Notas iniciais
Recebi tantos comentários pedindo um capítulo novo. Aí está. Espero que gostem.

O carro era brilhante, preto e poderoso; as janelas dele eram tingidas como as janelas de uma limusine. Tinha certeza que nenhum humano conseguia enxergar o que estava dentro do carro. O motor ronronava como um gato enorme enquanto nós acelerávamos pela noite profunda.

Jasper dirigia com uma mão, sem parecer se importar, mas o musculoso carro continuava a voar em frente com perfeita precisão. Em um outro momento, estaria apavora com a velocidade e a aparente falta de atenção de Jasper na estrada, mas estava me sentindo muito dormente para me importar.

Alice sentou-se comigo no banco traseiro de couro preto. De alguma forma, durante a longa noite, a minha cabeça havia acabado encostada no pescoço de granito dela, com os braços frios dela me enrolando, sua bochecha pressionada no topo da minha cabeça. Para me manter calma, eu me concentrei no toque da sua pele fria; isso parecia ser uma conexão física com Edward.

Os dois haviam me assegurado – quando eu me dei conta, o pânico tomou conta de mim, todas as minhas coisas ainda estavam no carro – que deixar tudo para trás era necessário, alguma coisa a ver com o cheiro. Eles disseram para eu não me preocupar com roupas ou com dinheiro. Eu tentei confiar neles, fazendo um esforço para ignorar o quanto eu estava desconfortável com as roupas de Esme que não me serviam direito. Isso era uma coisa trivial para a mente.

O problema maior era a falta de conexão. Deixando minhas coisas para trás parecia que tinha deixado toda a minha vida... Charlie, Edward, Esme, Carlisle, Emmett, Rosalie... senti um vazio no peito. Quanto tempo ficaria sem vê-los?

Sentei no sofá e abaixei minha cabeça. Como isso tinha acontecido? Como uma família de vampiros como a minha chegou nessa situação? Erámos um clã para ser temido, tanto pelo nosso número como pelos nossos poderes. E mesmo assim não fomos fortes o suficiente para que Bella não passasse por essa situação. Podia ver o quanto a minha amada estava sofrendo e não tinha passado nem um dia de seu calvário.

Como nos metemos nessa confusão com três nômades? Ganhamos em números e até mesmo na luta um-por-um nós seríamos vencedores, porém sabia que com Bella próxima nunca iria arriscar uma luta. Nunca saberia se tomei a decisão correta.

— Não se preocupe. Essa luta já está ganha. – afirmou Emmett. Tentando se tranquilizar também. Meu irmão estava quase tão preocupado quanto eu.

Jasper concordava com Bella, ele estava pensando em ter eliminado Laurent quando foi nos visitar. Estava preocupado se ele mudasse de opinião, colocaria Bella em mais perigo. Estava começando a concordar com ele, independente dos sentimentos pacifistas de Carlisle.

Nas rodovias macias, Jasper nunca dirigiu o carro musculoso a menos de 200 km/h. Ele parecia extremamente inconsciente dos limites de velocidade, mas nós não vimos nenhum carro de patrulha. As únicas paradas que fizemos durante a viagem monótona foram as duas vezes em que paramos para reabastecer.

Eu percebi à toa que Jasper entrou as duas vezes para fazer o pagamento em dinheiro. Imaginei que não queria correr o risco de sermos rastreados.

O nascer do sol começou a aparecer quando estávamos em algum lugar ao norte da Califórnia. Eu observei com os olhos secos, ardendo, enquanto uma luz cinzenta começava a aparecer no céu sem nuvens.

Eu estava exausta, mas o sono me iludia, minha mente estava muito cheia de imagens perturbadoras para relaxar e ficar inconsciente. A expressão devastada de Charlie; o rugido brutal de Edward, com os dentes descobertos; o olhar afiado nos olhos do perseguidor; a expressão vazia de Laurent; o olhar morto nos olhos de Edward depois que ele me beijou pela última vez… Elas eram como slides passando na frente dos meus olhos, os meus sentimentos se alternavam entre terror e desespero.

Tentei segurar um suspiro, mas não consegui. Tendo acesso aos pensamentos de Bella era a coisa mais maravilhosa e mais horrível possível. Saber o quanto era uma pessoa amorosa, gentil e altruísta, era um dom que ia levar por toda a eternidade, mas também ver em primeira mão o sofrimento que causei, sempre me faria sentir culpado. Vendo seu desespero em primeira mão estava devastando nossa família.

— Pobrezinha. – sussurrou Esme.

Em Sacramento, Alice quis que Jasper parasse para pegar comida para mim.

Mas eu balancei a minha cabeça, cansada e disse com uma voz oca para ele continuar dirigindo.

Olhei um pouco alarmando para Carlisle. Ela sempre teve bom apetite. Ela não ficaria doente se não comesse?

— Pular uma única refeição não irá causar nenhum dano meu filho. – respondeu acertando qual seria minha preocupação.

Algumas horas depois, num subúrbio fora de Los Angeles, Alice falou suavemente com ele de novo e ele saiu da rodovia. Um grande shopping era visível da estrada e ele dirigiu naquela direção, estacionando na garagem, embaixo do nível dos estacionamentos subterrâneos.

— Fique com o carro – ela instruiu Jasper.

— Você tem certeza? – Ele parecia apreensivo.

— Eu não vejo ninguém aqui – ela disse. Ele balançou a cabeça, consentindo.

— Isso é prudente Alice? – perguntei alarmado. Estava preocupado em deixar Bella com dois vampiros, imagina somente um.

— Filho, Alice sabe o que está fazendo. – tentou me acalmar Carlisle, mas só fiquei mais aflito.

— Ela já se enganou antes. – lembrei.

— Chega Edward! – rugiu Jasper. Em minha preocupação, não estava preocupado em ler a mente da minha família. Minhas palavras magoaram profundamente Alice. Ela amava Bella! Percebi impressionado. Eu não era o único sendo afetado pelos diários. Nossa família inteira estava preocupada, porém Alice se sentia fortemente culpada. Se algo acontecesse com Bella, não seria o único a sofrer.

Alice pegou minha mão e me tirou do carro. Ela segurou minha mão, me mantendo próxima, ao seu lado, enquanto saíamos da garagem escura. Ela ficou à beira da garagem, ficando na sombra. Eu percebi como a pele dela parecia brilhar com a luz que refletia na calçada. O shopping estava lotado, muitos grupos de compradores passaram, alguns deles viraram as cabeças para nos ver passando. Nós caminhamos por baixo de uma ponte que cruzava do nível mais alto dos estacionamentos até o segundo andar de uma loja de departamentos, sempre nos mantendo fora dos caminhos da luz do sol.

Quando estávamos do lado de dentro, embaixo das luzes fluorescentes da loja, Alice pareceu menos impressionante – somente uma garota com pele cor de giz e olhos alertas, mas sombreados, e com o cabelo espetado. Os círculos embaixo dos meus olhos, eu tinha certeza, estavam mais evidentes do que os dela.

Nós ainda chamávamos a atenção de qualquer que olhasse para o nosso caminho. Eu me perguntei o que eles pensavam que estavam vendo. A Alice delicada, dançante, com o seu estonteante rosto de anjo, vestida com tecidos leves, em cores pálidas que não se comparavam exatamente com o tom de pele dela, de mãos dadas comigo, obviamente me guiando pelo caminho, enquanto eu cambaleava cansada nas minhas roupas que não ficavam bem, mas que eram caras, o meu cabelo embaraçado nas minhas costas.

Alice me guiou diretamente para o centro alimentício.

— O que você quer comer?

O cheiro das comidas gordurosas fez o meu estômago revirar. Mas os olhos de Alice não estavam abertos a persuasão. Eu pedi um hambúrguer, sem o menor entusiasmo.

— Eu posso ir ao banheiro? – perguntei enquanto nós íamos para a fila.

— Tudo bem. – E ela mudou de direção, sem nunca soltar a minha mão.

