Uma Viagem Perfeita

30 Capítulo 27 - Péssimo Café da Manhã.


Notas iniciais
Capitulo especialmente para JuJubis pela sua recomendação PERFEITA *--------------* Muito, muito, obrigada meeesmo ^^

Faltavam poucos mais de seis da manha, tudo estava quieto até demais, quando Apolo acordou, como sempre, seu instinto (do qual não precisava agora) de dirigir o carro sol avisando que o dia estava para amanhecer. Era comum isto ocorrer, mas de fato, ficou com raiva. Estava tão bom ali, com Artemis em seus braços. Em poucos minutos depois, Artemis se mexia, murmurando e mimando contra seu peito, acordando devagar. Colou um beijo em sua testa.

– Bom dia Rapunzel

– Apolo... — disse Artemis ainda pouco sonolenta — É a Bela Adormecida, quem dorme. Será você vai lembrar-se de todas as princesas da Disney até aceitar? — ela sorriu fracamente, o fazendo retribuir tal gesto.

– Um dia eu acerto. Acho que nossa família sumiu "misteriosamente" — falou ele fazendo aspas com os dedos. — Está tudo calado demais. Estranho.

– Será que "misteriosamente" — ela repetiu o gesto dele — se chama Afrodite?

– Não duvido de nada — suspirou, se espreguiçando — Eu só queria dormir um pouco mais. Ficar um pouco mais aqui. Está tão bom.

Artemis sorriu, apoiando o queixo em seu peito, acima de suas mãos.

– Temos que ir...

Uma forte batida na porta de seu quarto junto da tentativa de abrir a maçaneta, interrompeu o que a deusa dizia. Agora sim, ele teria de sair correndo.

– Artemis, Apolo, abram essa porta — gritou Afrodite do outro lado — Temos que ir! Todos estão esperando vocês lá.

Um pouco triste, por finalmente a deusa ter descoberto tudo sobre eles, Artemis escorregou seus pés pelas chinelas e andou sem vontade alguma até a porta, o abrindo. Foi como um furacão que Afrodite adentrou o quarto, aos sorrisos.

E agora, Apolo sabia que tudo ficaria uma droga. Gemeu, jogando a cabeça para trás. Pronto, ela ficaria todos os dias e todas as horas possíveis jogando indiretas.

– Nem vem com esse "Argh" pra cima de mim, Apolo, fui eu quis fiz tudo isso, então, agradeça — e virou-se para a outra deusa — Artemis, querida, perdeu noção de perigo? Tive que despistar papai do quarto de Apolo! (Apesar de adorar a surpresa de encontrar vocês juntos). De acordo comigo, Apolo saiu mais cedo, foi caminhar e você ficou dormindo. Então, levantem essas bundas dai and move! Move!

Agora sim, o deus tinha idéia de quanto devia a Afrodite. Com um pulo, pegou suas coisas, colou seus lábios aos de Artemis por poucos segundos (seguidos de um "Awn, o amor é lindo" de uma Barbie que já chorava com isso) e saiu correndo porta a fora, olhando para todos os lados a fim de ter a certeza de que ninguém estava por ali. Assim, chegou ao seu quarto e pulou para o banho. Sorte, muita sorte desta vez.


Meia hora depois, Apolo saia de casa, rindo de Afrodite e Artemis, como se fosse a coisa mais comum do mundo. O que de fato, deveria ser. Caso excluísse o mero fato dos irmãos estarem apaixonados. Mais do que pensavam.

– E são nos esperando em uma cafeteria — disse a deusa Barbie, andando em direção contraria, onde haviam achado um ótimo local para se tomar café da manha, uma vez que ninguém desejava cozinha. — Vamos passar o dia fora.

– Ah, Afrodite — Artemis mexeu em um fio de seu cabelo — Sobre o quarto... Na hora que você foi me...

Afrodite revirou os olhos.

– Relaxe, Art, não vou entregar meus irmãos favoritos. Sem contar que o Olimpo foi praticamente criado sob incesto.

Apolo sorriu.

– Isso não tem como negar.

– Só sejam mais cuidadosos, ok?

– Sim, sim, Barbie.

– Olha as palavras, Apolo! Eu posso ser uma pessoa má.

E o deus sabia que era verdade.

– Ok, retiro o que eu disse — suspirou — Sabia que é uma droga estar na sua mão?

Os três riram, aproximando-se do resto da família em uma larga mesa exterior, conversando e fazendo seu desjejum. Sentaram-se um ao lado do outro, sorrindo.

– Demoraram, em? — brincou Ares, com um sorriso malicioso de quem sabia muito.

– Apolo dorme mais do que Hypnos. Acho que eu e Artemis gastamos praticamente 20 minutos do nosso tempo o acordando.

