Uma Viagem Perfeita

39 Capítulo 36 - Seria... Reconciliação?


Notas iniciais
Sono maldito, sono maldito lálálálálálááá... Vida triste de estudante =s E ainda sem computador.

Logo após o pequeno show de artes que deram, leram livros infantis para elas, fizeram brincadeiras e, por fim, acabaram por cantar mais algumas músicas, com a ajuda deles nas letras. Apolo e Artemis trabalhavam em harmonia, riam e, até mesmo, viam-se se abraçando por algo que fizeram. As crianças os adoravam, sentavam em seus colos e faziam até fila para ajudá-los em algo. Mas, muito mais rápido que os deuses de fato desejavam, o cansaço abatia-se sobre elas. Assim que notaram, Apolo descansou o seu violão em sua perna e Artemis cantou as músicas calmas que saiam do instrumento. Um a um, as crianças dormiam, em seus colchões postos ao chão, lado a lado, alguns com os braços entorno de bichos de pelúcias, outros a segurar mamadeiras das quais a deusa tivera de fazer.

Apolo assistiu tudo, fascinado com ela e encantado com as crianças, e logo que todos estavam em sonhos de princesas e dragões para enfrentar, no mundo fantástico de Morfeu, Artemis acomodou-se ao seu lado, também a encara aquela cena tão cheia de paz. Quatorze anjos dormindo.

Ela o olhou.

– Bom trabalho, não acha?

– Na verdade, acho que deveria ser “ótimo trabalho" — sorriu — Estava eu aqui me perguntando por que os humanos negam algo tão...

– Perfeito e delicado — um sorriso triste — Por muitas causas. Os humanos costumam amar varias e varias pessoas, às vezes os veem como lembranças de quem desejam esquecer. Outras vezes, porque trabalham demais. E outras, por não ter dinheiro.

Curioso, ele a fitou.

– Parece que conhece muito da vida deles.

– Muito mais do que aparento, isto é fato. Já convivi varias vezes com os humanos. Aprendi muitas coisas.

– Quais coisas?

– Que amor, lealdade, confiança estão acima do poder, do dinheiro ou da ambição. Descobri viver todos os dias, um após o outro. — suspirou — Muitas coisas. Eles têm vidas pequenas, mas sabem fazerem valer a pena.

Suavemente, Apolo pousou a mão na dela e encarou os olhos pasmos da deusa.

– Talvez eles sempre estejam mais corretos que nós.

Antes de ela poder responder, uma garota sonolenta e fungando aproximou-se deles. Rápidos, separaram as mãos.

– Tive um pesadelo. — murmurou Amy, carregando o ursinho pela mão e o resto do corpo felpudo a se arrastar no chão. — Não quero voltar para lá.

– Shh, vem cá — com suavidade, Apolo a aninhou em seus braços e sorriu — Nada de mal vai acontecer agora. Eu sou um príncipe e vou te defender, princesa, confia em mim, Alteza?

Secando os pequenos olhos, ela assentiu, apertando-se contra seu peito e fechando os olhos.

– Con... — bocejou — ... fio em você, Príncipe Jensen.

– Isto — muito devagar, a ninou, mas não precisou muito de tempo e ela ressonava com uma mão sobre seu peito. Apolo analisou-a, com amor, aquela pequena criaturinha que acreditava que ele pudesse salvá-la de todo mal existente e sorriu, a delinear o rosto com um dedo. Agora, compreendia o sentimento que Artemis dissera a ele: de ser querido. — Boa Noite, Amor.

Um murmúrio e um leve puxar de sorriso com covinhas foi a sua resposta.

– Ela é linda — sussurrou Artemis em seu ouvido, atrás de si, as mãos em seu ombro.

– Vai ser uma garota forte — sorriu — Outra vez, me pergunto, como deixar de lado essa garota?

– Nem todos têm corações bons, Jensen.

Com aquela frase, que Apolo a assistiu dormir.

Assim como dormiram, uma por uma, foram indo embora, os pais vindo buscar. Todos agradeciam-lhes e iam sumindo pelo corredor trajado roupas de gala, provando a fala de Artemis ao dizer que eles divertiam-se lá em cima.

Ao final, sobraram apenas dois. Um garoto de cabelos quase prateados de tão loiros e com algumas sarnas salpicando o rosto infantil, chamado Marcus, dormia nos braços delicados de Artemis. Esta sorria e o segurava com cuidado exagerado. Mas, Apolo gostou de vê-la assim. A ideia que tivera mais cedo, dela sendo mãe, o agradava. Logo, Marcus se ia e somente Claire sobrava, ainda contra o peito de Apolo.

