Notas iniciais
Oiiii povo tudo bom? Espero que sim. Olha eu aqui de novo e dessa vez, não tãoooo demorado assim né?! Até que dessa vez eu consegui postar um capitulo mais rápido do que normalmente seria. Que bom!! HAHAHAHA... Então, confesso que não revisei quase nada dessa vez, o que com certeza terá erros de gramática e ortografia, mas peço que relevem ou se o erro for demais para os olhos de vocês me mandem uma msg inbox que eu concerto o que vocês acharem que tá gritante. Sou sozinha e faço de fã para fã, sem beta total!!! Agradeço muitooooo os comentários fofos e mega engraçados que recebi no capítulo anterior. Isso é muito bom! Adoro ler os comentários de vocês até porque são eles que nos impulsionam a continuar a escrever. Um beijãozão grandão no kokoro de todos (até nos fantasminhas) e boa leitura!!!! ♥ ♥ ♥

— Me dê um bom motivo para que eu não mate você, Yamoto!!

O shinobi engoliu em seco. Se pensara que ir ao santuário para convencer Saga foi uma tarefa ruim, agora, encarar a kitsune...é, sempre dava para ficar pior.

—Você sabe muito bem, sabe como me sinto em relação a esses...aghrrr! — gruiu a raposa, gesticulando e andando de um lado para o outro. Os pés sapateando sobre o chão de madeira.

Yamoto trocou um olhar cúmplice com Ookami. Este já estava quase tendo um surto só de imaginar no que viria depois. Se Kyoko estava furiosa só por causa daqueles três, imagina quando soubesse o que ainda estava por vir.

Abaixou a cabeça e suas orelhas; achou melhor começar a rezar para não ter seu pescoço cortado por compactuar com aquela loucura.

— Hime- sama, se você deixar, eu posso explicar. – tentou Yamoto.

— Explicar o quê? Ãhn?! Que fez por uma boa causa? Que era a melhor decisão que conseguiu tomar?

O ruivo respirou fundo.

Hai(Sim)

Kyoko parou de caminhar, seus olhos irritados mirando de um youkai para o outro. Não conseguia acreditar que seu mais fiel protetor havia desobedecido daquela maneira.

— Se você me der uma chance...

— Não!!!- quase gritou. — Você... sabe muito bem que isso é proibido! – berrou furiosa. — Eu tive que pagar...trinta lágrimas por esses...pedaços de carne! Faz ideia de como me sinto? — apontando para os três cavaleiros ajoelhados e amordaçados.

Os três se entreolharam, mas sem emitir um som sequer. Não queriam atrapalhar a discussão, a curiosidade em entender o que era tudo aquilo estava falando mais alto.

Kyoko passou a mão na franja farta. Estava arrasada, irritada, FURIOSA! Era como se tivesse vendido seu próprio corpo para comprar aqueles...humanos imundos. Mas o que podia fazer? Agora com a nova lei imposta no Makai não teve outra alternativa. Aquele gesto foi seu último ato de desespero, o único que lhe veio à mente naquela hora para evitar mais carnificina.

Kyoko-dono*, eu...

—Calado!!! — berrou e Yamoto acatou. Era melhor assim pelo menos por hora.

Respirou fundo, fechou os olhos e começou a caminhar em direção ao corredor. Estava cansada, ou melhor exausta. Precisava descansar, dormir, sumir se possível, ou sua cabeça explodiria. Eram tantas coisas que martelavam em sua mente, tantos problemas e agora mais essa. Se Hiroaki descobrisse, mataria seus shinobis com toda certeza.

Os dois shinobis engoliram em seco se reerguendo em um salto ao verem sua Hime-sama caminhar pelo corredor em direção ao quarto.

— É melhor você começar a inventar uma boa desculpa. – Ookami rosnou para o outro já começando a entrar em pânico. — Ela vai nos matar!!

—Cala essa droga de boca, Ookami! – Rosnou Yamoto, passando as mãos nos fios ruivos a fim de pensar em alguma porcaria justificável para dizer.

E não demorou nem três minutos para ouvirem o som de um bater fortíssimo de portas. Os dois voltaram os olhos arregalados em direção do som, engolindo em seco e amargo ao ver Kyoko retornar à sala duas vezes mais furiosa e ansiosa do que já estava. A respiração acelerada fazia o peito da Kitsune subir e descer rapidamente deixando claro o quanto ela estava nervosa.

— O que...o que...- ela balbuciava apontando em direção ao corredor de forma frenética.

Mu, Camus e Afrodite não sabiam para onde olhar; se para Kyoko ou para onde ela apontava. Era como se um monstro estivesse vindo atrás dela, mas para a surpresa deles o que veio logo não foi um monstro e sim ninguém menos que Saga.

O cavaleiro de gêmeos não parecia incomodado e nem um pouco surpreso com toda aquela situação, o que deu a Camus a certeza de que o amigo estava envolvido naquela loucura toda, principalmente em julgar pelas roupas que ele usava. Saga mais parecia um samurai do que um cavaleiro, deixando-o ainda mais lindo do que já era...para o desespero de Kyoko.

— Vossa alteza, queira me desculpar. – ele falou calmo e de seu modo naturalmente sexy.

Kyoko engoliu em seco e levando um susto quando por instinto ele tentou se aproximar.

— Não chega perto de mim!! – Berrou sacando a espada de qualquer maneira e quase decapitando Afrodite.

Saga voltou para trás mesmo não querendo. No fundo estava se controlando ao máximo para não correr até ela, arrancar aquela espada e enche-la de beijos. Estava extremamente ansioso para vê-la. Já tinha perdido as contas de quantos passos já havia dado dentro daquele quarto por conta do nervosismo em saber que finalmente iria ver Kyoko depois de dois anos e meio. Por Atena! E era ela! Kyoko estava ali, bem diante de seus olhos, mesmo que não reagindo como sonhara, mas ainda assim era recompensador demais! A voz, os trejeitos, o jeito arredio e os olhos...ah! Os olhos coloridos que pensara nunca mais ver estavam ali, olhando para si de modo assustado, a pele alva, e os cabelos ainda mais longos presos lindamente. E aquelas roupas? Zeus! Como ela estava linda naquele kimono negro e dourado.

