Uma prova de amor
14 Bem vinda a família
Notas iniciais
— Só pode estar de brincadeira!?
— Não, pior que é verdade. Eu estava em pé na frente do menino e ele só sabia mijar nas calças e chorar. — Regina deu uma risada alta. Estava sentada de frente pra maca com uma mesa pequena entre ela e Emma. Fazia um tempo que jogavam dominó.
— Você era uma criança de dar medo então.
— Não, eu sempre fui um amor. Os professores me adoravam e o fundo da turma também. Mas quando implicavam com meus amigos eu virava o bicho. Sempre fui muito de defender quem gosto. — A loira falou sorrindo e em seguida encaixou sua peça. — Eu nunca fui muito popular na escola.. na verdade muitas vezes sofria bullying.
— Mas por que?
— Porque eu era muito extrovertida, andava mais com os meninos e agia de uma forma mais masculina. Se eu tivesse que falar palavrão também eu nem ligava.
Até que um dia eu sofri um acidente indo atrás de um menino pra bater nele e a minha mãe me deu a pior bronca. Depois dali eu resolvi mudar, ser mais controlada. Até que dos 12 anos em diante eu me tornei o oposto do que era. Muito introvertida. — Fitou os olhos de Regina e gesticulou com a mão pra ela fazer sua jogada. — Eu lembro de conhecer uma menina nos meus 16 anos. Ela me lembrou como eu seria se não tivesse sofrido aquele acidente. Ela me encorajou a roubar um mercado e a gente saiu correndo até ninguém suspeitar. Eu não me senti bem fazendo aquilo, foi divertido na hora mas era errado e eu não queria ser esse tipo de pessoa.
Regina baixou a cabeça e ficou pensativa de repente.
— Você acha que ela era uma pessoa ruim? — Indagou engolindo em seco.
— Ruim não. Mas com problemas sim.
— Talvez ela só.. precisava de um refúgio da sua vida difícil.
— Talvez. Mas eu realmente espero que ela tenha sido uma pessoa boa sabe? Eu nunca mais a vi e aquilo me marcou.
— Bom, que bom que isso te fez continuar sendo a pessoa que é hoje.
— Mal me lembro o tipo de pessoa que eu sou. É a sua vez.
— Olha só Emma deixa eu te falar uma coisa. — A morena parou e a encarou com os olhos marejados. — Você é uma pessoa muito boa, com um coração enorme e que nunca se cansa de ajudar as pessoas. É dedicada e não desiste do que quer, é linda e gentil. Carinhosa e charmosa. Você é uma se não a melhor pessoa que eu já encontrei na vida. Nunca esqueça disso.
Emma ficou sem reação com a boca entre aberta.
— Eu nem sei..
— Não precisa dizer nada, eu só quis que soubesse.
— Acha mesmo que sou essa pessoa?
— Tenho certeza.
— Sabe.. eu sempre fui muito obediente a minha mãe. E quando ela me deu aquela bronca eu fiz o que ela pediu sem responder. Naquela época meu pai estava começando com a doença e Mary entrando em depressão. Sempre fiz o que ela me pedia com medo de ela não gostar e sei la.. querer.. querer tirar a própria vida. — Emma limpou o rosto das lágrimas que caíram. — Nunca foi fácil pra mim na minha infância. Mas se você está dizendo que apesar de tudo eu não segui o mesmo caminho do meu irmão.. isso é tudo que eu preciso ouvir sabe? Porque eles precisam de mim.
— Tudo o que vocês fez.. foi pra ajudar a sua família e continua conseguindo, mesmo que tenha que ter usado a pior maneira pra isso.
— Eu nunca devia ter aceitado trabalhar com meu primo.
— Mas isso tudo já passou. — Regina pegou sua mão e fez um carinho ali a olhando com compaixão. — Todos estão bem e o mais importante, você está bem. E tudo acabou. Pode recomeçar sem se envolver com essas coisas.
— Eu tenho a sensação de que.. Não foi só bom ter me envolvido pra pagar o tratamento do meu pai ou a terapia da minha mãe.. mas por ter te conhecido.
— Não Emma. Me conhecer foi a pior coisa entre tudo isso.
— Não diga isso. Você parece muito legal, se eu não te pedi em namoro antes é melhor eu me beliscar agora mesmo por não ter feito tal coisa. — Mills tentou sorrir um pouco triste.
— Não foi tão simples assim como nos conhecemos. Eu era uma pessoa muito ruim e você me ajudou a ser melhor e não foi um caminho fácil. Se agora eu tenho alguma coisa boa partiu de ti.
