Uma prova de amor
13 Parece que vai ser eu e você agora
Notas iniciais
— Regina... Regina? Ela está acordando. — Levantei minha pálpebras com dificuldade, estavam pesadas.
Quando pude ver tudo parecia borrado no começo, mas depois foi se ajustando e eu pude ver a mãe de Emma me olhando e pegando na minha mão.
— O que... — Apertei meus olhos na tentativa de espantar a dor aguda que comecei a sentir na cabeça. — O que aconteceu..?
— Você está no hospital. Desmaiou e bateu a cabeça mas está tudo bem agora. Você salvou a nossa filha.. salvou ela. — Mary segurava o choro abrindo o sorriso pra mim.
Quando lembrei de tudo que tinha acontecido eu desejei não lembrar na mesma hora. Eu não podia acreditar.. Eu tinha matado um homem, um ser humano. Eu atirei nele.
— Srta. Mills.. Que bom que está acordada, precisamos resolver uns assuntos. Se nos der licença Sra Blanchard. — Arthur apareceu no quarto interrompendo.
Ela olhou pra mim esperando alguma confirmação. Decidi aceitar então ela saiu do quarto.
— Como eu estou? — Perguntei fraca e atordoada.
— Você vai ficar bem. Mas precisamos discutir o que aconteceu ontem a noite.
— Ontem? Por quanto tempo eu dormi?
— O dia inteiro. — O detetive se aproximou da minha maca.
— M-mas.. Eu..
— Srta Mills eu preciso que me diga por que pegou arquivos confidenciais da minha mesa e foi atrás de uma pista sem nos consultar.
— Eu... Eu matei aquele homem? — Indaguei não querendo nem ouvir a resposta. Ele ficou quieto e baixou a cabeça.
— Foi legítima defesa, só isso. Você não teve o que fazer ele iria te matar.
— Mas.. mas eu tirei a vida de um ser humano. — Meus olhos marejaram.
— Sei que pode ser difícil e um choque pra você, mas não foi sua culpa. Não se culpe por isso. Agora me diga por que você foi sozinha?
— Porque.. eu reconheci aquele lugar. Me desculpa detetive eu não pensei direito eu só fui até aquela fábrica e.. bem..
— Okay. — Respirou fundo. — Considerando que você salvou Emma Swan e nos fez acabar com uma gangue das grandes, eu não vou considerar esse seu erro. Mas preciso que responda algumas outras questões depois de sair daqui está bem?
— Muito obrigada Detetive.. de verdade. E como está Emma?? Ela vai ficar bem?? — Engoli em seco.
— Eu vou chamar o doutor pra vir te explicar a situação. — Se levantou e andou até a porta. — Você foi corajosa hoje Mills.. bom trabalho.
— Obrigada.
Esperei alguns minutos de tortura e nada do doutor. Resolvi tirar o acesso na minha mão e caminhei até o balcão de informações.
— Senhora não deveria estar aqui, por favor volte pro seu quarto. — Uma enfermeira se aprontou a dar a bronca.
— Eu só quero saber como Emma Swan está, por favor preciso que o médico venha falar comigo.
— Okay eu vou dar uma olhada ver se ele está disponível e..
— Em que quarto ela está? — Estava me sentindo horrível com aquela roupa de hospital. Tudo ainda estava meio embaçado e lento pra mim.
— No final do corredor mas senhora preciso que volte para o seu quarto e..- Ignorei ela e fui até o final do corredor caminhando as pressas mesmo fraca.
— Emma...
— Senhora..volte aqui!
Fui até o último quarto do corredor e vi que Emma estava com uma faixa na cabeça conversando com David. Abri a porta e me aproximei da maca. Ela me olhou com uma feição confusa como se não me conhecesse.
— Emma.. você está bem??
— Regina..- David me olhou apreensivo.
— Desculpa.. quem é você? — Ela me olhou como se eu fosse uma desconhecida e eu congelei ali mesmo.
