Uma nova História
5 O chapéu Seletor
Notas iniciais
A porta abriu-se de chofre. E apareceu uma bruxa alta de cabelos negros e vestes verde- esmeralda. Tinha o rosto muito severo e a primeira coisa que Kathy fez foi dar um sorriso á professora, que retribuiu muito discretamente. Katherine sabia que a mulher era uma pessoa a quem não se devia aborrecer, mesmo que não ligasse muito pra isso.
— Alunos do primeiro ano, Profa. Minerva McGonagall – informou Hagrid.
— Obrigada, Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante. Ela escancarou a porta. O saguão era tão grande, as paredes de pedra estavam iluminadas com archotes flamejantes como os de Gringotes, o teto era alto demais para se ver, e uma imponente escada de mármore em frente levava aos andares superiores.
Eles acompanharam a Profa. Minerva pelo piso de lajotas de pedra. Kathy ouviu o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta à direita – o restante da escola já devia estar reunido. Mas a Profa. Minerva levou os alunos da primeira série a uma sala vazia ao lado do saguão. Eles se agruparam lá dentro, um pouco mais apertados do que o normal, olhando, nervosos, para os lados.
— Bem-vindos a Hogwarts – disse a Profa. Minerva. – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A Seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. “As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. “A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola”. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam.” O olhar dela se demorou por um instante na capa do menino que fungara no barquinho, que estava afivelada debaixo da orelha esquerda, e no nariz de Rony que estava sujo. – Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês – disse a Profa. Minerva. – Por favor, aguardem em silêncio.
E se retirou da sala.
— Mas como é que eles selecionam a gente para as casas? – ouviu Harry perguntar a Rony.
— Devem fazer uma espécie de teste, acho. Fred diz que dói à beça, mas acho que estava brincando.
Por incrível que pareça, Katherine estava tranquila, ou pelo menos era o que aparentava, mas não deixou de prestar atenção no que Rony disse.
— você é irmão do Fred e Jorge, Rony? Nem reparei nos sobrenomes quando você se apresentou.
—é, sou sim. –respondeu distraído. Parecia extremamente nervoso, mas olhou à volta,e viu que os outros também pareciam apavorados. Ninguém falava muito a não ser Hermione, que cochichava muito depressa todos os feitiços que aprendera, sem saber o que precisaria mostrar.
Então aconteceu uma coisa que a fez pular de suto – várias pessoas atrás dela gritaram.
— Que di... Harry ofegou. E as pessoas à sua volta também. Kathy olhou em volta e reparou nuns vinte fantasmas que passaram pela parede dos fundos. Brancos-pérola e ligeiramente transparentes, eles deslizaram pela sala conversando entre si, mal vendo os alunos do primeiro ano. Pareciam estar discutindo. O que lembrava um fradinho gorducho ia dizendo:
— Perdoar e esquecer, eu diria, vamos dar a ele uma segunda chance...
— Meu caro frei, já não demos a Pirraça todas as chances que ele merecia? Ele mancha a nossa reputação e, você sabe, ele nem ao menos é um fantasma. Nossa, o que é que essa garotada está fazendo aqui?- Um fantasma, que usava uma gola de rufos engomados e meiões, de repente reparou nos alunos do primeiro ano. Ninguém respondeu.
— Alunos novos! – disse o frei Gorducho, sorrindo para eles. – Estão esperando para ser selecionados, imagino?
"não imagina" pensou Kathy com ironia.
Alguns garotos confirmaram com a cabeça, mudos.
— Espero ver vocês na Lufa-Lufa! – falou o frei. – A minha casa antiga, sabe? – Vamos andando agora – disse uma voz enérgica.
— A Cerimônia de Seleção vai começar. A Profa. Minerva voltara. Um a um os fantasmas saíram voando pela parede oposta. – Agora façam fila e me sigam.
Jamais imaginara um lugar tão diferente e esplêndido. Era iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. As mesas estavam postas com pratos e taças douradas. No outro extremo do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores. A Profa. Minerva levou os alunos de primeiro ano até ali, de modo que eles pararam enfileirados diante dos outros, tendo os professores às suas costas. As centenas de rostos que os contemplavam pareciam lanternas fracas à luz trêmula das velas. Misturados aqui e ali aos estudantes, os fantasmas brilhavam como prata envolta em névoa. Principalmente para evitar os olhares fixos neles, Kathy olhou para cima e viu um teto aveludado e negro salpicado de estrelas. Ouviu Hermione cochichar:
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Hogwarts, uma história. Era difícil acreditar que havia um teto ali e que o Salão Principal simplesmente não se abria para o infinito.
