Uma prova de amor
10 Então me beije
Notas iniciais
Emma
— Então vem. — Regina correu pra cima de cima de mim num pulo. Agarrei seu corpo e apoiei seu bunda nas minhas mãos.
Senti a parede nas minhas costas. Eu a beijava com gosto, com desejo, em desespero, tesão, vontade, luxúria.
Sua língua quente na minha, suas mãos bagunçando meus cabelos e as minhas apertando seus glúteos fartos. Eu não queria nem saber como recuperar o ar, só em beijar aqueles lábios carnudos e deliciosos.
Levei ela até a mesa e sentei seu corpo ali. Arranquei sua camisa e beijei seu pescoço.
Ela gemeu alto e jogou sua cabeça pra trás exibindo aquele par de seios maravilhosos por dentro do sutiã. Seu peito descia e subia rapidamente, a boca entre aberta igual as pernas.
Caí de boca no seu decote, me aproveitei pra chupar por ali e passar a minha língua devagar. Percebi que isso tinha deixado ela louca.
E por isso ela puxou a minha cintura, tirou a minha camiseta e abraçou meu corpo com as suas pernas voltando a me beijar.
Entre o beijo nem vi que Regina já tinha aberto meu zíper e colocado a mão dentro da minha calcinha sem permissão.
— Aaaahhhh.. — Me ergui na minha cama e vi que tudo não era real. — Não não não... — Deixei meu travesseiro contra meu rosto e bati ele ali. — Não acredito. Foi tão real. Porra!
— Filha? Está tudo bem? — Minha mãe bateu na porta.
— Ah.. claro mãe tudo certo, não se preocupa. — Eu estava toda suada e com certeza molhada num certo lugar.
— Tá bem.. o café vai esfriar.
— Já vou descer.
Nossa como eu queria voltar naquele sonho e nunca mais acordar. Foi tão intenso, e sensual. Aposto que teria sido um sexo que eu jamais teria experimentado igual. Que merda.
Tive que tomar um banho gelado por que né!? E desci pra tomar o café.
Meu pai estava na sua cadeira de rodas vendo TV e minha mãe tomando café e lendo o jornal.
— Bom dia família. — Sentei em frente ao balcão da cozinha e servi meu café. — Alguém quer ovos?
— Opa, pra quê se eu já tenho? — Killian desceu as escadas dando aquela risada que eu tanto odiava.
— Isso é jeito de acordar e dar bom dia Jones? — A minha intenção era dar um esporro.
— Ah que isso maninha? Para de ser tão cri cri. — Serviu seu café tomou um gole e foi correndo para a porta. — Tenho que ir o Jeff ta esperando por mim lá embaixo. Valeu
— Quando que ele vai tomar rumo na vida? — Minha mãe perguntou mas eu vi que era com uma angústia.
— Mãe eu já disse mil vezes pra você tirar ele de casa.
— Emma não! — Meu pai se virou pra me olhar. — Jamais abandonamos a família.
— Mesmo ele sendo um drogado que não liga pra essa família e dificilmente está em casa?
— Não é muito diferente do que você faz não é?
— David?? — Mary chamou sua atenção.
— Se eu fiz o que fiz foi pra poder nos sustentar, pai. — Permaneci calma.
— Filha seu irmão está passando por problemas, precisamos estar do lado dele.
— Pai ele só usa a gente pra pegar dinheiro e ter um lugar pra morar. Eu posso ter herdado a sua bondade mas com certeza tudo tem limites!
— Já chega vocês dois. — Interferiu minha mãe querendo nos repreender. — Porque estão brigando? Já basta todos os problemas que temos que enfrentar, devíamos pelo menos estar nos entendendo.
— Eu preciso ir. — Tomei o último gole e peguei minhas chaves. — Pego o primeiro turno.
— Hoje não é sua fol.. — Antes que ela pudesse terminar eu fechei a porta e saí.
Precisava de ar pra processar tudo.
É tão injusto meu irmão não querer nada da vida a não ser se drogar e arrumar encrenca para os meus pais consertar.
Ele é adulto mas irresponsável. Não ajuda em nada e mal fica em casa, as vezes sinto como se ele não fosse parte da família.
E meu pai insiste em defende-lo. Quem assume tudo e se esforça pra ter um futuro sou eu. Não é justo.
