Uma Viagem Perfeita

28 Capítulo 25 - Família reunida, poderia ser pior?


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- Apolinho, gato, acorda.

Muito vagarosamente, o deus escutou aquela voz ecoar pela sua cabeça. Sua percepção de mundo espreguiçou, notando o calor do sol sobre seu rosto e um agradável peso sobre seu peito, mais gelado. Aos poucos, sua mente foi recordando, lembrando-se da historia que Artemis havia lhe contado e como haviam dormido juntos. Sorriu, bobo. E escutou uma risada mais fina. Aquela não era Artemis, era? Não... Ele franziu o cenho. Muito menos aquele cheiro doce de algum tipo de balinha. Piscou algumas vezes, deixando seus olhos se adaptarem a claridade. E então viu o que o chamava.

Uma mulher alta, de cabelos castanhos perfeitos e um sorriso muito convencido se debruçava para entrar em sua linha de visão.

Quase gritou, se não fosse por Artemis remexendo-se sobre seu peito.

- Finalmente, gato — Afrodite revirou os olhos — Pensei que teria de jogar água par acordar.

E ao som daquela voz, Artemis ergueu o rosto de seu peito, as orbes prateadas sonolentas, mas felizes que sorriam para ele até ir ver o que ele enxergava ao lado de ambos.

Artemis sim, gritou.

- Afrodite!

A deusa Barbie riu e jogou os cabelos para o lado.

- Estava atrapalhando algo? — antes que algum dos dois pudesse responder um "Não", a deusa gritou — POR COCO CHANEL, ARTEMIS!

Assustada, Artemis tentou achar o porquê daquela histeria, ainda que estivesse sentada ao lado de Apolo. Muito rapidamente, a deusa Barbie pegou seu rosto em mãos e passou os dedos pelas suas olheiras.

- O QUE SÃO ISSO? VIROU AO ACASO ZUMBI? POR DIOR!

Apolo riu do drama causado. Artemis o seguiu.

- Vamos arrumar isso agora, Artemis — e puxou a mão da deusa da caça, puxando-a do lado de um Apolo que se divertia muito e que colara, segundos antes, discretamente, um beijo em sua mão. — Apolo, vai ajudar papai e os tios. Eles querem fazer algo e precisam de ajuda.

- Vou lá — disse de praxe, erguendo-se — Bom dia pras duas.

- Tchau, Gato.

- Apolo! — escutou Artemis, fitando-o quase implorando para que a impedisse de ficar horas se arrumando com a deusa Barbie. Mas, ambos sabiam, Afrodite sempre ganhava aquilo que desejava. Com um dar de ombros, se desculpando, viu as duas sumirem pela porta de um dos quartos. E claro, Afrodite não parava de falar.

Tadinha, foi o que ele pensou com uma risada, passando as mãos nos cabelos loiros bagunçados, já a descer as escadas. Era melhor enfrentar um dragão a Afrodite.

Todos os deuses andavam pela casa, colocando as coisas no lugar e esvaziando os carros com tudo que haviam comprado. Ter treze pessoas em uma casa de praia, sendo estes sua família, sem duvida, era a maior loucura que já haviam planejado. Mal amanhecia e alguns deuses já discutiam bobeiras e outros se beijavam (Atena e Poseidon) para provocar um Zeus que se divertia em ver algumas garotas jogando frescobol de biquíni nas areias mornas da praia. Claro que Hera ignorou tudo aquilo. E Apolo riu. Sua família era a mais louca existente.

- Bom dia, pegador — gritou Poseidon que se soltava de Atena, com um sorriso travesso — Pensei que passaria o resto do dia dormindo.

Apolo deu um tapinha nas costas do deus e um beijo no rosto da irmã (que até já achava normal aqueles contantos com os homens).

- Oi, Pegador do Mar, Google. — disse feliz — Eu até dormiria, mas Afrodite me acordou. — fez uma careta.

Atena riu e falou:

- Afrodite acordou a todos nos muito mais cedo do que devia. Estava louca para inaugurar seu novo biquíni.

Os três deuses riram.

- Afrodite não tem jeito não — seu estomago roncou — To morto de fome, vou comer algo, sinta-se em casa.

- Hera tá na cozinha com Demeter, elas cozinham como ninguém — Poseidon piscou, maroto — Acho melhor ir correndo para lá.

- Não precisa dizer duas vezes.

