Uma Viagem Perfeita
34 Capítulo 31 - Dois meses se passam.
Notas iniciais
Ps: Esse capítulo tambem vai, alem do número de Rewis, para Whitney Houston ^^ Que ela descanse em paz, porque em Terra, ela arrasou. Perdemos uma grande voz =s
Dois meses depois...
- Espero que estejam divertindo-se — falou Martin, — Apresento-lhes, Senhoras e Senhores, Claire Spencell.
Ao som de palmas, uma mulher de estatura média, trajando um vestido vermelho de gala, cabelos ônix presos a uma trança lateral e lindos olhos de tão cinzas que chegavam a serem prateados, subiu as poucas escadas que levavam em direção ao palco. Esta sorria, aparentemente feliz e deslumbrante para todos. Sua família a incentivava, todos sentados em uma das mesas principais, ou melhor, quase todos.
Saindo destes pensamentos, dando uma piscada amigável, a mulher de vermelho abraçou o maitre, a luz de um holofote e apanhou o microfone que lhe era estendido.
- São todos seus — disse o homem, calmamente, antes de encaminhar-se para uma das laterais.
E ali, pela primeira vez, estava Artemis, a deusa da caça, cantando para outras pessoas.
Fora uma loucura, sempre planejada por Afrodite, que a levou até o local que se encontrava neste instante.
Depois de mais uma semana naquela casa em Crescent City, todos haviam voltado para seus lugares, mas, decididamente, de acordo com a deusa do amor, nada era mais como antes sem Apolo para animá-los. Foram tortuosos dias com silencio mórbido e tediantes horas para todos, sem exceção. E como sempre, como uma ultima saída, Afrodite havia feito com que todos aceitassem a passarem uma semana em um dos maiores transatlânticos. Conseguiu todos os deuses, alguns com promessas, outro por referencias de pessoas que conheciam, como fora o caso de Zeus. E, por fim, estavam todos ali.
Claro, para ser a deusa do amor, nada parecia o suficiente. Horas atrás, havia descoberto a tal "surpresa" dela, e olhe onde estava! Suspirou.
Maldita Afrodite.
Dando um sorriso tímido, acomodou ao suporte, o microfone, e viu-se calma, controlada e confiante ante tantos olhares atentos.
- Boa Noite — sussurrou baixo em frente ao objeto e toda sua voz projetou-se pela imensidão do salão de vidro, com arabescos, detalhes dourados e um enorme candelabro ao centro, onde abaixo, muitas pessoas importantes sentavam-se. Um coro cumprimentou-a. — Como não sabia que isto ocorreria, total idéia de minha irmã mais velha, acho que vou ter de improvisar — risos delicados dos humanos. — Bem, vamos lá.
Entre todas as musicas que lhe eram oferecidas, uma, não só pela letra, mas também pela melodia, forçou-a a escolhê-la.
Uma, que de alguma forma, recordava daquele deus, sumido e exilado por tanto tempo.
Uma, que fazia seu coração sorrir com lembranças.
E principalmente, que a fazia amá-lo.
Os timbres calmos de My Heart Will Go On, de Celine Dion, para piano deslocaram-se com suavidade pelo local, fazendo-a fechar os olhos, relaxar e ver todas as imagens que lhe prendia. E, então, começou a cantar, sua mão já a segurar o microfone enquanto permitia seu coração preso falar por aqueles versos.
Recordações.
O aeroporto onde o viu a esperando, as brincadeiras com a gerente Evelyn do Hotel, o toque de seus lábios quando roubara o chocolate, o jantar romântico de frente a Torre Eifell, os beijos em Paris, o pesadelo em que acabara dormindo em seus braços já em Veneza, o dia de "fugitivo" com ele andando de gôndola, o beijo roubado no mirante, Rocky Balboa dançado por ele, o primeiro "Eu te amo, Artemis" dito, a corrida de cavalo pela praia, a música cantada somente para si mesma, a "casualidade" no jantar com Miguel, e por ultimo, a tristeza de quando se separaram.
"Existe frase mais banalizada que essa, Artemis?"
Aquela voz soou em sua mente, acordando, delicadamente, aquelas fortes batidas de seu coração, aquele repuxar no estomago, as mãos suando... Aquele amor incompreensível.
Quase chorava aquelas recordações lhe doíam, e se encontrou tendo de olhar para o teto enquanto cantava, para evitar que as traiçoeiras lágrimas caíssem.
E foi por uma força incompreensível, que, devagar, seus olhos desciam para o publico e olhavam todos, surpresos e emocionados para ela. Sentiu-se bem com isso.
Até, ver.
Exatamente no instante em que sua voz subia para a maior nota, onde mais cantava, onde mais se expressava, que não conseguiu fazer-se pensar corretamente.
