Uma Segunda Chance
2 Capítulo II - Consequencias
Notas iniciais
“Sempre tem esse impasse de manter o bom senso e fazer o certo. Ou arriscar-se. Arriscar-se pode trazer bons resultados. Mas também pode causar péssimas consequências. Pode derrubar. Ainda assim, às vezes, de vez em quando, você acaba burlando as regras. Arrisca muito alto. E quando você consegue o resultado que queria, não há sensação melhor no mundo. Mas, quando ocorre o contrário...”
Regina desmaiou por alguns minutos. Quando acordou estava em cima da parte frontal do carro. A respiração estava fraca. A cabeça, virada de lado, permitia ver algumas coisas ao seu redor. Ouvia umas vozes, mas não conseguia entender nada. Sentia dor e gemia. Estava com medo. Tentou levantar, mas a única coisa que conseguiu foi mexer os dedos da mão direita. Por fim, fechou os olhos.
— Dr. Nolan, está terminando? – perguntou Dr. Ruby Lucas
— Em um segundo. O que é?
— Tudo bem... Eu esperarei. — respondeu ao David que estava quase acabando a cirurgia.
— Hoje tive um dia bem conturbado. Achei que essa cirurgia ia ser bem difícil, mas posso dizer que fui brilhante na retirada desse tumor. – o homem falou sem perceber que Ruby estava impaciente — Eu não estou querendo ser esnobe, mas realmente fui brilhante. Sou um gênio. Pronto. Terminei. O que é? – perguntou assim que terminou os últimos pontos e indicou ao residente para fazer o fechamento da cirurgia.
Quando David chegou à sala de cirurgia e constatou que a informação dada por Ruby Lucas era realmente verdadeira questionou.
— O que houve afinal? — sua voz tinha um tom indecifrável. — O Que houve afinal? – gritou.
— Carro contra caminhão. Não sabemos ao certo. – respondeu Dr. Whale— Só sabemos que...
— Lesões? Ferimentos? Contusões? – David interrompeu
— Ainda não sabemos ao certo. Os exames não indicam muito por causa da hemorragia que precisaremos conter. Vamos saber o que realmente temos aqui assim que a abrirmos – tornou a responder Whale.
— Como diabos não sabem? Tragam-me um jaleco. – disse nervoso
— Amor, precisamos deixar que eles cuidem disso.
Margareth se pronunciou fazendo com que David notasse sua presença pela primeira vez. Na verdade, a esposa de David havia entrado na sala exatamente naquele instante. Tinha sido informada por Robin, um dos amigos do casal, que precisaria ir à sala acalmar e retirar David de lá.
— David, você tem que ficar fora disse – Dr. Killiam falou
— Eu não vou ficar fora disso. – falou olhando para Killian— É a Regina, Mary. A mãe do nosso neto – a última frase disse em tom triste olhando nos olhos da esposa.
— E é justamente por isso que não devemos estar aqui David. – Margareth disse passando a mão no rosto do homem loiro.— Não é o melhor para Regina, entende?
— Você não pode, amigo. Sinto muito, mas não pode ser médico agora. – enfatizou Killiam
— Dane-se você Killiam – falou irritado.
— Nolan – Ruby tentava chamar-lhe a atenção.
— Danem-se todos vocês. – disse colocando o jaleco que tomou da mão de uma das residentes.
— David, olhe para mim. Olhe para mim, David – Margaret tornou a pedir, dessa vez puxando o rosto do homem para que ele pudesse olhar em seus olhos— Eu sei que é difícil, a Regina é a nossa família bem antes até do Henry entrar nas nossas vidas. Eu sei que ela é como uma filha para você. Mas, a melhor maneira de a gente ajudar ela agora é recuando. A gente precisa deixar que eles façam o que a gente não pode fazer racionalmente, entende? – os olhos lacrimejavam— Eles são a melhor chance dela. – Mary falava com um tom doce e calmo, embora os olhos lacrimejantes demonstrassem o contrário, tentando convencer o marido que já concordava balançando a cabeça.
— Chamem Gold, ele vai estar no comando. – David ordenou. Queria o melhor para Regina e sabia que o homem faria tudo para não perder. Gold odiava perder pacientes. Era um médico baixo, magro, rosto fino. Olhando para ele ninguém dava nada, mas era o melhor. Praticamente um Deus na cirurgia.
