Uma Segunda Chance
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Jessica tinha a incrível capacidade de dirigir e falar incansavelmente, sem parar, ao mesmo tempo, para meu completo espanto. Ok, nem tão espanto assim, se existi uma pessoa na terra capaz de falar, assobiar e chupar manga ao mesmo tempo esse alguém só poderia ser a Jessica, acredito que ela teria a proeza de exercer diversas atividades ao mesmo tempo desde que falar fosse uma delas.
– Isso é verdade, aquela menina me faz quase ter dor de cabeça, olha que isso é impossível para um vampiro sentir. – comentou Emmett franzindo a testa. Apenas revirei os olhos, se eles pudessem ler a mente de Jessica sem dúvidas eles teriam uma enxaqueca. Sua voz mental é 1.000 vezes pior.
Apesar disso, não pude deixar de me divertir com seus relatos de casos amorosos. Uau, ela conseguiu ter diversos casos amorosos em Forks? Por favor, me explique como conseguiu essa proeza. Sim, eu tinha que concordar com a minha Vadia Interior, não é como Forks ser a concentração de homens interessantes do planeta, mas tendo em vista seu tagarelar sobre o encontro do dia anterior com o Mike, pude notar o tipo de pessoa atraente aos olhos de Jessica. Um rostinho bonitinho era suficiente.
Franzi o cenho com isso. Ela acha o idiota do Newton bonito? Ou o bonitinho que ela está falando é um feio arrumado? Ele é sem graça, preferi optar pela segunda opção.
Quando Jessica voltou sua curiosidade para Angela pude ver toda a timidez refletida em sua face. Eu estava mais do que desconfiada que Angela gostava de Ben, mas não queria deixar transparecer por pura insegurança, tinha certeza que seus sentimentos eram correspondidos. Quando vi Angela atingindo vários tons de vermelho resolvi interferir.
– Então Jess, você já pensou em que tipo de vestido você quer encontrar? – perguntei com uma voz casual, o que a fez discursar detalhadamente sobre seu vestido planejado, fazendo que ela esquecesse o assunto anterior.
– Ela é uma boa amiga. – comentou Esme com um sorriso. – Ajuda nas horas em que você não pede, mas sabe que é preciso.
Tive que concordar com Esme, mas eu já sabia disso. Bella era uma boa pessoa, não podia esperar nada diferente. Toda sua personalidade e seu jeito demonstravam o quanto ela se importava com quem ela gostava.
Vi o olhar agradecido de Angela para mim toda vez que eu perguntava sobre sapatos e acessórios cada vez que Jessica voltava uma pergunta sobre os sentimentos de Angela para seu acompanhante. Por sorte, ela era facilmente distraída. Peça para um egocêntrico falar sobre si mesmo.
Sim, era uma boa técnica. Tudo que fosse sobre si mesmo era motivo de distração. Talvez Rosalie entenda do que Bella está falando.
Jess dirigiu direto para uma grande loja de departamentos na cidade, que era a apenas algumas ruas da amigável baía para visitantes.
– É triste a opção de compras em Port Angeles. – Alice falou um pouco indignada. Se algo a frustrava era a falta de um grande Shopping e diversas lojas de roupas, por isso ela viajava no mínimo para Seattle se quisesse fazer algumas compras, quando não resolvia ir ainda mais longe.
Olhando entre os diversos modelos pendurados Jessica começou a fazer perguntas sobre os bailes que eu já tinha ido e ficou espantada com minhas respostas.
– Você foi somente para um baile em toda a sua vida? — Jess perguntou parecendo bastante cética em saber desse detalhe.
Fiquei assustado com a onda de fúria que senti ao saber dessa informação que parecia ser trivial. Quem foi o desgraçado que ousou levar a minha Bella ao baile? Será que dá tempo de mudar essa situação? Podia começar a procurar Bella e talvez impedir que isso acontecesse.
– Acho que você tem outro concorrente mano. – Emmett falou com um sorriso. – Será que eles são namorados? – continuou depois que observou o quando suas palavras me afetavam.
– Emmett Cullen pare de provocar seu irmão. – Esme falou em seu tom de voz que acabava com qualquer discussão.
– Só estou fazendo uma pergunta. Pelo que eu vejo no Forks High School a maioria dos acompanhantes são namorados ou pelos menos eles trocam uns beijinhos no final. – terminou dando uma piscadela em minha direção.
– Cala boca Emmett! – fui a sua direção e ele saiu correndo em volta da sala com o diário nas mãos.
– Tá com ciúmes! Tá com ciúmes! Tá com ciúmes! Tá com ciúmes! – continuou correndo e cantando no final balançando a bunda para mim, fazendo que eu fervesse em fúria. Quando eu o peguei cerca de dois segundos depois, Carlisle e Jasper me seguravam.
– Chega Emmett. Você já provocou seu irmão o suficiente. – falou Carlisle pegando o diário e Jasper o seu dom para me manter calmo.
– Vocês são tão sem graças.
– Eu continuo a leitura. – falou Carlisle depois que todos nos sentamos. Ainda estava irritado com Emmett. E o pior, morrendo de ciúmes. Isso séria possível em um vampiro imortal?
– Sim, fui somente uma vez. – disse com um leve sorriso lembrando o dia do primeiro e único baile que eu já tinha ido.
Humilhante e constrangedor era apenas uma forma de descrever o que senti.
Sorri com isso. Então talvez ela não tenha gostado de seu baile. A companhia devia ser desagradável. Gostei de pensar nessa hipótese.
Tudo bem que com o Charlie tenho certeza que não seria tão ruim como foi com Renné. Sim, minha querida mãe é bastante emotiva. Digo isso no sentindo literal, quando minha mãe me viu descendo as escadas ela começou a chorar e falar como seu “bebê estava crescendo” palavras dela. Para completar ela tirou diversas fotos minha e do coitado do meu acompanhante que teve que suportar também o entusiasmo de minha mãe apertando sua bochecha, nos abraçando com se tivéssemos indo para o Vietnã e não para um baile a poucas quadras de casa e falando o quão fofo nos ficávamos juntos.
Meu sorriso morreu na hora. Tenho certeza que Bella e eu formávamos um casal mais bonito.
Matt foi um verdadeiro guerreiro por suportar tudo com um sorriso no rosto, enquanto eu bem... vamos dizer que eu estava procurando o lugar mais próximo para me enterrar. Estava quase saindo a procura de uma pá para fazer o serviço e cavar um buraco já que eu não encontrava nenhum. Fora que ele era mais velho que eu quase dois anos, pode ser considerado uma pequena diferença, mas quando você tem 14 anos (mesmo faltando duas semanas para fazer 15 anos ainda é considerado 14) e vai ao baile onde todos tem no mínimo 16 pode ser uma diferença um pouco intimidante.
– Ah, por favor! Esse cara pode ser considerado um pedófilo. – falei com raiva.
– Eu posso falar que você é um vampiro centenário e a Bellinha tem 16 anos ou isso seria provocar você? – tinha vontade de arrancar o sorriso do rosto de Emmett por abrir a boca.
Steve foi meu salvador da noite, claro isso depois dele se divertir horrores as minhas custas e resolveu segurar a minha mãe para que não chegássemos atrasados. Quando eu consegui escapar da minha mãe tive certeza que não iria a outro baile em minha vida se minha mãe fosse chorar como um bebê cada vez que isso acontecesse.
Será que Bella aceitaria ir comigo ao baile? Sua mãe não estava aqui.