Sentiu sua respiração começar a acelerar, mas não por medo dela e sim por ansiedade e vontade de tocá-la. Vontade de sentir seu cheiro, de ouvir seu coração...beijá-la.

— Kyoko...

— Eu mandei ficar...LONGE DE MIM!!! – berrou apontando a espada.

Saga engoliu em seco. Precisava manter a calma. Se deixasse suas emoções o controlarem podia ser o fim. Kyoko não lembrava dele e isso era óbvio em suas reações. Ela estava furiosa com toda aquela situação e para piorar estava com horror dele mesmo sem saber bem o porquê, o que por outro lado fazia o coração de Saga rachar ao meio.

—Que brincadeira é essa? – ela indagou entre os dentes fuzilando Yamoto com o olhar.

—Hime- sama, se se acalmar eu posso explicar.

—Ahhh eu vou sim. Vou me acalmar...depois que eu separar essa coisa ridícula que você chama de cabeça do seu corpo magricelo.

E num piscar de olhos Kyoko avançou sobre o shinobi. Saga mal teve tempo de reagir e só não foi acertado graças a Ookami que o puxou pela manga do kimono vermelho e preto, tirando o cavaleiro detrás de Yamoto bem a tempo de ele desviar o rosto para o lado. A katana de Kyoko atravessou o ombro do kimono de Yamoto e fazendo um leve corte na pele pálida. Ele engoliu em seco e já começando a se desesperar. Se não fosse rápido como era com toda certeza aquele golpe teria atravessado seu ombro e acertado o cavaleiro de gêmeos que estava atrás de si.

Em um impulso se jogou para o lado, rasgando a manga da roupa que usava e indo em direção a Ookami e Saga; as mãos espalmadas na frente do corpo. Estava começando a se arrepender ainda mais de ter levado Saga até lá.

Kyoko-dono*, onegai (por favor) ...

Ookami deu dois passos para trás obrigando o cavaleiro de gêmeos a andar também. Saga ficou observando assustado sua Kitsune e toda sua ira. Engoliu em seco, como faria para se aproximar dela agora? Já esperava uma reação ofensiva, mas nada parecido com aquilo. Se não fosse Yamoto e Ookami, principalmente, com toda certeza a espada de Kyoko teria atravessado seu coração.

— Mas que confusão é essa?

Uma voz esganiçada e rouca cessou toda aquela confusão. Todos na ampla sala miraram a entrada do lugar, inclusive Kyoko.

A raposa franziu o cenho primeiro, mas logo uma cara de incredulidade e chateação se formou.

— O que tanto você está berrando sua maluca? Estou ouvindo seus gritos lá da minha casa.

— O que está fazendo aqui Baa-san*? – indagou Kyoko começando a se irritar outra vez.

—E isso lá te interessa fedelha? – respondeu a velha sem se intimidar. — Eu perguntei primeiro.

Kyoko crispou o cenho outra vez, mas achou por bem contar a sua Baa-san sobre o ocorrido.

— Yamoto e Ookami, olha o que eles trouxeram para dentro da minha casa. – apontou para Saga e para os outros cavaleiros como uma criança birrenta.

— Uhhhhh...mas o que é isso? Que beleza...he he he. – riu a velha se aproximando de Camus, Mu e Afrodite. — Esses aqui eu não tinha visto ainda.

— O...o...quê? – Kyoko gaguejou de olhos arregalados. — Do que está falando sua... velha carcomida?

Baa-san franziu o cenho e sem aviso segurou sua bengala e usando da força que tinha acertou uma das coxas de Kyoko.

—Ai! Por que me bateu sua velha louca? – berrou a Kitsune indignada.

— Cala a boca sua retardada! Esses homens só estão aqui porque você mesma os comprou, ninguém obrigou você, então do que está reclamando?

A raposa ficou em silêncio por alguns instantes. Realmente ela havia decidido não deixar que Afrodite, Camus e Mu fossem comprados por aquele velho pedófilo, mas ainda assim aquilo não justificava. Eles só estavam naquele leilão por causa de Yamoto. Yamoto havia levado eles para serem vendidos lá mesmo sabendo que aquilo era proibido, então não interessava se havia comprado eles por vontade própria ou não, a culpa era dele por estar passando por aquela situação e somente dele.

A velha aproximou-se mais dos “lindos meninos” – como ela pensou – e sorriu meiga.

— Que maldade...- virou olhando o youkai que a acompanhava. — Solte os pobrezinhos. Olha como estão assustados.

Aquela ordem dada quase fez Kyoko cair dura. Como assim soltá-los? Deixar os...humanos soltos assim dentro de sua casa? Onde aquela velha pensava que estava? E quem ela pensava que era?

— Nem pense em fazer isso, Águia. – apontou para o shinobi. Este ficou com cara de besta, olhando de Kyoko para Baa-san sem saber bem o que fazer. — Se você soltar eles eu juro que vou...

E uma nova “bengalada”, dessa vez na testa de Kyoko fez a mesma se calar por conta da dor.

—Ai! Sua velha desgraçada, isso dói sabia?! – resmungou se afastando um pouco.

— Ahh cale a boca! Vai Águia, pode soltá-los, ela não vai fazer nada. – ordenou Baa-san.

O shinobi então caminhou devagar até os cavaleiros começando a desamarrá-los um a um. Yamoto suspirou aliviado por Baa-san ter aparecido. Águia fora um anjo ao ter tido a ideia brilhante de levar a única pessoa capaz de conter a fúria de Kyoko em relação a aquela situação.