Todos soltaram uma risada baixa.

– Deixe de exagero, Afrodite, sabe que eu sou fácil de acordar.

– Uhum, tão fácil quanto uma pedra, Apolo! Já Artemis, é só eu tocar na porta do quarto dela que a Senhorita ai desperta, certo, Yoda?

Artemis riu.

– Certo, jovem Jedi. Oba, o que tem para comer?

Apolo vasculhou sobre a mesa os pães, biscoitos, achocolatados, café, donuts, frutas, sucos, capuchinos e outros até achar o que queria. Puxou, do outro lado da mesa, o potinho com morango e chocolate. Era seu preferido. Talvez, até mais que donuts. Afinal, para que se preocupar com gorduras ou espinhas uma vez que é um deus? Para isso que servem os poderes! Encantado demais com o formado perfeito da pequena fruta vermelha, nem percebeu o instante em que Artemis roubou algumas fatias de sua mão.

– Agora estamos quites — disse a deusa piscando, o recordando dos seus primeiros dias em Paris, quando lhe roubou o chocolate. Quase riu.

– Isso foi injusto!

– Quem disse que o mundo é justo?

– Falando em justo — interrompeu Zeus, com um sorriso, colocando uma pasta a frente da deusa — Eu marquei um encontro com um de meus amigos por aqui para você, querida. Ele é um cara... Socialmente perfeito para seu patamar. — encostou-se na cadeira — Hoje, às sete horas da noite, o chofer dele vem buscá-la.

Era claro pela cara que Artemis fazia, ao abrir os arquivos, que mal podia crer aquilo disposto a sua frente. Estava pálida, Apolo notou, seu medo revigorando em uma força incrível, seu ciúme ganhando espaço em seu coração. E antes de poder adicionar algo às palavras de seu pai, que era encarado por todos os demais deuses, seu pai finalizou:

– Você está crescidinha, hora de crescer, fazer as coisas sozinhas e isso inclui — olhos azuis elétrico encontraram orbes douradas como o sol — estar SEM ninguém. Apolo ficara conosco, ele compreende o que faço, certo, filho? — sorriu para a deusa — Aposto que meu amigo ficara deliciado com sua presença filha. Não espero que me desaponte.

E assim, outra vez, como sempre, Zeus arrastou a cadeira, dizendo uma “Licença” feliz e caminhou para dentro da cafeteria. O silencio reinou pela mesa, todos pasmos com aquilo, pelo fato de Zeus deixado que sua filha saísse com um humano e, acima disso, deixá-la ir sozinha.

Apolo escutava seus batimentos pulsando em seu ouvido, a cada suave respiração de alguém alta, e o pânico passou a tomar conta de si. Como seu pai puder afazer aquilo a Artemis? Era insano! Era ridículo! Foi retirado com o seu telefone vibrando e o apanhou.

Em dois segundos, levantou-se sem se pronunciar e caminhou até longe, passos confiantes antagônicos ao seu estado perplexo demais para calcular. Tinha de haver um plano! Algo que pudesse fazer! Jamais deixaria Artemis na mão assim... Mesmo que isso implicasse bater de frente com seu pai, o deus dos deuses. E agora, começava a compreender as rebeliões ligadas a sentimentos. E como aprendia!

Então, braços estavam a sua volta, um corpo pequeno e gelado contra seu corpo, já a chorar. E tudo o que ele sentia passou para segundo plano. Ela era a importante agora. Tudo por ela. Com um suspiro, apertou-a mais.

– Vou dar um jeito — sussurrou ele, estabilizando a voz para que não demonstrasse o desnecessário — Eu tenho algum plano.

Ou então criaria um! Precisava sair dessa armadilha.

– Como meu pai fez isso, Apolo?

– Shhh, está tudo bem — era claro que não estava. Fitou a deusa do amor, a poucos passos deles, triste, os olhos quase sem brilhos. E soube o que deveria fazer. Decidido, pois não poderia perder nenhum segundo, beijou-lhe a têmpora — Fique com Afrodite por agora, relaxe e deixa comigo, ok? — Muito vagarosamente, Artemis anuiu, o nariz fungando de leve, recordando ao deus que jamais a queria ver assim e foi aconchegasse em Afrodite. — Cuide dela.

A deusa do amor o fitou.

– Tome cuidado com o que vai fazer, Apolo.

– Tenho tudo sob controle — com essa mentira que começou a andar em direção a casa, já a digitar um numero em seu celular. Dois toques e atendeu:

– Alo?Preciso que me ajude.



