Notas iniciais
Mais um capítulo! Divirtam-se!

Eu sentia uma quentura fora do normal nas minhas pernas e o suor pingando da minha testa. Estava enrolando até que não aguentei mais. Abri os olhos e sentei, quando vi que tinha esquecido de fechar a cortina e que a quentura que estava sentindo era o sol que entrava e batia todo na minha cama. Olhei no relógio, que estava marcando 8h. Ah não, eu não estava acreditado que no meu último dia de férias, eu tinha levantado aquela hora pelo simples fato da minha preguiça na noite anterior de não levantar para fechar a cortina. Levantei para fechá-la e voltar pra cama quando ouvi os gritos da minha mãe.

– Ah não, não acredito que logo hoje minha mãe não foi trabalhar. Logo hoje que eu planejava acordar só quando estivesse escurecendo. — Falei com um pouco de raiva e levantando. Se eu não descesse, era capaz dela subir e me obrigar a fazer mil flexões.

Quando cheguei na cozinha, percebi que a mesa estava toda arrumada e que mamãe tinha posto as xícaras que ela só usava quando o pessoal importante do trabalho dela ia pra lá. O cheiro de café estava no ar, o que era raro e me deu fome. Ela nunca preparava café, nem quando estava de folga. Falava que tínhamos que nos virar. E eu, claro, nunca fazia café. Se ela não faz, eu vou fazer? João costuma falar que eu tenho implicância com a mamãe. Mas duvido que ele não teria se ela o tratasse como o desgosto da família.

– Bom dia, Margareth.- Mamãe me olhou, não muito sorridente, mas com um olhar que me passava animação.

– Bom dia, mãe. Não querendo te irritar, nem nada assim, mas é aniversário de alguém?- Perguntei, já me preparando pros gritos que ela daria.

– Porque essa pergunta, garota?- Ela me fitou com olhos de reprovação.

– Ué, você nunca prepara café..- Disse, tentando acrescentar que ela estava com um olhar animador, mas falhei.

– Não preparo porque você e seu irmão tem que aprender a se virar. Mas hoje é um dia especial. Eu fui promovida e agora posso pagar o curso que seu irmão quer fazer.- Ela disse, abrindo um largo sorriso.

Não sabia o que falar. Ela tinha sido promovida e só pensava no meu irmão? E em mim?! Tudo bem que eu não era a melhor filha do mundo, que tinha uma pequena implicância com o jeito dela e que não estava querendo fazer nenhum curso caríssimo de língua alemã, o que eu achava ridículo, mas eu também era filha. Ela estava toda animada por isso? Só por isso? Preparou café e tudo por causa de uma porra de um cursinho babaca de língua alemã? Tudo que eu queria era jogar aquela mesa toda pro ar e protestar, mas sabia que de nada adiantaria e que ela só me daria um castigo terrível. As aulas voltariam no dia seguinte e tudo que eu menos queria era não poder ficar depois da hora pra assistir as partidas de vôlei da Clara. Engoli o pão e tomei uma xícara de café tão rápido que descia queimando pela minha garganta. Pedi licença e me retirei, deixando minha mãe e o João rindo e conversando sobre aquele curso idiota.

– Alô?!- Depois do quinto toque Clara atendeu, com uma voz sonolenta.

– Não acredito que você está dormindo. Liga aqui pra casa e pede minha mãe pra eu ir passar o dia com você. Não quero ficar aqui mais nenhum minuto.- Falei ou melhor, ordenei.

– Hey, Margo, são 9h30 da manhã e eu estou dormindo. Você de vez em sempre não quer ficar mais nenhum minuto nessa casa, então suponho que seja bobeira ou mais um ataque da sua mãe que você tenha rebatido.

– Não, não é. Você é a pior melhor amiga do mundo. Faz logo o que te pedi, anda.- Falei, com pressa. Queria sair logo daquele lugar. Minha raiva estava grande demais.

– Você não desiste, né? Ok, eu ligar, mas só depois que eu levantar e tomar meu banho.- Ela disse e eu sabia que tinha revirado os olhos.

– Sei que você não consegue dizer não. Anda logo!- Disse e logo depois desliguei o celular.

Clara é minha melhor amiga desde, podemos dizer, sempre. Estudei com ela no jardim de infância e tô grudada nela feito chiclete até hoje. Ela é uma menina meiga, que quase nunca xinga ou perde a cabeça. Muito alta, ela sempre gostou de jogar vôlei e ganhou vaga no time da escola, da onde é capitã hoje. E quando olho pra ela, tenho certeza de que altura não significa desengonçamento. Clara é linda e tem uma postura de causar inveja. Fora aquele cabelo que passa da bunda, loiro natural que causa inveja nas oxigenadas. Sim, minha melhor amiga é linda e está sempre disposta a me ajudar. Ok, as vezes com um pouquinho de mau humor e força da minha parte.

