Uma Viagem Perfeita

8 Capítulo 8 - Quarto de Hotel


Notas iniciais
Como sempre com pressa =s

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Apolo ergueu o olhar para o elevador logo que abriu. Já eram praticamente dez da noite, e estava começando a preocupar com Artemis, pronto para ligar para ela. Sentiu-se acalmar ao ver os olhos prateados dela. Desde o Louvre que não se viam. Tão pouco a procurou, em troca, indo a um pub, bebendo e depois... bem... transado com uma garota que havia conhecido. Algo em sua mente estalava enquanto beijava a tal mulher que nem se quer o nome lembrava. Tanto que saiu com pressa do motel e voltou para o hotel, tomando um longo banho depois de tudo. Agora, estava deitado em seu sofá, escutando uma música baixa para ver se a sua mente esvaziava. Os pensamentos sobre sua irmã, ele admitia, não saiam de sua cabeça. Quase parecia temeroso por ela. E fora tudo em vão.

Artemis sorriu para ele, para segundos depois estar sentando em seu peito, rindo como uma criança.

- Devo dizer que gostou do dia — sugeriu ele, acompanhando sua risada, ainda que seu peito doesse um pouco por algo que não sabia o que era, a passar os braços acima das pernas dela e quase a abraçar. — Vai me dizer o que aconteceu?

Ela o fitou com incríveis olhos brilhantes que o deixaram sem ar. Ou fosse o peso dela sobre suas costelas.

- George é um doce — ela suspirou, apoiando o cotovelo no encosto do sofá para assim apoiar a cabeça em sua mão, os cabelos negros tocando suavemente o peito dele — Ele é romântico, inteligente e se mostrou um perfeito cavalheiro. O dia foi simplesmente... especial.

Apolo riu de seu sorriso bobo, com uma fisgada em seu coração que fez não gostar de George. Sem raciocinar muito, colocou um cabelo dela atrás da orelha e sorriu para a sua irmã que praticamente brilhava de tão contente,

- Por que não o chama para ir conosco depois de amanha para Veneza, o que acha?

- Você faria isso, Apolo? — sua voz era pasma.

- Claro que faria isso por você. Mas, primeiro quero ter certeza de que ele é um bom partido. Você não sai com qualquer um.

Ela revirou os olhos para depois semicerrá-los.

- Ele é um bom partido. Mas, ei, porque você está no escuro?

O deus de ombros, a mão inconscientemente fazendo desenhos aleatórios na perna dela que estava próximo de si. Arrepiou.

- Gosto do escuro — explicou — E também porque eu estava sentindo muita dor de cabeça.

Aqueles olhos prateados mudaram, da alegria a preocupação.

- Voltou a doer?

- Coisa boba, Artemis, nada que mereça a atenção.

Com suavidade, ela escorregou as mãos apoiadas no sofá para sua face, onde passou a massagear com carinho suas têmporas. Como um cachorrinho domesticado recebendo atenção da dona, ele começou a fechar os olhos, todos os seus músculos desflexionando com aquele contato gelado em sua pele. Por minutos imaginou estar no céu de tão em paz que ficou. Até isto se tornar em algo que ele conhecia muito bem: desejo. Rápido, seus olhos se abriram e deliciou-se com ela curvada sobre seu peito, o rosto não muito longe. Aquele seu lado havia acordado e tomava posse de seu ser enquanto suas mãos subiam ainda mais pela perna de Artemis.

- Apolo... — sua voz sumiu ao fitá-lo. Estavam tão provocadoramente perto que sentiam as respirações em suas bochechas. Os olhos presos, prateado no azul, curiosos, medrosos e, acima disso, com um sentimento do qual ele não pode decodificar. Estava fora de seu alcance, mas outra coisa estava perto. Subindo os dedos pelo braço gelado para seu pescoço, Apolo trouxe a deusa mais a frente, a outra mão aventurando-se mais pela borda de seu vestido. Antes mesmo de ela ter tempo de reclamar, o deus segurava o seu pescoço em um aperto delicado e bruto ao mesmo tempo, os dedos másculos em um agarre de ferro rente ao cabelo da nuca da deusa. Sem esperar, Apolo reagiu como fogo a um combustível, e colou os lábios no pescoço de Artemis — Apolo... — um suspiro seguiu seu nome que o incentivou a continuar. Ele plantou uma mordida na clavícula gelada e com gosto de frutas selvagens e proibida. Apertou ainda mais, seu polegar abaixo do maxilar girando sua cabeça para o lado, a fim de ter maior acesso a aquela parte sensível do seu corpo. Sua mão encontrou a beirada da calcinha da deusa dentro do tubinho. E sem querer, mordeu-a com mais força que o necessário. Mas, ali era fogo puro e latente que o guiava. O seu maior instinto primitivo. As mãos pequenas de Artemis desceram pelo seu peito, inocentemente, sem saber o estrago que lhe causava. Em um só movimento, tinha a deusa sentada no sofá enquanto ajoelhava-se entre suas pernas, a sua frente, seu corpo grande a prendendo contra as almofadas. Mal raciocinando, ele desprendeu os dedos de sua nuca e desceu pelo seu corpo até sua outra perna, aquela garota se arqueando em sua direção, para juntar-se a outra, que erguia cada vez mais o vestido da deusa. Apolo não precisou de apoio para mantê-la ali, dando algumas mordidas a mais seguida de beijos por todo pescoço, o deus ergueu o rosto e roçou os lábios por todo o comprimento da face de Artemis, que, inconsciente de como seu corpo reagia sob aqueles toques, ofegava no ouvido do deus, completamente sem ar. Ela pode sentir o respirar rápido e quente dele contra sua pele, e soube quando ia lhe beijar. E por mais incrível que fosse, ela queria isso. Quando aquela boca entrou em contato com o cantinho da sua, seu coração pareceu querer poder correr ainda mais rápido. Faltava pouco, muito pouco, e ele a teria.

