Notas iniciais
Olá leitoras,

desculpe a demora, mas meu tempo está super corrido no trabalho.

O próximo capítulo será um bônus da conversa de Charlie e Edward, e em seguida a continuação dessa capítulo.

Obrigada pela compreensão de vocês com a demora entre as postagens. Estou fazendo um esforço entre meu tempo e consegui escrever com esse feriado.

Quero fazer uma agradecimento especial a todos os comentários que recebi, e principalmente as leitoras que recomendaram a minha histórias.

Muito obrigada:

Jade Santos;
Débora Karg;
Barbie Guarino e
Camilla Pianezzer.

Grata por suas palavras na recomendação. Realmente aprecio isso.

Ficamos conversando mais um pouco sobre tudo e nada em particular, enquanto ouvíamos algumas músicas de sua coleção. Descobri algumas bandas que nunca tinha ouvido falar através de Edward e acabei apreciando cada vez mais a diversidade ali naquele quarto. Devido às mudanças de cidades frequentes, ao que ele me contou sua família não passava dez anos em um mesmo local, assim ele acumulou um pouco de cada lugar o que resultou em uma vasta coleção que faria inveja a qualquer loja especializada.

Dei de ombros mentalmente com o deslumbramento de Bella pela minha coleção. Antes, tinha um carinho especial por isso, era quase um hobby meu ir a todas as lojas disponíveis coletando os mais diversos tipos musicais. Chegava ao ponto de comprar um CD por causa de uma música. Agora esse tempo parecia distante. Perto de Bella minhas outras atividades parecem insignificantes e sem valor.

O único ponto positivo é termos nos mudado há pouco tempo para Forks. Se tivéssemos nos mudados há vários anos isso iria dificultar meu relacionamento com ela. As pessoas começariam a desconfiar o motivo de não envelhecer. Pelos meus cálculos ainda daria para ficarmos uns cinco anos sem levantar suspeitas.

Não vi o tempo passar, Edward teve que lembrar descontente de ter que me levar antes de Charlie chegar a casa.

Enquanto sua boca me dizia que eu deveria ir para casa seus braços me seguravam firmemente em seu colo, não deixando espaço para sair.

Ri de sua atitude. – Como você quer que eu vá me segurando desse jeito?

- Eu não quero que você vá. – resmungou em meu pescoço.

Comecei a passar minha mão em seus cabelos, o que estava curiosa para fazer a algum tempo. Seu cabelo era macio e sedoso. A única diferença era seu couro cabeludo que tinha uma temperatura mais fria. Enquanto o acariciava pude ouvir um som distinto vindo de seu peito muito parecido com um ronronar.

- Se antes imaginamos que vocês seriam companheiros, agora temos certeza. – Carlisle comentou como se estivesse pensando alto. – Pergunto se isso aconteceu antes...

- Eu não tenho nenhum conhecimento de um caso assim antes. – Jasper respondeu no mesmo tom. Minha família estava pensando se isso aconteceu antes, me deixando nervoso e completamente perdido no que eles estavam falando.

- Posso saber o que vocês estão falando? – perguntei exasperado.

- Você ronronou Edward. – apontou Carlisle como se eu estivesse perdendo um ponto óbvio.

- E daí? – tentei esconder um pouco meu constrangimento em ter ronronado como um maldito gato doméstico. Isso era estranho, nunca tinha feito esse som antes.

- Edward. – continuou falando com uma voz calma. – Vampiros só vão ronronar para seus companheiros.

Essa palavra parecia fazer meu coração morto acelerar. Seria possível? Bella era minha companheira?

Isso significava que eu era dela e ela era minha. Ficaria radiante se não houvesse apenas uma coisa me incomodando.

- Mas ela é humana. – apontei minha dúvida.

- Sim. Nunca ouvir falar de um caso assim antes, achava que ela poderia ser sua companheira depois que ela fosse alterada... – cortei suas palavras com um rugido feroz.

- Ninguém vai altera-la!

- Edward, seja coerente. Se ela é sua companheira, você não iria sobreviver sem ela...

- Não! – gritei. – Eu disse que ninguém vai acabar com sua humanidade e quis dizer isso Carlisle. Sem discussão.

“Estou começando a ver o motivo de termos acesso a esse diário” peguei esse pensamento de Carlisle antes de voltar a leitura. Não queria pensar a esse respeito.

- Espere. Preciso de algo antes de sair. – peguei meu celular, estava sentada em seu colo e dei um pequeno beijo em sua bochecha e tirei uma foto. – Pronto. – sorri feliz com o resultado, enquanto salvava a imagem para usar quando ele iria me ligar aparecer nossa foto.

- Isso não é justo. Também tenho que ter uma. – pediu fazendo um pequeno bico que me fez beija-lo.

- Depois. Agora tenho que ir. – fiz uma cara descontente pensando em nos separar, mas lembrei de que logo o veria novamente. – E o jogo?

- Vou lhe buscar mais tarde. – sua expressão se tornou contemplativa.

- O que foi?

- Aproveito e me apresento oficialmente ao seu pai. – o olhei com uma expressão em branco. Meu pai o conhecia, do que ele estava falando?

- Aí maninho, se preparando para conhecer o sogrão? – Emmett brincou.

Lembrei um pouco descontente do meu encontro com o chefe de polícia. Charlie não aceitaria muito bem sua filha em um relacionamento.

Ele me olhava atentamente, esperando que entendesse alguma coisa. – Você quer dizer como meu namorado? – será que só foi hoje que começamos a namorar? Parecia tanto tempo.

Podia entender o espanto de Bella. Parecia que sempre nos conhecemos. Como isso é possível está além de mim.

Na realidade o que me surpreende é como consegui passar tanto tempo sem Bella em minha vida.

Ele apenas acenou com a cabeça em uma expressão tensa. Seus olhos pareciam distantes. E não gostei nada do que via.

- Ei. – chamei baixinho. Segurei seu rosto com minhas mãos fazendo com que me olhasse. – Qual o problema? – ele ainda desviava o olhar. – Está preocupado o que meu pai vai pensar? – imaginei que esse era seu receio.

- Seu pai vai me odiar. – afirmou.

- Não seja tão duro com meu pai. – o repreendi. – Vai dar tudo certo no final, você vai ver. – dei um pequeno beijo nele desarmando sua expressão em um belo sorriso.

- Isso é verdade Edward. Você é um bom menino e Charlie verá isso. – Esme amenizou um pouco minhas preocupações. Ela tinha um sorriso gentil no rosto que se transformou em uma pequena careta quando completou mentalmente “Eventualmente”.

