Uma mestiça com estilo

1 Chocolate - quem não ama - mais chocolate


— Rosa e com bolinhas pretas? — meus olhos só poderiam está me enganando. Não, não era possível que alguém saísse de casa em um dia quente usando uma jardineira rosa com bolinhas pretas. O senso de moda daquela mulher que passava a minha frente com bolsas plasticas, só poderia ser nulo.

— Não seja rude Sophia, cada um tem seu estilo! — repreendeu-me minha prima Suni Koong — que era minha responsável legal, enquanto eu redisse na América — Ela massageou meus ombros mais que tensos.

Bem, eu não estava pirando por causa de uma pessoa mal vestida. E sim por que minha vida que era normal na medida que a estranheza permitisse havia sido revirada por uma furacão chamado Cassandra Miller — minha "querida" irmã mais velha, que roubou meu noivo. Isso mesmo, possuiu meu amado Connor dias antes do nosso casamento.

Essa conspiração não foi muito bem aceita pelo meu cérebro. Os peguei rolando em um lençol de seda ao lado do meu quarto. Essa cena foi mais que traumatizante para mim. Oh Deus, acho que nunca mais encontrarei um homem que me fara suspirar como Connor, acho que será um trauma eterno.

— Está tudo bem Sophia? — perguntou Suni retirando algo do meu cabelo.

Forcei um sorriso moldado e lhe respondi em um suspiro único:

— Está tudo ótimo Suni. Estou adorando respirar esse ar toxico! — juntei toda a minha coragem para falar.

Ela riu.

— Eu não acho que seja toxico! Até gostei, a casa é grande. E os vizinhos parecem ser simpáticos — falou puxando-me pelo braço — De uma olhada, e diga-me exatamente o que vê.

Fiz o que me pediu: Eu via o sol tímido dominado por um azul intenso no céu. Também contemplei pássaros cantando, voando, ou simplesmente parados. Olhei para a esquerda e vi uma velhinha regando a grama verde, e depois na direita, homens de preto estilo MIB — parados em frente ao enorme portão de ferro. — eram seguranças do condomínio.

Era um ambiente agradável, disso eu não iria reclamar. Mas ainda sim, uma pintura nova não poderia substituir a antiga. Poderiam ser parecidas, porém não passavam de imitações.

— Ande Sophia, diga-me o que vê? — ela me sacudiu brincalhona. Era toda feita de sorriso a Suni.

— Vejo... Um lugar belíssimo. — respondi tonta de tanto ser sacudida.

Suni cheirou meu cabelo — 16 anos, é isso! — sussurrou minha idade ao esticar meus fios longos — Ainda há muito para se aproveitar! porque não entramos e tomamos uma limonada. Tenho quase certeza que logo seremos cumprimentadas por nossos vizinhos.

Aquela nostalgia que ela passava a diante, era estranhamente aceitável. Suni já havia morado em Nova Iorque, fazia uns três anos que estivera aqui pela última vez. Em suas palavras, era uma das cidade mais belas e impelgantes do mundo, por isso escolhi aqui, logo Nova Iorque, para poder receber um pouco dessa energia massante.

Assenti com a cabeça ao ver seus olhos negros brilharem. Ela me puxou pelos braços e adentramos a casa! Era um lugar não tão grande quanto eu gostaria, tinha: quatro quartos de hospedes no andar de baixo, duas suítes em cima com banheiros em todos. Uma copa e cozinha. Uma sala de jantar, uma biblioteca e um escritório ao lado da sala onde Suni trabalharia como contadora do meu pai a distancia.

Porem pelo preço da casa, eu imagina que fosse três vezes maior.

Eu iria para uma escola perto de casa. Meu coração palpitava só de pensar na possibilidade de frequentar as escolas americanas. Quem sabe, eu, Sophia Koong não me tornaria uma líder de torcida. Ou uma cantora como minha mãe. Ou talvez a nerd mais estilosa do colégio. Para mim, não era importante qual grupo faria parte, e sim ter certeza de que daria o meu melhor não importava onde estivesse.

— Sophia pare de sonhar acordada! — Suni estalou os dedos com enormes unhas postiçar bem a minha frente. Cheguei a me assustar.Ela colocou as mãos na cintura de boneca — Temos que arrumar nossas roupas. Só com você vieram mais de trinta malas.

