Uma Viagem Perfeita

4 Capítulo 4 - Confissões


Notas iniciais
Maaiiiis uma capitulo pra voces *----* E desculpe-me a demora =D Boa Leitura

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- Alguma preferência? — perguntou ele, com as mãos nos bolsos, seguindo seus passos.

Ela parecia-lhe uma garotinha, curiosa por cada pub, cafeteria, livraria ou loja que passavam pela ruas.

Artemis sorria timidamente para aquilo, e intimamente, seu peito se esquentou ao ver que a agrava. Amava agradar as pessoas. Ainda mais se fosse a irmã que mais implicava e que tinha tão pouco contanto e com a chance de mudá-lo.

Quem sabe não seria ele a escolher o seu próximo marido?

A cena do quarto lhe voltou a mente, e desviou o olhar dela, concentrado em evitar olhar para sua boca ou seus olhos.

O que era isso?

Ele nunca havia pensado nada assim de sua irmã, tudo bem que já havia notado que era bonita e tinha um caráter mais bonito ainda (tirando negação aos homens), mas reparar isso?

Era ridículo.

Sim, ele estava apenas a analisando para ver o melhor cara para ela, quem ficaria bem ao seu lado.

Era exatamente isso que ocorria.

- Apolo? Escutou algo?

Emergiu dos devaneios com rapidez.

- Hã?

Ela riu dele, e isso não lhe deixou com orgulho ferido, como geralmente ocorre.

Família é assim, temos que aceitar como são.

- Apolo, fique acordado por favor. Eu estava dizendo que podemos jantar perto da torre, o que acha?

Ah, era sobre isso que ela falava.

Ele assentiu distraído com os caras que fitavam sua irmã.

- Acho ótimo — sussurrou fitando um dos homens, não sem deixar de responde-la por isso. Por instinto de irmão mais velho, trançou seus dedos aos dela.

- Apolo! — ela exclamou pasma com aquilo.

Ele deu de ombros e sorriu.

- Você é minha maninha. Isso aqui — ele ergueu as mãos juntas — É uma medida de evitar que caras cantem a minha irmã mais nova.

- Mas... Apolo... eu...

Ele riu dela desta vez, achando fofo o comportamento envergonhado dela.

Ele pensou em fofo?

- Claire, eu sou seu irmão, então relaxa, não sou um homem pegável aos seus olhos. Logo está tudo bem.

Artemis olhou para os lados, um pouco sem graça e assentiu.

- Mas o que os outros irão pensar de nos, Jensen?

- Não me importo com que pensem, desde que você fique em segurança e eu não precise matar ninguém, tudo esta bem. E falando em loucuras, gostei do meu nome, é sexy.

Os dois riram, andando calmamente de mãos dadas pela rua.

Artemis, aos poucos, relaxou com o aperto folgado dos dedos masculinos maiores que os seus e o calor deles. Ela mesma não se reconhecia mais, nem sabia o que fazia e as suas reações eram de uma perfeita estranha. As vezes, como agora, onde devia estar matando Apolo pelo contato, aceitava naturalmente e até gostava por saber que havia alguém confiável. Havia alguém melhor que seu irmão?

Quando um vento frio abateu-se sobre os dois, em pleno campo aberto de fronte a torre magnífica com suas luzes que projetavam um arabesco de imagens na grama, Apolo suavemente passou um braço por sua cintura, aquecendo-a, mesmo que a mesma não precisasse. Artemis tão pouco reclamou, encantada com o monumento disposto a sua frente para notar o braço forte a sua volta.

- Aqui é perfeito — disse para Apolo na hora que passavam perto de um artista que desenhava a torre com tinta óleo. — Tudo tão... nem sei como descrever.

- Que bom que gostou, Claire.

Não fora irônico, pelo contrario, totalmente verdadeiro. De fato era bom ver que a agradava. Ainda mais agora que a Artemis cruel havia dado passagem a uma garota doce e calma que sua irmã antigamente era.

O tempo havia a mudado, e não para melhor, e sim para mais fria. Vê-la outra vez como aquela garota que aprontava com ele era excepcionalmente perfeito. Era assim que ele queria que ela voltasse a ser. Provavelmente um sonho, mas que faria de tudo para se tornar realidade.

Assim que achasse um homem para ela.

Todas as vezes que pensava nisso, tentava ver um jeito de contar-lhe que essa era a proposta inicial. Mas, ao tentar pronunciar, sua mente se esvaia e não fazia a mínima idéia de como converter em um jeito doce e acessível para uma puritana.

Ainda mais em momentos que via os traços da Antiga Artemis.

Haviam duas opções: contar a ela ou deixá-la descobrir um cara legal.

Sim, talvez fosse mais fácil dar em suas mãos as oportunidades de sair para escolher quem desejava. De forma que ficasse menos complicado essa coisa de virgem-para-sempre.

- Vamos jantar aqui — sussurrou ela quase perto de seu ouvido com um sorriso.

Apolo elevou o olhar para o restaurante.

