Uma Viagem Perfeita
21 Capítulo 18 - Pizza e Despedida.
Notas iniciais
Então, aqui vai seu presente, Annie ^^
Muito, muito obrigada mesmo *------------*
Após saírem do mirante, por volta das seis e meia, caminharam em silencio até o carro, com os dedos cruzados um nos outros. Apolo, completamente entregue a aquela sensação de paz e amor que dominava todos os demais sentimentos com aquela mão gelada contra a sua, andava sem pressa, quase triste por terem de voltar ao hotel. Sem contar a viagem marcada às onze da noite para Califórnia. De acordo com Afrodite, que ligara há pouco tempo para o celular do deus, que todos os olimpianos iriam para lá também, curtirem um pouco aquele local. Não por ser egoísta, mas, como ficaria sozinho com Artemis assim? Fitou a garota ao seu lado. Encontrava-se de olhos fechados, sorrindo apoiada contra seu braço, feliz. Como poderia ter um momento a sós? Contaria a todos eles sobre o relacionamento que desfrutavam neste exato momento? Ou esconderiam?
Perguntas e mais perguntas começaram a atormentá-lo, deixando-o inseguro.
Estaria ela disposta a engolir seus votos para estar ao seu lado?
Iria contra seu pai por isso?
Ou... renunciaria-o assim que voltassem ao Olimpo, ou mais cedo ainda, na casa de praia em Califórnia
De repente, sentiu-se muito melhor por não ter dito aquelas três palavras essenciais no calor do momento. Ela seria mesmo capaz de magoá-lo? Já não sabia mais as respostas para tantos questionamentos. Com um suspiro preocupado, abriu-lhe a porta do carro sob a friagem e esperou que sentasse.
- Vamos jantar, o que acha? — ela deu a idéia, com um sorriso.
Só com aquele repuxar de lábios dela, ele sentiu-se um idiota por imaginar que poderia tê-la por mais tempo que aquela viagem. Espere, de onde vinha aquela certeza toda? Ele não era mais Apolo, o deus que consegue tudo? Sem pestanejar, notou. Não, aquele era o Apolo de Artemis, que reconhecia o sentimento limitado de que aquilo iria acabar muito rapidamente.
- Apolo? Ei, você tá ai?
Ele balançou a cabeça, acordando dos pensamentos que se repassavam muitas e muitas vezes pela sua mente e sorriu.
- Desculpa, desliguei — piscou — Que tal irmos comer uma pizza Margherita?
Apesar de sorrir, ele notou uma preocupação em seus olhos.
- Você está mesmo bem, Apolo?
Sim, ela havia notado.
- Estou perfeito, maravilhoso — e colou um selinho na boca dela — Acompanhado da mulher mais linda do mundo.
Ela sorriu, corando.
- Bajulador.
Assim, adentrou o carro puxando a porta. Apesar de toda a insegurança que se abatia às vezes sobre si, viu-se rindo decrescente até o seu lado. Com rapidez, deslizou pelo banco, fechou a porta e ligou-o, tudo quase sem respirar. Assim que ligou o som, a música romântica da Taylor Swift que ele desconhecia começou a tocar, fazendo-o rir da rádio.
- Parece tudo estar ao nosso favor — disse com um sorriso para a deusa ao seu lado — Até com direito a musicas melosas.
Artemis riu e revirou os olhos, e depois chegou mais perto, aproveitando-se do fato de ainda estarem parados, para lhe dar um beijo suave e um pouco demorado.
- Agora — falou ao soltar-se, os olhos brilhando para ele — Sim, tudo esta ao nosso favor.
Ele sorriu, e deu ré no carro, continuando um pouco sem ar. Logo que pode, fez a curva e voltou-se para uma das poucas vias disponíveis a carro. Dirigindo com uma só mão, segurou por poucos segundos a mão gelada dela.
- E depois eu sou o aproveitador.
Retirando os olhos por poucos minutos da estrada, a viu sorrir e revirar os olhos.
- Mas, eu aproveito só às vezes, não sempre.
- Uhum, acredito.
Era claro ser uma afirmação retórica, e ela riu disto.
- Sua perspectiva de mim me surpreende, Apolo. Como pode dizer que eu sou aproveitadora?
- Agora, por exemplo, seu sorriso está me deixando louco para te beijar, mas sabe que eu estou dirigindo e não posso chegar a você.
- Isso, querido — colou um beijo em seu rosto — Nós mulheres chamamos de poder de sedução. Eu sou irresistível.
- Espera só até ver eu poder me mover sem bater o carro e verá Artemis.
Sua ameaça fora pra valer e pelo canto do olho, a viuela sorrir e tremer.
- Estarei esperando — bocejou — Não demore muito.
Nada disse ele depois disso, consciente até por demais do modo como seu calor esfriava perto dela e de ter todas as suas terminações nervosas estalando. Tão pouco ela puxou assunto, mas aumentou o volume e cantou baixo uma música do Bruno Mars. Talking to the Moon, caso não estivesse enganado. Com o som da sua voz, ele sorriu e dirigiu, calmo e tranquilo.
Apolo acabou por escolher uma das pizzarias indicadas por Afrodite, a Da Sandro. Mal haviam se sentado em uma das mesas exteriores e uma garçonete já os atendia, aos sorrisos, em sua maioria jogadas para o deus. Estava na cara que lhe dava moral e internamente riu da cara de nojo de Artemis, mostrando sua diversão com um leve sorriso de canto.
- Uma pizza Margherita e dois copos de Coca — pediu em um italiano fluente, vendo-a anotar em um tipo de celular digital.