— Eu queria poder lembrar de você.
Mas também esquecer que você me deu banho. Foi um pouco vergonhoso pra mim.
— Eu prefiro que não lembre como te tratei. Mas eu quero compensar você.
— Então me deixa ganhar nesse jogo!
— Ah não, isso não.
— Poxa Regina você já ganhou 4 vezes. Quatro vezes!! — Exclamou mostrando os dedos indignada. A outra se divertia com a situação.
— O que posso fazer sou boa nesse jogo!? — Encolheu os ombros.
— Sim.. e no baralho, e no banco imobiliário e todos os que jogamos até agora.
— Ninguém ganha de Regina Mills. — Se gabou.
— Quanta modéstia. Deve ter alguma coisa que sou melhor que você.
— Em beber na verdade. Você ja ganhou por uma dose e eu não aguentei.
— Tá aí.. bebo melhor.
— Eu não estava bem preparada da próxima eu vou ganhar.
— Para de ser orgulhosa. Deixa eu ganhar em alguma coisa.
— Tá bom. Mas não se anima.
— Nem pensaria numa coisa dessas. — Emma levantou os braços com cara de inocente.
Uma enfermeira entrou no quarto e foi trocar o gesso na cabeça da loira. Trocou a medicação e deu uma nova. Depois se retirou.
— Vai pra casa. Meus pais chegam logo, quero que descanse. — Pediu Swan vendo que Regina tinha piscado de sono.
— Já são 2 da manhã. Acho que eles acabaram adormecendo e eu não quero deixar você sozinha.
— Eu vou ficar bem, tem as enfermeiras.
— Não vou sair do seu lado, só se me expulsar.
— Tá brincando? To me divertindo pra caramba aqui. Mas também sei que você precisa repousar.
— E eu vou, assim que seus pais chegarem.
— É com certeza não sou a única teimosa aqui.
— Vai se acostumando. — Sorriram se encarando e assim permaneceram.
— Então Regina.. você é daqui? — Cortou Emma curiosa.
— Sou sim.
— E tem quantos anos?
— Trinta.
— Sério? Não parece..
— Pareço mais velha?
— Não, na verdade mais nova.
— E trabalha com o que?
— O que é isso um interrogatório Srta Swan? — A morena perguntou divertida.
— Não é porque ficamos falando de mim até agora e você não falou nada sobre você ainda. Eu só tô.. curiosa.
— Eu não tenho muitas coisas boas pra falar de mim..
— Mas e sua família? Eles não estão no hospital?
— Eu acho que você precisa descansar um pouco agora Emma.
— Eu to bem.
— Certo. Eu não me sinto confortável com o rumo desta conversa.
— Quer dizer sobre você?
— Sim.
— Engraçado, você já sabe sobre mim e pra eu saber de você? Quer dizer, eu que devo lembrar aqui não é? — Regina ficou quieta por uns instantes.
Ainda se sentia muito desconfortável quando o assunto era falar do seu passado. Uma vez já era demais mas duas? Muito difícil se abrir sobre isso.
— Me desculpa se eu me intrometi, eu só quero saber como te conheço.
— Tudo bem Emma. Ainda é difícil pra mim. Só isso.
— Tudo bem.. — Swan começou a ficar sonolenta e a pegar no sono.
— Descansa minha loira linda.. — Sussurrou fazendo carinho no seu rosto. — Desculpe.. ainda é difícil..
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O dia amanheceu e o sol brilhava forte naquela manhã. Os pais de Emma chegaram no hospital as pressas indo até o quarto.
Se depararam com a filha dormindo serenamente e a morena inclinada na poltrona segurando a mão da outra.
— Oh meu Deus Regina! — Mary se aproximou fazendo ela acordar. — Tadinha, ficou a noite toda.. Me desculpe deitamos no sofá e adormecemos! Você está bem?
— Depois de um café estarei melhor. — Respondeu sonolenta e se levantando da poltrona.
— Claro querida, vai tomar um café. — David pediu com um sorriso. Cuidamos dela agora, você já ajudou demais.
— Foi um prazer pra mim.
Regina não queria deixar a loira mesmo com os pais. Queria estar ao lado pra ter certeza de que tudo estava bem. Mas acabou saindo e tomando um café no refeitório. Respondeu algumas ligações e mensagens sobre a empresa e de Tinker. Depois foi no banheiro.
Olhou pro espelho e ficou se encarando um pouco ali. De repente flashes do ocorrido invadiram sua mente.
