Notas iniciais
Estou tão ansiosa quanto vocês, a semana com dois caçadores e um anjo esta prestes a começar.

Continuávamos no mesmo lugar, imóveis, o que faríamos agora, pelo que sei, as Graças são muito poderosas, a fonte X de energia de cada anjo. Meus pensamentos não eram suportáveis, tinha insistentemente que compartilha-los com alguém, quebrei o silêncio.

– Por isso Castiel esta demorando tanto pra se recuperar, Castiel é...

– Humano. – Sam terminou minha frase.

Não parecia ser real, um universo paralelo roubou nosso anjo, não sabia mais o que pensar, aquela mulher, com certeza era algum anjo superior, ou um mensageiro de Deus, ela não quis nos ajudar, também, quem em sã consciência falaria para os Winchester onde estaria a Graça, talvez nem ela soubesse, muitas coisas me perturbavam, porque ela teria dito que sou uma ameaça, tem ameaça maior do que dois caras que abriram o portão do inferno e começaram o apocalipse ?

Precisávamos tirar Castiel de lá, se um anjo sabia demônios com certeza seriam os próximos, nada fica guardado a sete chaves, e era nossa obrigação protege-lo, e resgatar a Graça. Afinal, os rapazes precisavam dela e eu queria ajudar.

– Agora você concorda que precisamos tirar ele daqui ? — Dean estava furioso

“Minha nossa, esse cara nunca fica calmo” pensei comigo, lhe fazendo esperar, era meu orgulho falando mais alto, não queria admitir que ele tinha razão, seria perigoso agora, mas só agora, porque antes, se não soubéssemos do acontecido, insistiria até a morte para que Castiel ficasse a cuidados médicos até melhorar.

– Faça como quiser. – Abaixei a cabeça e sai da sala. Sam me seguiu.

– Eu sei Grace, sei como é difícil esse seu desentendimento com Dean, mas vamos lá, de uma chance, eu também sei que concorda com ele, e precisamos tirar Castiel daqui.

– Precisamos tirar Castiel daqui. – Concordei com a segunda parte, Sam sabe que sou tão difícil quanto Dean, e que a segunda chance seria muito bem pensada. – Precisamos de um plano.

Voltamos para sala e Dean estava perto da cama de Castiel, ele se assustou quando abrimos a porta, contra minha vontade nos juntamos no centro da sala para decidir o plano, tinha que ser alguma coisa ágil, que não chamasse tanta atenção, tínhamos que tirar um paciente do hospital e isso não seria fácil, talvez tivesse anjos guardado as portas, ou pior... demônios.

Depois de algumas horas, decidimos plano A, Dean desceria e pegaria o carro, ficaria nos esperando na porta dos fundos, já com o motor ligado e a porta aberta, caso alguém notasse nossa mudança brusca de ambiente já estaríamos longe, eu me passaria por enfermeira e Sam por médico, por sorte o médico havia deixado sua prancheta de anotações sobre a mesa, anotei num papel os remédios e os horários que Castiel deveria seguir, afinal estávamos lidando com um humano agora. As coisas teriam que ser feitas nos mínimos detalhes, qualquer erro seriamos pegos, cada tempo cronometrado. Tomaríamos ação do nosso plano quando fosse noite.

Nesse tempo que nos sobrava, procurei por uniformes, peguei um pra mim e um pro Sam, Dean não teria que fazer muito, então ele ficou na lanchonete comendo e piscando para cada garota que passava. Por sorte logo encontrei o que precisava, passei pelos corredores sem que alguém me notasse, algo me chamou atenção, era uma sala cheia de remédios, pensei em como seria complicado comprar algo quando tínhamos dinheiro apenas para comida.

Eles não sentiriam falta de alguns remédios, tirei do bolso o papel onde havia anotado os remédios que Castiel precisava, peguei apenas o que eu precisava, não poderia deixar falhas entre prateleiras, notariam o roubo. Sai sem ser vista, cheguei até o quarto e Sam estava lá.

– Consegui o que precisamos. E umas coisinhas a mais.. – Falei balançando os remédios.

– Ótimo, está quase na hora, cadê o Dean ? – Sam pegou o celular para ligar pra ele, mas não precisou fazer a ligação. Dean me parecia melhor, ele entrou logo fazendo gracinhas.

– Por que o Dr. e a enfermeira ainda não estão com as roupas brancas ?