Como ninguém sabe o dia de amanhã, diversos fatores tornaram realidade esse pensamento. Depois do acidente me fechei no meu mundo e não tinha disposição para socializar com ninguém. Matt até tentou mudar isso, mas depois de alguns meses sendo empurrado para longe ele acabou desistindo.
Desgraçado. Como ele pode abandona-la em um momento tão difícil?
Não que eu o culpe por isso, eu precisava desse tempo para assimilar tudo, por isso recusei terminantemente qualquer visita no hospital, deixava a minha mãe me visitar apenas por uma hora, ela não precisava perder seu tempo sentada em uma cadeira desconfortável de hospital.
– Alguns sintomas de depressão. – Carlisle comentou. – Como já vimos em alguns relatos esse acidente a afetou de diversas maneiras.
Tive vontade de proteger Bella de qualquer dor que ela pudesse sofrer. Como uma pessoa tão boa pode sofrer tanto enquanto tantas outras ruins parecem sempre se dar bem? Que justiça há nesse mundo?
Minhas únicas visitas eram de minha mãe e do meu fisioterapeuta, esporadicamente algumas enfermeiras e meu médico, tirando isso eu ficava a maior parte do tempo sozinha, chafurdando na minha miséria. Não que eu pudesse ir ao baile naquele tempo mesmo que eu quisesse afinal após o acidente eu nem mesmo conseguia andar.
Essa revelação me pegou de surpresa. Bella tinha dito que precisava de fisioterapia, mas eu achei que era só para ela recuperar a perfeição dos movimentos, não que tivesse a deixado nesse estado.
– De qualquer forma, não sou grande fã de bailes – acrescentei saindo dessas lembranças.
– Então porque aceitou o convite de Tyler? – Angela perguntou com genuína curiosidade.
– O quê? – perguntei indignado. Desde quando Bella aceitou sair com Tyler?
– Eu o quê? – perguntei com a voz uma oitava a cima do normal.
– Tyler está dizendo pra todo mundo que vai te levar para o baile de fim de ano – Jéssica disse com olhos suspeitos.
– Ele disse o quê? – perguntei indignado. Como ele ousa?
– Ele disse o quê? – quase engasguei.
– Acho que vocês são mais parecidos do que eu dei crédito. – Rosalie comentou.
– Eu te disse que não era verdade – Angela murmurou pra Jéssica.
Eu ainda estava em silêncio, palavras não conseguiam se formar. Estava tendo dificuldade de assimilar a frase e entender seu significado, quando finalmente consegui, raiva foi tomando conta de todo o meu corpo. Quem aquele idiota acha que é para espalhar uma coisa dessas?
Estava me perguntando a mesma coisa. Como aquele idiota ousa falar uma coisa dessas, Bella deixou claro que não iria com ele. Só sendo imbecil ou se fazendo de um para não interpretar o claro não que ela deu nele.
– É por isso que Lauren não gosta de você – Jessica deu uma risadinha enquanto procurávamos as roupas.
Ah que ótimo, o animal ainda me faz ter uma inimiga. Tudo o que eu queria para ganhar o meu dia, um energúmeno espalhando fofocas e uma inimiga de brinde. Que ótimo! Credo e cruz Ave Maria, falou se benzendo minha Vadia Interior. Com tanta gente para me odiar tinha que ser justamente a cara-de-mal-comida da Lauren?
– Concordo. Aquela lá é mais falsa que nota de 30! – falou Alice.
– Mulherzinha desprezível. – concordou Rosalie.
– Meninas. – repreendeu Carlisle.
– O quê? É verdade... – deu de ombros casualmente Rosalie.
Tentei distrair a minha mente olhando pela seção de vestidos, que não era muito grande, mas elas duas encontraram alguns vestidos para experimentar. Eu sentei em uma cadeira baixa dentro de um dos provadores, tentando controlar a minha fúria.
Violência não resolve nada!
Violência não resolve nada!
Violência não resolve nada!
Ficava repedindo esse mantra em minha cabeça para tentar convencer meu subconsciente a não matar, espancar, atropelar e degolar Tyler, não necessariamente nessa ordem. A quem você quer enganar? Até eu quero acabar com esse idiota. Quem sabe cortando a língua dele ele não pode espalhar nenhuma fofoca? Sim, claro que minha V.I adoraria a parte de acabar com o imbecil. Você podia também arrancar as mão dele, assim ele não poderia espalhar nenhuma fofoca nem falando muito menos escrevendo.
Apreciei a imagem mental que a Vadia Interior da Bella estava me proporcionando. Acho que nos daríamos bem.
Observei quando Jessica e Angela entraram no provador enquanto experimentavam os inúmeros vestidos. Para evitar em pensar em formas de acabar com a vida de Tyler eu resolvi ajudar Angela na sua escolha. Ela estava tendo um pouco de dificuldade devido aos preços, por ainda querer comprar um sapato. Como nenhum a agradava fui procurar pelos cabides algo que combinasse com ela. Encontrei um vestido longo verde, alça única que combinaria perfeitamente com a pele de Angela e seu preço era bastante acessível. Para nossa sorte o tamanho caiu como uma luva.
– Acho que ficou bom – falou com um sorriso.
– Acho que ficou ótimo – correspondi o sorriso.
– Bom, agora que Angela já achou o dela acho que vocês poderiam me ajudar, né? – perguntou Jessica chateada, olhando eu sua direção eu podia imaginar o porquê, o vestido azul marinho que ela estava usando era horrível e a deixava com cara de velha, o tecido tinha um corte terrível que a deixava sem forma devido a quantidade de flores da mesma cor que o tecido, parecendo reta sem peitos e sem curvas, e a cor dava uma aparência doentia, me lembrando de alguém. Querido menino Jesus que nasceu numa manjedoura protegei-me desse Belzebu que se encontra na minha frente, ela está parecendo uma bruxa. Bingo! Jessica estava a cara da Bruxa do 71 do Chaves. Oh! Por favor, pegue uma vassoura e a mande de volta para o México. Depois do susto inicial, tentei não achar graça da situação, mas quando eu ouvi o risinho da Angela eu não aguentei, caímos na risada com a roupa dela, ganhando um bufar em troca.
– Ela deve ter mesmo ficado horrorosa. – falou Alice rindo.
– Definitivamente não é uma tarefa difícil. – Rosalie se divertia ao imaginar a cena.
Jess optou por um vestido perolado com uma fenda na parte lateral. Era um vestido bonito que lhe caiu bem. Pena que não tirei um foto com seu vestido de Bruxa. Tive que gravar essa imagem mental na minha cabeça, assim toda vez que ficava com raiva era só lembrar a Jessica para cair no riso. Com os vestidos escolhidos fomos para a seção de sapatos e acessórios.
Jessica escolheu rapidamente seus sapatos e foi em busca do acessório perfeito. Angela estava na dúvida sobre dois sapatos, mas acabou escolhendo o da liquidação mesmo adorando o outro. Quando Angela foi olhar os acessórios eu chamei a vendedora.
– Você poderia embrulhar o outro sapato? – perguntei para a vendedora e logo acrescentei. – Eu pago a diferença, só peço que não conte para ela. Será uma surpresa. – a vendedora assentiu satisfeita pela venda que tinha feito e me prometeu discrição, ela iria embrulhar os sapatos só por via das dúvidas. Sorri com isso, tinha certeza que Angela ficaria feliz, escrevi um bilhete em cada par dizendo apenas “Aproveite” e “Boa sorte”.
