Uma Viagem Perfeita

32 Capítulo 29 - E é assim que terminamos?


- Você compreendeu o que vai fazer, Apolo? — questionou o deus dos relâmpagos, fitando-o com todo aquele poder obtido através dos anos. Para Apolo, aquilo não poderia ser realidade, deveria ser um pesadelo. Jamais conseguiria o que lhe era provido. E pela primeira vez, quis desistir de tudo, até de sua imortalidade.

O garoto passou os dedos em seus cabelos loiros, a andar de um lado a outro.

- Mas, pai...

- Eu escutei tudo, estava esperando-os chegar. — suspirou — Eu já deveria ter descoberto isto antes. Era meio... Obvio demais. Não acredito a que ponto chegamos. Mas, filho, vai ser necessário.

Jamais!

Os olhos de Apolo acovardaram-se, enchendo-se de algo que nunca sonhou em um dia ocorrer. Devagar, sentiu uma lágrima completamente idiota escorrer pela sua face. Pela primeira vez, sentiu algo comparado ao medo. Uma dor... Excruciante. Aquele sentimento horrível de perda. Simplesmente, não conseguiria aquilo.

- Pai, não...

- Vamos lá, Apolo, vai ser só mais uma.

- NÃO, não vai ser só mais uma. — encarou os orbes azuis por trás daquilo que o cegava — Você ao menos conhece o amor, pai? Sabe o que é se sentir atraído não só fisicamente, mas também emocionalmente?

Segurando com uma força desnecessária, Zeus agarrou o queixo de Apolo e o fitou, profundamente, com algo desconhecido na tempestade dos olhos azuis que si mesmo havia herdado. Se ele já sentira nojo de ter aquele sangue em suas veias, nada era comparado a isto.

- Você — falou calma e lentamente, como se fala com pessoa com problemas mentais — Vai fazer isso. Tem duas opções... Fará o que ordenei ou juro que lhe mandarei para o Tártaro depois de casar sua irmã com o primeiro humano cruel e ridículo que eu ver. Tem sua escolha e vai fazê-la agora. Compreendeu?

Apolo simplesmente não compreendia como chegara ali, em uma situação deplorável, chorando e tendo seu pai o ameaçando. Jamais conseguiria viver com aquilo. Era demais para si mesmo... Só a idéia de um homem tocando Artemis sem o mínimo respeito, fazia seu estomago embrulhar e seu coração doer. Seria egoísmo demais continuar com ela? Ou seria apenas... Amor?

E então compreendeu o que seu pai dizia. Como se o lendo, deu um sorriso sarcástico.

- Mulheres, são brinquedos, meu filho. E aquela lá, sua irmã, perderá a graça um dia. Você poderá dizer o que quiser para mim, mas eu — abaixou o queixo do deus ainda dentre seus polegares — Eu sou você. Eu me vejo em você. Poderá negar o quanto quiser, mas lá no fundo — semicerrou os olhos — Muito lá no fundo, onde guarda seus medos e suas magoas, escuta a verdade em minhas palavras. Assim como eu, você é impulsivo e incontrolável. Agora — encarou os olhos de Apolo com força — Com toda a honestidade que tem, você vai querer ver Artemis magoada depois?

Seu estomago afundou. Tentava convencer-se de que eram blasfêmias jogadas ao vento, táticas. Mas, de algum modo, encontrou-se associando tudo aquilo que havia escutado a atos passados. Sempre se repetia... Era... Igual... Engoliu a seco... Igual o seu pai. Pratico demais. Com um suspiro, apanhou o que parecia ser uma moeda, com tudo em mente, e sumiu do quarto, deixando um deus sozinho.

Um quarto longe, Artemis afofava os travesseiros, já em sua camisola de dormir, quando escutou a porta ser fechada com suavidade, o trinco soltando um estalo baixo. Virou-se sorrindo, finalmente Apolo chegara para ela, poderiam dormir juntos, beijarem-se e... O sorriso da deusa se apagou. Aquele ali, a sua frente, jamais poderia ser Apolo. Nunca havia visto aqueles olhos dourados tão frios ou tão sem piedade. Seu maxilar estava travado e claramente, estava tenso. E ela não soube o que fazer para aquilo... O que havia acontecido?

- Apolo...

Com um suspiro, ele colocou em sua mão um colar que havia dado a ele logo apos estarem juntos. Analisou rapidamente o objeto e, então, encarou-o.

- Está terminado — foram suas palavras. E fora como se uma pedra acertasse-lhe o estomago. Por um momento, pensou que iria desabar, mesmo sem saber o porquê. Mas, mais rápido do que queria, voltou ao seu normal, apesar das lagrimas que se acumulavam em seus olhos. Nunca havia chorado!

- Apolo... O que... Por quê?

