Uma Viagem Perfeita

37 Capítulo 34 - Instintos irracionais.


Notas iniciais
Espero que gostem *risada maléfica*
Como sou movida a música, se quiserem ouvir "I'm Slave 4 you - Britney Spears" tá valendo ADOOOOOOOOOOORO 66']
I'm a slave for you(Eu sou tua escrava)
I cannot hold it(Eu não posso segurar)
I cannot control it(Eu não posso controlar isso)
I'm a slave for you(Eu sou tua escrava)
I won't deny it(Não irei negar)
I'm not trying to hide it(Não estou tentando esconder)
Essa música é SIMPLESMENTE APOOOOOLO *---*

Assim como Afrodite havia previsto, Apolo acordou sem qualquer lembrança da madrugada anterior. O sol já se mostrava quando este, trôpego e com uma terrível dor de cabeça, levantou-se correndo para ir ao banheiro. Depois de beber tanto, era um pouco obvio que a ressaca seria a pior que teria. Mas, ele jamais imaginou que seria daquele modo. Passando muito mal, ajoelhou-se e vomitou dentro do sanitário. Seu corpo se retraiu. Sentia todos os seus músculos doendo enquanto regurgitava toda aquela bebida que aparentemente havia ingerido. Odiou-se por ter caído na tentação de um Absinto.

Com o corpo todo a ficar em pequenas e doídas convulsões, deixou-se bater as costas contra os azulejos frios e respirou fundo.

Pouca coisa recordava da noite anterior. Claro, como poderia esquecer aquela cena perfeita de Artemis só de calcinha e sutiã parada a porta de seu quarto? Se puxasse mais um pouco a linha, conseguia ver em suas memórias ela o fitando, exaurida de emoções, do lado de fora do barco. E o resto, até depois de conversar com Afrodite, era somente um borrão e puff, o final, preto. Nem mesmo sabia como chegara ao quarto!

Decidido de que tomaria um jeito, pelo menos neste dia, pois ficar sem beber era algo que não estava disposto agora que perdera Artemis, batalhou contra a lisa parede para ergue-se, atrapalhando-se durante o trajeto, e, de calça jeans mesmo, adentrou embaixo da água quente do chuveiro.

Por alguns minutos, aproveitou aquela calma e o calor intenso que o recordava tanto o sol.

E outra vez, vomitou.

Todos sorriam um para os outros, os casais de mãos dadas, os irmãos a conversar, abaixo de um conjunto de quatro guarda-sóis afronte das piscinas de águas azuis e cristalinas quando Apolo juntou-se a eles, ainda com dor de cabeça e de um humor péssimo. Sussurrou um bom-dia geral, mas logo sua atenção fora recolhida pelo conjunto de morangos envoltos em chocolate mais perfeitos que já vira. Esfomeado, apanhou sem dó um deles e sentiu o estalar da fruta assim que a apertou no céu da boca. Quase gemeu. Estava maravilhoso. Colocou mais três e mordeu-as.

Isto, achou ele, perfeito, ver o que ocorria-lhe depois. O estomago fraco embrulhou e segurou-se para não passar mal. Logo, o que lhe dera alegria, agora odiava. Apos esse episódio, desistiu de comer e encostou-se na cadeira, uma mão no rosto e com a comida agitando-se dentro de si.

Nunca mais vou beber!

- Apolo! — uma voz fina ecoou como um grito em seu ouvido.

- Droga, fala mais baixo!

Ele massageou as têmporas. Ao seu lado, Afrodite sorria, contente e sem qualquer preocupação.

Nem parece que bebeu, pensou o deus, ressentido só por si mesmo encontrar-se daquele modo.

- Ixi, uma ressaca daquelas? — Apolo assentiu devagar para a pergunta dela. — Aqui, pegue. Tome dois e tudo ficará bem.

Pela primeira vez, aceitava algo de Afrodite. As pílulas se dissolveram em sua água gelada e engoliu tudo de uma vez. Fez uma careta.

- Devia ter me avisado que isso era horrível.

A deusa deu de ombros.

- É remédio, o que você esperava?

- Qualquer outra coisa... Menos, argh, isto.