— Srta Mills! — Um doutor chegou na sala. — Por favor me acompanhe até seu quarto, não deveria estar aqui.
— Eu só queria ve-la e.. porque ela não está me reconhecendo?
— Venha comigo por favor. — Olhei pra ele e pra Swan de novo que tinha o mesmo semblante pra mim e aquilo me magoou profundamente.
O doutor me acompanhou até meu quarto e colocou o acesso de volta na minha mão.
— O que está acontecendo doutor?
— Emma Swan teve hemorragia cerebral depois que foi pro hospital, ficou 12 horas em cirurgia. O espancamento que ela sofreu foi muito forte, afetou seu cérebro.
— O que isso quer dizer??
— Que ela não se lembra de muitas coisas. Ela se lembra de como tudo funciona.. do seu nome, sua família.. mas muitas coisas estão desconexas ainda pra ela.
— E isso inclui eu. — Deixei cair uma lágrima do meu rosto.
— Escute.. sei que deve ser difícil, mas é um processo. Se ela tomar os medicamentos e melhorar há uma grande chance de ela se lembrar de todo o resto. Enquanto isso ela fica no hospital.
— Talvez seja melhor assim. — Segurei o choro colocando a mão na boca.
— Tente falar com ela aos poucos.. dê uma chance. Com o passar do tempo se ela ver alguma foto ou até mesmo conversar, podem ser gatilhos para que ela se lembre de você. Não desista.
— Tudo bem. E quanto tempo eu tenho que ficar aqui?
— Pelos exames está tudo certo com você. Só ouve um ataque no seu sistema nervoso pela adrenalina que fez seu corpo reagir e desmaiar batendo a cabeça. Eu sinto muito pelo que aconteceu, mas tudo ficará bem. Você pode ir embora hoje a noite ainda. Vou tratar de liberar sua alta o quanto antes.
— Obrigada Doutor. — E com isso ele se retirou do quarto.
Então quer dizer que Emma não se lembrava de mim, nem que salvei sua vida. Tive que segurar o choro de novo. Quando eu penso que as coisas estão começando a dar certo na minha vida tudo se desmorona. Não sei o que fazer.
— Regina? — Olhei pra porta e Tinker estava lá preocupada. — Minha nossa garota você se mete em confusão hein..
— Vem cá Tinker. — Estendi meus braços e ela veio me abraçar.
— Tentei ligar tantas vezes e você não atendia e do nada recebo a ligação do hospital que você tá acamada. Você me colocou como número de emergência?
— Sim. Olha eu nem sei por onde começar. — Suspirei. — Primeiro quero pedir desculpas por todos esses anos eu tratar você mal, e mesmo assim você foi a pessoa que nunca saiu do meu lado. Por isso te coloquei como contato.
— Tudo bem amiga..
— Não, não foi certo como te tratei e eu tô arrependida. Eu acho que eu descontava tudo na única pessoa que queria realmente meu bem desde criança.
— O que aquela loira fez com você... — Tinker estava surpresa demais mas feliz.
Comecei a explicar tudo que aconteceu, inclusive meu romance com Swan. Seu queixo caia a cada frase minha.
— Regina você..
— Eu sei, matei aquele homem.
— Não você é uma heroína. Se não fosse por ti Emma estaria morta e aquele merda estaria a solta com aquela gangue. Você salvou todo mundo!
— É o que todo mundo esta falando mas.. eu não sei como conviver com isso, não é tão simples assim.
— Nem imagino como você tá se sentindo. Mas para pra pensar que você salvou a vida do seu amor. Ela só está bem naquela sala por ti então não desiste dela viu! Eu não quero saber.
— Talvez essa seja a minha chance de deixar ela em paz. Se ela fazer parte da minha vida só vai ter problemas.
— Eu faço parte e to bem viva aqui. Regina todo mundo tem muitos problemas mas quando se encontra algo assim, uma pessoa que te faz ser melhor.. não perde tempo. Aproveita pra reconquista-la.
