Uma Viagem Perfeita
36 Capítulo 33 - Down and Smells Like Team Spirit
Notas iniciais
A primeira é "Down - Jason Walker" (se quiser, até leiam a tradução)
A segunda é "Smells Like Team Spirit - Nirvana" (vale o mesmo da música de cima ^^)
Bem... Acho que é isso *dá de ombros* Nos vemos lá embaixo.
Ah, eu aviso quando ouvir as músicas *pisca*
(Escutem "Down — Jason Walker"... Fica linda essa parte com essa música, inclusive a escrevi com ela.)
Apolo simplesmente não conseguia esquecer aquela cena, de Artemis somente de calcinha e sutiã, parada na porta de fronte a sua, os cabelos até mesmo pingando e deixando grossas gotas escorrerem por aquele corpo magnífico, de sua cabeça, e sinceramente, estava deixando-lhe de humor volátil e maldoso. Com um suspiro, ele pulou da cama em que se encontrava deitado para o chão, sabendo bem que de nada adiantaria remoer-se de sentimentos antigos e bagunçou os cabelos de qualquer jeito para arrumá-los. Podia até estar emocionalmente afetado, mas jamais perderia a chance de tentar se divertir naquelas festas no transatlântico. Pensando nisto que apanhou rápido uma blusa de frio dentre as dispostas em seu guarda-roupa. Pegou as chaves sobre a mesa e saiu, deixando a luz ligada para trás.
Frio. Era a única coisa que Apolo pensava enquanto andava calmamente pela parte exterior do enorme navio, as mãos nos bolsos e com o vento gelado marítimo a despentear-lhe os fios loiros. Claro, alem de Artemis. Era um fato que ela jamais sair de sua mente. Seus olhos seguiram o brilho prateado da água causado pela lua, relembrando-se de horas atrás. Em como ela esteve contra si, como seu coração pulara ao vê-la, ou como se sentia tão só. Nunca havia se sentido assim. Suspirou. Aquilo estava estranhamente atormentador para ele. A ultima coisa que lhe faltava era a alegria, e jamais se viu precisando de alguém que o fizesse rir. Mas, não qualquer um, e sim, ela. Precisava de Artemis e isto era um fato que não podia negar nem a si mesmo.
Como poderia esquecê-la?Ela já era parte de si!
Diminuindo o passo para uma inércia, debruçou-se na grade de proteção, avistando muito alem daquele magnífico horizonte em tom azul escuro e deixou que toda a sua mente falasse o que queria. Quem sabe deste modo, um pouco da dor de ser odiado amansasse?
Não, ele sabia, jamais pararia de doer. Ela era seu único amor. Como deus, sabia muito bem que amar a uma pessoa era como tomar-lhe uma parte, que seria para sempre. Quantas vezes ele pensara que havia amado alguém e agora via que só era algo passageiro? Podia ser imortal, mas, como todo humano, um dia sonhara em achar sua alma gêmea. Era bobo e ingênuo, nos primeiros anos de vida, em que imaginara isto.
Mas, jamais, em toda a sua vida, pensara que seria exatamente sua irmã.
Só de recordá-la, seu peito já se contorcia e achou-se um fraco por isso.
Deveria não querer vê-la, nunca mais.
Contudo, por ela, pelas promessas de Afrodite, estava ali, sozinho, encarando um píer sem uma alma viva e muito mais triste do que já esteve algum dia de sua eternidade.
Suspirou, a passar as mãos pelos cabelos.
O que faria? O que faria? Já não podia suportar aquilo. Era por acaso algum tipo de punição por ter quebrado o coração de tantas mulheres humanas?
Se fosse, havia aprendido sua lição. Só queria um... Tranqüilizante.
Como se escutando sua oração, que fora para alguém muito alem do que seu pai era, muito alem do que todos eram, uma garota de longos e acetinados cabelos ônix, trajando um moletom, aparentemente pronta para ir deitar-se, encostou-se, igualmente fazia ele, na rede de proteção do andar inferior.
Artemis.
Como sempre, estava maravilhosa aos olhos do deus. Um pouco sem estilo "arrumado" do dia-a-dia da deusa da caça, mas magnífica em um moletom preto que a fazia fundir-se com a pouca luz existente naquele pedaço do barco. Talvez por isso ambos tenham escolhido o mesmo lugar. Ao menos, esconder-se, era o que Apolo mais desejava.