Apolo, com mais um sorriso, correu até o local em que a cozinha ficava. Como Poseidon mesmo havia dito, as deusas preparavam algo. Cheirava muito bem e seu estomago revirou-se, implorando para ser alimentado.

- Tia, Mãe! — falou alto, deixando de lado o olhar safado de Ares (que depois descobriu ter seguido Afrodite até lá a varanda, pois o viu descer) sentado na mesa, a ler um jornal e parou atrás de Hera, já trajando roupas de banho e um vestidinho, tão igual Demeter — Mãe, faz um sanduiche? Por favor!

A deusa do casamento riu.

- Você nunca muda, Apolo. Faço sim — deu um tapa na mão do deus que tentava roubar uma fatia de mortadela — Agora, senta lá e sem pegar nada.

- Escutou sua mãe, Apolo — a voz de Demeter, colocando alguns pães em cima da bancada, com um sorriso — Vaza da cozinha.

- É, venha, sente-se aqui, Apolo — o deus da guerra riu e empurrou uma cadeira. — Vamos conversar. Chega aqui.

Um pouco relutante, o deus foi, mais pelo perigo de perder o sanduiche do que das ameaças de Demeter, sentando-se a frente de Ares, de qualquer jeito. O moreno, com um puxar de lábios, dobrou seu jornal e o jogou sobre a mesa de mármore com um estalinho baixo das paginas mais pesadas.

- Então, Apolo — apoiou-se nos cotovelos — Como vai sua jornada de cupido com Artemis dessa vez?

Era claro que Ares queria arrumar uma maneira de deixá-lo sem graça.

- Vai bem — jogou os pés sobre a mesa, com falsa tranqüilidade — Conseguimos alguns caras para ela, mas ainda estamos à procura de um melhor. Quem diria que minha irmã seria tão seletiva como eu!

Hera escorregou um prato com um sanduiche a sua frente.

- Afrodite contou a todos nós sobre sua tentativa de arrumar alguém para Art. Devo dizer que Zeus odiou a idéia, filho.

- Papai sempre odeia que suas filhas preferidas namorem, mãe.

- Principalmente as castas, certo, Apolo? — um tom malicioso de Ares — Elas são delicadas demais, na perspectiva dele.

Apolo deu de ombros.

- Artemis é muito mais do que suficiente para se proteger -... E tem a mim, adicionou.

- Mas mesmo assim, Art, minha filhota... — Hera balançou a cabeça — Às vezes penso em concordar com seu pai, Apolo. Art é uma deusa que precisa estar protegida, que precisa sempre estar perto de suas caçadoras e longe de homens — fez uma careta — E foi um conselho honesto de Zeus ao dizer que homens só machucam, ainda mais garotas como ela. Se o mestre diz, né...

Os dois deuses riram de sua mãe que ajudava Demeter logo apos ter voltado para o lado da mesma, picando algo e fritando temperos em uma frigideira. Jamais, Apolo se imaginou em uma cena tão comum como aquela. Alguns segundos depois, Hermes sentava-se em uma das cadeiras e roubava um pedaço do sanduiche do deus sol. Apolo deu de ombros e deixou, agora a fitar Demeter.

- Tia, Perse vai vir? — perguntou com casualidade, vendo que todos os outros ergueram os olhar e fitavam a deusa a espera de resposta. Ela assentiu, alguns fios morenos escorregando pela face delicada e madura desta.

- Hades disse que vai vir — fez uma careta ao falar o nome do genro — Parece que minha filha atormentou muito ele e, claro, como sempre, Hades irá vir. Apesar de odiar que ela more com ele, admito que gosto que faça tudo o que Core pede.

Hermes sorriu.

- Só espero que Core o segure bem, pelo o que vi, na corrida pela praia que acabei de fazer, só tem mulher bonita — o deus mensageiro olhou Apolo — Você escolheu o lugar perfeito para se ter uma casa, irmão. Porque, né... — assobiou.

Hera riu.

- Vocês não têm jeito mesmo, são iguais ao pai.

Com aquelas palavras, Apolo encarou tudo a sua volta. Ver sua família agir normal, sem brigas, sem problemas. Só com uma estranha harmonia, o fez sentir-se maravilhado por conviver com pessoas assim. Eram divertidos, alguns amáveis e outros extremamente legais de se brigarem. Todos em um só lugar. Sim, Apolo amaria viver para sempre assim. Era tudo tão... Tranquilo. Sem contar que tinha Artemis agora. Suspirou. O que será que Afrodite fazia com Artemis? Sem contar, Atena que agora subia gritando um "To indo, Afrodite, desligue seu alerta máximo. To subindo". Riu disso. Sua Artemis deveria estar quase sem ar com aquela ajuda toda.