– É bom ver alguém a falta de egoísmo em Bella. Isso é tão raro hoje em dia. – podia sentir o quanto Esme estava encantada pela Bella. Quase tanto como eu, mas de uma forma diferente. Esme já a considerava uma filha, e a tratava como uma mãe orgulhosa quando vê a filha fazendo uma coisa boa e tem vontade de espalhar para todo mundo. Tenho certeza que Renné e Esme se dariam bem.
Nós planejávamos jantar num pequeno restaurante Italiano na rua principal e depois descer a baía. Eu disse que me encontraria com elas no restaurante dentro de algumas horas enquanto elas terminavam suas compras, queria dar uma volta na livraria. Geralmente eu perdia a noção de tempo sempre que livros estavam envolvidos e sabia que a maioria das pessoas não tinha a mesma paciência.
Sorri ao saber que Bella era uma leitora ávida por livros. Cada pequena coisa que tínhamos em comum me causava uma grande alegria. Incrível como essa humana desconhecida já me proporcionava felicidade antes mesmo de nos conhecermos. Quando será que esse dia ia chegar? Por um minuto fiquei preocupado. Se esse diário era para rever os erros passados o quanto será que eu errei? Não conseguia imaginar que eu machuquei um ser humano como Bella.
Eu não tive problemas para achar a livraria, mas não era bem aquilo que estava procurando. As janelas estavam cheias de cristais, apanhadores-de-sonhos, e livros sobre cura espiritual.
Nem cheguei a entrar. Pela janela eu podia ver uma mulher de cinquenta anos com um longo cabelo cinza que ela usava solto, usando um vestido que parecia ser dos anos sessenta, sorrindo saudosamente por detrás do balcão. Alguém avise para ela que a era hippie já passou. Tinha que ter uma livraria normal e maior na cidade, tenho certeza que livro culinário não estava pendurado em nenhuma dessas estantes.
Verdadeiramente não conseguia visualizar Bella em um local assim. Tenho a impressão que ela aprecia os clássicos.
Eu vaguei pelas ruas, que estavam lotadas com o trânsito do fim de um dia de trabalho. Eu não estava prestando tanta atenção em para onde eu estava indo quanto devia. Sempre tive um pequeno problema com direção. Pequeno? Certo, eu geralmente tinha problemas com a direção. Geralmente? Ok, tive vontade de bater na porta de quem inventou o GPS e lhe dá um beijo e minha gratidão eterna por ter inventado tal coisa. Lembro que quando divulgaram sobre o GPS estávamos na mesa de jantar, Phil, minha mãe e eu e quando surgiu essa notícia, Phil levantou as mãos para cima e murmurou “Obrigado meu Deus”. Tenho um pouco de pena de Phil, digamos que minha mãe e eu somos parecidas em diversos aspectos.
Rimos com essa informação. Ficava impressionado com a capacidade das pessoas conseguirem se perder tão facilmente. Não podia imaginar Bella sendo uma delas. Acho que eu teria que lhe auxiliar para melhorar seu senso de direção.
Fora que ficava distraída facilmente, cansei de descer as escadas para pegar alguma coisa na sala e quando cheguei à sala ficava com um olhar perdido não sabendo por que diabos eu estava parada na sala.
Não conseguia parar de rir com essa situação. Bella era uma figura.
Eu me dirigi ao sul, em direção a algumas lojas com vitrines de vidro que pareciam promissoras, mas não encontrei nada que me prendesse a atenção. Resolvi ir logo para o restaurante, iria ficar esperando as meninas lá. Fiquei tão distraída em meus pensamentos que só quando virei à esquina notei meu erro em não prestar atenção no meu caminho.
Franzi um pouco o cenho. Será que Bella se perdeu?
Comecei a perceber tardiamente, enquanto cruzava outra rua, que estava indo na direção contrária a do restaurante.
Sem dúvidas perdida.
Parecia que aqui, a maioria dos prédios eram depósitos. Eu decidi voltar a leste quando um grupo de quatro homens virou na esquina que eu ia entrar, vestidos casualmente demais para estarem vindo do trabalho, mas eles também não tinham cara de ser turistas.
Tensão tomou o meu corpo. Como ela foi parar na parte mais perigosa da cidade? Se meu coração pudesse bater ele estaria acelerado nesse exato momento. Todos na sala ficaram apreensivos.
Enquanto eles de aproximavam de mim, percebi que eles não eram muito mais velhos do que eu. Creio que estavam na faixa dos 20 e poucos/30 anos. Eles estavam fazendo piadas uns com os outros em voz alta, rindo estridentemente e esmurrando os braços uns dos outros. Eu me mantive tão longe quanto a calçada me permitiu para dar espaço a eles, caminhando devagar, olhando sempre na direção da esquina.
– Ei, você! — um deles chamou quando eles passaram, eles tinham que estar falando comigo já que não havia mais ninguém por perto. Olhei pra cima automaticamente. Dois deles haviam parado, os outros dois tinham desacelerado. O mais próximo, um homem pesado, com cabelos escuros, na casa dos vinte, parecia ter sido o homem que falou. Ele estava usando uma camisa de flanela em cima de uma camiseta suja, jeans curtos, e sandálias. Ele deu meio passo na minha direção.
Prendi a respiração. Pude observar Rosalie fechar e abrir os punhos repetidamente. Demorei um segundo para reparar que eu fazia o mesmo.
– Licença – murmurei, saindo o mais rápido que eu consegui com os meus joelhos que tinham começado a tremer. Podia ouvi-los rindo muito alto atrás de mim. Andei mais rápido ainda em direção à esquina.
– Ei, espere linda! – um deles me chamou, mas eu baixei minha cabeça e dei a volta na esquina. Eu ainda podia ouvir eles me seguindo.
– Não vá! – gritou outro. – Nos faça companhia.
– Malditos sejam! – falei exaltado. Como ousam assusta-la e persegui-la dessa maneira?
Eu me vi numa calçada que levava para os fundos de vários armazéns, cada um deles com portas enormes para os caminhões que viessem descarregar, todos fechados porque estava anoitecendo. O lado sul da rua não tinha calçada, só alguns elos com ferros protegendo a passagem de algum depósito de partes de motor. Eu estava na parte de Port Angeles que eu, como visitante, não queria ver. Que ótimo senso de direção! Zombou minha V.I. por eu ter nos colocado nessa zona de risco. Vou comprar um maldito GPS portátil para você! Como você conseguiu parar logo nesse lugar? Nem ousei discutir. Também não sabia como eu consegui parar neste lugar, mesmo para mim isso foi uma proeza.
Estava torcendo internamente para Bella não encontrar mais nenhum perigo pelo caminho e chegar ao restaurante o mais rápido possível.
O céu estava repentinamente escuro, e, quando eu olhei pra trás pra ver as nuvens que se formavam, percebi com choque, que estava sendo seguida por dois homens, a menos de vinte passos de distância de mim.
Merda! Isso não é possível. Como deixei Bella desprotegida dessa forma?
Eles eram do mesmo grupo que tinha passado por mim na esquina, mas nenhum deles era o de cabelo escuro que tinha falado comigo. Apressando meus passos, um arrepio que não tinha nada a ver com frio passou pelo meu corpo. Segurando minha bolsa firmemente, continuei meus passos apressados, praguejando internamente não estar de tênis e ter escolhido usar botas com saltos. Pensei em jogar a minha bolsa “acidentalmente” eles iriam se contentar com o dinheiro que carregava? Você acha mesmo que eles só querem lhe assaltar? A voz assustada na minha cabeça da minha V.I. estava me avisando que aqueles homens pareciam ser algo pior que meros assaltantes.