— Mas eu não sei como fazer isso. Ela que me conquistou.
— Então agora é a sua vez. Seja você mesma, essa melhor que você tá sendo. Não desiste agora que já atravessou o rio inteiro e tá quase na beirada.
— Você acha que eu tenho chance?
— Meu bem.. você é Regina Mills lembra? — Ela pegou a minha mão e apertou em suporte.
— Acho que sim. Tem razão.
— Claro que sim. Eu vou pegar um café, você quer?
— Sim por favor. Tinker.. — Chamei antes que ela saísse. — É muito bom ter você de volta.
Trocamos um sorriso sincero e ela saiu do quarto. Depois de alguns minutos uma enfermeira veio ver minha medicação e logo em seguida David entrou na sala e foi até a minha maca.
— Oi querida.
— Olá Sr Nolan.. como está?
— Meus dois filhos estão machucados e prestes a ser presos. Não estou indo muito bem.. — Sua feição era triste e desamparada.
— Emma vai ser presa? Como assim?
— Quando ela melhorar, vai entrar em prisão domiciliar por colaborar com troca de contatos. Killian vai pra prisão por posse de drogas, tráfico e distribuição, mas o advogado falou que se ele se comportar sai em 6 meses.
Mary está muito abalada. Ela tenta proteger os dois a todo custo. Emma por ser a primogênita e Killian por ser o mais novo. Eu sei que Emma é o pilar que sustenta a nossa família, tenho muito orgulho da minha menina, faria qualquer coisa por ela. E meu filho, bom.. ele é jovem imaturo e rebelde. Vai ser difícil pra ele mas espero que aprenda a lição. Nesse momento precisamos dar todo suporte a nossa filha e também estar ao lado do Killian.
— Eu nem imagino como vocês devem estar se sentindo, eu.. sinto muito que tenha sido assim.
— Não tem que se desculpar. Na verdade eu que preciso te agradecer por ter salvo nossa garota. — Ele pegou a minha mão e sorriu com os olhos cheios d'água. — Muito obrigada Regina. Sabemos que ela não se lembra de você. Mas tente falar com ela aos poucos, ela vai te reconhecer.
— Obrigada Sr. Nolan.. quer dizer David.
— Você vai ficar bem?
— Vou sim não se preocupe.
— Se precisar de qualquer coisa estamos aqui pra você.
— Obrigada.. mesmo. — Tentei retribuir o sorriso mesmo com a situação delicada. Ele se retirou do quarto.
Quando dei por mim senti outra dor de cabeça forte e acabei adormecendo.
Acordei devagar olhando a cena de Tinker dormindo no sofá com um copo se café na mão. Fui esticar o braço pra pegar meu celular pela primeira vez e vi milhares de ligações e mensagens.
Resolvi ligar para Ruby para ela manter a situação sob controle na empresa e assumir até eu voltar. Ela ficou insegura no início mas acabou aceitando considerando minha condição. Óbvio que eu estava preocupada em como seria a situação do meu trabalho agora mas primeiro precisava focar na minha saúde e recuperação. A ficha ainda não tinha caído, era muita coisa pra processar.
Olhei pro lado e vi que tinha duas moletas e sai da cama pra andar com elas mas não precisei. Andei devagar até sair do cômodo.
Caminhei até o quarto de Swan e abri a porta. Ela estava dormindo serenamente. Mary e David conversavam preocupados mas assim que me viram me deram licença pra ficar a sós com ela.
Sentei na poltrona ao lado dela e peguei sua mão. Fiquei admirando seus traços delicados e lindos. Aquela boca rosa era uma das coisas que mais me chamava atenção mesmo não estando tão rosa assim por ela estar pálida.
Seus cabelos loiros jogados pelo travesseiro. Respiração calma.
Fiz um carinho na sua mão e fiquei a observando por um bom tempo ali.
— O mais importante é que você está bem. — Sussurrei mas mesmo assim ela acordou e abriu os olhos lentamente.
