Uma prova de amor

3 Regina, Regina. Qual seu segredo? Eu pretendo descobrir.


Notas iniciais
Me contagiei com cada comentário, fiquei muito feliz muito obrigada. Peço desculpa pelo capítulo ficar muito grande mas prometo que vai valer a pena!

A morena adormeceu e acordou um tempo depois já querendo se levantar e sair daquele hospital. Emma estava passando por ali e viu que Regina começou a tirar agulha do seu braço.

— Calma aí Madame. Você acha que tá bem pra sair assim?

— Quanto mais longe de você melhor. — Pegou sua bolsa e seu casaco, mas estava na cara que mal conseguia andar.

— Porque me odeia tanto? O que eu fiz pra você além de tentar ajudar?

— Eu odeio o fato de você estar respirando. Simples assim. E se me der licença eu tenho um seguro pra cobrar. — Andou devagar até a porta do hospital mas foi parada no braço pela mão de Emma.

— Esqueceu os remédios. Não esquece de tomar nos horários certos e se tiver muita enxaqueca igual, volta pra cá entendeu?

A morena pegou os remédios e ignorou a enfermeira.

— Você ligou?

— Vai fazer seu trabalho Emma Swan. — Olhou no crachá. — Ou pelo menos um deles.

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Alguns dias se passaram e Regina nem se deu o trabalho de tomar os remédios. Estava muito ocupada indo de empresa em empresa marcando 10 reuniões ao dia. Se tem uma coisa que ela não fazia era desistir. Mas mesmo assim sabia que o final era o fundo do poço. Uma hora ou outra ela teria que ligar para aquele número.

As dores de cabeça pioraram e ela já não sabia o que fazer. Foi obrigada a voltar no hospital.

— Regina o que houve? — Emma encontrou ela na recepção e perguntou preocupada.

— Eu ja falei com a doutora ela mandou eu fazer uns exames.

— Podia ter falado comigo. Fui eu que te atendi aquele dia.

— Não se preocupe já está sendo resolvido Srta. Swan.

— Já falei que pra você sou senhorita ninguém. — Sorriu tentando se divertir. Quase arrancou um sorriso da morena. Se sentiu vitoriosa com isso.

— Eu tenho que ir fazer os exames.

— Boa sorte então Madame Mills.

Regina se retirou e Emma seguiu seus passos até ela desaparecer do corredor. Deu um longo suspiro e voltou a trabalhar.

Logo depois de ter terminado seu trabalho depois de um turno de 36 horas ela foi até sua cafeteria preferida tomar seu capuccino com chantilly e canela.

Sentou na mesa e começou a mexer no celular.

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Até ela mesma se surpreendeu ao ver que tinha salvo o número. Talvez tenha sido num dos cochilos entre as horas trabalhadas e nem se lembrava.


Emma tinha a estranha mania que a maioria das pessoas tem, que era gostar de pessoas complicadas. Ela gostava de ser a salvadora de todas as pessoas tanto no trabalho quanto na vida pessoal. E Regina parecia ser um desafio que ela queria muito arriscar.

Com o trabalho e a cabeça cheia, mal conseguiu responder seu irmão ou sua amiga loucamente apaixonada por ela. Mas Mulan era fácil demais. Estava ignorando seu primo faz semanas, queria largar aquele extra mas não sabia como dizer.

Concentrada no celular e no seu café, ao desviar os olhos pra olhar as pessoas viu que Regina estava entrando ali e sentando em frente ao balcão, não tão distante dela.

Não quis perder a oportunidade de incomodar a outra e foi se sentar ao seu lado.

— Ora ora você por aqui.

— Por acaso está me seguindo Srta. Swan?

— Na verdade essa é a cafeteria que eu vou todo dia porque é a que fica mais perto do meu trabalho então tecnicamente... — fingiu pensar. — acho que você está me seguindo Srta Mills.

— Eu só precisava de um café forte depois de todos aqueles exames. — Reclamou e pediu seu café para a garçonete.

— Eles pedem por precaução. Não tem como saber ao certo o que pode ser. Uma enxaqueca pós acidente pode ser muitas coisas.

— Tudo o que eu preciso agora é menos um médico me falando o que pode ser.

— Eu sou enfermeira.

— Sinceramente eu não me importo.

— Eu sei que não. Você não se importa com nada e nem ninguém não é? — Emma encarou Regina nos olhos e não foi discreta em descer aos seus lábios carnudos e marcados pelo batom vermelho. — O que fizeram com você Regina Mills?

