Uma nova História
4 A Plataforma 9 ½
Notas iniciais
O ultimo mês de Kathy no orfanato foi monótono. Nada de interessante acontecia, ela lera alguns livros que compara no Beco Diagonal aquele dia, só pra matar o tempo já que não podia sair muito, então aproveitou para assustar Scarlet, que depois de descobrir que Katherine era uma bruxa, não gostava de ficar perto, apesar de sempre irritá-la dizendo que sempre soubera que ela era uma bruxa, pois além de fazer esquisitices, era muito feia. Obviamente Katherine revidava as respostas, mas também, nunca ficara calada numa discussão e não iria começar agora.
No ultimo dia de agosto, ela achou melhor avisá-las sobre a ida à estação no dia seguinte.
—Josefine?
—Madame Josefine pirralha, quantas vezes já não mandei ter educação comigo? Eu que mando aqui, então você tem que me respeitar- esbravejou a mulher.
— OH! Claro! Desculpe! Desculpe! Esqueci que com gente velha temos que ter certo tipo de respeito, tem certeza que não esta velha de mais pra beber esse copo de whisky senhora? Não gostaria de um copo de leite quentinho para a senhora dormir, senhora?- dando ênfase nos senhoras, sorriu debochada para a mesma.
Bastante irônica essa menina, não? Crianças desse tamanho são irônicas desse jeito?
—Não teste minha paciência garota!- esbravejou a citada. — ande! Fale logo, não quero perder meu tempo com você mais do que o necessário.
—tudo bem, tudo bem. Vim avisar que amanhã tenho que ir á plataforma para embarcar para Hogwarts.
—Hum... E o que eu tenho a ver com isso?
—você é minha responsável legal, não vai me levar?
— eu não! Você que se vire. Não quero ter nada, absolutamente nada haver com esse tipo de gente. Já não basta eu ter você morando no mesmo teto que eu. Francamente. Você de um jeito de ir, mas não me envolva nessas suas esquisitices. — e saiu batendo o salto no mármore do chão.
—como se eu a quisesse lá. –resmungou Kathy. – é o dia que eu vou-me ver livre desse inferno e ela pensa que eu quero ela lá?! Só avisei porque era obrigada, cobra.
Katherine ligou para Gabriel, para avisar que iria embarcar no dia seguinte.
—Oi minha estrelinha, como esta?
—estou bem Gabriel. E ai?
— ah, Julia continua com uns desejos estranhos, mas fora isso, estamos bem. Então, ligou por algum motivo, ou só estava com saudades da minha linda pessoa?
— como se eu tivesse saudades de você. Você é um carma na minha vida Gabriel, aceite. –debochou, sorrindo divertida para o telefone. –Mas, antes que você dê um showzinho, te liguei para avisar que amanhã eu embarco para hogwarts.
—aahh! Sinto muito Kathy, mas não poderei ir com você amanha. – Gabriel disse soando triste. Eu tenho uma reunião e infelizmente não posso faltar, e amanhã a Julia já vai ao hospital e como não posso acompanha-la, Brian vai com ela. Mas se você quiser, peço ao Brian para ir com você, e...
—não!- Kathy interrompeu- não, Gabriel. Não precisa. A Julia está enorme, precisa de ajuda bem mais do que eu. Só liguei para avisar. Não se preocupe. Se der tempo, amanhã eu vou tomar café da manha com vocês, mas se não der, boa sorte na sua reunião, bom trabalho, e mande boa sorte á Ju, que ela vai precisar mais do que nós, — brincou, mexendo em uma mecha do cabelo.
— boa sorte pra você também estrelinha. Você vai se sair bem. E tenta vir tomar café com a gente sim. Estaremos te esperando. Beijos.
—beijos. – e desligaram os telefones.
Katherine não podia acreditar. Ela teria que ir á estação sozinha. Mas tudo bem, nada fora do normal, sempre tivera que fazer as coisas por si só, já estava acostumada. Só pensava que dessa vez teria alguém lá por ela, mas pelo visto estava enganada.
Com esses pensamentos subiu para terminar de arrumar suas malas.