— Não tenho culpa, tive que escolher entre varias coisas, e minhas roupas e sapatos são importantíssimos. São quem sou! E alias, não iriamos tomar uma limonada? — fiz um drama. Talvez se houvesse teatro na escola, poderia me escrever, sou ótima atriz.

Suni fez uma careta. Marchou até uma das minhas malas, e a abriu: duzias de chocolates especias que eram somente produzidos na Coreia caíram ao chão. Oh, ela descobriu meu segredo.

— Tem outras cinco dessa, cheias de chocolate! — murmurou ao bufar — Pretende arrumar quantas caries com todo esse doce? — agora estava agindo como minha mãe. Desde pequena, sempre fora assim.

Suni é nove anos mais velha. Minha mãe nunca teve tempo para cuidar de mim, por causa de sua carreira pop. Meu pai sempre ocupado com seus hotéis e cassinos, e nisso não restava tempo para mim também. Meus dois dos meus irmãos mais velhos foram mandados para colégios internos. e um para um internato especial. Minha irmã me odiava, só me sobrou Suni que fora viver comigo quando eu tinha 4 anos.

Sempre que estava irritada assumia uma postura mandona, e superficial. Ela era linda, e simpática com qualquer um. Até com minha irmã que odiava a todos. Sim, ela não gostava de ninguém, calma, quase ninguém; já que disse que estava perdidamente envolvida com meu ex noivo.

Peguei em uma alça da mala, e comecei arrasta-la — Chocolate, o mundo ama chocolate! — não era uma boa explicação. Mas quase todos gostam de doces.

— Os chocolates ficam, vou guarda-los! — exclamou ao abaixar para catar os que havia derramado — Sophia vá arrumar seu quarto. Você fica com o lado esquerdo. Os quartos são iguais, mas seu closet será maior. Não preciso de tanto espaço.

Fiz o que ela pediu, fui levando mala por mala para o andar superior. Nem preciso mencionar quanto tempo isso me rendeu. Pela primeira vez me odiei por ter trazido tantas coisas. Quando terminei de coloca-las todas no chão do meu quarto, minha tarde havia ido embora! Na verdade quando chegamos aqui já estava no finalzinho. Então parando para olhar por esse lado não perdi muita coisa.

Joguei a última mala em cima da minha cama, e passei no meio das outras para poder alcançar a enorme janela que havia ali. E precisava de um pouco de ar fresco, então arrastei as costinas que eram brancas, descobrindo assim que havia uma porta na janela que dava para minha varanda.

Caminhei para aquele lugar liso, vazio, mas que mostrava o céu de forma nunca vista. Era tão bonito anoite. Nem parecia Nova Iorque. Eu conseguia ver as estrelas, coisa que me era impossível na coreia. O quintal da mansão sempre estava muito iluminado graças aos paparazzis que nunca nos deixavam em paz.

A lufada do vento suave passeava por meu rosto. Sensação boa, sabe, quando seus fios voam, e você tem a sensação de ter deixado de tocar o chão. Meu coração batia muito forte, acredito que seja por causa da dor da perda recente. Mudar de país pode ter sido algo impulsivo, mas do que adiante se contestar agora? Eu já havia me mudado, minha decisão de ser uma nova pessoa permaneceria.

Notei que havia uma varanda virada para mim, eu gostaria de descobrir a quem pertencia. Poderia ser de uma garota bonita e meiga, que estivesse na moda como eu. Seria tão magico...

— Sophia, desça aqui um momento! — o voz de Suni preencheu meu quarto interrompendo meu raciocínio.

Fechei os olhos e experimentei a brisa por alguns segundos mais. Então satisfeita, fechei a porta do quarto e desci as escadas. Chegando na sala, notei que Suni conversava alegremente com alguém.

Eram algumas pessoas, nossos vizinhos talvez. Quando me aproximei mais um pouco percebi que estavam em quatro: um casal sorridente, talvez os pais, um garoto pequeno que parecia um anjo de tão fofo. Uma menina vestida toda de preta, com piercings nas orelhas e batom da mesma cor que as roupas nos lábios finos. Seu cabelo era picotado, preso por uma xuxa torta do lado esquerdo da cabeça. Santo Deus, quase morri do coração.

