Uma Viagem Perfeita
31 Capítulo 28 - Restaurante e... PAPAI?!
O restaurante escolhido a dedo era o, Good Harvest Cafe. Não extremamente sofisticado para jantares especiais, mas muito confortável e de excelente comida. Muitos que ali iam, eram casais ou crianças. E quando Apolo desceu, de mãos dadas a Caroline, sentiu-se um pouco deslocado. Estavam arrumados demais para um local como aquele. Crianças passaram correndo ao lado deles assim que entraram no local, chamando atenção de alguns (quase todos) clientes, e pararam perto do balcão.
Jamais seria o lugar aquele que um homem rico iria levar, ainda mais no primeiro encontro.
E Apolo viu nos olhos azuis-piscina de Caroline se passar a mesma idéia.
– Tem certeza de que estamos no lugar certo? — questionou baixo para ele, que também acabara de ocorrer o mesmo pensamento. Teria Afrodite se enganado quando queria tanto que os dois ficassem juntos?
Apolo negou, calmamente, fitando o local cheio de cadeiras largas de couro e mesas presas ao chão, entre elas.
– Tem que ser...
Antes que pudesse terminar, um moço, de fato jovem, sorriu para os dois e os analisou.
– Estão com o Sir. Princeton? — indagou este, guardando dentro de um dos bolsos, uma caderneta par anotar pedidos.
Sir Princeton? Quem seria esse?
Apolo franziu a testa, mas Caroline tomou à dianteira, aproximando-se e jogando todo o charme que tinha para o jovem, que engasgou, tossido ante mulher tão bonita.
– Sim, estávamos esperando por ele, mas vejo que já chegou. — ela fitou os lados, como se o procurasse pela multidão. Com um suspiro, de rosto "cansado”, encarou o garoto. — Poderia nos levar até ele? Ele não está sentado onde pensávamos que tivesse.
O garçom engoliu a seco mais uma vez e deixou os olhos castanhos caírem em Apolo, distraído como estava, segurando de leve os dedos de Caroline. Com um aceno positivo, o jovem se arrumou e sorriu, indicando uma porta lateral.
– Sigam-me, vou levá-los até Sir. Princeton — e assim, os encaminhou para um corredor mais fechado, muito escuro e levemente abafado. Cheirava a rosas apesar da aparência macabra, e logo apos desceram algumas escadas, eles compreenderam o porquê.
Abaixo do térreo, no subterrâneo, se encontrava um dos mais bonitos salões que Apolo já vira. Com muitos detalhes em ouro, as paredes brancas resplandeciam; as mesas cobertas por panos de alta costura; cadeira em estilo colonial preenchia suas laterais; piso de madeira negra e um patamar, onde um piano de cauda era tocado por um pianista magricelo e talentoso. Casais muito bem vestidos se disponham pelo local, conversando baixo e sorrindo, como todos os ricos faziam. Mas, o que sem duvida lhe chamara mais a atenção, fora que ao alto, uns três metros, um enorme candelabro pendia, refulgindo as cores do arco-íris quando as luzes lhe tocavam.
Viram todo esse glamour escondido muito rapidamente, ainda a seguir o jovem, até que pararam.
E lá estava Artemis. Apolo nunca a vira tão bonita e ao mesmo tempo tão triste. Uma dor lhe apertou ao coração. Jamais gostava de vê-la nem meramente perto de emburrada. Odiava isto. Foi então que ela o viu. Aqueles olhos de tão cinza que eram, ganhavam uma tonalidade de cinza, aqueceram-se e sorriram para ele antes mesmo de estarem totalmente parados a frente do casal.
Uma puxada em sua mão, a força delicada de Caroline, tirou o deus da sua nevoa de cabelos negros presos em um coque e vestindo um elegante vestido prateado, algo que só resplandecia ainda mais sua beleza. Apolo não poderia ficar babando por Artemis assim. Seria muito na cara. Então, dando uma leve piscada para a deusa da caça, ele sorriu e tomou a frente.
– Se me derem licença — disse o garçom, se retirando. Agora, era com eles.
– Irmã? — Apolo fingiu descrença, atuando. Só agora, Artemis deu alarde de que de fato o vira. — Meu deus, é você mesmo, Claire?