E todas minhas preocupações voltaram. Não havia esperanças de meu primeiro encontro com o chefe ser bem sucedido. Quem sabe um dia teria sua aprovação.

Descemos as escadas de mãos dadas, encontrado sua família na sala. Eles estavam alinhados e em casais, provavelmente esperando para fazerem suas despedidas.

Vi em seus olhos a felicidade e empolgação que pareciam sentir. Imaginei que seria pelo jogo que teriam mais tarde.

Carlisle balançou a cabeça espantando. – Ela não tem ideia, não é?

Tão obtusa! Como ela pode pensar que a felicidade de minha família era devido a um mero jogo? Ela não conseguia ver o bem que fez a minha família? Que pela primeira vez sou finalmente feliz? A diferença que fez em minha vida?

- Parece que não. – era inacreditável que não tinha percebido. Em poucos segundos minha família inteira viu a diferença, Emmett incluído. E ele nunca foi o mais observador. Como Bella que não deixa passar nenhum detalhe não percebeu?

Emmett disse que faria sol em poucos dias e me convidou para voltar e poderíamos jogar com algumas pistolas d’água. Ele disse que se eu fosse usar uma blusa branca Edward nunca mais seria o mesmo. O que me fez corar um vermelho vibrante, imaginando essa combinação de água + blusa branca.

Cenas sem minha permissão apareceram em minha cabeça. Bella sendo atingida com água, sua camisa branca ficando transparente e aderindo as suas curvas...

- Eu disse que ele nunca mais seria o mesmo. – Emmett apontava em minha direção. Li rapidamente em suas mentes que minha família tinha chamado meu nome algumas vezes por eu ter parado a leitura e me perdido em pensamentos e estavam todos rindo internamente de minhas divagações.

- Rosalie. – pedi. Prontamente ela atendeu acertando um soco na cabeça de Emmett. – Obrigado.

- Vou colocar água benta na minha pistola! – o ameacei com minha cara mais séria.

Rimos de sua referência a alguns dos mitos sobre nossa espécie. Era um pouco estranho ouvir alguém brincando com essas lendas e achar divertido. Acho que por Bella me aceitar tão abertamente e não ver problema com nossas diferenças sentia a graça do estereótipo hollywoodiano. Se fosse em outro momento, provavelmente não levaria isso da mesma forma.

Quando Edward abria a porta do carro para eu entrar, ainda podia ouvir as risadas me seguindo.

A viagem de volta para casa foi tranquila, por sorte meu namorado resolveu respeitar os limites de velocidade.

Suspirei feliz encostando minha cabeça em seu ombro. O dia em sua casa foi melhor do que esperava.

Edward parou em frente a minha casa. Senti seus ombros endurecerem, sua postura passando tensão. Observei para onde seu olhar seguia encontrando uma picape Chevy, provavelmente da década de cinquenta de cor alaranjada, quer dizer, acho que em baixo de toda aquela ferrugem ouve um tom de laranja ou vermelho, não era fácil definir, parado na entrada de Charlie, e eu ouvi Edward murmurar algo impossível de ouvir numa voz baixa, áspera.

Tentando ficar fora da chuva no pequeno portal de entrada, estava Jacob Black, atrás da cadeira de rodas do seu pai.

Quando tinha começado a chover mesmo?

O rosto de Billy estava impassível enquanto Edward estacionava no meio fio. Jacob olhou para baixo, seu rosto estava mortificado.

A voz baixa de Edward estava furiosa. – Isso já foi longe demais.

- Vamos ter que ter uma conversa séria com eles Carlisle. – tinha uma ponta dura em minha voz.

- Acalme-se Edward. Podemos ter uma conversa com os Quileutes e lembrar os termos do tratado. – falou Carlisle tentando apaziguar.

- Eles sabem os termos Carlisle. E mesmo assim quebraram o tratado uma vez e estão tentando fazer isso novamente.

- Você não pode pensar que Billy iria...

- Eu posso ler a maldita mente dele Carlisle. É claro que sei o que ele está pensando. Ele é um dos melhores amigos de Charlie ele vai avisa-lo para manter Bella longe de mim! – tentei soar apenas com raiva, mas a dor de pensar nisso apareceu no final do meu discurso.

- Assim que terminarmos de ler esses diários vou marcar uma reunião com o conselho. Vou falar do poder de Alice e que ela viu que Jacob Black iria quebrar o tratado. – afirmou Carlisle de forma solene. Seus pensamentos deixaram claros que ele não iria deixar passar esse desleixo de seu filho. Quando se tratava da felicidade de sua família, ele não iria medir esforços.

- Obrigado. – respondi mais calmo.

- O que foi? – perguntei confusa com sua explosão. Eles eram amigos da família. Não via problema de fazerem uma visita, exceto... – Será que ele veio dizer alguma coisa para o Charlie? – adivinhei.

Edward só afirmou com a cabeça, ele respondia ao olhar de Billy com olhos estreitos.

- Me deixe cuidar disso – sugeri. O olhar negro de Edward me deixou ansiosa. Seus olhos estavam claros, esse escurecimento devia ser a mudança brusca de humor. Conhecendo meu vampiro ele não estava nem um pouco feliz.

Para minha surpresa, ele concordou sem nenhum argumento.

Odiava ter que deixar Bella cuidar disso, mas era o único jeito de que este argumento terminasse com todos vivos e incólumes. Não garantia deixar Billy inteiro depois desse encontro.

- Droga Edward. Controle esse instinto assassino, por favor. – pediu Jasper.

- Ele está querendo nos afastar Jasper. Como você quer que eu fique? Ponha-se em meu lugar. E se alguém tentasse tirar Alice de você? – sua resposta foi um rugido. – “Controle esse instinto assassino, por favor.” – citei zombeteiramente suas palavras anteriores.

- Bom ponto. – Jasper encerrou nosso argumento.

- Isso provavelmente é o melhor. Contudo, tome cuidado. A criança não sabe de nada.

Eu me senti um pouco estranha pela palavra criança. – Jacob não é muito mais novo que eu – lembrei.

Ele olhou pra mim, sua raiva estava sumindo abruptamente. – Oh, eu sei. – Ele me assegurou com um sorriso.

- E eu não sou uma criança? – frisei a última palavra com um pouco de irritação. Ele não me achava uma criança, certo?

- Você não é uma criança. – ele me deu um sorriso malicioso. – É o meu bebê.