— Eu posso ir sozinha. – A atmosfera lotada do shopping me fez sentir mais normal do que eu havia me sentido desde o jogo desastroso da noite do dia anterior.

Era melhor minha irmã não deixar ela sozinha um segundo. Já podia sentir a ira subindo em meu corpo.

— Desculpa, Bella, mas Edward vai ler a minha mente quando ele chegar aqui, e se ele ver que eu deixei você sair de vista por um minuto… – Ela parou, sem vontade de contemplar as consequências. Suspirei um pouco frustrada, esquecendo por um momento o lado protetor do meu namorado.

Suspirei um pouco em alívio. Não podia imaginar Bella sem proteção um segundo.

Pelo menos ela esperou do lado de fora do banheiro lotado. Eu lavei o meu rosto assim como as minhas mãos, ignorando os olhares assustados das mulheres ao meu redor. Eu tentei passar os dedos pelos meus cabelos, mas eu desisti rapidamente. Mesmo assim, me senti um pouco mais alerta. À porta, Alice pegou minha mão e nós caminhamos lentamente de volta para a fila da comida. Eu estava me arrastando, mas ela não pareceu impaciente comigo.

Ela me observou comendo, devagar no início e depois mais rapidamente quando o meu apetite voltou.

— A comida que você come é definitivamente mais conveniente – ela comentou enquanto eu terminava. – Mas ela não parece muito divertida.

— Caçar é mais excitante, eu imagino.

— Eu não tenho ideia. – Ela me deu um sorriso largo que mostrava todos os dentes e várias cabeças se viraram na nossa direção.

— Alice! – A repreendemos pelo seu descuido.

— Desculpe – murmurou.

Depois de jogar o nosso lixo fora, ela me guiou pelos grandes corredores do shopping, os olhos dela brilhando de vez em quando em direção a alguma coisa que ela queria, me fazendo bater com ela a cada vez que ela parava. Ela parou por um momento numa loja cara para comprar três pares de óculos escuros, dois femininos e um masculino. Eu reparei quando o vendedor lançou a ela um olhar incrédulo quando ela lhe deu um cartão de crédito estranho, cheio de listras douradas. Ela encontrou uma loja de acessórios, na qual ela comprou uma escova e alguns elásticos.

Ela não começou a trabalhar até que nós chegamos ao tipo de loja onde eu nunca tinha entrado, porque até o preço de um par de meias estaria fora das minhas possibilidades.

— Você deve ser tamanho 38. – Isso era uma afirmação, não uma pergunta.

Ela me usou como burro de carga, me enchendo com uma pilha estonteante de roupas. De vez em quando eu a via pegando um tamanho extra pequeno enquanto ela escolhia alguma coisa para si mesma.

As roupas que ela escolhia para ela eram todas de materiais leves, mas sempre de mangas longas ou no comprimento dos calcanhares, que serviriam para cobrir a pele dela o máximo possível.

A vendedora teve a mesma reação ao cartão de crédito estranho, se tornando mais servil e chamando Alice de “senhorita”. No entanto, o nome que ela disse não era familiar. Assim que estávamos fora do shopping de novo, com os braços cheios com as nossas sacolas, das quais ela tinha a parte maior, eu perguntei a ela sobre isso.

— Do que ela te chamou?

— O cartão de crédito diz Rachel Lee. Nós vamos ser muito cuidadosos para não deixar nenhum tipo de pista para o perseguidor. Vamos trocar as suas roupas.

Eu pensei nisso enquanto ela me guiava para os provadores, me puxando até a parte mais livre para que eu tivesse espaço para me movimentar.

Eu a ouvi procurando pelas sacolas, finalmente passando um vestido de algodão azul para mim pela porta. Eu tirei agradecida os jeans muito longos e muito apertados de Esme, tirei a blusa que ficava folgada nos lugares errados em mim e passei de volta para ela pela porta. Ela me surpreendeu me passando um par se sandálias de couro suave por baixo da porta, quando foi que ela comprou isso? O vestido ficou incrivelmente bem em mim, o corte caro ficava aparente pela forma com que ele se ajustava em mim.

Enquanto eu saía da cabine, eu percebi que ela estava jogando as coisas de Esme no lixo.

— Fique com os seus tênis – ela disse. Eu os coloquei numa bolsa.

Nós voltamos para a garagem. Alice chamou menos olhares dessa vez; ela estava tão coberta de sacolas que a pele dela mal estava visível.

Olhamos exasperados para Alice.

— Sério? Era necessário fazer compras nesse momento?

— Caso você não se lembre. Bella não tinha nenhuma peça de roupa.

— E você não se aproveitou da situação?

Ela apenas mostrou sua língua para mim. Inacreditável.

— Quem diria que nosso dia de compra chegaria tão cedo. – tentei brincar. Parecia muito tempo em que ela tinha ficado enciumada com Emmett e tinha prometido um dia de compra.

Ela olhou para mim horrorizada.

— Isso não é um dia de compras! – afirmou. Olhei para as sacolas em nossas mãos, que diziam o contrário. Ela bufou. – São apenas alguns itens para sobrevivência.

Olhei para ela incrédula, enquanto me arrastava para o estacionamento.

— Pobre irmãzinha. Não sabe o que é um dia de compras com Alice. – com toda a sua maturidade, ela mostrou a língua para Emmett.

Jasper estava esperando. Ele escorregou para fora do carro quando nós nos aproximamos – a mala estava aberta. Enquanto ele pegava as minhas sacolas primeiro, ele olhou para Alice com um olhar mordaz.

— Eu sabia que deveria ter ido junto – ele murmurou.

— Sim – ela concordou. – Elas teriam te adorado no banheiro feminino.

Ele não respondeu.

Alice procurou rapidamente entre as sacolas dela antes de colocá-las na mala.

Ela deu a Jasper um par de óculos, colocando um par nela mesma. Ela me deu o terceiro par e a escova. E ela puxou uma blusa fina, de mangas longas, de um preto transparente, colocando-a por cima da sua camiseta, deixando-a aberta. Finalmente, ela complementou com um chapéu de palha. Nela, a roupa larga parecia ter saído de uma passarela. Ela agarrou mais uma porção de roupas e, enrolando elas como uma bola, ela abriu a porta de trás e fez um travesseiro no banco.

— Você precisa dormir agora – ela ordenou firmemente. Eu me agachei obedientemente no banco, encostando a minha cabeça imediatamente, virando-me de lado. Eu estava meio adormecida quando o carro ligou.

— Você não deveria ter me comprado todas essas coisas – murmurei.

— Não se preocupe com isso, Bella. Durma. – A voz dela estava tranquila.

— Obrigada. – Eu respirei e caí num cochilo intranquilo.

Foi a dor por ter dormido numa posição estranha que me acordou. Eu ainda estava exausta, mas repentinamente alerta quando eu me lembrei de onde eu estava. Eu me sentei para ver o vale do sol aparecendo à minha frente; as largas superfícies planas dos telhados, as palmeiras, rodovias, muita fumaça e as piscinas, abraçadas pelas curtas costas de pedra que nós chamávamos de montanhas. Eu fiquei surpresa por não sentir nenhum senso de alívio, só uma estridente saudade de casa pelos céus chuvosos e cercas verdes do lugar que havia trazido Edward para mim.

Eu balancei a cabeça, tentando afastar a onda de desespero que ameaçava tomar conta de mim.

Como meu eu do passado estava conseguindo lidar com a separação? Ficar longe da minha companheira estando em um perigo tão grande, não sabia como era possível. Era uma agonia estando ciente de seus passos e sabendo que ainda estava segura, imagina não ter contato nenhum com ela.

Jasper e Alice estavam conversando, cientes, eu tinha certeza, de que eu estava consciente de novo, mas eles não deram nenhum sinal.

Suas vozes rápidas, suaves, eram uma alta onda de músicas ao meu redor. Eu entendi que eles estavam decidindo onde ficar.

— Bella. – Alice se dirigiu a mim casualmente, como se eu já fosse parte da conversa. – Em que direção fica o aeroporto?

— Fique na 1-10 – eu disse automaticamente. – Nós vamos passar direto por ele.