Emma tirou sua mão da minha e estreitou as sobrancelhas.
— Você.. eu lembro de você.
— Lembra? — Indaguei esperançosa.
— Sim... é aquela mulher que esteve aqui mais cedo.
— Ah... sim sou eu.
— De onde.. de onde você me conhece?
— Bom... somos... somos amigas. Acabamos nos conhecendo da pior maneira possível. Eu ia pedir o contato do August pra você.
— Entendi... e eu dei?
— Sim.. mas eu nunca liguei. Tive medo de me meter em confusão.
— Mas se meteu igual não é?
— Mas.. não foi por mim, foi por você.
— E por que faria isso por mim?
— Porque... — Fitei seus olhos claros e travei. Fiquei nervosa, não sabia como responder. — porque somos grandes amigas e.. é o que amigas fazem não é? Cuidam uma da outra.
— Me desculpa mas.. eu duvido que a gente tenha sido só amigas.
— Por que?
— Porque em algum momento eu teria dado em cima de você. — Sorri sem sentir.
— E por que faria isso?
— Não sei, talvez porque você é gata e.. faz meu tipo. — Ela sorriu também me observando. Fiquei muito desconcertada.
— Okay. Esqueci que você é sempre direta no que fala.
— Emma Swan, prazer. — Estendeu a mão.
— Regina Mills. — Apertei. Ela me olhou confusa.
— Regina Mills.. esse nome não me é estranho.
— E não é.
— Bom.. desculpa eu não lembrar de você.
— Não é sua culpa, tudo bem. O que mais importa é que você está bem. Só isso.
Iniciamos aquela troca de olhares intensa que parecia durar uma eternidade mas eram apenas segundos.
— A gente era só amiga mesmo? — Perguntou descendo o olhar para meus lábios.
— Não... na verdade é uma longa história.
— Eu gosto de histórias. — Respirei fundo me sentando na beirada da maca fitando seus olhos.
— Como se sente? Você se sente bem?
— Me sinto estranha. Com dor pelo corpo inteiro mas o pior é na cabeça.
— Não se lembra de nada que aconteceu?
— Não eu.. lembro que tenho meus pais meu irmão. Que eu trabalhava pro August e.. não sei ta tudo muito vago sabe? Quando eu soube o que aconteceu eu nem acreditei.
— E de ser enfermeira.. lembra?
— Não. Eu sou?
— É sim.. e muito boa. — Emma sorriu sem jeito.
— Acho que é bem a minha cara mesmo.
— Você sempre tenta ajudar todo mundo.
— Eu tentei ajudar você?
— Sim e conseguiu. Me fez ser uma pessoa melhor.
— Eu te fiz quase ser morta e matar um cara, pelo que soube. Eu não chamaria isso de melhor.
— Eu que me arrisquei pra te salvar e se quer saber eu faria tudo de novo.
Emma arregalou os olhos surpresa com a minha declaração. Ficou em silêncio me observando.
— Esse cheiro.. seu perfume. Eu lembro de sentir já.
— Muitas pessoas usam.
— Mas é estranho. Eu lembro como se fosse de você mas.. não lembro de você.
— Você acabou de sair de uma cirurgia, não force sua mente. — Passei meu indicador pelo seu rosto pra colocar seu cabelo pra trás da orelha.
— Eu vou ficar bem graças a você, então.. seja lá quem você for Srta Mills... obrigada.
— Não vou sair do seu lado. Se me permitir quero ajudar a cuidar de você Srta Swan.
— Nossa.. — Percebi que ela se arrepiou assim que eu terminei.
— Tudo bem?
— Sim é só que... esquece, não foi nada. Eu.. acho que não quero sobrecarregar meus pais então uma ajuda seria bem vinda.
— Eu trouxe roupas pra ti filha.. — Mary entrou no quarto com duas malas, mal conseguindo andar.
— Amor são só duas semanas de recuperação.
— São duas semanas David. Ela precisa das coisas dela.
