Uma Viagem Perfeita
33 Capítulo 30 - Separados.
Apolo saiu do banheiro, já vestido, e não encontrou Caroline dormindo, como deixara. Sobre as cobertas que dividiram durante a noite (ou parte dela, para o deus), um cartão branco e simples pousava. Secando o cabelo com a toalha com uma mão, apanhou-a e a abriu.
"Desculpe por não ter dito adeus, mas tive de ir por causa do jatinho marcado as sete da manha que eu jamais poderia perder. Você estava ao banho e não quis interrompe-lo. Mas, deixei ai uma passagem, você verá para onde ela é ao lê-la, se quiser se afastar por um tempo de todos, o local é a sua cara. Sei como é essa situação e sei como a única coisa que desejamos é paz. Bem, qualquer coisa me ligue. Sempre que precisar, estou aqui. Melhoras e acredite: tudo vai dar certo, Jensen.
Com preocupação e carinho,
Caroline."
Ergueu o olhar do papel entre seus dedos e fitou a passagem que esteve ao lado da carta. Curioso, a apanhou e leu o local. Quase sorriu, estava sem humor para isso, mas realmente agradeceu a aquilo.
Sem pensar duas vezes, colocou as passagens no bolso junto do passaporte, jogou todas as roupas possíveis dentro de uma mala, escreveu uma carta rápida para Hera (e indiretamente, para Artemis), apanhou a chave de sua Ferrari sobre o balcão e, com rapidez, desceu as escadas em direção a garagem, deixando no caminho o envelope endereçado à deusa do casamento sobre o balcão da cozinha. Já ia embora no instante que se deparou com algo que o fez parar. Em cima do sofá, jogado ao canto, o local onde haviam deixado desde a ultima vez que assistiram TV, estava a embarcação de Veneza de pelúcia. Sem perceber o que fazia, apanhou o objeto e correu para a garagem. Acostumado com aquilo, depositou a bolsa no banco do acompanhante, logo que passou pelo carro, e foi abrir a porta da garagem.
Não fez barulho algum alem do som do carro ronronando e, então, se viu indo pela praia vazia em direção para o aeroporto. Para sua... Paz.
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Artemis descia os últimos degraus quando viu Hera, encostada ao batente da porta, só de pijamas, lendo algo que estava em sua mão. Pouca importância deu aquilo. Devia ser jornal, era o que pensava. Estava sem humor e não queria brincar com sua mente de "descubra".
Com um suspiro, parou ao lado de sua mãe, triste por não tê-la, pois jamais poderia contar para ela. Estava sozinha nessa.
Ou o mais sozinha possível até Apolo descer, pensou.
- O que é isso? — questionou para Hera, desinteressada.
O cenho da deusa do casamento franziu e entregou a carta para Artemis, parecendo um pouco desconcertada.
- Apolo deixou para mim.
E aquele nome foi o suficiente para toda a vontade do mundo volta. Seu coração pulou. Com avidez, abriu a carta.
"Bom dia, mãe.
Não tenho muito o que dizer, já estou arrependido por isso, mas, estava cansado, precisava de tempo. Exatamente por isso que estou indo por ai, para um lugar qualquer, só para pensar. Assim que tiver tudo sob controle voltarei, provavelmente mudado. Não me procurem, estarei bem. Sumirei por quanto tempo for preciso. Acho que é só. Boas ferias e faça o que quiser com a casa.
Apolo."
Quanto tempo for necessário? Ela repassou em sua mente, lendo outra e outra vez. Sentia que aquela carta era mais para si do que para Hera, mas jamais teria certeza. Não conhecia o verdadeiro Apolo.
Só com essa recordação, seus olhos se encheram de lágrimas e teve de olhar para o teto afim de não chorar, ainda que uma ou outra escorregasse. Respirou fundo por um bom tempo e então, assim que teve suas emoções um pouco controladas, rasgou a carta, jogou-a no lixo e, por fim, voltou a seu quarto.
Não chorou, não teve qualquer reação.
E mesmo que sua mente a relembrasse de tudo o que ele havia lhe dito, seu coração ainda tinha aquela tola esperança de que ele ainda a amasse, que houvesse algo por trás daquelas palavras por ele proferidas.
É... A esperança é mesmo um demônio.