Um arrastar de cadeira e o leve farfalhar de uma roupa chamou a atenção do deus. Artemis, sentava-se, a sua frente trajando short e uma fina blusa anil da qual deixava a vista um biquíni azul muito escuro, quase negro. Os cabelos em um rabo de cavalo e rosto fechado.

- Você merecia mais do que uma ressaca — intrometeu-se ela, sorrindo falsamente enquanto servia-se de um copo de suco de laranja em uma taça — Dois litros de absinto deveriam ter-lhe deixado de cama por meses e não só por um dia.

A sua esquerda, Afrodite deu uma risadinha.

- Contei a ela o que ocorreu, gato.

Apolo arqueou uma sobrancelha.

- É mesmo? Por que ela iria querer saber, Afrodite? Afinal, por que mesmo que está falando comigo? Você não tinha dito que não queria mais minha presença em sua vida.

Enquanto dizia, Artemis ignorava-o, a degustar um pedaço de waffles. Mastigou, engoliu e limpou a boca antes de dizer:

- E desde quando acha que eu estava preocupada com você? Fui ver Afrodite que entrou em meu quarto, bêbada e dizendo coisa sobre...

- Sobre moda, certo, Artemis? — interrompeu a deusa, o sorriso sempre perfeito um pouco afetado. Apolo, achando aquilo tudo muito suspeito, olhou de uma a outra, alternadas vezes e sorriu. — Só falei coisas sobre moda.

Artemis deu de ombros, indiferente.

- Chata como sempre quando fica bêbada. Ordenou que eu ajudasse um amigo dela e não me deixou dormir até eu fazer isso. Assim que voltei, a linda estava sonhando deitada na minha cama.

Ao menos, eu voltei para meu quarto, pensou ele, escondendo um sorriso que sem duvida deixaria Afrodite fula da vida. Mas, uma coisa não saia de sua mente:

- Que amigo você foi ajudar?

Desta vez, Afrodite riu com gosto e fitou a irmã rosada.

- Um amigo meu com que ela dormiu, por assim dizer.

Apolo engasgou-se com aquela fala. Artemis, sua Artemis, havia dormido com outro cara?

- Estamos falando do mesmo dormir? — questionou, muito pasmo.

Artemis colocou um pedaço de maça na boca, dando de ombros.

- Creio eu que sim, irmão, estamos falando o mesmo que você esta pensando. Foi tudo graças da Afrodite — suspirou — Se ela não tivesse ido para meu quarto, eu jamais teria ficado do lado de fora e beijado o Justin.

Incompreensivelmente, Apolo quis matar quem quer que fosse esse tal de Justin e ao mesmo tempo, queria... Torná-la sua, proclamá-la, como alguém toma posse de algo. Era sua Artemis. Era a mulher que ele amava de quem estavam falando. E havia dormido com outro cara. Subitamente, seu estomago afundou com a realidade. Ela havia escolhido outro! O que ele mais pedira antes, agora, se realizava: que ela o esquecesse. Jamais sentira aquela força tamanha que o assolou com estas palavras. Ele, nada mais era, do que uma página virada dela. Alguém com quem tivera as recordações apagadas.

Não soube quanto ficou sem fala, engolindo aquela dor, a fitar o copo praticamente cheio de suco disposto a sua frente, sem conseguir fazer algo que o deixaria sem ações depois. Quando viu, tinha quebrado o objeto, o liquido alaranjado a escorrer pelos seus dedos, misturando-se ao sangue. Só ai, acordou dos devaneios.

- Merda — gritou com um pulo, levantando-se de uma vez da cadeira. Todos o fitaram. — Droga.

Surpreendentemente, Artemis correu, após erguer-se com pressa de onde estava, e, com os panos do guardanapo, envolver sua palma.

Ela estava... Preocupada?

- Idiota — reclamou enquanto amarrava com força o nó — Vem, vamos ver isso ai.

Sem deixar que ele falasse, ou se quer, que explicasse aos demais deuses que agora os fitavam, atônitos, Artemis o puxou pelo cotovelo sem dó, mas com força, em direção ao corredor do qual desembocava na enfermaria.