— Mãe você por acaso trouxe o sofá lá de casa também? — Brincou Swan.
— Você poderia ter esquecido do seu senso de humor também não é? — Mary retrucou tirando um riso da filha.
— E como está Killian?
— Ele vai pra prisão Emma. — David respondeu. — Mas ele vai ficar bem, vamos dar um jeito.
— Sempre damos.
— Isso mesmo. E logo você vai pra casa e vamos cuidar de você filha.
— Não precisam cuidar de mim vocês já tem muita coisa pra se preocupar, inclusive as medicações do pai.
— Agora nossa única preocupação é cuidar de você. — Mary se aproximou dela e pegou na sua mão.
— Tudo bem mas vocês devem estar cansados vão pra casa descansar.
— Estamos bem.
— Não, estão péssimos. Eu vou ficar bem.
Eu tenho companhia. — Olhou pra mim.
— Sim eu posso tomar conta dela Mary. — Concordei confiante.
— Certo eu vou levar seu pai pra casa pra tomarmos um banho descansar e logo voltamos está bem?
— Tudo bem. — Os dois saíram do quarto se despedindo.
— Você quer.. quer que eu arrume suas roupas? — Perguntei indo até a mala.
— Acha que ta bem? Estamos usando a mesma roupa.
— Sim.. Essa camisola horrível. — Swan arqueou as sobrancelhas. — Não não em você, você fica linda com ela aliás fica linda com tudo ou nada.. quer dizer você é sempre linda e.. Eu vou me calar. — Ela se divertia com a minha situação embarasosa e segurava o riso. — Vou receber alta em breve não se preocupe.
— Okay... você pode alcançar meu carregador? Está no bolso da frente provavelmente. — Entreguei a ela que pegou e ligou na tomada. Depois conectou no seu celular. — Eu acho que preciso tomar um banho.
Dito isso uma enfermeira entrou no quarto com outra muda de roupas, shampoo e sabonete. Colocou tudo embrulhado na cama.
— Espere.. Ela não precisa de ajuda pra tomar banho? — Perguntei a enfermeira vendo que ela já ia sair dali.
— Você não pode ajudá-la?
— Sim ela pode. — Emma nem me deixou responder.
— Emma eu não..
— Relaxa eu só falei pra ela sair. Não quero uma enfermeira me dando banho.
— Mas você precisa de ajuda pra isso, mal consegue caminhar.
— Só me ajude a chegar até o banheiro.
Tentou sentar na cama devagar gemendo de dor. Eu não estava lá essas coisas também e fiquei mais nervosa ainda sabendo o que tinha que fazer.
— Cuidado. — Dei meu braço pra ela se apoiar e a levei pro banheiro do quarto. Ela mal conseguia andar, demorou um pouco pra chegarmos na porta.
— Pode deixar. Aí.. — Sentou em cima do vaso e colocou a mão na cabeça.
— Não quer esperar sua mãe? Você não está em condições.
— Eu lá quero que a minha mãe dando banho também.. Eu me viro.
— Se vira nada.
— Só tira essa camisola pra mim.
Engoli em seco e me agachei pra desamarrar a corda no seu pescoço. Assim que o tecido caiu eu fiquei perplexa. Vi seu corpo todo nu.
NU.
Mesmo muito roxo pelos hematomas das pancadas ela tinha um corpo lindo, muito perfeito. Meu queixo quase encontrou o chão e eu fiquei olhando aquela bela vista sem ter mais noção de nada.
— Bom... obrigada. — Acho que ela se sentiu envergonhada e tentou se cobrir com as mãos.
— Me-me desculpa.. — Me virei e fechei os olhos. — Eu não quis..
— Não tem problema. Eu me viro daqui. — Ouvi ela levantar e gemer até que caiu no chão.
— Emma!! — Me virei e ajudei ela a se levantar. A coloquei numa cadeira de plástico que estava perto do chuveiro. Peguei a pequena mangueira e comecei a molhar seu corpo tentando me concentrar com todas as forças. — Você está bem?