Mu foi o primeiro a ficar de pé, passou a mão no rosto que já estava dolorido por conta da mordaça. Camus veio logo depois, massageando os ombros por conta da dor causada pela posição que suas mãos estavam amarradas, logo em seguida foi a vez de Afrodite.

— Ufa! Até que enfim. – ditou o cavaleiro de peixes.

Kyoko ficou abobada ao ver aquela velha carcomida novamente interferir em uma ordem direta sua. Ela sempre fazia isso quando julgava suas ações exageradas ou duras demais quando não deviam, mas o pior era saber que nem ela, sendo um Kage conseguia ir contra as vontades daquela senhora tão baixinha.

— Melhor agora? – perguntou a senhora a eles.

— Ahh muito melhor...- disse Afrodite e em um ato totalmente inocente se aproximou de Baa-san, que estava próxima a Kyoko, para agradecer. A raposa levou um susto com a aproximação e por instinto começou a caminhar para trás.

E de bobos os shinobis Ookami e Yamoto nada tinham, aproveitaram da distração dela, saindo da frente de Saga para dar espaço a ele. Distraída com a aproximação de peixes, Kyoko nem se deu conta de onde ia, caminhando para trás e só parando ao bater em algo, mas ainda assim presa no ato do cavaleiro de peixes.

— Isso...isso é um...pesadelo! Não posso acreditar que está...de acordo com isso. – contestou sem sair do lugar.

O pisciano sorriu dando um beijo nas mãos daquela senhora tão simpática e fofa. Depois voltou seus olhos celestes para Kyoko e depois para quem estava atrás dela. Sorriu dando um passo na direção dela.

— Kyoko...não precisa se assustar...- começou.

E como ele já esperava, a raposa começou, ou melhor, tentou voltar a se afastar mais, mas algo...ou alguém segurou ambos seus braços de forma delicada. Um arrepio gostoso subiu de seus pés até onde estava sendo tocada, mas...tocada? Como assim?

Automaticamente Kyoko ergueu o rosto, mirando de cabeça para baixo a face de quem a amparava. Não soube dizer quando e muito menos como, mas sua respiração trancou-se na garganta ao ver os olhos verdes que aquele homem possuía e de uma forma ainda mais estranha que toda aquela situação, não soube como reagir principalmente por sentir seu medo se esvair por todos os poros de seu corpo. Ele estava tão perto que podia sentir a respiração dele bater contra sua franja, afastando os fios e tocando a pele de seu rosto.

E se em algum momento da vida seu coração tivesse batido mais rápido do que naquele momento, Saga tinha a certeza de que fora uma ilusão, pois em toda sua vida jamais havia sentido aquela sensação antes. Nem quando estava prestes a morrer seu coração bateu tão rápido, nem quando viu Kyoko morta naquele chão de pedra seu coração bateu tão rápido quanto naquele momento.

A sensação de tocar a pele quente que ela possuía uma vez mais era indescritível. Achou que duvidaria quando a visse pessoalmente, mas agora que a tinha – finalmente- tão perto nem sabia por onde começar.

Pensou em beijá-la, mas não conseguiu, pensou em abraçá-la, mas não conseguiu e sem saber bem o que fazer reagiu da única forma que julgou melhor naquele momento: soltou um dos braços e tocou de leve a maçã corada do rosto de Kyoko com as costas do indicador. Um sorriso bobo curvou os lábios finos e bem desenhados de Saga, deixando a Kitsune ainda mais paralisada.

Mas que diábos estava acontecendo? Quem era aquele homem?

— Até quando você não lembra de mim você vem pedindo por ajuda, mesmo que não diga uma palavra.

Kyoko engoliu em seco. A voz sexy, calma e grave fora como música para seus ouvidos, mas isso era algo que nenhum deles precisava saber e antes de pela primeira vez – pelo menos era o que se lembrava — se perdesse ainda mais naquele sorriso e naqueles olhos, agiu da melhor forma que achou que devia.

— Ahhhhh....- gritou não tão alto, sacudindo os braços e saindo de perto dele. — Como se atreve?

Mu sorriu contido e Afrodite trocou um olhar com Camus. Agora as coisas pareciam começar a se encaixar, mesmo que ainda houvesse algumas a serem explicadas, mas pelo que parecia eram coisas que até mesmo Kyoko desconhecia. Pensou em exigir explicações, mas não queria prejudicar Saga. O sorriso do amigo fora tão sincero de felicidade que era impossível não participar daquele...teatro.

— Isso é um complô? – inqueriu Kyoko mirando seus shinobis.

— Deixe de ser dramática. Não é nada disso, se você tivesse ouvido Yamoto saberia o que é tudo isso. – Baa-san caminhou para próximo do cavaleiro de gêmeos.

Saga observou a velhinha com curiosidade. Ela era tão baixinha que mal chegava a alcançar suas coxas. Seus cabelos presos em um coque frouxo com dois hashis e um kimono marrom e bege bem discreto, ao contrário do belíssimo que sua amada trajava.

— Okay! Então...o que é tudo isso? O que esse homem estava fazendo no meu quarto? Ele não estava no leilão. Eu não o comprei. – rosnou incomodada ao olhar para Saga.

Baa-san riu um pouco ao notar o desespero na face dos shinobis.

A velha curandeira do Sul e praticamente mãe de Kyoko estava a par de toda a situação graças a Águia. O shinobi odiou a desculpa que seus amigos dariam a Kyoko-dono em relação ao geminiano e sabia mais ainda o que provocara aquela reação exacerbada dela ao ver Saga em seu quarto. Por instinto sabia que Kyoko jamais aceitaria a condição de Yamoto e com toda certeza tentaria matar o homem só por ele ser o que era. Kyoko não lembrava de Saga e isso era o que deixava os ninjas mais preocupados. Eles não sabiam explicar, mas além de estar totalmente confusa e devota a Hiroaki, Kyoko ganhara uma aversão anormal a humanos, deixando o cavaleiro de gêmeos a um passo de ser morto pela mulher que amava caso tentasse algo que ela julgasse ser uma ameaça.

