Uma Semana Com Dois Caçadores E Um Anjo
4 As a Father
Notas iniciais
PLÁGIO É CRIME.
– Minha nossa Bobby, como você.. deixa pra lá. – Dean e Sam se olharam perplexos.
– Vamos entrando. – Acabamos esquecendo Castiel dentro do carro, eram tantas recordações e os rapazes estavam meio... sem reação.
Nos três nos sentamos no sofá e Bobby olhou para mim com as mãos na cintura e disse:
– Qual é o problema desta vez mocinha ?
~ Flashback Grace ~ Quando acordei, só conseguia ver uma fresta de luz, distante de onde eu estava, senti que o ambiente não era nada agradável, úmido, sombrio, não sabia nem porque estava lá para dizer a verdade, tentei me mexer mas estava presa, meus pulsos amarrados nos braços da cabeira, minha cintura também estava imóvel. O silencio me causava náusea, pelo menos se tivesse companhia, não estaria tão apavorada, ouvi um barulho, eram passos alternados com pingos que caiam de um cano velho que tendia ao meu lado, teria sido melhor o desejo de ficar sozinha, teria sido melhor a sensação de náusea.
A luz se acendeu e pude ver, era um galpão velho, cheio de tambores, as paredes eram de um verde militar, todo descascado, tinha correntes penduradas por toda parte, grades enferrujadas e tinha eu, sozinha, abandonada no meio de toda aquela bagunça, e também tinha uma mulher, que vinha em minha direção, cabelos louros com cachos caindo perfeitamente sobre os ombros, vestia uma calça vermelha quase marrom, uma bota de salto e um casaco de couro preto. Ela rodeou minha cadeira, bagunçou meu cabelo e se ajoelhou na minha frente e então consegui ver seus olhos, eles eram negros.
Tentei me mexer, mas ela segurou meu ombro balançando a cabeça como quem diz “não faça isso”, ela então tirou uma faca do bolso, e começou manuseá-la na altura dos meus olhos, ela parecia querer corteja-la, até que ela começou fazendo cortes profundos em meus braços, pernas, me dava tapas fortes, e sorria a cada ato, ela parecia realizada com a minha dor. Eu me debatia, tentava me soltar, meus gritos eram ensurdecedores a cada corte, aquela tortura estava acabando comigo.
Aquela mulher olhou firme em meus olhos, apertou a faca em suas mãos, levantou como se fosse me dar um golpe, mas por sorte um barulho lhe fez parar, a porta por onde aquela monstruosidade tinha saído estava sendo também a porta para meu salvador, ele entrou sem medo, destinado a matar, ele também segurava uma faca, ela me olhou furiosa e disse:
– Cuido de você depois.
Ela enfrentou aquele homem, ela estava confiante, a mulher conseguiu se esquivar do golpe de direita, puxou o braço do homem e lhe deu um soco de esquerda, ele cambaleou para trás, mas ainda não estava derrotado, ele caminhava furioso em sua direção, mas apenas com o levantar de sua mão, o homem foi jogado longe, bateu contra uma das grades e caiu, escorria sangue de sua cabeça, ele ficou lá, imóvel, ela se virou e soltou a respiração com um ar triunfal, começou a andar novamente a minha direção, desta vez ela não perderia tempo, iria me matar, porém aquele homem estava mesmo destinado a matar, ele havia levantado e estava seguindo a mulher, arregalei os olhos, pois ele estava prestes a golpeá-la, ela se virou e meu salvador gravou a faca em seu pescoço, uma luz forte saiu de dentro de sua boca e de seus olhos, então ela caiu. Minha visão foi ficando embaçada e minha cabeça foi tombando para frente, olhei para cima e pude ver um homem velho, de barba por fazer, isso foi a ultima coisa que vi antes de desmaiar. ~flashback Grace continuação~
– Bobby não dou mais tanto trabalho. – Ele riu como se duvidasse, afinal, eu sempre fui de dar algum dos meus problemas pra Bobby cuidar.
~flashback~ Bobby P.O.V: Depois que matei aquela vadia, vi uma garotinha, ela estava sangrando e sangraria até a morte se eu não ajuda-se, desamarrei ela da cadeira, segurei ela nos braços e levei para o hospital mais próximo, me passei por avô da garota, os médicos a colocaram em um quarto especial, aqueles cortes me deram o maior trabalho, como iria explicar aquilo tudo ? Depois de medicada, ela estava limpa, mais ainda desmaiada. Escrevi em um papel “ligue se precisar” e coloquei meu numero, deixei na cabeceira da cama e desci, quando passei pela recepção, vi um pai brincando com seu filho, ele me parecia muito doente, mesmo assim o pai fazia o que podia para alegra-lo, me senti mal por deixa-la sozinha novamente, dei as costas para a recepção e voltei para o quarto, peguei o papel, amassei-o e joguei no lixo.