O homem que a acompanhava, devia ser dois anos mais velhos que o deus, de sorriso bem cuidado e traços muito aristocráticos, trajando um smoking, ergueu uma das sobrancelhas negras como o cabelo liso cortando rente a cabeça. Seria ele um militar?
Uma ótima atriz, Artemis levantou-se com graciosidade e sorriu, como se estivesse surpresa.
– Oh, quanto tempo não te vejo irmão, como você está? — abraçou-o — Obrigada por vir — murmurou em seu ouvido, aquele cheiro o deixando de coração aos pulos e o soltou. — O que faz aqui?
Ainda muito feliz de ela ter-lhe agradecido e por estar com ela outra vez, Apolo sorriu e puxou para mais perto, Caroline, a segunda atriz desse grupo.
– Vim trazer minha namorada aqui. Caroline, está é minha irmã gêmea, Claire. Claire, está é Caroline — ambas disseram um "prazer conhecê-la" com extrema facilidade para quem ele pensava que se odiavam e Caroline se abrigou em seu braço, fingindo estar perdidamente apaixonada — E o que a traz aqui, irmã?
Artemis sorriu e revirou os olhos, rindo de leve. Logo, virava-se e pegava a mão do homem que a acompanhava.
– Miguel, este é meu irmão, Jensen. Jensen, este é Miguel
O homem sorriu e apertou com firmeza a mão estendida de Apolo.
– Uma linda mulher sua irmã, Sir Spencell. — disse Miguel, polidamente.
Querendo deixá-lo mais a vontade, Apolo piscou.
– Chame-me de Jensen apenas, Sir. Princeton.
E viu como conseguira sua confiança.
– Vale o mesmo, chame somente de Miguel.
Com um sorriso, Apolo assentiu com alegria calma e controlada. E agora, Caroline tomava a frente, depois de estar "conversando" futilidades com Artemis, ou pelo menos era a mensagem que queriam passar. Dando uma suave risada sensual, Caroline descansou a mão sobre o ombro esguio de Artemis.
– Jensen havia me dito a quão divertida era. Ele estava com muita saudade — fez uma mascara de surpresa. — Hum... Importariam-se que eu e Jensen jantássemos com vocês dois? Seria um prazer conhecê-la mais, Claire e aposto como Jensen gostaria de conversar com Miguel. Certo, Amor?
Ela o olhou, implorando que a ajudasse e Apolo sentiu-se o cara mais sortudo do mundo por ter uma amiga tão inexplicavelmente inteligente.
– Claro — olhou para Artemis, que ainda sorria, calma. — O que acha irmã?
– Se Miguel aceitar...
– Será um prazer — disse o homem, pedindo para um garçom que por ali passava que adicionasse mais dois pratos naquela mesa e dobrassem a refeição escolhida para o jantar. Ele voltou-se sorrindo para o casal — Zeus havia me dito que tinha um casal de gêmeos. Jamais pensei em ter a sorte de encontrá-los por aqui. Vieram junto do pai de vocês?
Concentrado no que Miguel dizia, Apolo puxou a cadeira para Caroline e depois, apos esperá-la se arrumar por completo, sentou-se, acomodando-se ao seu lado.
– Pouco sabia que meu pai viria — falou o deus, social — Caroline desejava conhecer onde eu havia crescido, já que eu conheci o local onde ela nasceu, e estamos de ferias agora, desfrutando das belezas daqui.
Miguel franziu o cenho.
– Mas, Zeus é de Nova York. Vocês não nasceram lá?
Artemis sorriu para Miguel.
– Não, nascemos em Crescent City. Eu sempre fui de Nova York, cresci lá e morei por muito tempo.
Apolo pegou a linha de raciocínio da deusa.
– E eu, cresci em Crescent City, já que nossa mãe não quis sair daqui. Assim, fomos criados separados.
– Mas sempre nos víamos — acrescentou Artemis, com carinho.
Vendo que aquela conversa estava ficando perigosa, Caroline sorriu e apertou de leve os dedos de Apolo.
– E você, Miguel, é daqui? — e essa fora a melhor pergunta que veio a cabeça da "aeromoça".
Com sorte, Miguel sorriu para Caroline e não viu a olhada muito significativa entre os deuses, agora, sem graças.