Preocupado com sua Hime-sama, Águia apelou para a única pessoa daquele lugar capaz de conter a fúria de Kyoko, Baa-san. E pelo visto não havia errado...de novo para variar.

— Ohhh garota chata. – resmungou a velha. — Ele...- apontou para Saga, pegando na mão dele e o puxando um pouco para frente. —... é o seu okurimono*.

A expressão dos shinobis mudou de um estado assustado para um de completa surpresa, assim como Kyoko. Por essa eles não esperavam. Como não haviam pensado nisso antes?

— O que é okurimono? – cochichou Afrodite a Mu e Camus.

—É um presente...- respondeu Mu no mesmo tom.

Um sorriso debochado curvou os lábios carnudos da Kitsune e Saga quase cair duro. Aquelas covinhas lindas...por todos os deuses!! Era ela mesmo!!

— Um humano? Hãn! Certo... –mirou o geminiano dos pés à cabeça. — ...se ele é o meu okurimono, então porque está vestido assim?

Baa-san sorriu. — Porque você infelizmente irá se casar...

— Não começa Baa-san...

A velha youkai ignorou a ordem e continuou

— E eu queria que você se divertisse antes disso, experimentasse coisas novas, então eu resolvi lhe dar um...diferente. Então podemos dizer que ele é seu...okurimono sexual.

A feição de Kyoko mudou drasticamente para o desespero de todos até Baa-san. O sorriso debochado morreu dando lugar ao cenho crispado, unido a um semblante decepcionado, triste. Saga sacou de cara que ela havia odiado saber daquela situação, uma situação que ele mesmo não entendia. Nem sabia o que significava aquela palavra, mas isso não importava, o que importava mesmo era a reação negativa que ela teve e que fez seu estômago se retorcer. A última coisa que queria era deixar Kyoko triste independente de qual motivo fosse.

Nervoso, Saga passou por Yamoto e Ookami na tentativa de se aproximar da amada e quem sabe assim amenizar aquele puta mal entendido. Que merda aquela velha estava dizendo? Ele não era um prostituto. Não! Não era para isso que tinha ido ali e mesmo que tivesse ele jamais faria algo que Kyoko não quisesse.

— Kyoko...

— Não! – ela disse a ele, estendendo a mão para que ficasse onde estava.

Os olhos bicolores mirando seus shinobis e a velha.

— Você sabe os problemas que isso pode acarretar para todos nós. – fez uma pausa. Os olhos bicolores marejaram. Saga engoliu em seco. — Você...sabe muito bem como me sinto em relação...a eles. Não acredito que fez isso comigo Baa-san.

E saiu.

O som estalado chamou a atenção do cavaleiro. Ele olhou ao redor e viu no chão duas lágrimas de pérola. Segurou entre os dedos e depois apertou na palma da mão, fechou os olhos com força e trincou os dentes. Maldição! Não era para isso ter acontecido.

Mirou a porta de correr aberta e num impulso se reergue rápido, já iniciando seus passos em direção aonde Kyoko havia ido, mas Águia entrou em sua frente, pondo uma mão em seu peito para que não a seguisse.

— Acalme-se humano, não se precipite a piorar as coisas. Dê um tempo a ela. – falou calmo.

— Mas...pode ser perigoso. Ela está...

—Não, ela não está sozinha se é isso que acha. O mais presente de todos está com ela. Não se preocupe.

Saga fitou a porta mais alguns segundos imaginando para onde ela poderia ter ido.

♊oOoOo♊

Mais distante dali, mais precisamente em um bosque, debaixo de uma árvore florida Kyoko estava sentada, abraçada as próprias pernas. Passou a mão no rosto e sentindo o quanto estavam levemente inchado por conta do choro. Já não sabia por quanto tempo havia ficado ali sentada e também...de que aquilo importava? Não queria ter de voltar para casa tão cedo. Só de imaginar ter de encontrar aquele...aquele...HOMEM em sua casa já sentia o corpo tremer de irritação. Por que Baa-san tinha que fazer isso quando sabia de tudo que havia passado nas mãos daquela raça imunda? Ela sabia melhor que ninguém como se sentia, e para piorar agora homens humanos eram estritamente proibidos de estarem no Makai, lógico se já não fossem propriedade de alguém. Será que ela não levou em conta o fato de Hiroaki matar a todos? Se Hiroaki descobrisse aqueles homens ali seria o fim, principalmente se soubesse de seu “singelo presente”.

Bufou passando a mão nos cabelos. Maldito dia em que contou aquilo para Yamoto. Se soubesse que ele a trairia assim jamais teria contado a ele sobre seu sonho. Será que ele não podia entender e aceitar que nada a faria mudar de ideia em relação ao casamento com Hiroaki?

— Droga...- falou consigo mesmo.

— Hime-sama...

Uma voz suave e levemente infantil pareceu acariciar os ouvidos de Kyoko e ela se encolheu mais. O dono da voz mostrou-se em meio a escuridão da noite. Noite? Já era noite...desde quando?

— Quanto tempo estou aqui? – perguntou em um sussurro triste.

— Tem quase dez horas que está fora. – ele respondeu abraçando-a pelos ombros.

— Cheshire...- estendeu a mão para ele. — ...me leva para casa.

Hai(sim), Kyoko-dono.

Ele então ajudou-a a ficar de pé. Estava aflito e preocupado com toda aquela situação. Mesmo que não tivesse dito uma palavra sequer naquela discussão toda, mesmo que não tivesse se metido ele não concordava com aquilo. A decisão de tudo tinha que ser de Kyoko e não achava justo impor a ela uma situação que não queria mesmo que eles julgassem ser o melhor para ela.

