Uma Segunda Chance
26 Capítulo 24
Notas iniciais
Eu definitivamente não gostava deste plano. Para ser sincero, o odiava. E mesmo assim, assistia o relado de como meu eu/futuro teve que concordar. Ele violou todos os meus instintos mesmo fingir usar Bella como isca. Não só isso, mas para definir a armadilha, depois abandoná-la aos cuidados de outros me deixava apavorado e consternado. Ela era minha companheira. Ela tinha que ficar sempre ao meu lado. Como podia ter concordado em nos separar?
Embora eu confiava plenamente na minha família, não conseguia deixar aos seus cuidados a segurança de Bella. Eu só confiava em mim para a manter segura.
Mas Bella estava certa. James sabia que ela era minha e que iríamos ficar juntos. Ele viu o quão protetor eu sou e que não seria capaz de ficar longe dela. Apenas conseguiria pensar em um motivo forte o suficiente para nos separar: sua segurança. Tudo se voltava a isso.
Portanto, eu aceitei cada parte do plano, iria servi como um chamariz útil. Se eu pudesse levá-lo a seguir-me, em seguida, Bella poderia escapar. O quanto mais longe ele estivesse de minha companheira ela estaria a salvo.
Tive que manter esses pensamentos para não ser um hipócrita e revelar o quanto estava receoso de deixar Bella e Jasper sozinhos. Eu sei que meu irmão tem melhorado muito no autocontrole, principalmente agora sabendo que nossas emoções afetam em sua sede, mas era um risco que não queria tomar com a mulher da minha vida.
E se não bastasse tudo isso ainda tinha minha irmã intrometida. Com base em tudo o que estava sendo dito no diário e alguns vislumbres que via em sua mente estava começando a ter uma imagem mais clara do que meu eu/futuro divergia de Alice. Tinha quase certeza de que ela teve uma visão em Bella como uma vampira.
E isso me aterrorizava na mesma medida que me deixava eufórico. Meu desejo egoísta era a ter para sempre, mas nunca iria condenar sua alma. Então era um desejo impossível.
Esses pensamentos me consumiram enquanto ouvia o relato de sua volta para a casa de Charlie.
Considerando tudo o que ela já tinha sido através desse dia, via o quão forte essa mulher era. Bella permaneceu firme, segura e composta, depois que nossas versões do futuro tinham consentido em seu plano para proteger Charlie. É claro que eu me preocupava com Charlie, porque ela fez, mas se ele desceu para salvar ele ou ela, não houve concurso.
Infelizmente para mim, estava aprendendo que Bella sentia exatamente o oposto, então iria recair em minhas mãos protegê-la de si mesma também.
Torcia internamente para Charlie estar dormindo. Minha vontade era apenas deixar um bilhete e sair rapidamente. Posso ser considerada covarde por querer ir escondida, mas não tinha coragem de enfrentar o meu pai.
Mentira era uma das coisas que mais odiava na vida e se meu pai fosse me permitir sair, eu teria que mentir e lhe magoar.
Pensava na impossibilidade de lhe contar a verdade, “então pai, tem um vampiro psicopata atrás de mim e tenho que me esconder”
Sim. Ele iria me internar sem pensar duas vezes. Camisas-de-força definitivamente não ficavam bem na minha pessoa.
Então tinha que ir com outra alternativa: Mentira.
Considerava o ato de mentir uma das piores características que um ser humano pode ter.
Claro que não sou hipócrita ao ponto de não perceber que há vários graus de mentiras, aquelas um pouco mais inocentes com o intuito de não chatear a outra pessoa. Quer dizer, você nunca diz para uma mulher de TPM que ela estar gorda, mesmo que ela esteja fora do peso.
Se o Edward se atrevesse a me chamar de gorda com TPM tenho certeza que eu iria acabar com o mito de que vampiros eram imortais.
Não tive como não sorrir com isso apesar de toda a aflição que vinha sentido. Podia não ter nenhuma experiência em relacionamento, mas presenciei brigas de casais o suficiente para entender que irritar uma mulher em TPM não é a atitude mais sábia. Claro, que saber é uma coisa, praticar é outra, afinal, meu eu/futuro estava de castigo por ter rido de sua namorada. Então tinha muito o que aprender ainda.
Agora, existem outros tipos de mentiras e essas são as que me repudiam e assustam. Aquelas com o intuito de magoar, humilhar, enganar, apenas para se sentir bem ou conseguir algo em troca. E essa última seria o meu caso. Iria mentir propositalmente com o intuito de magoa-lo, apenas para cumprir um objetivo: sair de casa. Não é como se pudesse falar que estaria viajando e meu pai dissesse “ok, faça uma boa viagem!”
Meu coração doeu por Bella. Para minha família e eu, mentir era uma segunda natureza, perdemos há muito tempo o sentimento de culpa. Era natural para nos preservar, mentiras e enganação.
Agora tendo acesso aos seus pensamentos, vendo como uma simples mentira afeta tanto sua consciência, a culpa havia retornado. Nem tanto por mim, mas por ela. Se por algum milagre, depois de toda essa provação, ela ainda quisesse seguir seu relacionamento comigo, mentiras fariam partes de sua vida. Como ela iria gerir isso?
Essa era a primeira mentira. E quando fosse a segunda, terceira, quarta... trigésima? Será que ela perderia esse sentimento de culpa? Ou me culparia por mudar seus valores?
Ele estava me esperando acordado. Todas as luzes de casa estavam acesas. Típico da minha sorte.
Minha mente começou a correr, pensando em maneiras dele me deixar ir. Isso não ia ser prazeroso. No pouco tempo em que começamos a morar juntos, formamos um forte vínculo que não esperava. Nós tínhamos mais em comum do que sabia. Como eu podia quebrar a confiança do meu pai desse jeito? Não podia mentir para ele, mas não podia dizer a verdade. Minha ideia que a pouco tempo pareceu genial e simples tinha detalhes que não me preocupei em pensar.
Edward parou devagar, bem atrás do meu cadillac. Todos os três estavam extremamente alertas, parecendo varetas de espingarda nos bancos, escutando cada som na floresta, olhando para cada sombra, sentindo cada cheiro, procurando por algo anormal. O motor desligou e eu continuei sentada, imóvel, enquanto eles escutavam. Tentei ouvir alguma coisa, claro que não consegui escutar nada, apenas meu coração acelerado.
– Ele não está aqui. – Edward disse tenso. – Vamos lá. – Emmett se inclinou para me ajudar com os cintos.
Bom. Ele ainda não havia chegado em sua casa. Isso nos deu um pouco de tempo para obter Bella dentro e fora da casa.
Então, ele poderia pegar a nossa trilha.