Arrumei minha mochila, tomei meu banho e resolvi descer para esperar a ligação repentina da Clara. Assim que cheguei à escada, ouvi o telefone tocar e subi de novo. Já era ela? Se sim, não conseguiria disfarçar minha felicidade com a rapidez, então, resolvi voltar e escutar. E não é que eu acertei? Era ela mesma! Não sei o que disse, mas sei que quando atendi a chamada da minha mãe, ela disse que Clara tinha ligado e que se eu quisesse ir, estava liberada. Subi correndo para fingir que arrumaria as coisas.

Enquanto arrumava, estava pensando... Mamãe nunca tinha dito um não para Clara. Mas também, com aquela voz meiga, aquele jeito e aquela cara de santa, que mãe não liberaria fácil? Mal sabe que de santa, Clara só tem a cara.

Desci correndo, saindo em disparada assim que o tempo em que eu havia determinado aceitável acabou. Só deu tempo de dar um tchau e ouvir mamãe dizer que eu não tinha mesmo jeito. Será que ela não entendia que eu só queria sair voando daquele lugar por causa dela?

Acho que depois daquilo tudo, Deus teve pena de mim e assim que eu cheguei no ponto mandou um ônibus imediatamente e incrivelmente vazio.

– CLAAAAAAAARAAA!- Berrei assim que cheguei na porta de sua casa.

Quando a porta abriu, me deparei com Madson, seu irmão. Tenho que comentar que ele é um gato, com músculos totalmente definidos e um sorriso que faz qualquer uma cair de quatro. Fora que ele é só dois anos mais velho, o que sempre me fez sonhar que poderia pegar aquele pedaço de mau caminho. O que também era um pensamento infeliz, já que ele me via como uma irmã.

– Porra, Margo, a porta está aberta, custava entrar? Atrapalhou minhas flexões.

– Deixa de mimimi, pelo menos sou educada.- Falei, logo depois saindo em disparada para o quarto de Clara. Tia Rô parecia não estar em casa.

Quando cheguei no quarto vi Clara tão entretida no que estava fazendo no celular que resolvi pular encima dela, me arrependendo logo depois quando ela soltou um grito que quase estourou meus tímpanos.

– Você é tão bruta!- Ela disse depois que saí de cima dela.

– Você é tão chata!- Disse imitando sua voz.

– Veio correndo? Chegou tão rápido!- Ela disse, soando engraçada.

– Você é tão engraçada.- Revirei os olhos.- Mas se Deus não tivesse sido misericordioso e não tivesse mandado aquele ônibus rápido, eu juro que viria correndo sim.

– Nossa, o que aconteceu dessa vez?- Ela disse sentando, parecendo preocupada.- Parece que foi grave.

– Adivinha? Minha mãe! Você acredita que a bonita fez café hoje? Pois é.. Tudo porque ela foi promovida e teve a cara de pau de me dizer que agora pode pagar o curso babaca que o João quer fazer.

– Aquele de língua alemã?- Clara soltou uma gargalhada.

– É, esse mesmo. Para de rir!- Estava com ficando com mais raiva.

– Você está morta de ciúmes, Margo.

– O que? Claro que não! Tá maluca? Eu não estou com ciúmes, só raiva. Ela não pensou em mim. Só no idiota do meu irmão.- Disse, já com uma cara que eu sabia não estar nada legal.

– Ok, eu sei que você não vai admitir, ciu...- Olhei para ela com raiva, o que a fez rever o que falaria.- ... raiventa! Ok!

– É, é só raiva que eu to sentindo dela. Tudo bem que eu não sou uma filha lá muito boa e que tenho uma puta implicância com ela, mas ela ainda ter a coragem de dizer isso na minha cara? Foi demais! Mas vamos esquecer isso porque eu quero curtir esse ultimo dia de férias sem pensar no que me traz raiva.- Falei pegando minha mochila e me levantando para me trocar.

– Tudo bem, ciumentinhaaaaa- Ela disse zoando com minha cara e pondo o travesseiro na cara. Claro que eu tacaria a mochila nela.

Não, eu não estava com ciúmes. Era só raiva mesmo. Raiva, raiva, raiva, raiva... Não cansava de repetir.

“Mas sentir raiva, já não é sentir ciúmes?”, meu subconsciente gritava.

Será que aquilo não sairia da minha cabeça? Eu já tinha entendido há tempos que minha mãe já tinha decretado o meu posto de desgosto da família. Lembro que quando eu e João fizemos dez anos ela deu um vídeo game pra ele, alegando que ele sempre tirava notas boas, que não decairia na escola e que continuaria ajudando e cumprindo com suas tarefas. Já pra mim, ela deu um livro, mesmo sabendo que eu sempre ODIEI ler. Já estou bem grandinha e sei que nada vai mudar. Eu não vou mudar quem sou para agradá-la. Acho que ela tem que saber lidar com as diferenças. Quem sabe um dia eu enxergue todas as coisas ruins que ela fala que tenho e mude? Mas até lá que se dane ela, eu vou controlar meus acessos de ciúmes e tudo tranquilo.

Espera aí... Eu disse ciúmes?

Notas finais
Eu juro tentar postar um amanhã, gente. Mas não tenho certeza! É que eu estou muito ocupada, está tendo reforma aqui em casa e aí já viu... é um tempão que toma! Deixem reviews, eu juro que respondo todas.