No outro dia, Katherine acordou às sete horas. Colocara o relógio para despertar. Fez sua higiene matinal, tomou um banho e colocou vestes trouxas, porque não queria entrar na estação com vestes bruxas. Conferiu se suny estava presa, se não esquecera nada. Todas as coisas que ia levar estavam em dentro do malão. Desceu, preparou seu café, e foi se despedir da sua pequena Anne.
— florzinha, me desculpe por te deixar com essas duas malucas, mas eu volto nas férias pra ficar juntinha de você, esta bem? E Gabriel prometeu vir tomar conta de você, ele não te deixaria com essas doidas – falava carinhosamente com a bebê, enquanto à trocava e ela observava Kathy como se a entendesse.
Cantando para fazer a pequena criança dormir, Katherine admirava sua irmãzinha, e se despediu com um beijinho na testa quando a mesma dormiu.
Não dava tempo de tomar café com seus ´´irmãos´´, ate porque a casa de Gabriel era do outro lado da estação. Mas ligou para eles e deu várias recomendações enquanto estivesse fora.
Saindo do orfanato, Katherine pegou um ônibus para chegar à estação. Estando lá, ocorreu a ela, que não sabia como chegar a plataforma 9 ½ . Esse número nem existia. Ela estava parada na plataforma 9 e na plataforma 10. Então onde estava?
O que diabos iria fazer? Estava começando a atrair olhares por causa de suny. Naquele instante uma pequena família passava e notou o olhar confuso de Kathy de seu bilhete para a parede.
— está indo à Hogwarts? – perguntou um garoto com cabelos rastafári.
— estou. Você esta indo para lá também? – Katherine perguntou ansiosa, mesmo que não deixasse transparecer.
—estou. É seu primeiro ano não é? Enfim –continuou sem dar a chance dela responder- é só você correr e atravessar a parede.
—atravessar a parede? – perguntou desconfiada e um pouco temerosa. Aquela parede era muito... Sólida. E com os anos aprontando, Kathy aprendera a sempre desconfiar.
—Sim. – foi o que ele respondera apenas, dando de ombros.
— pode ir primeiro então. – fez um sorriso gentil e ao mesmo tempo arrogante, e quando viu que ele protestaria para dar uma chance dela ir primeiro, completou- para eu ver como é- e aumentou o sorriso.
— tudo bem então.
Só que Katherine não estava preparada para o que viu. O garoto correu e quando achava que ia colidir, ele desapareceu. Ainda em choque, ela fez o mesmo.
—vamos Kathy, coragem, você consegue.
Ela se curvou no carrinho e pegou velocidade. A parede estava cada vez mais próxima, e quando achou que iria bater... não bateu. Não houve colisão. Ela continuou correndo.
Abriu os olhos.
Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava ´´expresso de Hogwarts 11 horas´´ Katherine olhou para trás e viu um arco de ferro forjado no lugar onde estivera o coletor de bilhetes com os dizeres ´´Plataforma 9 ½ ´´.
Conseguira.
A fumaça da locomotiva se dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se à balbúrdia e ao barulho das malas pesadas que eram arrastadas. Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. Kathy empurrou o carrinho pela plataforma procurando um lugar vago. Encontrou o local depois de percorrer o trem quase todo. Depois de muito esforço e não conseguir colocar seu malão na parte de cima do vagão decidiu por deixar em baixo mesmo. Sentou-se e ficou espiando a despedida entre pais e filhos. Mães chorando pela despedida, mas com sorrisos que expressavam amor, pais orgulhosos que observavam seus pequenos caminharem para a responsabilidade, com sorrisos de saudades nos rostos por lembrarem-se de quando eram eles no lugar dos filhos, reencontro entre amigos...
É, seria diferente de agora em diante.
Estava pensando na vida quando o garoto que a ajudara mais cedo na estação entrou.
—olá! Posso me sentar?
— à vontade. – deu um meigo sorriso que encantava a todos- ah! E obrigada por ter me ajudado na estação.
—foi um prazer. –deu um sorriso- sou Lino Jordan, e você?
— Katherine Moore, mas me chame de Kathy, não gosto do meu nome. –se apresentava enquanto apertava a mão do garoto.
Os dois começaram a conversarem como se fossem velhos amigos. Lino era uma boa companhia, e lhe falara varias coisas do mundo bruxo.