Eu pensei por um momento; meu cérebro ainda estava nebuloso com o sono.

— Vamos pegar um voo para algum lugar? – Perguntei.

— Não, mas é melhor ficar por perto, na dúvida. – Ela tirou seu telefone e aparentemente ligou para a central de informações. Ela falou mais devagar do que o normal, perguntando por hotéis que ficassem perto do aeroporto, concordando com as sugestões e depois pausando enquanto ela fazia outra ligação. Ela fez reservas para uma semana em nome de Christian Bower, dizendo um número de cartão de crédito sem olhar para um. Eu a ouvi repetindo as informações para o operador; eu tinha certeza de que ela não precisava de ajuda com a memória dela. A visão do telefone me lembrou das minhas responsabilidades.

— Alice – eu disse, enquanto ela terminava. – Eu preciso ligar para o meu pai. – Minha voz estava sóbria. Ela me passou o telefone.

Não podia fugir do que tinha feito. Conscientemente causei dor ao meu pai. Era inacreditável como não tive escrúpulos de ferir alguém que me recebeu tão bem em sua casa. Não merecia o perdão do meu pai. Estava extremamente envergonhada e arrependida do que tinha feito para sair de casa.

Jasper me olhou estranhamento pelo retrovisor, enquanto ficava em conflito ouvindo o telefone tocar, querendo que ele atendesse ou torcendo para ter saído de casa.

Como ela podia se culpar? A culpa era toda minha por ter deixado nessa situação. Bella era inocente na história. Fomos nós que a colocamos no nosso mundo.

— Pai? – disse hesitantemente. Era tarde, ele deveria ter saído de casa. Claro que ele deveria ter passado a noite ao lado do telefone esperando notícias minhas até de manhã. A minha culpa aumentou ainda mais, o que achava não ser possível.

— Isso não é justo! A culpa é minha! – explodi por ela continuar se culpando.

— A culpa é desse perseguidor. Vocês dois não têm culpa nenhuma. – defendeu Esme. Sabia que estava errada. Estava acompanhando meus erros com toda minha família.

— Bella! Onde você está, querida? – Um forte alívio aparecia na voz dele. A culpa que senti por ter o magoado devido minhas palavras parecia que ia me sufocar.

— Eu estou na estrada. – Eu não precisava contar que havia feito uma viagem de três dias em uma noite.

— Bella, você precisa voltar.

— Eu preciso ir para casa.

— Querida, vamos falar sobre isso. Você não precisa ir embora só por causa de um garoto. – Ele estava sendo muito cuidadoso, eu podia notar. Meu coração parecia que ia rasgar.

— Pai, me dê uma semana. Eu preciso pensar nas coisas e depois eu decido se vou voltar. Isso não tem nada a ver com você, ok? – A minha voz tremeu levemente. – Eu amo você, papai. O que quer que eu decida, eu te vejo em breve. Eu prometo.

— Tudo bem, Bella. – A voz dele estava resignada. – Me ligue quando chegar em Phoenix.

— Eu te ligo lá de casa, pai. Tchau.

— Tchau, Bells. – Ele hesitou antes de desligar.

“Pelo menos eu já estava de bem com Charlie de novo”, eu pensei enquanto passava o telefone de volta pra Alice. Ela me observou cuidadosamente, talvez esperando por outro colapso sentimental. Mas eu estava cansada demais.

Ficamos aliviados por Charlie a ter perdoado tão rápido. Não sei o que seria para a mente de Bella se seu pai ainda estivesse com raiva.

A cidade familiar passava voando por mim pelas janelas escuras. O trânsito estava leve. Nós fizemos rapidamente o caminho até o centro da cidade, mais ou menos uma milha do aeroporto, Jasper saiu da estrada sob comando de Alice. Ela o direcionou facilmente através das ruas até a entrada do Hilton, próximo ao aeroporto. Eu estava pensando em um motel, mas eu tinha certeza de que eles iam acabar com as minhas preocupações com dinheiro. Eles pareciam ter uma reserva infindável.

Nós estacionamos na garagem com manobristas debaixo da sombra de uma grande árvore e dois atendentes se aproximaram rapidamente do impressionante automóvel. Jasper e Alice saíram rapidamente, muito parecidos com estrelas de cinema com seus óculos escuros. Eu saí estranhamente, rígida pelas horas que passei dentro do carro, me sentindo simples demais.

Absurdo! Como ela pode se imaginar simples?

Jasper abriu a mala e os obsequiosos empregados rapidamente pegaram nossas bolsas de compras e as colocaram num carrinho. Eles eram bem treinados demais para se surpreenderem com a nossa falta de verdadeira bagagem.

O carro estava bem frio dentro do seu interior escuro; sair à tarde em Phoenix, mesmo na sombra, era como enfiar a minha cabeça dentro de um forno industrial. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti em casa.

Seus pensamentos me incomodaram, a diferença entre sua casa e Forks era gritante. O clima era o completo oposto de onde morava. Será que ela gostaria de voltar para uma cidade ensolarada?

Jasper andou confiantemente pelo saguão vazio. Alice se manteve cuidadosamente ao meu lado, os atendentes nos acompanhando ansiosamente com as nossas coisas. Jasper se aproximou da mesa com seu ar inconscientemente real. “Bower” foi tudo o que ele disse para a recepcionista com aparência profissional. Ela rapidamente processou a informação, com apenas a menor das olhadas para o ídolo de cabelos dourados na frente dele e isso traiu seu profissionalismo. Nós fomos rapidamente guiados para a nossa grande suíte. Eu sabia que os dois quartos eram só por pura convenção. Os atendentes colocaram eficientemente as nossas malas no chão, enquanto eu me sentava fracamente no sofá e Alice ia dançando examinar os outros quartos. Jasper apertou as mãos deles enquanto eles saíam, e o olhar que eles trocaram na saída foi mais que de satisfação – foi de soberba. E aí ficamos sozinhos.

Jasper foi para as janelas, fechando as duas camadas de cortinas seguramente. Alice apareceu e derrubou um cardápio do serviço de quarto no meu colo.

— Peça alguma coisa – ela instruiu.

— Eu estou bem – eu disse, boba.

Resmunguei indignado. Bella deveria cuidar melhor de sua saúde. Não pode ser saudável pular refeições desse jeito. Ela estava passando por uma grande quantidade de estresse, descuidar de sua alimentação só iria agravar a situação. Comecei a me arrepender de não estar ao seu lado para poder cuidar melhor dela.

Ela me deu uma olhada obscura e pegou o cardápio de volta. Murmurando algo sobre Edward, ela pegou o telefone.

— Alice, sério – eu comecei, mas o olhar dela me silenciou. Eu coloquei a minha cabeça no braço do sofá e fechei os meus olhos.

Uma batida na porta me acordou. Eu me levantei tão rápido que rolei do sofá para o chão e bati a minha testa na mesinha de café.

— Ow – eu disse, confusa, esfregando a minha testa.

Eu ouvi Jasper rir uma vez e olhei para cima para vê-lo cobrindo a boca, tentando abafar o resto da sua diversão. Alice abriu a porta, pressionando os lábios firmemente, os cantos da boca dela se contorcendo.

Minha família tentava esconder sua diversão. Para uma família de vampiros, ser desastrado estava fora de questão, não acompanhamos os humanos tão de perto para notar esses pequenos incidentes. Porém, não consegui esconder completamente a minha preocupação por uma simples queda.

— Relaxa Edward. Os humanos caem sempre. É hilário. – divertiu-se Emmett

— Esse é o problema. Ela é tão frágil, ela facilmente poderia ter quebrado alguma coisa.

— A mesa é mais provável. – continuou. Trazendo algumas risadas entre a família.

Eu corei e com muita maturidade mostrei minha a língua para ele, segurando a cabeça nas mãos. Seus olhos mostravam sua diversão. Era a minha comida; o cheiro de carne vermelha, queijo, alho e batatas girava ao meu redor. Alice carregou a bandeja com tanta maestria, como se ela tivesse sido garçonete por anos, e a colocou na mesa aos meus joelhos.