A garotinha ainda não havia acordado quando os médicos lhe deram alta, e lá estava eu, mais um vez com uma criança no banco de trás do meu carro, a levei para Ellen, um homem como eu não seria capaz de cuidar dela. Não que o bar da Ellen seja ambiente, mas sei que ela estaria mais segura lá, do que comigo. Contei a história toda para Ellen, e ela também se sensibilizou, não achou ruim que ela ficasse, a garotinha seria a irmã mais nova para Jô.
Ela me fez prometer que não ensinaria nada do trabalho para ela, que essa criança teria um futuro normal, e que trabalharia num bar, até que achasse uma boa faculdade. Eu tinha que voltar ao trabalho, mas quando a garota abrisse os olhos, era para Ellen ligar para mim. Passaram-se dois dias, e o telefone tocou.
– Bobby ? Grace esta de pé.
Peguei o carro e cheguei lá o mais rápido possível, ela estava sentada em uma cadeira, isolada.
– Ela não quis comer nem beber nada.
– Deixa comigo Ellen. – Eu estava nervoso, não sei lidar com crianças. – Olá. – Ela não levantou a cabeça, porém respondeu.
– Olá.
– Sou Bobby. – Ela então levantou os olhos vagarosamente e sua expressão mudou, ela sorriu, saiu de sua cadeira e me abraçou.
– Obrigada.
Ela se lembrava, com certeza havia me visto antes de desmaiar e agora estava me agradecendo por ter salvo a vida dela. Depois que ela se acalmou, peguei uma cadeira e me sentei do seu lado.
– Sou Grace.
Ela me contou onde morava, me contou da sua linda casa com cercas brancas, de seu cachorro Spock, e seus pais, ela me disse o quanto doeu tudo aquilo, e realmente não fazia ideia de como tinha sido levada pra lá, e que estava morrendo de medo que aquilo viesse atrás dela de novo, ela parecia desesperadamente querer respostas. Uma garotinha de 10 anos, torturada por um demônio, com certeza isso ficaria em seu inconsciente.
Passei a visita-la toda semana, Ellen cuidava muito bem dela, e Jô era ótima. Acabei descobrindo que seus pais haviam sido mortos no mesmo dia que ela foi pega, o motivo, eu ainda não sei, e a única coisa a fazer, e contar a ela. Seria um tanto quanto difícil, mas eu mesmo o fiz. Ela chorou muito, naquele dia, eu não fui embora, fiquei lá, ela dormiu em meus braços. Me senti na obrigação de protege-la, nenhum mal chegaria perto de Grace.
Depois de alguns anos, aquela garotinha meiga cresceu, e se revoltou, bebia escondido, não obedecia mais minhas ordens. Até que um dia eu mesmo tive que para-la.
– Grace precisamos conversar.
– Você não é meu pai. Vai embora.
– Garota mimada, sua mal agradecida, queria morrer na mão de uma vadia desgraçada ¿ Tivesse me falado, no momento em que te peguei nos braços, no momento em que dei as costas daquela recepção e voltei pra ficar com você, não imaginaria que ia se transformar nisso ai, roubando do lugar que te acolheu com tanto carinho.
Grace não me olhou sequer por algum minuto, pegou umas roupas e jogou tudo dentro de uma bolsa, pegou o celular e colocou no bolso.
– Vocês nunca me contam nada, nada sobre papai e mamãe, nada sobre essa vadia desgraçada, eu vou embora.
Ela passou por mim como vento, antes que pudesse deixa-la ir embora pra sempre, segurei forte seu braço, ela olhou furiosa pra mim e eu disse.
– Não me ligue, não ligue para Ellen, o que acontecer lá fora é problema exclusivamente seu, se morrer... vai morrer sozinha.
Ela concordou com a cabeça e saiu, tinha certeza de que minhas palavras iriam assusta-la, mas aquela garota era mais forte do que eu pensava, o tempo que passou aqui, deve ter aprendido como os problemas vão e vem, e que nada dura, eu sentiria falta dela, talvez se ela morresse, eu nunca me desculparia, mas a escolha é dela.
Voltei para a casa, porém nunca perdi o habito de ligar para Ellen, só para saber se minha garotinha havia voltado pra casa. Passaram-se meses e meses, cansei de ligar, temi por alguma noticia ruim, então parei. Tentei parar de me importar também, passei algumas semanas nesse regime, um regime sem Grace. Até que no meio da madrugada, alguém bateu à minha porta, abri e dei de cara com Grace, toda machucada, suja e com muito sangue, sangue dela e dos demais que vinham perseguindo ela desde que ela saiu do bar.