— Me deixe em paz.

— Seus olhos dizem que não é isso o que quer.

— Oh não sabia que você sabia ler olhos. Agora virou moda? Achei que fosse sobre ler mãos. — Cada palavra um toque de ironia e no fim um gole do seu café.

— Eu acho que você é sozinha. Mesmo com tantas pessoas ao redor. — Regina congelou com aquele comentário e ficou séria de repente.

— Por que você não vai cuidar da sua vida?

— Porque não é tão divertido. — Implicou e sorriu como uma criança que implicava com o adulto.

A morena suspirou pesado. Não sabia se estava totalmente impaciente ou la no fundo gostando de tudo isso.

— Então.. enfermeira de dia.. contato de drogas a noite.

— Ah agora você se importa? — Ironizou num sorriso.

— Não. Mas eu preciso esperar o resultado dos meus exames e estou entediada. — Regina não se alterava com facilidade por nada. Mantinha sempre uma postura e muita calma na voz.

— Faculdade de enfermagem não se paga sozinha. — Deu de ombros. Pediu outro café.

— Então você não tem pais?

— Eu tenho. Mas me diz de você. Empresária de dia, pedindo grana a noite.

— Eu nunca fiz algo do tipo. Mas estou numa situação crítica na minha empresa.

— Posso perguntar por que?

— Porque não forneço o tipo de ideia de propaganda que os investidores pedem.

— E qual sua ideia de propaganda?

— A que sempre foi e sempre deveria ser. Mas hoje em dia tudo se resume a "respeito" e "igualdade" toda essa palhaçada.

— Palhaçada?

— Sim tudo deveria ser como sempre foi alguns anos atrás. Onde tudo funcionava melhor.

— Deixa eu te contar uma coisa Regina. Quando você é hetero, você ouve das pessoas que está tudo bem por que gosta do tipo de gênero que a sociedade aprova. Mas e se, ser hetero ou sei lá branco, ou certo da sua identidade de gênero fosse errado? Fosse considerado uma doença ou um crime. O que você faria? Lutaria por igualdade social ou sofreria em silêncio pra agradar as pessoas?

— Isso não está em questão..

— E por que não? Pensa sobre isso.

— Eu não preciso pensar. Homens devem ficar com mulheres e vice versa. Acabou. Brancos estão sempre no topo da cadeia alimentar. Pessoas que nasceram com o sexo biologico vão sempre ser o que nasceram sendo. Sempre foi dessa maneira o mundo gira melhor assim. E agora toda essa coisa colorida e bagunçada me deixa com enjoo.

— Só por que você acha que é o certo, não significa que deva ser assim.

— Eu acho que tudo deve estar em perfeito equilíbrio.

— Pois eu acho que o mundo só vai estar em equilíbrio quando pessoas como você forem a extinção.

— Como eu sempre disse. Se acham uma raça superior.

— Ah você acha que nós nos achamos superiores? Quem aqui quer igualdade e quem quer se prevalecer?

— Discutir com ignorantes é o mesmo que discutir com paredes. Não te levam a lugar nenhum.

— Você não aceita a realidade, não aceita a verdade que ainda bem que está crescendo pra que todos possam viver a amar quem quiserem e quer saber? Eu acho que você está decaindo por conta disso.

— Você tem uma doença. Quando se é doente e não enxerga a doença que tem e insiste no erro. Você pode pensar que é igualdade, eu chamo de desequilíbrio. — Levantou-se da cadeira e terminou seu café. — Adeus Swan.

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— Aparentemente está tudo em ordem senhorita Mills. Acredito que as dores e as tonturas são por que tem evitado os remédios e também muitas vezes por estresse acumulado.

— Então está dizendo que não tenho nada demais Doutora?

— Nada demais até que se tome todos os remédios que lhe foram receitados. E se quiser um conselho.. tente desestressar, tirar a tensão. Vá para um spa ou pratique Yoga. Vai ser bom pra senhora. — A doutora fez uma pausa. —
Eu vou ter que lhe pedir desculpas, mas a minha impressora está com defeito. A senhora poderia pegar os resultados impressos na sala de impressão? É só falar que quer os resultados de exames da doutora Edwards.

— Sem problemas doutora. Obrigada.

Regina se levantou da cadeira em frente à mesa e sorriu em agradecimento.

Assim que saiu da sala se deu conta que realmente estava sob muito estresse. Ela não comia direito, dormia ou relaxava.