– Não se preocupe, Bella – ele disse com uma voz animada. – Nós vamos cuidar das coisas aqui rapidamente e logo vamos poder fazer outras brincadeiras para enganar o Edward.
Eu senti os meus olhos ficando úmidos quando eu olhei para Emmett. Ele foi o primeiro membro da família de Edward que tive uma conversa real. Seu sorriso não chegava a atingir seus olhos, via a preocupação que tentou esconder. Podia lembrar de seu riso verdadeiro por conseguir tirar uma brincadeira com meu namorado. Parecia que isso aconteceu há muito tempo, porém tinha sido hoje, apenas algumas horas atrás. Agora eu não sabia quando o veria de novo depois dessa noite, isso era angustiante. Eu sabia que esse era apenas um gosto fraco das despedidas as quais eu teria que sobreviver na próxima hora, e esse pensamento fez as lágrimas começarem a jorrar. Ele tinha ganhado um espaço no meu coração. Não resisti e o abracei. Senti seus braços em torno de mim.
Sentia um gosto amargo em minha boca ouvindo seu relato. Não queria pensar em suas lágrimas. Pouco tempo antes Bella não conseguia entrar no Jeep do meu irmão muito menos colocar o cinto direito. Nós deveríamos ter ficado em sua casa. Abraçados no sofá assistindo um filme sobre a supervisão de seu pai. Quando ele não estivesse nos olhando eu roubaria um beijo ou dois. Como tudo deu errado tão rapidamente?
– Vai ficar tudo ok. – sussurrou com uma voz rouca. Emmett era o irmão que eu sempre quis. Como podia ficar longe dele?
Nesses momentos que odiava meu talento. Podia ler os pensamentos do meu irmão, sempre tentando manter uma frente forte, atrás de seus sorrisos e piadas, mas por dentro ele estava quase tão apavorado quanto eu. Para todos os efeitos, Bella era sua irmãzinha também. Ela ganhou um local no seu coração tão grande e tão rápido, que se fosse qualquer outra pessoa, teria me deixado perplexo. Sua preocupação era quase tão forte como seu desejo de matar. Sabia que podia contar com ele. Assim que terminasse essa leitura mataria cada um desse nômades.
– Alice, Emmett – a voz de Edward era um comando, nos tirando de nosso abraço. Eles escorregaram lentamente para a escuridão, desaparecendo instantaneamente. Edward abriu a porta e me segurou pela mão, então me cercou na proteção dos seus braços. Ele caminhou me carregando rapidamente até a casa, sempre com os olhos revistando a escuridão. Me senti como uma bola de futebol americano.
– Quinze minutos – ele avisou por baixo do fôlego.
– Eu posso fazer isso – dei uma fungada. Minhas lágrimas me deram uma inspiração. Era uma péssima mentirosa. Então tinha que usar meu estado emocional para melhorar minha atuação.
Eu parei na varanda e segurei o rosto dele com as minhas mãos. Eu olhei impetuosamente nos olhos dele. Aqueles olhos que tanto me cativaram. Parecia que meu cérebro estava começando a processar o que poderia acontecer.
– Eu te amo – disse numa voz baixa, intensa. – Eu sempre vou amar você, não importa o que vai acontecer agora.
Prendi a respiração com suas palavras. Parecia uma despedida.
NÃO!
Nada iria acontecer com Bella! Não permitiria isso.
– Nada vai te acontecer, Bella – ele disse igualmente impetuoso.
– Só siga o plano, está bem? Mantenha Charlie seguro pra mim. Ele não vai gostar muito de mim depois disso, e eu quero ter a chance de me desculpar depois. – precisava dessa garantia. Não podia magoar Charlie um segundo a mais que o necessário. Precisava pedir seu perdão depois dessa noite.
– Entre, Bella. Nós temos que nos apressar. – A voz dele era urgente. Sabia que tinha pouco tempo, mas isso era importante também.
– Só mais uma coisa – disse apaixonadamente. Ele estava se inclinando, então tudo que eu precisei fazer foi me esticar na ponta dos pés e beijar os lábios surpresos, congelados dele com toda a força que pude. Então eu me virei e abri a porta com um chute.
– Vá embora, Edward. – Eu gritei com ele, corri pra dentro e bati com a porta na sua cara ainda chocada.
Meus pensamentos congelaram por segundos. O que tinha acontecido?
Uma imagem começou a se formar na minha cabeça.
Depois de conhecer como nossa espécie era perigosa, ela estava com medo de minha família e eu. Bella devia estar apavorada de ser levada para longe por vampiros. Então, a única alternativa era inventar um plano para conseguir que a deixasse ver seu pai, assim ao invés de se despedir dele como tinha dito, ela iria se livrar de mim. Não era como se eu pudesse rouba-la na frente de seu pai sem expor o meu segredo.
– Bella? – Charlie estava vagando na sala de estar, então já estava de pé.
– Me deixe em paz! – Eu gritei com ele entre lágrimas, que estavam jorrando sem parar agora. Eu subi correndo para o meu quarto, batendo a porta e trancando com a chave.
Eu corri para o meu armário para pegar a minha mala de viagem. Assim que a achei joguei em cima da minha cama. Lembrei que tinha um pouco de dinheiro guardado que tinha escondido atrás da última gaveta. Retirei a gaveta e consegui alcançar, não era muito, mas queria estar prevenida. Tinha um cartão de crédito e dinheiro na minha conta bancária, mas o que lembrava de filmes policiais, fugitivos não usavam, pois daria sua localização para hackers. Vampiros sabiam usar computador, certo?
Um forte sentimento de alívio me tomou, ao saber que Bella não estava me enganando. Depois sentir aversão ao pensar isso de Bella. Ela não havia mentido para mim, mas por mim, ela estava enganando seu pai. Ela estava tentando me proteger.
Charlie já estava batendo na porta.
– Bella, você está bem? – A voz dele estava assustada.
– Não – eu gritei. Minha voz falhou no momento certo. A minha melhor alternativa era manter o máximo de verdade que podia. Assim mentiria o mínimo possível.
– Ele machucou você? – a voz de Charlie estava beirando a raiva.
– Não! – eu gritei alguns oitavos acima do normal. Eu virei para pegar algumas roupas, e Edward estava lá, silenciosamente tirando braçadas de roupas da gaveta e jogando elas para mim. Não conseguia ver o que ele estava colocando, não teria tempo para escolher.
Meu tempo estava se esgotando. Estava ficando sem opções, não podia deixar meu pai ficar com raiva do meu namorado. Como eu faria isso? Edward não merecia isso!
Puxei meus cabelos desesperadamente. Como Bella podia pensar em mim em um momento como esses? Se preocupando com quem não é digno. Merecia sua raiva e ódio de seu pai!
