Uma Viagem Perfeita
24 Capítulo 21 - Avião.
Para a total tristeza dos deuses, tiveram de sentarem-se um pouco distantes, uma vez que o vôo que haviam comprado teve problemas e tiveram de repor com outra linha aérea por tal fato. Estavam na classe A, mas ficaram chateados por terem poucas horas até onde todos os deuses estariam e jamais poderiam aproveitar os últimos segundos.
Já passavam de dez minutos de vôo quando pernas nuas e lindas foram jogadas por cima da suas e Apolo viu uma Artemis sorridente sentada ao seu lado.
– Como...?
Ela piscou e apontou para o senhor um pouco velho que agora se sentava onde um dia ela estivera.
– Eu dei meu numero e falei que sairia com ele se me deixasse sentar aqui.
Apolo riu.
– E você deu o numero de quem?
Ela deu de ombros.
– Sei lá, eu só abri a lista telefônica e anotei um numero qualquer. Ai, usei meu charme feminino e disse que me ligasse qualquer dia.
– Você é inacreditável.
Ambos riram da situação.
– E eu sempre me achava ruim quando fazia isso com as garotas.
– Você é uma pessoa má — a sombra de um sorriso.
– Sou é?
– Às vezes me pergunto se isso é de sangue. Ou é só ao acaso mesmo.
– Sem duvida, sangue.
Ele sorriu para ela e pousou os braços em suas pernas geladas. Seria estupidamente fácil retirar aquela roupa dela. E era só isso que o cérebro de Apolo raciocinava ao ve-la daquele modo causal. Engoliu a seco. Não podia perder seu controle. Não agora. Para sair desse transe que fitou pela janela as nuvens.
– Você está bem? — escutou ela perguntar, deveras preocupada.
– Tudo — pigarreou — Perfeito.
– Você está estranho.
Estou te protegendo — foi o que ele pensou.
– É só aquela coisinha que não sai da minha mente -... Tipo você, adicionou em sua cabeça.
– É sobre... Ér... — ele a fitou, curioso — Sobre a nossa... Família... Califórnia... Casa.
Era claro ela estar sem graça e não encará-lo, mas de longe isso era uma agonia. Até agora. Ele não admitiu estar com medo, por algo que geralmente o deixaria tão de boa. Ou que não saberia como agir ao lado deles com esse clima "romântico" entre si e sua irmã. Seria muito mais... Estranho e perigoso do que imaginara.
– Eu... Não sei.
Sim, isto estava bom. Melhor do que ele dizer um "Você vai me ignorar?"
Escutou um suspiro cansado vindo dela.
– Eu... Também não sei como vai ser. E se papai... — Ela se interrompeu e desviou o olhar — Não sei mesmo o que pensar.
– Vem cá, acho que deve dormir — sussurrou ele, evitando que a mesma calculasse demais isto, e a puxou para seu colo, passando os braços ao seu redor e a embrulhando com sua jaqueta de couro. Em poucos segundos, a tinha com a cabeça em seu ombros e os cabelos ônix deslizando pelos seus dedos — Tudo vai ficar bem.
– Só... Fica comigo, ok?
Ele deu um beijo suave e um pouco demorado em seus lábios e sorriu.
– Sempre ficarei ao seu lado, Artemis.
Com um anuir rápido, a deusa encolheu em seus braços e fechou os olhos, deixando-se descansar.
– Você é único, Apolo.
Foi o que ela disse antes de entrar em sono profundo, confiando a ele que a cuidasse e segurasse com tudo. E ele o faria sem hesitar.
Apolo suspirou, pousando a cabeça sobre a dela, de olhos fechados, seu coração pulando forte com aquelas palavras. E cansaço se abateu sobre seu corpo também. Com um roçar de lábios em seu rosto, encostou sua testa em seu cabelo e sorriu.
– Eu te amo, Artemis.
E ele nunca havia dito palavras mais sinceras que essas em toda a sua vida.
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