O toque do David Guetta* ecoou no estabelecimento, e os dois, pasmos como se encontravam (ela com o vestido até o quadril, ele sem blusa. Quando isso havia ocorrido?), fitaram-se mutuamente. Eram visíveis os resquícios do desejo mesclado com as cores dos olhos dos deuses. Artemis, ainda presa, tentou respirar, que a fez seus seios se esfregarem de leve em seu peito musculoso, aspirou em troca o forte cheiro dele que a deixava louca, fazendo-a se aquecer em lugares inimagináveis. Igualmente estava agora.

Ele tremeu com o toque.

A entrada de uma nova melodia na música foi o suficiente para puxá-los a realidade.

Com um pulo abrupto, Apolo ergueu-se e apanhou o celular, os olhos em uma deusa que puxava sua roupa para baixo e praticamente corria para o banheiro. Será que não poderiam ligar depois?

- Alo — falou, sua voz soando rouca até a seus ouvidos.

- Está ocupado, Apolo?

Atena.

Encarou o local por onde Artemis havia sumido.

Suspirou.

- Não, pode falar, Atena.

- Tem certeza? Parece ter corrido uma maratona em um minuto.

Ele estava mesmo tão ruim quanto pensava estar?

- É só que eu estava me... exercitando

"E como estava" sua mente safada pensou a recordar o modo como Artemis respirava em seu ouvido. Outra vez, seu corpo aqueceu e teve de colocar a mão sobre o batente da porta para se acalmar, tomando goles e goles de ar gelado que não surgiam efeito algum. Estava simplesmente em chamas.

- Hum... ok. Então, te liguei para perguntar se posso pegar na sua casa aqueles pergaminhos que eu havia pedido-lhe à algum tempo atrás.

- Ah, só avisar as musas e elas lhe entregarão.

- Obrigada, Apolo e bons exercícios para você.

- Boa noite, Atena.

Assim que a deusa da sabedoria desligou, Apolo jogou o celular para o sofá e passou os dedos pelo cabelo loiro. Ate agora sua respiração era descontrolada, e tão pouco sabia o que fazer depois dessa cena ou como fazer seu coração voltar ao normal. A resposta veio junto da ação. Retirando as chinelas, correu e pulou na água gelada da piscina. Finalmente o balde de água fria havia caído e seu calor, esfriado. Enquanto congelava, permitiu-se fechar os olhos e respirar fundo. O que havia feito? Por Hades! Parecia um animal louco e sedento pelo sangue da sua irmã. E como ela havia conseguido levá-lo ao extremo, a beira do seu controle, com tanta facilidade? Seu corpo todo formigava, o local onde aquelas unhas tocaram ardiam de um modo estranhamente delicioso. E o canto da sua boca... Este estava sem explicação. Parecia fogo em seu estado mais puro. Labaredas eram nada ao lado daquela sensação.

Na tentativa de esvair sua mente, o deus afundou na água e no reino de seu tio, procurou calma e paz.

Artemis nem de longe com vergonha do que havia feito, mas sim o fato de desejar mais. Sua mente sabia bem o que desejava. E para uma cabeça de uma puritana, aquelas cenas do que poderiam ter acontecido, estavam vividas e reais demais. Ela deixou a água quente cair em seu rosto. Aquela boca. Aquelas mãos. Aquele corpo. Estavam por toda parte. E seu corpo respondia com tal obediência ao toques imaginários que lhe davam medo. Ofegou ao pensar Apolo sobre si, beijando sua boca, sendo tão ardente quanto fora agora. Por Zeus, de quem eram aqueles pensamentos? Por que eram tão indecentemente deliciosos?