Parecia sofisticado, de amplas janelas e pessoas muito bem vestidas. Emitia "segurança" e a visão era perfeita para a torre alem de não estar muito cheio. Era muito bom, na verdade.

- Ótima escolha, mana — sorriu e passou a guiá-la para o tal lugar.

Não tiveram pressa de chegar lá. A caminhada era boa e, se fechassem os olhos, seriam somente pessoas normais de férias curtindo o jantar entre dois irmãos. Sem preocupações alem de algumas contas e um cachorro que estragasse os sapatos.

Ele quase sorriu com esse seu pensamento.

Artemis não estava tão longe, pensava em como era boa a vida curta de um humano também. A cabeça apoiada contra o ombro de seu irmão. Ela lembrava-se de ficar assim com ele quando mais nova, geralmente sendo protegida pelo deus. As bagunças, as loucuras, tudo que aprontavam.

- Eu era um pequeno demônio — disse ela do nada, rindo.

Poucos segundos e ele seguia sua risada, algumas imagens nas mentes de ambos.

- Aprontamos muito. Tenho dó de papai por ter tido gêmeos tão terrivelmente adoráveis.

- Ei, você era pior do que eu, Jensen. Gostei de te chamar de Jensen.

Apolo revirou os olhos, mas ria.

- Eu nunca fui o pior, Claire. Quem colocou um hamster no sapato da Afrodite?

Ela gargalhou, tanto que chorava, igualmente a ele. Como podiam ter se afastado tanto?

- Você... você se lembra da cara dela de "TEM UM DINOSSAURO NO MEU CARMEM STEFANS"?

- Ah, e como lembro! Se lembra também que ela jogou uma maldição durante duas semanas em mim?

Artemis riu ainda mais, com ele.

- Você ficou aquelas semanas falando coisas fofas!

- Nunca mais pago aquele mico.

Ela pousou uma mão em seu peito, rindo e o fitou.

- Ah, qual é? Admita que foi fofo um Apolo que dizia coisas como "Você está lindo como um pequeno botão de uma rosa" para Ares.

Apolo riu do que ela disse, sem acreditar que a nova Artemis ainda guardava essas histórias. Essas doideras.

- Eu tive sorte que Ares não entrou na moda e não me jogou uma maldição!

- Acho que ele se encantou com suas palavras fofas para ele, Jensen.

Eles pararam a poucos passos do restaurante, rindo-se que mal conseguiam andar até acalmarem-se.

Artemis secou algumas lágrimas que escapuliam de seus olhos, o sorriso agora fixo em seu rosto.

- Isso são coisas inesquecíveis.

- Sem dúvida — concordou ele, com alguns passos em direção ao maitre que já esperava na porta por novos clientes. — Vou deixá-la escolher só hoje o jantar.

Assentindo, ela cruzou seu braço ao dele e deixou-se levar para o calor confortável do ambiente que adentravam.

Eram mesas e mais redondas dispersas no local que ao fundo se via um pequeno espaço mais reservado.

Ela negou na hora. Queria a janela.

- Uma mesa com dois lugares, de preferência perto do vidro, por favor — pediu Apolo polidamente, com um sorriso.

- Claro, senhor...

- Spencell. Jensen Spencell.

O maitre assentiu com um puxar de lábios.

- Sigam-me, Senhor Spencell, tenho um lugar perfeito.

Atravessaram algumas mesas até estarem de frente a uma que ficava quase junta do vidro. Dali, a torre parecia uma fotografia da qual a moldura eram as bordas do vidro.

Apolo, cavalheiramente, puxou-lhe a cadeira, para que sentasse. Artemis as vezes se surpreendia com seu irmão e seu modos.

Ao menos a mamãe havia acertado isso nele. Pois para ser um galinha e festeiro não havia igual.

Ele acomodou-se a sua frente, puxando a cadeira rente de seu corpo antes de abrir o cardápio para passar para ela que sorriu.

- Vou escolher algo gostoso para nós — prometeu, deslizando o olhar dentre as paginas do índice. O maitre esperou sem pressa alguma a garota escolher, postado ao lado da mesa, um bloco em mãos. — Dois spaghetti's com almondegas e este vinho aqui — apontou.

Prontamente, ele anotou e afastou-se com um "excelente escolha".

Apolo fitou seu rosto.

- Desde quando come carne, Claire?

- Acho que desde hoje.

Com um riso, ele fez um sinal de negação notando a chegada do garçom com duas taças até a metade do vinho escolhido.

Eles esperaram o mesmo se afastar, para assim, poderem conversar tranquilamente.

Artemis deliciou-se com um breve gole e fechou os olhos.

- Château Lafite Rothschild 1787 — descreveu — Hum... perfeito e único.

- Talvez eu deixe você escolher mais vezes o nosso jantar — disse ele, pousando sua taça na mesa dando uma risada baixa que fora acompanhada da dela — Se continuar assim, eu posso até te contratar para fazer o meu cardápio diário.

Ela sorriu, negando.

- Sei que você também tem bom gosto, Jensen.