Artemis suspirou ao seu lado.

– Sempre a ultima, acho que os pais delas são bastante sociáveis.

– Ou então poucos ligam para este anjinho — a verdade era dura, mas continuava a ser a realidade. Muito inesperadamente, Apolo deixou que a pergunta saísse de sua boca. — Você já pensou em ser mãe?

Como se fosse normal, ainda que corasse, Artemis sorriu.

– Sempre penso. — suspirou sonhadora a fitar Amy — Todos os dias.

– E por que ainda não a é?

– Medo, acho. Tenho medo do que possa ocorrer aos meus filhos. Sabe como papai é.

E como sei! Pensou ele, a fitando. Se não fosse por seu pai, daria a ela quantos filhos desejasse.

– Questão de querer. — olhos prateados prenderam-se aos seus — Você abrira mão de tudo por um filho de sangue seu?

– Até mesmo se não o fosse, se fosse adotivo, faria tudo.

– Então — sorriu — tem sua resposta.

Um suave "nock nock" na porta os tirou das promessas não ditas.

– Devem ser os pais de Claire, vou lá abrir.

Apolo a seguiu, um pouco mais atrás e viu quando ela empurrou a porta. Um homem alto de cabelos negros e uma mulher de incrível pele dourada, sorriam, a espera da filha.

– Olá, Claire.

– Como vai, Senhorita Bolton?

Esta sorriu.

– Um pouco cansada e, ah, aqui está meu amorzinho — a Bolton pegou dos braços de Apolo Amy e sorriu com agradecimento nos mesmos olhos que a garotinha levava — Obrigada, aos dois. Tenham uma boa noite.

– Boa noite.

Os irmãos assistiram os Bolton irem embora, abraçados e desfrutando daquele amor.



– Acho que errei ao pensar que eles eram cruéis ao deixar Amy aqui — sussurrou Apolo, um tempo depois, ajudando Artemis com sua bolsa, logo após terem arrumado e organizado tudo, desde brinquedos até mamadeiras. — Apenas precisavam ir à festa.

– Mais uma lição que os humanos nos dão: às vezes temos de abrir mão de algo, para se conseguir outro. Estamos aprendendo.

Artemis sorriu enquanto desligava a luz e trancava a porta, deixando a chave com uma moça que viera busca-la. Esta sorriu para Artemis.

– Irá vir amanha, Senhorita Claire?

– Não sei ainda, Jude, mas prometo tentar.

Jude assentiu.

– Nunca vi alguém para as crianças gostarem tanto. Licença, boa noite — e com isto, também foi embora.



Andaram lado a lado, calados, pensando, recordando e, acima de tudo, notando que nem se quer brigaram ou deixaram um ao outro. Apolo, com as mãos nos bolsos da calça, tinha certeza de que tudo mudaria no outro dia. Ela o odiaria de novo, ela não iria querer vê-lo e fugiria dele. Suspirou. Era meio obvio que era desejar demais que isto continuasse tão bem. Ainda mais depois do que fizera a ela.

Louco para aproveitar aqueles últimos minutos amistosos, tentou ele, puxar conversa.

– Você vai lá todos os dias?

Artemis, segurando com força a alça da bolsa, relaxou e sorriu.

– Quase todos.

– Mas, todas elas já te amam.

– Elas também já amam o príncipe Jensen — ela fitou-o — Foi legal da sua parte ficar por lá.

– Eu poderia denominá-lo como o segundo melhor dia da minha vida. — deu uma risada, a negar com a cabeça — Aquelas crianças são incríveis.

– É olha que é porque você ainda não conheceu o resto.

Ela piscou.

– São quantas?

– Acho que vinte. Vinte três no máximo. — suspirou — As crianças mais perfeitas do mundo.

– De fato, perfeitas. Bem, é aqui que nos separamos.

Apolo parou a frente dela, de costas para seu quarto, sorrindo e analisou os olhos prateados da deusa que sorria. Um pouco tenso, ele deu-lhe um beijo na testa e sorriu.

– Boa noite, Artemis e... Obrigada pelo dia.

Ela deu de ombros, corada.

– Se quiser aparecer por lá mais vezes, agora sabe onde é.

– Ok.

– Boa Noite, Apolo — e sem esperar, deu-lhe um beijo bem ao canto de sua boca — Tenha bons sonhos — assim, praticamente correu e adentrou o quarto.

Apolo sorriu.

Talvez nem tudo esteja tão perdido.

Talvez.