Fitando seus olhos, aquelas orbes douradas se escureceram.

- Por que eu estava apenas brincando com você, vendo seus limites, testando sua capacidade de ser boba — deu uma risada rancorosa. — Pensou mesmo que eu mudaria? Em algum segundo acreditou nisto?

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Estava pasma, confusa e, acima de tudo, magoada. Ele só brincara consigo! Só a usara para alcançar objetivos! E por que, mesmo assim, não conseguia acreditar emocionalmente nisto?

- Apolo... Você disse que me...

- Que te amava, isso? — ergueu uma sobrancelha. — Era isto? — fez som de descaso. — Existe alguma frase mais banalizada quanto esta? Qual é, Artemis? Acreditou mesmo que eu disse isto porque eu sou seu príncipe encantado? — encarou os olhos dela — Eu sou algo indomável.

Agora, com raiva, Artemis secou uma lágrima que descia pela sua bochecha.

- Verdade. Você é algo indomável. E sozinho, triste e que procura em outras mulheres o amor que jamais vai ter.

Artemis não soube se acertou o local correto, mas viu o deus dar um sorriso de puro escárnio.

- Finalmente você compreendeu que eu não preciso de amor. Isso, é para fracos. E então, se me der licença, pois não quero você no meu pé — Apolo andou até a porta do quarto, como se não houvesse quebrado e pisado no coração da deusa que confiara tanto a ele — Deixo o amor para você, irmã. E peço que veja que esse aqui, esse que lhe disse palavras honestas e não cheias de floreios, é o verdadeiro Apolo. Boa Noite, inocente.

Ela mal chegou a vê-lo sair pela porta. Estava tão... Nem sabia como definir, mas tão pouco havia chegado a sentir uma dor tão excruciante como aquela. Seu coração se contorcia, seu soluço era alto e a única coisa que conseguia fazer era chorar, sentada no chão, pelo homem que mais amara e que mais a trairá. Se Orion era um ser repugnante, Apolo agora não havia nem mesmo como classificar. Era a pior coisa da sua vida.

Do lado de fora do quarto da deusa, Apolo escutava os soluços dela com um aperto de ferro ao coração. Lágrimas escorriam silenciosamente pelo seu rosto e sentiu-se o pior cara do mundo, ninguém podendo se equiparar consigo. Mas, sabia, fazia aquilo como o melhor para ela. Tê-la longe de si, a protegeria, tornaria-a mais fechada aos sentimentos e não amaria alguém como... Si mesmo: aproveitador, ganancioso e lindo só por fora, como seu pai.

Agachou-se, as mãos nos cabelos loiros, sem saber mais o que fazer. Estava simplesmente perdido, as lágrimas e a dor faziam qualquer pensamento racional se esvair. Queria tanto voltar a aquele quarto, acalentá-la em seus braços, dizer que precisou falar aquilo, que deveria manter-se afastada e a beijaria. Mas, sabia bem que a partir de agora, ela o odiaria com todas as forças do mundo.

Sem perceber, ergueu-se e caminhou, sem vontade alguma, para seu quarto. Igualmente quando saiu, Zeus encontrava-se ali, de pé, perto da porta. Apolo desviou os olhos do pai, sem agüentar ver a realidade do que se tornaria bem ali a sua frente.

- Está feito, quero ficar sozinho. — sua voz saiu tão rouca, que Apolo pensou ser impossível de ser escutada. Mas, Zeus o fez. Com um aceno de aprovação, o deus dos deuses deu-lhe uma suave batida no ombro (que fez Apolo sentir nojo de si mesmo) e ir embora, não sem antes dizer:

- Você fez o certo, filho.

Já com a porta trancada, o deus deitou-se na cama e ligou para alguém que sempre lhe ajudava. Poucos segundos depois, Caroline estirava-se ao seu lado, aqueles braços amigos a sua volta, o puxando para seu colo, as mãos ligeiras a deslizar pelos loiros fios enquanto o deus chorava, como uma criança, como nunca chorara antes na frente de alguém, como se houvesse perdido sua vida quando na verdade, perdera sua alma.

- Eu sou um idiota — sussurrou, a voz rouca, um pouco alterada, mas seu corpo jamais tremia ou se quer soluçava.

- Durma, Apolo — murmurou Caroline de volta, agora o apertando mais forte, aperto que ele aceitou. — Tudo vai dar certo depois.

Ele não chegou a responder que jamais poderia deixar de ser o que era, pois, ali, com aquela ajuda, seus olhos vermelhos finalmente sucumbiram ao sono, fechando-se.

E o ultimo pensamento que ele teve milésimos antes de entrar no reino de Morfeu, fora:

Artemis, foi para o seu melhor

Se Apolo fosse definir a sua vida em um gênero, sem duvida, este seria a tragédia. Nunca vira uma pessoa para se meter em tantas confusões como ele.