- Algo mais, Senhor? — perguntou eficiente.
- Por agora, só.
Assentindo, a garçonete sumiu pelas portas de vidro do local, em passos rápidos. Apolo, no entanto, estava mais focado em ver como Artemis ficava quando estava louca para matar alguém. E essa idéia o divertiu.
- Se você continuar com essa olhada mortal, vou jurar que está com ciúmes, querida.
Ela revirou os olhos e desviou os olhar, o maxilar trancado.
- E seu eu estiver? E dai? Ela praticamente te despiu e te comeu agora.
Ele riu do modo agressivo dela.
- Então, você está com ciúmes daquela garotinha?
Agora, ela o fitou, bem perto de si.
- Como eu disse "E seu eu tiver, em? Vai proteger a garotinha"?
- Não, vou dizer que você fica linda ciumenta. — E colou sua boca na dela rapidamente, trançando suas mãos. — E mais linda ainda quando fica surpresa como agora.
- Apolo.
Ele riu com seu tapa suave e aproximou-se de sua nuca, o nariz delineando de leve o local em que as marcas arroxeadas de sua mordida descoloriam aos poucos.
- A única que eu estou pensando agora, sem duvida, não é a garotinha que deixou você ciumenta, Artemis. — Apolo sorriu com o arrepiar dela aproveitando para morder de leve bem ali. — E muito menos é alguém alem de você.
- Para, Apolo, estamos em área publica.
Dessa vez ele riu ao se afastar com o corpo em chamas e fitá-la corada, claramente envergonhada de ter suspirado com uma só mordida em sua nuca.
- Só porque você pediu, eu paro. Mas se fosse por mim...
- Tá, entendi, dá pra parar? Eu to ficando mais vermelha que uma cereja.
- Uma linda cereja por acaso.
- Apolo.
Ambos riram e apertaram seus dedos. Para ele, aqueles dedos finos e macios contra os seus era o paraíso proibido, e outra vez amou muito ter quebrado as regras e vindo com ela para essa viagem. Se não tivesse aceitado, o que seria dele agora?
Apos comerem muita pizza Margherita com coca-cola é que voltaram ao carro. Riam de algo, no instante em que Apolo recordou-se de alguém. Seria muita falta de educação ir embora sem nem ao menos despedir-se, ainda mais alguém que ficou ao seu lado durante dois dias inteiros. Com um suspiro, ele parou a frente da casa de Caroline e fitou uma Artemis confusa.
- Preciso só de dois minutos — prometeu ao desligar o carro e sair, fechando a porta atrás de si com um estalo baixo. Com rapidez, apanhou seu celular e discou o numero já conhecido de Caroline. Em seu segundo toque, ela atendeu. — Poderia vir aqui embaixo, rapidinho?
- Claro, deixa eu só vestir uma roupa melhor.
E assim desligou. Teria muito a agradecer a ela. Em passos largos, chegou à frente da porta e esperou. Sentia sobre si o olhar de Artemis, mas não retribuiu. Primeiro, daria tchau a aquela garota.
Pouco menos de um minuto, Caroline abriu a porta de madeira branca e sorriu para ele, os cabelos loiros presos de qualquer jeito em um coque e trajando um vestido comum de flores que só realçava ainda mais aqueles olhos azuis escuros.
- Eu vim me despedir — disse um pouco triste. Por mais que gostasse muito de Artemis, Caroline também havia tornado-se alguém muito especial para si.
A loira sorriu e desviou os olhar para o carro. Ele sabia o que ela via, e perguntou-se o que ela pensara sobre aquilo. Mas tudo o que viu ao fitá-lo outra vez foi pura e latente felicidade. Sem avisar, o abraçou com força.
- Você é um ótimo amigo, tigrão — piscou, apos soltar-se dele. — E me diverti muito aqui por sua causa.
- Você é uma ótima e linda amiga, Carol. E desculpe por não ligar hoje. É que... — olhou para Artemis e depois a ela, com um suspiro — Eu tive um imprevisto.
Caroline sorriu e fez um sinal de descaso.
- Que isso, tigrão, relaxa. Eu já havia notado ontem o que acontecia entre você e Claire. Era obvio que era muito mais do que amizade comum.
Apolo arregalou os olhos, pasmo com isso.
- Você já desconfiava?
Ela assentiu.
- Já, por isso que pedi para ligar se quisesse sair hoje. Eu havia visto como olhava para ela — ela encarou o vidro do carro — Garota de sorte.
Muito surpreso, ele abaixou o olhar.
- E como eu a olhava, Carol?
- Como um homem apaixonado olha uma mulher. Estava claro que está louco por ela. Só de falar no nome dela, seus olhos brilham e você sorri automaticamente — sorriu — E desde sempre eu soube que você realmente amava ela. Talvez eu esteja supondo demais, mas... — deu de ombros — Foi o que eu vi.
Apolo a olhou maravilhado e lhe deu outro abraço.
- Você é única, Carol. Prometo vir vê-la mais vezes.
Ela afagou suas costas e soltou-se dele, para logo depois empurra-lhe pelos ombros para o carro.
- Venha mesmo, mas corra, vai para Claire antes que ela venha me matar.
Ele riu, depositando um beijo na bochecha dela e deu a volta pelo carro, abrindo a sua porta em seguida.
- Ah, Caroline — chamou-a, uma vez que já adentrava a casa — Obrigada por tudo.
Caroline sorriu, realmente feliz e acenou, pronta para fechar a porta
- De nada, tigrão.
Assim, ele deslizou pelo banco de couro e foi embora.
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