Rosnei furiosamente com isso. Já li mentes de pessoas como esses sujeitos para conhecer bem suas atitudes. Eles estavam fazendo Bella ficar assustada. Fiquei andando descontroladamente de um lado para outro, notei na minha visão periférica Emmett abraçar carinhosamente Rosalie. Li em sua mente que ela estava se lembrando do que lhe aconteceu quando era humana. Isso não podia acontecer com minha Bella. Não permitiria tal atrocidade.
Escutei atentamente os seus passos, que eram muito mais quietos comparados ao tumulto que eles estavam fazendo mais cedo, e não parecia que eles estavam andando mais rápido, ou se aproximando de mim, o que aumentava meu medo de olhar para trás.
Jurei a mim mesmo não deixar Bella sozinha um instante se quer sem a devida proteção. Ficava repedindo que não iria acontecer nada milhares de vezes na minha cabeça para tentar amenizar minha agonia.
Respire, eu lembrei para mim mesma. Você não sabe se eles estão te seguindo. Continue se iludindo! Falou histérica minha Vadia Interior. Continuei a andar o mais rápido que podia sem correr, me concentrando na entrada a direita que estava a apenas alguns metros de distância de mim. Eu podia ouvi-los, tão longe quanto antes. Um carro virou na esquina passando rapidamente por mim. Pensei em me jogar na frente dele, mas hesitei, sem saber o que era pior, ser seguida ou atropelada.
Quando alcancei a esquina, me bastou uma olhada rápida para que percebesse que era melhor ter me jogado na frente do carro, na minha frente visualizei uma entrada de carros nos fundos de um dos armazéns.
Droga. Não é possível. Queria desesperadamente carregar Bella daquele lugar e coloca-la em um lugar seguro. Como tudo pode ter mudado tão rápido? Em um minuto estou preocupado com sua descoberta sobre o que eu sou e no outro minha única preocupação é sua segurança.
Dei uma meia volta o mais rápido que consegui e, comecei a correr pela rua, de volta para a calçada. A rua acabava na próxima esquina, onde havia uma placa de "pare". Podia ouvir passos fracos atrás de mim definitivamente pareciam estar mais para trás. Olhei rapidamente por cima do ombro, e eles estavam seguramente a uns quarenta passos atrás de mim agora, dois deles estavam me encarando. Sim, um GPS portátil viria a calhar, quem inventar um GPS para pedestres é provável que eu beije seus pés.
Sério que a esquina estava a poucos metros na minha frente? Pareceu que se passaram horas e que andei alguns quilômetros antes que eu a alcançasse. Mantive o passo firme, sem folego para continuar a corrida, tive que voltar a andar. Vi dois carros indo na direção norte na rua para onde eu estava indo, respirei aliviada. Haveria mais pessoas por perto assim que eu saísse daquela rua deserta. Virei na esquina com um suspiro agradecido.
E quase escorreguei quando tive que parar.
O que aconteceu? Fiquei me perguntando apreensivo. Isso estava ficando pior a cada minuto.
A rua estava alinhada dos dois lados com paredes vazias, sem portas ou janelas. Podia ver distantemente, duas ruas abaixo, ruas iluminadas, carros e mais pedestres, mas eles estavam muito longe. Porque saindo de um prédio no lado oeste, no meio da rua, estavam os outros dois homens do grupo, os dois me observando com sorrisos excitados enquanto eu ficava paralisada na calçada.
– Não! – gritei alto. Esme colocou a mão na boca para abafar o grito e Rosalie fechou firmemente seus olhos.
Eu percebi que não estava sendo seguida.
Eu estava sendo guiada.
Não controlei o rugido que surgiu em meu peito mais alto de quando estou em uma caçada. Esme apertava suas mãos de maneira nervosa. Jasper estava inutilmente tentando amenizar o clima, mas ele próprio estava nervoso com a situação. Alice tentava usar sem dom mais ele era inútil desde que os diários apareceram, ela não teve uma visão. Emmett tentava consolar Rosalie que tinha a cabeça entre as mãos.
Eu mataria quem ousasse tocar em um fio de cabelo de Bella.
– Aí está você! – a voz estrondosa do homem grande, de cabelo escuro quebrou o silêncio intenso, me fazendo pular.
– É, sentimos sua falta – uma voz respondeu alto atrás de mim, me fazendo pular de novo enquanto eu tentava correr pela rua. – Nós pegamos um pequeno desvio.
Preparei o meu melhor e mais alto grito que eu conseguiria, suguei o ar, me preparando para usá-lo, mas minha garganta estava tão seca que eu não tinha muita certeza em relação ao volume que ele sairia.
O homem mais magro se desencostou da parede e começou a avançar vagarosamente pela rua.
– Fique longe de mim – eu avisei numa voz que deveria ter sido forte e destemida, mas o medo que eu estava sentindo a fez se torna baixa demais. Se eu não conseguia falar mais que um sussurro como eu iria gritar?
Iria mata-los lenta e dolorosamente. Mostraria para eles como era o meu estilo de caçar e encurralar a vítima. Faria eles implorem a morte, mas não daria tão fácil.
– Não seja assim, docinho – ele falou e as risadas recomeçaram atrás de mim.
– É se você for boazinha, prometemos não lhe machucar. – falou com falsa suavidade para depois acrescentar. – Muito.
Arrancaria membro por membro de cada um deles. O que Rosalie fez com seus estupradores seria brincadeira de criança perto do que aguardava esses vermes. Iria tirar membro por membro enquanto eles tivessem vivos. Arrancaria a pele, depois os ossos e por ultimo arrancaria cada membro deles. A primeira coisa que faria seria castrar esses imundos.
Recompus-me a apenas alguns passos de distância, tentando me lembrar apesar do pânico das técnicas de defesa pessoal que eu sabia. Por mais que minhas chances fossem poucas, eles eram quatro. Precisava me manter calma antes que o terror me deixasse incapacitada. Podia não conseguir vencer, mas eu não iria desistir sem lutar.
– Corajosa. – falou Jasper um pouco impressionado. Pessoas na situação da Bella não conseguem ter sangue frio para lidar com essa situação.
Tinha que manter a concentração, com essa motivação, apaguei todo e qualquer pensamento aterrorizante do que poderia acontecer comigo e concentrei em minha defesa.
– Racional. – murmurou mais impressionado. Como Bella conseguia isso eu não fazia ideia, só conseguia pensar em formas de torturas, seria incapaz de manter minha mente livre desses pensamentos. Fora o medo absurdo de algo acontecer com minha Bella.
O que se encontrava mais atrás estava claramente apresentando sinais de embriaguez, seria o último alvo, aquele que eu conseguiria me soltar se chegássemos ao combate corpo-a-corpo. O da sua direito e o que estava mais a frente provavelmente ingeriam alguma bebida alcoólica, mas não estavam em um nível de embriaguez que me ajudasse, o que estava mais a frente de camisa xadrez era o que me preocupou, ele tinha um olhar ansioso, diferente dos demais que pareciam apenas se divertir. Ele estava apreciando meu medo, tinha uma cara de maníaco que me arrepiou. Algo me dizia que eu não era sua primeira vítima. Ele era minha prioridade.
E seria a minha também. Bella estava mais certa em sua análise do que imaginava. Provavelmente ela não seria sua primeira vítima.