- Bobo. – bati levemente em seu braço, sabendo que se usasse força iria me machucar bem mais do que ele.

- Linda.

- Oh! Isso foi tão fofo! – comentou Emmett com a voz mais doce que tinha.

- Lembre-se que eu sei todos os apelidos que você e a Rosalie tem um com o outro. Se eu fosse você me manteria calado. – ameacei.

- Que mal humor. – murmurou frustrado por ter cortado sua brincadeira. Não estava com paciência para suas palhaçadas. Estava mais preocupado sobre o que Billy poderia falar.

Eu suspirei e coloquei minha mão na maçaneta da porta. Nosso tempo junto tinha acabado. Precisava resolver o problema com o Black e tinha que preparar meu pai para conhecer meu namorado.

Ele deu aquele sorriso torto que eu adorava. – Eu vou voltar logo – prometeu. Seus olhos deram uma olhadinha para o portal de entrada, e então ele se inclinou suavemente e beijou a minha mandíbula.

O olhar de Billy não estava mais impassível, e suas mãos estavam apertando os descansos de braço da sua cadeira.

- Você tem que o provocar desse jeito? – perguntei tentando acalmar meu coração com sua proximidade.

- O quê? – perguntou com falsa inocência. Ele sabia o que estava fazendo.

Sorri maldosamente com isso. Imaginando o que passaria pela cabeça de Billy Black imaginando o que eu estava fazendo com Bella.

Provavelmente achando que eu iria drena-la ali na sua frente.

Como se eu fosse fazer qualquer coisa que pudesse machuca-la.

Idiota.

- Como você quer que ele te aceite fazendo esse tipo de coisa Edward? – Carlisle censurou. – Isso não é maduro de sua parte.

- E romper um tratado é o que Carlisle? – retruquei. – Não vou o deixar influenciar Bella nem seu pai.

Eu podia sentir os olhos dele nas minhas costas enquanto eu dava uma corridinha nos fracos raios de luz até a varanda.

- Oi, Billy. Ei, Jacob. – Eu os saudei. – Charlie foi passar o dia fora, eu espero que vocês não estejam esperando há muito tempo.

- Não muito – Billy disse num tom subjugado. Seus olhos pretos eram penetrantes. – Eu só queria trazer isso. – Ele indicou um saco de papel marrom que estava no colo dele.

- Obrigada – disse, apesar de não ter ideia do que pudesse ser, mas não é como se eu poderia falar: “ei, obrigada por esse bonito saco de papel”. – Porque vocês não entram por um minuto para se secarem?

Abri a porta, e acenei para que eles entrassem na minha frente.

- Eu ainda não tinha visto esse carro. É novo? – perguntei antes de me bater mentalmente. Aquele caminhão e novo não combinavam na mesma frase.

- Ele é nosso há vários anos. – murmurou Jacob com uma voz estranha. Na verdade, ele estava estranho. Não parecia seu usual alegre.

- Então você desistiu do Rabbit? – perguntei em referência as peças que ele estava procurando para terminar seu Volkswagen.

- Ainda não consegui as peças. – falou em um tom que não entendi. O que tinha acontecido com o habitual alegre Jacob Black?

- Acho que nosso amigo não ficou feliz em lhe ver Edward. – comentou Alice com um sorriso, me fazendo devolver na mesma hora.

- Ele não é nosso amigo Alice, mas fico feliz em que esse garoto finalmente aprendeu onde é o seu lugar.

- Vamos Edward, não seja tão duro com o garoto. – tentou apaziguar Carlisle. – Ele provavelmente está de coração partido.

- Quanto mais cedo ele entender melhor. Não vou aceitar ele ficar rondando minha namorada.

- Aqui, me deixe pegar isso – ofereci, fechando a porta. Eu me permiti dar uma última olhada fora, Edward tinha partido com o Volvo. Agora que eu não estava no carro, parece que ele esqueceu tudo sobre o limite de velocidade.

- Você vai querer colocar isso na geladeira – Billy disse enquanto me entregava o pacote. – É um dos peixes fritos caseiros do Harry, é o favorito de Charlie. A geladeira o mantém seco. – Ele levantou os ombros.

- Obrigada – agradeci com um sorriso ao saber o que estava segurando. – Eu já estava ficando sem variedades para cozinhar peixe e é capaz dele trazer mais hoje.

- Pescando de novo? – um brilho súbito apareceu nos olhos de Billy. – No lugar de sempre? Talvez eu vá até lá para ver ele.

- Eu não faço a menor ideia. – respondi com sinceridade. Porém, não gostei do seu tom usado. Parecia que ele queria falar algo para meu pai. Será que como seu filho ele não respeitaria o tratado?

- Está vendo Carlisle! – fiquei irritado imaginando o que poderia falar para o pai da Bella. E se ele acreditasse e a fizesse ficar longe de mim? – E se o resultado dessa conversa é que eu perdi a Bella? – comecei a me desesperar. – Isso tudo por você confiar demais nessas pessoas!

- Uma ajudinha Jasper? – pediu Carlisle antes que senti uma onda de calma. – Obrigado.

Tomei algumas respirações profundas, me fazendo lembrar que esses eventos ainda não aconteceram que eu ainda podia modificar tudo.

- Edward, você realmente precisa se acalmar, eu falei para você que iremos conversar com os Quileutes e relembrar os termos do tratado.

Balancei a cabeça concordando e voltando para a leitura.

- Jake – ele disse me analisando. – Porque você não vai pegar a foto nova de Rebecca no carro? Eu vou deixar aqui para Charlie também.

- Onde está? – Jacob perguntou sua voz sombria. Eu olhei pra ele, mas ele estava olhando para o chão, suas sobrancelhas estavam juntas.

- Esta em algum lugar no carro, mas não lembro onde. – Billy disse. – Talvez você tenha que procurar um pouco.

Jacob saiu na chuva.

Não precisava ser um gênio para saber que se tratava de uma desculpa para ficar a sós comigo.

Grunhi alto ao imaginar do motivo. Billy Black queria avisar Bella, queria que ela se afastasse de mim. Não iria permitir isso. Tinha que pensar em maneiras de manter a distância dos dois. Só a lembrança do tratado não parecia suficiente. Não quanto tinha tanta coisa em risco.

Ele pareceu pressentir que eu não iria iniciar a conversa. – Bella – ele começou, mas então hesitou.

Eu esperei.

- Bella – ele disse de novo. – Charlie é um dos meus melhores amigos.