Silencioso, exatamente como um lobo a espreita da sua caça, Apolo seguiu os movimentos ondulares e constantes que aqueles fios negros faziam a bailar pela mediana brisa da madrugada. Seu rosto estava relaxado e os olhos, fechados. Aproveitava a sensação de liberdade que ele mesmo notava atacar-lhe agora.
Queria tanto poder retirar aquelas palavras. Dizer-lhe a verdade.
E será que ela acreditaria? Fora mais duro com a conversa naquele dia do que realmente desejava ser. Ela tinha tudo para querer que ele fosse ao Tártaro e passasse o dia recebendo chibatadas, sem jamais poder dormir ou morrer para ter seu corpo recuperado. Uma tortura continua e duradoura. Para todo o sempre.
Suspirou outra vez.
Desde que essa dor saia de meu peito!
Não soubera se fora sua inspiração ou algum movimento em que fizera algum barulho, mas, vagarosamente, fitando as laterais, ele assistiu, estupefato, Artemis erguer o olhar e então, o prateado encontrar-se com o dourado.
Apolo não conseguia desviar o olhar, era como ser preso e jamais ter uma saída ou uma chave. Totalmente indefeso. Sentiu-se de alma límpida como água cristalina, fácil de ler, de ver seus medos e seu amor por ela, sob aquele olhar, equivalente a uma criança abaixo o fitar de uma mãe e odiava-se ser tão... Acessível por ela. Fechou as expressões, anulando suas emoções para isso e continuou a fitá-la. Igual havia feito, ela fez. Era uma guerra fria, sem palavras, só aquela mais perigosa ainda troca de olhadelas.
Com um suspiro, Apolo, já a sentir o coração doer, disse-lhe um "boa noite" frio e sem emoção, a puxar para cima seu capuz da blusa e, por fim, fugir dela. Correr para os braços de uma coisa que ele sabia bem que o agüentaria para sempre: Bebidas Alcoólicas. Sim, era exatamente isto que precisava.
E ficar longe dela.
(Escutem a partir daqui, pra entra no clima, Smells Like a Teen Spirit — NIrvana.... Vão compreender ^^)
O ritmo rápido de uma música eletrônica o saudou logo que adentrou a boate que ficava acima de todos os andares. Com suas paredes de vidro, luzes bruxuleantes e som alto, sem contar com a vista de todos os outros pontos do navio, os jovens dançavam, bebiam e beijavam-se. Era exatamente daquilo que mais precisava: voltar a ser jovem! Pondo um sorriso no rosto, andou com passos confiantes até o bar e sentou-se ao lado de uma das mulheres mais lindas que já havia visto. Podia estar amando, mas era impossível negar sua beleza.
Quer dizer, até ver seu rosto assim que uma das luzes cessantes banhou-lhe os traços. Ele assustou-se.
- Oh, Apolo! — gritou Afrodite, dando algumas risadinhas, a virar-se em sua direção. — O que faz aqui?
Hã?
- Eu que te pergunto, o que tá fazendo aqui Afrodite? Ares também veio junto? — procurou o deus da guerra ali por perto — Sabe como ele é ciumento!
Com aquela carinha que provavelmente deu vida a Barbie, Afrodite fez uma careta e sugou um liquido rosa em seu canudinho. Sorriu.
- Vim sozinha, obvio — ela suspirou — Topa ficarmos loucos e bêbados juntos?
Ele riu.
- Certeza?
- Sem dúvida — piscou Afrodite e sorriu para o barman, que bobo, trouxe o mais rápido que pode duas doses de absinto para eles. Com cuidado, ela escorregou os líquidos para frente de cada um. Ergueram e sorriram — Viva a noite — antecedido a um Tim-Tim, viraram de uma vez o conteúdo. Foram caretas e risos.
Demoraram um pouco a se recomporem, mas, assim que o fizeram, gargalharam alto e pediram mais. Seria uma longa noite.