Peguei meu carro e fui até a praça da cidade pra poder pensar melhor em tudo.
Cheguei e me sentei no mesmo banco que eu e Regina sentamos na semana passada. Depois daquilo nunca mais nos falamos. Eu sinto como se ela fizesse de tudo pra não querer algo sério, algo que pode ser bom pra gente.
Tudo por conta de um trauma familiar. Bom.. dizem que quando passamos por isso, podemos escolher ser iguais aos que nos traumatizaram ou o oposto. Regina escolheu ser igual a mãe e por isso destruiu seu próprio caráter.
Eu não queria isso pra mim. Não preciso de mais problemas eu já tenho os meus. Se ela não queria decidir em seguir em frente com isso, não era eu que iria ir atrás de novo. Me surpreendeu muito como ela foi até aquela balada. A mesmo que eu frequento todo mês. Ela sabia que eu estaria lá, só pode.
Mas foi tão incrível estar com ela daquela forma, eu pude ver a verdadeira Regina ali e por um curto tempo me apaixonei. Mas ela é instável e eu não preciso disso pra mim eu não quero.
Não é certo entrar num relacionamento em que só uma das partes quer de verdade enquanto a outra fica brincando com seus sentimentos. Eu sei que sou imã pra problemas, gosto sempre de soluciona-los mas preciso me controlar. Dessa vez eu tenho.
— Oi sumida. — Olhei pro lado com esperança mas vi que era Mulan. — Esperava outra pessoa?
— Oi eu.. quer dizer... desculpa. — Baixei a cabeça pensativa.
— Pelo que? Por me usar pra provocar ciúmes em outra? — Fitei ela um pouco assustada. — Eu te conheço Emma.. relaxa. Tá tudo bem.
— Não tá não. Eu me aproveitei da situação e eu sinto muito de verdade. Não vai mais se repetir.
— Está bem.
— Recebeu as minhas mensagens?
— Sim recebi.
Começamos a olhar o movimento em silêncio.
— Então.. Me fala dessa garota.
— Eu acho melhor não.
— Qual o caso dessa vez menina problema? — Sorri de canto mexendo nas mãos.
— Regina Mills. Ela é empresária e com certeza uma mulher, não uma garota.
— Humm.. entendi desculpa aí. — Ergueu as mãos com ironia.
— O problema é que.. — Solto um suspiro. — ela tem uma história ruim. E.. Não se tornou uma pessoa boa.
— Mas você vê o bem nela.
— Eu vejo.. muito escondido mas vejo e sinto que se ela se deixasse permitir ela poderia aproveitar tanto, sabe?
— O que impede ela?
— Eu acho que ela mesma.
— Isso é uma coisa que só ela pode mudar Emma. Primeiro ela precisa se resolver pra se envolver com alguém.
— Ou talvez ela só precisa de alguém pra dar um empurrão. — Pensei alto. — Mas você tem razão. Eu não posso fazer nada. Sabe eu queria tanto me apaixonar pela pessoa certa, ter um compromisso mesmo. Mas sem tantos obstáculos. Seria tão mais fácil se eu me apaixonasse por você também.
Ela me abraçou de lado e sorriu um pouco triste.
— Infelizmente não podemos escolher quem amar. O que resta é.. superar.
— É eu sei como pode ser difícil me superar.
— Cala a boca Emma Swan! — Ganhei um tapa e comecei a dar risada.
— Desculpa eu perco a amiga mas a piada não.
— Você não vale nada. Mas agora vamos sair dessa bad. — Se levantou e puxou a minha mão. — Vamos fazer compras!
— Ah não.
— Sim e sim.. é terapêutico.
— Quem disse?
— Os cientistas.
— Mentirosa.
— Para de reclamar e vamos logo!
— Tá bom..
No caminho até o mercado fomos conversando e rindo. Era muito bom estar com Mulan, ela me fazia sorrir sempre. Ela sempre foi uma amiga excepcional e eu como sempre estragava as coisas.
Chegamos no mercado e pegamos um carrinho como se fossemos duas crianças brincando de corrida no corredor.
— O que você quer comprar?
— Eu preciso comprar umas coisas pro aniversário da minha irmãzinha. E também podemos comprar algumas besteiras pra comer.