- Sim.

Ele falou cada palavra cuidadosamente com sua voz estrondosa. – Eu reparei que você tem passado algum tempo com um dos Cullen.

- Sim – repeti curtamente.

Seus olhos se estreitaram. – Talvez não seja da minha conta, mas eu não acho que essa seja uma ideia muito boa.

- Você tem razão... – concordei.

Então era isso? Apenas uma palavra era suficiente para Bella desistir de mim?

Não podia critica-la por isso. Afinal, Billy era amigo de seu pai por anos e ela tinha acabado de me conhecer. Minha justificativa não machucou menos. Parecia que a estava perdendo lentamente.

-... Não é da sua conta. – conclui com uma ponta dura em minha voz.

Tive que reler para entender o que tinha acontecido. Bella deu uma resposta para ele? Ignorando completamente um comentário de alguém que era quase de sua família por mim?

- Bella, você não sabe do que eles são capazes. Eles não são confiáveis!

- Você está errado Billy. Eu sei muito bem do que são capazes. – tentei não elevar meu tom de voz, mas estava achando difícil. – Edward foi capaz de salvar a minha vida! Diga-me Billy, quantas pessoas fariam isso? Colocar sua confiança e se expor ao perigo em benefício de outra que mal conhecia?

Tentei me acalmar, as insinuação de Billy estava dando nos nervos. Precisava impedir que ele levasse suas preocupações para meu pai.

- Eu devo minha vida aos Cullen, especificamente ao Edward e Charlie deve a vida de sua única filha a ele. Eu não vou permitir você denegrir a imagem dele e de sua família na minha frente. Estamos claros?

Senti meu peito inchar de orgulho com suas palavras em minha defesa e de minha família. Os pensamentos de todos estavam seguindo a mesma linha que os meus, ao vê-la se levantar dessa maneira em ser nossa defensora e se impor era uma coisa que não iriamos esquecer.

Ninguém de fora tinha feitos isso antes. Nunca. Ou contrário, aceitavam os boatos e só aumentavam seu tamanho. Sem nem nos conhecer, tinham sua opinião formada e seus julgamentos. A grande maioria não era positiva.

O único que chegou perto de nos defender era o pai de Bella. Fico feliz de ver que eles têm isso em comum.

Ouvi Carlisle limpar a garganta. – Vamos ter uma conversa séria com os anciãos. Estabelecer regras e limites. Bella Swan estará fora dos limites como sua companheira.

Ao ouvir Carlisle referindo Bella como minha companheira fazia meu coração morto querer voltar a bater. Dei uma aceno de gratidão em sua direção por ter visto meu ponto de vista e ter acolhido Bella como um novo membro da família.

Seus olhos eram duros em minha direção. – Como cristal. Eu só espero que você não se arrependa dessa escolha. – nos encaramos por pouco tempo antes de sermos interrompidos.

- Não tem foto nenhuma no carro. – Jacob apareceu, seu tom de reclamação.

Os ombros da camisa dele estavam molhados, seu cabelo estava pingando quando ele entrou na cozinha.

- Hmm – Billy grunhiu, ficando imparcial de repente, virando a sua cadeira de rodas para olhar para o filho. – Eu acho que deixei em casa.

Jacob rolou os olhos dramaticamente. – Ótimo.

- Eu vou pegar uma toalha para você. Não quero que pegue um resfriado.

- Não precisa Bella. Estamos de saída. Bem, Bella, diga a Charlie – ele parou antes de continuar – que nós viemos.

- Eu digo – murmurei.

Jacob pareceu surpreso. – Nós já vamos?

- Charlie vai ficar fora até tarde – ele explicou enquanto passava na frente do filho.

- Oh – Jacob pareceu desapontado. – Então, eu acho que a gente se vê depois, Bella.

- Claro – concordei.

- Se cuide – Billy me avisou. Eu não respondi.

Jacob ajudou seu pai a passar pela porta. Eu acenei brevemente, fechei a porta antes de eles irem embora.

Eu fiquei no corredor um tempinho, ouvindo o som do carro deles dar a ré e ir embora.

Não podia ficar com raiva de Billy por estar olhando para meu bem estar. Só gostaria que ele não fosse tão preconceituoso e desse uma chance para conhecer Edward.

Não queria ter explodido dessa forma, afinal ele era amigo de meu pai. Porém, parecia que era o tipo de situação que eu tinha que escolher um lado. E não há dúvidas em minha cabeça qual era o lado que eu iria escolher.

Era estranho ter acesso aos seus pensamentos. Pensar que Bella tomaria meu lado em todas as batalhas era uma sensação única. Não queria que chegasse a esse ponto, mas era bom saber que em uma disputa ela ficaria comigo.

Não era hora de ficar me preocupando com isso. Tinha coisas maiores em minha cabeça. Como preparar Charlie para mais tarde.

Fiz uma careta ao pensar em qual seria a reação do meu pai.

Suspirei. Não tinha um bom pressentimento desse encontro. Seria mais fácil se pudesse ler a mente de Charlie. Porque tudo tem que ser tão difícil?

Antes que eu fosse fazer qualquer coisa, existia ainda uma coisa que precisava fazer. Suspirei um pouco infeliz. Gostaria de poder evitar essa outra conversa um pouco mais, mas sabia que não tinha alternativa. Não se quisesse amansar um pouco meu pai.

Franzi o cenho confuso. Com quem ela não queria falar? Não conseguia pensar em alguém que pudesse ajudar minha causa.

Peguei meu telefone e respirei fundo tentando me preparar para o que estava por vir. Disquei o número que estava memorizado em minha cabeça e esperei enquanto chamava. Não devia ter ficado surpresa de tocar quase até ir para o correio de voz quando uma voz ofegante atendeu depois de praguejar baixinho.

- Ei mãe.

- Bella. – sua voz parecia aliviada. Conversar por e-mail não era a mesma coisa do que ouvir a voz da minha mãe, acho que ela estava sentindo o mesmo. – Juro que esse celular simplesmente sumiu na minha bolsa.

- Mãe. – não tinha percebido o quanto tinha sentido sua falta e do seu jeito estabanado. – Estou com saudades.

- Oh, minha filha. Eu também. – falou com uma voz chorosa. – Me conte tudo. Como você está? O que tem feito? Você e seu pai estão se dando bem? Como é a nova escola? Fez muitos amigos? Existe algum menino interessante?

