Uma Viagem Perfeita
3 Capítulo 3 - Estranhas Sensações e Chocolates
Notas iniciais
Artemis ficou espantada com a beleza do quarto ao ver as portas de ferro do elevador se abrirem para uma pequena sala de estar onde dois grandes sofás ficavam perpendicularmente um ao outro, com uma mesa pequena de vidro ao meio, tudo isso sobre um tapete persa que parecia extremamente fofo.
As paredes eram de um tom límpido de branco e os espelhos de decoração em molduras pretas contrastavam muito, de uma forma bonita.
Contrário ao elevador, havia uma enorme janela que dava a sacada, como pode notar pela porta de vidro aberta com uma brisa noturna suave adentrando o local.
Artemis tocou de leve a mesinha de canto ao passar por ela, até chegar ao quarto.
O cômodo era muito contraditório com a pequena sala.
Enquanto uma mostrava modernidade e sofisticação, o outro mostrava delicadeza e luxo em seu maior grau.
As paredes eram de um tom avermelhado, provavelmente papel de parede e alguns desenho em alto relevo em dourado. Ao centro, acima de um tapete fofo em cor cobre, estava uma cama de dossel com incríveis lençóis dourados e muitos travesseiros.
Outra vez mais, havia uma porta de vidro que dava direto a uma sacada, mas estavam cobertas por cortinas pesadas em um tom marro quase dourado, apenas mais fosco.
Artemis deixou sua bolsa cair em cima do colchão enquanto terminava de vistoriar o local.
Haviam também uma escrivaninha, um notebook sobre esta e uma incrível televisão de plasma acoplada a parede. Uma porta fechada deixava bem dito que ali era o banheiro.
Uma vontade superior veio-lhe, e apos tantas horas de viagem (não estava acostumada em andar de avião), o seu desejo era de demorar-se em um banho quente.
Com essa idéia na cabeça que pegou uma muda de roupa em sua bolsa e um roupão (o menor, claro) e entrou no banheiro, trancando a porta atrás de si.
Só ai virou para encarar o local.
Era lindo.
O chão em pastilhas brancas e pretas, que davam a volta em uma banheira considerável grande e iam até a porta do box para o chuveiro moderno. A pia era quadrada e dupla. O vidro tomava grande parte da parede direita e todos os objetos eram visivelmente feitos em porcelana.
Logo depois de olhar tudo, retirou a roupa e entrou debaixo do chuveiro. A água caiu como um tranqüilizador e calmante.
Agora, ali, envolta no vapor, conseguia pensar melhor sem entrar em pane total.
Teria de dormir com seu irmão.
Simples assim. — ela pensou — Mas porque isto não entra em minha mente? Ah, sim, claro, pelo fato dele ser meu irmão gêmeo! Um homem! Ok, talvez fosse nele em quem eu mais devesse confiar, entretanto, isso não se acomodava em meus pensamentos.
Era um homem e ponto final! Como conseguiria?
~~~~**~~~~
Apolo não ficou tão impressionado com o quarto como Artemis havia ficado, mas o achou perfeito para uma festa com tudo que fosse possível contrabandear para dentro do hotel uma vez que era proibido trazer comidas ou bebidas para os perímetros do prédio.
Com um pouco de descaso, jogou a bolsa no sofá, escutando o som de chuveiro que entregava que sua irmã tomava banho, e saiu para a sacada.
O vento estava quase parado, e nem de longe estava quente. Um frio gostoso, sem brisa para torná-lo insuportável.
Apoiou-se no muro, depois de ver que havia uma piscina e cadeiras de sol, fitando a cidade da luz.
Não muito longe, via a torre Eiffel, brilhando e se destacando contra o céu negro da noite estrelada.
Ali em cima, a calma reinava e lá embaixo, era uma confusão. Casais saiam de mãos dadas de algumas cafeterias. Amigos riam ao saírem de um pub. Crianças corriam sob a supervisão dos pais. Era a calma que procurava.
Suspirou.
Aquilo sim era bom e tranqüilizador.
O deus não soube quanto tempo ficou parado, encarando o maior monumento inspirador de idéias sobre a Itália, até escutar o som de passos ao seu lado seguidos de um cheiro amadeirado de floresta e flores selvagens que sabia ser de sua irmã.
- Lindo — murmurou ela, também perdida em pensamentos sobre como a noite estava.E então se virou para ele, com um sorriso.Seu cabelo negro refletia o luar, seus olhos se tornavam estrelas de tão brilhosos e prateados que eram e seu sorriso, pela primeira vez, não mostrava nenhum traço de nojo por estar ao lado de um homem. — Onde vamos jantar? Estou morrendo de fome.
Com essa pergunta que ele desceu o olhar (muito relutantemente, diga-se de passagem) do rosto para o corpo.
E mais uma vez estava se surpreendendo.
Artemis usava um sobretudo branco que marcava sua cintura que Apolo nem havia visto ser tão fina ( do jeito perfeito para se abraçar) e demarcava muito bem suas pernas um pouco grossas e bonitas dentro de meia calça escura. O que mais chamou sua atenção, não foi nem que ela estivesse na casa dos dezoitos agora, nem em como seus seios não eram pequenos, mas sim pelo fato dela estar usando salto alto. Agora, quase batia em seu pescoço.
