.

— Você disse o cinema e já fomos.

— Não, foi o cinema numa noite. E como dizem a noite é uma criança.

— Porque não fala logo o que você quer comigo? Por que se estiver pensando em algo..

— O que você acha que eu devo estar pensando? — A loira de aproximou quase invadindo seu espaço pessoal. Olhou dentro dos olhos castanhos e molhou os lábios.

Regina ficou constrangida, não soube como reagir e acabou desviando o olhar para os lábios da outra. Por "puro" reflexo.

— Qualquer coisa que esteja pensando não vai ter de mim.

— Eu quero saber seu nome. Posso?

— Eu não estou entendendo..

— Só me diz seu nome caramba!? — Não foi grosseira mas foi impaciente.

— Regina.

— Prazer Regina. Vem caminhar comigo, vou te contar uma coisa.

— Olha só.. Emma. Eu preciso muito que me dê esse número eu preciso recuperar a minha empresa. Então se não for pedir muito eu acho melhor você parar com essa palhaçada. Por que sinceramente eu não estou gostando nenhum pouco.

— Sim.

— Ótimo.

— É pedir muito sim. — Sorriu ao ponto de ser fuzilada pelo olhar da outra. — Uma noite, um número. — Recebeu uma piscada vendo a loira se virar e caminhar pela calçada.

Celular de alguém tocou.

Alô?

— Regina preciso que você venha pra sua casa agora!

— Tinker que barulho é esse?

— Talvez eu tenha chamado uma amiga que chamou uns amigos...

— Tinker Bell você não fez isso!

— Desculpa Regina. Mas ta virando um caos aqui. Um cara ta roubando as suas coisas e não quer devolver.

— Já estou indo.

— Preciso ir.

— O que aconteceu?

— Não é da sua conta.

— É se você quiser um papel que está no meu bolso. A noite continua..

— Eu não posso ficar estão roubando a minha casa. — Regina andou até seu carro e entrou ficando indignada ao ver a outra entrando no banco do passageiro. — O que está fazendo??

— Eu vou com você. Sei lidar com esse tipo de situação.

— Eu vou chamar a polícia eles vão resolver.

— Até chegarem vai demorar. Eu vou com você.

— Mas que droga. — Regina acelerou com raiva e em 5 minutos estava em frente à sua casa.

Ao entrarem avistaram muitas pessoas bebendo e dançando com som alto quebrando as coisas. As divorciadas bebendo e dançando com jovens desconhecidos e todos estavam muito loucos.

— Regina que bom que você chegou! Quem é essa?

— Tinker onde está o homem que está roubando as minhas coisas!?

— Ele tá lá em cima e não quer devolver eu tentei de tudo.

— Deixa comigo. — Emma subiu as escadas e foi seguida pelas duas mulheres.

O homem estava no quarto de Regina com um vaso em mãos. Parecia estar muito bêbado. — Esse vaso é miiieeu.. — Ele cambaleava de um lado pro outro.

— É o vaso da minha vó. É herança de família. — A morena ficou preocupada. Estavam na porta do cômodo.

Aconteceu rápido mas tudo o que sucedeu foi que Emma deu um gancho de direita que o cara cai duro no chão levando o vaso ao ar que imediatamente foi recuperado pelas mãos da mesma.

— Nossa ela é incrível. — Tinker bateu palmas e sorriu mas ao ver o jeito que sua amiga tinha olhado ela parou na mesma hora.

Regina desceu e apenas falou: — Todo mundo pra fora AGORA.

O som parou e todos foram se retirando.

— Obrigada pela festa chefe. — Os funcionários saíram bêbados e felizes até não sobrar mais ninguém.

— Regina me desculpa eu não sabia que..

— Você também Tinker pra fora da minha casa! — Apontou pra porta e logo a amiga obedeceu.

Emma descia as escadas trazendo o homem arrastado e levando pra fora da casa também.

— Que festa e tanto teve aqui hein. — Sorriu e colocou as mãos na cintura olhando ao redor.

— Eu não acredito. Eu peço uma coisa um único favor e nem isso ela sabe fazer direito. Porque eu sempre tenho que ser a melhor em tudo que faço? Ninguém sabe fazer algo pra ajudar ou que preste também? — Regina catava os copos e tentava limpar a sujeira.

— Seu vaso está salvo. Deixa eu te ajudar

— Não! Você nem deveria estar aqui essa é a minha casa.

— Bom eu só quis ajudar. E pra sua informação as pessoas não são perfeitas, cometem erros mas eu vejo que pra você tudo tem que ser sem defeitos.