Algumas horas haviam se passado. Emma havia sido informada pela mãe do ocorrido. E assim que chegou ao hospital todos a observavam. E apesar da loira buscar alguém com os olhos, sequer notou era observada pelos funcionários. Todos conheciam a família Nolan-Mills. Emma parecia desesperada em encontrar alguém e apesar de todos saberem a razão ninguém teve coragem de abordá-la, exceto por Neal. David observou o homem indo até a filha
— Emma. Emma. – ela se virou, não por ouvi-lo chamá-la, mas porque teve o seu braço levemente puxado. – Os seus pais estão sentados ali na frente – ao perceber que a loira não havia dado muita atenção, e que ela simplesmente retirava a mão dele do próprio braço, repetiu em um tom bem mais alto. – Emma, os seus pais estão bem ali – apontava para o local e resolvia se afastar.
Foi até onde os pais estavam. Margareth a abraçou. David a olhou de uma forma indecifrável. Emma não entendia o que a mãe falava. Olhava para o pai como se dissesse que sentia muito.
— O caminhão... O carro dela foi atingido por um caminhão. Ela estava sem o cinto.
— Regina está bem? É só isso que eu preciso saber – perguntou já chorando
— Ela está com um traumatismo craniano violento. Gold está tentando consertar todos os sangramentos, mas... – o pai da loira dizia com um tom de voz duro— Mesmo que ela saia dessa ela pode ter danos neurológicos permanentes. E quer saber? – David continuava a falar mesmo vendo que a filha chorava como se fosse uma criança — A culpa de tudo isso é sua. – cuspiu aquelas palavras com raiva olhando para Emma.
— David – Margareth o repreendia sem entender o que estava acontecendo.
— Eu avisei a sua filha que se ela magoasse a Regina eu não a perdoaria.
— Nossa filha, David — a esposa falava enquanto abraçava Emma que soluçava de tanto chorar— A Emma está sofrendo. Ela ama a Regina. Ninguém tem culpa desse acidente ter acontecido.
David ia falar mais alguma coisa, porém o Dr. Gold havia chegado. Emma e a mãe só percebeu a presença do médico quando o mesmo pigarreou a fim de chamar a atenção das duas.
— Como minha mulher está, Gold? – Emma perguntou tentando evitar o choro.
— Ela está bem? Como foi a cirurgia? – Mary e David perguntaram ao mesmo tempo.
— Regina teve um traumatismo craniano muito severo. Eu consertei todos os sangramentos que encontrei. Fiz tudo que pude. Pode ser que ela fique com algum dano neurológico. Isso não é uma certeza. Temos que esperar ela acordar.
— E quando ela vai acordar. – Emma torna a perguntar
— Eu não tenho como responder isso, Emma. Como eu disse antes o traumatismo craniano foi muito violento, talvez a Regina acorde, talvez a Regina não acorde. Nós temos que esperar.
— Então é isso? Vocês não podem fazer mais nada? – Emma sentia um desespero só de pensar que a mulher que ela amava podia não acordar.
De todos ali presentes, Emma era a única leiga em medicina. Todos eram médicos, então entendiam a gravidade daquela cirurgia. Para Emma os médicos tinham que fazer alguma coisa para trazer a morena de volta. Não podia perdê-la daquele jeito.
— Sinto muito, Emma. – Gold falou— Fiz tudo o que podia fazer pela Regina. Agora é só esperar. — disse se retirando.
David ia falar mais alguma coisa para a filha, porém assim que Margareth percebeu, levantou a mão direita e colocou o dedo indicador na boca, ordenando mentalmente que, se fosse para destilar raiva e desentendimentos, era melhor ficar calado. Mary percebeu o quanto Emma estava sofrendo e não tinha dúvida do quanto a filha amava a nora. Sabia que brigas e discussões não iriam ajudar.
Finalmente foram autorizados a ver Regina. Emma sentiu cada músculo do corpo enrijecer ao olhar a esposa naquele estado. Ao ver todos aqueles aparelhos. Lembrou das palavras de Gold “Talvez a Regina não acorde”. Aquilo tudo parecia um pesadelo do qual ela não acordava. Internamente tentava se convencer “Ela vai acordar. Ela tem que acordar.”
— Eu não acredito que isso esteja acontecendo – Mary quebrou o silêncio— A Regina sempre foi muito cuidadosa no trânsito.
David chegou a abrir a boca para falar alguma coisa, contudo desistiu. Percebeu que nada do que dissesse ia ajudar. Além disso, após a esposa ter chamado a sua atenção, notou o quanto a filha estava abatida. Não conseguia esquecer o que Emma havia feito e talvez só o tempo o fizesse perdoar a filha. A verdade é que o homem tinha um carinho muito grande por Regina desde o dia que prometeu ao seu melhor amigo Henry, no seu leito de morte, que cuidaria da morena como se fosse a própria filha.