Sai de minha análise quando o homem de camisa xadrez avançou em minha direção, ele se aproximou o suficiente e pegou em meu braço esquerdo com uma força absurda, reprimi o grito de dor que senti, fechando o punho direito, polegar para dentro, levando minha mão para trás o máximo que consegui, virando em um ângulo que meus ossos dos dedos ficassem em direção ao alvo, para finalmente dar um soco certeiro de cima para baixo com toda minha força em seu queixo o fazendo cair.
– Boa Bellinha. – quando Emmett falou isso que fui observar a mente de todos ao meu redor. Estava tão focado em minha raiva e minha vontade de massacre que ignorei minha família. Emmett, Jasper, Rosalie e Alice tinham os pensamentos muito próximos do meu. Rosalie estava me dando ótimas ideias para acabar com esses desgraçados. O que realmente me impressionou foram os pensamentos de Esme e Carlisle, que nunca foram a favor da violência queriam acabar com eles, não tinham a sede de tortura como os demais, mas só em já pensarem em um ato assim demonstravam a importância de Bella.
O riso entre seus três companheiros cessou e o segundo avançou em minha direção, sem o elemento surpresa minhas chances caíram drasticamente, mas eu não iria me dar por vencida. Ignorando a dor em minha mão, resolvi apostar no quesito agilidade e dei um chute no estomago do meu agressor, que sem dúvidas esperava por um soco, o que o fez cambalear para trás, os outros dois vieram rapidamente em minha direção, pude notar que um estava realmente bêbado como eu pensei, seus passos eram cambaleantes, assim optei em tentar parar o da direita.
Tenho que admitir que fiquei impressionado com a força de minha pequena guerreira.
Não fui rápida o suficiente e senti quando ele puxava meu braço já dolorido com força, reprimi a onda de pânico e segurei seu braço com as duas mãos e dei uma volta ficando de costas para ele, usei seu peso e força para impulsionar para frente e consegui derruba-lo.
Comecei a ficar preocupado. Bella já estava cansada. Como ela conseguiria lutar contra todos eles?
Para o meu desespero o primeiro que eu dei um soco estava se levantando e vindo em minha direção, o que eu tinha dado um chute estava recuperando o folego.
Prendi a respiração novamente. Isso não podia acontecer. Jamais permitiria.
– Não pode acontecer o mesmo que aconteceu comigo. – murmurou Rosalie agoniada. Em sua mente vi que ela se referia a tudo, não somente a violência sofrida como ser transformada para não morrer. Meu peito se apertou em imaginar Bella se tornando uma de nós. Não iria permitir que isso acontecesse.
Estava pensando se eu conseguiria lutar um segundo round ou era melhor sair correndo e gritando, quando faróis apareceram de repente na esquina, o carro quase atingindo o homem forte, forçando-o a pular na direção da calçada. Corri para o meio da rua, essa era a distração que estava procurando.
Agradeci mentalmente quem quer que estivesse nesse carro.
O carro prateado inesperadamente deu um cavalo de pau, parando em cima da calçada com a porta do passageiro aberta a apenas alguns passos de distância de mim.
– Entre – uma voz furiosa ordenou.
Todos olharam em minha direção. – Vocês acham que sou eu? – Será que seria eu nesse carro? Se eu estava por perto por que não cheguei mais rápido?
Fiquei aliviada em ouvir uma voz conhecida. Pulei dentro do carro fechando a porta atrás de mim rapidamente. Respirei fundo, tentando acalmar as batidas descompassadas do meu coração.
Estava escuro dentro do carro, nenhuma luz se acendeu quando a porta abriu, mal podia ver o seu rosto pelo brilho fraco do painel. Os pneus cantaram quando ele virou para o norte, acelerando muito rápido, desviando dos homens abismados na rua. Tive uma breve visão deles se atirando na calçada enquanto acelerávamos na direção no porto. Parecia que foi como se ele desistisse de passar por cima deles em um último momento.
– Como você não passou por cima deles? – perguntou Rosalie com raiva.
– Isso seria pouco. Vou mata-los lenta e dolorosamente. – Rosalie pareceu feliz com minha resposta. Não iria me contentar com um simples atropelamento.
– Ponha o seu cinto de segurança – comandou, lá estava de volta o Sr. Mandão, passei alguns dias longes e como pude me esquecer do Sr. Faça-sempre-tudo-que-eu-mandar?
– Sem dúvidas é você. – falou Emmett. Grunhi para ele.
– Eu não sou mandão. – falei. Todos cruzaram os braços e me olharam de forma irônica. – Só gosto de ter minha vontade prevalecida. – murmurei constrangido com os olhares que recebi.
Obedeci sabendo que não teria uma escolha, principalmente por ser filha do chefe de polícia.
Ele fez uma curva estreita na esquerda, correndo em frente, avançando muitos sinais vermelhos sem parar. Ok, juro que não falo novamente mal do Charlie dirigindo. Preferia mil vezes meu pai dirigindo em velocidade devagar-quase-parando-se-diminuir-só-se-for-para-andar-de-ré do que a forma que Edward dirigia agora, fechei os olhos para não vê o que estava acontecendo antes que eu entrasse em pânico. Sabe aquela história de que o que os olhos não veem o coração não sente? É pura mentira, meu coração batia acelerado, e não saber o que estava acontecendo me deixava mais apreensiva. Quem autorizou esse homem a tirar carteira de motorista? Ou ela foi comprada ou o ser que permitiu é completamente insano em ter autorizado Edward ficar sob o volante.
Sorrimos de leve com isso. Bella amenizou um pouco a tensão na sala com seus pensamentos. Se Bella soubesse que todos nos dirigimos dessa forma.
Abri meus olhos, para olhar em sua direção estudei o seu rosto na luz limitada, estava quase pedindo para ele diminuir a velocidade, até que percebi que a sua expressão estava assustadoramente irada.
Irado é pouco. Deveria estar sentindo ódio mortal. O que será que eu iria fazer? Provavelmente deixar Bella em um local seguro e ir acabar com os vermes, não iria permitir que ela visse uma cena dessas.
– Você está bem? – perguntei por fim. Conhecia aquela expressão, já tinha visto uma vez, mas essa era pior. Ele estava acima de furioso.
– Não – disse curtamente, seu tom estava lívido.
Somente Bella para se preocupar comigo. Sem dúvidas não estava bem, será que eu estava a assustando? Não gostei do lembrete que ela já tinha visto essa expressão antes no primeiro dia de aula. Isso era tão difícil, lidar com minha fúria assassina e a esconder da pessoa ao meu lado. Como eu iria passar por isso? Não, pensei firmemente. Jamais permitiria que as coisas chegassem tão longe. Seria o protetor de Bella, nenhum mal lhe atingiria.
Notei quando o carro parou bruscamente. Olhei ao redor, mas estava escuro demais para vez alguma coisa além da linha de árvores escuras que se estendiam pelo acostamento.
Nós não estávamos mais na cidade.
– Bella? — ele me chamou, a voz apertada, controlada.
– Sim – respondi com minha voz voltando aos poucos ao normal. Ainda estava um pouco ofegante pela corrida.
– Você está bem? — Ele ainda não estava me olhando, mas a fúria estava claramente visível no rosto dele.
– Sim — eu respondi suavemente.
– Por favor, me distraia – ele ordenou.
Senti olhares indagativos em minha direção. – Não posso matar aqueles vermes com Bella ao meu lado. Sua segurança é minha prioridade. Provavelmente preciso recuperar o controle para poder pensar um pouco racionalmente. Até agora só consigo pensar em formas de acabar com a vida daqueles... – não terminei a frase. – Como vocês acham que me senti lendo a mente deles? – ninguém comentou mais nada e Carlisle voltou a leitura.
