Uma mestiça com estilo

2 Doces, delinquentes e sádicos, irmãos Watson. Parte 1 - Lisa


Uma semana havia se passado desde que decidi viver na America com minha doce prima. Todas as manhãs naquela casa para mim pareciam as mesmas: dia após o outro tudo o que eu conseguia fazer era lamentar minha perda. Sim eu sentia saudades dele, saudade que me matava aos poucos.

Eu costuma me perguntar durante o decorrer dos dias como estavam as coisas na Coreia. Se meu pai estava bem, ou se minha mãe sentia saudades de mim. Eu não costumava pensar na minha irmã, mas quando fazia, um ódio destruidor consumia meu corpo; aquela ladra de noivos, se eu pudesse, arrancava seu aplique com minhas próprias mãos.

Havia se tornado algo normal abrir os sites, e ver a foto de ambos estampando paginas e paginas. O pior é que os tabloides me chamavam de alienada. " A filha mais nova dos Koong decidiu deixar a cidade, será que foi devido a perda do noivo?!" um site se questionava verdeiro motivo de ter me mudado. Já outro dizia:

" Desde pequena, mimada e alienada, Sophia vivia por trás da sombra de sua família. Não me surpreendeu quando a noticia de que seu "noivo" milionário havia lhe trocado por sua irmã mais velha, que é dez vezes mais educada e bonita! Aquela menina deveria crescer mais, e deixar de ser superficial..."

Aquelas suposições e afirmações sobre quem sou me matavam. Por isso a última semana que se passou, desisti de minha beleza, e preferi ficar recolhida em minha sala assistindo todos os filmes de amor que me apareciam: "Crepúsculo" "Diário de uma paixão" " Querido John" " P.S. Eu te amo" " Um dia!", entre vários outros.

Hoje em particular, eu assistia " Titanic" com os olhos enxutos de lagrimas pesadas. Jack estava com Rose na proa do navio. Ele abria os braços e gritava: "Im king of the world!" (Eu sou o Rei do Mundo!) sempre achei essa frase emocionante, e sobre o final do filme, nada a comentar! Acredito que não exista nada mais romântico do que ser salva pelo amor da sua vida, o mesmo que deu a dele, para que continuasse viva. Wannt é tão lindo. *-*

Puxei o último lenço de uma enorme caixa e limpei meus olhos. Ao mesmo tempo deprimente pensei ao quebrar a barra de chocolate com os dentes, meu mundo havia desabado, eu estava na maior tristeza possível . Pergunto-me se meu futuro será igual a de Rose, tirando a parte de ficar pobre e sem estilo. Mas talvez, o futuro tivesse reservado para mim pura e detestável solidão.

Não, pera...

— KYAAAAAAA!!! — gritei só de me imaginar terminando minha vida daquele jeito lastimável. Recolhi minhas pernas e fiquei em uma posição que lembrava um ovo. — Não posso terminar assim! — murmurei afastando as lagrimas — Não quero ficar sozinha... não quer-

Ding dong ouvi minha companhia tocar, interrompendo completamente meu momento de lamurias. Logo pensei que fosse Suni, ela havia saído cedo para resolver alguns problemas relacionados a escola, e ainda não havia voltado. Mesmo me garantindo que não iria demorar.

Arrastei meu corpo até a porta, onde segurei a maçaneta a abri: Não era Suni, e sim Lisa, a vizinha estranha que morava ao lado da minha casa. Sim, ela vestia preto como sempre, só que hoje seu cabelo estava solto e uma bandana encobria sua cabeça. Seu jeans escuro era apertado demais, sua blusa com a estampa do Nirvana, era larga demais. Ela mastigava uma goma de mascar, e fazia isso soprando uma bola enorme, e estourando-a bem no meu rosto.

Lisa também parecia me analisar: meus fios estavam presos em um rabo de cabelo frouxo. Era facilmente notável o inchaço nos meus pequenos olhos escuros. Eu tinha certeza que minha pele estava acabada, e que o vestido florido com pantufas passava uma péssima impressão. Eu estava péssima, péssima, pessimamente péssima.