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Naquele dia, Artemis manteve-se a todo o momento em ação, impedindo que sua mente viajasse até um certo deus. Estava exausta quando a noite caiu. E mesmo sendo discreta, todos notaram aquela mudança súbita da deusa, ainda mais no instante em que se retirou para o quarto. Evitou perguntas e, logo que pode, fugiu de tudo e todos, ao seu refugio "feliz".
Só assim, podendo, finalmente chorar no conforto de sua cama, abraçada a um dos ursinhos ganhos de Apolo. Ainda que quisesse odiá-lo, tentava fazer isso, mas seu coração a impedia. Sentia mais falta dele do que jamais havia pensado. E lhe doía ver que estava totalmente sozinha agora.
E que ele também não me ama, pensou ela, as lágrimas a escorrer pelo rosto gelado da brisa marítima que vinha da porta da varanda, aberta. Com muita raiva de si mesma, por ser uma tola, escondeu-se em seus cobertores e esperou, até cair em um sono.
O sono mais profundo que tivera e mais conturbado.
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A água azulada espelhava a lua prateada com seus fios tecendo toda a costa leste do mar Egeu pintava o rosto cansado de um deus. Havia muito que ele se encontrava ali, a pensar em tudo, em todos seus atos, mas, principalmente nela.
Artemis.
A única que de fato amara.
E a única que doera deixar.
Suspirou, a fitar toda aquela extensão escura que se estendia muito alem do horizonte salpicado de estrelas. Aquilo só o fazia lembrar-se mais ainda da deusa. Com tristeza, abaixou a cabeça para as mãos, os cotovelos apoiados em seus joelhos, sentado na parte exterior da casa alugada que conseguira logo apos desembarcar na Grécia.
Por que doía tanto aquilo? Tudo poderia ser tão simples. Sem ser necessário que se separassem.
Contudo, sabia em seu âmago que era sua culpa.
Sua culpa por ser quem era e no que se tornaria.
Estava tenso, cansado, depressivo e sentia-se como se uma parte sua houvesse sido arranca. E isso era tão completamente... Dramático. Mas, só era assim que conseguia expressar-se. Frustrava-lhe ficar assim.
Jamais voltaria a ser quem fora um dia. Muitas atitudes o mudaram. Seu caráter havia sido moldado de outra forma, e não sabia o que fazer. Pois, aquela que fizera isso, agora, encontrava-se a mais de dois mil quilômetros de distancia.
Dando um suspiro forte, ergueu-se, os olhos na lua por poucos segundos rápidos, entretanto cheio de significados, e caminhou de volta a casa, pelo caminho de pedras que cercavam a residência. Em ligeiros passos, encontrava-se abrindo a porta e, por fim, adentrava, com uma ultima olhada para fora, para tudo. Mais forte do que desejava, a porta estalou, selando todas as memórias e dores do lado de dentro, sufocando Apolo.
Que ela me odeie, pensou com raiva, já a procura de seu melhor amigo: o whisky. Outra vez, como fez durante todo o dia, serviu-se um copo bem farto, então, com a sua bebida em mãos, voltou-se para o sofá, com a garrafa entre seus dedos, sentou-se sobre as macias almofadas de couro e solveu tudo em um gole. Foram quatro deste modo, sem pensar muito, desejando mais que tudo que aquela dor acabasse, quando vislumbrou a gôndola de pelúcia acima da mesa central de mogno. Viu-se apanhando e o apertando na mão. O coração aqueceu-se com aquela simples lembrança de Veneza. E quase voltou a quebrar um copo. De novo, engoliu o liquido âmbar com rapidez, e mais uma, mais uma, mais uma... Tantas que perdera toda e qualquer linha de pensamento.
Só teve uma certeza no momento em que seu corpo debilitou-se:
Seu um mês planejado de exílio jamais seriam o suficiente para esquecê-la.
Temia jamais ser possível.
Ela era tudo o que mais queria, e o que menos podia ter.
E nada permitiria seu coração de apagá-la.
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Notas:
Quem consegue acreditar que nesse meu projeto eu chegaria a 300 rewis? *------------------* Pois é, CHEGAMOS LÁ! MUIIIIITO MUIIIIITO OBRIGADA MEEEEEEEEEEEEEEEEESMO por me darem a chance ^^ Agradeço muuuuuuuuuuuuito a todos vocês por isso. ^^
Por isso, capítulo duplo (outra vez) ^^
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