Deixa para minha mãe fazer dez perguntas em um minuto de conversa. – Na verdade, foi por isso que te liguei. – resolvi tentar chegar logo ao ponto, podia ver passando o verão trabalhando para pagar minha conta de telefone.

- Sério? – minha mãe parecia absolutamente surpresa. Não é à toa. Namorar não estava nos meus planos imediatos. – Isso é ótimo, filha. Quem ele é? Eu o conheço? Talvez eu tenha conhecido seus pais. Conte tudo.

- Acalme-se mãe. – estava ficando tonta com as perguntas. Dei um breve resumo, sem entrar em detalhes. Contando apenas parte da história, como o fato dele ser meu parceiro de biologia e como ele salvou minha vida no acidente de carro.

- Isso é tão romântico! – minha mãe arrulhou.

- Mãe. – gemi envergonhada.

- Seu pai sabe? – perguntou com um tom de voz mais sério.

- Não. Eu vou contar hoje. Na verdade, Edward virá se apresentar.

Um minuto de silêncio passou. Isso era estranho, minha mãe não conseguia ficar quieta muito tempo. – Acho que vou lhe desejar sorte. – falou com a voz evasiva.

- Mãe. – pensei na melhor forma de abordar esse assunto. – Você podia facilitar um pouco nossa vida, né? – pedi.

Pude ouvir respirar fundo. – Claro. Vou fazer o meu melhor, mas eu quero conhecer esse rapaz!

- Deixe que ele lide com Charlie primeiro, não quero que ele saia correndo para as montanhas ao conhecer meus pais no mesmo dia. – brinquei com um pouco de seriedade. Esperava que isso não acontecesse.

Eu ouvi o carro de Charlie na garagem.

- Charlie acabou de chegar. Tenho que desligar.

- Tudo bem filha. Vou querer saber todos os detalhes depois. Boa sorte e pode deixar seu pai comigo.

- Obrigada mãe. – disse antes de desligar o telefone.

Sabia que nesse diário continha coisas pessoais, afinal, era para isso que servia. Para colocar emoções, pensamentos e o que aconteceu em seu dia-a-dia. Porém, senti como se tivesse violando um momento privado entre mãe e filha.

Imaginei, que essa hora meu “eu” do diário devia estar em casa e não ouviu essa conversa. Não posso negar o quanto me deixou feliz ter o apoio da mãe de Bella. Esperava fazer uma boa impressão para ela, vendo que não teria muito êxito com seu pai.

A porta bateu e eu pude ouvir Charlie perto da escada, guardando seu equipamento.

- Ei Bells – Charlie me chamou quando entrou na cozinha.

- Oi pai. – o cumprimentei indo em sua direção. – Como foi a pesca? Não pegou nenhum peixe? – falei ao não ver nada em suas mãos.

- Eu coloquei no freezer.

- Eu vou pegar um pouco antes que congele, Billy trouxe um pouco de peixe frito para você essa tarde.

- Ele trouxe? – seus olhos se iluminaram. – É o meu favorito. – sua cara ficou um pouco contemplativa. – Pelo menos era antes de você chegar.

Senti um leve rubor lavar meu rosto ao entender suas insinuações. Com Charlie você tinha que entender o que ele estava dizendo nas entrelinhas. Ele estava elogiando a minha comida.

- Bom, vá se trocar enquanto eu faço algo para comer com esse peixe. – disse quebrando nosso constrangimento.

- Sim senhora. – murmurou. Meu pai odiava receber ordens de qualquer pessoa, inclusive sua filha. Porém, ele não conseguia dizer não para uma mulher. Toda sua fama de durão desmorona em algumas lágrimas femininas ou ordens diretas.

Charlie foi se limpar enquanto eu preparava o jantar. Na verdade, tive basicamente que fazer apenas os acompanhamentos para o peixe que Billy trouxe. Não demorou muito até que estivéssemos na mesa, jantando em silêncio. Charlie estava gostando da comida. Eu estava desesperadamente pensando numa forma de contar a notícia, lutando para encontrar uma maneira de tocar no assunto.

Esperava que Bella estivesse mais feliz em anunciar que estávamos juntos. Torcia que seu receio era baseado exclusivamente na reação do seu pai, não por alguma vergonha de está relacionada comigo.

- Como foi o seu dia? – tentei puxar assunto. Pior do que isso só se eu perguntasse sobre o clima.

- Sim, deixe para Edward puxar um assunto tão patético. – Emmett comentou em referência a minha primeira conversa com Bella em biologia.

- Ei. – tentei parecer o mais indignado possível, mesmo sabendo que aquele não foi meu melhor momento. – Não foi tão ruim assim.

- Claro Edward. – Rosalie me surpreendeu me defendendo. – Não foi ruim. Você só fez um completo idiota de si mesmo, mas não podemos esperar muito. Certo? – terminou com um sorriso fazendo o resto de minha família rir e eu rosnar.

- Bom. Conseguir pegar uns peixes grandes. O que você fez do seu dia? – ele perguntou me fazendo hesitar sobre o que eu devia falar.

- Então, sobre isso... – Pensei em uma maneira de ser sutil e discreta para preparar aos poucos meu pai. Boa ideia pensou minha V.I., prepare o meio de campo antes de soltar essa bomba. Se você falar a notícias aos poucos e com delicadeza ele pode não enfartar. – Estou namorando Edward Cullen.

Muito bem. Sutil como um elefante manco dançando rumba em uma loja de cristais, gemeu minha Vadia Interior. Nem percebi que as palavras saíram da minha boca antes que fosse tarde demais. No meu desespero para dar a notícia, as palavras fluíram da minha boca sem a minha permissão.

- Acho que vocês dois formam um belo casal. – Rosalie quebrou o silêncio.

Como Bella perdeu a compostura assim? Seu pai ia me matar. Quer dizer, ele iria tentar me matar. Um lado bom de ser quase indestrutível.

Charlie derrubou seu garfo.

- Bem... – Agora que comecei não tinha como parar. – Eu conheci sua família hoje e meio que vamos nos encontrar essa noite, então... Pai?

Parecia que Charlie estava tendo um aneurisma. Seu rosto estava vermelho e tinha a impressão que ele parou de respirar.

- Você está namorando – sua voz saiu esganiçada com essa palavra – com Edward Cullen? – terminou como um trovão.

- É impressão minha ou parece que essa conversa não está indo nada bem? – Emmett perguntou tentando esconder um sorriso.

- Isso é meio óbvio. – comentou Rosalie.

- Se com a conversa com sua filha está desse jeito, vocês podem imaginar como será com o Edward? – perguntou Alice.