— Tirando o fato de uma estranha estar me dando banho em vez de uma enfermeira ou minha mãe, e eu estar gostando disso.. Tudo ótimo.
— Já vi que você é bem teimosa também.
— Eu só não quero ninguém se incomodando comigo.
— Como se você fosse uma incomodaçao. — Ironizei.
— Nesse momento com certeza estou sendo.
— Com certeza não. Imagino que depois de 12 horas deitada naquela cama você só queira se refrescar, mas não pode fazer sozinha ainda tem que aceitar ajuda.
— Bom, eu to aceitando não to? Acho que nem tenho muita escolha afinal de contas.
— Nesse caso não tem não.
Sorri de canto e peguei o sabonete para passar no seu rosto, seus ombros, braços. Era inevitável não notar pelo menos seus lindos seios.
Ela pegou o sabonete e terminou pra baixo bem devagar. Me virei de novo até ela acabar e por fim enxaguei seu corpo e fui pegar a toalha. Comecei a secar seu corpo devagar.
— É tão estranho eu não me sentir estranha com essa situação. Parece natural. A gente namorava?
— O que? Não. — Fitei aquelas pupilas dilatas. — Nós só.. tínhamos acabado de nos conhecer e..
— A gente já... sabe?
— Oi? Ah nossa.. não. Nunca aconteceu. Não chegou a isso.
— Pela sua reação da pra perceber.
— Terminei. — Pendurei a toalha por ali e peguei a outra camisola pra vesti-la.
Ela tentou se levantar e eu ajudei. Quando ela conseguiu seu rosto ficou muito próximo do meu, sua respiração descompassada assim como a minha. Sua mão pegou meu cabelo pelo pescoço. Nossos lábios muito perto. Estremessi.
— Que loucura.. — Sussurrou perto.
— O que...?
— Do jeito que você ta me deixando vou precisar de outro banho. Isso acontecia sempre?
— Não que eu saiba.
— Não lembro a última vez que me senti assim.
— Sua memória não está muito boa.
— Sim mas acho.. acho que eu lembraria se tivesse sentido isso antes, com outra pessoa.
Eu queria beijar ela mais que tudo. Porém eu precisava me controlar.
— Vamos, tem que deitar. — Ajudei Swan ir até a cama com cuidado.
Assim que ela se aconchegou ali o doutor entrou no quarto e disse pra eu voltar pro meu. Chegando lá ele me deu os papéis da alta e eu assinei.
Eu estava liberada, então troquei a minha roupa e pude ficar apresentável. Tive que acordar Tinker que quase se engasgou com o próprio ronco.
Disse a ela pra ir pra casa que eu ia ficar bem e cuidar de Emma. Ela aceitou e me deu um abraço longo. Depois se despediu e pediu pra manter contato.
Me informei com o segurança sobre onde estava meu carro e ele respondeu que estava no estacionamento junto com a minha bolsa.
Depois voltei ao quarto de Emma. Ela tinha uma bandeja no colo e comia uma gelatina que parecia de morango.
— Aproveitando a janta? — Swan me olhou e sorriu.
— Sim até que não é tão ruim. E a propósito.. eu preferia você de camisola. — Dei uma leve risada com aquele comentário.
— Acabei de ganhar alta. Preciso ir pra casa pra pegar algumas coisas mas vou esperar seus pais retornarem.
— Claro que não, já pode ir. Deve estar louca pra ir pra casa.
— Na verdade não eu só quero.. ficar aqui pra ter certeza de que está bem. Eu prometi para seus pais. — Sentei na cadeira ao seu lado. — Você aceita?
— Acho que é você ou o jornal falando sobre o caso de hoje na TV. Então prefiro você.
— Com certeza. Vou desligar a TV.
— Por favor. — Peguei o controle e cliquei no "off".
— Parece que vai ser eu só eu e você agora.
– Parece que sim Srta. Mills.
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