– Nasci na Rússia, vim para os Estados Unidos há dez anos e agora tenho uma empresa perto daqui.
Agora estava explicado o timbre forte — Apolo pensou. — Provavelmente por causa do idioma Russo.
– Se eu soubesse que minha irmã namorava, talvez tivesse marcado um local mais descontraído para nós — suspirou Apolo — Com Vodka Russa...
Toda a mesa riu, um clima tonando-se mais relaxado.
– Marcaremos — piscou Miguel — Levarei a melhor que tenho em meu estoque.
Enquanto Apolo ria da frase de Miguel, a mesa fora posta, os pratos deslizados para seus devidos donos e o vinho servido nas taças com corpo centra coloridos de azul. Logo, os quatro degustavam de um delicioso richitella, com molho branco.
– Perfeito — murmurou Caroline, limpando as laterais da boca rosada com o guardanapo. — Uma ótima escolha. Fora sua dica, Claire?
Artemis, que fez o mesmo que Caroline, negou,
– Não, o jantar fora todo escolhido por Miguel — sorriu para ele — Miguel tem um ótimo gosto para culinária.
Cheio de elogios, o homem sorriu.
– Fiz gastronomia e meu prato preferido sempre fora este.
– Vejo que deve ser um chefe e tanto. — adicionou a loira. — Pela delicia que isto ficou.
Miguel deu um suave dar de ombros, em falsa modéstia e comeu outra garfada. Mastigou, mastigou e por fim, limpou a boca para depois sorrir.
– Podemos dizer que isto é de família. Igual futebol americano...
Vez de Apolo.
– Qual seu time, Miguel? Devo me preocupar com meu cunhado?
Miguel riu.
– Torço para Indianápolis Colts.
– Vejo que não terei problemas — os dois riram — Logo, logo terá um jogo contra o Buffalo Bills. O que acha de irmos assisti-lo?
Miguel sorriu, aquele tipo de sorriso travesso, igual o que se estendia no rosto de Apolo.
– Acabaremos com eles.
Outra vez riram, e os assuntos foram mudando.
O jantar fora magnífico, apesar de algumas controvérsias por parte de Apolo, mas em seu total, agradável. Divertiram-se, mas decididamente, acharam Miguel esnobe demais. Despediram-se aos sorrisos, os quatro sorrindo, apos a sobremesa. Ao final, Artemis havia dito a Miguel que retornaria a casa com seu irmão, pois queria conversar com ele apos tanto tempo. Logicamente, Miguel aceitou e assim, separaram-se.
Voltaram poucos mais de meia-noite, rindo de algo, até verem que a casa estava silenciosa. Com muita graciosidade, Caroline sorriu e iniciou-se ao seu quarto, uma "boa noite" soado de modo provocativo. Mentalmente, Apolo agradeceu a amiga por isso. Queria tanto poder passar algumas horas com Artemis. A sós.
Assim que se viram sozinhos, todos a dormir atrás de cada porta, o deus a rodou.
– Falei que daria um jeito — sussurrou para ela, com um sorriso — Eu sempre dou um jeito.
Artemis passou os braços pelo seu pescoço.
– Você sempre consegue, sempre.
Com suavidade, tocaram os lábios, calmos, relaxados, aproveitando uma das poucas horas que tinham para si mesmo. Mas, muito rapidamente, acabou.
– Só vou ao meu quarto, deixe a porta aberta, Lua.
Artemis sorriu.
– Não demore.
Estava feliz, decidido de largar tudo por ela e sem problema algum (claro que este fora um dos melhores dos odiosos momentos dela com um dos pretendentes dela) alem de tentar segurar-se e não voltar correndo para beijá-la. Uma reação normal a alguém apaixonado, claro. E era assim que se sentia. Suspirou de alegria, jogando sobre a cama seu paletó negro, afrouxando a sua gravata e ia procurar uma roupa para vestir confortavelmente, uma vez que aquele "pingüim" matava-lhe, quando, ao canto de olho, viu uma pessoa muito conhecida a si.
Olhos azuis elétricos em um rosto aristocrático, o encarava.
– Pai — sorriu para ele — O que faz aqui?
Com um suspiro, Zeus ergueu-se.
– Precisamos conversar.
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