Notas iniciais
Gente, esse prólogo é pequeno. Mas amanhã eu vou postar o primeiro capítulo e prometo que estará grandinho.

Não sei porque depois de tantos anos eu ainda consigo me assustar com as coisas que minha mãe faz. Essa mulher parece não existir! É cada ordem, cada grito, cada olhar, cada castigo, que ela parece ser até o pai. Pois é, deve ser porque papai morreu quando eu e meu irmão éramos muito novos e ela tenta fazer os dois papéis, se saindo certinho como um pai e esquecendo que, na verdade, ela é uma mãe.

Eu e meu irmão somos gêmeos, mesmo que ele não pareça nada, nadinha mesmo comigo. Ele tem cabelos enrolados em um tom cobre que parecem de um anjinho, olhos muito pretos que se você olhar por muito tempo vai te dar medo, e é tão magrelo, mas tão magrelo que eu tenho medo que o vento algum dia o leve. João, como ele se chama, é muito inteligente também. Ele tira sempre as maiores notas da sala, gabarita as provas e vive ganhando prêmios de melhor aluno do bimestre. Já eu, tenho cabelos lisos e pretos, olhos não tão escuros iguais os dele e não sou tão magra quanto. Minhas curvas de mulher me valorizam. Graças a Deus! Também não sou inteligente. Na verdade, eu sou o desgosto da família. Isso que mamãe me diz toda vez que eu apronto uma, rebato ela ou tiro notas baixas. Mas pelo menos eu não sou zoado igual João no colégio e tenho amigos. Tudo bem que ele é meu irmão e que como eu o amo, deveria defende-lo, mas ele sempre se sai com um babaca, se metendo onde não deve e com gente que não deve. Nem se eu quisesse conseguiria cair no tapa com um daqueles gostosos, lindos, maravilhosos do time de futebol. Ok, vou me controlar.

Pra resumir, enquanto ele é o queridinho da mamãe, eu sou a filha que se ela pudesse, baniria da face da Terra. Na verdade, não ligo pra isso. Ela que está perdendo a filha maravilhosa que tem. Não tô exagerando! É sério! Eu sou bem legal, só que como toda adolescente, não sou muito normal e mamãe, como é uma general, não aceita meu jeito.

Talvez um dia eu mude e mamãe sinta o orgulho que tanto sentiu do João. Mas por enquanto eu sou assim e não mudo nem por ela.

Ah, meu nome é Margareth. Mas todos me chamam de Margo (exceto mamãe), eu odeio esse nome que me faz imaginar uma cadeira de balanço e eu bem velhinha com uma xícara de chá na mão e contando uma história para meus netos.

Isso com certeza foi obra de mamãe..

Notas finais
:)