– Me ajuda. ~flashback Bobby fim~
~flashback Grace continuação~ Acordei e estava em um lugar diferente, a cama pelo menos era macia, e eu tinha muito curativos, uma mulher chamada Ellen veio a meu encontro, ela foi muito atenciosa, mas eu queria ficar sozinha, pensar no que havia acontecido, ela me colocou em uma cadeira, aparentemente estava em um bar, não quis fazer muitas perguntas, só queria respostas. Mais tarde, um homem veio falar comigo, Bobby, meu salvador. Passei semanas naquele bar, ele ia quase todo dia me visitar, tínhamos ótimos momentos, Ellen e Jô eram uma graça comigo, até que um dia, me responderam a pergunta que me fez calar, que me fez chorar e pensar na vida como um eterno pesadelo, meus pais, eles nunca iriam me buscar para voltar pra casa, nunca mais veria o rosto da minha mãe sorrindo quando me pegava usando suas maquiagens, nunca mais veria o sorriso de orgulho do meu pai quando ele via minhas notas em matemática, tudo, tudo que eu havia vivido, nunca mais se repetiria, seriam apenas lembranças, pequenos flashabacks que dividiram minha vida em sonho e pesadelo. Eles foram embora, para sempre, e eu não tive a oportunidade de dar um abraço de adeus, um beijo de despedida, nenhum olhar amoroso, sorriso alegre, momentos confortantes. Tudo esta por um fio. Mas Bobby foi carinhoso comigo, me abraçou e ficou lá pelo resto do dia.
Passaram-se anos, e algumas respostas ainda tinha que ser respondidas, porém eles fugiam delas, eu estava completamente desolada, perdida, então me revoltei, comecei a beber escondido, era um outro eu agindo por si só. Bobby veio falar comigo e eu o magoei, a ultima coisa que me disse antes de eu fugir foi “se morrer... vai morrer sozinha.” Me senti acabada, mal por tudo, ai que rebelei mais ainda, tentei ir até minha cidade, encontrar meus pais, o que sobrou deles pelo menos, eu não tinha mais ninguém, nem pai, nem mãe, nem Bobby.
Passei meses escondida em becos, até consegui um emprego em uma lanchonete, precisa de dinheiro para passagem, até que um dia consegui o suficiente e fui para a rodoviária, eu estava sozinha, era uma noite fria, dois homens se aproximaram de mim, pude ver seus olhos, e eles eram como os daquela mulher, negros. Tentei escapar, mas eles me seguraram, lutei com eles, uma coisa que Bobby me ensinou foi nunca desistir, por pior que seja a situação. Eles me levaram para uma sala, por mais estranho que seja, tonturas são normais em ocasiões deste tipo, eu apago, e não me lembro de parte dos acontecimentos, é como que se alguém não quisesse que eu vivesse aquilo.
Eles me torturaram, era demais para minha cabeça, mas eles simplesmente foram embora, nem era o meu limite, não sabia se iriam voltar, não podia perder tempo, consegui me desamarrar com um canivete que havia ganhado do Bobby em um dos meus aniversários, corri até a porta e estava trancada, por sorte, Jô havia me ensinado como abrir portas com grampo de cabelo, tentei ser mais rápida possível, consegui abrir.
“Droga” eles haviam posto alguém para me vigiar caso tentasse fugir, senti sua presença e quando me virei ele já estava frente a frente. Fiquei olhando assustada para ele, mas consegui ser mais rápida, tirei sua atenção com minha expressão e enquanto ele pensava estar me assustando, eu peguei minha faca e cortei sua mão, o sangue espirrou por toda minha roupa, ele pareceu não sentir dor alguma, tentei fazer igual Bobby quando me salvou, mas ele me acertou com um soco, tentei me recuperar e enfiei a faca em seu peito... nada de luzes, nem morte, ele simplesmente tirou a faca e estava mais furioso.
Não sei como, mas consegui dribla-lo e fugir daquela sala, corri o mais rápido que pude, minhas pernas latejavam, mas eu não sabia a hora de parar, se olhasse para trás estaria morta, “fuja enquanto há oportunidade” Jô parecia sussurrar em meus ouvidos, só para me lembrar, nunca entendi por que ela me dizia isso, mas agora, tudo faz sentido. Já estava sem folego quando consegui pegar um ônibus, fiquei de cabeça baixa o tempo todo, apaguei. Quando me dei conta, já havia chegado em meu destino final. Pude ver a placa “Ferro velho do Singer”
– Me ajuda. ~flashback Grace fim~
Continua...
Fale com o autor