– Perdão, o que você disse?
Ele respirou agudamente.
– Fale sobre alguma coisa sem importância até que eu me acalme — ele esclareceu, fechando os olhos e apertando o nariz com os dedos polegar e indicador. Acho que ele precisava de uma distração, podia notar o quanto ele estava furioso. Precisa pensar em alguma besteira para fazer seu humor melhorar.
– Hum... – eu vistoriei meu cérebro a procura de algo trivial. – Vou cortar a língua de Tyler Crowley e amputar suas mãos amanhã depois da aula.
Sim, Bella era ótima com distração. Tenho certeza que ela seria a única capaz de me acalmar.
Ele ainda estava apertando os olhos, mas os seus lábios se curvaram no indício de um sorriso.
– Por quê?
– Ele está dizendo a todo mundo que vai me levar no baile de fim de ano- ou ele é louco, ou idiota, ou retardo, ou mentiroso ou uma mistura de tudo isso junto. Na dúvida, para ele não espalhar mais nenhuma fofoca ao meu respeito eu vou cortar a língua dele fora para não ter o desprazer de ouvir sua voz novamente, mas como ele ainda poderá escrever, como você sabe a maioria das fofocas são escritas seja por jornal, revista, etc, então por via das dúvidas é melhor amputar as duas para ficar descansada. Talvez se tiver sorte, posso ter de brinde que Lauren vai parar de me perseguir se ele não falar nada ao meu respeito. – eu tagarelei.
– Eu ouvi alguma coisa sobre isso — ele falou um pouco mais recomposto.
– Você ouviu? – perguntei um pouco surpresa para depois me lembrar. Maldita super.hiper.mega. audição de vampiros. Espera, agora que eu lembrei. Precisava conversar seriamente com o vampiro ao meu lado. Ok, essa palavra ainda é assustadora.
Meu corpo tencionou a medida que ouvi a palavra vampiro apareceu. Ainda tinha isso. Bella sabia o que eu era. Como eu conseguiria ficar sem sua presença? Nossos últimos momentos juntos seriam esses?
Edward suspirou e finalmente abriu os olhos.
– Melhor? – perguntei preocupada. Ele ainda estava nervoso.
– Na verdade não.
– Qual é o problema? — minha voz saiu baixa.
– Às vezes eu tenho problemas com o meu temperamento, Bella. — Ele também estava falando baixinho, e, quando ele olhou pela janela, seus olhos se transformaram em duas linhas. – Mas não seria de grande ajuda se eu voltasse até lá e caçasse aqueles... – Ele não terminou a frase, olhando pra longe, lutando por um momento pra controlar saiu raiva. – Pelo menos – ele continuou. – É disso que eu estou tentando me convencer.
Sim, fiquei impressionado com meu autocontrole para lidar com a situação. Não entedia o que me motivou para conseguir controlar meu temperamento e não acabar com eles. Precisei de poucos segundos para saber a resposta. Bella. Jamais poderia a deixar sozinha depois de tudo que ela passou. Ela sempre seria minha prioridade.
– Você não pode estar falando sério! – falei incrédula.
– Você não pode imaginar o quanto eu estou falando sério. – falou sombriamente.
Respirei fundo tentando ganhar o controle das minhas ações. Pelo seu tom de voz ele não estava brincando. Precisava que ele se acalmasse e voltasse a razão, para isso primeiramente eu tinha que me acalmar. Usei um tom de voz baixo e peguei no seu braço direito por cima do casaco que estava sobre o volante.
– Edward – falei baixinho, notando o quanto ele ficou surpreso com meu toque em seu braço – você precisa se acalmar, você não é igual aqueles homens. Pense comigo, independente do que eles planejavam, não muda o fato de que se você fizer o que está pensando isso só lhe tornaria um assassino. – notei que ele ficou rígido com minha fala e não entendi o motivo.
O motivo era que simples. Bella não sabia o meu passado. Nunca me arrependi tanto de minhas ações como nesse momento. Já senti arrependimento antes, mas nada comparado ao que senti agora. Como eu poderia lidar com o seu desprezo? Eu precisava controlar minha fúria, Bella não merecia um assassino em sua vida. Por mais que eu já tenha matado antes, meus anos de redenção não seriam atenuantes na minha situação? Mais de 70 anos sem tocar em um humano, se eu fosse preso já estaria em liberdade ou teria morrido. Uma prisão perpétua faria Bella aceitar meu passado?
– E você quer que eles saiam impunes pelo que fizeram, é isso? – perguntou com raiva transbordando em sua voz.
– Claro que não! – falei rapidamente. – Mas a outras formas de fazer isso, sem que você precise sujar suas mãos no processo. – ignorei seu olhar cético e peguei meu celular – Temos que para-los, posso ter escapado, mas outras podem não ter a mesma sorte e um amigo que dirige feito um piloto de Fórmula 1 – franzi um pouco o cenho – ou um completo desequilibrado que não sabe o que é limite de velocidade. – acrescentei o fazendo sorrir.
Como Bella pode lidar com tudo isso tão bem? Aqui estava eu com uma sede de sangue, não que eu ousasse colocar qualquer parte de seu sangue em meu corpo, estou falando de vontade de assassinato e Bella que deveria se sentir em pânico ou choque ou com uma fúria por vingança como Rosalie estava calma e equilibrada. Será que em algum momento Bella pararia de me surpreender?
Ele franziu o cenho confuso enquanto eu discava um número do celular. Reconhecimento passou pelo seu rosto quando ouviu a voz da plantonista da polícia atender.
Claro que ela pensaria na forma mais humana de resolver seus problemas. Senti a admiração de Carlisle e Esme crescerem por Bella. Por mais que tivessem pensando em acabar com a vida daqueles miseráveis, saberem que eu não sujaria minhas mãos fez com que ficassem aliviados.
Falei rapidamente do ocorrido, quando perguntaram o endereço onde tinha acontecido, olhei na direção do Edward que me falou a localização deles, ao que parecia eles estava em outro lugar. Não entendi como ele sabia exatamente onde eles estavam. Na realidade eu tinha uma vaga ideia, juntando algumas peças do quebra-cabeça. Depois que desliguei o telefone passamos um momento em silêncio, podia notar a tensão crescendo em volta do meu motorista louco ao lado.
– Isso é pouco. – Rosalie falou um pouco indignada ao saber que eles só seriam presos. Tirando Esme e Carlisle, todos nos concordamos com isso. Não queria nada menos do que uma morte lenda e muito dolorosa para eles. Queria vê a suplica em seus olhos. Como Bella conseguia aceitar algo tão simples como uma prisão?
– Acho que a culpa é sua. – falei tentando lhe distrair.
– Perdão? – perguntou um pouco assustado.
Bella me culpava pelo que tinha acontecido com ela? Fiquei surpreso e um pouco decepcionado, sabia que deveria ter chegado antes, mas a sua acusação me magoou.
– Tyler! Se você não tivesse criado aquele engarrafamento, diga-se de passagem, proposital, como você mesmo falou eu teria me livrado dessa. Você sabe o que é ter Lauren como inimiga? Uma verdadeira dor na bunda – murmurei o final fazendo que ele desse um leve sorriso.
– Tenho certeza que ele teria conseguido com o sem a minha ajuda, só queria estar perto para observar sua reação. – disse soltando uma pequena risada, sem dúvidas lembrando a minha expressão.
Levantei a minha sobrancelha para ele. – Muito engraçado, desculpe por não exteriorizar o quanto estou me divertindo. – falei sarcasticamente o fazendo sorrir novamente. Olhei no relógio reparando que já tinha passado tempo suficiente para a polícia já ter capturado os agressores.