— Sua vadia!
— Eu vou matar você e sua namora..
Só de lembrar da raiva daquele homem, no que ele fez com Swan e com ela. Do jeito que ele se aproximava, com ódio nos olhos.
BANG!!!
O tiro foi disparado no peito dele e caiu morto no chão. É isso aí ela matou um ser humano. Era uma assassina.
Chorou compulsivamente com a mão na boca. Chorou até soluçar e continuou.
Se sentia um monstro, uma matadora, uma pessoa má.
Sentou no chão e ficou ali descarregando a culpa em lágrimas pesadas por um bom tempo.
Parecia que naquela hora a ficha tinha realmente caído. Ouviu batidas na porta e já que tinha trancado precisava abrir.
Se levantou respirou fundo e lavou o rosto. Se maqueiou por cima pra tirar as olheiras e abriu a porta saindo como se nada tivesse acontecido.
Foi tomar seu café mas no meio do caminho o doutor chamou sua atenção dizendo que ela deveria ir pra casa e depois voltar para uma consulta com o psiquiatra devido ao acontecido.
Ela concordou e resolveu sair correndo dali até seu carro. Só precisava dar um tempo e deitar na sua cama. Ficou com o coração apertado de não ter se despedido de Emma mas não tinha escolha. Estava tendo um ataque de pânico e parecia que só em casa tudo ficaria bem.
E dito e feito. Chegou na sua casa, tomou seu banho e teve um longo sono pesado na sua cama.
Depois que acordou descansada mandou mensagem pra Mary perguntando se estava tudo bem e ela respondeu que sim e melhor ainda. Emma teve uma lembrança dela.
Regina sorriu e foi trocar de roupa pra voltar direto pro hospital. Resolveu esquecer a sua angústia pelo acontecido. Quando pensava e via Swan todos os problemas pareciam desaparecer.
Chegando no hospital foi logo ver a loira que parecia fraca demais e pálida.
— Você está bem? — Indagou preocupada sentando-se ao lado dela e pegando sua mão
— Sim — Tentou sorrir mesmo fraca. — Me deram alguns remédios pra parar com a dor.
— Estava sentindo muita dor?
— Na cabeça e no corpo.. demais. Mas ta aliviando já.
— Eu to aqui está bem?
— Eu tive... Uma lembrança de você...
— Melhor não se esforçar agora.
— Eu lembro da gente.. vendo o por do sol juntas e você me dizer uma coisa. "Também gosto de você".. alguma coisa assim..
— Sim.. — A morena abriu um enorme sorriso e junto uma lágrima caiu do seu olho. — Meu coração acelerou quando ouvi aquilo.. eu sabia que você gostava de mim mas nunca acreditei que alguém pudesse de verdade, não pela pessoa que eu era. — Sua mão esquerda estava na de Emma e a direita acariciando o rosto da outra.
A loira estava sem forças e muito fraca. Os remédios que deram tinham sido muito fortes porque ela não conseguia parar de sentir dor então fechou os olhos e adormeceu.
— Alguém pode me explicar porque ela está sentindo tanta dor? — Regina foi até o balcão furiosa tirar satisfação.
— Srta Mills já conversamos com os pais da paciente sobre o caso.
— Mas eu também tenho o direito de saber!!
— Você é parente dela?
— Não..
— Então sinto muito.
— Olha como você age menina, ela é a namorada da minha filha.. tenha mais respeito! — Mary chegou intervindo e defendendo Regina de uma forma que ela arregalou os olhos.
— Ah.. Sim tudo bem desculpa Srta Mills. Emma está com as dores devido a uma inflamação causada na cirurgia. Vamos tratar até parar e ela se recuperar.. não é muito comum acontecer mas ela precisa descansar e estar com quem precisa agora. — Respondeu a enfermeira.
— Está bem obrigada. — Regina e Mary foram para o quarto e ficaram em silêncio olhando pra Emma.
— Olha Mary.. eu sei que não precisava ter feito aquilo então.. eu agradeço pela atitude.
— O que aconteceu com seus pais Regina? — Perguntou na inocência.
— Meu pai foi embora quando eu era pequena e a minha mãe.. me transformou igual a ela. Uma pessoa terrível.
— Você é uma boa pessoa querida.
— Só porque estou com a sua filha.. ela me faz ser melhor. Só ela faz..