Já passava das quatro da manha, a metade do número de garotas que Apolo havia beijado, quando ambos, a deusa e o deus encostaram-se, trôpegos, na beira do palco. Um grupo cantava as músicas populares, remixadas e levavam todos à loucura. Apolo nem precisava daquele ritmo para estar sem noção. Sua cabeça já rodava um pouco por vontade própria.
E nem tão longe assim estava Afrodite.
- Acho que estou bêbada — sussurrou ela, sorrindo, com os cabelos presos em um coque — Só acho!
O deus riu.
- Eu tenho a certeza!
- Ei, não fui eu que quase vomitei lá atrás.
- Foi apenas o movimento suave do mar.
- Uhum — ela riu — Movimento suave do mar. Chamo isso de excesso de absinto.
Ele revirou os olhos, recordando de algo.
- Cadê seu marido, em, Afrodite? Sem duvida, Ares está...
Antes que pudesse terminar sua frase, um par de mãos o puxou para cima do "palanque". Tonto, apoiou-se no microfone e fitou toda aquela gente. Sua visão tão pouco estava boa. Mas, sua mente, mesmo lenta, associou o que havia ocorrido. Dardejando uma Afrodite sorridente, o deus olhou para o grupo atrás de si. O guitarrista sorriu.
- Que música vai querer cantar? — perguntou, pronto para começar.
Talvez fosse o álcool, talvez a raiva por estar ali, ou talvez pelo fato de estar odiando seu corpo por querer tanto Artemis assim, que sorriu um pouco safado demais, mas que atraiu muita parte da atenção das mulheres.
- Vamos colocar um pouco de rock aqui — murmurou sensualmente no microfone. O pessoal, aos gritos e assobios, concordou. Encorajado, sussurrou para o Guitarrista: — Acabe com tudo com Nirvana. Toca ai, Smells Like Team Spirit.
Aparentemente a adorar a escolha, a banda começou os primeiros acordes.
- Acho que todos conhecem esta — falou o deus, segundos antes de começar a cantar.
"Load up on guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's over bored and self assured
Oh, no, I know a dirty Word"
Sua voz, melodiosa, tornou-se rouca e sexy enquanto deixava que seu lado adolescente de ser ganhasse espaço. Fechou os lhos, como sempre fazia, e seguiu o movimento dos acordes da guitarra. Ao refrão, gritou, junto com todos os outros presentes. Sorriam, as mãos para cima, os seguindo. Todos ali pelo entretenimento e uma noite de loucuras.
- "With the lights out it's less dangerous. Here we are now entertain us. I feel stupid and contagious, Here we are now entertain us. A mulatto, an albino, a mosquito, my libido" — ajoelhou-se a frente e balançou a cabeça, ainda a cantar. Sentia-se mais livre do que estivera em meses. Parecia até ter encontrado novamente a música em sua vida. Ou talvez, continuasse a ser o álcool. Ao final, fitou a todos e sorriu. Foi como se uma multidão gritasse bem em seu ouvido. Todos, como ele, bêbados, felizes por cantarem. — Mereço mais uma música?
Um coral de "sim", pediu que continuasse.
Apolo jamais recordaria quantas músicas cantara, ou quantas vezes virara alguma bebida entre uma e outra. Pois, a partir dos acordes da segunda música, parou de arquivar em sua mente e a ultima coisa que soube era que fora levado ao seu quarto, o sol já a pino, carregado e quase inconsciente.
Mas, em tanto tempo, dormira tão bem. Sem sentimentos, sem sonhos, somente a escuridão.
Somente com o espírito jovem em seu ápice.
(Voltem a escutar "Down — Jason Walker"... Parte marah com essa música)
Como Artemis mesmo havia visto, Apolo estava tão bêbado que até nomes trocara. Odiava admitir, mas aquela dor de vê-lo daquele jeito forçá-la a fazer o que fizera. Para sua raiva, ser pequena era a pior coisa que poderia ocorrer para segurar um corpo tão grande como aquele. Segurara-o por toda a viagem de algum modo que lhe era desconhecido, contudo, por fim, conseguira-o jogar na cama e agora, retirava-lhe os tênis.