Sem pressa fomos nos trocar, guardei meu vestido na bolsa de Sam, seria uma pena deixa-lo lá, me custou tão caro, com certeza me ajudaria em outras ocasiões. Estávamos prontos, Dr. Fletcher e sua enfermeira. Dean já estava fora do hospital, sem nenhum problema para ele, seguimos nosso plano, não falamos com ninguém, não olhamos pra ninguém, os corredores estavam vazios e levamos Castiel.

Tudo correu bem, Sam pegou Castiel no colo e colocou no banco de trás, fui junto com ele para dar-lhe assistência se precisasse, Sam entrou no carro e Dean deu a partida, olhei para o prédio e vi duas pessoas nos olhando pela janela, eles me pareciam furiosos, mas tinham um sorriso maligno pregado no rosto.

– Operação resgata anjo, comprida – Dean parecia vitorioso.

– Onde vamos esconder Castiel ? — Perguntei aflita, claro, conseguimos tirar Castiel do hospital, mas não conseguimos despistar os anjos e demônios.

– Bobby – Dean e Sam falaram juntos.

– Mas antes, vamos deixar você em Danville – Disse Dean, só para me provocar.

– Mas é claro que não, vou com vocês, eu achei o anjo, eu liguei para os Winchester, e sou eu que vou ajudar a procurar a Graça. – Tinha raiva misturada com um ar de liderança em minhas palavras.

Dean olhou para Sam, e ele pareceu concordar comigo, fazer o que, eu sempre tinha razão e argumento. Eles não falaram mais nada, acho que iriamos para a casa do Bobby, a escuridão tomava conta da estrada, enquanto um humano quase anjo dormia no meu colo.

Paramos em um bar da estrada, era a fome falando mais alto, Dean olhou para Sam.

– Não vou querer nada, obrigado. – Dean me encarou.

– Vou querer um lanche com bacon e batata frita, trás refrigerante também.

– Querida isso aqui não é fast-food. — Dean estava quase saindo do carro quando afirmei em cima de seu cometário:

– Faça o melhor que conseguir.

– Você sabe mesmo como tirar ele do serio – Sam riu.

– Sei é ? — Perguntei querendo saber mais.

– Ele fala sobre você, comenta como tem pulso firme quando quer alguma coisa.

Sorri meio boba, como Dean era esperto, porém é tão orgulhoso quanto eu, somos tão parecidos, mas não posso dar logo de cara cem pontos positivos pelo simples comentário de Sam, ele poderia estar falando isso só para me agradar.

– Se você diz.. talvez eu de a ele aquela segunda chance. – Sam sorriu como quem diz obrigado.

Dean entrou no carro com duas sacolas, a minha ele jogou no banco de trás, acabou acertando a cabeça de Castiel, por sorte não era tão pesada, gritei.

– DEAN.

– Que foi ?

– Acertou a cabeça do nosso anj.. humano, mais cuidado.

– Foi mal.

Foi um tanto quanto engraçado, ri por dentro, coitado do Castiel, viajando com malucos. Seguimos viajem ouvindo as músicas de rock mais clássicas da América. Elas me fizeram dormir, acordei apenas com batidas de porta e a luz clara queimando meu rosto. Abri os olhos, só conseguia ver embaçado, passei a mão pelo rosto e consegui enxergar pela janela do carro:

"Ferro velho do Singer"

Levantei depressa e sai do carro, acabei caindo um pouco a diante, Sam me ajudou a levantar e perguntou atencioso se estava tudo bem, era só mais uma das minhas tonturas, já era normal. Dean bateu quatro vezes na porta, e logo Bobby atendeu, eu estava meio que atrás dos rapazes, eles me cobriam.

– Vejam só, o que trás Dean e Sam até minha porta sem prévio aviso ?

Eles deram espaço para que Bobby visse o anjo dentro do carro, mas antes disso, tinha eu, parada entre os dois, olhando com um sorriso para ele.

– Minha nossa Grace, como você cresceu. – Bobby me abraçou.

Notas finais
Sim, sim.. confesso que nem eu me surpreendi tanto com esse capítulo, mas precisava dar continuidade com a história, não poderia deixar alguma parte faltando, espero que gostem, e gostaria de saber se vocês já imaginam com quem esteja a Graça de Castiel e como Bobby conhece Grace. Obrigada =3