– Ele terminou com você?
– Não! – gritei levemente mais ofegante enquanto jogava as coisas dentro da sacola.
Edward estava jogando o conteúdo de outra gaveta para mim. A mala já estava quase cheia agora.
“Você só vai ficar falando ‘não’?” perguntou minha V.I.
“Bem que você poderia me ajudar! Alguma ideia?” – estava temendo o momento que saísse do quarto. Não podia encarar meu pai.
“Não tenho ideia. Você não podia dizer que tem vampiros em sua cola sem que ele lhe interne numa instituição psiquiatra.” Respondeu frustrada.
– O que aconteceu, Bella? – Charlie gritou da porta, começando a bater de novo.
– Eu não sei – gritei de volta, sem conseguir acreditar que falei meus pensamentos.
Edward me lançou um olhar incrédulo.
“Bom trabalho! Acho que não precisa nem mencionar vampiros para ele achar que está ficando louca”
“Você não está me ajudando!”
– Como assim não sabe? Bella abra a porta. – gritou irritado.
Edward foi abrir a próxima gaveta do meu guarda-roupa.
– Não – gritei vermelha.
– Bella! – Charlie falou frustrado.
Mas não estava falando com meu pai e sim com meu namorado que quase abriu minha gaveta de roupas íntimas.
Foco Edward! Foco. Pense em Bella, sua segurança, não ela usando apenas roupas íntimas.
Empurrei ele. – Vire de costas. – sussurrei irritada e um pouco envergonhada.
– Bella não temos tempo para isso. – falou no mesmo tom de voz que o meu, mostrando impaciência.
– Vire. De. Costas. – falei cada palavra pausadamente mostrando minha raiva e que não iria ceder. Nos encaramos por um momento antes de ele se virar.
– Não sei porque ele ainda tenta mostrar que tem algum poder nesse relacionamento. – comentou Emmett.
– Pelo mesmo motivo que você tenta fazer o mesmo no seu. – retruquei irritado.
Ouvi em seus pensamentos que ele iria retrucar que sim, ele tinha poder no relacionamento, mas um olhar em direção a Rosalie o manteve calado. Olhei de forma presunçosa para ele, apenas para que soubesse que tinha lido seus pensamentos.
Depois de guardar tudo fiquei tentando fechar a mala sem sucesso, Edward me afastou e conseguiu fechar o zíper de minha bolsa rapidamente. Como ele faz isso?
Ele colocou a alça cuidadosamente no meu ombro.
– Eu estarei no carro, vá! – ele sussurrou, e me empurrou em direção a porta. – Você tem sete minutos. – Ele desapareceu pela janela.
Eu destranquei a porta e empurrei Charlie com força, lutando com a minha bolsa pesada enquanto descia as escadas.
– O que aconteceu? – ele gritou. Ele estava bem atrás de mim. – Eu pensei que você gostasse dele.
Ele segurou meu cotovelo na cozinha. Ele ainda estava confuso, mas o seu aperto era firme.
Ele me virou para encará-lo, e eu podia ver pelo rosto dele que ele não tinha nenhuma intenção de me deixar ir. Eu só podia pensar em uma maneira para escapar, e isso envolvia machucá-lo tanto que eu me odiei só de pensar. Mas eu não tinha tempo, e eu tinha que mantê-lo a salvo.
Eu olhei para o meu pai, lágrimas frescas nos olhos pelo que eu estava prestes a fazer.
Sabia o que tinha que fazer. Respirei fundo e passei mentalmente as palavras que fariam meu pai me odiar. “Eu gosto dele, esse é o problema. Eu não posso mais fazer isso! Eu não posso mais criar raízes aqui! Eu não quero acabar presa nessa cidade estúpida, chata, como a mamãe! Eu não vou cometer o mesmo erro idiota que ela cometeu. Eu odeio isso, não posso ficar aqui nem mais um minuto.”
Compartilhei o mesmo pesar com minha família. Essa palavras iriam quebrar o coração de Charlie. Bella iria se odiar, ela era boa demais para colocar a culpa onde era devida.
Abri minha boca para proferir essas palavras, mas quando meus olhos encontraram os do meu pai as palavras ficaram presas. Como eu podia sequer pensar em ferir desse jeito a pessoa que amo? Senti uma forte aversão por mim mesma.
E tudo por minha culpa. Auto aversão era o que estava sentido, não o que Bella deveria sentir. Quanto mais continuava a leitura, ficava com o sentimento que Bella e eu não íamos terminar juntos. Como posso ser tão egoísta ao ponto de deixar o amor de minha vida ficar nessa situação?
– Pai. – minha voz estava trêmula. – Estou confusa. Eu tenho conversar com minha mãe pessoalmente. Por favor. – implorei. – Eu preciso da minha mãe! – tentei ir em direção a porta.
– Bells, você não pode ir agora. É noite. – Ele murmurou atrás de mim. – Amanhã compro sua passagem.
– Preciso pensar. A viagem de carro vai me fazer bem. – Eu não me virei. – Vou dormir no carro se precisar. Tenho que ficar longe de Forks.
– Espere só mais uma semana – ele implorou, com o rosto ainda chocado. – Renée vai estar de volta até lá.
Isso me pegou completamente despreparada. – O que?
Não estava esperando por isso. Bella tinha que sair imediatamente. Cada segundo tanto ela como seu pai estavam em perigo. Essa hora James já estaria chegando em sua casa ou pior ele estava observando.
Charlie continuou ansioso, quase tagarelando de alívio quando eu hesitei. – Ela ligou enquanto você esteve fora. Phil está em negociação. Ele vai tentar assinar um contrato com os Yankees nesse fim de semana, se tudo der certo, eles vão mudar para Nova York.
Eu balancei minha cabeça, tentando reagrupar os meus pensamentos agora confusos. Cada segundo que se passava colocava Charlie mais em risco.
– Eu tenho uma chave – murmurei girando a maçaneta. Ele estava perto de mim, uma das suas mãos se estendeu para mim, seu rosto confuso. Eu não podia mais perder tempo discutindo com ele. Eu ia ter que machucá-lo mais ainda.
– Me deixe ir Charlie – repeti as mesmas palavras da minha mãe quando ela saiu por essa mesma porta há anos atrás. Eu disse elas com a toda a raiva que consegui, e abri a porta.
Minhas palavras cruéis fizeram seu trabalho, Charlie ficou congelado na porta, atordoado, enquanto eu saia noite afora com o coração pesado me sentindo a pior pessoa do mundo.
– Pobrezinha. – Esme estava com o coração partido e sentimos um pouco pela dor de Charlie. O problema era que em nossa cabeça a maior preocupação era a segurança de Bella. Ela teria tempo de fazer as pazes depois, quando tivéssemos acabado com esses vampiros.