— então você trouxe uma tarântula gigante? –perguntou Kathy impressionada.
— foi, mas não precisa ter medo. – o garoto estava receoso de ela ficar apavorada simplesmente por ver a aranha, bom, o normal seria realmente ela ter medo, mas Katherine nunca foi uma garota normal.
— me deixa ver? – os olhos brilhavam de expectativa- e fala sério. Medo? Qual é. Pra me assustar vai precisar mais que uma aranha, Lino. – disse debochada.
— tudo bem então, senhorita ´´sou corajosa´´. — os dois riram, mas antes que Lino pudesse mostrar á Kathy a bendita aranha, a cabine foi invadida por dois ruivos idênticos.
—Hey Lino!- Saudou um dos ruivos.
—Hey pessoal! –saudou Lino de volta, esquecendo por um momento da nova amiga.
—quem é esta bela dama? – gracejou um dos ruivos com um sorriso que via o carteiro sempre dar à moça que vendia rosas, um sorriso galanteador.
—ah é, desculpe Kathy. – Lino deu um tapa na testa- pessoal esta é Katherine Moore- apresentou aos gêmeos- Kathy, estes são Fred e Jorge Weasley.
—Prazer senhorita Katherine — o gêmeo que entendeu ser Fred deu um beijo no dorso de sua mão.
—primeiro ano? Seja muito bem vinda senhorita. – o outro gêmeo, Jorge, puxou sua mão da do irmão e repetiu o ato do mesmo.
Achando muita graça nos dois, Katherine resolveu brincar um pouco também. Fazendo uma espécie de curvatura, respondeu os dois.
— oh! Muito obrigada gentis cavalheiros. Sim, meu caro, é meu primeiro ano- piscou os olhos se fazendo de tímida- e o prazer foi todo meu. – a ultima frase deu seu sorriso maroto.
Os gêmeos se entreolharam e disseram juntos:
—Gostei dela!
Todos os quatro ficaram rindo um tempão, com os gêmeos fazendo graça, e não tardaram a perceber que a novata era muito divertida e que adorava aprontar.
Aqueles três iam se dar bem, e juntos, revolucionariam aquela escola. Que Merlin nos acuda.
Mais tarde, chegaram umas garotas, Angelina e Alicia, amigas dos gêmeos e Lino, logo fizeram amizade também, afinal, quando queria, Katherine encantava quem quisesse.
É... Ela encantava quando queria, mas também sabia ser cruel.
E qual não foi a surpresa quando Lino mostrou a tarântula, e as meninas, menos Kathy, como pedira para ser chamada, gritaram. Ficaram impressionados quando a primeiranista pediu para segurar o bicho.
Depois de muitos risos, ela disse que iria dar uma volta. Pegou um pouco de dinheiro, caso encontrasse a tiazinha dos lanches. Estava caminhando quando viu a senhora. Estava indo em sua direção, quando esbarrou em um garoto.
—desculpe, não tinha te visto ai.
— tudo bem. Não te vi também. – Katherine respondeu, olhando para o rapaz mais velho.
—Olívio Wood, prazer.
— Katherine Moore. – apertou sua mão estendida.
Os dois caminharam ate a mulher dos doces, Olívio fez seu pedido, mas Kathy estava em duvida.
— o que vai querer querida?
Wood a observava com curiosidade enquanto a esperava fazer o pedido.
—ah, desculpe, mas eu não conheço nada do carrinho, acho que vou ficar com os chocolates mesmo. – deu um sorrisinho.
— é nascida trouxa? – ouviu a pergunta de Olívio.
— sou. –foi apenas o que ela respondera.
— ah então vou te apresentar esses doces, espera um pouquinho.
O garoto retornara para dentro da cabine e voltou sem os doces, com um saquinho que ela sabia que continha dinheiro, e com um amigo. Eles compraram de tudo que tinha no carrinho, enquanto o amigo levava boa parte dos doces, ele a ia levando em direção à cabine deles.
— onde esta me levando Wood?
— me chame de Olívio, e te levando pra junto dos meus amigos pra te apresentarmos a esses doces, Katherine. – ele dera um sorriso brilhante pra ela.
— ah, eu não sei não Olívio, e pode me chamar de Kathy. – ela disse meio insegura.