Seu único objetivo era a empresa e estava se dedicando inteiramente a isso e com isso tinha esquecido de pensar um pouco em si.

Estava dispersa em pensamentos então decidiu se recompor ajeitar a postura e prosseguir até a sala de impressões para pegar o resultado dos exames por escrito.

Bateu na porta mas ninguém atendeu. Resolveu abrir e viu que a sala estava vazia. Mesmo assim se dirigiu até a mesa onde tinha várias impressoras pra ver se os papéis já poderiam estar ali.

Na mesma hora sentiu a sala girar e girar sem parar. Viu que seu corpo estava cedendo e caindo no chão enquanto tudo se apagava novamente.

Nesse instante Emma teve uma pausa para descansar e estava indo em direção a sala de descanso mas parou no meio do caminho ao ver que uma sala estava aberta. — Olá?

Entrou e viu que não tinha ninguém mas resolveu andar até a mesa e encontrou uma Regina desmaiada no chão. Arregalou os olhos e foi correndo se agachar e ver como estava o estado.

— Regina!?? Regina, responde!! — Encostou os dedos no seu pescoço e viu que tinha batimento. Respirou fundo e colocou a cabeça da morena no seu colo.

— Preciso que acorde, abre os olhos por favor! — Emma repousou sua mão no rosto da outra e tentou mexer pra ver se ela acordava.

— Pa-para... com isso. — Regina sussurrava. — me deixe dormir. — Virou de lado e agarrou o corpo da loira com as mãos tentando se aconchegar ali.

— Droga. — Emma sentiu seu corpo arrepiar num choque. — Você é cheirosa pra caramba sabia? E-e me assustou!

Nisso, o homem responsável pela sala chegava com as chaves em mãos. Achou estranho a porta estar aberta e simplesmente resolveu fechar e trancar. Quando Emma foi perceber já estavam trancadas naquela sala.

— Hey! Peraí.. Não.. Essa não.

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Emma

Que situação. Sério, eu acho que nunca imaginaria isso. Regina estava nos meus braços dormindo serenamente. Puta, o cheiro dela é tão gostoso, e ela é tão tão tão linda. Eu não sei o que que deu em mim.

Quando vi essa mulher sentada naquele banco na praça eu vi algo diferente nela.

Me intrigou, me chamou atenção. E fiquei mais curiosa ainda em saber porque ela queria se meter naquele tipo de negócio. Ela parece um ser humano horrível mas a minha intuição diz que é tudo fachada.

Provavelmente ela passou por algo traumatizante na vida pra ser assim. Eu tenho certeza. Minha intuição nunca falha.

O que eu faço? Nao quero sair daqui pra pedir ajuda. Ela ta mal certo? Preciso ficar aqui cuidando dela, não posso sair.

Regina, Regina. Qual seu segredo? Eu pretendo descobrir.

Crio coragem pra passar a mão no seu cabelo. É sedoso e parece que foi hidratado umas mil vezes. O rosto se não fosse pela maquiagem forte diria que parece um anjo dormindo.

Eu não acredito que eu me meto nessas confusões. Você não tem sorte mesmo Emma, seu cupido é um filho da puta.

— Eita.. — Fiquei sem ar ao perceber que Regina me apertou forte contra seu corpo numa forma de querer se proteger.

— O que..? — Parece que ela viu o que estava fazendo e resolveu parar.

Quando abriu seus olhos eu vi o espanto e em seguida a cara de desprezo que ela me lançou.

— Mas que por... droga é essa ? — Regina se afastou muito rápido rastejando pra longe. — Nossa que dor. — Sua mão foi parar na cabeça.

— Calma Regina. Você desmaiou e eu vim te ajudar.

— Onde estou?

— Na sala de impressões, sorte sua que eu vi que a porta tava aberta, poderia ter sido algo mais grave e não teria ninguém pra te socorrer.

Ela parecia muito confusa sentindo dores na cabeça. Se levantou devagar. Eu tentei ajudar mas ela me afastou.

— Sai daqui Swan, você aproveitou que eu estava desacordada e ficou me tocando. Isso é assédio eu vou chamar o segurança.

Eu tive que revirar os olhos ao ouvir isso. Deixei ela andar até a porta mas vendo que ela não conseguiu abrir eu dei um sorriso.

— Swan abra esta porta agora!! — Se virou me encarando com raiva.

— Nem me olha assim. Fomos trancadas pelo cara que fica aqui na sala. Acho que ele nao viu a gente quando fechou.