— Me leva direto para o quarto. Não quero que ninguém me veja. – pediu a Kitsune abraçada ao shinobi.

Ele então a pegou no colo e como um fantasma flutuou de encontro a árvore e sumindo com Kyoko através do tronco.

♊oOoOo♊

— Já passa da meia noite. Faz mais de oito horas que ela saiu por aquela porta e até agora nenhum sinal dela. – reclamou Saga visivelmente preocupado.

Yamoto sorriu de lado. Pelo menos uma coisa Saga possuía por Kyoko: Preocupação.

Já havia perdido as contas de quantas vezes o cavaleiro perguntara sobre a segurança de Kyoko. Até compreendia os sentimentos dele, mas...também não era para tanto. Apesar de que Saga não sabia sobre o quarto shinobi.

— Acalme-se Saga. Cheshire está com ela. – informou bebericando um pouco de saquê.

Afrodite pegou um pouco de arroz com os hashis, depois mirou Yamoto dentro de seu kimono rosa e preto, sentado displicente em uma almofada. Estavam todos sentados sobre almofadas ao redor de uma mesa baixa e comprida como faziam os japoneses.

— Ta falando daquele gatinho fofo do País das Maravilhas?! – riu debochado. — Se ela estiver sendo protegida por ele, imagino o quanto está segura. Pelo menos ela dará boas gargalhadas.

Águia trocou um olhar com seus companheiros sob o olhar atento de Camus. Este não perdia um movimento se quer daqueles youkais. Mesmo eles dizendo ser protetores de Kyoko, ainda assim não conseguia confiar neles. Era como se tivesse algo a mais no que eles diziam, algo além do que diziam ser a verdade e isso preocupava o aquariano.

— Se é isso que acha florzinha...- escarneceu Ookami. Águia sorriu, como eram ingênuos aqueles humanos.

—Estou cansado de esperar. – Saga depositou o guardanapo sobre a mesa, tencionando a sair atrás de Kyoko, mas Yamoto o impediu.

— Senta aí. – ordenou segurando o braço dele.

— Eu não vou ficar sentado esperando vocês tomarem o lugar de vocês. – rosnou já perdendo a pouca paciência que ainda tinha. — Deviam estar atrás dela, zelando pela segurança dela e não sentados aqui...bebendo saquê.

—Bom, só existe uma coisa agora capaz de não só ameaçar a segurança da Kyoko, mas sim a de todos presente no Sul... você! Assim que Hiroaki descobrir que está aqui...cavaleiro. — Ookami gargalhou sarcástico.

Saga trincou os dentes odiando a gargalhada debochada daquele youkai. Imaginou mil e uma maneira de matá-lo, mas agora não podia e o pior, tinha que admitir que o desgraçado estava com toda a razão. Se ele fosse visto e Hiroaki descobrisse que estava ali seria o fim.

— Saga existe...

Yamoto, Ookami e Águia pararam tudo que faziam, deixando o local em silêncio total para o maior desespero do cavaleiro de gêmeos. Os shinobis se entreolharam em total cumplicidade e seus olhos mudaram de cor, tornando-se dourados.

—Ela chegou. – sussurrou Mu.

Todos fitaram o Ariano. Como ele sabia daquilo? Os três estavam selados e nenhum deles podia usar seus poderem pelo menos por enquanto. Não era possível que aquela...mosca morta de cabelos lavanda já estivesse começando a se adaptar.

Ookami bufou, jogando o guardanapo na mesa e ficando de pé. A passos duros, foi até Mu e sem muita delicadeza agarrou o pulso do ariano, puxando-o de qualquer maneira para ficar de pé.

— Ei! O que pensa que está fazendo? – Afrodite ficou de pé.

—Senta aí florzinha. – gruiu Ookami, mas peixes não se intimidou partindo pra cima do youkai para ajudar Mu, mas para seu azar o shinobi agarrou seu rosto com a mão livre e o tirou do chão como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Camus deu um pulo de seu lugar e Saga avançou sobre ele também.

Águia engoliu seu saquê e ficou de pé, pulou sobre a mesa agarrando os cabelos de Camus e o arrastando junto consigo, sacou sua espada tão rápido que nenhum deles ali conseguiu ver, puxando com força, jogou Camus sobre a mesa e montou em cima dele com a espada em seu pescoço; os olhos iluminados como um predador em meio a escuridão da noite.

— Não pense que não cortarei sua cabeça só porque Kyoko-sama pagou caro por você. – rosnou.

De pé Ookami jogou Afrodite fortemente contra a parede quando viu Saga avançar sobre si, mas antes dele o alcançar Yamoto entrou na frente, segurando o punho do cavaleiro de Gêmeos na palma de sua mão. Saga crispou o cenho, disparou um chute na direção do outro e este agarrou seu joelho com a mão livre. Por ser mais alto, puxou o punho direito e o joelho de Saga de uma só vez, fazendo o mesmo se desequilibrar e cair no chão de tábua de qualquer maneira. Saga gruiu ao sentir as costelas reclamarem por conta do tombo, mas não se intimidou e quando preparou a outra perna para revidar sentiu a ponta da katana de Yamoto espetar sua garganta em um aviso claro de que ele não hesitaria em feri-lo naquele momento.

Yamoto olhou para Ookami e este puxou Mu para mais perto, abriu a blusa do kimono dele e observou a pedra do colar. A mesma estava em seu devido lugar e não parecia ter sido violada. Olhou os olhos calmos do ariano e sorriu de lado, ele até que era bonitinho. Se fosse uma garota...

—Pode me soltar agora? – inqueriu calmo como sempre.

— Está tudo certo.- informou Ookami para os demais.

