Uma Vida Complicada
1 Capítulo 1
Sabe quando você fica até de madrugada falando com o seu melhor amigo pelo telefone. Então aquele era um momento desses.Lá estava eu,em plenas férias conversando todos os dias até as cinco da manhã com ele,oVitor.
Eu e Victor nos conhecíamos a 4 anos e assim que o ano virasse iria fazer 5.Ele era bem mais velho do que eu,estudávamos na mesmo escola desde que eu entrei no sexto ano.Mas sempre nos víamos de longe e só nos cumprimentávamos de longe.
Quando eu o conheci foi graças a minha amiga Sarah na época.Eu e ela estávamos andando pela a escola quando ele me puxou e falou:
- Vem Sofia.Vem logo.
- Que foi Sarah?
- Deixa eu te apresentar o primeiro skatista dessa escola.Vitor essa é a Sofia,Sofia esse é o Vitor.
- Oi Sofia.Tudo bem?Eu sou o Victor,ando de skate e gosto de conversar.
- Ah,legal.Sou a Sofia.
- Então,vamos mudar de assunto.Vamos falar da tecpix a câmera mais vendida do Brasil.
Nesse momento eu dei um sorriso meio amarelo e sai.Logo que sai a Sarah veio atrás de mim e disse.
- Ele não é lindo?
- Ah?Ah sim,ele é mais ou menos. – Disse isso e continuei a andar.
- Ele é muito fofo.Lembra daquele cara que eu sempre te falo,então é ele.
- O Victor?É serio isso Sarah?
- Sim. Ele é skatista, ele é fofo é perfeito.
- Então ta...
Então depois disso, durante anos nós conversamos muito pouco, mas o suficiente, até que este ano ele se apaixonou por uma menina chama Luanna. Acho que era isso.Foi então que nós começamos a realmente nos aproximar.Ele estava muito chateado por causa dela,e eu fiz oque me veio na cabeça para fazer.Ajuda-lo.A gente conversou bastante.Ele me contou tudo e foi então que eu disse que ela era uma besta que não sabia oque estava perdendo.Ele ficou muito mal,mas mesmo assim ele melhorou um pouco com oque falei para ele.Depois de um certo tempo ele me contou que era loucamente apaixonado pela Samantha.
Após ele desabafar muito sobre todas as meninas que ele já havia amado(que seria uma lista muito grande),ele me contou da penúltima.Uma menina chamada Helen que por sinal havia feito muito mal a ele,muito mais que as outras juntas.
O Victor já havia passado por muita coisa e sempre que podia contava para mim,bem eu meio que forçava ele a contar,porque ele não gostava.Depois de um certo tempo ele passou a confiar mais em mim.Nas férias no dia 2 de dezembro daquele ano, foi o aniversario dele,mas infelizmente eu não pude ir.Foi minha apresentação de teatro e no fim não fui.Ele estava fazendo 19 anos,era importante e naquela época,bem naquele dia ele iria pediu uma menina chamada Mille em namoro,mas ele desistiu.Disse que ela não era a pessoa certa e no fim eles nem mesmo ficaram.
O tempo passou e nós ficamos conversando de novo no celular,até que chegou a minha formatura.Ela haveria de acontecer no dia 10 de dezembro daquele ano e foi muito divertido pra mim,bem divertido até certo ponto.A formatura havia sido ótima a melhor que eu já havia visto,mas quando eu fui me despedir do Victor:
- Bem eu acho que isso é um tchau né?
- Acho que sim – Foi então que ele me puxou e me abraçou e disse que ia sentir saudade.
- Eu também irei sentir muita a sua falta,mas existe celular para que,né?
- É – Ele olhou para baixou e depois levantou o olhar.
- Victor,vou sentir muita a sua falta. – Novamente ele me abraçou forte e não soltou.Foi então que eu disse no ouvido dele bem baixinho,o suficiente para que só ele ouvisse:
- Guarda esse anel com a sua vida viu?
- Pode deixar.