- Tenho, é? — ele a olhou por cima da taça, com um tom divertido.

- Claro que tem — ela piscou — Você é meu irmão, esqueceu?

Ele de fato riu com essas palavras. Sim, aquela antiga Artemis estava ali com ele.

- Você se acha mais do que eu, Claire.

Ela piscou os cílios longos e negros falsamente, como se estivesse magoada com sua fala. Apolo sorriu daquilo.

- Eu? Jensen, sou total e completamente humilde! Como pode dizer algo assim sobre mim?

"Uhum" soou ele com um gole em sua taça, ao mesmo tempo que os pratos chegaram.

O cheiro da massa preencheu o local e a fome deu lugar a diversão.

Estavam tendo uma noite comum e agradável, e isto era estranho para Artemis, só pelo simples fato de estar adorando estar na companhia de um homem que era seu irmão.

E aquilo foi-lhe como um sistema que acabara de acordar depois de tanto tempo, e que a fazia recordar o quanto havia perdido ao se afastar de seu irmão por achá-lo má influencia.

Esteve tão concentrada em seus pensamentos enquanto comia que nem notara que a conversa havia sumido e um clima estranho havia se propagado entre eles.

Aquela simples menção a sua antiga face, sem duvida, era a causa disto. Voltar a ser risonha com Apolo era algo que jamais esperou acontecer de primeira enquanto estivessem nessa viagem e nem de longe poderia dizer que odiava esse seu jeito. Era tão mais leve do que ser uma pessoa fria.

- Hum... Claire — chamou-lhe ele, a fazendo erguer a cabeça, que limpava com um guardanapo a lateral de sua boca — Eu tenho algo a lhe dizer.

Por isso, Artemis não esperava.

Desde quando Apolo tinha algo a dizer?

Ela o viu amassar entre seus dedos fortes o pequeno quadrado de pano.

Estaria ele incomodado com algo?

Artemis supriu a vontade de expressar sua perguntas e fitando seus olhos muito azuis, pediu que continuasse.

Dando um suspiro, ele apoiou as mãos em cima da mesa, inclinando-se fracamente em sua direção.

Sim, algo o agoniava. Mas o que seria?

- Eu não fui totalmente honesto com você — falou em um fio de voz, a vergonha engolindo por completo as suas palavras, mas ainda assim não deixou seus olhos se desviarem dos prateados dela. — Eu... omiti uma parte.

Artemis se moveu de leve, desconfortável em sua cadeira e esperou que ele dissesse tudo.

Ele continuou:

- Olha, antes de me odiar, saiba que estou fazendo tudo isso porque você é a minha irmã favorita e que me preocupo com você. — ele encarou um ponto fixo inexistente atrás de seu ombro. — Sim, essa viagem fora idéia de Afrodite. E... — ele interrompeu uma Artemis pasma com um dedo. — Eu tive de concordar com ela. Nos dois entramos em um consenso e decidimos que você precisa de um homem em sua vida. Alguém que lhe proteja e que cuide de você alem de mim. — Artemis desviou o olhar — Eu não menti quando disse a você que queria uma viagem divertido. Eu realmente quero. Mas, acima de tudo, quero encontrar um homem para você, Artemis. — com suavidade, aqueles dedos longos tocaram sua mão em um afeto de irmãos. Ele estava realmente preocupado, ela notava e não sabiam nem mesmo o que dizer sobre isso. Era surreal! — Então, eu, como seu gêmeo, devo ajudá-la a encontrar alguém que goste de você. Estou me esforçando para achar um homem bom suficiente para você, irmã.

Artemis nunca havia se sentido tão prepotente como agora. Suas palavras, por mais doces que fossem, magoavam.

Saber que talvez ela não tivesse a capacidade de encontrar alguém para si a atormentava. Pior ainda ter seu irmão ajudando.

Um bolo se formou em sua garganta, seu ego ferido, e soube que estava preste a cair em lágrimas por algo tão fútil. Com uma fungada, puxou sua mão debaixo da dele, esfriando ao perder o contato e ergueu-se em seus saltos, visivelmente o deixando pasmo.

- Vocês não tem o direito de escolher as coisas para mim. Se eu quisesse, eu mesmo teria arrumado um. Me dá nojo saber que você aceitou algo assim, irmão. — e sem mais como segurar o choro que queria sair, secou com a ponta dos dedos uma das lágrimas que teimara em cair e saiu, praticamente correndo do restaurante, deixando pra trás um Apolo muito mais do que perplexo, até mesmo... O que era isso em seu peito? Argh, estava tudo indo tão bem, porque havia inventado de abrir sua enorme boca e dizer-lhe tudo? Como era estúpido.

Segurou com as mãos a cabeça, os dedos entre os cabelos e suspirou.

Era tudo o que precisava para sua irmã odiá-lo e não desejar mais vê-lo.

Pronto, tudo havia ido por água abaixo.

Notas finais
Hoje nem vou fazer grandes comentários, estou toda apressada e só vim aqui, fugi da minha mãe, para postar para voces *-----* Beeijos e eu amo voces ^^