— Uh, posso ajuda-la? — perguntei encostando-me no batente da porta.

— A Suni está ai? — perguntou-me fazendo uma careta ao ignorar totalmente meu estado caótico.

— Ela deu uma saída! — respondi tremendo. Eu não conseguia emoldurar meu sorriso perfeito, não tinha forças suficientes para fingir felicidade que havia sido roubada.

Lisa olhou para o lado em que ficava sua casa.

— Certo, é que ela pediu para minha mãe a agenda dela emprestada, e você por acaso saberia onde está?

— Não, mas posso dar uma olhada lá em cima. — apontei para as escadas — Por favor, espere aqui dentro.

Ela dispensou meu convite fazendo que não com o dedo.

— Não precisa, não quero interromper seu "momento solidão" — ela moveu os dedos insinuando aspas. Eu fiquei sem reação — Você parece centrada demais nesse negocio, e tals- quando terminou de gozar com minha cara, estourou outra bola de chiclete que grudou em seu lábios negros.

— Faça como preferir! — resmunguei ao dar-lhe as costas. A porta deixei a berta, caso Lisa viesse a mudar de ideia, coisa que eu acharei melhor não, ela era irritante.

Subi as escadas, virei a direta e entrei no quarto de Suni que estava com a porta entre aberta. Era um lugar aconchegante, no estilo " estou me descobrindo uma adulta ainda" bem a cara dela: Uma enorme cama de casal tomava parte da suite. As cortinas eram vinho, ao invés de brancas. Na parede sua tv, e no cantinho uma pequena estante com alguns livros, atrás de uma poltrona que parecia macia, com uma mesa de centro bem a sua frente. Naquela mesa, havia uma pequena agenda de capa preta.

acendi a luz do quarto, fui até lá e a peguei. Era grande, e pesada! Acabei abrindo para descobrir que realmente pertencia a Emma Watson, já que seu nome estava escrito em tinta preta com uma ótima caligrafia que deu a impressão de ter sido cuidadosamente desenhada.

Dei as costas e fui em direção a porta, quando de repente, ouvi um vozes vindo lá de fora. Fui até janela de Suni, tentei abrir a porta, mas estava trancada. Parecia uma discussão, que ia esquentando.

" O que faz aqui seu idiota"

" Não grite comigo sua vadia repugnante. Não se faça de idiota, sabe muito bem o que porque diabos estou aqui!!!!"

" Não querido, o único idiota é você!"

" CALA A BOCA! DIGA-ME COMO FEZ"

Dei meia volta e desci a escada, surpreendendo-me com Lisa gritando com um homem.

— Se toca seu idiota...- ela berrou com todo seu folego — Eu não fiz nada!

— Você é uma vadia suja, e mentirosa... — rosnou segurando os braços dela.

Ele tinha pelo menos 1,95 de puro músculos. Olhos endiabrados na cor avelã. Usava uma bandana com as cores da bandeira americana para esconder seus fios loiros escuros. sua blusa era rasgada e em sua pele bronzeada haviam diversas tatuagens. Uma delas de uma águia. Santa mão de Deus, ele era um mostro.

— Eu já disse que não estou mentindo, agora me solta! — gritou tentando se livrar daqueles dedos calejados. Sim, eu sabia que eram. Reconheceria aqueles tipos de dedos mal cuidados em qualquer lugar.

— Eu vou te matar! — ameaçou sacudindo-a como um boneca — Arrancarei sua linguá para nunca mais ter que mentir... — seu tom era mais que ameaçador.

O que eu iria fazer? Aquele homem a desmontaria se eu não criasse coragem. Santo Deus, guie-me pedi enquanto moldava o sorriso que não queria surgir de forma alguma. Soltei o cabelo, deixando-o cair em cascata sobre minhas costas. Retirei a pantufa, e corrigi minha postura.