— Beleza.
Depois de alguns minutos fazendo bobagens e sorrindo que nem bestas. Compramos o que devia e estávamos indo pro caixa. Mas quando estamos saindo do corredor batemos de frente com outro carrinho.
— Mas que porra.. — Sussurrei ao ver Regina e uma loira ao seu lado. E o que me pareceu estavam fazendo compras também.
— Oi Swan. — Regina me lançou aquele olhar. AQUELE OLHAR MEU AMOR. Puro charme. Nesse exato momento eu estou babando.

— O-oi.. — Retribuí um pouco sem jeito.
— Então Regina.. quem é essa? — A outra mulher perguntou entrelaçando seu braço no dela.
— Essa é a Emma Tinker Emma Swan.
— Essa é a Regina Mills? — Mulan me perguntou.
— Você falou de mim? — Regina perguntou de uma forma surpresa.
— É aquela Emma que salvou o seu vaso? Ela é demais.
— Não Tinker.. — A madame olhou de um jeito suspeito pra outra que pareceu se tocar de algo.
— Ah tá.. bom não é tão demais assim eu me enganei. É só um pouquinho mesmo.
Podemos ir meu amor?
— Meu amor? — Eu e Mulan perguntamos ao mesmo tempo.
— Se me dão licença, vou continuar minhas compras. Foi um prazer Mula.
— É Mulan..
— Adeus Swan. — Viraram e saíram.
Eu estava perplexa. Em choque.
— Deixa eu ver se entendi. Aquela mulher que é a Regina Mills, não quer assumir nada com você mas ela namora? Então esse era o problema.
— Acredite quando eu digo que não era. Eu achei que eram amigas.. Eu não entendi.
— Talvez era só pra fazer ciume. Talvez tenha pensado que estamos juntas não é?
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Passei a tarde assistindo filmes na casa da Mulan e comendo besteiras. Precisava de uma folguinha dessas pra relaxar e desestressar. Mesmo assim aquela frase não saía da minha cabeça.
"Meu amor"
Meu amor? Meu amor? Sério?
Talvez fosse só o jeito dela falar mas eu senti uma malícia a mais. Será que sempre namoraram? Ou começaram agora? Ou não é nada e eu estou pensando em algo que eu não deveria. Não importa o que eu faça meus pensamentos sempre procuram Regina. Que ódio.
Depois que saí da casa da minha amiga fui buscar a minha mãe no terapeuta por que ela tinha me pedido.
Estava esperando ela descer já tinha quase uma hora. Então resolvi subir pra ver se tinha acontecido alguma coisa.
Quando vejo me deparo com Regina de novo e dessa vez conversando com a minha mãe. As duas estavam sorrindo e parecendo se dar bem, o que me assustou.
— Então eu disse pra ele que.. ah oi filha!
— Filha? — Regina pareceu estupefata.
— Desculpa a demora, eu fiquei conversando com essa moça gentil e não vi a hora passar.
— Não tem problema mãe. Só me deixou preocupada.
— Está tudo bem meu bebê.
— Mãe.. — Pude ver claramente que Mills segurava o riso.
— O que foi? Você sabe que é o meu bebê sempre vai ser. Regina, você não imagina o quanto essa minha filha é maravilhosa.
— Eu imagino. — Comentou me deixando confusa.
— Olha só.. O que você acha de jantar conosco? Vai gostar. — Convidou minha mãe empolgada.
— Ah não não não.. Eu..
— Eu não aceito não como resposta. Emma pode cozinhar, você tem as mãos tão boas pra comida meu amor.
— Claro mãe.. — Mordi o lábio gostando da situação.
— Não precisa se incomodar senhorita Blanchard.
— Me chame de Mary. Ora vamos.. vai ter coragem de recusar um convite de uma velhinha gentil?
— Ela faz chantagem.. E quando começa não para. — Encoli os ombros. Regina ficou pensativa.
Pensou pensou e por fim aceitou.
— Que ótimo!! Pode nos seguir até o apartamento então.
Dirigi até em casa com Regina atrás de mim me seguindo e minha mãe falando pelos cotovelos. Dizendo que tinha adorado ela, uma pessoa muito boa.
Então ta bom né, não vamos contrariar o médico que avisou.