Passei a mão no cabelo começando a ficar a cada segundo mais nervoso.

Tinha a estranha sensação que essa conversa não estava indo muito bem. – Eu pensei que você gostasse dos Cullen.

- Isso era antes de você começar a namorar um deles. – notei que ele não pegou mais no garfo para voltar a comer.

- Papai! – exclamei um pouco indignada.

- Ele é velho demais pra você – ele alterou para achar uma justificativa.

- Estamos no mesmo ano na escola – tentei remediar suas preocupações sem mentir, tinha certeza que ele não imaginava o quão certo ele era.

Se Charlie tivesse alguma ideia da minha verdadeira ideia tinha certeza que jamais me deixaria 100 metros perto de sua filha.

- Espere... – ele pausou. – Qual deles é Edwin?

- Uh oh! – exclamou Alice. – Chamando pelo nome errado é um mau sinal.

- Sério Alice? Como perspicaz você é. – ironizei.

- Você não vai conquistar seu futuro sogro com esse mau-humor. – Jasper tentou amenizar minha raiva.

- Edward é o mais novo, — tecnicamente falando, pelo que percebi em suas aparências Edward era o que foi transformado com a idade mais jovem. Iria usar esse critério, não há quanto tempo ele nasceu.

Tirei uma pequena alegria no fato de Bella ter remediado a conversa de modo que ela não teria que mentir por mim. Odiava que ela teria que fazer isso várias vezes para manter nossa fachada.

Essas horas que odiava ser o que eu era. Gostaria de ser um humano normal, me apresentar ao seu pai formalmente como seu namorado, sem mentiras e invenções.

No meu estado atual nem poderia o cumprimentar com um aperto de mão sem levantar desconfianças com a temperatura da minha pele.

- Oh, bem, isso é – ele pelejou – melhor, eu acho. Quer dizer, você podia fazer pior. Eu não gosto do jeito daquele grandão. Eu tenho certeza de que ele é um bom rapaz, e tudo mais, mas ele parece... maduro demais pra você. Esse Edwin é seu namorado há quanto tempo?

- Ei! – gritou Emmett indignado. – Rose, eu sou melhor que ele não é? – perguntou com um biquinho ridículo.

- Claro que sim. – respondeu, sem dúvidas apenas para aplacar seu marido. Eu era melhor que ele. Até meu futuro sogro achava isso.

- Sempre achei o chefe Swan um bom julgador de caráter. – respondi com um sorriso um pouco mais animado.

- Rose. – choramingou.

- Baby, você é incrível e o melhor homem do mundo. – o beijou. Urgh! Eu realmente não queria ver sua DPA (demonstração pública de afeto).

- Vamos. – Emmett se levantou puxando a mão de Rosalie.

- Onde? – perguntou confusa como o resto de nós.

- Você vai dizer isso para o chefe. Ele tem que me achar melhor que o Edward.

-Emmett. – agora foi minha vez de ficar irritado. – E porque você quer que meu futuro sogro pense que você é melhor para a minha namorada? – a raiva e o ciúme estavam começando a me fazer ver vermelho.

- Para fazer seu encontro ser mais difícil. Quero que Charlie o faça suar. – respondeu com um grande sorriso idiota e se eu não estivesse segurando o diário eu iria bater nele.

Rose revirou os olhos e puxou sua mão o fazendo voltar a se sentar.

- É Edward, pai. – ele deu de ombros, como esse fato não fosse importante. – E sim, ele me pediu em namoro hoje. Não iria esconder isso de você. – por mais que essa fosse a minha vontade. Completei mentalmente.

Isso pareceu apaziguar um pouco meu pai. Saber que não iria esconder um fato desses dele, que eu iria inclui-lo em minha vida. Sabia que tinha feito isso antes, mas o motivo principal era que não tinha a proximidade que tenho hoje.

Morar com ele fez toda a diferença, apenas com a convivência que estava começando a entendê-lo melhor.

- Você não podia esperar um pouco? – resmungou. – Você é muito nova.

- Qual sua concepção de “pouco”?

- Não sei. Esperar ter uns 30 ou 40 anos antes de pensar em namorar.

- Pai! – exclamei horrorizada com sua ideia.

- O quê? – perguntou fingindo inocência. – Um pai pode sonhar.

- Ok, então fique em seus sonhos que eu irei me tornar uma velha solteirona, porque no mundo real isso não vai acontecer.

Apesar de tudo, acompanhei minha família nos risos.

O sonho de todo o pai era ter sua filha somente para você. Imagino que deve ser difícil para ele ter acabado de recuperar sua filha para ter que dividi-la com um homem desconhecido.

Consigo compreender como devo parecer um vilão querendo roubar a virtude de sua filha.

Vejo os pensamentos dos adolescentes o tempo todo, e sei o que pensam. Charlie sendo um chefe de polícia viu o pior de um adolescente. Sua desconfiança não é sem motivos.

Infelizmente, ele não tem como saber que fui criado em uma época diferente e que repudio muito do comportamento atual. Claro, que depois de conhecer Bella, algumas concepções antigas mudaram. Lembrando sua foto, com perfeita memória nos detalhes, não consigo me imaginar tendo que apenas segurar sua mão para manter o decoro e não manchar sua reputação.

Mesmo se vivêssemos no meu tempo humano, sei que tentaria roubar alguns beijos seus. Independente de ser errado, ela era irresistível demais para seu próprio bem.

A paternidade não é algo possível para mim. Pelo lado positivo, nunca terei que sofrer o problema de ter que dividir minha filha, não consigo imaginar dando permissão para ela ficar com qualquer adolescente tendo o poder de ler sua mente.

Sorte a minha que o chefe não pode ler a minha.

Charlie resmungou um pouco, mas não conseguir distinguir suas palavras. – Quando ele vai vir?

- Ele estará aqui em alguns minutos. – esqueci-me de perguntar a hora para Edward. Ele falou apenas “mais tarde” sem especificar o tempo.

- Para onde ele vai te levar? Quem vai estar com vocês? Que horas ele pretende te trazer de volta?

Eu gemi alto o interrompendo. — Nós vamos jogar baseball. Sua família inteira estará presente. Não vamos voltar tarde. Estamos acabados com as perguntas? Preciso me arrumar.

- Não vejo problemas com a roupa que esta usando. Vocês não vão apenas jogar baseball? – apenas olhei seriamente nos olhos do meu pai. – Ok, eu me rendo. Mas não quero que vocês voltem tarde! – avisou.