Poseidon passou pelas portas duplas abertas, acessíveis para a praia e tomou um lugar ao lado de Ares, roubando seu jornal.

- Pessoal abusado — disse o deus da guerra, que a muito havia terminado a leitura — Já chega pegando.

- Preciso ver o que acontece, só isso — Poseidon deu de ombros para segundos depois erguer os olhos das letras impressas para a outra porta, por onde Zeus adentrava, calmo e relaxado, nem mesmo parecendo aquele deus todo bravo e chato. Apolo até estranhou. — Olha o todo poderoso chegando ai, gente.

Todos riram, até mesmo o dito cujo da brincadeira. Zeus andou até Hera, deu-lhe um beijo (seguidos de "argh"s por parte dos demais que quase disseram "arrumem um quarto", leia-se: Apolo) e tacou uma conchinha na cabeça do irmão mais velho de olhos verdes.

- Por que não vai atrás da sua garota, Poseidon? — zombou com acidez, mas que fez o deus dos mares sorrir malicioso.

- Porque eu respeito a minha família, vai saber se vocês escutam os barulhos de...

- Poseidon — gritou Atena que passava pelo vão da porta, seguida de Afrodite e Artemis. Todos riram deles. Enquanto Apolo fitava as orbes prateadas da deusa da caça. As olheiras sumiram e face encontrava-se corada, em um tom perfeito que o deixou agradecido por Afrodite tê-la roubado. Estava muito mais que perfeita. Era sem descrição. Artemis piscou para ele e pulou em um dos bancos logo atrás de Apolo, inclinando-se de leve para abraçá-lo por trás. Ninguém achou estranho tal fato, antes, Artemis costumava sentar-se no colo do deus e viviam brincando. Era como irmãos faziam. Mas dessa vez, só os dois sabiam a realidade profunda daquilo tudo. Quer dizer, eles e uma certa deusa do Amor que deu um sorriso de conspiração e um deus da Guerra que escondeu o repuxar de lábios maliciosos atrás das folhas do jornal. Os demais, só sorriram para Artemis e agiram com casualidade, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Apolo apertou de leve seu braço sobre seu peito e inclinou a cabeça para trás para vê-la.

- Você está linda.

Ela revirou so olhos, corando.

- Afrodite praticamente me matou para conseguir fazer isto em mim. Vai ter revanche.

- Elas...

- Então, filha — Zeus interrompeu Apolo. O deus do sol, sentiu seu aperto se identificar pelos seus ombros com aquela voz a chamando — Uma certa deusa do amor, contou-me sobre os planos dela para você. Então, encontrou alguém?

Artemis fitou Apolo, a procura de ajuda, implorando que arrumasse algo para dizer. E é claro, que o deus tinha um As em sua manga para ganhar o jogo.

- O cardápio para Art foi bem recheado — eles riram do que Apolo disse — Mas, ainda estamos à procura. Faltam mais algumas paginas. Essa deusa aqui... — apertou aquele braço feminino com suavidade — É mais seletiva que Afrodite com seus lingeries.

- EI! — a deusa Barbie gritou — Eu não poderia usar qualquer conjunto de calcinha e sutiã — sentou-se ao colo de Ares — Alem do mais, o que diria Ares ao me ver com uma lingerie qualquer?

Os deuses riram, e o clima tenso se dissipou, os assuntos logo se trocando. Atrás de si, Artemis suspirou e descansou o queixo em seu ombro, relaxando.

- Valeu, Sol.

- Eu tinha que te tirar do Tártaro, certo?

A deusa riu e, sem perceber, deslizava os dedos pelo braço dele com carinho, (algo que ele prontamente notou e adorou). Ninguém os fitava, mais concentrados em discutirem sem brigar, algo raro, o casamento de alguém ou até mesmo economia americana, sobre como estavam às coisas lá pelo Empire States Building. Somente Afrodite, mas ela era o de menos. Artemis suspirou.

- Acho que não conseguiremos fugir dessa vez — riu baixo, sussurrando em seu ouvido — Papai vai colocar um bip em mim. Acho que ele está com medo de que eu arranje um humano para mim.