Chegamos e estacionamos.
— Voltamos! — Anunciou minha mãe abrindo a porta do apartamento.
— Minhas garotas chegaram. — Meu pai sorriu recebendo um beijo da minha mãe nos lábios.
— E trouxemos convidada.
— Olha só que coisa boa.
Regina parou de andar e ficou um pouco sem jeito ao ver meu pai na cadeira de rodas. Mas logo depois se aproximou pra se apresentar.
— Prazer Regina Mills.
— Sou David Nolan mas pode me chamar só de David. — Ele deu aquele sorriso simpático que sempre tinha no rosto.
— Pode se sentar e fica a vontade Regina. Eu e Emma vamos preparar o jantar.
— Mãe o que temos pra fazer? — Perguntei discretamente chegando mais perto.
— Deixa eu dar uma olhada. — Ela olhou nos armários. — Podemos fazer macarrão, o que acha?
— Eu acho que é a única coisa que tem.
— Sim.. mas não tem problema. Damos um jeitinho, afinal sempre damos não é?
— Assim que receber eu vou fazer as compras, não se preocupa mãe.
— Está tudo bem filha. — Chegou mais perto colocando suas mãos nos meus ombros. — Não se pressione tanto.
Dei um meio sorriso me sentindo mal por não dar conta de dar tudo que eles mereciam.
Comecei a cozinhar e minha mãe ansiosa do jeito que é já foi arrumar a mesa com a toalha velhinha que ganhou de casamento juntamente com os talheres e pratos da mesma coleção. Simples mas ela fazia tudo com todo amor do mundo.
Abri um sorriso por ver ela querendo deixar tudo nos mínimos detalhes com todo cuidado pra ficar bem bonito.
— Então.. como se conheceram? — Meu pai perguntou desligando a TV.
— Quem? — Eu e Regina perguntamos ao mesmo tempo e nos olhamos.
— Eu conheci Regina no Doutor Archie. Ficamos conversando e eu me senti a vontade pra convida-la pra jantar amor.
— É sempre bom conhecer pessoas novas. Então Regina, o que você faz?
— Eu vou te ajudar e fazer algumas almôndegas querida. — Mary foi para a geladeira e em seguida me acompanhou no fogão.
Observando eu pude notar que Regina estava um pouco travada pra falar com meu pai.
— Eu sou empresária, tenho a minha empresa já faz 5 anos mas o objetivo é crescer cada vez mais.
— Muito bem. E a sua empresa é sobre o que?
— Nós introduzimos uma forma de melhor publicidade para inúmeras empresas. Trabalhamos duro pra dar a melhor ideia e estratégia. Coordenamos todo o processo de marketing das indústrias e etc.
— Entendi.. Então se uma empresa precisa fazer qualquer tipo de publicidade procura vocês.
— Exatamente.
Começaram a conversar e meu pai curioso do jeito que é perguntava muito sobre como tudo funcionava na empresa e depois sobre coisas pessoais como idade e onde ela morava.
Me surpreendi quando ela disse que tinha 30 anos, fisicamente aparentava uns 25. Não acredito que sou mais nova.
Meu pai se empolgou e foi falando sem parar e fazendo algumas piadas.
— Acho que estão se dando bem.
— Acho que sim. — Eu estava cortando a cebola e minha mãe mexendo o macarrão na panela.
— Vocês se conhecem não é? — Olhei pra ela.
— Como sabe?
— Emma eu te conheço tem 26 anos. O que acha?
— Putz.. esqueci desse detalhe.
— Como se conheceram?
— Ao acaso.. mas não nos demos bem. — Tentei me concentrar no que estava fazendo porque ela sempre sabia quando eu estava mentindo.
— Não é o que parece. De todas as vezes que vi ela te olhar e não foram poucas.. com certeza ela gosta de você.
— Não mãe.. Pode ter certeza que ela não gosta.
— Filha algumas pessoas são mais difíceis de se entregar. Mas aquela mulher gosta sim de ti.
— Não vale a pena. Já passou, melhor assim. — Ela sorriu irônica e pegou a cebola pra fritar as almôndegas.
— Se bem te conheço isso não passou não.
— Eu já tenho meus problemas.
— E quem não tem? — Fiquei quieta e pensativa por um momento.