– Charlie irá entender. Ela é sua filha, ele irá a perdoar. – comentou Carlisle, mas em sua cabeça ele estava se colocando no lugar de Charlie. Eu conhecia Carlisle a mais de um século, não devia ter ficado surpreso em como ele considerava Bella uma filha. Ele a amava. E sabia se essas palavras fossem dirigidas a ele, iria lhe machucar. Ele sabia o quanto ela tinha magoado o seu pai e compartilhava sua dor.
Eu estava com um medo horrendo do quintal da frente. Eu corri o mais rápido que podia, agradecendo por pequenos milagres, como não cair no meio do caminho. Senti mais do que vi que Edward estava correndo ao meu lado como uma sombra. Eu joguei minha bolsa no banco de trás antes de sentar no banco do motorista.
– Eu te ligo amanhã – gritei, esperando mais que tudo que podia lhe explicar tudo nessa hora, mas sabendo que eu jamais poderia. Eu liguei o motor e dei a partida.
Edward segurou minha mão.
– Encoste – ele disse quando Charlie e a casa já haviam desaparecido.
– Ninguém dirige meu carro. – disse entre as lágrimas que rolavam pelo meu rosto. Quando foi que tivemos essa conversa? Novamente aquele sentimento em que perdia a noção de tempo. Lembrava o início do nosso relacionamento, na época em que Edward fugia de mim como a peste e eu ficava irritada e dando vários apelidos mentais em seu cabelo.
Podia lembrar quando passei mal na aula de biologia e ele queira me levar para casa, mas o impedi, pois só eu e Steve dirigimos esse carro.
Suas longas mãos inesperadamente seguraram minha cintura, e o pé dele empurrou o meu do acelerador. Ele me passou por cima do colo dele, arrancando minhas mãos do volante, e de repente ele estava no banco do motorista. O carro não vacilou nem um centímetro.
– Não. – reclamei debilmente. – Só eu dirijo meu carro. – o efeito foi perdido com minha voz embargada.
– Você não conseguiria encontrar a casa – ele explicou.
Meu coração doeu um pouco mais ao ver Edward atrás do volante. Não era para ser assim. Lógico que iria um dia deixa-lo dirigir meu carro, mas não assim. Era para passar muito tempo, antes dele me implorar e eu negar várias vezes para finalmente ceder e deixar meu namorado pegar no volante. Eu iria lhe provocar o quando de um motorista ruim ele era e ele iria retrucar falando de todas suas habilidades sobrenaturais. Haveria risadas, alegria e amor.
Não agora, em que tudo o que sentia era medo, angústia e tristeza.
Eu iria mata-los. Desmembrar e colocar fogo em seus corpos até virarem cinzas. Odiava que tirei seu momento, sabia da importância do carro para ela. Porém, a rapidez era prioridade. Sabia o quanto a tinha magoado, mas tinha que pensar em sua segurança acima de seus sentimentos.
Eu iria corrigir tudo. Ela iria me dar permissão para dirigir seu carro, que é tão importante para si e representa o passado com Steve. Eu daria essa memória para minha Bella. Faria tudo certo dessa vez
Faróis brilharam de repente atrás de nós. Eu olhei pra trás de nós, com os olhos arregalados de horror.
– É só Alice – ele me assegurou. Ele pegou minha mão de novo.
Minha mente estava cheia de imagens de Charlie. – O perseguidor?
– Ele ouviu o fim da sua performance – ele disse severamente.
– Charlie? – minha voz estava apavorada.
– O perseguidor nos seguiu. Ele está atrás de nós agora mesmo.
Nem tinha percebido que tinha segurado minha respiração. Charlie estava seguro. Tinha valido a pena quebrar seu coração em troca de sua segurança, certo?
No fundo sentia que a resposta era não.
Sabia que ela estava se culpando. Bella não iria se perdoar tão cedo por ter machucado seu pai.
Claro que tinha valido a pena. Ele estava vivo e seguro. Isso que importa. Teria tempo de fazer as pazes depois.
– Nós podemos despistá-lo?
– Não – mas ele acelerou enquanto falava.
Gostaria que meu “eu/futuro” tivesse mentido para poupar seus sentimentos, mas sabia que não havia nenhum ponto em amenizar a situação. Bella precisa saber a verdadeira extensão do perigo que estava. Quem sabe assim ela teria o cuidado redobrado e iria seguir minhas orientações.
Meu corpo ficou gelado. Definitivamente, o meu plano não parecia mais tão brilhante.
Eles iriam lutar agora?
Não! Ainda não. Esse plano tinha que dar certo. Bella precisava estar longe e em segurança. Não podia arriscar uma luta com ela tão próximo.
Eu estava olhando para os faróis de Alice quando o uma sombra escura apareceu ao lado de fora da janela.
Pânico dominou todos os integrantes da sala. O rastreador tinha nos alcançado?
O grito percorreu a minha corrente sanguínea durante uma fração de segundo antes que Edward tapasse minha boca com a mão dele.
– É Emmett.
– Droga Emmett! Ela é humana! Você podia ter dado um ataque cardíaco. – reclamei.
– Você estava no carro com ela. Porque não avisou? – retrucou frustrado.
Suspirei. Ele estava certo. Essa situação estava me deixando no limite. O importante era que Bella estava segura. Não sabia como meu eu/futuro estava conseguindo lidar com isso.
Apenas ouvindo os relatos por um diário me deixava em grande tormento, mesmo sabendo que isso ainda não tinha acontecido. – E nem vai. – pensei com firmeza.
Ele liberou a minha boca, e passou o braço ao redor da minha cintura me puxando contra o seu corpo.
– Está tudo bem, Bella – ele prometeu. – Você vai ficar a salvo. – apoiei meu corpo no dele, sentindo seu cheiro suave.
Nós corremos pela cidade vazia em direção a autoestrada que dava para o Norte.
– Eu não havia percebido que você queria falar com sua mãe desesperadamente. Será que você precisa de conselhos sobre relacionamento? – ele disse convencionalmente, e eu sabia que ele estava tentando me distrair. – Parecia que você estava indo muito bem, com exceção de hoje. Tenho certeza que sua mãe não a aconselharia a deixar seu namorado de castigo.
Tinha esquecido completamente isso. No meio do caos, meu castigo ficou em último lugar.
– Eu fui cruel – eu confessei, ignorando a sua tentativa de me divertir, olhando para os meus joelhos. – Foi exatamente aquilo que minha mãe disse quando ela o deixou. Foi um golpe baixo. Charlie deve me odiar agora.
Eu odiava meu eu/futuro por sua tentativa estúpida de distração. A tristeza e arrependimento em sua declaração disse que só piorei as coisas. Tentando a distrair, acabei relembrando sua briga.