– Acho que devemos ir para a delegacia. – falei por fim, era necessário, mas mesmo assim me senti um pouco culpada quando ele ficou tenso novamente. Sem uma palavra ele ligou o carro e dirigiu rapidamente para a delegacia, ele estava rígido ao meu lado e comecei a me perguntar se era uma boa ideia deixar que ele ficasse tão perto daqueles projetos de ser humanos.
Não, sem dúvidas não era uma boa ideia. A essa distância eu já reconhecia a voz mental desses sujeitos. Imaginar o rosto de Bella na mente desses pervertidos me deixaria doente. Como eu conseguiria deixar Bella entrar nesse tipo de lugar? Puxei meus cabelos com força querendo mudar o passado e fazer com que Bella jamais passasse por isso.
Notei que ele parou na frente da delegacia, mas não fez menção de sair do veículo, parecia que a tensão tinha aumentando 100 vezes. Edward abaixou a cabeça no volante e começou a murmurar coisas incompreensíveis. Tirei o cinto e abri minha porta, mal tinha acabado de fechar quando Edward estava parado ao meu lado parecendo um pouco transtornado quando falou.
– Você não vai entrar lá sozinha. Tem noção que tipos de animais têm lá dentro?
– Nem me passou pela cabeça ir sozinha. – falei com um leve sorriso tentando fazendo com que seu humor melhorasse um pouco. Não funcionou. Quando ele deu um passo em direção à delegacia peguei em seu braço.
– Espere. – pedi rapidamente. – Olhe para mim. – relutantemente ele fez. – Você precisa se acalmar, não faça nada imprudente. Por favor.
– Vou tentar. – respondeu. Ainda pude sentir o quando ele estava tenso. Delicadamente fiquei fazendo círculos sobre seus pulsos por cima do casaco. Notei que ele relaxou um pouco sob meu toque e prossegui fazendo isso até que notei que ele ficou um pouco mais calmo.
– Vamos. – falei por fim, e finalmente entramos na delegacia.
Fiquei surpreso ao imaginar Bella me tocando por vontade própria, claro que tinha meu casaco por cima, ela não poderia sentir minha pele morta e gelada, mas mesmo assim me senti um pouco mais calmo ao imagina-la me tocando para tentar me acalmar. Fiquei feliz ao saber que ela se preocupava com meu bem-estar, era... gratificante.
Depois de alguns minutos fomos encaminhados para a sala do delegado. Não é por ser meu pai, mas Charlie estava muito bem para sua idade. O delegado e ele deveriam ter a mesma idade, mas diferente de meu pai, ele era gordo e a caixa de donuts em cima da mesa era um indicativo, ainda tinha uma aparência desleixada, vestido uma camisa amassada com alguns botões abertos, seus cabelos estavam assanhados, não como o rapaz ao meu lado que nunca viu uma escova na vida, mas como se ele somente tivesse penteado rapidamente de manhã.
Claro que ela tinha que falar do meu cabelo.
Quando o delegado foi pegar meu depoimento, no decorrer de meu relato pude ouvir o som parecido com um rosnado saindo do peito de Edward. Segurei suas mãos tentando dizer que estava tudo bem, para meu espanto sua pele estava extremamente gelada, da mesma forma que na aula de biologia, diferente da vez anterior não puxei minha mão e consegui reprimir a surpresa ao sentir novamente a eletricidade que seu toque me proporcionava.
Bella segurou minha mão? Eletricidade? Ela não sentiu repulsa ao sentir a frieza delas? Tentei não sorrir mais foi difícil. Saber que Bella conseguiu me tocar sem sentir nenhum tipo de desprezo me fez sentir leve.
Fiz o reconhecimento dos atacantes facilmente, principalmente do de camisa xadrez, tinha a certeza que teria pesadelos com aquele rosto. Edward confirmou todos eles, demorei um pouco ao perceber que naquele curto espaço de tempo ele conseguiu reconhecer todos com precisão, acho que ele não passou nem um minuto para me tirar daquele lugar. Mais um detalhe para lista.
Lógico que minha pequena perceptiva não deixaria nada passar. Gostaria de saber até que ponto ela já sabe dos detalhes que nossa espécie apresenta.
Descobrimos que o cara de camisa xadrez se chamava Lonnie e era procurado em outro estado por alguns casos de violência contra mulheres. Sua ficha era grande, o que me fez ficar apreensiva do risco que corria.
Sabia que Bella não era sua primeira vítima. Ainda não tinha passado minha vontade de acabar com a vida dele.
Desde o momento do depoimento eu não soltei a mão do Edward, quando sentia que ele começava a ficar tenso com algo que o incomodava aparentemente do nada, pois mesmo quando estávamos em silêncio ele ficava nervoso, com a outra mão fazia círculos em seu pulso para lhe acalmar.
– Provavelmente você estava ouvindo os pensamentos deles. – falou Jasper e concordei com ele. Não tinha dúvidas que a única coisa que me impedia de acabar com a vida desses miseráveis tinha nome e sobrenome, Bella Swan. A única capaz de reprimir meus instintos assassinos. Mais do que isso, precisava merecer o carinho que Bella tinha por mim. Tinha que merecer o amor dessa humana que mudou completamente a minha vida.
Quando fomos para outra sala para fazer a perícia, soltei a mão dele e já iria me encaminhar para outra sala, quando vi sua postura mudar e fiquei um pouco preocupada. Sua mão fechada em punhos firmemente pressionados com uma força que fazia suas mãos ficarem mais pálidas que o normal, seus ombros estavam tensos e notei um leve tremor passar por seu corpo. Fui para o lado dele e toquei gentilmente seu ombro.
– Está tudo bem? – perguntei com a voz baixa. Falar em um volume normal me pareceu desapropriado.
– Eles te machucaram? – respondeu com outra pergunta entre dentes. – Eu devia ter chegado antes. Eu não estava prestando atenção. – murmurou com voz pesarosa. Queria pedir explicação para suas palavras, mas achei melhor adiar para outra oportunidade. Ainda teríamos muito que conversar.
– Não mais do que eu a eles. – disse por fim com um pequeno sorriso. Notando que a tensão não diminuía eu convidei para entrar comigo na sala o que ele aceitou prontamente.
– Desgraçados. – berrei. Fiquei andando de um lado para o outro novamente ao pensar que Bella foi machucada. Então eu estava por perto? Que espécie de protetor eu sou se não consegui prestar atenção? Idiota, era isso que eu era. Um idiota desatento. O pior que ousei rir de Bella quando falou que era distraída.
O perito levantou a manga da minha blusa e como imaginei marcas roxas de dedos estava aparecendo em minha pele clara. Minha mão estava com algumas escoriações, devido o impacto do soco que eu dei. Estava tão entretida verificando meus machucados que quando notei Edward estava ao meu lado pegando a pomada da mão do perito de forma brusca.
– Eu faço isso. – o tom de voz era cortante e seu olhar ameaçador fez o perito sair da sala rapidamente com sua prancheta onde tinha feito anotações para preparar meu laudo. Fiquei momentaneamente atordoada por não saber o motivo de tanta rispidez com o rapaz. Ele estava sendo atencioso e me tratando bem. – Será que não tenho folga um segundo. – pude ouvir Edward murmurar sob o folego.
Era só o que me faltava, mas um para dar em cima da Bella. Como se eu não tivesse concorrentes o suficiente. Como Bella podia ser tão inocente e não reparar os pensamentos desse perito abusado?