Esteve seriamente enganado ao pensar que Artemis se vestisse como uma secretária!
Apolo balançou a cabeça e, um pouco perplexo pela irmã estar tão bonita, endereçou-lhe um sorriso cheio de confiança.
-Onde quiser, madame — piscou, dando a volta por ela enquanto andava de costas para o quarto, seus olhos naquela garota que mal parecia com sua irmã. Ok, coisas de minha cabeça. — Só vou tomar um banho, já volto.
Ele não chegou a vê-la assentindo e correu para o banheiro.
~~~~**~~~~
Artemis suspirou, respirando o ar mais quente assim que fechou a porta de vidro para a sacada.
Realmente não ficara surpresa ao notar que Apolo demorava mais em um banho que ela, uma vez que ele sempre fora muito vaidoso. E isso nunca lhe havia parecido chato.
Até agora.
Seu estomago implorava por comida e cada vez mais tinha vontade de puxar Apolo pela gola e levá-lo só de toalha mesmo para o restaurante.
Estava cansada dos roncos, que apanhou na geladeira uma caixa de chocolate.
Desde quando se guarda chocolate na geladeira? — pensou pegando um e o mordendo. Quase gemeu diante de quão delicioso era.
O gosto de cereja ao centro havia tornado o cacau perfeitamente no ponto.
Terminava de comer seu primeiro quando a porta do banheiro se abriu com um clique e Apolo saiu de lá secando o cabelo de qualquer jeito para depois pentear os fios loiros que estavam um pouco grandinhos, mas que ainda caiam bem nele.
Eu pensei que o cabelo de Apolo caiu bem nele?
Artemis franziu o cenho e mordeu outro chocolate ao mesmo tempo que encarava Apolo.
Este vestia uma blusa social branca abaixo de uma blusa de couro que em qualquer outro cara ficaria parecendo ou um motoqueiro, ou um encrenqueiro. Nele, havia ficado... único. A calça jeans, sua companheira fiel, e calçava tênis que parecia mais um sapato social.
Eram bonitos, isso ela podia afirmar.
Seu cabelo dava-lhe um ar de aristocrático e os olhos azuis se destacavam.
Eu notei tudo isso? — ela pensou dando outra mordida.
Nem havia notado, que quando ia comer o ultimo pedaço, Apolo segurara seu punho e roubava o chocolate.
Fora um ato comum, ela sabia. Pessoas costumavam pegar comida um dos outros, mas no instante em que os lábios dele encostaram na pele sensível dos seus dedos, seus olhos fixaram-se nele e não entendeu aquela quentura instantânea acompanhada do formigamento onde sem querer sua língua tocou.
E ela deixou.
Suas palmas abriram ao sentir seu toque, permitindo que desse aquele ultimo pedaço a ele, que apreciasse.
Este estado de transe durou até ela olhar seus olhos azuis e encontrar inocência naquele ato.
Foi o balde de água fria necessário para puxar a mão que ele ainda segurava entre seus dedos quentes contra sua pele fria.
Apolo não era bobo, ela tinha total idéia disso, e o pequeno estado de inocência durou até ver que a deusa, apesar de manter a mão rente ao corpo, não se movia. Algo naqueles olhos azuis se moveram como uma suave onda, tornando-os líquidos e provocativos.
Ela não reconhecia sentimentos, pelo fato de não tê-los sentidos. E nunca odiou tanto isso.
Então, o clima esfriou com o celular de Artemis tocando.
Apolo piscou varias vezes, quase saindo de um transe forte e Artemis poderia jurar ter visto um tom rosado sob o bronzeado de sua maça do rosto. Contudo, com medo do que havia acabado de ocorrer, foi atender a ligação.
Era Thalia, dizendo as novidades e avisando que mais tarde mandaria um e-mail. Provavelmente, a tenente notara a falta de concentração da deusa, mas não deu alarde. Durante toda a conversa, Artemis fitou os dois dedos que ele havia tocado. Por que não paravam de formigar? Ou ao menos de estarem tão quentes? E o que era aquele calorzinho subindo pela sua barriga? Mal chegou a notar quando Thalia, apos um "boa noite, senhora e se divirta", desligara.
- Artemis? — a voz de Apolo soou baixa e constrangida aos seus ouvidos quando lhe chamou e se virou para vê-lo. Estava apoiado na batente da porta do quarto, os braços cruzados contra o peito. Seriamente intimidador para quem não o conhecesse.
Outra vez, sentiu aquele calor estranho e as bochechas queimaram, ganhando uma tonalidade muito vermelha em relação a sua pele alva.
- Aconteceu algo?
Hum... Ele estava preocupado?
- Nada — ela se surpreendeu ao ouvir sua voz calma e estável quando se sentia totalmente ao contrário. Com um suspiro, mostrou o celular segundos depois que o colocou de volta ao bolso — Era apenas a minha tenente com noticias.
- Ah sim, então, vamos?
Ela assentiu e passou por ele.
- Vamos, estou faminta.
Parte era verdade, algo dentro de si mostrava completamente o contrário.
Fome era algo de segundo plano.
Algo vinha primeiro.
E ela não sabia o que era.
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