— E como saímos daqui?

— Vai ser complicado. Por mais que a gente grite ou faça algum barulho esse andar é isolado. Os enfermeiros só passam por aqui pra cochilar entre poucos horários por que agora.. — Olhei no meu relógio. — Começa o segundo turno, duvido que alguém vá querer cochilar tão cedo.

— Mas e o homem que cuida dessa sala? E os seguranças?

— Os seguranças ficam na recepção e o cara que fica aqui dificilmente volta porque agora todos os médicos tem impressora própria nas suas salas.

— Não é possível que a única doutora que eu fui consultada estava com a impressora com defeito.

— Relaxa.. Não deve demorar muito pra alguém passar por aqui.

— Quanto tempo você diria Swan?

— Eu diria umas... 3 horas no mínimo. — Me sentei no sofá cruzando as pernas. Tive que me conter pra não rir com a cara de desespero que Regina fez.

— Você só pode estar brincando comigo!? Eu tenho que trabalhar resolver minhas coisas! — Ela andava de um lado para o outro até que cansou e sentou numa cadeira de frente pra mim. — Eu vou ligar pro hospital! Você tem o número?

— Eu tenho mas não vai adiantar de nada. O sinal aqui é péssimo.

— Você mesma disse que funcionários vem para lazer, eles não precisam de Wi-Fi?

— Regina os funcionários vem ou pra dormir ou pra transar. Não existe tempo pra celular aqui dentro.

— Então você não precisa trabalhar também Swan? — Eu adoro quando ela faz essa pose querendo passar algum tipo de ameaça.

— Bom eu já ia tirar meu cochilo mesmo, só vai demorar um pouco a mais que o esperado mas eu estou cheia de horas extras então. — Dei de ombros. — Gosto de estar na sua companhia, não to com pressa.

— Você pode gostar mas tenha certeza que não é recíproco esse sentimento. Muito pelo contrário! Como não vou saber que isso tudo não é apenas um joguinho pra se beneficiar com a minha presença?

— Tem razão Regina, eu devo ter bolado tudo isso mesmo. Estraguei a impressora da sua doutora depois te fiz desmaiar aqui e pedi pro cara nos trancar, só porque quero um tempo com você. Me poupe tá!? — Como ela era arrogante e convencida puta que pariu. Mas é gata e como é gata.

— Se você mesma já está falando que fez em detalhes, como vou saber que não fez mesmo?

— Tu se acha a dona do pedaço mesmo né? A Miranda Prestly, Rainha Elizabeth, Daenerys Targaryen, Michelle Obama..

— A única coisa que eu acho, não, na verdade a única coisa que eu tenho certeza é que você está me perseguindo em todo lugar.

— Pode chamar de destino! — Levantei as mãos largando nas coxas.

— Prefiro chamar de maldição.

— Eu disse sim que você me intrigou mas.. você realmente acha que é a única mulher interessante nesse planeta? Não estou te perseguindo até porque você com certeza não é isso tudo! Então se não for pedir demais para de me acusar de coisas que não fiz Senhorita Mills! — Enfatizei a última parte.

Regina por uns segundos ficou sem reação. Ficou em silêncio me encarando de um jeito não muito amigável. Arqueou as sobrancelhas e olhou para o lado com desgosto.

— Fico feliz que eu não seja a mulher mais interessante desse planeta para você. Mas com certeza sou para muitos homens.

— Engraçado, você não está com nenhum deles não é?

— Não são o suficiente.

— Tá me dizendo que homens não são o suficiente pra você? — Quem arqueou as sobrancelhas dessa vez fui eu. Abri um sorriso convencido.

— Eu estou dizendo que por enquanto nenhum homem foi suficiente para merecer estar comigo. Eu nem sei porque diabos estou me explicando pra você. — Regina cruzou os braços tentando desviar o assunto.

— Então tu nunca esteve com outro homem?

— É claro que estive. Mas não baixo ao nível de estar saindo sempre com um por uma noite. Quando tiver que acontecer com o homem certo vai acontecer.

Quando ouvi ela falar "Com o homem certo" confesso que me senti um pouco ofendida e triste. Talvez eu nunca tivesse chance mesmo.

— Não sabia que era do tipo romântica Madame.

— Você não sabe nada sobre mim Swan.

— Eu poderia saber se me deixasse.

— Eu não quero.

— Eu só quero ser sua amiga Regina. — Tá bom talvez não só isso mas ela não precisava saber.