Nesse momento,eu sai do abraço dele e olhei nos olhos dele.Por um certo milésimo de segundos achei que havia visto uma lagrima mas não era,eu acho.
O anel,no qual havia comentado com ele,era um anel que eu havia perdido e o Victor havia achado.Ele era muito especial,sempre ficava no meu dedo,mas no ultimo dia de aula eu peguei em torta e ele acabou escorregando do meu dedo,depois o perdi.Na minha formatura ele iria me dar,mas eu dei para ele.Disse que era para guardar com muito cuidado e sempre que visse ela pra se lembrar de mim,e deu certo.
Quando eu cheguei em casa naquele mesmo dia,mandei três mensagens pra ele,uma o chamando,outra falando para ter cuidado na rua,pois já era de noite e a terceira que ia sentir saudade.Ele demorou para responder,mas quando respondeu fiquei até surpresa.Ele havia me mandado mensagens assim.
“Sofia eu só queria que você soubesse que eu te amo muito mesmo.Essa carta que você me deu hoje,foi a melhor carta que já recebi em toda a minha vida.Saiba que eu te amo e amei a carta.Eu sei que dizem que amizade não dura para sempre,mas espero que a nossa dure,porque é a coisa mais linda do mundo.”
Eu li aquilo e fiquei surpresa.Sempre soube que o Victor era muito fofo,mas não esperava todas aquelas palavras dele,não para mim.Eu terminei de ler aquilo eu comecei a chorar.Achei que era tão lindo.
Os dias foram passando e eu em todas as madrugadas falando com ele pelo celular.Então no dia no dia 16 de dezembro a coisa mais estranha do mundo aconteceu.Do nada me minha vinha um pensamento na cabeça,que eu estava começando a gostar do Victor,mas eu bloqueava esse pensamento da minha cabeça porque se isso acontecesse não aconteceria nada,porque ele sempre me veria como amiga.Mas mesmo assim,no dia 16 ele me mandou uma foto com a minha letra inicial junto da dele,dentro de um coração.Foi exatamente naquele momento que eu surtei,eu olhei aquilo achei a coisa mais fofa do mundo,guardei aquilo como se fosse a minha vida por muito tempo.
Ele mandou e disse que era especial,eu agradeci totalmente fria,mas por dentro estava queimando em chamas.Como poderia ser aquilo?Ele havia feito aquela montagem porque gostava de mim?Será que era isso?Será que ele estava tendo o mesmo pensamento e bloqueava isso com medo de eu não sentir o mesmo?Mas mesmo assim,eu ignorei devia ser coisa da minha cabeça.Mas infelizmente ele viajou três dias depois e eu fiquei agonizando a vontade de falar com ele.Se eu não o via tudo bem,ainda aguentava a saudade mas sem falar com ele era pior.
Depois de um certo tempo ele voltou de viagem no ano seguinte e voltou totalmente frio.Nós conversávamos pelo celular,mas ele estava frio ,estava distante,estava estranho.Nós continuamos a conversar,eu sempre animada como sempre e o Victor sempre meio distante,como se eu tivesse feito algum mal para ele.E eu mesma não me lembrava de nada que poderia ter acontecido...
Quando as aulas voltaram eu pensei na minha santa ignorância que nós seriamos inseparáveis.Sabe aquele papo amigos para sempre?Então foi oque eu pensei,mas não.Ele faltou ao primeiro dia e quando foi no segundo nem mesmo me abraçou.Me viu,olhou como se fosse uma doida.(Ta,eu estava vestida como doida.De calças extremamente largas e uma blusa preta colada ao corpo.)Mas mesmo assim,ele me conhecia e sabia como eu era.Extremamente louca e extremamente extrovertida.Nem mesmo um abraço direito me deu.O abraço de Victor era aquele abraço que te envolve,te esquenta,enfim,o melhor abraço de alguém que eu poderia receber,mas aquilo que ele me deu com certeza não foi um abraço desses.Ele me abraçou sem emoção e logo me deu as costas.