Águia soltou Camus bem devagar e esperava que ele tivesse entendido o recado. Afrodite resmungou alguma coisa, ficando também de pé com a ajuda de Mu. No chão Yamoto mirava o olhar faiscante do geminiano. Sorriu, se olhar matasse com certeza já estaria morto.

Sem tirar a espada da garganta de Saga, Yamoto aproximou ainda mais seu rosto do dele, tão próximo que ambos respiravam o mesmo ar.

— Sei que está nervoso com tudo que está acontecendo, mas sugiro que antes de sair correndo atrás de Kyoko-sama sem medir as consequências, escute o que eu ainda tenho a lhe dizer. – afastou-se deixando o outro se levantar em fim.

— Como seu amigo disse Saga, ela chegou.

— Ih? — ironizou. —Eu não tenho medo da Kyoko meu caro, se é isso que quer me alertar.

— Mas não é dela que você deve ter medo... – sussurrou mais do que falou, dando um passo em direção ao homem e ficando cara a cara com ele. — ... Saga, tenha em mente que a Kyoko não lembra de você e infelizmente esse...fator pode ser muito prejudicial a você. Grave minhas palavras: A Kyoko nunca...está...sozinha...

Falou bem devagar, fazendo uma pausa no final. Os olhos sérios presos nos verdes faiscantes do cavaleiro de gêmeos.

—... o quarto de nós, Cheshire não é o...gatinho fofo das histórias infantis que vocês conhecem. – olhou para Afrodite e este engoliu em seco. — Ele é um assassino. O mais letal e mais obediente de todos nós.

—Espera, isso é um tipo de ameaça? – Camus indagou sério.

—Não, é um aviso. Cheshire está com a Kyoko vinte e quatro horas de seus dias, observando-a, velando-a o tempo inteiro e não hesitará em cumprir qualquer ordem que ela venha a dar mesmo que esta pareça completamente insana. – Águia se pronunciou olhando para Camus e depois para Saga.

—Aquele cara é doido, vai por mim. – Ookami pegou a garrafa de saquê e despejou em um pequeno copo, solvendo o líquido de uma vez em seguida.

Saga deixou o olhar perdido por um tempo entendendo aonde aqueles malucos queriam chegar. O problema era que Kyoko não lembrava de si e ficou visivelmente amedrontada com sua presença mesmo tendo dois shinobis por perto. Não sabia como ela poderia reagir caso ficassem sozinhos.

—Cheshire não é como nós, ele só obedece a Kyoko. Ele fica diretamente conectado a ela e sabe todas as suas emoções, nem Baa-san consegue interferir e ele fará qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para protegê-la caso ela se sinta ameaçada por quem quer que seja, e isso inclui você. – Yamoto ajeitou a manga de seu kimono ainda olhando para Saga. — Se ela sentir medo de você ou se ele desconfiar que você tem...intenções ruins...

— Eu nunca a machucaria! – rosnou entre os dentes.

— E eu acredito em você, Saga, mas Cheshire...não.

♊oOoOo♊

Era um tipo de jardim amplo, com pequenas pedras achatadas, revelando um caminho a partir do tronco da grande cerejeira, passando por um lago médio e um banco de madeira. Pequenos arbustos e lanternas japonesas de concreto celular embelezavam ainda mais o lugar que ficava bem no centro, de frente a uma varanda grande e comprida em forma de L. De um lado uma porta de correr dava acesso ao ofurô e também a sua área de treinamento particular, de frente ao caminho, uma outra porta também de correr dava acesso a seu amplo quarto.

A raposa foi posta no chão com cuidado pelo shinobi antes de desaparecer novamente. Ela ficou a mirar a grande árvore por alguns segundos, devagar tocou o tronco agradecendo mentalmente a Baa-san por aquele feito. A velha curandeira era a única que tinha poder para manter sua árvore favorita viva em um ambiente como o Makai, sorriu satisfeita. Depois voltou seus olhos para o céu escuro e sem vida. Lembrou-se do céu dos humanos onde aqueles lindos pontos miudinhos brilhavam incansavelmente em um espetáculo infinito.

E mesmo sem querer lembrou-se do homem. Ahhh o homem! Desde quando homens humanos tinham olhos tão...

Respirou fundo e fechou os seus. Maldição, nem tivera tempo de começar a rezar.

— Acho que o pior é sentir o seu...fedor antes mesmo de pensar em entrar em meus aposentos sem pedir permissão.

Devagar girou nos calcanhares, mirando com desgosto a entrada de seu quarto onde Saga estava parado, de pé, com seu kimono levemente aberto, deixando a divisão do peito forte bem visível, mas sem intenção de intimidar ou...seduzir Kyoko, os cabelos agora soltos, caindo por suas costas e ombros deixando-o ainda mais sexy. Lógico que ela não deixou de...apreciar, mesmo que bem discretamente. Mesmo detestando humanos, tinha que admitir que aquele em especial não era nada mal.

Um arrepio gostoso percorreu todo o corpo másculo do cavaleiro de gêmeos ao receber aquele olhar assassino e...sexy. Por todos os deuses existentes como amava aquele olhar. A quanto tempo não via aqueles olhos tempestuosos, lindos? Possessivos, agressivos... que saudade sentia daquilo tudo; a excitação, a ansiedade, o querer quase animalesco daquela pele alva em fricção com a sua... o jeito felino de andar e a voz sexy dizendo obscenidades em seus ouvidos. O cheiro...será que Kyoko ainda possuía o cheiro gostoso daquelas frutinhas que tanto amava? Não conseguiu deixar de imaginar tocar novamente aquele corpo deliciosamente feminino, que agora caminhava devagar em sua direção, causando um arrepio ainda maior em seu corpo, e uma tensão incontrolável entre suas pernas a cada passo dado em sua direção.

“Atena, me dê forças ou não respondo por mim. ”, orou em pensamento.