Ao seu lado, encostado no batente da porta havia um jovem rapaz: olhos negros como o abismo. Eles pareciam sugar tudo que há no universo para dentro deles. Era alto, bem mais alto que eu, com um corpo não muito estereotipado, estava mais para esguio, com um pouco de músculos. Seu rosto de deu a sensação de inferno imediato, me deixou quente: quadrado com o maxilar profundo. Maças do rosto pálidas assim como sua pele, mas bem delineadas, facilmente palpáveis. Oh Deus, a roupa escura assim como de sua irmã caia muito bem nele. Fiquei embabacada, que homem lindo. Será que os americanos eram sempre assim?

ele me olhou com aqueles olhos desafiadores, parei na escada para não babar. Ele parecia entediado.

— Ai está você Sophia! — disse gentilmente Suni ao se virar para mim — Venha, por favor, conheça nossos vizinhos.

Fechei a boca espantando a baba, me recompus como uma menina serena e fui em direção a eles. O casal não parava de sorrir, assim como Suni. A mulher de cabelos escuros, e pele lisa, segurava em suas mãos alguma coisa, parecia um tabuleiro tampado por um pano de prato branco.

— Desculpe a demora, eu estava arrumando algumas coisas! — falei com um sorriso impecável no rosto.

— Não se preocupe, nós que chegamos de repente. — respondeu a mulher com um timbre de voz marcante — Só queríamos cumprimentar nossas novas vizinhas.

Sini virou-se para mim arqueando a sobrancelha fina. Era um tipo de " te avisei" em código. Me aproximei ainda mais dele, quero dizer, deles. O homem da casa, também era bem bonito: com fios grisalhos e bem parados. O corpo já era mais musculoso, do que do filho, mas eu preferia o bonitão daquela forma mais humana.

— Eu sou Robert Johnson! — apresentou-se sem um pingo de arrogância — Essa é minha mulher Emma Watson. Esses são meus filhos: o pequeno chama-se Sean, a outra chama-se Lisa e por fim, o encostado na sua porta é Noah, nosso filho mais velho.

— É um prazer conhece-los. Sou Sophia Koong e essa é minha prima Suni também com o sobrenome Koong. — respondi pronta para apertar a mão dele, mas ao invés disso, ele beijou minha mão.

— O prazer é todo nossa senhorita Koong. — o tom que ele usou, juro que eu poderia derreter, ou ter um sangramento nasal facilmente.

— É que... que... — senhor minha voz não saia.

Suni me puxou para próximo a ela.

— Agradecemos por vir nos cumprimentar! — sorridente disse, salvando minha vida. — Vocês tem certeza que não querem sentar? Estamos arrumando tudo ainda, mas podemos lhe oferecer um café, chá ou suco...

— Temos sim, brigada! — Emma dispensou com classe — Trouxemos um bolo para vocês, espero que gostem!

— Por favor, me acompanhe até a cozinha para que eu possa lhe dar o tabuleiro? — pediu Suni levando o casal mais velho para a cozinha.

Ficamos apenas os dois jovens mal encarados, e o doce menino que parecia um anjo.

— Sophi... você é bonita! — elogiou-me Sean com aquele seu tamaninho. Tão fofo, que eu poderia rouba-lo. Sua voz era difícil de entender ainda, mas soava tão kawaii.

— Obrigada! — agachei-me para alisar seu cabelo escuro e liso. Ele me devorou com seus olhos encantadores ao passar sua mão macia em meu rosto.

— Meu irmão costuma dizer que mulheres bonitas são... fu- fu ... como era mesmo a palavra? ah, sim, furteis! — soltou do nada. Eu quase cai para trás. Aquela criança falou tal coisa sem mudar o semblante encantador. O que seu irmão mais velho estava lhe ensinando.

Fuzilei Noah com meu olhar, ele me encarou então faz cara de paisagem. Me virei para sua irmã que lutava para segurar a risada engasgada em sua garganta.

Suspirei, suspirei e suspirei

— Nem todas as mulheres bonitas são fúteis! — tratei logo de corrigi-lo sorrindo docemente — Existem mulheres bonitas, com estilo e que são inteligentíssimas. — lá estava eu, usando palavras difíceis para um criança que deveria ter sete anos.

Ele me pareceu confuso.

— Ahh, então você é muito inteligente, néh? — perguntou-me com os pequenos olhos brilhando.

Fiz uma careta para um criança, sem perceber.

— Quase isso! — respondi coçando a cabeça.