Eu fiquei lá,parada no meio do corredor apenas esperando uma reação do meu melhor amigo e não daquela coisa estranha que tinha acabado de me dar o abraço mais seco do mundo e que havia me dado as costas.Meu amigo não faria aquilo.Corri até ele e perguntei:
- Victor esta tudo bem?
- Eu estou normal.
- Não está não.Vai me contar ou irei ter que descobrir?
- Não ira descobrir nada,porque não a nada a ser descoberto.
Dizendo isso ele me deu as costas novamente.Caramba!Ele nunca havia sido tão mal educado comigo assim.Não!Na verdade ele nunca havia sido mal educado comigo.O que será que ele tinha que o deixou tão não sei dizer,tão sem alma assim?Fui para a minha sala que era no final do corredor,assim o vi indo para a dele que era ao lado da minha.Deixei minha bolsa lá dentro e vi uma aluna nova.Então disse:
- Oi.Você é nova?
- Oi sou sim.
Logo que ela disse isso já fui saindo da sala até que a Sarah Tereza me chamou e disse:
- Sofia cumprimenta ela direito.
Eu apenas assenti com a cabeça,e não fiz nada.Não havia ouvido que ela tinha dito.Ela continuou:
- Não ouviu,né? – Ela disse um pouco mais alto.Eu fiz que não com a cabeça e ela continuou – Cumprimenta ela direito.
- Ah,sim.
Fui até a menina e a cumprimentei “direito”.Logo já perguntei seu nome.Ela disse que seu nome era Esther,então disse que o meu era Sofia e sai.
Corri de volta para corredor e lá estava você esperando a porta da sua escola ser aberta.Fui até ele.Ele estava com o skate na mão e com a outra mão apoiado no corrimão então tornei a dizer:
- Não vai me dizer o que está acontecendo?Victor eu te conheço,você não é assim!
- Sou de qualquer jeito...E desde quando alguém liga...
- Eu sempre liguei.Sempre perguntei se você estava bem,se tinha novidades porque é sempre bom perguntar isso...
- Ta bom.Olha eu tenho que entrar...
Dizendo isso a porta da sala dele foi aberta e ele entrou.Sem mais nem menos,ele me deixou olhando para a parede sozinha.Logo virei de costas e entrei na minha,mas antes eu olhei para trás.Realmente algo havia acontecido ao Victor.
No intervalo não tive duvida nenhuma.Ele podia me tratar mal o quanto ele quisesse,eu não ia desistir.Se ele pensava isso estava enganado.Fui até a sala dele,mas no meio do corredor encontrei o Willian.Virei para ele,que era da mesma sala de Victor e perguntei:
- Willian...
- Oi Sofia.
- Willian o Victor esta na sala?
- Está sim.Por que?Quer que eu o chame?
- Não,não eu mesma vou até lá.
Sai andando no corredor bem rápida.Cheguei na porta da sala dele,respirei fundo do lado e entrei como se estivesse procurando alguém.Foi quando eu olhei lá no fundo da sala,bem lá no fundo no canto,lá estava ele,Victor.Mas ele não estava como sempre,em vez de estar sorrindo e batendo um papo super legal com as pessoas da sala,muito pelo contrario.As pessoas olhavam pra ele e comentavam e ele estava de cabeça baixa abraçado com a blusa xadrez.(Um dia eu ainda irei roubar aquela blusa dele.Adoro aquela blusa,mas ele não sabe.)
Cheguei bem devagar perto dele de um modo que ele não percebe-se.Cheguei e falei oi.Ele não escutou.Então puxei um dos fones de ouvido que ele estava usando.Logo em seguida ele levantou o rosto com uma cara de muito bravo.Me olhou feio como nunca havia olhado.
- Oi.
- Oi
- Ta tudo bem?
- Eu já falei!Eu to normal,não aconteceu nada.
- Ta oque aconteceu?
- To falando que não aconteceu nada.
- Olha no meu olhou e diz que não aconteceu nada.