Kyoko parou a uma distância consideravelmente segura. Não entendia porque estava assim. Ela era um Kage e ele um homem comum. Poderia matá-lo em um piscar de olhos, antes mesmo de desembainhar sua espada aquele homem já estaria morto, então...porque sentia-se ameaçada por ele? Por que estava...temerosa com a mínima aproximação? E que cheiro de menta era aquele?

— Não ensinaram você que é muita falta de educação entrar sem bater e principalmente sem ser convidado? – ironizou sem quebrar o olhar.

Saga despertou do transe, lambeu os lábios a fim de se livrar um pouco da maldita secura que seus lábios adquiriram justo naquela hora. Respirou fundo e sorriu de lado.

— Sinto muito, não sabia que já estava aqui... – mentiu. —...a anciã mandou que eu ficasse aqui e...

— Baa-san não manda em nada aqui, eu mando... – interrompeu fria e esnobe, aquele sorrisinho dele estava começando a lhe incomodar. —...mas não me admira um...michê aceitar ordem de uma velha qualquer, afinal quanto será que Yamoto e ela não pagaram para você me infernizar?

E um soco bem dado em seu estômago teria doido menos do que aquelas palavras. Engoliu a vontade de esganá-la ou melhor...sugar aquela língua afiada que ela possuía, respirando fundo e contando até dez para assim formular uma resposta decente.

— Bom, em julgar por seu humor, Baa-san e Yamoto talvez tenham razão. – alfinetou.

Os olhos de Kyoko se tornaram dois riscos. Quem aquele homem pensava para falar daquele jeito?

— Escuta aqui...michê...

— O quê?

Saga abaixou o braço que estava apoiado no portal de entrada, ficando totalmente ereto, deixando toda sua imponência natural transpassar naquele ato, um ato que desconcertou a Kitsune. Não esperava ser desafiada assim...não mesmo.

Por instinto deu um passo para trás, arrependendo-se logo em seguida. Não entendia o motivo de estar tão...intimidada por aquele homem. Saga adorou aquilo, ao mesmo tempo que temia assustá-la, excitava-se naquela brincadeira de gato e rato.

Os caninos pontiagudos de Kyoko despontaram sobre os lábios, deixando a gengiva rosada a mostra em uma forma clara de intimidação e aviso. Sacou então sua espada e apontou na direção do pescoço dele.

— Sai daqui inseto... – gruiu.

Saga não se intimidou, mantendo a posição que estava e sem mover um músculo respondeu a ordem de acordo com o que fora instruído com toda sua falsa calma:

— Desculpe...Vossa Alteza, mas eu não vou sair. Como você mesma disse Yamoto e Baa-san pagaram um valor bem alto para eu estar aqui e eu não estou nem um pouco afim de perder a grana.

“Mas que merda que estou dizendo? ”

Kyoko piscou aturdida. Aquilo era sério? Sério mesmo que Baa-san havia pagado um...prostituto humano para lhe satisfazer antes de seu casamento? Mas que inferno! Se queria lhe dar um puto de presente, porque ele tinha que ser humano? Não dava para ter escolhido um youkai não?! Ela sabia o quanto detestava aquela raça e que nunca, nunca, nunca se deixaria tocar por um deles. Será que já não bastava seus problemas com Hiroaki ainda teria um...michê metido a gostosão a lhe infernizar ainda mais?

Ahh não! Não mesmo!! Chega!!!!

— Como se atreve? Você é surdo? – quase berrou começando a avançar em direção a Saga. — Não sabe com quem está falando?

— Não, eu não sou surdo, e sim eu sei muito bem com quem estou falando... – respondeu com a mesma calma.

Kyoko ergueu mais a katana deixando a ponta da lâmina tocar em cima do ombro de Saga e bem devagar começou a caminhar na direção dele. O geminiano engoliu em seco, mas não iria demonstrar. Yamoto já havia lhe alertado sobre aquilo; Kyoko gritaria, espernearia para que saísse de seu quarto, mas isso só aconteceria se não se impusesse, se temesse Kyoko e seu Bakeneko* guarda costas. Aquela seria sua prova inicial e se conseguisse sobreviver, o resto tiraria de letra.

A lâmina da espada começou então a deslizar sobre a pele morena do ombro de Saga, e de forma sádica e bem lenta a abrir um corte ali. O sangue pareceu pular da carne, escorrendo pela pele e manchando o kimono que usava. É...estava doendo, e MUITO! Mas não deixaria que ela percebesse. Era isso que Kyoko queria, que fraquejasse, que implorasse e quando assim fizesse se sentiria ainda mais poderosa, ganhando ainda mais coragem para escorraça-lo dali como um cachorro sarnento.

Deixou somente seu cenho tremer levemente, mas sem sair do lugar e muito menos desviar o olhar do dela, sentindo a aproximação de seu corpo. Focou-se naquilo; no calor gostoso que ela transmitia, no tesão animalesco que ela lhe despertava, e no desejo em saborear aquela boca carnuda e pintada de vermelho, na saudade que seu corpo gritava em saciar.

E de repente ela parou sentindo o cabo da espada tocar o ombro do homem e o sangue quente deslizar por seus dedos. Piscou sem conseguir acreditar, seu semblante mudou-se sem perceber para um incrédulo e interrogativo, mirando o sangue se esvair por aquele corte fundo e que com certeza deveria doer horrores, mas... por que ele...

Saga aproveitou da distração dela e sem conseguir mais se controlar, levou o braço esquerdo a cintura dela, envolvendo-a e a puxando para mais perto. Estava ensandecido. Precisava daquilo, precisava de Kyoko e sabia que ela precisava de si, mesmo que ela ainda não soubesse, ou melhor, não lembrasse.

E sem entender quando e nem como Kyoko estremeceu com o contato do corpo forte no seu. Quando foi que aquilo aconteceu? E porque simplesmente não jogava aquele homem pela janela?