Ela teve certeza que poderia passar horas e horas observando aquele teto, como sempre fazia pela sacada de casa nas noites estreladas.
Katherine baixou depressa os olhos quando a Profa. Minerva silenciosamente colocou um banquinho de quatro pernas diante dos alunos do primeiro ano. Em cima do banquinho ela pôs um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu era remendado, esfiapado e sujíssimo. – reparando que todos no salão agora olhavam para o chapéu, ele olhou também. Por alguns segundos fez-se um silêncio total. Então o chapéu se mexeu. Um rasgo junto à aba se abriu como uma boca – e o chapéu começou a cantar:
Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais;
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!
O salão inteiro prorrompeu em aplausos quando o chapéu acabou de cantar. Ele fez uma reverência para cada uma das quatro mesas e em seguida ficou muito quieto outra vez.
— Então só precisamos experimentar o chapéu! – escutou Rony cochichar a Harry. – Vou matar o Fred, ele não parou de falar numa luta contra um trasgo.
Kathy segurou o riso. Tinha que ser aqueles gêmeos mesmo.
A Profa. Minerva então se adiantou segurando um longo rolo de pergaminho.
— Quando eu chamar seus nomes, vocês porão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ana Abbott!
Uma garota de rosto rosado e marias-chiquinhas louras saiu aos tropeços da fila, Katherine vira que era a mesma do barco, pôs o chapéu, que lhe afundou direto até os olhos, e se sentou. Uma pausa momentânea...
— LUFA-LUFA! – anunciou o chapéu.
A mesa à direita deu vivas e bateu palmas quando Ana foi se sentar à mesa da Lufa-Lufa. Kathy viu o fantasma do frei Gorducho acenar alegremente para ela.
— Susana Bones!
— LUFA-LUFA! – anunciou o chapéu outra vez, e Susana saiu depressa e foi se sentar ao lado de Ana.
— Terêncio Boot!
— CORVINAL!
Desta vez foi a segunda mesa à esquerda que aplaudiu; vários alunos da Corvinal se levantaram para apertar a mão de Teorêncio quando o menino se reuniu a eles.
Mádi Brocklehurst foi para a Corvinal também, mas Lilá Brown foi a primeira a ser escolhida para a Grifinória e a mesa na extrema esquerda explodiu em vivas; Kathy viu os irmãos gêmeos de Rony assobiarem.
Mila Bulstrode se tornou uma Sonserina. Talvez fosse precipitado da parte de Katherine, mas achou que eles formavam um grupo desagradável só de olhar para suas caras.
— Justino Finch-Fletchley!
— LUFA-LUFA!
Às vezes,Kathy reparou, o chapéu anunciava logo o nome da casa, mas outras levava um tempo para se decidir. Simas Finnigan, o menino de cabelos cor de palha ao lado de Harry na fila, passou sentado no banquinho quase um minuto, antes de o chapéu anunciar que iria para a Grifinória.
— Hermione Granger!
Hermione saiu quase correndo até o banquinho e enfiou o chapéu, ansiosa.
— GRIFINÓRIA! – anunciou o chapéu. Rony gemeu. Kathy bateu palmas junto com os outros.
Quando Neville Longbottom, o menino que fungara por perder um sapo, que na opinião de Kathy, se tivesse um, preferiria que continuasse perdido, foi chamado, levou um tombo a caminho do banquinho. O chapéu demorou muito tempo para se decidir sobre Neville. Quando finalmente anunciou “GRIFINÓRIA”, Neville saiu correndo com o chapéu na cabeça, e teve de voltar em meio a uma avalanche de risadas para entregá-lo a outra garota.
Depois de uns nomes, foi a vez do loiro arrogante.
Não que ela não fosse também, mas quem sou eu pra dizer, não é?
Malfoy se adiantou, gingando, quando chamaram seu nome e teve sua escolha imediatamente: o chapéu mal tocara sua cabeça quando anunciou:
— SONSERINA!
Kathy não estava surpresa. Ele fazia o tipo sonserino.