- Ei, mãe, você está fazendo uma cena e tanto — zombou o deus, odiando-se por gostar do modo que os cabelos dela roçavam em seu bíceps ou como sua mão era delicada contra seus dedos, neste momento, cortados e a deslizar o liquido rubro.

Artemis suspirou.

- Cala a boca.

- Está de mau humor, é?

Ele sabia que estava a atiçando, queria deixá-la com tantra raiva como se encontrava agora com as imagens inapropriadas de sua irmã e um cara qualquer em uma cama. Seu ciúme puro e latente desejava vingança. Queria ver um traço de ódio naqueles olhos prateados quando dissesse ter dormido com outra pessoa, alem dela.

Assim como preverá, Artemis estacou abruptamente. Os orbes extremamente acinzentados o encararam, nervosos e preocupados.

Preocupados?

- Dá pra para com essa infantilidade, Apolo?

Sarcástico, ele riu.

- Agora, eu sou o infantil? Você me tirou de lá — apontou para onde uma vez encontraram-se e aproximou-se mais dela — como se eu tivesse seis anos de idade, e agora vem me dizer que eu sou o infantil?

A deusa colocou o dedo em seu peito.

Choque elétrico e arrepios.

- Você se machucou e pareceu um masoquista enquanto via que estava sangrando!

- Obrigada, mãe, por isso.

- Você quebrou um copo em sua mão só porque eu falei que dormi com o Justin.

- Calada — socou a parede, que, apos tanto diminuir o espaço pessoal dela, a prendia, o papel de parede branco a tingir-se de vermelho. Nenhum dos dois ligou para aquilo. Com respiração sôfrega e rarefeita pelo ódio da verdade nas palavras pronunciadas, Apolo sentia que estava perdendo o controle. Sentimentos o confundiam, deixava-o vulnerável, e teve medo de machucá-la assim. Via naqueles olhos que tanto amava o pavor que afloreceu por sua situação, a espera de fazer algo imprevisto. — Nunca mais fale dele. — então, sem mais nem menos, o deus segurou-lhe o rosto bruscamente com a mão que não estava machucada e bateu seus lábios com força aos dela. Não sabia o que fazia, só seguia seus instintos que o mandavam pegá-la para si. Sob esta linha de raciocínio que a puxou para cima, fazendo-a enroscar as pernas entorno de sua cintura, e pressionou o seu corpo contra o dela, sem qualquer delicadeza, a mão já apertando sua coxa gelada. Ele sentia-se como o sol, em fortes combustões, puro fogo e, ao mínimo toque daquela língua a enrolar com a sua, em uma guerra, explodia. Toda sua consciência fora ao ralo, só havia ela. Ela e seus arranhões em sua nuca. Ela e seu peito a tocar-lhe. Ela e sua boca a mordê-lo, rude, quase brigando com ele, enquanto devolvia-lhe o beijo. Apolo suspirou. Ela e aquele modo estranho de fazer seu coração pular, de ficar cego por ciúmes e de fazê-lo querer tê-la agora. Subiu, com desejo, as mãos para sua cintura. Artemis arquejou em seu toque, devolvendo-lhe um afundar de unhas em seus ombros. Era a melhor sensação que já sentira. Então, deslizando mais acima, o deus prendeu os dedos aos fios ônix como se fosse sua vida e engoliu um som de prazer dela assim que mordeu seus lábios segundos antes de cobrir sua boca, outra vez, com a dela. Não fora, de modo algum, delicado, amoroso. Era só o que mais ansiava. Logo que perdeu o ar, os pulmões a implorara por oxigênio, puxou os cabelos pretos, deixando-lhe a vista do pescoço, e mordeu, marcando-a como sua, a nuca. Abaixo de si, a deusa contorceu-se. Explorava os músculos, ele sentia aquelas mãos em seu corpo, e arfou ao ter a artéria coberta de beijos, um pouco indelicados.

- Apolo — foi tudo o necessário para ele lembrar-se de quem era, o que havia feito a ela e o que faria. Afastou-a com um puxão e permitiu a ela poucos segundos para se por de pé. Era clara a sua confusão assim que a libertou de suas mãos. Pasmo, com o sangue ardendo e sem qualquer resquício de respiração, deu alguns passos para trás, assistindo-a ter de volta sua consciência. — O que...