- Idiota — foi o que disse, ao jogar o par no chão e seguir para a blusa dele. — Por que fez isso consigo mesmo, estúpido? — um murmura incompreensível fora sua resposta. Sem querer, sua mão esbarrou no peito dele, fingiu ignorar. Mas, não conseguiu quando ele esteve seminu, só com a calça jeans, adormecido e com aquela carinha de criança que ela tanto amava. Um pouco temerosa, a olhar de vez em quando para ele, a fim de ter a certificar-se de que não acordaria, que descansou seus dedos gelados e macios na pele quente e bronzeada de seu dorso. Apolo suspirou e ela tomou aquilo como algo bom. O coração a mil, de mãos trementes, delineou as voltas que seus músculos perfeitos faziam, a receber batidas incoerentes do peito dele.
Sabia que era ridículo aquilo que fazia, ainda mais por aproveitar-se de um bêbado. Mas, aquela possibilidade de poder tocá-lo só mais uma vez antes de tudo acabar-se ganhara qualquer idéia racional que sua mente havia proposto.
Pensando nisto e naquele tempo exilado dele, viu a si mesma com a testa no ombro forte de seu irmão, abraçando-o, as lágrimas a escorrer silenciosa e discretamente pela sua face. Outra vez, sabia que ele jamais recordaria aquele seu toque. E aquilo a fez fechar os olhos e intensificar os braços ao seu redor. Agora, soluços um pouco audíveis escapavam de seus lábios, impossíveis de serem controlados. Como viveria sem ele? Era algo tão remotamente... Impossível. Desejava mais do que sua própria imortalidade te-lo ao seu lado.
Se ele a amasse...
Um remexer e um braço ao seu redor, fê-la congelar. Muito vagarosamente, afastou-se e o que viu quase a matou.
Olhos dourado muito vivo, mas um pouco enevoados por álcool, fitavam-lhe com um misto de triste e alegria. De fato, ele não dormira.
- Artemis? — murmurou com voz grogue, com uma mão a escovar-lhe os fios ônix. — Por que está chorando?
Por você, quis responder.
- Nada, — secou os sulcos ao rosto e sorriu — Nada. Pode voltar a dormir.
Ele a ignorou, seu dedo a passar pelos lábios inferior dela. Respiração falha.
- Eu sou um idiota por perder uma mulher tão linda como você. Eu tinha seu amor, sua alegria, este sorriso. — suspirou — E perdi tudo.
Lágrimas encheram os olhos da deusa.
- Você está bêbado, Apolo — dedicou-lhe um sorriso — Está dizendo loucuras.
- Artemis, eu...
Ela colou um dedo em sua boca.
- Shh, vai dormir. Você terá uma grande viagem de volta para casa. Precisa estar descansado — pigarreou por causa do bolo em sua garganta — para agüentar.
Para sua surpresa, ele pegou sua mão e colocou a mão sobre seu peito.
- E seu eu quiser ficar? Aqui? Com você.
Palavras a machucaram. Paciente, retirou a mão debaixo da dele e sorriu.
- Nossa família adoraria tê-lo de volta, Apolo.
- Estou falando de você. Artemis, eu...
- Apolo, você já sabe a resposta.
Apos essa, ela sabia que ele não argumentaria mais. E fora assim que sucedeu, um pouco pensativo, soltou-a e virou-se de lado. Sem dizer nada, ele adormeceu como em um passe de mágica, agora a esquecer o que dissera.
E Artemis, que sempre lembraria, chorou, sentada ao seu lado, triste.
Como sua vida poderia ser pior?
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Nota:
Zeus é um verdadeiro FILHO DA PUTA! Até eu tenho raiva dele, mas vai ter sua vingança MUUUAAAHHAAAA *--* E vai ser pelas mãos de Afrodite ^^
Ps: Cantar "Hawaiian Roller Coaster Ride — Lilo e Stich" (amo trilhas sonoras, já disse isso?) é praticamente impossível... Serio mesmo, to apanhando aqui AUHSUAHSAUHSHUA
Ps²: Ganhei adoráveis HeadPhones dos meus irmãos... São enormes, com a arte branca e o acolchoado preto com uma estrela rosa na parte exterior. São perfeitos e ótimos para eu que desligo do mundo ao ouvir minhas Trilhas Sonoras (um hobbie) quando estou por ai *-----* Amo ganhar presentes AUSHAUSHASU ^^
Ok, vou indo e assistam "A Beira do Abismo" (muito bom)
Kisses *-------------*
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