Então...
—Katherine Moore!
Kathy caminhou ate o banquinho de três pernas, e antes de sentar olhou uma ultima vez para seus amigos que lhe enviaram sorrisos reconfortantes. Então Katherine caminhou firmemente e deixou que o chapéu lhe caísse aos olhos.
— Difícil. Muito difícil. Bastante coragem, vejo. Há talento, ah, minha nossa, você se daria muito bem em todas as casas, ora isso é interessante... Então, onde vou colocá-la? És justa e leal, sincera e sem medo da dor, hum... Daria bem na Lufa-Lufa, mas não é sua casa ao certo. É muito inteligente, seria ideal coloca-la na Corvinal, se não fosse o fato de que não utilizaria essa inteligência para o saber; você é astuciosa e quando lhe convém, luta para conseguir seus objetivos, tem sangue-frio, mas principalmente é ousada, nobre e, minha nossa, é realmente leal. Hum... Porque não abre sua mente por completo Moore? Tem medo do que eu possa ver? Mas do chapéu Seletor nada passa despercebido. Você seria uma ótima Sonserina apesar de ser nascida trouxa, tem grande poder e é ambiciosa para se provar. Mas vejo algo aqui... É preciso muita coragem para lidar com sua vida, e isso você tem, só não se esqueça que cada escolha tem uma consequência. Acho que já sei onde coloca-la...
—GRIFINÓRIA!
Quando a professora lhe tirou o chapéu, Kathy lhe enviou um sorriso de orelha á orelha, e foi em direção às palmas entusiasmadas daqueles que lhe acolheram durante a viagem.
—Hey baixinha! Seja bem-vinda a melhor casa! – Mathew lhe piscou o olho.
Faltava pouca gente agora.
Nott..., Parkinson..., depois duas gêmeas, Patil e Patil..., depois Perks, Sara... e então...
— Harry Potter!
Quando Harry se adiantou, correu um burburinho por todo o salão como um fogo de rastilho. – Potter, foi o que ela disse?
— O Harry Potter?
Katherine não entendeu no começo, mas depois perguntaria a Harry sobre essa reação das pessoas, Kathy ate pensaria que ele fosse famoso. Vira o diretor se aprumar na cadeira, mesmo que fizera isso discretamente.
—GRIFINÓRIA!
Harry tirou o chapéu e se encaminhou trêmulo para a mesa de Grifinória. Parecia sentir tanto alívio que nem reparou que estava recebendo a maior ovação da cerimônia. Os gêmeos Weasley gritavam “Ganhamos Potter! Ganhamos Potter!” Kathy gargalhou daquilo, não sabia o que estava acontecendo, mas era muito bom. Viu Harry sentar-se defronte do fantasma com a gola de rufos que vira antes da cerimônia.
E agora só faltavam três pessoas para serem selecionadas. Lisa Turpin virou uma Corvinal e depois foi a vez de Rony. A essa altura ele estava branco esverdeado. Viu Harry cruzar os dedos sob a mesa para dar sorte e um segundo depois o chapéu anunciou GRIFINÓRIA! Harry e Kathy se olharam e bateram palmas bem alto com os demais quando Rony se largou numa cadeira ao lado do amigo.
— Muito bem, Rony, excelente – disse um ruivo pomposamente que também deveria ser irmão do mesmo, na mesma hora em que Blás Zabini era mandado para a Sonserina. A Profa. Minerva enrolou o pergaminho e recolheu o Chapéu Seletor.
Alvo Dumbledore, o diretor, se levantara. Sorria radiante para os estudantes, os braços bem abertos, como se nada no mundo pudesse ter-lhe agradado mais do que vê-los todos reunidos ali.
— Sejam bem-vindos! – disse. – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destabocado! Beliscão! Obrigado.
E sentou-se. Todos bateram palmas e deram vivas. Kathy riu muito, aquele velhinho parecia legal.
Então os pratos diante dela agora estavam cheios de comida. Ela nunca vira tantas coisas que gostava de comer em uma mesa só: rosbife, galinha assada, costeletas de porco e de carneiro, pudim de carne, ervilhas, cenouras, molho, ketchup e, por alguma estranha razão, docinhos de hortelã.
— Isto está com uma cara ótima – disse o fantasma de gola de rufos observando, tristemente, Harry cortar o rosbife.