— bobagem, vamos. – e puxou para a cabine deles. – pessoal essa é a Kathy, esbarrei nela na hora que fui comprar os doces. Ela não conhece nenhum desses, e estava pensando e o que vocês acham de apresentar nosso mundo a ela?
— é nascida trouxa? – o garoto que ela vira com Olívio, perguntara.
— sou sim, por quê? Tem algum problema nisso? Porque se tiverem algum problema com esse fato, eu posso sair agora. — olhou com desafio para ele.
—wow, calma ae baixinha, foi só curiosidade, e não, não temos nenhum preconceito com isso, então relaxa. Adoraríamos te apresentar as belezas do mundo mágico. –respondera ele, tranquilo. — sou Mathew. – estendeu a mão.
— desculpe a grosseria, pode me chamar de Kathy, e não me chame de baixinha, obrigada! – retribuiu o cumprimento.
— okay Kathy, como você pode ver, esse babaca é o Mathew, esse aqui é o Andrew, e esse é o Charlie. – apresentou Olívio os amigos. Ela só acenou.
Logo Katherine se enturmou, virou amiga deles. Descobrira que Olívio era capitão do time de quadribol da grifinória, seja lá o que era aquilo, mas todos eles eram de lá, estavam no quinto ano e não tinham nada contra conversarem com primeiranistas. Apresentaram a ela todos os doces que compraram, riram, brincaram, mas a morena tinha que voltar para a cabine onde estavam os gêmeos. Despediu-se dos mais novos amigos, e percorreu mais o trem.
Distraída, esbarrou novamente em um garoto, mas dessa vez, não era alguém legal como Wood.
— olha por onde anda garota. – resmungara um garoto de rosto pálido e pontudo. Tinha uma voz de tédio, arrastada.
— foi você que entrou no meu caminho idiota. – de cara Katherine não gostou desse garoto.
— qual o seu nome? – exigiu saber o menino.
— abaixa o tom que não sou sua subalterna para lhe obedecer. – Katherine desafiou com o queixo levantado.
— eu exijo respeito, você esta falando com um Malfoy. – respondeu com superioridade.
— grande coisa. – respondeu com tedio- pra mim, nem que você fosse a pessoa mais importante do universo querido, eu me rebaixaria a... – olhou-o de cima a baixo- ...você.
—deve ser uma sangue ruim. Pra não saber quem sou eu. Porque se soubesse, você não falaria assim com um Malfoy.
— sou uma sangue ruim mesmo. Mas pode ter certeza, que vou ser uma sangue ruim que vai te derrubar desse seu pedestal que acha que merece. Você é ridículo, e eu não gosto de pessoas ridículas como você, Malfoy. – falou lentamente, com queixo levantado, nunca tirando os olhos do menino, uma superioridade que somente famílias puras, possuíam, o que obviamente deixou o garoto surpreso, mesmo não demonstrando.
Depois de olhar com desprezo, virou as costas e saiu, desfilando.
Passado um tempo, quando Kathy, resolveu voltar para seus amigos, Malfoy sai de uma cabine com seus dois guarda-costas, com um deles dando um berro terrível.
Correu ate lá, onde Malfoy esbarrou propositalmente em seus ombros e os três foram embora. Em duvida se entrava ou ia embora, Katherine resolveu entrar. Sua intuição nunca falhara, e ela estava lhe dizendo para entrar naquela cabine. Chegou a tempo de escutar:
—– Você já conhecia Draco Malfoy?
Um garoto magricela e de óculos redondos contou o encontro deles no Beco Diagonal. – Já ouvi falar na família dele – disse um ruivo, sombrio. – Foram os primeiros a voltar para o nosso lado depois que Você-Sabe-Quem desapareceu. Disseram que tinham sido enfeitiçados. Papai não acredita nisso. Diz que o pai de Draco não precisou de desculpa para se bandear para o lado das Trevas. – E virou-se para uma garota com pose de mandona. – Podemos fazer alguma coisa por você?
— É melhor vocês se apressarem e trocarem de roupa. Acabei de ir lá na frente perguntar ao maquinista e ele me disse que estamos quase chegando. Vocês andaram brigando? Vão se meter em encrenca antes mesmo de chegarmos lá!
