Uma Viagem Sem Bênção

1 Capítulo 1 - Eu, Robert e Carl


– Pelo amor do Santo Cristo, moleque! — Gritava um homem gordo, com um uniforme azul e o nome de uma empresa de transporte privado.

– Carl — Olhava para um homem baixinho e muito magro. Sua pele negra destacou seus dentes alvos quando sorriu, ao ouvir o gorducho chamar seu nome — Esse garoto está aqui faz cinco horas! Você sabe quanto tempo esse garoto está aqui? — O homem repetia informações, talvez para que ficasse fixado na mente do ouvinte. Enquanto falava, seu imenso bigode negro balancava para cima e para baixo, freneticamente. Connor acordou, atordoado com os gritos do homem. Esfregou os olhos e percebeu que ainda estava no onibus. Santo Hermes! O motivo da exclamação veio ao olhar pela janela que, como quase todas as outras do ônibus, estavam com rachaduras ou buracos feitos por pedra. Viu um bairro maluco, cheio de movimentação. Graças ao seu TDAH, poderia ver tudo com detalhes: Um casal discutindo brutalmente; findando com o homem batendo forte a porta do carro e saindo, cantando pneu, enquanto a mulher enterrava a face nas mãos e chorava; garotos brincando com uma pequena bola de tênis; três grupos de homens ou adolescentes problemáticos, que eram intimidadores, ocupando as calçadas. Vestiam camisetas de times de basquete com, pelo menos, três números acima do ideal, bonés com aba reta e grandes correntes de aço, combinando com os anéis, que vestiam os dedos.

– Garoto, vá embora do meu ônibus! Você - Cuspia mais do que falava, o "dono" do ônibus agora usava seu dedo indicador para desferir estocadas no peito de Connor, o que o fez despertar imediatamente -...quase nos matou ao se atirar no meio da rua, e agora isso!

Limpando toda a saliva que fora jorrada em seu rosto, Connor levanta do assento e fica a admirar o local através da janela danificada, ignorando o outro. Sua mente estrava trabalhando a mil: Começava a lembrar de tudo: O ataque, a emboscada, o jeito com que se atirou na frente do ônibus e que dormira ali mesmo. Contudo, estava pensando em um jeito de sair dali, e estava imerso em pensamentos, quando o gorducho puxou-lhe para a superfície:

– O quê? Não conhece o lugar? Pois é aqui que irá ficar pelas próximas horas, ou quem sabe dias! – Connor reconheceu a satisfação na voz do homem e, embora não estivesse olhando, sabia que seus olhos brilhavam. O homem gritava o tempo todo. – Você está no Bronx, um bairro de negros, branquelo! – Embora falasse isso, o gordo tinha uma pele clara, levemente amarela e gordurosa.

– Senhor, poderia, por favor, me tirar daqui? – Pela primeira vez Connor fez contato visual com o homem. Conseguiu ver seu crachá, onde estavam impressos sua foto e nome: Robert Lavinsqué. A fotografia mostrava um homem com uma expressão jovem e orgulhosa. Connor sorriu, daquele jeito brincalhão que muito preocupava Quíron.

O sr. Lavinsqué, por outro lado, emitiu um grunhido e olhou para seu amigo Carl, que estava calado e imóvel como uma estátua. Robert fez uma expressão indignada, como se dissesse: O quê esse fedelho acabou de dizer?! Robert era um homem impaciente, que não guardava pensamentos, e deixou isso bem claro: virou-se para o garoto e verbalizou, lenta e ameaçadoramente:

– Fedelho, o que você acabou de dizer?



Notas finais
Terá mais, caso seja bem-aceito :D