—...estou falando com uma Kitsune muito malcriada...- disse rouco.

E quando Saga pensava que seu coração não podia bater mais rápido ele descobria que sim, era possível ele bater ainda mais depressa e bem naquele momento percebeu o quanto ele martelava em sua caixa torácica de encontro ao também acelerado de Kyoko. A respiração quente dela chocou-se contra a sua, obrigando seu pulmão a respirar do mesmo ar que ela.

Os olhos bicolores da Kitsune se arregalaram, suas íris afinaram como de um felino ao notar a boca faminta vir em busca da sua em uma lentidão que sabia não existir. Seu corpo tremeu ao notar como em câmera lenta a língua safada daquele homem começara a se projetar para fora da boca, e que boca! Prestes a invadir a sua.

Preste...somente, pois quando se deu conta de que iria ser beijada por um HOMEM HUMANO, Kyoko pareceu levar um choque.

Yameteee! Onegai!!! (Pare! Por favor!)

Saga não soube dizer nem como e muito menos quando fora empurrado por Kyoko, mas o pior nem fora isso e sim o fato de algo surgir de trás dela, pulando por sobre o ombro de Kyoko e caindo sobre si com uma força descomunal. Saga sentiu como se suas costelas se partissem em vários pedaços por conta do impacto de seu corpo contra o chão de madeira. Gruiu de dor, abrindo os olhos num rompante para seu maior desespero, pois bem em cima de si o guardião fiel de Kyoko sorria da forma mais macabra que qualquer ser em toda existência podia sorrir.

Seu coração falhou uma batida. Ele não parecia nem um pouco com os outros e agiu exatamente como Yamoto havia dito. Um grito de Kyoko foi o bastante para invocar o ser do meio de suas sombras: Chershire.

O youkai estava em cima de Saga, agachado como um predador, uma perna de cada lado do corpo dele, enquanto com uma mão segurava o cabo da wakizashi* que por sinal estava cravada em seu abdômen, e a outra mão do lado de seu rosto, devidamente apoiada não chão de madeira. O sorriso gigantesco vinha literalmente de uma orelha a outra, deixando todos os dentes pontiagudos bem visíveis, os olhos incrivelmente azuis, brilhavam, perfurando os verdes do cavaleiro de gêmeos.

“Ele não é como nós...”

Ora, ora...o verme não sabe quando é hora de parar... – falou devagar. A voz melodiosa fez Saga se arrepiar inteiro.

“Ele fará qualquer coisa que ela ordenar...”

Cheshire apertou um pouco mais o cabo de sua pequena espada, movimentando a mesma bem devagar a fim de fazer Saga sentir dor. Sorriu ainda mais satisfeito ao ouvi-lo gruir e estremecer no chão. Ahhh...aquele som era como música para seus ouvidos.

Mirou Kyoko por cima dos ombros sem se desfazer do sorriso e do olhar maléfico.

— Ele não sabe quando parar...- riu. — ...não sabe seu lugar... – voltou a mirar os olhos assustados de Saga. —...não sabe...- movimentou a espada só mais um pouco fazendo finalmente o geminiano gritar de dor. —...não sabe seu lugar na cadeia alimentar...

Kyoko se aproximou um pouco observando a cena. Seus olhos fixos no semblante de dor de Saga transpassavam toda frieza e descaso que sentia por ele.

Nunca ele imaginou receber aquele olhar. Aquilo era um pesadelo! Só bastava uma palavra sair da boca de Kyoko e se livraria dele para sempre.

— Sabe onde é o seu lugar agora...michê? –Kyoko escarneceu. Cheshire por pura maldade e satisfação balançou a espada só um pouco.

Saga gritou de dor se remexendo sob o corpo do youkai. Este gargalhou.

Subarashii...(maravilhoso) – gargalhou outra vez. — Quer que eu o mate, Hime-sama?

Saga engoliu em seco. Não era possível que aquilo estivesse acontecendo! Odiou-se por ter perdido o controle, mas o que podia fazer? Se Kyoko tivesse a mínima noção de seu desespero, de sua saudade tinha certeza de que ela jamais agiria daquela forma. Seus olhos verdes arderam e a imagem de sua linda Kitsune embaçou e estremeceu diante de seus olhos. Não era possível que Kyoko faria aquilo, faria?

Continua...

Notas finais
Creemdeuspaissantíssimo!!!! Que diabéisso???? É gente a coisa não tá fácil por Saga não. Até prostituto ele está sendo. (bem que eu que eu queria ganhar um desses também hehehe) Gente eu nem preciso dizer em quem a sombra da Kyoko foi inspirada né?! Só que a grande diferença é que esse Chershire aí não é fofinho como o do desenho, não mesmoooooo!!!!!!!!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Bjs gente e até. Dicionário da Angell =P Sufixos: さん (SAN) - É o sufixo de tratamento mais comum de todos, que colocado após o nome ou sobrenome da pessoa denota polidez. Pode ser usado tanto para homens como para mulheres. A tradução mais próxima ao português seria “senhor” ou “senhora” aka "Sr." ou "Srª." . さま (SAMA) - Sufixo que acrescentamos aos sobrenomes para indicar respeito HIME - Mesmo sendo traduzido normalmente como “princesa”, hime pode referir-se a uma senhora de origem nobre. Dono - Demonstra um grau de respeito muito grande (ainda mais do que "sama"). Normalmente, era usado para falar de guerreiros samurais, na época de Edo. Wakizashi - Também conhecida como Oo-wakizashi ou Naga-wakizashi, é uma espada curta japonesa, usada em conjunto com a katana pelos samurais Era usada principalmente em combates de curta distância em que havia menos tempo para desembainhar a arma, possibilitando assim um rápido ataque ao oponente geralmente no joelho ou outras articulações no intuito de imobilizá-lo.