— Chega de perturba-la Sean! — Lisa falou puxando o irmão. Me levantei e ficamos frente a frente, apesar de eu estar ali, era mesmo que está apenas com seus irmãos. Seu olhar me atravessava como uma pedra de gelo.

A voz de Noah era a unica que eu não ouvi. Eu queria ouvi-la para saber se seu timbre combinava com sua cara de mal moço. Mas ele permaneceu quieto, que se estivesse perdido em seus pensamentos, assim como meus olhos se perderam nele.

Que garoto estranho...

Nossos olhos se encontraram novamente, ambos parecíamos. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, seria ótimo se eu pudesse estar entre eles.

— Sophia não encare as pessoas! — Suni me pegou no flagra.

Balancei a cabeça disfarçando, ou tentando ao menos disfarça.

— Eu não estava encarando ninguém! — resumi com confiança — Apenas me perdi em meus pensamentos!

Suni fez a expressão " não estou acreditando em você". Emma passou a frente com o tabuleiro limpo, como deu tempo de lava-lo eu não sabia.

— Jovens! sempre perdidos em seus mundos, não é mesmo querido?! — seu marido concordou fazendo sinal de positivo para mim. Emma virou para Suni — Obrigada por nos receber a essa hora da noite.

— Que isso, nós que devemos agradecer. Além de virem, ainda trouxeram bolo. Obrigada! — curvou-se ao agradecer. Fiz o mesmo, tentando manter o equilíbrio que me restava.

— Qualquer coisa, por favor, não exitem em nos procurar! — disse Robert ao empurrar sua família porta fora. — Tenham uma ótima noite!

— O mesmo para vocês! — retribuiu Suni.

— Boa noite Sophi... inteligente! — Sean falou, acenei para ele com um sorriso sem graça.

Quando a porta enfim se fechou, quase desmontei no chão. A peça perfeita estava quebrada, tive que suspirar, e respirar, e eu precisava de água.

— Menino bonito não acha Sophia? — comentou intencionalmente Suni ao passar por mim com a chave da porta de casa nas mãos.

— Sim, Sean é muito lindo, angelical! — disfarcei, fingindo que não entendi a quem ela se referia.

Mas eu sabia que ela não ria desistir.

— Estou me referindo a Noah! — insistiu. Viu, eu sabia.

— Serioo? nem reparei! — resmunguei encostando na parede. Ela riu, e eu fiquei com raiva e constrangida ao mesmo tempo. — Vou para meu quarto! — murmurei, ela me pegou pelo braço.

— Não, vamos comer bolo de chocolate! — me arrastou pela sala até a cozinha, onde me fez sentar em um dos vários bancos de madeira, do frente do balcão de mármore próximo a geladeira. — Foi feito com carinho, por isso devemos comer!

— E se estiver envenenado?

Suni cortou um pedaço do bolo feito de chocolate, com calda derretida, e uma cereja em cima. — Não diga coisas assim, existem pessoas boas! — colocou o prato e a colher bem na minha frente — Agora coma.

Levou uns segundos até eu tomar coragem para provar, mas quando o fiz, me deleitei com o pedacinho do paraíso. Era o bolo mais gostoso que eu já comi em minha vida. Meu sorriso se alargou enquanto degustava lentamente.

Cortando um pedaço para si, Suni sentou-se ao meu lado para comermos juntas. Sem ela, meu mundo seria vazio. Sempre estava ali para me amparar. Obrigada Suni fora em meus pensamentos que agradeci, mas ela parecia ser capaz de ouvi-los.

Sorriu junto a mim, encostando sua cabeça na minha. Ela era o inicio de um novo caminho que eu sabia que seria turbulento, mas como parar ou desistir, se ela estava sempre me amparando?! Não importava onde, nem em que tempo fosse, eu sabia que enquanto estivesse viva ficaria ao meu lado, como fizera antes, agora, e no futuro próximo.

Deus, apenas guie meus passos, e faça de mim uma nova pessoa! Obrigada Suni.

Notas finais
( E aqui acaba nosso primeiro capitulo. Obrigada por lerem, fico feliz por estarem conhecendo Sophia bem a fundo. Se gostarem, não esqueçam de deixar seu voto + o comentário, porque ajuda bastante! A opinião é valida, e as criticas sempre serão construtivas!! Ah, eu só queria dizer q não tem dia certo para ser postado um novo capitulo, Obrigada novamente!! Até o próximo pessoal.)