Terminamos de preparar o jantar e colocamos na mesa. Estava tudo pronto então chamei eles na sala e todos sentamos pra comer.
— Olha eu não sou de admitir. — Regina comentou dando uma garfada no macarrão. — Mas isso está muito bom.
— Emma cozinha muito bem. — Minha mãe sorriu de orelha a orelha.
— É a nossa garota prodígio. — Meu pai comentou. — Ela sempre quis fazer tudo desde pequena. Lembro que ela me falava "Papai, o que tiver que aprender eu quero".
— E tentou muito. Aprender cálculos, tocar instrumentos, tentar falar outras línguas.
— Nunca tivemos condições de pagar uma aula mas ela assistia vídeos perguntava pra todo mundo. Era curiosa e criativa.
Confesso que eu estava ficando sem graça enquanto meus pais puxavam meu saco.
— Mas o que ela sempre quis de verdade foi ajudar as pessoas. Foi policial condecorada e tudo.
— É mesmo? — Regina perguntou surpresa.
— Mas não era suficiente. Eu precisava ajudar mais e daquela forma não me preenchia totalmente. Então eu fui pra enfermagem. — Decidi falar.
— E porque não medicina?
— É uma opção ainda. Mas a enfermagem é pra ver se poderia me adequar.
— E conseguiu?
— Não troco por nada agora a não ser medicina claro mas.. não sei ainda.
— Já falamos que ela seria uma ótima médica. — Meu pai sorriu me olhando.
— Num futuro próximo quem sabe pai.
Eu só não teria tempo pra ficar com vocês.
— Sempre vamos estar aqui pra você. O que importa é fazer o que ama.
Notei que Regina não ficou muito feliz com aquele comentário. Alguma coisa estava a incomodando.
— Tá bom.. parem de me paparicar. Mas e você Regina.. por que decidiu virar empresária? — Indaguei curiosa.
— Minha mãe é dona de uma rede de lojas muito grande no mercado há anos. Ela me ensinou desde sempre e quando eu dei por mim.. Já estava abrindo minha própria empresa.
— Que coisa boa. Sua mãe te ensinou bem. — Minha mãe comentou e Regina baixou a cabeça.
— Com certeza não é pra todos ter a capacidade de ter uma empresa e administrar como você faz. Eu mal consigo dar conta de fazer minhas tarefas matinais.. quem dirá comandar uma empresa inteira. — Todos sorrimos com a piadinha do meu pai.
— Não é fácil mas depois de anos de prática você consegue.
— Bom a única coisa que pratiquei nos últimos anos foi crochê e eu sou muito bom no crochê. — Regina deu uma risada que me surpreendeu. Nossa que coisa gostosa de ouvir. — Por que está rindo? Isso é sério. Já sabe quantos casacos eu já fiz?
— Ele adora se gabar disso. Estamos cheias de roupas de inverno. — Comentou minha mãe divertida.
— O que se fazer quando tem EM? Crochê!
— O que é EM? — Perguntou Mills confusa.
— Escleorose múltipla. — Respondi.
Ficou um silêncio no ar.
— Nossa.. eu.. eu sinto muito.
— Não tem problema, uma hora vou começar não só a andar e sim a voar com a quantidade de remédios que tomo. — Deu uma risada. — Mas o tratamento funciona.
— É muito difícil alguém depender da cadeira de rodas nessa doença mas David foi um deles.
— Sortudo que sou. Mas não tenha pena de mim não. Eu vivi muito e ainda vou viver. Além disso eu tenho uma família que é tudo pra mim então to feito.
Escolhi ficar mais em silêncio. Não gostava de falar sobre a doença dele.
O jantar terminou com algumas brincadeiras e conversas banais. Meus pais sentaram no sofá pra conversar com Regina e eu fui lavar a louça.
— Você quer uma ajuda? — Me assustei um pouco com a aproximação repentina dela.
— Não.. Já tô terminando. — Ela pegou o pano e começou a secar a louça.
— Olha.. fico surpresa que tenha descido do seu trono pra se juntar aos plebeus. E até secar uma louça. — Impliquei me divertindo com aquilo.
— As vezes uma boa rainha precisa dar atenção aos seus súditos.