- Uau. Você vai ter que trabalhar duro para fazer uma boa impressão. – Emmett comentou.

- Tenho certeza que você se sairá bem. – Esme tinha um sorriso gentil destinado a mim.

Assim que entrei em meu quarto, depois de terminar o jantar. Pude soltar um suspiro de alívio. Não foi fácil a conversa que tive com meu pai. Esperava que com um pouco de tempo ele se acostumasse com a ideia de Edward fazer parte de nossas vidas.

Gostei do som dessa frase. Fazer parte da vida de minha amada.

Olhei em meu guarda-roupa sem ter ideia do que vestir. Eu não iria fazer parte do jogo, pois seria totalmente injusto.

Foi aí que tive uma ideia. Peguei uma roupa bem antiga que não usava desde que morava com minha mãe. Demorei algum tempo para encontrar e tive sérias dúvidas se ainda cabia.

Por sorte ela ainda servia.

Desci as escadas para esperar com meu pai. Quando estava no meio do caminho pude ouvir sua voz. Ele parecia estar discutindo, não demorei muito para entender sobre o que era e com quem estava falando.

- Aceitar? Como você quer que eu aceite uma coisa dessas Renné! Bella ainda é uma criança. – tive que me segurar para não reclamar. – Eu não tenho que tratar aquele garoto como um filho! Ele não é nem mesmo meu conhecido, muito menos meu parente! – explodiu. Sabia que minha mãe iria tentar me ajudar, ela não parecia estar fazendo um bom trabalho. – Que seja. – resolvi voltar ao meu quarto antes que fosse pega.

Parecia que Renné não foi de grande ajuda. Mesmo assim, aprecie o pensamento.

Esperei sentada na minha cama, coloquei uma música baixinha para esperar Edward chegar. Não demorou muito tempo antes que eu ouvi o barulho de um motor encostando-se à frente de casa. Desci as escadas correndo, não tinha percebido o quando ansiava sua chegada.

Logo em seguida a campainha tocou, imaginei que ele tinha ouvido meus passos pela escada, mas tinha que manter a aparência.

Eu não tinha me dado conta do quanto estava chovendo lá fora até que abrir a porta. Edward ficou na luz da varanda, vestindo um casaco de chuva. Não podia acreditar que tinha sentido sua falta no pouco tempo que ficamos separados. Não conseguia tirar meus olhos do dele, e Edward parecia estar tendo o mesmo problema.

Cada momento me sentia mais inquieto para isso acontecer no presente. Estava ficando muito invejo de meu próprio futuro e estava cansado de ser apenas um telespectador, não podendo estar sentido aquilo que tanto ansiava.

Infelizmente tive que estourar nossa bolha antes que meu pai aparecesse para saber o motivo da demora.

- Entre. – pedi me afastando para ele entrar. – Deixe que eu seguro seu casaco. – estava me sentindo estranhamente formal sabendo que meu pai estava por perto, e não ter ideia se ele conseguia nos ouvir.

Assim que ele tirou seu casaco, ele olhou para o que eu estava vestindo. Seus olhos se arregalaram e escureceram levemente. Comecei a me sentir alto consciente e sentir um rubor aprofundar em meu rosto. Tinha colocado um uniforme antigo de líder de torcida. Antes de ter largado o time, ainda fiquei com o uniforme, era uma minissaia plissada vermelha e uma blusa branca com detalhes em vermelho de mangas compridas, mas elas deixam uma parte de minha barriga de fora. Para não sentir tanto frio coloquei o meu casaco que era parte do conjunto e uma meia colorida que ia até minha coxa e calcei meu all-star preto sem salto estilo bota que subia até quase meus joelhos.

Minha imaginação trabalhou em cada pequeno detalhe da informação fornecida no diário.

Bella em roupa de líder de torcida. Poder ter acesso a ver um pouco da pele de sua barriga e coxas. Com o clima de Forks não era uma acontecimento comum. Então teria que aproveitar o máximo para tocar a pele exposta e...

- Limpe a baba irmão. – Jasper falou com os olhos dançando em diversão. Ele sentiu toda a minha luxúria, me deixando completamente envergonhado.

- Relaxe mano. Sabemos que seus olhos escurecem era sede de outra coisa sem ser seu sangue. – Emmett mexeu as sobrancelhas em diversão. – Meu irmãozinho está crescendo, quem diria. – fingiu limpar uma lágrima de seus olhos.

Rosnei com suas implicações.

- Relaxe Edward. Estou orgulhoso. Nunca pensei que você tinha isso em você. Achei que ia passar a eternidade como um virgem.

- Emmett. – avisei com raiva primal em minha voz. Não importava com suas brincadeiras desde que Bella estava envolvida.

- Chega. – falou Carlisle. – Emmett você precisa ter limites. Estamos invadindo a privacidade o suficiente dos dois, tenha um pouco de respeito. – ele se voltou para mim. – Continue.

Respirei fundo antes de retomar a leitura.

Limpei a garganta para chamar sua atenção.

Edward balançou a cabeça um pouco parecendo sair de um transe. Ele se aproximou de mim e colocou sua mão direita em minha bochecha e a deixou ali. Sentir inclinar em sua direção. Ele a manteve ali por um momento antes de abaixar sua mão e segurar a minha. Edward piscou para mim e me puxou para dentro em direção à sala. Larguei rapidamente sua mão para fechar meu casaco, não queria que meu pai tivesse outro motivo para reclamar. Edward pareceu um pouco decepcionado antes de pegar minha mão de volta e me levar para dentro.

Agora foi a vez de meus olhos se arregalarem quando vi meu pai sentado na sala com uma coleção de armar empilhadas na mesa de centro.

- Acho que ele usou a artilharia pesada. – comentou Carlisle com um sorriso no rosto. Comecei a notar que meu pai de criação estava começando a nutrir grandes sentimentos paternos em relação à Bella.

- Você tem que ficar do meu lado. – disse um pouco atordoado de ele ter me descartado tão facilmente e tomado partido do pai de Bella.

- Vamos Edward. Você tem que provar ser merecedor de Bella. Esse é um teste de pai.

Franzi o cenho, parecia que teria que ter que passar por provas e etapas para ter a aprovação de Charlie. Se o resultado fosse Bella, passaria por todas sem reclamar.

No tempo que eu subir para me arrumar meu pai tinha trocado para sua roupa de oficial. Pelo amor de tudo quanto é santo, até o distintivo ele colocou.

- Pai! – reclamei.