— Você precisa de proteína – ela explicou, levantando o globo prateado para revelar um grande filé e uma escultura decorativa de batata. – Edward não vai ficar feliz se o seu sangue cheirar anêmico quando ele chegar aqui.

Eu tinha quase certeza de que ela estava brincando.

Não, ela não estava.

Agora que eu conseguia cheirar a comida, eu estava com fome de novo. Eu comi rapidamente, sentindo a energia retornar enquanto os açúcares entravam no meu sistema sanguíneo. Alice e Jasper me ignoraram, assistindo o jornal e conversando tão rapidamente e tão baixo que eu não consegui entender uma só palavra.

Uma segunda batida soou na porta. Eu pulei, ficando de pé, cuidadosamente evitando outro acidente com a bandeja meio vazia na mesinha de café.

— Bella, você precisa se acalmar – Jasper disse, enquanto Alice atendia a porta.

Uma camareira da equipe do hotel entregou a ela uma pequena sacola com a logo do Hilton e foi embora rapidamente. Alice a trouxe e entregou para mim.

Eu a abri para encontrar uma escova de dente, pasta de dente e todas as outras coisas necessárias que eu havia deixado no meu carro. As lágrimas pularam dos meus olhos.

— Vocês são tão gentis comigo. – Eu olhei para Alice e depois para Jasper, emocionada. Eu me dei conta de que Jasper estava sendo anormalmente cuidadoso para não se aproximar de mim, então eu me surpreendi quando ele veio para o meu lado e passou o braço pelos meus ombros.

— Você é parte do grupo agora – ele brincou, sorrindo calidamente. Eu senti uma pesada lassitude passando pelo meu corpo, de repente minhas pálpebras estavam pesadas demais para segurar. – Muito súbito, Jasper – eu ouvi Alice dizer num tom torto. Seus braços frios e magros escorregaram por baixo dos meus joelhos e por trás das minhas costas. Ela me levantou, mas eu já estava adormecida antes que ela me colocasse na cama.

— Jasper! – minha família parece se esquecer que Bella é apenas humana. Eles não podem usar seus poderes como se fosse alguém na nossa espécie.

— Desculpe. Imagino o turbilhão de emoções que ela estava passando. Só queria ajudar – murmurou constrangido.

— Qual o problema Carlisle? – indagou Esme ao seu marido. Nossos olhos foram atraídos para o patriarca da família, que estava com o cenho franzido.

— A próxima parte é escrito por Jasper.

— O quê? – gritamos em coro. Com bastante calma, meu pai apenas nos mostrou folhas escritas por Jasper, da mesma forma como meu futuro eu tinha feito anteriormente. Carlisle passou o diário para um incrédulo Jasper.

— Acho que você é o próximo a ler.

Meu irmão ainda parecia fazer tudo no piloto automático. Seus pensamentos estavam tão confusos que nem eu, conseguia entender. Ele sempre foi o mais fechado da família, sempre quieto e austero, ele sempre foi o melhor em esconder seus pensamentos. Foi um longo tempo antes de conseguirmos ganhar sua confiança e seu amor. Bella entrou na família há pouco tempo, seria interessante saber seu lado da história.

Jasper

Sentando no sofá do hotel, ficava trocando de canais, nenhum estava prendendo a minha atenção. Alice estava no canto mais afastada, tentando ter alguma visão. Bella continuava dormindo, posso ter exagerado na letargia que enviei em seu caminho, mas sabia que ela precisava de descanso. O turbilhão de emoções que ela experimentou iria cobrar um peso em seu frágil corpo e seu estado emocional afetava o meu. Bella e Alice eram minha responsabilidade proteger, tinha que estar atento, por mais que estivesse sentando em frente a uma televisão, meus ouvidos estavam prestando atenção a cada palavra proferida nas proximidades. Ao menor sinal de alarme, arrastaria Bella e Alice para longe.

Meus anos no exército, tanto na guerra, como com Maria, estavam voltando naturalmente para mim. Alice tinha seu dom em seu favor, qualquer ataque poderia ser previsto, somente nossa família sabia de sua previsão, ela tinha uma larga vantagem. Como um soldado, participei de várias batalhas, apesar de várias cicatrizes, não perdi nenhuma. Apenas minha aparência intimidava nossa espécie a não querer uma briga comigo. Os humanos mal conseguiam olhar em minha direção, eu gritava perigo, mesmo a beleza sobre-humana não omitia esse fato. Porém, mesmo com isso tínhamos uma grande desvantagem, a frágil namorada de meu irmão que dormia profundamente no quarto. Sem a nossa proteção, ela não tinha nenhuma chance.

Soltei um rosnado longo e profundo com suas palavras.

— Estou sendo realista Edward. – até a postura de Jasper estava mais firme, lembrando que um dia já foi um soldado, sempre me impressionava com esse lado dele. Na minha frente não era meu irmão, era o Major Jasper Whitlock, sempre tático e lógico. – Você sabe como minha mente funciona, sou um estrategista. Bella é o elo mais fraco da família, ela é humana e enquanto ela for humana não terá chance contra alguém da nossa espécie. Isso é um fato, você pode rosnar o quanto quiser, não vai mudar isso!

— Ela vai continuar humana. Eu irei garantir sua segurança.

— Você é louco? Você sabe que ela terá que se transformar em uma de nós para continuarem juntos. – apontou incrédulo. Podia ouvir que minha família concordava com suas palavras, me deixando ainda mais furioso.

— Eu não vou transforma-la em um mostro. E isso é final. – falei pausadamente para que cada membro da família entendesse minhas palavras. Bella era minha companheira. A decisão final era minha.

— Você está cometendo um grande erro.

— É a minha decisão a fazer. – cruzei os braços para encerrar o assunto. Jasper soltou um bufo pouco característico.

— O fato de você tomar essa decisão sozinho, sem consultar sua companheira, confirma o quanto você está errado!

Franzi o cenho frustrado. Lógico que era minha decisão a tomar. Bella não tem noção das consequências de se tornar alguém da nossa espécie. Nunca iria condena-la.

Era estranho ser responsável pela vida de um humano novamente. Quanto era um soldado levava muito a sério meu dever e carregava com honra minhas medalhas duramente conquistadas. Nunca pensei que meu desejo de ajudar acabaria me transformando em um vampiro. Ao oferecer minha ajuda para três jovens senhoras, que mais tarde descobrir serem a escória da nossa espécie, acabaram com minha vida humana, me transformando em outro tipo de soldado em sua guerra, no lugar de tentar salvar vidas e honrar meu país, brigava pela chance de conquistar maior território para ter mais alimentos, independente do país, portanto que tenham humanos o suficiente para matar e ficarmos em sigilo.

Ao final de sua sentença sua voz foi ficando mais baixa. Mesmo não sendo um empata, sabia que Jasper tinha extrema vergonha sobre o seu passado. Nunca me aprofundei em suas memórias, em uma parte por respeito e em outra que ele era muito bom em me manter fora de sua cabeça, mesmo assim, ainda tenho uma noção do que foi para ele, um pesadelo. Morte para se alimentar de humanos. Morte para a nossa espécie. Guerra. Horror. Décadas em que essa era a única vida que ele conhecia.

O coração de Bella acelerou um pouco. Logo acordaria. Depois de transformado só me aproximava dos seres humanos para me alimentar. Quando mudei minha dieta, precisei de anos para poder frequentar a escola, e mesmo assim ficava o mais longe possível dos adolescentes. Era um risco muito grande. Por mais que quisesse ficar afastado, meu dom de sentir as emoções deles não podia ser desligado, nem meu sentido superior de ouvir suas reclamações. Apesar de minha convivência com adolescentes tenho certeza que Bella é uma espécie peculiar. Não dei muita atenção inicialmente, para mim, não passava de uma nova estudante.

Porém, desde que Edward levou um interesse na humana, me encontrei intrigado por qual motivo o levaria para lutar contra o melhor sangue que já existiu em sua vida, para conviver com ele. Não tenho dúvidas que com meu fraco controle, não teria resistido.