Mas, nenhuma fora tão arrasadora quanto o termino com Artemis.

Apolo estava acordado já fazia alguns minutos, seus pensamentos voando e flutuando, sua cabeça doendo por causa de, pela primeira vez em sua imortalidade, ter dormido chorando. Já havia lido sobre isto, mas jamais chegara perto de sentir.

Até agora.

Suspirou.

Ao seu lado, Caroline dormia um sono tranquilo, ainda com uma de suas mãos nos seus cabelos dourados, contudo, visivelmente instável, perceptível ao mínimo movimento que o deus fazia. Apolo não queria acordá-la, havia ajudado-o muito ao ir ali e consolá-lo pelo que era e o que havia feito. Estava em uma divida sem fim com sua melhor amiga. Quem diria ele, se envolvendo muito acima de sexualmente com humanos e chorando por uma mulher. Havia mudado mais do que admitia. E já sabia bem no que se tornaria.

Eu sou você. Eu me vejo em você. Poderá negar o quanto quiser, mas lá no fundo. Muito lá no fundo, onde guarda seus medos e suas magoas, escuta a verdade em minhas palavras.

A voz de Zeus retumbava sua mente, jamais o deixando esquecer-se de quem era ou o que se tornaria.

Mais de mil vezes escutou aquela mesma frase se repetir, como um mantra, impedindo-o de dormir, quando decidiu que não havia outra coisa a se fazer.

Com suavidade, o deus retirou a mão de Caroline de perto de si, vendo-a se mover de leve antes de voltar ao sono, e levantou-se, pouco ligando o fato de ser três da manha, todos estarem dormindo e não ter se quer trocado de roupa. Não dano a mínima que saiu do quarto de fininho, caminhou pela casa escura em silencio e, ao chegar à adega, serviu-se um copo de whisky. Sorveu todo o conteúdo em um só gole e repetiu o ato de encher, o que tornaria uma seqüência.

Não sabia quanto havia tomado, muito menos sabia que horas eram (uma vez que raios solares já tocavam seu rosto), quando uma mulher alta, de cabelos castanhos presos em um coque frouxo e ainda de pijama o encarou, pasma.

- Apolo? — questionou Afrodite, pelo ver, sem acreditar.

Virando mais uma dose pela garganta, ele sorriu com amargura e a fitou.

- Por que a surpresa?

Ela engoliu a seco.

- Porque seus sentimentos estão... — não terminou de falar. — Apolo, o que ocorreu?

Quase transbordou o liquido em seu copo.

- Pergunte a Artemis, ela saberá — tornou tudo e ergueu-se, a bater o copo com suavidade no tampão de vidro do bar. — Agora, se me der licença, tenho mais o que fazer — assim, caminhou para a escada. Encontrava-se no segundo degrau quando se voltou para uma Afrodite pasma e sorriu com tristeza. — Ah, e por favor, Afrodite, nunca mais arrume alguém para que eu ame. Se você quer acabar com a vida de alguém, acabe com a sua.

E então, voltou a subir para seu quarto.

Afrodite estava simplesmente sem ação. O que Apolo fizera? O que ocorrera? Ele esteve tão feliz para ela ontem. Olhos brilhantes e sorrisos bobos a Artemis. O que havia acontecido?

As perguntas fervilhavam em sua mente e com um ímpeto, logo depois de Apolo ter adentrado e fechado a porta do seu quarto, Afrodite fez-se de intrusa ao quarto da sua irmã. De varias coisas que pensara, jamais lhe ocorrerá de encontrar aquilo para uma deusa tão organizada. Alguns travesseiros estavam jogados ao chão, sua roupa estava ao chão e ate mesmo uma coberta caia pelo canto da cama. Mas, o que mais lhe surpreendeu fora a dona daquele quarto.

Entre fofos e grossos cobertores, Artemis dormia, encolhida de lado, os cabelos negros de qualquer jeito, sem qualquer trança, e o rosto visivelmente avermelhado, com olheiras profundas que denunciava que chorara antes de cair no sono.

O coração da deusa do amor afundou.

O que fizera de errado?

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Notas da Chata Aqui:

Heello, people, apareci. Pois é, ZEUS FDP u.u Estou com tanta dó de Artemis.

Vocês pensaram que era o ultimo capitulo? Foi mal SAHAUSHAUSUAHS É que só esse nome daria para ficar legal.

Enfim...Esse capitulo foi para Nicole-Bieber, uma grande amiga minha aqui no Nyah e sempre me ajudou muito, que fez aniversário dia 03-02. *--------------*

FELIZ ANIVERSARIO ATRASADO, Nicoleeeee *---*