— Nós vamos subir.. Estamos com sono. — Viramos pra ver a minha mãe fingindo um bocejo.
— Estamos? — Meu pai recebeu um olhar repreensivo e um tapa da esposa. — Ah sim estamos. Melhor dormimos logo porque somos velhos e precisamos dormir cedo pra acordar seis da manhã mesmo sem nada pra fazer.
— Regina você deveria ficar. Está tarde. — Sugeriu Mary me olhando com um olhar cúmplice.
— Ah não, é muita gentileza mas eu..
— Tem um quarto disponível la em cima ao lado do de Emma. Meu filho provavelmente não vem pra casa hoje. Por favor se sinta a vontade se quiser ficar.
— Tudo bem obrigada pelo convite Mary.
— Foi um prazer! Boa noite.
— Boa noite. Regina sorriu e meus pais logo foram para o quarto dando boa noite pra mim também.
Terminamos a louça em silêncio.
— Você quer.. quer beber alguma coisa? — Perguntei.
— O que tem pra beber?
— Tem vinho barato e cerveja. — Encoli os ombros.
— Aceito o vinho. — Sentamos no sofá e eu coloquei o vinho com dois copos na mesa de centro.
— Eu não vou ter taça então.. vai no copo mesmo. — Servi ela e a mim. Fizemos "Tin,tin" e bebemos até o final.
— Você tem uma família incrível Emma.
Sentamos uma do lado da outra um pouco distantes. Enchi os copos de novo.
— Eles são demais mesmo.
— Não sabia que você tinha um irmão.
— Killian nunca ta em casa. Sempre com os amigos fazendo coisas erradas. — Dei um gole no vinho e fiquei brincando com o copo.
— Bom eu sou filha única então.. Não tenho irmão pra ter esses problemas.
— Sorte sua.
— Não, sorte não.
— Já parou pra pensar que mesmo sem querer sempre acabamos nos esbarrando? — Mudei de assunto. E aquilo realmente me intrigava.
— Eu sabia que você iria naquela balada. — Fitei seus olhos castanhos. — e no hospital eu estava te procurando, tenho que admitir.
— Porque Regina? Eu não entendo. Eu não te entendo. Eu tentei investir em você mas todas as vezes eu fui rejeitada e na primeira que faço o mesmo com você, tu volta e me diz que é temporário e não é isso que eu quero eu quero algo.. — Ela não me deixou terminar e falar.
Pegou meu rosto, me deu um beijo abrupto e demorado. Introduzi minha lingua e não conseguimos parar de nos beijar depois disso. Era molhado e quente, gostoso e delicioso.
De repente ela parou e ficou olhando no fundo dos meus olhos.
— Eu vou embora.
Se levantou e na mesma hora me levantei também e peguei seu braço.
— Eu não mereço isso. Você é linda e.. e incrível tem uma família maravilhosa. Eu não mereço.. De tudo o que eu já fiz que eu julguei, tratei mal..
— Todo mundo merece uma segunda chance. — Toquei no seu rosto e fiz um carinho ali.
— Eu me sinto dividida. Não sei o que fazer.
— Você gosta de mim? — Indaguei observando ela fechar os olhos com o meus dedos passeando pelas suas bochechas.
— Gosto.
— Está sóbria?
— Acho que sim. — Sorrimos.
— Deixa eu te provar que além de tudo de ruim que aconteceu ou que você fez.. você merece se deixar permitir pra isso.
— Me disse pra eu te procurar quando quisesse algo sério. E se eu disser que pela primeira vez na vida eu me sinto fazendo alguma coisa de verdade mesmo, que seja real..
— Então não perde tempo. Aproveita isso e faz o que seu coração mandar Regina. — Meu polegar passeou pelo seu lábio inferior.
— Não é essa a questão. Se eu aceitar isso, vou estar aceitando ser igual meu pai. E eu não quero isso, não quero ser alguém que te abandona quando mais precisa.
— Então não seja.. só seja você mesma.
— Mas se meu pai fez o que fez foi por conta dessa.. dessa doença.
— Quando você diz doença se sente realmente doente?
— Não.
— É por que você não ta doente. Me escuta.. seu pai fez uma escolha e não foi só por conta da orientação sexual. Foi porque ele não amava a sua mãe, entende? Não tem como você amar alguém que não faz seu tipo não é seu gosto.