Rosnei apenas com a ideia de machucar Bella.

— Bro, se acalme. Até eu pensei nisso. – falou Emmett. Não podia controlar, o pensamento de machucarem Bella me deixava furioso.

Não preciso do meu dom para ter percebido a grande mudança do meu irmão. Edward sempre teve uma névoa de depressão, tristeza, aversão e repulsa sobre ele. Isso somado com meus próprios sentimentos, sempre me mantinha afastado quando ele estava em seus humores. Por ser um empata, esse tipo de sentimento negativo ampliava os meus.

Definitivamente não há segredo em nossa família. Não gostava de ter meus sentimentos expostos desse jeito, mas sabia que minha família também não gostaria de ter seus pensamentos revelados.

Então ela apareceu em sua vida, e começou a fazer uma amizade improvável, indo contra todas as probabilidades. Os sentimentos de Edward mudaram radicalmente para ansiedade, nervosismo e esperança. Era tão diferente dele, estava tão acostumado com seus sentimentos, que essa mudança abrupta me deixou bastante intrigado, afinal, somos conhecidos por sermos imutáveis.

O dia em que Bella retribuiu seus sentimentos, eu poderia andar pendurado na cintura dele. Nunca senti tanta felicidade, alegria, êxtase e acima de tudo um amor tão puro e doce em toda a minha vida. Nunca tinha acompanhado o primeiro amor de perto. A maioria das pessoas tem apenas um encantamento ou paixão passageira. Quando encontram e realmente amam outra pessoa, esse amor está com pequenas manchas de decepções passadas, que muitas vezes prejudicam o relacionamento, colocando os erros passados em seu novo companheiro.

Toda a minha família era assim. Não tinha dúvidas de seus sentimentos uns pelos outros, porém cada um tinha seu demônio para lutar. Rosalie foi brutalmente agredida em seu primeiro relacionamento, por mais que Emmett fosse incapaz de machucar um fio de cabelo dourado de sua cabeça, as vezes podia ver o quanto ela lutava contra seus demônios. Esme veio de um passado traumático, com a perda de um filho e de um homem abusivo, mesmo encontrando o homem mais compassivo do mundo, ainda vacilava quando ouvia uma voz elevada. Quando humano, era um jovem rapaz ingênuo, ao iniciar minha vida de vampiro achei que estava apaixonado pela cadela manipuladora que me transformou, porém tudo não passava de um jogo para me moldar em seu soldado ideal.

Diferente do resto da família, meu irmão nunca se apaixonou antes, apesar de todas as tentativas de mulheres e vampiras. Tive que ter um cuidado extra com meus pensamentos, não queria tirar sua alegria ao descobrir que estava no amor com Bella, mesmo tendo descoberto muito antes dele.

Bufei com isso. Claro que meu irmão saberia. Devia saber de toda minha confusão e dúvida.

— Você sabe tão bem quanto eu que não posso controlar meu dom. – disse com humor.

Edward irradiava alegria e nunca me senti tão curioso para conhecer um ser humano. Como seria esta criatura capaz de modificar completamente os sentimentos de um vampiro com um século de existência?

Quando Bella foi pela primeira vez em nossa casa, prestei atenção extra aos seus sentimentos, claro que mantive a minha distância física assim como Edward me perguntou, mas quando a olhei ali em baixo das escadas ela era a humana mais intrigante que já tinha visto. Bella passava uma inocência tão grande que senti um forte extinto protetor aflorar em mim. Seus grandes olhos inocentes encontram com o meu e me concentrei em seu amor, felicidade, contentamento e um pouco de nervosismo. Esse último sentimento não combina com o resto e resolvi mandar uma onda de calma. Senti a surpresa da minha vida que em vez de ter o efeito calmante, aqueles inocentes olhos se estreitaram com malícia e tivemos um jogo de brincar com as emoções dos outros. Ninguém nuca fez isso comigo antes e foi uma mudança surpreendente, mas agradável.

Em seguida deixamos os dois ao piano para um certo ar de privacidade, mas tenho certeza que Edward sabia que todos estavam ouvindo atentamente. Ficamos curiosos e intrigados com sua namorada. Afinal, segredo não era algo mantido em nossa família.

Fiquei exasperado com minha família intrometida. Sabia que meu dom era o mais intrusivo, mesmo assim, gostaria de alguma privacidade em meu relacionamento.

Senti uma pontada de culpa, por pensar que eu não gostava dela, mas Edward explicou que me pediu para manter distância. Quando ela me defendeu, senti algo quente no meu peito. Comecei a entender como Edward se sentia indigno de Bella, era uma pessoa tão amorosa e só via o bem nos outros. Sem dúvidas ela não tinha ideia quantas vezes eu já tinha escorregado na dieta. Tinha certeza que ela soubesse 1/3 da minha história sua opinião sobre mim seria outra.

O coração de Bella acelerou mais um pouco, ela estava acordada. Comecei a olhar novamente para a TV, passando pelos canais com um pouco mais de calma, para lhe dar alguma privacidade.

Poucos minutos depois ela saiu do quarto e em outra direção sem nem parar por onde estava sentado. Humanos geralmente não prestam atenção ao seu redor, ela provavelmente nem sabia que estava sentado neste sofá.

Continuei mudando os canais distraído dos meus pensamentos do passado quando sinto uma presença perto de mim e um pequeno impacto na minha cabeça seguido de um forte barulho caindo no chão. Quando olhei para cima encontrei a namorada do meu irmão com os braços cruzados e tinha um cofre no chão. Ela acabou de jogar um cofre na minha cabeça?

Tentei muito difícil segurar minha risada, diferente do meu irmão, que ria abertamente com sua risada estrondosa.

— Não acredito que uma pequena garota adolescente acertou em você. – claro que Emmett acharia hilário, era difícil ele ganhar alguma luta com Jasper, muito menos o pegar desprevenido.

Os pensamentos de Jasper eram incrédulos de como ela conseguiria pega-lo de surpresa, quando quem raramente conseguia tal feito era Alice. E essas vezes eram contadas em uma mão, em décadas de relacionamento.

— Acho que você está perdendo seu toque. – brinquei. Ele ainda estava relendo suas palavras, achando que algo estava errado e isso não tivesse acontecido.

— Você me jogou um cofre? – perguntei confuso com o que tinha acontecido. Olhado para expressão raivosa de Bella e cofre no chão. Senti um sentimento de diversão e olhei em direção a Alice que estava tentando, sem muito sucesso, esconder seu sorriso. Sabia que ela tinha previsto isso.

— Claro! Se eu usasse minhas mãos provavelmente as quebraria do jeito que sua cabeça é dura. – bufou. – Escute aqui Jasper Hale, não se atreva a usar seus superpoderes esquisitos para me nocautear novamente! – mesmo em sua raiva, ela parecia um gatinho sibilando.

Tentei esconder minha surpresa, primeiro, por me chamar de cabeça dura, vampiros com o dobro do meu tamanho não teriam coragem de falar isso na minha cara e segundo, achei que iria esquecer ou não perceber como ela caiu no sono. – Você percebeu? – perguntei apenas para confirmar. – Espere! Meu dom não é esquisito e eu não sou cabeça dura. – reclamei irritado.

Ela grunhiu e murmurou um “claro” antes de ir indignada para o quarto e bater à porta fechada reclamando sobre estúpidos vampiros com seus superpoderes. Balancei a cabeça confuso do que tinha acontecido. Bella tinha ficado com raiva de mim por mexer com seus sentimentos e no lugar de falar isso ou apenas ficar emburrada em um canto ela me jogou um cofre para me punir. Sorri para isso, sabendo que ela tinha me tratado como qualquer pessoa – tirando a parte do cofre, é claro – sem medo de que era um vampiro assustador.

— Jasper, desde quando é masoquista? – indagou Emmett. Trazendo um grunhido indignado de Jasper.