— O senhor não pode...?
— Não como há quase quatrocentos anos – explicou o fantasma. – Não preciso, é claro, mas a pessoa sente falta. Acho que ainda não me apresentei? Cavalheiro Nicholas de Mimsy- Porpington às suas ordens. Fantasma residente da torre da Grifinória.
— Eu sei quem o senhor é! – disse Rony inesperadamente. – Meus irmãos me falaram do senhor. O senhor é o Nick Quase Sem Cabeça.
— Eu prefiro que você me chame de cavalheiro Nicholas de Mimsy – o fantasma começou muito formal, mas o louro Simas Finnigan o interrompeu.
— Quase Sem Cabeça? Como é que alguém pode ser quase sem cabeça?
Sir Nicholas parecia muitíssimo aborrecido.
— Assim – disse com irritação. E agarrou a orelha esquerda e puxou. A cabeça toda girou para fora do pescoço e caiu por cima do ombro como se estivesse presa por uma dobradiça. Era óbvio que alguém tentara decapitá-lo, mas não fizera o serviço direito. Satisfeito com a cara de espanto dos garotos, Nick Quase Sem Cabeça empurrou a cabeça de volta ao pescoço, tossiu e disse:
— Então, novos moradores da Grifinória! Espero que nos ajudem a ganhar o campeonato das casas este ano! Grifinória nunca passou tanto tempo sem ganhar a taça. Sonserina tem ganhado nos últimos seis anos! O barão Sangrento está ficando quase insuportável. Ele é o fantasma da Sonserina.
Katherine deu uma olhada na mesa de Sonserina e viu um fantasma horroroso sentado lá, os olhos vidrados, uma cara muito magra e vestes sujas de sangue prateado. Estava ao lado de Malfoy, que, Kathy ficou contente de ver, não parecia muito satisfeito com a distribuição dos lugares. – Como foi que ele ficou coberto de sangue? – perguntou Simas muito interessado.
— Nunca perguntei – respondeu Nick Quase Sem Cabeça, educadamente.
Quando se serviu das tortinhas de caramelo, a conversa se voltou para as famílias.
— Eu sou meio a meio – disse Simas. – Papai é trouxa. Mamãe não contou a ele que era bruxa até depois de casarem. Teve um choque horrível. Os outros riram.
— E você, Neville? – perguntou Rony.
— Bom, minha avó me criou e ela é bruxa, mas a família achou durante anos que eu era completamente trouxa. Meu tio-avô Algi vivia tentando me pegar desprevenido e me forçar a recorrer à magia. Ele me empurrou pela borda de um cais uma vez, eu quase me afoguei. Mas nada aconteceu até eu completar oito anos. Meu tio Algi veio tomar chá conosco e tinha me pendurado pelos calcanhares para fora de uma janela do primeiro andar, quando a minha tia- avó Enid lhe ofereceu um merengue e ele sem querer me deixou cair. Mas eu desci flutuando até o jardim e a estrada. Todos ficaram realmente satisfeitos. Minha avó chorou de tanta felicidade. E vocês deviam ter visto a cara deles quando entrei para Hogwarts. Achavam que eu não era bastante mágico para entrar, entendem. Meu tio Algi ficou tão contente que me comprou um sapo.
Antes que alguém lhe perguntasse sobre sua família, Katherine virou para conversar com Harry, Percy e Hermione que falavam sobre as aulas.
— Espero que elas comecem logo, tem tanta coisa para a gente aprender, estou muito interessada em Transfiguração, sabe, transformar uma coisa em outra, claro, dizem que é muito difícil; a pessoa começa aos poucos, fósforos em agulhas e coisas pequenas assim.
Kathy realmente queria aprender transfiguração, parecia ser muito maneiro. Mesmo não ligando muito para aulas.
Finalmente, as sobremesas também desapareceram, e o Prof. Dumbledore ficou de pé mais uma vez. O salão silenciou.
— Hum... só mais umas palavrinhas agora que já comemos e bebemos. Tenho alguns avisos de início de ano letivo para vocês.
“Os alunos do primeiro ano devem observar que é proibido andar na floresta da propriedade. E alguns dos nossos estudantes mais antigos fariam bem em se lembrar dessa proibição.” Os olhos cintilantes de Dumbledore faiscaram na direção dos gêmeos Weasley.