Ele bem que tentou.Olhou dentro do meu olho como se estivesse lendo a minha alma.
- Eu não consigo com você me olhando desse jeito. – Dizendo isso ele soltou um sorrisinho de lado.Isso parecia ganhar na loteria em relação ao humor dele.
- Ta vendo.Ta mentindo.Você uma vez disse que não mentiria para mim nunca.Na verdade você me prometeu.
- Eu nunca te prometi nada disso. – Ele deu uma risadinha.MEU DEUS ELE DEUS UMA RISADINHA.Eu sei que parece que estou exagerando,mas ele sempre sorri.Do nada.Só de olhar para o céu o Victor sorria.
- Vai me fala logo...
- Só estou um pouco chateado.
- Por que?
- Você sabe porque...
- Não sei não..Você tava bem quando a gente se viu na minha formatura ano passado...
- Sim.Eu repeti de ano Sofi.Sabe oque é isso?Eu nunca pensei...Sei lá...To muito mal com isso.Eu to no primeiro ano de novo.Meus amigos foram para o segundo e eu aqui...
- Ai Victor...Não fala assim.
- Eu não estou tão chateado assim porque eu posso fazer a prova de reconcialização...
- Então!Ta vendo.É sua chance de ir pro segundo.Basta dar uma estudadinha básica.
- Mas é difícil...Sei lá...
- Victor,eu já te falei de dislexia.
- Que? – E ele fez uma careta me fazendo rir.
- To vendo que eu nunca te disse nada.
- Não...
- Então,dislexia é algo que prende um pouco seu cérebro do aprendizado.Você tem mais dificuldade.
- Com certeza eu tenho isso.
- Pensa positivo está bem?
- Ta...
Nesse momento o sinal bateu.Nós conversamos ainda um pouco,e logo em seguida tive que ir.Afinal eu tinha aula e ele também.Quando entrei na sala a Esther estava me encarando como sei lá oque.Entrei,me sentei no meu lugar.Terceira carteira da fileira do meio.E comecei a prestar atenção e em como aqueles meninas nojentos novos da minha sala falavam besteira...Estavam todos com má educação com a professora.A professora era a Luciana,super gente boa.E aqueles moleques encapetados enchendo o saco,quase eu levantei e dei um tapa na cara de cada um,mas não sou tão violenta assim.
A aula acabou e percebi que o Victor ainda não havia saído.Corri até a lateral da porta da sala dele e percebi que ainda estava tendo aula.Então como ainda eram 12:10 esperei.Quando foi 12:15 o professor começou a liberar os alunos.Victor foi um dos últimos.Ele levou um susto quando me viu na porta e disse:
- Não estava te esperando aqui.
- Pois é...Eu sou imprevisível sempre te disse isso você nunca acreditou.
- Pois é.
Conforme fomos saindo ele ainda estava bem quieto.Bem chateado.Bem algo sombrio que não parece ser o Victor.Aquele não era ele.Ele era algo divertido,brincava com todos até mesmo com quem ele não conhecia.Ele acabava de conhecer alguém na rua.Ele ia lá e brincava com essa pessoa.Era algo incrível.Era algo reluzente.Não era aquela coisa mórbida que estava ao meu lado.
Chegamos ao portão.Então peguei meu celular e liguei para meu pai.Ele vinha me buscar todos os dias,assim que ligasse ele sai de casa.Enquanto ele não chegava,ficamos conversando.No meio de isso tudo varias pessoas chegavam para cumprimentá-lo e a mim também.Ele sempre dizia que estava bem com a vida,fingia que a vida estava perfeita e quando essas pessoas saiam ele parava de fingir e começava a ficar chateado.Pois então meu pai chegou e comecei a me despedir:
- Tchau Victor.Depois a gente conversa pelo telefone.E um conselho,para de fingir.
- Eu não to fingindo.
- As pessoas chegam você finge que está tudo bem.Para com isso.Esse não é você.
- Olha...
- Olha nada.Para de fingir.
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