— Não seja idiota Emmett. Você sabe que um pequeno cofre de hotel não nos machucaria. Não fiquei impressionado com isso. Se ponha em meu lugar, acha que algum humano normal teria coragem de arranjar uma briga com você? – Emmett balançou a cabeça e mostrou seus músculos como motivo dos humanos terem medo dele, independentemente de ser um vampiro, apenas seu tamanho era intimidante. – Exatamente. Os humanos têm medo apenas ao ficarem próximos de nós, os vampiros me temem pelas minhas cicatrizes. Agora Bella? Ela me enfrentou como um de vocês fariam. Se você irritasse Bella acha que ela ficaria calada ou brigaria com você?

A cara de espanto do meu irmão era hilária. Seus pensamentos mostravam claramente que sabia a resposta. Não importava que erámos vampiros e muito mais fortes. Ela brigaria de igual para igual, sem se preocupar com as consequências. Nem conhecia minha companheira, mas se pudesse juraria que estavam nascendo cabelos brancos em minha cabeça. Como ela se colocava em perigo? Mesmo minha família tendo um ótimo controle, mas um movimento errado, com um pouco mais de força ou um pouco mais rápido poderia machucá-la seriamente. Ela não tem nenhum senso de autopreservação?

— Acho que estou começando a respeitar a humana. – falou Rosalie pensativa. Tinha que lembrar de manter as duas separadas. Se minha irmã ensinasse os castigos que aplicava ao seu marido para minha namorada, estaria em sérios apuros.

Olhei para a tela do meu celular, mesmo sabendo que não havia nenhuma chamada não atendida. Algo deu errado, o primeiro plano tinha falhado.

Ficamos tensos com essas palavras, isso era preocupante.

Podia sentir os sentimentos de preocupação da minha esposa, a conhecia bem o suficiente para saber que não teve nenhuma nova visão. Sua inquietação vinha da mesma lógica que a minha. Eles tiveram tempo de terminar a caçada e ter eliminado James. Porém, os planos não saíram como programado. Ou eles ainda estavam em caça, com outro plano em andamento ou ele tinha escapado. Trocamos um olhar conjunto em direção ao quarto de Bella. Se fosse o segundo, a namorada de meu irmão estava em um risco ainda maior.

Em uma luta de um para um, tinha certeza que estava na vantagem, mas com uma humana muito frágil e mortal tão próxima de mim, uma luta era muito arriscada.

— Você entende que não a transformando e a deixando humana a coloca em risco constante, certo? – perguntou Jasper, com uma voz levemente irritada.

— Isso não está em discussão.

— Só deixando claro minha opinião para depois poder falar “eu te avisei”.

Alguns minutos depois Bella retornou à sala do hotel, ela estava mais calma, parecia que ter me jogado um cofre tinha acalmado sua raiva. Alice estava parada no canto com um pequeno franzir na testa.

— Qual é o problema, Alice? – perguntou com uma pequena voz.

— Não há nada errado. – Alice a olhou com olhos grandes, honestos, nos quais ela não acreditou nem por um segundo. Dificilmente um humano captaria a leve mentira, parecia mais um sexto sentido do que outra coisa. Somos excelentes mentirosos, porque podemos controlar nossas expressões e as reações externas humanas, como suor, tremores ou tiques, que podem facilitar descobrir uma mentira.

— Bem, o que fazemos agora?

— Nós esperamos Carlisle ligar.

— E ele já devia ter ligado a essa hora? – Ela sabia fazer as perguntas certas, logo saberia a verdade. Os olhos de Alice flutuaram de mim para o telefone no topo da sua bolsa de couro e depois de volta.

— O que isso significa? – Sua voz tremeu e um sentimento de medo e preocupação tomavam conta de seu corpo. – Que ele ainda não tenha ligado?

— Isso só significa que eles ainda não têm nada para nos dizer. – minha esposa respondeu em uma voz uniforme, que por algum motivo, Bella capturou o problema e começou a ter dificuldade de respirar.

— Bella –disse, usando uma voz tranquilizadora, já que ela não queria que usasse meu dom, tentei usar outro método para a acalmar – você não tem com o que se preocupar. Você está completamente segura aqui.

— Você acha que eu estou preocupada comigo? – perguntou incrédula.

— E o que mais há? – indaguei surpreso. Eu podia sentir sua preocupação e geralmente podia adivinhar o motivo por trás do sentimento. É claro que com ela seria diferente, parecia que tinha errado sobre suas razões.

— Você ouviu o que Laurent disse. – sussurrou, mas para nossos ouvidos ela poderia estar gritando. – Ele disse que James é letal. E se alguma coisa der errado e eles se separarem? E se alguma coisa acontecer com qualquer um deles? Carlisle, Emmett… Edward… – Ela engoli em seco. – E se a fêmea selvagem machucar Rosalie ou Esme…? – Sua voz ficou mais alta, um tom de histeria começando a aparecer por trás dela. – Como é que eu vou conseguir viver comigo mesma sabendo que é minha culpa? Nenhum de vocês devia estar se arriscando por mim-

Essa humana era outra coisa. Podia sentir a sinceridade de suas palavras. Ela estava apavorada pela nossa família. Uma família de vampiros. As criaturas mais aterrorizantes do planeta. E Bella a frágil humana, sendo caçada pela nossa espécie e isso não a assusta.

— Acho que posso te entender. – disse Jasper com a voz distante.

— O quê? – seus pensamentos estavam fechados.

— Bella tem uma inocência que a transformando seria perdida.

Virei o rosto em direção da parede. Não queria que minha família visse meu rosto. O pensamento de ter Bella para sempre era tão atraente, mas tão errado. Não podia tirar sua humanidade, a transformar em um monstro como nós.

— Bella ainda seria Bella. – retrucou Alice descontente. Jasper voltou a leitura, antes que pudesse haver alguma discussão.

— Bella, Bella, pare – interrompi sua histeria, pois a única em real perigo era ela. – Você está se preocupando com as coisas erradas, Bella. Confie em mim, nenhum de nós corre risco. Você está passando por muito estresse com isso, não acrescente preocupações desnecessárias a tudo isso. Ouça – ela havia desviado o olhar –, nossa família é forte. O nosso único medo é perder você.

— Mas por que vocês…? – Alice a interrompeu dessa vez, tocando sua bochecha com os seus dedos.

— Já faz quase um século que Edward tem estado sozinho. Agora ele encontrou você e a nossa família está inteira. Você acha que nós vamos querer olhar nos olhos dele pelos próximos cem anos se ele te perder?

Estremeci com suas palavras. Mesmo sem a conhecer, não conseguia imaginar não viver a vida que estava nesses diários. Ela era minha companheira. Eu precisava dela em minha vida. Depois de um século, não podia perde-la.

Resolvi tentar meu dom novamente com Bella. Enviei pequenas ondas de calma e retirei aos poucos seus sentimentos de culpa, tentando parecer que foi fruto das palavras de Alice e não meu dom. Bella franziu a testa e um sentimento de desconfiança se apoderou dela. Suspirei internamente. Seria cada vez mais difícil usar meu dom nela.

— Não acredito que os dons de vocês não funcionam direito em uma humana. – Emmett tinha um pequeno sorriso em seu rosto. Seus pensamentos eram claros, ele queria que Bella estivesse em Forks logo para poder saber como desviar de nossos dons.

— Emmett, isso não é hora. – advertiu Esme com um pequeno sorriso, sabendo que Emmett sempre seria Emmett.

Bella estava impaciente e andando de um lado para o outro. Resolvi deixar ela lidar com seus sentimentos e voltei ao sofá e assistir TV. Alice estava concentrada, tentando ter alguma visão.

Senti o sofá se mudar enquanto Bella se sentava ao meu lado.

— O que você está assistindo?

— Na realidade, nada prendeu minha atenção. – respondi enquanto continuava mudando os canais.

— Espere! – ela segurou minha mão quando disse isso. Fiquei surpreso de não ter nenhuma reação negativa a minha pele gelada. – Eu gosto desse episódio dos Simpsons.

— Você quer ver um episódio que já assistiu? – de forma bastante infantil ela mostrou a língua pra mim, enquanto se acomodava no sofá.