- E com isso, ele não tem que se preocupar — deu-lhe um beijo em sua bochecha — Eu já roubei você pra mim.

- Doido — revirou os olhos, aos sorrisos.

- Por você, cherrie.

- Artemis — chamou Atena, sentada de pernas cruzadas no colo de um Poseidon interessado no jornal e em como as mãos dele desciam pela coxa da deusa, que a todo custo, tentava pará-lo. Seu tio não perdia a chance de provocar Zeus. — Vamos andar a cavalo?

Ninguém percebera a intimidade entre eles.

Artemis sorriu.

- Vamos, sim, faz tempo que não ando a cavalo — ergueu-se, não sem antes um discreto beijo na nuca do deus (passando despercebido, menos a Afrodite, o que fez indagar se a deusa estava te olhando todo segundo) e arrumar seu short jeans combinado com uma blusa de alcinhas, sem contar estar de chinelos e deixar a mostra a sua tatuagem no calcanhar. Se Zeus visse! Teve vontade de rir, mas segurou-se, passando-se por indiferente as olhadas dos demais, deixando bem claro (de mentira) que aquilo tudo era porque só eram irmãos. — Vamos também, Afrodite.

- Finalmente vou inaugurar minha nova coleção de biquínis Victoria Secret's, feito exclusivamente para mim — suspirou feliz e deu um selinho em Ares — Te vejo mais tarde, amor. Vamos garotas.

- Cuidado, Afro.

A deusa revirou os olhos.

- Relaxa amor, estou com as divas. Eu jamais faria algo ruim.

Aham e eu sou o Papa, Apolo pensou ainda fitando às vezes Artemis ao lado de Atena, sorrindo, e notando o modo como a deusa do amor batia dramaticamente os longos cílios curvados com rimel negro um contra o outro. Tadinho de Ares.

O deus da guerra suspirou e assentiu.

- Mesmo assim, se alguém der em cima de você...

- Eu sei me virar com isso, amor — outro beijo e puxou as mãos das outras deusas — X.O.X.O, honeys.

Junta, as três correram pela porta e sumiram, indo sabe-se lá para onde.

- Cuidado — escutaram uma voz conhecida gritar e depois risos — Afrodite!

- Vem, Perse, anda.

Ah, então Hades havia chegado. Todos viram a careta de Demeter ao também perceber isso. Apolo se divertia com aquelas brigas com aqueles dois mais do que admitia. Eram como cão e gato. Adoravam se atacar.

Poucos segundos e Hades chegava. Seu cabelo preto curto agora, uma blusa de mesma cor das madeixas, mas estava surpreendentemente de bermudas. Agora, sim, Apolo entendia o poder que Perséfone tinha sobre ele e perguntou-se se Artemis também tinha isso. Sim, tinha, sem duvidas. O deus jogou as bolsas ao canto e sorriu para o resto. SORRIU! Apolo, que achava já estranho o fato de todos estarem juntos, ficou ainda mais pasmo. E não só ele.

- Olá, loucos — mas quem disse, não fora o deus ali, e sim um outro. Este com cabelos cacheados, bochechas rosa e cheiro de vinho que se alastrava pela cozinha.

- Dionísio! — Hera gritou, correndo para abraçá-lo — Pensei que não viesse querido.

- Pai deixou que eu viesse. Graças, agora me livro por pelo menos quatros dias de entediante eternidade.

Hades riu junto com todos.

- Nem me fale, o mundo inferior está um caos.

- Prefiro ficar sem comentar de Atlântida. — Poseidon suspirou, dramático.

- Todos reclamam — disse Hera, terminando o que cozinhava — Vocês são tão iguais.

Apolo riu e ergueu-se, foi até a geladeira, pegou uma cerveja e virou-se para o resto do pessoal.

- Não sei quanto a vocês, mas eu vou para a praia. Estou precisando de sol.

- Espera ae — gritou a maioria dos homens.

E Apolo só riu outra vez, e foi para a praia.

Podia ser divertido.

Mas, como faria para ficar com Artemis? Precisava de um plano.

Um belo plano.

Sentou-se em uma das pedras e fitou o horizonte.

Longos dias com a família, isso sim.

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Notas da Autora.

*suspirando* Ai, ai, adoro dias em família... Sempre complica taaaanto sua vida ^^ Com a Afro (ou Dite, se quiserem) fica ainda melhor.