— O Sr. Filch, o zelador, me pediu para lembrar a todos que não devem fazer mágicas no corredor durante os intervalos das aulas. “Os testes de quadribol serão realizados na segunda semana de aulas. Quem estiver interessado em entrar para o time de sua casa deverá procurar Madame Hooch. E, por último, é preciso avisar que, este ano, o corredor do terceiro andar do lado direito está proibido a todos que não quiserem ter uma morte muito dolorosa.”
Kathy riu, mas foi uma das poucas que fez isso.
— E agora, antes de irmos para a cama, vamos cantar o hino da escola! – exclamou Dumbledore. Katherine reparou que os sorrisos dos outros professores tinham amarelado. Dumbledore fez um pequeno aceno com a varinha, e surgiu no ar uma longa fita dourada, que esvoaçou para o alto das mesas e se enroscou como uma serpente formando palavras.
— Cada um escolha sua música preferida – convidou Dumbledore –, e lá vamos nós! E a escola entoou em altos brados:
Hogwarts, Hogwarts, ó querida Hogwarts,
Nos ensine algo por favor,
Quer sejamos velhos e calvos
Quer moços de pernas raladas,
Temos as cabeças precisadas
De ideias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar,
Moscas mortas e fios de cotão.
Nos ensine o que vale a pena
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto,
Estudaremos até o cérebro se desmanchar.
Todos terminaram a música em tempos diferentes. E por fim só restaram os gêmeos Weasley cantando sozinhos, ao som de uma lenta marcha fúnebre. Dumbledore regeu os últimos versos com sua varinha e, quando eles terminaram, foi um dos que aplaudiram mais alto.
— Ah, a música – disse secando os olhos. – Uma mágica que transcende todas que fazemos aqui! E agora, hora de dormir. Andando!
Os novos alunos de Grifinória seguiram Percy, o monitor, por entre os grupos que conversavam, saíram do Salão Principal e subiram a escadaria de mármore. Subiram outras tantas escadas, bocejando e arrastando os pés, e Kathy começou a se perguntar quanto ainda faltava para chegar quando de repente pararam. Um feixe de bengalas flutuava no ar à frente deles, e quando Percy avançou um passo em sua direção, começaram a assaltá-lo.
— Pirraça – cochichou Percy para os alunos do primeiro ano. – Um Poltergeist. – E falou em voz alta:
— Pirraça, calma.
Um som alto e grosseiro, como o ar escapando de um balão respondeu:
— Quer que eu vá procurar o barão Sangrento?
Ouviram um estalo e um homenzinho com olhos escuros e maus e a boca escancarada apareceu, flutuando de pernas cruzadas no ar, segurando as bengalas.
— Oooooooooh! – disse com uma risada malvada. – Calourinhos! Que divertido! E mergulhou repentinamente contra eles. Todos se abaixaram.
— Vá embora, Pirraça, ou vou contar ao barão, e estou falando sério! – ameaçou Percy.
Pirraça estirou a língua e desapareceu, largando as bengalas na cabeça de Neville. Eles o ouviram partir zunindo, fazendo retinir os escudos de metal ao passar.
— Vocês tenham cuidado com o Pirraça – recomendou Percy, quando retomaram a caminhada. – O barão Sangrento é o único que consegue controlá-lo, ele não dá confiança aos monitores. Chegamos.
No finzinho do corredor havia um retrato de uma mulher muito gorda vestida de rosa.
— Senha? – pediu ela.
— Cabeça de Dragão – disse Percy, e o retrato se inclinou para a frente revelando um buraco redondo na parede. Todos passaram pelo buraco e se viram no salão comunal da Grifinória, um aposento redondo cheio de poltronas fofas.
Percy indicou às garotas a porta do seu dormitório e, aos meninos, a porta do deles. No alto de uma escada em caracol – era óbvio que estavam em uma das torres – encontraram finalmente suas camas: cinco com reposteiros de veludo vermelho-escuro. As malas já haviam sido trazidas.
Suas colegas de quarto eram Lilá Brown, Parvati Patil e Hermione Granger.
Escolhendo uma cama do lado da janela, Kathy trocou de roupa e logo adormeceu, caindo no mundo dos sonhos.
Aaaah Kathy... Aproveite enquanto ainda pode, porque uma hora, seus sonhos não existirão mais.
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