— Emma transforma tudo por onde passa. Sempre foi assim. As pessoas sempre se sentiram bem perto dela, como se ela tivesse uma luz que resplandecesse. Mas isso foi porque também sempre tentamos mostrar o melhor pra ela e ensinar corretamente. Eu e David. Sempre foi difícil mas Emma nunca colocou um empecilho, ela sempre foi forte. O Que eu quero dizer que mesmo além dos ensinamentos é dela ser quem ela é. E mesmo que você tenha tido uma criação horrível, eu vejo a mesma bondade nela em você. Talvez essa pessoa ruim que diz ser era só uma maquiagem do seu passado pra cobrir quem você é de verdade e Emma foi o empurrão.
— Pode ter razão. Na verdade eu espero que tenha. Vocês são ótimas pessoas e eu quero merecer estar presente com vocês!
Mary pegou na sua mão e sorriu passando confiança e talvez um pouco de orgulho.
— Bem vinda a família Regina.
— Muito obrigada Mary — A morena segurava pra não chorar com as palavras da mais velha.
— Me agradeça ficando conosco.
— Certo. — Tentou sorrir emocionada.
— Reunião de família e não me chamaram? — David entrou no quarto trazendo café e bolinhos.
— O café chegou, que bom! — Mary se levantou pegando o copo da sua mão.
— Só sirvo pra isso mesmo.
— Para de ser dramático David.
— Não sou. — Deram um selinho. — Precisamos falar com o advogado sobre o Killian querida. Ele quer uma sessão hoje mesmo pra adiantar o acordo.
— Hoje? Mas e Emma?
— Vou pedir pra remarcar.. Mas temos que resolver isso também infelizmente.
— Vocês podem ir eu vou tomar conta dela. — Regina se ofereceu.
— Não, você já ajudou muito. — David comentou
— Eu quero fazer isso, estar ao lado dela. — Sentou ao lado da loira e pegou sua mão. — Me deixe ajudar.
— Vamos David.. quanto mais cedo resolvermos isso mais cedo voltamos pra ficar com nossa filha. — Mary pegou a cadeira do marido pra sair do quarto. — Qualquer coisa nos chame Regina e obrigada de novo!
— Sem problemas, espero que resolvam!
Saíram dali e logo depois a morena percebeu que Mary tinha abraço uma mulher que vinha na direção deles e depois entrou no quarto.
— Oi, como ela está? — Era Mulan com um semblante preocupado indo até a loira.
— Ela está bem, se recuperando. — Regina fechou a cara mas respondeu com educação.
— Mulan..? — Emma acordou sonolenta e abriu um sorriso. — Poxa.. demorou hein?
— Desculpa Em, eu vim assim que pude. Como está indo?
— Que bom que está aqui. Eu to numa boa só curtindo a vida boa de hospital. — Tossiu algumas vezes.
— Sempre fingindo que tá tudo bem mesmo quando não está ne loirinha?
— Eu tento o meu melhor, sabe como é.
— Sei.. mas não se preocupe vai ficar tudo bem.
— Obrigada por ter vindo.
— Não tem que agradecer.
— Tenho sim, sempre fico bem com você.
— Com licença. — Regina saiu do quarto com a cabeça abaixada.
— Aconteceu alguma coisa entre você e a senhorita "não me toque" ali?
— Eu não me lembro dela..
— Hum.. que chato.
— O que sabe me dizer dela?
Mulan pensou por alguns instantes e resolveu falar.
— Na minha opinião Em.. você parecia melhor sem ela ter aparecido. Essa mulher chegou e te fez de gato e sapato. Te fez de trouxa e você sempre ficou atrás dela como um cachorrinho enquanto ela nem ligava.
— Não pode estar falando a verdade.. ela parece legal e gentil.
— Deve estar te manipulando de novo. É isso o que pessoas como ela fazem. Não confie nela. Sabe que eu tô sempre aqui pra ti e vou sempre te falar a verdade.
— Eu sei. Obrigada amiga, eu vou tomar cuidado. — Pegou na sua mão e sorriu.
Enquanto isso Regina estava espiando pela janela as duas conversando mesmo não ouvindo dali. Se sentiu mal por só ela não ser lembrada por Emma e o sorriso que ela deu ao ver a outra. Rangeu os dentes de raiva mas teve que se conter e respirou fundo.
Saiu dali rapidamente e foi caminhando pelos corredores do hospital desnorteada.
— Até que enfim encontrei você Regina. — Ao ouvir aquela voz familiar ela gelou e parou. Se virou lentamente e se deparou com a última pessoa que queria ver na face da terra.
— Mamãe?
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