No lugar de prestar atenção ao episódio, comecei a prestar mais atenção a namorada do meu irmão. Seus sentimentos tinham se acalmado, ainda havia preocupação, porém mais controlada. As vezes ela sorria ou ria de alguma coisa no desenho, outra vezes suspirava e um sentimento de pura saudade aparecia. Sabia que pensava em Edward.

O puro prazer dessa frase devia ter me deixado enojado comigo mesmo. Porém, não posso controlar meus sentimentos. Era bom saber que Bella também sentia minha falta. Imagino o que estaria passando longe dela.

Em algum momento durante a maratona de episódios, Bella soltou um longo bocejo e deitou com a cabeça em minhas pernas, como ela faria com um humano normal.

Parei de respirar e fiquei completamente parado, sem saber como reagir. Ela estava completamente indiferente ao meu estado em seu estado de sonolência. Os minutos passavam lentamente enquanto ela cai na inconsciência.

Em seu estado adormecido resolvi voltar a respirar, seu cheiro inebriante tocou meus sentidos.

Fiquei tenso com essas palavras. Não importava o que Bella tinha dito nos diários, se eu sentisse qualquer ameaça de Jasper. Iria manter ele bem longe da minha companheira.

Diferente das outras vezes enquanto ficava perto dos humanos, não senti a sede abrasadora e vontade de caçar que acompanha minha vida. Era apenas o cheiro de Bella, uma humana, que me tratou como qualquer pessoa e que amava minha família.

— Você está bem? – Alice surgiu ao meu lado.

Suspirei, sem saber o que responder. – Ela é diferente. – Alice me lançou um olhar que gritava “eu sei”. – Ela não tem medo de mim. Nossa espécie e os humanos, sempre tiveram medo de mim. Ela não. – meus dedos por vontade própria foram para os seus cabelos suaves. Com muita delicadeza como se fosse uma boneca de porcelana que poderia quebrar a qualquer momento, desenhei levemente seu rosto com a ponta do dedo. Ela nem se mexeu. – Você previu isso?

Ela balançou a cabeça negativamente. – Acho que ela faz as coisas naturalmente, sem tomar uma decisão consciente. Acho que por isso tenho mais dificuldade de prever seus movimentos. Isso é, quando ela não está com raiva. Ela tem uma veia vingativa que consigo prever. – riu.

Bufei com isso. – Sou seu marido, você deveria ter me visado!

— Você sabe as regras, nossos dons ficam de fora da família.

Olhei em seus olhos com suas palavras e depois para a humana adormecida no meu colo. Família. Bella era da família. Um pequeno sorriso se estendeu nos meus lábios. – Acho que ganhei uma irmãzinha.

Alice sorriu amplamente com isso. Claro que ela tinha visto Bella como sua melhor amiga e irmã. Era só uma questão de tempo com o resto da família.

Seus olhos ficaram distantes. – Alice? – perguntei quando ela pulou. Tentei me levantar sem acordar Bella, porém não tive sucesso e senti seu coração acelerar.

— O que aconteceu? – murmurou sonolenta.

— Algo mudou. – respondeu Alice alarmada. Coloquei as mãos nos ombros de minha esposa e a guiei de volta para o sofá. Bella ficou mais alerta com o tom de voz de Alice.

Ficamos tensos com essas palavras. Alice não teria ficado alarmada se sua previsão fosse boa.

— O que você vê? – perguntei atentamente, olhando dentro dos olhos dela. Os olhos estavam focados em alguma coisa que estava muito longe. Bella agora totalmente alerta sentou perto da gente. – Eu vejo um quarto. É longo e tem espelhos em todo lugar. O chão é de madeira. Ele está nesse quarto, e ele está esperando. Há dourado... uma faixa dourada por entre os espelhos.

— Onde é o quarto? – perguntei acostumado a lidar com suas visões.

— Eu não sei. Está faltando alguma coisa outra decisão que ainda não foi tomada.

— Quanto tempo?

— Em breve. Ele estará na sala dos espelhos hoje, ou talvez amanhã. Isso depende. Ele está esperando por alguma coisa. E ele está no escuro agora.

— O que ele está fazendo?

— Ele está assistindo TV... não, ele está passando uma fita de vídeo, no escuro, em outro lugar. – isso não fazia sentido. Era para ele capturado ou fugindo de nossa família, não assistindo vídeo.

— Você consegue ver onde é?

— Não, é escuro demais.

— E o quarto dos espelhos, o que mais há lá?

— Só os espelhos e o dourado. É uma faixa, ao redor da sala. E há uma mesa preta com um grande som e uma TV. Ele está tocando um videocassete lá, mas ele não está assistindo como faz na sala escura. Nessa sala ele só espera.

Os olhos dela que antes vaguearam se focou novamente no meu rosto e sabia que sua visão tinha acabado. — Não há mais nada? – Ela balançou a cabeça. Tentei pensar no que poderia ter acontecido. Estava arrependido de não ter ido à caça junto com meus irmãos.

— O que isso significa? – perguntou Bella depois de ter ouvido tudo em silêncio. Não sabia como responder, sem a alarmar. Só podia significar uma coisa. Ele escapou.

Esme soltou um gemido. Ela estava profundamente preocupada com Bella. Em seu coração, Bella era sua filha caçula.

Na minha mente, fazia planos para caçar esse nômades e evitar o risco que minha companheira estava.

— Significa que os planos do perseguidor mudaram. Ele tomou uma decisão que vai guiá-lo ao quarto dos espelhos e ao quarto escuro.

— Mas nós não sabemos onde esses quartos são?

— Não.

— Mas nós sabemos que ele não estará nas montanhas á Norte de Washington, sendo caçado. Ele vai enganá-los. – A voz de Alice estava vazia. Não podíamos mentir para Bella, mas também queríamos que ela não ficasse com medo.

— Merda! – exclamou Emmett.

— Linguagem. – Esme brigou.

— Não posso acreditar que deixamos ele escapar! – também estava furioso.

— Devemos ligar? – perguntou. Olhei para Alice esperando qual a melhor solução. E então o telefone tocou. Alice usou nossa velocidade para pegar o telefone.

— Carlisle — atendeu. Pode sentir as emoções de Bella ao ouvir o nome do nosso patriarca. Sinceramente, estava tendo dificuldade de a entender. Acabamos de falar que seu perseguidor fugiu e ela sente alívio. Realmente ela estava preocupada com nossa família. Sendo que somos praticamente imortais.

— Alívio? Isso é o que ela está sentindo? – perguntou uma confusa Rosalie.

— Ela realmente pensou que estávamos em risco. – Emmett comentou incrédulo. Afinal, em força bruta, ele era o mais forte.

— Ele nos enganou e conseguiu escapar Alice. – suspirou Carlisle no telefone.

— Sim. – Alice segurou suas perguntas para manter Bella de se preocupar e ouviu a narração de Carlisle sobre como o perseguidor conseguiu despista-los.

— Eu acabei de vê-lo – ela descreveu de novo a visão que tinha acabado de ter. – O que quer que tenha colocado ele naquele avião... está levando ele para aquelas salas.

— Vamos ter que fazer outros planos

— Sim – Alice disse para o telefone.

— Edward quer falar com a Bella.

— Bella? – ao ouvir seu nome ela correu para o telefone em uma ansiedade esmagadora.

— Alô – atendeu sem fôlego.

— Bella – Edward disse.

— Oh, Edward! Eu estava tão preocupada. – e foi como completamente diferente de todas as nossas tentativas de acalma-la. As formas que tentei manipular seus sentimentos, as palavras e companhia de Alice, nada teve o mesmo efeito que a voz de meu irmão sobre ela. Uma paz, felicidade e amor tão genuíno exalou dela em ondas. Enraizei meus pés no local para não me aproximar de Bella e viver os seus sentimentos.