Artemis, apos tal cena pelo café da manha, não vira mais Apolo, muito menos uma noticia sobre ele. Começava a ficar preocupada. E se tivesse feito algo muito precipitado? E se colocasse em uma situação delicada? Suspirou. Não. Ele sabia o que fazia. E confiava completamente nele, sejam lá quais fossem suas táticas para evitar o jantar. Só de imaginar-se tendo de sair com uma pessoa desconhecida seu corpo tremia. Estava com medo. Muito medo. E... Traída. Seu próprio pai havia feito isso consigo! Como pudera fazer algo tão covarde a si? Ainda mais a ela, que sempre fez tudo o que lhe era mandado!

– Artemis, confie em Apolo — sussurrou Afrodite em seu ouvido, pela nona vez desde que andavam pelos pontos turísticos da pequena cidade. Sua mente se dissipava rápido para outros assuntos e manter a concentração exigia mais do que de fato tinha.

Segurou a deusa pelo cotovelo.

– Afro, ele está demorando demais — murmurou, fitando as laterais para se certificar de que ninguém a escutava. — Acho que está com problemas.

Maternalmente, as mãos macias da Barbie repousaram em seus ombros esguios e sorriu.

– Acredite, ele é a pessoa mais confiável que existe. Se ele disse ter um plano, então... — deu de ombros — Ele tem um plano.

– Só estou...

– Eu sei como é, Art, mas deixe que tudo corra como deve ser. Agora, vem, quero ver aquela.

Mesmo um pouco tensa, teve de rir enquanto era puxada para a vitrine e perguntou-se o que Apolo fazia.




~~~~

- Você acha que você consegue? — pausa — Ok, então tá, te esperarei.

Agora, era só a hora certa chegar.


--- tempo ----


Sem mais delongas, o tempo passou, rápido demais para Apolo e Artemis, cada um ao seu canto, longes um do outro, arquitetando um plano para aquela confusão que se meteram.

Já passavam das sete da noite no instante em que Apolo viu a ajuda chegar. Um avião, pequeno e aerodinâmico ao extremo estacionou em um dos hangares do aeroporto ilegal que havia ali por perto. A companhia européia, rápida, aprontou a descida. E finalmente a hora havia chegado.

- Se eu soubesse que chegaria tão rápido, teria te ligado mais tarde — Apolo sorriu, ajudando a garota a descer o ultimo degrau do jatinho. Seus sapatos de salto altos negros retiniam ao movimento do seu andar em um vestido de gala vermelho e seus cabelos loiros formavam um halo com a pouca luz existente pelo crepúsculo que se estendia pelo céu. Muito suavemente, a garota alisou os ombros do terno do deus — Obrigada por vir.

- Que isso, tigrão — piscou Caroline — Se precisar de ajuda aqui, só chamar. Mas, o que faremos dessa vez?

Apolo riu, a guiando para a limusine alugada para o evento. Como ele mesmo havia dito algumas horas antes a si mesmo "Se é pra chegar com estilo, que seja por completo". Ajudou-a adentrar o automóvel e logo se viam em uma conversa um pouco tensa. Incomodado, Apolo se endireitou no banco de couro e um sorriso amarelo delineou-se em seu rosto um pouco cansado daquilo tudo. De todas as mentiras e loucuras que mal haviam começado.

- Preciso que se passe por minha namorada — pediu, um pouco envergonhado. — Tive alguns problemas com Artemis.

A loira ergueu uma sobrancelha loira, intrigada.

- Vai me dizer que vocês não disseram nada aos seus pais? — parecia uma mãe surpresa e chateada com o filho. Apolo negou. — Então... Você vai ter que dizer que tem uma namorada para abafar o caso de vocês?

Outra vez, Apolo negou.

- Não, Carol, preciso ficar de olho nela. Meu pai, com todo esse assunto de namorado para Artemis, entrou na história e indicou um amigo dele como candidato. O tal cara e Artemis sairão hoje. Mas ela estava apavorada e... — Apolo desviou o olhar ao ver que a loira lhe fitava com muita intensidade.

- E então você vai comigo para o jantar, assim fingimos que é uma coincidência e jantamos com eles, atrapalhando o encontro, acertei seu plano maléfico?

Ele sorriu fracamente, e anuiu, agora a encarar Carol.

- Prometo tentar não demorar muito, Caroline. Vou ser o mais rápido o possível, sei que deve estar cansada...

- Hey — segurou a mão dele, sorrindo. — Relaxa. Eu sou sua melhor amiga, e vou te ajudar nisto, custe o tempo que custa, entendeu?

Sem acreditar como a raça humana podia ser tão completamente fiel com laços imaginários, Apolo retornou o aperto e os cantos de sua boca suspenderam-se em um legitimo sorriso.

- Sabia que você me ajudaria.