— Então você esta querendo dizer que eu nunca me apaixonei?
— Eu não sei.. já se apaixonou de verdade por um homem?
— Claro.. — Fez uma pausa olhando para o lado. — Não.. eu acho que não.
— Você não está sendo igual seu pai por motivo de abandono, só por ser diferente como ele. Senta comigo aqui vamos conversar. — Peguei sua mão de um jeito delicado e a puxei para o sofá devagar.
Sentamos de novo, dessa vez bem mais próximas.
— Eu sempre aprendi que não devia ser igual a ele.. porque pessoas assim são ruins.
— Sua mãe colocou isso na sua cabeça mas a verdade é que seu pai ser gay não define personalidade entende? Uma pessoa ser negra não significa que ela seja má ou ladra ou de baixo nível. Isso é totalmente relativo. Como eu disse, existem inúmeras pessoas com seus gêneros, raças, cores, sexualidade e etc. Mas isso não define caráter. É a mesma coisa você me disser que por você ter cabelos pretos você é uma pessoa ruim. Viu? Não faz sentido. Precisa abrir a sua mente.
Regina pareceu pensar com calma em tudo que eu disse.
— Eu sei que eu falar agora não vai fazer você mudar de ideia de uma hora pra outra. Mas com o tempo você vai entender. Se me deixar te mostrar.
— Você não conheceu a minha mãe. Não sabe como é.. tem pais maravilhosos uma mãe que te mima. E por isso pensa de outra forma, foi criada assim. Eu tive que crescer ouvindo sobre homofobia ser certo. Estudando como ser superior a toda essa gente que polui o planeta. Sabe o que é você ter 10 anos de idade e ser obrigada a estudar 24 horas por dia em vez de ir brincar com os amigos? Socializar com as pessoas?
Eu não tive infância e nem amor eu tive pressão, frieza e intolerância.
Lembro de espiar minha mãe pela porta do quarto e pegar ela chorando. Mas foram uma das poucas vezes que vi minha mãe vulnerável. Ela colocou toda a tristeza a raiva e sofrimento pra cima de mim em forma de ódio e agressão. Então sim Emma.. apesar de tudo eu culpo meu pai sim por além de me deixar com ela, ter me deixado como o peso que ela teve que criar.
Naquela hora Regina já tinha os olhos marejados a ponto de escorrer lágrimas.
— Não foi justo tudo o que aconteceu com você de nenhuma maneira. — Limpei uma gota escorrendo pelo seu rosto. — Eu não imagino o quanto sofreu.
— Você não faz ideia.. — Segurou o choro e enxugou algumas lágrimas. Parecia estar tentando se controlar. — ainda é tão difícil esquecer. As vezes eu tenho pesadelos, sabe?
Concordei em silêncio. Saber de tudo isso cortava meu coração.
— Eu faço de tudo pra deixar pra lá seguir a minha vida. Eu penso "já passou Regina você já cresceu, siga em frente". Mas isso eu levo pra minha vida e eu jurei.. jurei que não seria igual meu pai de nenhuma maneira. Eu não posso fazer isso. — Volltou a chorar. — Eu não posso..
— E sua mãe?
— O que tem ela?
— Quer ser igual a ela?
— Não entende mesmo Emma. Eu já sou igual.
— Mas você tem um coração bom. Eu sei. — Toquei seu peito com uma das mãos. — Esquece de tudo, foca nos meus olhos. Não precisa ser igual mãe, pai.. só seja você mesma. Quem você quer ser?
Ela pensou respirou fundo e penetrou seus olhos nos meus. Aquela boca entre aberta era a coisa mais linda desse mundo.
— Eu quero ser a pessoa certa pra você. Eu só sei que eu te quero como nunca quis nada e nem ninguém.
Aquela declaração me deixou estagnada. Eu não esperava por aquilo. Fiquei sem reação.
— Eu nunca me senti assim Emma. Só você consegue fazer isso. Me deixar irritada e ficar pensando só em você e querer te estrangular por ser tão sexy, linda e provocativa. Eu acho que me incomodou tanto ao ponto de fazer eu gostar de você. Eu só sei disso..
— E eu só sei que quero muito te beijar agora.
— Então me beije...
Fale com o autor