— Se você não falar, eu vo-

— Sinto muito, mas o que se passa aqui? — perguntei fazendo com que meu tom soasse inocente.

Despertei atenção de ambos. Aquele homem me encarava com os olhos arregalados, em algum momento, ele havia soltado Lisa, porém duvido que ele tivesse notado isso. Eu estava fazendo carinha de "cachorro triste" Suni sempre dizia que eu ficava Kawaii ( fofa).

Certa vez, quando eu era pequena, perguntei minha mãe por que tantos homens mudavam os comportamentos, que antes eram rude, e de repente, passavam a serem doces como mel quando estavam a sua frente. Minha mãe, naquela noite, pegou-me no colo, colocando-me a frente do espelho havia em seu quarto. Eu me recordo de ter visto uma menina de cabelos longos e pele pálida diante de uma mulher de longos e sedosos fios negros. Boca preenchida por um batom vermelho, e olhos pintados levemente com um sombra marrom. Ela não me respondeu, apenas fez uma expressão super fofa, e fora bem ai que percebi o porque ela estava sempre rodeada por homens: Apesar de ser uma mulher, era fofa, e sempre fazia-se de inocente para cativar quem deseja-se.

— Quem é você? — perguntou tossindo, em um tom mais relaxado.

— Sophia Koong — me curvei para cumprimenta-lo — Sou sua vizinha! — respondi mudando meu olhar de direção. Agora eu encarava sutilmente Lisa que estava sem reação. — Por favor, cuide de mim! E você quem é?

Colocando a mão sobre os lábios, aquele homem balançou a cabeça:

— Ninguém importante! — respondeu desviando o olhar — Mesmo assim, isso não tem nada ver com você, feche a porta! — agora rosnou como o pior dos cães. ( cães são fofos)

Após cuspir essas palavras para mim, segurou Lisa pelo pulso, puxando-a mais para perto. Aquele homem acariciava o pescoço dela. Sem pensar duas vezes, levantei a agenda de sua mãe acima de minha cabeça, e com toda a impulsividade que corria em meu sangue, taquei-lhe sobre o rosto.

— Aiiii — gritou soltando-a ao pressionar o lado que fora atingido.

O que eu fiz? contestei-me puxando Lisa — Entra! — gritei.

Fechei a porta passando a chave. Eu nunca havia feito aquilo, mas também, ninguém nunca ignorou meu lado fofo. Que reação imprudente, o que eu ia fazer agora? Virei-me para Lisa que estava com as mãos nos joelhos, e respirava rapidamente buscando todo o ar que lhe fosse possível. Não sei o que deu nela, mas ela começou a gargalhar tão de repente que me assustei.

— Do que está rindo? — perguntei me descabelando de tão nervosa.

— Estou... estou rindo desse babaca do John — respondeu em meios os risinhos que escapavam — Mereceu a agendada no rosto.

Droga, a agenda, deixei lá fora.

— Isso não tem graça! — adverti reaproximando-me da porta para olhar pelo olho magico. Esse tal de John havia sumido — Ele poderia ter matado, ou pior, agora pode matar nós duas!

— Não exagere! — Lisa ainda ria um pouco, mas o ataque em si, havia passado.

— Exagerar? Como não quer que eu exagere, ehm? Minha vida já não está bagunçada o suficiente não?! — berrei totalmente perdida.

— Pare de gritar! — pediu tranquilamente como se aquela cena não fosse nada — John é um cretino, mas é um cretino influente em sua alcateia.

— Alcateia? — repeti tremendo. — Estamos falando de lobos?

— Yeah baby! — assentiu caindo em cima do meu sofá como se fossemos intimas ou algo do tipo — Claro que ele não é um alfa ou algo do tipo. Só que posso dizer que John faz parte de uma gangue de motoqueiros com notoriedade.

— Gangue de motoqueiros?! — ouviu meu cérebro assobiar ao dizer: se ferrou querida!

— Não é como precisássemos nos preocupar não é mesmo?