- O quê? – perguntou querendo parecer confuso. Logo em seguida ele dirigiu seu olhar para Edward. – Você deve ser o novo namorado de minha filha. – ele não estava perguntando, mas mesmo assim Edward respondeu.

- Sim. Eu sou o homem de sorte que sua filha escolheu. É um prazer conhece-lo Sr. Swan. – Edward estendeu a mão e cumprimentou meu pai. Percebi agora o que ele tinha feito quanto entrou. Edward aqueceu sua mão em meu rosto para meu pai não notar a diferença de temperatura.

- Essa foi uma boa ideia filho. – sorri em direção a Esme. Fiquei feliz de vencer essa etapa. A apresentação.

- Bella, porque você não sobe e termina de se arrumar, enquanto eu converso um pouco com seu namorado. – percebi que meu pai não o corrigiu para chama-lo pelo primeiro nome como os pais de Edward tinham feito comigo.

- Eu estou pronta. – respondi não querendo deixar ele sozinho com meu pai.

- Não está. O resto da sua saia ficou lá em cima.

- Pai! – guinchei. Podia ficar mais constrangida em um único dia? – Eu não vou trocar de roupa.

Ele revirou os olhos dramaticamente. – Certo, vá lá para cima de qualquer maneira, precisa ter uma conversa com seu pretendente. – não escapou em meus ouvidos que ele pareceu rebaixar o status de Edward de meu namorado para meu pretendente.

- Isso está ficando bom. – Emmett esfregava uma mão na outra na expectativa de meu confronto.

Eu estava prestes a reclamar sobre isso e entrar em um argumento quando sua voz me interrompeu.

- Isabella Marie Swan. – sua voz tinha o tom de aviso que todo o pai tinha. Aquele que você nem pensa duas vezes antes de obedecer, você só segura na mão de Deus e vai.

Dei um aperto suave na mão de Edward e corri para meu quarto. Não era como se eu não tinha enfrentado sua família mais cedo, era a sua vez de enfrentar a minha.

- Não! – reclamou Emmett desesperado.

- O que aconteceu? – perguntei confuso com sua explosão junto com minha família.

- Sem a Bella na sala como vamos saber o que aconteceu? Ela só vai aparecer quando ouvir o barulho de tiro.

- Que tiro? – perguntei confuso.

- O que o chefe vai atirar em você, é óbvio. – revirei os olhos. Charlie não iria atirar em mim. Eu acho.

Não sabia quanto tempo deveria ficar esperando para descer. Queria ouvir o que eles conversavam. Senti um pouco de culpa ao imaginar que meu pai estava dando um tempo difícil para Edward, porém ela passou rapidamente quando uma ideia me veio à cabeça. Queria quebrar um pouco da tensão criada.

Gemi alto ao imaginar sua forma de quebrar a tensão. Bella podia ser pior que Emmett às vezes.

Depois de alguns minutos, senti que era tempo de descer. Fiz questão de fazer barulho enquanto descia pela escada para benefício de Charlie.

Assim que cheguei à sala a conversa cessou. – Então Edward lhe contou para onde vamos? – perguntei com minha expressão mais inocente.

- Sim.

- E você não se importa? – perguntei com os olhos arregalados. – Vai deixar viajarmos juntos? – perguntei com um pequeno sorriso esperançoso.

- Que viajem? – os olhos de Charlie se estreitaram em direção a Edward.

- Edward me convidou para casar em Las Vegas. – falei com toda calma possível. Os olhos de Charlie pareciam que iam saltar de seu rosto e pensei ter visto sua mão ir em direção de sua arma.

- O quê? Seu delinquente juvenil corruptor de menores eu vou te matar, esfolhar, trucidar e depois lhe prender!

Se meu coração batesse ele teria parado nesse momento. Não sei se pela ameaça de Charlie ou as palavras de Bella.

Não era como se a ideia de casar com Bella não aquecia meu coração frio, mas o fato de ter combinado de levá-la para Vegas parecia tão impessoal.

E realmente as ameaças de Charlie não fizeram a notícia parecer muito atraente a seus olhos. Mesmo que fosse minha vontade fazer Bella minha esposa, queria ter a benção de seu pai.

Antes que isso tomasse proporções maiores eu comecei a rir. – Você precisava ver a sua cara!

Ele piscou uma, duas, três vezes antes de perceber o que eu disse. – Isso não é engraçado.

- Você fala isso porque não tinha um espelho em sua frente. Olhe para Edward, acho que ele ainda nem está respirando. – com esse comentário ele olhou para o rosto atordoado de Edward e ele deu um sorriso relutante em troca.

- Seu namorado parece mais pálido que o normal. – rimos quando Edward finalmente percebeu a nossa troca.

Ele me olhou com olhos estreitos. – Isso vai ter volta mocinha. – sussurro apenas para eu ouvir.

- Não acredito que você caiu nessa! – Alice disse rindo.

- Quando foi que a Bella não o enganou? – perguntou Emmett sorrindo.

Revirei os olhos para sua diversão óbvia, apesar de sua brincadeira, pude ver o sentido real por trás. Charlie parecia ter quebrado um pouco sua seriedade em torno de mim.

Nem que isso seja por ter finalmente feito ameaça a minha vida e integridade física.

- É melhor irmos. Está ficando tarde. – falei.

- Não volte tarde, Bell.

- Não se preocupe Charlie, eu vou trazê-la cedo – Edward prometeu.

- Tome conta da minha garota, está bem? Ela é coisa mais importante em minha vida.

Um rubor cobriu meu rosto com suas palavras.

- Ela estará segura, senhor, eu prometo.

Charlie não conseguiu duvidar das palavras de Edward, elas exalavam sinceridade em cada palavra.

- Me chame de Charlie. – o sorriso de resposta de Edward era de tirar o fôlego.

- Boa noite Charlie. – falou com um tom respeitoso.

Quase não acreditei ter ganhado a confiança de Charlie. Ele me pediu para chama-lo pelo primeiro nome. Pensei que seria mais difícil.

- Tomem cuidado. Até mais Edward. – foi a primeira vez que vi meu pai acertar o nome de meu namorado. Finalmente as coisas pareciam ter dado certo no final.

Notas finais
Então o que acharam?

Como falei, o próximo capítulo é um bônus da conversa entre Charlie e Edward.

Não consegui deixar de fora os pensamentos de Edward sobre essa conversa, mas para isso precisava fazer um capítulo a parte.

Comentário são apreciados.

Beijos