Seu coração entrou em disparada.
As lágrimas desceram de leve, deixando rastros pela maquiagem.
Seu corpo vibrou suavemente.
Tudo o que via era ele, muito ao fundo, quase engolido pela pouca sombra da porta, os cabelos loiros penteados disciplinadamente para trás, seu corpo magnífico dentro de um smoking que realçava mais sua beleza, mas aquele sorriso não serpenteava seus lábios. Pouco se importou. Fora como um sonho que havia se realizado, uma... Nem sabia como definir. Quase passou despercebida para ela, Afrodite, ao lado do deus, sorrindo muito.
Outro plano dela, pensou antes de perder o raciocínio para aqueles incríveis olhos azuis que tanto amava. Havia algo, aquela frieza, mas sem duvida a olhava. E jamais saberia como agir.
Com os últimos versos, cantou para ele e sorriu, o sorriso mais verdadeiro desde sua partida.
Poderia estar com raiva e ódio dele, mas nada se comparava a felicidade de vê-lo outra vez.
Assim que acabou, uma salva de palma ecoou. Aparentemente, havia levado todos a loucura.
- Acho que me emocionei — falou, fazendo-os rir, a secar e olhar para o outro lado, em locais mais seguros. — Estou um pouco emotiva. Mas, acho que deu tudo certo, nenhum vidro quebrado, correto? Ah, ok, sem vidros quebrados. — sorriu — Foi um prazer cantar para vocês, no entanto, vou ter deixá-los. Tenho certeza de que Martin cuidará bem de vocês. Obrigada. — e assim, com outro abraço no chefe de cerimônias, que desceu as escadas. Mal aguentava-se ao final. Apoiou-se em uma das barras.
Ele estava ali. O que ele fazia ali? Por que viera? Fora Afrodite? Como ela conseguira?
As perguntas escorriam com velocidade pela sua mente demasiada conturbada. Era... Impossível.
Depois de muitas respiradas, um copo de água e um retoque, conseguiu voltar para a multidão. Caminhou com casualidade, com alguns acenos e sorriso para as parabenizações, até ter de diminuir para chegar à mesa. Os deuses apertavam a mão de Apolo, davam abraços e sorriam para sua chegada. Como se fosse a maior espera do ano. O que, talvez, pelas noções da deusa de fato era. Estranha, era pouca, a sensação que se apossou de si assim que o deus virou-se para vê-la chegar.
Desde a briga, não haviam se visto, nem conversado, se quer dito algo por alguém. Eram... Incomunicáveis.
O sorriso de ambos se apagou e com polidez que Artemis assistiu Apolo esticar a mão em sua direção.
- Estava deslumbrante — chamas queimavam naqueles olhos dourados, uma chama refreada e calculada, que durou pouco tempo, só o suficiente para ela perguntar-se se aquilo ocorrera ou se fora sua mente vendo coisas inexistentes.
Quase não tocou a mão dele, mas todos os pelos de seu braço se arrepiaram com o choque térmico. Recolheu-a com rapidez.
- Obrigada — curto, e friamente educado, escondendo as emoções que amontoavam-se no peito da deusa. — O que faz aqui? — não falou de modo ignorante.
Contudo, quase sorriu de vitoria ao vê-lo dar de ombros.
- Precisava ocupar meu lugar de volta.
Anuiu em compreensão.
- Bem vindo de volta, agora, se me der licença.
Sem mais esperar, nem mesmo pela resposta dele, mesmo que aquilo parecesse extremamente idiota, deu-lhe as costas e fugiu de seu passado, daqueles sentimentos.
Apolo assistiu-a desviar-se com graciosidade pela multidão, o vestido vermelho até o chão às vezes esbarrando, os cabelos negros deslizando pelos ombros nus. Ele mal conseguia controlar sua respiração com a vista dela. Sua memória era nada em comparação com a realidade. Naquele placo, como uma estrela, ela vibrava beleza e... Algo a mais que jamais conseguiu definir.
A verdade era que somente sabia que ela ainda o odiava.
Para o bem dela.
- Dê tempo — sussurrou Afrodite, como se lesse seus pensamentos, sobre seu ouvido — Foi um choque te-lo aqui. Ela não o esperava.
- Não sei se fiz o certo, Afro.
A deusa do amor sorriu.
- Vou dar um jeito. Mas, você vai ter que querer q...
Apolo a interrompeu, serio.
- Nosso trato foi que eu viesse com você, passasse um dia e fosse para onde eu bem desejasse. Jamais comentamos algo sobre... Ela.
- Não estou dando um passo para trás — Afrodite sorriu, avistando a deusa assim como ele fazia — Mas, isso vai mudar, Apolo, acredite no que eu digo.
E ele teve medo dela.
Fale com o autor