Essa garota era completamente louca, pior do que seu estilo, só seu jeito de falar despreocupada.

— Você não tem medo de morrer? — não me contive, tive que perguntar.

Lisa me encarou de forma que pude sentir meu corpo inteiro tremer. Era um olhar vazio e transparente como uma esfera de vidro.

— Todos morreremos um dia! — afirmou fazendo careta para diminuir a tenção que se formou de repente — Eu não ligo caso eu venha morrer, porque não temo a morte!

Tais palavras soaram frias. Serrei meu punho, não muito forte, se não quebraria minhas unhas. Mas naquele momento, não sei porque, senti raiva.

— Todo mundo tem medo de-

— Nossa! — Lisa interrompeu-me com seu tom surpreso. Eu não tinha percebido, mas ela olhava a matéria sobre minha irmã que deixei aberta na tela do meu computador. De fato ela parecia mais intrigada do que assustada — Deve ser por isso que você está com essa cara de morta! — apontou para mim sem nenhum remorso em pronunciar tais coisas.

— Não seja grossa! — minha cabeça latejava.

— Eu grossa? — riu — Eles são grossos, nem chego perto de tais palavras!

— São idiotas que não sabem de nada! — corrigi sentindo uma mistura de ódio com tristeza — Mas precisam de algum jeito ganhar dinheiro não é mesmo?! — minha pergunta soou mais como afirmação do que qualquer outra coisa.

Lisa assobiou fazendo cara de paisagem.

— Cara essa é a coisa mais idiota que já ouvi em toda minha vida! — murmurou.

— O QUE?

— Fala sério? " eles tem que ganhar dinheiro" — repetiu minhas palavras zombando — Eles na verdade tem que se ferrar! Qual é você é do tipo boazinha que toma no-

— Nem termine essa frase! — grito dando um passo a frente — Eu não sou boazinha, apenas sinto-me indisposta.

— Ah, sim, enquanto está indisposta, eles dois parecem bem dispostos a qualquer coisa! — afirmou fechando a tela do computador sem minha permissão.

O ódio por aquela garota estava me consumindo. Ela queria me humilhar? se esse era seu objetivo, então estava cumprindo-o bem, porque, a suposição que de eles... eles estavam disposto a qualquer coisa, partiu meu coração em três.

As lagrimas caiam enquanto meu corpo tremia.

— O que te faz pensar que pode dizer tais coisas? — perguntei de cabeça baixa.

— É que John era meu namorado, e acabei pegando ele com minha suposta "melhor amiga!" — disse sorrindo para mim, sem nenhuma preocupação — E eu acho que essa briga foi definitiva! Ela pode ficar com ele, porque nem sempre quem diz que nos ama, de fato, conhece tal sentimento.

Mas o queeee? Ela parece tão serena, não está gritando e nem chorando, simplesmente pronuncia as palavras como não surtissem efeito. Seu psicológico parecia não está abalado. Que menina fria.

— Não pense que eu não o amava, ou que minha ex amiga não fosse importante... — continuou no mesmo tom calmo — Só que eu simplesmente disse ao meu cérebro que minha felicidade não dependia deles.

— E é por isso que John estava zangado, você disse isso a ele?

— Está louca? Fiz algo melhor, hackeie as redes sociais dele e coloquei suas fotos mais constrangedoras. Ele mereceu.

Essa menina, apesar de está sofrendo por dentro, sorri demasiadamente por fora. Eu queria ser como ela, e suportar toda essa dor sem chorar. Eu gostaria de nunca mais ficar triste.

— HEY Sophia, que tal sermos amigas?

— Como é que é?

— Se fomos amigas, te ensino a nunca mais chorar por esse babaca. Além de se vingar apropriadamente dos dois. O que acha?

Um pedido de amizade vindo de alguém que talvez fosse o meu oposto? Lisa me pareceu ser uma garota problemática, mas eu acho que posso me dar ao luxo não precisar chorar sozinha nunca mais.

— Eu aceito!