— Você nem me conhece. Como você ousa vir na minha casa pra me ofender.

— Eu ouso sim porque vim pra ajudar e não ser insultada madame. — Ambas estavam frente à frente se encarando como um tipo de rivalidade.

— Me passa a droga desse número. — A morena estava nervosa e intolerante.

— E se eu não passar?

— Vai se arrepender.. — A tensão era clara. Olho no olho como um desafio.

— Deixa eu te contar uma coisa. Eu tenho um dom.

— Você? — Regina riu.

— Sim.. Eu posso ver quando estão mentindo. Eu vejo dentro das pessoas e sabe o que eu vejo em ti Regina?

Uma pessoa traumatizada. Tão traumatizada que decidiu ser o pior de si como uma estratégia de defesa pra não sofrer de novo.

Eu vou te dizer uma coisa. Eu não sei o que eu vi em você mas me chamou atenção. E isso raramente acontece. Então digamos que eu estou intrigada e é esse o motivo por eu estar aqui.

— Eu não me importo com o que você sente. Você é doente! Você e sua comunidade. Sempre se acharam superiores mas a verdade é que nós fomos o começo de tudo.

— Do que tá falando?

— Sabe bem do que estou falando.

— Eu vou te dar um conselho. Eu ajudo meu primo com essas paradas de contato porque preciso da grana. Mas não se envolve nisso. É coisa pesada e é muito dinheiro.

Seja o que for que você precise pra sua empresa, o melhor a fazer é encontrar outro jeito. — Emma deixou o papel em cima da mesa e caminha até a porta. — Você decide Regina. Boa noite. Espero que encontre o que está procurando!

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— Como assim o Robin te ligou e você não atendeu?

Regina e uma das suas amigas estavam na aula de ritmos ofegantes e dançando sem parar numa sequência de passos.

— Eu só estou com muita coisa na cabeça agora Ariel. Não tenho tempo pra isso.

— Mas ele é um gato e gosta de você. Pensa em quantas mulheres querem estar com aquele galã? Eu mesma já iria querer ele e rapidinho.

— Muitos homens também preferem estar na minha presença, então eu posso escolher. Mas não quero.

— Eu queria ser você.

— AGORA AGACHAMENTO, VAI! — A professora não estava dando um descanso naquela aula. Todos já estavam exaustos.

A aula terminou e Regina se despediu da sua amiga pra ir pra casa tomar banho. Não confiava em chuveiros de academia.

No banho ela aproveitou pra pensar em tudo e esvaziar a mente.

Ainda não tinha ligado para o número pensando no que aquela loira desconhecida tinha falado. Poderia ser muito perigoso estar se envolvendo com esse tipo de gente. Estaria arriscando a própria vida e valeria a pena?

A empresa estava indo de mal a pior, ela não sabia o que fazer.

Respirou fundo decidiu manter a calma e foi trabalhar. No caminho do trabalho estava falando no telefone com Ruby e acabou se alterando por mais uma empresa fiel ter desistido.

Sem perceber sentiu o peso da batida de um carro contra o seu e tudo se apagou.

Acordou lentamente e viu que estava na emergência com soro na veia e muita dor na testa. Foi colocar a mão e viu que estava com gase. Gemeu de dor e foi logo buscar ajuda de alguma enfermeira.

— Mantenha a calma senhora. Está tudo bem. — Quando Regina viu aquele rosto famíliar queria desmaiar de novo.

— Você de novo não... — Sua voz estava arrastada.

— Então... Regina Mills. — A loira sorriu de canto trazendo os materiais para fazer a sutura. — Você sofreu um acidente de carro mas nada muito grave. Um carro bateu na lateral do seu. Sorte sua que ele não estava muito rápido. Eu vou fazer apenas uma sutura e vai ter alguns pontinhos na testa. Tudo bem?

— Não tem outra... outra enfermeira pra me atender ? — Ainda estava um pouco tonta.

— Não se preocupe sou a enfermeira perfeita pra esse trabalho. Prometo que não vai doer e vai ser rápido.

Emma prosseguiu com a suturação e em cinco minutos já havia terminado trocando o curativo. Regina olhou nos olhos verdes e parecia estar dispersa.

— Está tudo bem? Vou te dar um remédio pra dor de cabeça e tontura.

— Como assim você trabalha...num-num hospital?

— Melhor descansar Regina.

Aproveitando a situação Emma pega sua mão e faz um leve carinho. — Vai ficar tudo bem eu prometo.