- Desculpe, desculpe... Isso não... Isso... Esqueça. Esqueça tudo isso.

Sem esperar pela resposta dela, correu, esbarrando de leve em alguém da qual nem pode saber a identidade, pois outra vez, estava fugindo não só dela, mas de seu futuro.

Mas, por que, seu corpo ainda queria-a tanto?

Artemis caiu, sentada, no chão. Sua boca queimava, literalmente, como se houvesse comido pimenta. Seu coração tocava-lhe a caixa torácica em som audível. Seu sangue bombeava em seus ouvidos. E só o que podia pensar era naquele desejo louco que desconhecia e que passara a sentir quando estava com Apolo.

Apolo.

Ele havia a beijado! Havia a... Ainda boba e lerda, a deusa escorregou os dedos até sua nuca. Pela segunda vez, como se fosse a primeira, sentia aquela dor de uma mordida da qual ficaria uma marca. E desta, adorou a sensação. Seu corpo tremeu só de recordar o modo como ele havia feito-as. Aquela boca quente contra sua pele, seus dentes afundando-se, mordendo-a como uma propriedade.

Podia parecer idiota, mas ela adorara, não, amara ter sido requerida, tomada de posse dele.

Aqueles braços, aquele corpo, aquele... Coração que sentiu bater tão forte quanto em si.

Suspirou.

Amava-o. Mais do que desejava. Queria-o, agora. Uma necessidade animalesca.

E impossível.

De novo, suspirou, desta, mais profundamente, a pedir por ar.

Fazia isto quando viu uma mulher de longos cabelos loiros e cacheados, trajando um leve vestido azulado e com uma das finas sobrancelhas arqueada, fitando-a.

- Se você não me der uma explicação por estar assim e por Apolo ter esbarrado em mim como um louco, vou tirar uma explicação precipitada.

Sorrindo apaixonadamente, Artemis suspirou.

- Pode tirar, porque, você vai estar certa.

Visivelmente, não era isto que a deusa da sabedoria esperava. Atena apontou de um lado a outro, surpresa.

- Você... Você e Apolo... Vocês se...

- Nos beijamos — Artemis anuiu. — Ei, nem vem com esse sorriso.

- Eu não estou com sorriso algum.

- Está sim, pode tirando-o — Artemis mordeu um de seus lábios, o gosto de sol em sua língua e fitou por onde ele havia ido. — Mas, ele fugiu.

- QUE? — Atena gritou, surpresa. Rápido, Artemis agitou as mãos pedindo que ela falasse mais baixo. Assim sucedeu. — Então, você está me dizendo que, Apolo, o deus mais pegador, que não nega beijo a ninguém, fugiu? — Um pouco mais consciente, Artemis anuiu. Atena, é claro, ficou pasma. — Estamos falando do mesmo, Apolo? Tem certeza?

A deusa da caça suspirou, de sangue frio.

- Não sei — lembranças escondidas e abafadas retornavam, devagar, a sua mente. Havia tido uma noite, apesar de estranha e divertida, em um restaurante. Riram das mentiras contadas a Miguel. Beijaram-se assim que se separaram. E, então, como um filme, recordava das palavras que mais doíam, como machucados abertos, ditas por ele.

"Finalmente você compreendeu que eu não preciso de amor. Isso, é para fracos. E então, se me der licença, pois não quero você no meu pé — Apolo andou até a porta do quarto, como se não houvesse quebrado e pisado no coração da deusa que confiara tanto a ele — Deixo o amor para você, irmã. E peço que veja que esse aqui, esse que lhe disse palavras honestas e não cheias de floreios, é o verdadeiro Apolo. Boa Noite, inocente.".

Artemis suspirou, contendo as lágrimas que sempre caiam ao trazer a tona cenas deste péssimo dia. — Não sei, Atena. Não o reconheço mais.

Por fora do assunto, mas, provavelmente percebendo a dor que aquela frase trouxe a deusa da caça, Atena sorriu e ajudou-a a levantar-se do chão.

- Vem, vou te dar algo para fazer.

E assim, saiu a puxando porta a fora.