—pelo que eu pude ver do loiro azedo, aquele projeto de gente que puxou briga, acertei? – perguntou Kathy distraída, olhando a cabine envolta e se fazendo presente.
—ah não, mais uma pra perturbar. – ruivo resmungou e logo depois corou com o olhar que Katherine lhe enviou.
— desculpe a intromissão, mas eu não gostei nada daquele garoto, e vi-o saindo daqui com aqueles armários atrás dele, só quis... Checar. Mas enfim, sou Katherine Moore e vocês?
—Hermione Granger. – a garota se apresentou aborrecida por não ter sido notada.
— Sou Rony Weasley. – respondeu o ruivo.
— Harry Potter. – o magricela se apresentou como se esperasse algo, mas Kathy nem ligou naquele momento.
— Prazer. E eu concordo com a Hermione, — a citada lhe olhou surpresa, por ter sido mencionada, e desconfiada, do por que de alguém que nem mesmo a conhecia concordar com ela- acho que deveríamos nos trocar, vejo vocês mais tarde. Se despedindo, ela voltou a sua cabine, onde encontrou seus novos amigos fazendo brincadeiras, mas um tanto preocupados que ela estivesse em apuros. Tranquilizando-os, trocou de roupa, porque realmente já deviam estar chegando.
Mal sentara para conversar, uma voz ecoou pelo trem:
— Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor, deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
O estômago de Kathy revirou de nervoso, despedindo dos seus amigos que lhe desejaram sorte, se encontrou com o tal Harry e ela reparou que Rony parecia pálido sob as sardas. Juntos se reuniram à garotada que apinhava os corredores. O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Harry estremeceu ao ar frio da noite. Então apareceu uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e Katherine ouviu uma voz que para Harry parecia ser conhecida, já que pela cara que o mesmo fez, deu pra ver que a pessoa não lhe era estranha.
— Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem, Harry?
Um homem gigantesco estava parado chamando os primeiranistas. Tinha o rosto completamente oculto por uma juba muito peluda e uma barba selvagem e desgrenhada, mas dava para se ver seus olhos, luzindo como besouros negros debaixo de todo aquele cabelo.
Harry acenara pro gigante e Katherine teve certeza que o de cabelos arrepiados conhecia o gigante.
—Você o conhece?- Kathy perguntou a Harry.
—ele é o Hagrid, foi quem me apresentou ao mundo Bruxo. Ele é legal.
— Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?
Aos escorregões e tropeços, eles seguiram Hagrid por um caminho de aparência íngreme e estreita. Estava tão escuro em volta que ela achou que devia haver grandes árvores ali. Ninguém falou muito, tirando um menino que vivia perdendo o sapo, que fungou umas duas vezes.
— Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo – Hagrid gritou por cima do ombro –, logo depois dessa curva.
Ouviu-se um Aooooooh muito alto.
O caminho estreito se abrira de repente até a margem de um grande lago escuro. Encarrapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas.
— Só quatro em cada barco! – gritou Hagrid, apontando para uma flotilha de barquinhos parados na água junto à margem. Katherine foi junto de dois garotos, um tinha cabelos cor de palha e uma menina de marias chiquinhas.
— Todos acomodados? – gritou Hagrid, que tinha um barco só para si. – Então... VAMOS! E a flotilha de barquinhos largou toda ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro. Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que se aproximavam do penhasco em que estava situado.
— Abaixem as cabeças! – berrou Hagrid quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco; todos abaixaram as cabeças e os barquinhos atravessaram uma cortina de hera que ocultava uma larga abertura na face do penhasco. Foram impelidos por um túnel escuro, que parecia levá-los para debaixo do castelo, até uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcaram subindo e pisando em pedras e seixos.
— Ei, você aí! É o seu sapo? – perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.
— Trevo! – gritou o menino que fungara, feliz, estendendo as mãos.
Então eles subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna de Hagrid, e desembocaram finalmente em um gramado fofo e úmido à sombra do castelo. Galgaram uma escada de pedra e se aglomeraram em torno da enorme porta de carvalho.
— Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu sapo? Hagrid ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.
Katherine estava ansiosa, mal sabia ela que ao entrar por aquelas portas, seu destino fora selado.
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