– Não se preocupe, é impossível ele te odiar. Ele está um pouco magoado, mas ele vai te perdoar. – Ele sorriu um pouco, apesar do sorriso não ter alcançado os seus olhos.
– Por mais que eu não mereça, espero que um dia ele me perdoe.
Respirei fundo sentindo o cheiro de Edward me acalmar um pouco. Então lembrei que não o teria mais ao meu lado para me consolar, nos iriamos nos separar. Eu olhei para ele desesperadamente, ele viu o pânico que havia nos meus olhos.
– Bella, vai ficar tudo bem.
– Mas não vai ficar tudo bem quando eu não estiver com você – sussurrei. Agora que finalmente estávamos juntos, não conseguia me imaginar sem Edward ao meu lado.
Eu me sentia da mesma forma. Como iria conseguir ficar separado da minha companheira? Agora que não a conheço pessoalmente saber que ela não está ao meu lado me deixa com um aperto no peito. Tenho certeza que no instante em que nossos olhos se encontrarem, nunca mais sairei do seu lado.
Pelos relatos no diário desde que a conheci só passei um tempo em Denali e uma caça com Emmett. Tenho certeza que fora isso a via todo dia. Essa separação iria machucar mais do que Bella imaginava.
– Nós estaremos juntos de novo em alguns dias – ele disse, apertando o seu abraço em mim com força. E então eu soube que isso era tão difícil para ele, como era para mim. Ele estava tentando assegurar isso para nos dois.
–Não se esqueça de que isso foi ideia sua.
– Foi a melhor ideia... É claro que foi minha. – disse tentando mostrar altivez, mas minha voz saiu rouca. Como nos manter separados poderia ter sido a melhor ideia?
Seu sorriso de resposta era vazio e desapareceu de imediato.
– Por que isso aconteceu? – perguntei, minha voz era inquisitiva. – Por que eu?
Eu pude ouvir a pergunta nas entrelinhas “O que foi que eu fiz?” e doeu ainda mais pensar que ela podia se culpar por essa grande confusão.
Ele olhava a estrada à frente, inexpressivo.
– A culpa é minha... Fui um tolo por expô-la desse jeito. – A raiva na voz dele era dirigida para si mesmo.
– Não foi isso que eu quis dizer – insisti. Não estava apontado dedos querendo achar culpados. Queria entender a situação. – Eu estava lá, grande coisa. Isso não incomodou os outros dois. Por que que esse James resolveu matar a mim? Tem tanta gente em toda parte, por que eu?
Ele hesitou, pensando antes de responder.
Sua pausa me deu a impressão se ele queria adoçar a verdade.
Também pensava assim. Como Bella iria continuar ao meu lado sabendo o lado animal de nossa espécie?
– Eu dei uma boa olhada na mente dele esta noite – ele começou com uma voz baixa. – Não tenho certeza de que havia alguma coisa que eu pudesse ter feito para evitar isso, depois que ele viu você. Isso é parcialmente sua culpa. – Sua voz era irônica. – Se você não cheirasse tão apavorantemente saborosa, talvez ele não tivesse se incomodado. Mas quando eu defendi você... Bom, isso piorou muito as coisas. Ele não está acostumado a ser contrariado, não importa o quanto o objeto seja sem importância. Ele se vê como um caçador e nada mais. Sua existência foi consumida por perseguições, e um bom desafio é tudo o que ele pede da vida. De repente nós apresentamos a ele um lindo desafio, um grande clã de criaturas poderosas todas inclinadas a proteger um elemento frágil. Você não acreditaria em como ele está eufórico agora. Esse é o jogo favorito dele, e nós fizemos o jogo ficar ainda mais interessante. – O tom dele estava cheio de repulsa.
Estava enjoado apenas ouvindo um relato editado, não queira pensar em como era lendo sua mente. Deveria ser muito pior. James era o pior absoluto de nossa espécie. Ele era a criatura escura em que as histórias de violência retratava sobre nossa espécie.
Nossa família tentava viver em paz e harmonia. James não. Ele gostava de violência, luta e acima de tudo, almejava sede de sangue.
Meu pavor em como Bella lidaria com isso era acompanhado com os demais. Eles consideravam Bella como nossa família, estavam apavorados que depois de saber o outro lado de nossa espécie ela iria se afastar.
Não a culparia por isso.
Pelo que eu tinha entendido da situação era como um jogo de rouba bandeira. Comigo sendo a bandeira. Ele iria tentar passar toda a família Cullen para chegar a mim.
O que? Que tipo de comparação é essa? Isso não tinha nada de uma disputa infantil e alegre. Esse era um jogo mortal.
Ele pausou por um momento.
– Mas se eu tivesse esperado, ele teria te matado lá mesmo – ele disse com uma frustração desesperada.
A preocupação e desesperou cercou minha família. Era pior do que pensávamos. Ele era um rastreador de alto nível. Demos de bandeja o que ele mais gosta. Um bom jogo. Ele não iria parar – sim, vamos pará-lo.
– Oh Carlisle! Temos que fazer alguma coisa. – se desesperou Esme.
– Não se preocupe. Estamos na vantagem. – disse apontando para o diário.
Tentei relaxar com isso. Isso tudo já havia acontecido, meu trabalho era impedir que acontecesse novamente. Tínhamos a vantagem e eu iria aproveitar.
– Eu achei... que não cheirava igual para os outros... como cheiro para você – disse hesitantemente.
– Você não cheira. Mas isso não significa que você também não seja tentadora para eles. Você é tão apelativa para o perseguidor, ou qualquer um deles, do mesmo jeito que você é apelativa para mim, e isso teria gerado uma briga lá mesmo.
Eu tremi.
– Eu não vejo outra escolha além de matá-lo agora – ele murmurou. – Carlisle não vai gostar.
Olhei com raiva para Carlisle. Era bom ele não hesitar. Sentindo meus olhos em sua direção ele respondeu.
– Se não temos outra alternativa, não vou me opor.
Bom.
Eu podia ouvir os pneus passando pela ponte, apesar de não conseguir ver o rio no escuro.
Eu sabia que estávamos perto. Eu tinha que perguntar agora.
– Como se pode matar um vampiro?
Fiquei surpreso com sua pergunta. Parecia que ela estava perguntando apenas como uma simples curiosidade, como quando ela ainda estava aprendendo sobre nosso espécie. Nem parecia que estava discutindo como matar um poderoso predador que estava querendo acabar com sua vida.
Ela nunca deixava de me surpreender, sabia que iria lhe contar a verdade. Não era fácil matar o nosso tipo, mas era possível.