— A culpa é toda minha – a loira disse em um fio de voz— A culpa é toda minha.
Emma chorava. Emma soluçava. Qualquer pessoa que a olhasse sentia desespero em sua voz. A mãe a abraçou. Naquele momento, pela primeira vez David esqueceu o que havia acontecido. Na verdade, esquecer não era a palavra. Mas, o homem percebeu que precisava dar algum apoio a filha. Não importava o que havia acontecido. Emma também estava sofrendo. Acompanhou o abraço da esposa. Ali estavam os dois consolando a filha. Tentou transmitir na voz, ao máximo que pode, confiança.
— A Regina vai ficar bem. Ela é uma mulher forte. Ela vai ficar bem. – afirmou beijando a loira.
— Eu não queria que nada disso acontecesse, pai. Eu não queria. – Emma desmontava em lágrimas abraçando o pai... Precisava daquele apoio. – Se eu pudesse voltar atrás...
— Eu sei filha... Eu sei... – David falou em um suspiro em uma tentativa vã de acalmá-la— Vai ficar tudo bem.
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Três dias já haviam se passado. Os aparelhos já haviam sido tirados, porém a situação de Regina era a mesma... Ela não acordava. Henry continuava aos cuidados de Zelena. Ás vezes, para ir ver a irmã, a ruiva tinha deixava o sobrinho aos cuidados dos avós. Ao retornar de uma das visitas, ao Henry perguntar pela mama, jeito como o garoto chamava a mãe Regina, enganou-o dizendo que a morena tinha precisado fazer uma viagem.
Ema e Zelena não estava se relacionando muito bem. A irmã da morena não sabia o que havia acontecido naquele dia. Mas, sabia que o casal havia tido uma briga violenta. E tinha certeza que naquela briga a loira tinha alguma culpa. Continuava falando com a cunhada por causa do sobrinho, contudo a relação não era a mesma de antes. O clima era pesado, tão pesado que Emma sempre se retirava durante as visitas de Zelena.
A loira se mantinha forte por Henry, mas continuava abatida. Estava sempre ao lado da esposa no hospital. Saía somente para ficar um pouco com o filho ou para tomar banho e comer alguma coisa. Não tinha sido capaz de dizer ao garoto o que havia acontecido com Regina. Dizia para si mesma todos os dias que aquele pesadelo ia acabar. Tentava se convencer de que uma hora dessas a morena ia acordar... Mesmo que fosse para gritar com ela e manda-la embora.
Emma tinha colocado uma foto do filho próximo de Regina. Tentava de tudo. Qualquer coisa que lhe trouxesse esperança. Achava que aquela foto poderia dar força para a esposa acordar. A loira também conversava a morena. Falava de Henry. Falava das duas. Falava da família que haviam construído. Implorava que Regina fosse forte e voltasse para eles.
— Eu estou me sentindo tão quebrada sem você. – a loira dizia se banhando em lágrimas... Não se importava que Gold tivesse dito que Regina não ouvia.— Esse pesadelo parece que não vai acabar nunca. Eu te amo tanto. Eu sei que você está com raiva de mim, Regina. Eu sei. – Emma não conseguia controlar as lágrimas. — Mas, por favor, volta para a gente. Volta para mim. O Henry está esperando você.
Emma debruçava o rosto na cama. As lágrimas caiam. Sentia uma dor no peito que não sabia mensurar. A mão direita continuava segurando a de Regina. Se sentia desamparada. Ouviu um grunhido e seu coração acelerou. As lágrimas cessaram instantaneamente. Olhou para o rosto da morena, mas a mulher permanecia do mesmo jeito.
— Regina... Regina – chamou na esperança de que aquele fio de voz tivesse vindo da esposa.
Não era coisa da sua cabeça. Tinha ouvido um gemido fraco. Em seguida sentiu um toque leve em suas mãos. Foi automático. Os olhos fizeram o caminho para a mão que continuava junta a de Regina. O coração parecia que ia sair pela boca quando não só sentiu o toque na mão, mas também viu o dedo indicador da morena mexendo levemente. Não sabia o que fazer. Ouviu novamente um gemido baixo. E dessa vez, quando guiou o olhar para o rosto da esposa, viu o piscar lento de olhos... O Sorriso preencheu o rosto de Emma. Regina estava acordando.
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