— Oh isso é tão lindo! – suspirou Esme. Alice e Rosalie compartilhavam suas palavras e meus irmãos e pai laçavam sorrisos maliciosos. Se pudesse corar, tenho certeza que meu rosto estaria vermelho. Amava saber que meus sentimentos eram retribuídos, mas ao lado da minha família, isso não era tão agradável.

— Bella – ele suspirou frustrado. – Eu te disse para não se preocupar com nada a não ser você mesma. – Edward começou a explicar onde estavam e o que tinha acontecido para Bella. Como o perseguidor escapou e pegou um avião.

— Alice – sussurrei. – Você vê alguma coisa sobre seus planos?

Ela balançou a cabeça frustrada. – Nada, ele está esperando alguma coisa para seus planos serem concluídos. Ainda falta uma decisão.

— Eu sinto sua falta – ouvi Bella dizer baixinho. Tentamos dar sua privacidade, porém com ela tão perto de nós era difícil não escutar.

— Eu sei, Bella. Acredite em mim, eu sei. É como se você tivesse levado metade de mim com você.

— Então, venha pegá-la – ela desafiou e senti suas esperanças se elevar. Como se Edward fosse se materializar a qualquer momento.

Estremeci com seus sentimentos. Não deveria ter me afastado de Bella. Essa separação apenas nos causou dor. No final nem conseguir captura-lo. Senti um verdadeiro fracassado.

— Breve, assim que eu puder. Mas eu vou te deixar a salvo primeiro. – A voz dele estava dura e determinada.

— Eu te amo – e era a mais pura verdade. Meu irmão não tinha noção da sorte que a vida lhe deu. Ela o amava de forma pura e profunda.

— Será que você poderia acreditar que, a despeito de tudo em que eu te envolvi, eu te amo também? – outra verdade. Meu irmão estava completamente no amor com essa humana para sempre. Nem conseguia imaginar o amor que sentiria quando eles fossem acoplados.

Olhei incrédulo para o meu irmão. Não tinha maneira disso acontecer. Bella era humana e continuaria assim.

— Sim, na verdade, eu posso. – sua fé era completa em suas palavras. Ela não duvidou de suas palavras. Fiquei impressionado. Namoros recentes sempre existem pequenas inseguranças. Parece que eles são um casal único.

— Eu vou te buscar logo.

— Eu estarei esperando. – Assim que o telefone ficou mudo, tentei muito difícil não recuar. Uma nuvem de depressão começou a pairar sobre Bella, o oposto de tudo sentindo antes. Como era grande o efeito que Edward tinha sobre ela. Quando tudo passasse, gostaria de sentir o efeito que Bella teria sobre meu irmão. Seria uma experiência interessante.

— Não sou seu rato de laboratório Jasper. – minha família sempre reclama que meu dom é intrusivo. Estava achando o dom de Jasper muito maior do que o meu. Afinal, podemos controlar nossos pensamentos, agora os sentimentos é algo completamente diferente.

Alice estava fazendo desenhos de sua visão. Querendo compartilhar o que ela tinha visto. Talvez algo em Forks despertasse a memória de alguém. Ela desenhou uma sala: longa, retangular, com uma sessão quadrada, mais fina lá no final. As placas de madeira estavam expostas na longitudinal em todo o chão da sala. Nas paredes, as linhas denotavam o espaço de um espelho para o outro. E então, atravessando os espelhos, acima da altura cintura, uma longa faixa. A faixa que Alice dizia ser dourada.

— É um estúdio de Balé — Bella disse, com um sentimento reconhecimento nas formas familiares para ela.

Surpreso, olhamos para Bella. Um sentimento de pavor em Alice e um de mau presságio sobre mim. — Você conhece essa sala?

Alice abaixou a cabeça para o seu trabalho, agora sua mão voava sobre o papel, o formato da saída de emergência no fundo da sala, o som e a TV numa mesa baixa que ficava no canto da frente da sala. Sua visão estava ficando mais sólida. Isso não era bom. – Parece com um lugar que eu costumava frequentar para ter aulas de dança, quando eu tinha oito ou nove anos. O formato é o mesmo. É aqui que eram os banheiros, as portas passavam pela outra sala de dança. Mas o som ficava aqui – apontou o canto esquerdo – Era mais velho e não havia uma TV. Havia uma janela na sala de espera.

— Você tem certeza de que é a mesma sala? — Jasper tentei manter o tom mais calmo que consegui. Mas o militar em mim queria gritar com fúria. Bela estava em um risco gigante.

— Oh Senhor! – exclamou Esme em desespero. Nada era comparado ao pânico que estava sentindo.

— Não, nem um pouco, eu creio que todos os estúdios de dança sejam parecidos, os espelhos, as barras. É só que o formato me pareceu familiar. – Ela tocou a porta, um sentimento de nostalgia e tristeza se apoderou dela.

— Você teria algum motivo para ir lá agora? – Alice perguntou, a tirando do seu devaneio.

— Não, eu não danço desde que quebrei a perna. – disse com dor e tristeza.

— Então não tem jeito disso estar ligado a você? – Alice perguntou atentamente.

— Não, eu nem acho que o dono seja o mesmo. Eu estou certa de que é algum outro estúdio de dança, em outro lugar.

— Onde era o estúdio que você frequentava? — Jasper perguntou numa voz casual.

— Era na esquina da casa da minha mãe. Eu costumava ir andando para lá depois da escola... – disse perdida em pensamentos. Troquei um olhar com Alice. Acabamos de descobrir para onde o perseguidor pegou o avião. Teríamos que redobrar nossa atenção. Quando Bella fosse dormir, íamos ligar para a família e fazer novos planos, tirar ela daqui era prioridade.

— Aqui em Phoenix, então? – foi difícil manter minha voz casual.

— Sim – sussurrou. – Rua cinqüenta e oito com Cactus. Nós todos sentamos em silêncio, olhando para o desenho.

— Ele está indo lá! – rugi. Um vampiro poderia ter um ataque de pânico? Parecia que meu coração tinha voltado a bater de tanta agonia que estava sentindo. – Não devia ter me separado dela!

Jasper parecia ofendido. – Erramos em não ter capturado o ter capturado logo. Agora ele está jogando. Apenas tornamos seu jogo mais interessante. Acabando esses diários ele não terá essa sorte. Sem Bella em risco isso será fácil. – apontou.

Pela primeira vez, a família concordou plenamente com ele. Até Carlisle.

— Alice, o telefone é seguro?

— Sim — ela me assegurou. – O número vai ser localizado em Washigton.

— Então eu posso usá-lo para ligar para a minha mãe?

— Eu pensei que ela estivesse na Flórida.

— Ela está, mas ela vai voltar para casa em breve e ela não pode voltar para casa enquanto... — Sua voz tremeu.

— Como é que você vai encontrá-la?

— Eles não têm números permanentes exceto em casa, ela tem que checar as mensagens regularmente.

— Jasper? – Alice me perguntou. Pensei por um momento. O maior risco era descobrirem nossa localização. Porém, esse celular, nem se ele fosse um bom hacker conseguiria descobrir. O risco era Bella soltar alguma informação sem querer. Sua mãe não veria essa mensagem em breve, então caso fosse revelado algo na ligação poderíamos nos mudar novamente. Risco controlado, não teria problema.

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— Eu acho que não pode fazer mal nenhum, mas tome o cuidado de não dizer onde está, é claro. – Ela pegou o telefone ansiosamente e discou o número de cabeça. Ele tocou quatro vezes e então eu ouvi a voz a voz suave da sua mãe ir direto para o correio de voz.

— Mãe – falou depois do bipe. – sou eu. Escute, eu preciso que você faça uma coisa. É importante. Assim que você escutar essa mensagem, me ligue neste número. – Alice já estava a seu lado, escrevendo o número para ela passar corretamente. – Por favor, não vá a lugar nenhum antes que eu tenha falado com você. Não se preocupe, eu estou bem, mas eu preciso falar com você imediatamente, não importa a hora que você receber esta ligação, está bem? Eu te amo, mãe, tchau.

E esse seria meu primeiro grande erro cometido com minha irmãzinha. Deveria ter proibido sua ligação.

Notas finais
O que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.