Ele olhou pra mim com olhos ilegíveis e com a voz repentinamente áspera. – A única forma de ter certeza é fazê-lo em fragmentos e queimar os pedaços. – tremi.
– E os outros dois vão lutar com ele?
– A mulher vai. Eu não tenho certeza sobre Laurent. Eles não têm laços muito fortes, eles só estão juntos por conveniência. Ele ficou com vergonha de James na clareira...
– Mas James e a mulher, eles vão tentar matar você? – eu perguntei com a voz crua. Temendo pela segurança de Edward e sua família.
Gemi frustrado. Como ela ousar não pensar somente em sim? Ela não pode ver que é o elemento frágil. Me senti indigno do seu amor puro e perfeito, mesmo quando sua vida estava em perigo ela ainda pensava em mim. Como posso merecer alguém assim?
– Bella, não ouse perder seu tempo se preocupando comigo. Preocupe-se apenas com a sua própria segurança e, por favor, por favor, tente não ser descuidada.
– Ele ainda está seguindo?
– Sim. No entanto, ele não vai atacar a casa. Não essa noite.
Pelo menos isso. Nossa plano daria certo.
Ele virou na estrada invisível, Alice seguindo logo atrás.
Nós dirigimos até a casa. As luzes de dentro estavam brilhando, mas elas faziam muito pouco para aliviar a escuridão da floresta. Emmett abriu minha porta antes que a carro estivesse parado; ele me tirou do banco, me agarrou como uma bola no seu peito largo, e me levou correndo pela porta.
Nem percebi quando isso aconteceu. Tenho certeza que ele avisou Edward em seus pensamentos. Eles podiam dar uma garota um aviso, certo? Estava começando a me cansar de ser carregada de um lado pro outro sem autorização.
Será que Bella não percebia que não havia tempo?
Nós entramos na grande sala, Edward e Alice dos nossos lados. Todos eles já estavam lá; eles já estavam de pé com o som da nossa aproximação. Laurent ficou entre eles. Eu podia ouvir leves rugidos saindo da garganta de Emmett quando ele me colocou no chão ao lado de Edward e ficou protetoramente um pouco a frente. Estava grata por isso.
Eu tremi. O que ele estava fazendo na casa de Edward?
– O que ele está fazendo em nossa casa? – rugi, olhando acusadoramente para Carlisle.
– Que tal você esperar um pouco para saber? – retrucou indignado.
– Ele está nos seguindo – Edward anunciou, olhando diretamente para Laurent.
O rosto de Laurent estava descontente. – Era isso que eu temia.
Alice dançou até o lado de Jasper e cochichou no seu ouvido; seus lábios tremiam com a velocidade do seu discurso silencioso. Eles voaram pelas escadas juntos. Rosalie observou os dois, e então se moveu para o lado de Emmett. Seus lindos olhos eram intensos e, quando se fixaram em Edward, furiosos.
Sabia o que se passava pela mente da minha irmã. Ela estava furiosa. Coloquei um ser humano em perigo, o que ela sempre valorizou e de seu amor. Ela devia estar me odiando.
– O que ele vai fazer? – Carlisle perguntou a Laurent com um tom arrepiante.
– Eu lamento – ele respondeu. – Eu temia que quando o seu garoto defendeu ela, que isso iria irritá-lo.
– Você pode pará-lo?
Laurent balançou a cabeça. – Nada pode parar James depois que ele começa.
– Nós vamos pará-lo – Emmett prometeu. Não havia dúvida que ele estava falando sério.
– Ele pode conhecer James, mas não nos conhece. – retrucou Emmett indignado. Ele tinha certeza que iria acabar com ele e proteger Bella. Tinha que ser tão otimista como Emmett.
– Você não pode pará-lo. Eu nunca vi nada como ele em meus trezentos anos. Ele é absolutamente letal. Foi por isso que eu me juntei ao bando dele.
O bando dele, eu pensei, é claro. O show de liderança não passava disso, um show. Eu estava certa. James era o líder.
Laurent estava balançando a cabeça. Ele olhou pra mim e depois de volta para Carlisle.
– Vocês têm certeza de que vale a pena?
Rugi indignado com sua pergunta. Como ele ousar perguntar isso, muito menos na frete de Bella? Ele poderia ter diminuído a voz e aumentado a velocidade, mas ele a estava tratando como se não estivesse lá.
Senti humilhada com sua pergunta. O rugido irado de Edward encheu a sala. Laurent deu um passo pra trás com medo.
Carlisle olhou gravemente para Laurent. – Eu temo que você terá que fazer uma escolha.
Laurent compreendeu. Ele pensou por um momento. Seus olhos passaram por todos os rostos, e finalmente varreram a sala clara.
– Eu estou intrigado pelo estilo de vida que vocês criaram aqui. Mas eu não vou me meter nisso. Eu não sou inimigo de nenhum de vocês, mas não vou me colocar contra James. Eu acho que vou para o Norte visitar aquele clã em Denali. – Ele hesitou. – Não subestimem James. Ele tem uma mente brilhante e sensos fora do comum. Ele está tão confortável no mundo dos humanos quanto vocês parecem estar, e ele não vai permitir que vocês se intrometam... eu lamento pelo que isso causou aqui. Lamento mesmo. – Ele fez uma reverência com a cabeça, mas eu vi quando ele lançou outro olhar confuso na minha direção.
– Vá em paz. – Foi a resposta formal de Carlisle.
Laurent deu outra olhada a sua volta, e então correu para a porta.
Eles iam deixar ele ir assim?
Fiquei confuso com sua pergunta. O que ela queria dizer? Pensei que todos estavam tão confusos quando eu, até ouvir a voz de Jasper.
– Ela está certa.
– O que quer dizer? – perguntou Carlisle
– Ele é um risco. Devíamos ter acabado com ele.
– Isso é desnecessário Jasper. Ele não vai entrar na luta.
– Como pode ter tanta certeza? Apenas porque ele disse isso? Que garantia temos se James pedir ele não iria atender? Ele tem medo dele. Se o ameaçasse pode garantir que ele não mudaria de lado?
Era verdade. Mas eu teria visto na mente dele ou Alice teria previsto alguma coisa, certo?
– Tenho certeza que não temos que nos preocupar. – falou Carlisle. – Não podemos acabar com uma vida apenas por uma possibilidade.
Jasper discordava. E eu pensei se eu faria o mesmo.
Não podia acreditar que os Cullens iriam permitir isso. Posso ser considerada egoísta, mas todos os membros da família eram importantes para mim. Jamais iria arriscar a vida deles. Se eu fosse uma vampira eu não teria clemência. Família em primeiro lugar.
As palavras de Bella atingiram em cheio nossas dúvidas.
O silêncio durou menos de um segundo.