— Por que você quer isso?

— Não sei.

Depois disso houve um grande silêncio na sala. A Srta Mills tentava mexer no celular mas se frustrava porque não tinha sinal. Eu pelo contrário me deitei no sofá pequeno e comecei a ler uma revista que tinha ali.

— Como que isso pode ser considerado moda. — Achei graça dos vestidos das modelos numa página em específico.

— Será que ninguém quer mais tirar um cochilo? — Regina caminhou até a porta, olhava pra janela pela vigésima vez.

— É sério? Esse vestido é feito de saco de lixo como pode?

— Será que dá pra ficar quieta? — Larguei a revista e me levantei.

— Eu queria muito um café essas horas.

— Eu quero um chá de sumisso! Aí..

— Ta tudo bem? — Cheguei perto dela analisando sua testa.

— Está tudo bem.

— Deixa eu ver seu curativo. — Tirei um pouco da gase e vi que estava sangrando além do normal. — Tá sangrando demais. Precisa trocar logo. — Coloquei de volta e abaixei meu olhar para o seu.

Eu não pude evitar e fiquei encarando ela na mesma posição. O que me surpreendeu foi que ela fez o mesmo.

— Isso quer dizer alguma coisa grave? — Ela parecia assustada.

— Não.. Vai ficar tudo bem. — Levantei a mão pra tirar sua mecha de cabelo do rosto mas desisti no meio do caminho. — Isso me lembrou de uma história.

— Eu não tenho interesse em saber. — Sentou no sofá e me assentei ao seu lado também.

— Me lembrei quando era criança. Meus avós tinham sofrido um acidente de carro e estavam na UTI do hospital. Eu fiquei tão preocupada não tínhamos condições de pagar todos os recursos mas meu pai deu um jeito. — Abri um sorriso com a lembrança. — Meu pai sempre dava um jeito não sei como. Eu ficava sentada naquele corredor perguntando pra ele de 5 em 5 minutos se eles já podiam ir pra casa.. se eu poderia fazer alguma coisa.
Ele olhou nos meus olhos e disse "vai ficar tudo bem filha." Me lembro de ter sentido exatamente o que eu vi nos seus olhos... medo, insegurança, incapacidade.
Mas ele sempre me falava "seja boa com as pessoas, isso vai ser melhor mais pra você do que pra elas". — Eu me assustei ao ver que Regina tinha os olhos marejados e fixava seu olhar num ponto qualquer.

Ela engoliu em seco e olhou pra suas mãos que estavam entrelaçadas.

— Eu falei que não tenho interesse em saber.

— Eu.. Eu só lembrei e..

— Por que você não fica quieta por um minuto Swan?? — Me senti como se tivesse tocado em alguma ferida. O que não era a minha intenção.

— O que está acontecendo aqui? — Olhamos ao mesmo tempo pro homem que abriu a porta e se deparou conosco.

Regina simplesmente levantou pegou suas coisas e se retirou da sala. Fui correndo atrás dela.

— Regina eu preciso trocar seu curativo.

— Eu já disse que estou bem me deixe em paz.

— Não! — Alcancei ela e a fiz parar. — Srta Mills eu sou sua enfermeira e estou pedindo para que me acompanhe para trocarmos seu curativo. Por favor!? — Ela bufou, o que eu achei fofo. E caminhou até a emergência em passos pesados.

Pedi pra ela sentar na cadeira e tirei o curativo começando a limpar o sangue.

— Cuidado! — Resmungou.

— Desculpa. — Eu estava concentrada mas podia sentir o olhar de Regina sobre mim.

— Não vai querer entrar na minha vida. — Ouvi mais um sussurro do que um comentário. Parei o que estava fazendo e olhei nos olhos castanhos brilhantes. Resolvi ficar em silêncio. — Eu não sou uma pessoa boa.

— O que aconteceu com você?

— Não importa mais. Mas tudo está melhor desse jeito e deve continuar assim.

— Não precisa ser desse jeito. — Terminei de trocar e toquei sua bochecha com a ponta dos meus dedos.

— É exatamente assim que precisa ser. — A única coisa que pude ver foi ela se levantando e indo embora. Respirei fundo e me concentrei pra voltar a trabalhar.

Regina era um mistério. E por mais que tenha sido por pouco tempo consegui romper uma das suas paredes de defesa. Eu não queria desistir de continuar a vê-la, não queria desistir dela.

Notas finais
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