Lembre-se de George, Artemis.

Mas nem mesmo aquele cara de olhos verdes era compatível com aquele calor que subia e a fazia se sentir em chamas. Com um prazer anormal, deslizou os dedos pelo seu ombro até o ponto em seu pescoço que doía e tocou-lhe. Iria ficar uma marca, disto tinha certeza. Um hematoma roxo que foi de uma forma muito gostosa que apareceu. Artemis afogou-se mais na água, que escorria pelo seu corpo e pelo seu cabelo, desejando que sua cabeça parasse de pensar cenas como essa entre si mesma e seu irmão. Por Hades, era seu irmão! Seu lindo e gostoso irmão! Oh, meus deuses! O que ocorria a ela?

Ao ver que não teria mais efeito tentar controlar os pequenos filmes, fechou o registro e passou a se secar com a toalha. Sua pele estava drasticamente sensível, como se cada mini-soprar de vida pudesse ser detectada por seu corpo. Tremeu outra vez, as imagens de Apolo mordendo a sua nuca que secava. Estava com a respiração entrecortada só com tais idéias. Pelo espelho, fitou seu reflexo. Levava o rosto muito corado, os lábios cheios e com três mordidas que ficariam marcadas em seu pescoço. E fora Apolo que fizera isso. Por quê? O que aconteceu? Estavam tão normais. Com pressa, apanhou sua roupa de dormir, vestindo a blusa primeiro e depois, ao passar as pernas pelo short que notou o pequenos arranhões que ele havia deixado ali, sem querer. Droga! Se ficasse mais ainda ali, ficaria muito mais louca que já estava.

O quarto, como sempre, mantinha-se em silencio e somente o som da brisa que adentrava pela fenda da porta de vidro aberto. Seria uma idiota ir por ali e passar na frente do deus, logo o mais correto seria ir pela própria porta de vidro do quarto. A deusa afastou com suavidade a pesada cortina e estancou. Apolo estava na piscina, era visível a ela que conseguia enxergar muito melhor a noite, de costas a ela. Deduziu estar com o queixo entre os braços fortes cruzados na lateral, afundado até o quadril ali, claramente segurando-se a beirada. Como se encontrava, Artemis pode ver bem suas costas. Eram musculosas também, que combinando com os ombros claramente bronzeados e largos alem dos bíceps contraídos rente ao corpo, tornavam-se a mais linda obra de arte. Ele era geometricamente perfeito. Então, com aquela força sobre-humana que havia segurado seu pescoço tão virilmente, o deus impulsionou-se para fora d'água. Foi o tempo suficiente para deusa raciocinar o que se seguiria. A mulher correu para a cama de dossel e enfiou-se debaixo dos coberto bem a tempo de escutar os passos mais pesados dele ao penetrar pela porta de vidro e trancá-la. Artemis escutava tudo muito atentamente, todos os seus sentidos ligados, ansiosos para vê-lo. Com um suspiro, ela escutou, ele andou até o banheiro, hesitando somente a poucos segundos em um lugar que Artemis tinha total certeza de que dava para analisava e depois adentrar o banheiro, a porta a fechar com um clique baixo.

Apolo secava-se, depois de um banho muito demorado e exaustivo. Finalmente, conseguira relaxar. Seus músculos não se esticavam mais e sentia-se fraco, sem... calor. Pensando nisto, vestiu-se do moletom e uma blusa regata branca. Não se importou de deixar seus cabelos molhados e assim mesmo saiu.

Um choque o percorreu ao ver olhos prateados contra o negro do quarto lhe fitando, descarregando algo como uma grande usina e o acendendo outra vez. Nada disseram, nem um movimento, apenas fato de se encararem era o suficiente para isso ocorrer. Valia lembrar que era apenas o segundo dia? E por que tudo estava ocorrendo tão rapidamente? Todas as perguntas foram engolidas pela sua mente no instante em que ela mordeu seus próprios lábios e deu-lhe as costas. Havia algo muito estranho ocorrendo aqui!

E não era somente ele que tinha esta certeza.

Artemis pensava no mesmo, do mesmo modo.

Apolo seguiu seu caminho e deitou-se em seu sofá, apesar do cheiro dela estar misturado ao seu. Com os braços cruzados atrás da cabeça, fitou o teto e dessa vez soube, ela também estaria acordada e repassando a cena. Pois era exatamente isto que ocorria a ele.

Nenhuns dos dois tiveram alguma idéia de como dormiram, mas algo ficou bem explicito: pensaram um no outro.

Era inevitável, uma vez mais.

Notas finais
*Música do David Guetta - Where them girls at.
O que acharam?
Mandee rewis *----*