– Quão perto? – Carlisle perguntou a Edward.
Esme já estava se mexendo; a mão dela tocou um teclado complementar acima de qualquer suspeita, e com um gemido, grandes venezianas de metal começaram a selar as paredes de vidro.
Eu fiquei pasma, me sentindo em um filme.
– A cerca de três milhas antes do rio, ele está circulando para se encontrar com a fêmea. – esqueci do dom de Edward. Impressionada que podia escutar tão longe
– Qual é o plano?
– Nós vamos despistá-lo, e então Alice e Jasper levam ela para o sul.
– E então?
O tom de Edward era mortal. – Assim que Bella estiver longe, nós vamos caçá-lo.
– Eu acho que não há outra escolha – Carlisle concordou, seu rosto severo.
Edward se virou para Esme.
– Leve ela lá pra cima e troquem de roupas. – Edward comandou.
– É claro – Esme murmurou.
Esme já estava ao meu lado em menos de um pulsar do meu coração, me colocando facilmente em seus braços e me levando pelas escadas antes que eu pudesse ficar chocada. Será que eles ainda se lembram que eu posso andar?
Esme fez uma careta pensando o quanto tinha sido rude. Não me importava. O tempo estava contra nós.
– O que nós estamos fazendo? – perguntei sem fôlego enquanto ela me colocava em um quarto escuro em algum lugar no segundo andar.
– Tentando confundir o cheiro. Não vai funcionar por muito tempo, mas vai ajudar você na saída. – Eu podia ouvir as roupas dela caindo no chão.
– Eu não acho que vou caber... – eu hesitei, mas as suas mãos já estavam abruptamente tirando eu casaco. – Espere! – gritei um pouco horrorizada. Ela me olhou com cautela. – Edward pode ler sua mente? – ela entendeu. Seus lábios se mexiam rapidamente e eu pensei que ela estava falando algo para seu filho. Depois de alguns segundos ela me deu um aceno de cabeça.
Esme virou para perto de mim para me ajudar, mas não olhava na minha direção. Fiquei ainda mais grata.
Com tanta coisa acontecendo ainda tinha que preservar a modéstia de Bella. Sabia que seria um intrusão a sua privacidade, mas nós já iríamos nos separar. Como podia perder preciosos minutos sem saber onde ela estava?
Eu rapidamente tirei minha saia sozinha, tentando sem sucesso não ruborizar. Agradeci que Esme não estava me olhando. A última coisa que queria era Edward ler sua mente. Se possível fiquei mais vermelha.
Tentei não ficar constrangido. Será que seria cavalheiro em não ver os pensamentos de Esme?
Ela me passou alguma coisa que parecia com uma camisa. Eu lutei para colocar os meus braços nos buracos certos. Assim que eu consegui ela me passou sua calça comprida. Eu coloquei elas mas não consegui tirar meus pés; elas eram longas demais. Ela inteligentemente enrolou as bainhas algumas vezes pra que eu pudesse ficar de pé. De alguma forma, ela já estava usando as minhas roupas.
Se minha saia já era curta em mim em Esme ela pode ser considerada indecente. Agora era Esme que me olhava como se pudesse corar.
Esme abaixou a cabeça completamente horrorizada. Carlisle tentava muito difícil nivelar seus pensamentos, mas podia vê-lo imaginando sua esposa de líder de torcida.
Gemi mentalmente. Não precisava dessa imagem. Esme era como minha mãe. Ninguém quer imaginar o que seus pais fazem entre quatro paredes. Sei o suficiente para dar trauma para qualquer criança humana.
Esme se aproximou de mim com olhos preocupados. – Bella. – sussurrou bem baixinho perto do meu ouvido. – Preciso lhe pedir um favor. Sei que não tenho nenhum direito de lhe pedir nada. Você está passando por um momento difícil que deveríamos ter impedido e sinto muito por isso. – ela me olhou arrependida. Estava prestes a protestar e dizer que nada disse era sua culpa quando ela me interrompeu. – Quando você descer as escadas você terá apenas alguns momentos com Edward. — ela me olhou seriamente. – Eu quero que você passe toda a confiança que você pode reunir dentro do seu coração para meu filho. Ele se preocupa muito com você e se ele percebe o quão apavorada você está, ele vai ficar distraído. Bella, ele não pode ficar distraído. – sua última frase era um aviso e eu entendi. Edward estava arriscando sua vida, se ele perdesse o foco se preocupando comigo, não queria pensar nas consequências. Acenei a cabeça confirmando que tinha entendido.
Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. Sabia que ela estava certa. Guardaria todos meus medos e preocupação no fundo do meu coração. Não podia deixar que nossa despedida fosse uma cheia de medo e incerteza. Era ruim o suficiente que ficaríamos separados, não podia gastar nosso precioso tempo preocupada o quanto um estava com medo pelo outro. Edward tinha que saber que eu confiava plenamente nele e em sua família. Precisava passar essa confiança e que em breve estaríamos juntos.
Bella não parava de me surpreender. Ela era muito mais forte do que eu. Percebi que se eu estivesse vivenciando isso na vida real seria sua atitude calma que me daria força para sair e acabar com James. Se ela fosse uma bagunça chorando e mostrando todos seus medos e inseguranças eu iria ficar ao lado a consolado. Se ela se desfez agora e me deixasse ver isso, tenho certeza que não haveria separação. O plano que se exploda. Não a deixaria sozinha.
Ela me puxou de volta para as escadas, onde Alice estava esperando, uma pequena maleta de couro estava na mão dela. Cada uma delas agarrou um dos meus cotovelos e me carregaram enquanto voavam escadas abaixo.
Jurei baixinho se alguém me carregasse novamente dessa maneira eu iria gritar.
Parecia que tudo já havia sido resolvido lá embaixo durante a nossa ausência. Edward e Emmett estavam prontos para partir, Emmett carregava uma mala que parecia ser pesada sobre seu ombro. Carlisle estava passando algo pequeno para Esme.
Quando percebeu a roupa que sua esposa usava ficou congelado com os olhos arregalados.
Tive que rir de sua cara. Quem diria que um homem tão velho também podia agir como um adolescente?
– Nossa Esme. Com essas pernas Carlisle não vai consegui dormir. – brincou Emmett. Claro que agora sei que vampiros não dormem, mas apreciei que o clima ficou um instante mais leve. Ver uma figura tão imponente como Carlisle constrangido tinha certeza que era raro.
Rimos um pouco de nosso patriarca. Bella estava certa. Ele sempre foi um homem sério e composto. Era difícil lhe imaginar nessa situação.
Ele se virou e passou a mesma coisa para Alice, tentando disfarçar seu nervosismo, era um pequeno celular prateado.
– Esme e Rosalie vão pegar o seu carro, Bella – ele disse enquanto passava por mim.
Eu balancei a cabeça, olhando cautelosamente para Rosalie. Apertei com força as chaves em minha mão. Mais uma pessoa iria dirigir meu carro. Suspirei resignada. Meu sorriso desaparecendo rapidamente.
Entreguei relutantemente a chave em sua mão. – Tome cuidado. Esse carro... ele é muito importante para mim. – falei tentando não demonstrar a emoção na minha voz, mas sei que falhei.
Rosalie inclinou a cabeça para direita e ficou me analisando. – Você que restaurou? – perguntou como se não achasse muito provável.
– Eu e o meu pai adotivo. – disse baixinho.
Ela me olhou um pouco surpresa. Seus olhos era indecifráveis, depois de um momento perguntou. – Onde ele está agora?
– Morto. – disse sem encontrar seus olhos.
– Eu vou cuidar dele. – seu tom de voz me pegou de surpresa. Quando olhei em seus olhos por um momento parecia haver um entendimento entre nós.
– Obrigada.
– Alice, Jasper, levem a Mercedes. Vocês vão precisar dos vidros escuros no Sul. – Carlisle interrompeu nossa troca.
Eles também balançaram a cabeça.
– Nós vamos com o Jipe.
Eu estava surpresa de ver que Carlisle pretendia ir com Edward. E me dei conta, com uma pontada de medo, que eles haviam planejado a festa da caçada.
Tentei não demonstrar minha surpresa. Carlisle era completamente adverso a violência. Sabendo que ele estaria ao meu lado na caçada me fez perceber o quanto ele põem meus interesses em primeiro lugar. Acima de suas próprias convicções.
– Alice – Carlisle perguntou. – Eles vão morder a isca?
Todo mundo olhou pra Alice quando ela fechou os olhos e ficou incrivelmente rígida.
Fiquei espantada o quanto dependiam do dom de Alice. Era uma responsabilidade muito grande.
Desde que Alice entrou em nossa família o seu dom foi recebido com grande surpresa e interesse na família. Com o passar do tempo, confiamos plenamente em sua habilidade. Junto com meu dom, fazíamos uma dupla muito forte.
Finalmente ela abriu os olhos. – Ele vai seguir vocês. A mulher vai seguir o cadillac. Nós seremos capazes de partir depois disso. – A voz dela era resoluta.
– Vamos lá – Carlisle começou a andar em direção a cozinha.
Mas Edward foi para o meu lado na hora. Ele me agarrou com o seu aperto de aço, me puxando contra ele. Ele pareceu não se dar conta de que a família dele estava olhando quando ele puxou meu rosto ao encontro do seu, fazendo meus pés saírem do chão. Pelo mais breve segundo, nossos olhos se encontraram e lembrei as palavras de Esme. Tentei transmitir toda a confiança que tinha nele e em sua família. Seus lábios se aproximaram do meu e estavam gelados e duros. Quando ele me beijou ele pareceu relaxar por um segundo, me dando um beijo urgente e desesperado. Então acabou. Ele me colocou no chão, ainda segurando meu rosto, seus olhos gloriosos queimando nos meus.
– Voltei para mim. – implorei.
– Sempre. – e eu pude ouvir a promessa em sua voz.
Seus olhos ficaram vazios, curiosamente mortos quando ele se virou me dando as costas.
E eles foram embora.
Apenas ouvindo essas palavras a realidade de toda a situação me encheu de desespero. Sabia que meus pensamentos deveriam ser voltados na forma de rastrear e matar James, mas tudo que conseguia pensar era que tudo o que era mais importante na minha existência eu estava deixando na mão de outra pessoa.
Comecei a traçar tantos planos na minha cabeça para evitar que isso acontecesse. Os relatos através de um diário era pura agonia. Se essa realidade fosse se concretizar, tenho certeza que não seria forte o suficiente para ficar longe de Bella.
Nós ficamos lá, os outros olhando em outras direções, agora que Edward partiu deixei as lágrimas rolar pelo meu rosto.
O momento de silêncio permaneceu, e então o telefone de Esme vibrou na mão dela. Ele voou para o seu ouvido.
– Agora – ela disse. Rosalie foi saindo pela porta e deu um pequeno aceno em minha direção, mas Esme tocou minha bochecha enquanto passava por mim.
– Fique segura. O sussurro dela continuou no ar enquanto elas saiam pela porta. Eu ouvi meu carro começar a funcionar, e então ir embora.
Jasper e Alice esperaram. O telefone de Alice já parecia estar em seu ouvido antes mesmo de vibrar.
– Edward disse que a mulher está na cola de Esme. Eu vou pegar o carro. – Ela sumiu por dentro das sombras por onde Edward havia saído.
Jasper e eu olhamos um para o outro. Ele ficou na entrada longe de mim... sendo cuidadoso.
– Você está errada, sabe. – Ele disse baixinho.
– O que? – eu me engasguei.
– Eu posso sentir como você se sente no momento, e você vale a pena.
– Não valho não – murmurei. – Se algo acontecer a eles, terá sido por nada. – toda a sua família estava arriscando sua vida por mim. Se algo acontecesse, nunca iria me perdoar.
Fiquei boquiaberto com seus pensamentos. Como sua mente pode até conjurar um absurdo desses? Será que ela não percebe que é a única vítima dessa situação? Isso me irritou profundamente.
– Você está errada – ele repetiu, sorrindo carinhosamente para mim.
Eu não ouvi nada, mas do nada Alice entrou na sala pela porta da frente com os braços abertos pra mim.
– Posso? – ela perguntou.
– Você é a primeira a pedir permissão – eu dei um sorriso torto. Olhando para o tamanho de Alice, me sentiria ainda mais frágil do que sou. Ela era tão pequena e delicada. Não precisava de mais um demonstração de minha fraqueza na família.
– Jasper? – pedi. Ele me olhou espantando antes de dar um aceno relutante.
Olhei de soslaio para Jasper. Ele parecia incomodado que Bella pediu para ele lhe carregar. Não sabia o que se passava pela cabeça da minha namorada, mas parecia que ser carregada por uma pessoa do tamanho de uma criança só iria ressaltar como nossa espécie era mais forte que ela. Mesmo Alice sendo menor e magra, parecendo uma fadinha, podia acabar com qualquer humano.
Isso mostrava o quanto em perigo Bella se encontrava.
Ele me levantou nos seus braços, se curvando protetoramente sobre mim, coloquei meus braços em volta de seu pescoço. Ele me olhou estranhamente.
– Você não tem medo de mim. – era uma afirmação.
– Por que deveria? – ele balançou a cabeça incrédulo e então nós voamos pela porta, deixando as luzes brilhantes para trás.
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