Delicadamente ele passou uma generosa quantidade de pomada em minha mão, fiz uma pequena careta de dor com o ardor que me causou.
– Desculpe. – murmurou e voltou a aplicar o produto. Seus dedos gelados melhoram rapidamente o ardor causado pelo remédio. Depois de alguns minutos ele me perguntou com a voz mais tranquila. – Está melhor?
– Sim. – depois de alguns minutos queria ir o mais longe possível daquela delegacia. – Podemos sair daqui? – ele balançou levemente a cabeça e saímos rapidamente.
Edward de forma bastante cortês abriu a porta do seu carro para mim, assim que ele entrou, olhei para o relógio no painel. Já eram mais de seis e meia.
O que Bella esperava? Ela não merecia nada menos do que um completo cavalheiro.
– Jéssica e Angela vão ficar preocupadas — eu murmurei. — Eu tinha que me encontrar com elas.
Ele ligou o motor sem dizer outra palavra, dirigindo rapidamente em direção ao restaurante. Olhei para fora pra ver as luzes do La Bella Itália, e Jess e Angela que estavam acabando de sair, caminhando ansiosamente na direção contrária á nós.
– Como você sabia onde... – comecei, mas então balancei a cabeça. Eu ouvi a porta se abrindo e me virei para o ver saindo.
– Onde você tá indo? – perguntei.
– Te levando para jantar – sorriu levemente. Ele saiu do carro e bateu a porta. Estava tirando o cinto quando minha porta abriu. Edward gentilmente me ofereceu a mão para me ajudar a sair do carro. Estava prestes a aceitar a ajuda quando meus olhos caíram em minha mão direita machucada, ele franziu levemente o cenho e segurou meu pulso para me ajudar a sair.
– Que evolução Ed Boy. De ser um completo babaca em um dia e agora se convidando para jantar, completamente proativo. Que evolução – Emmett levantou os dois polegares em sinal positivo em minha direção. Suprimi a vontade de levantar o meu dedo do meio em troca.
– Jéssica e Angela estão preocupadas, vá atrás delas antes que elas resolvam sair para lhe procurar.
– Jess! Angela! — eu chamei por elas, acenando quando elas se viraram. Elas voltaram correndo, o alívio aparecendo nos rostos e nas vozes das duas se transformou em surpresa quando viram quem estava ao meu lado. Elas pararam a poucos metros de distância de nós.
– Onde você esteve? — a voz de Jéssica estava cheia de suspeita.
– Eu me perdi – admiti um pouco envergonhada. – E encontrei por acaso com Edward – fiz um gesto em direção a ele.
– Estaria tudo bem se eu me juntasse a vocês? – ele perguntou numa voz sedosa.
Suprimi a vontade de sorrir com o efeito que ele causou. Podia ver as duas cambaleando. Isso era hilário.
Franzi o cenho com isso. Na realidade essa não era a reação que eu esperava. Sabia que nossa espécie tinha um efeito nos humanos, seria errado querer que Bella sentisse ciúmes de mim?
– Er...claro – Jessica respirou.
– Na verdade, Bella, nós já comemos enquanto esperávamos você. Desculpa – Angela confessou. Notei como Jessica lançou um olhar fulminante em direção a Angela.
– Tudo bem – dei de ombros.
– Eu acho que você devia comer alguma coisa – a voz de Edward estava baixa, mas cheia de autoridade. Alguma vez ele já recebeu um não? Que garoto mais mandão! Ele olhou para Jéssica e falou um pouco mais alto. – Já que vocês já comeram, vou levar a Bella para jantar, não se preocupem que eu a levo para casa. Assim vocês não vão precisar esperar enquanto ela come. – seu tom de voz não deixava margem para discursão.
Sorri com isso. Teria um encontro com Bella. Estava empolgado e um pouco nervoso ao pensar nessa hipótese.
– Hum, sem problema... – respondeu Jess ainda um pouco atordoada.
– Ok – Angela foi mais rápida que Jéssica. — Te vejo amanhã, Bella... Edward.
Ela agarrou a mão de Jéssica e puxou ela em direção ao carro, que estava parado a apenas alguns metros de distância, na Avenida principal.
– Honestamente, eu posso comer em casa – insisti, olhando pra cima para examinar seu rosto. Sua expressão era um misto de contentamento e diversão.
– Faz-me rir. Já vi você comendo, você come mais que um homem. – olhei para ele indignada. Como ele se atreve a jogar a verdade na minha cara dessa forma? Isso ia ter volta! Aguarde-me Edward Cullen.
Rir alto com isso. Não conseguia imaginar Bella dando um troco em um vampiro. Uma gatinha siamesa, achando que é uma pantera.
Ele entrou pela porta do restaurante e segurou a porta aberta pra mim com uma expressão obstinada. Eu passei por ele entrando no restaurante com um suspiro de resignação.
O restaurante não estava lotado — não era alta estação em Port Angeles. A maitre era mulher, e entendi a expressão no seu olhar enquanto ela assessorava Edward. Ela o recebeu um pouco mais educadamente do que era necessário.
Ela era um pouco mais alta que eu, e o louro, claro demais do seu cabelo gritava artificial, principalmente com sua raiz escura aparecendo. Porque algumas mulheres não percebem que nem todas podem ser loiras como Rosalie? Não somente no sentindo, de ter seus cabelos naturais, como no caso de Rosalie onde não resta dúvida que química nunca passou por ele, mas em algumas pessoas essa cor definitivamente não fica bem.
Rosalie sorria largo com isso. Bella não tinha maldade em admirar os cabelos de Rosalie como muitas faziam e ficavam criticando para o total desgosto de minha irmã. Diferente disso, Bella a elogia o que só a fazia ganhar mais pontos com a loira sentando ao lado de Emmett.
– Mesa pra dois – pediu polidamente.
Eu a vi olhar pra mim e fazer uma inspeção minuciosa, acho que tentando avaliar meu status com o Edward. Notei seu franzir de sobrancelhas olhando a curta distância mantida entre nós. Como se lendo seus pensamentos, Edward colocou seu braço em volta da minha cintura e acrescentou.
– Uma mesa reservada, por favor. – pareceu que ele entregou uma gorjeta na mão dela, mas foi rápido demais para eu acompanhar.
– Nunca pensei que veria o dia do Edward marcar território. – Emmett sorria da minha atitude possessiva. Apenas revirei meus olhos para disfarçar o quanto essa situação me agradou. Lógico que não enganei por um segundo Jasper que sorria dos meus sentimentos.
– Claro – parecia um pouco surpresa com o pedido quanto nos guiou até umas cabines que estavam todas vazias. Onde será que ela pensou em nos colocar? – Que tal isto?
– Perfeito. – ele sorriu, deixando ela momentaneamente deslumbrada.
– Hum... – ela balançou a cabeça – seu garçom virá em um instante. — Ela foi embora descompassada. Não aguentei, tive que rir da cara dela.
– Do que está rindo? – perguntou confuso.
– Você é mal. – acusei. Ele pareceu receoso olhando em minha direção. – Não viu o que você fez? É maldade deixar as pessoas nesse estado. – critiquei comicamente.
– O que eu fiz? – continuou confuso.
– Você deixou a coitada da mulher deslumbrada, ela deve estar hiperventilando na cozinha nesse momento.
Sua expressão confusa acabou ali, ele ainda tentou manter a expressão de confusão em seu rosto, mais seus olhos não o deixam mentir e parecia apresentar genuína curiosidade.
– Você sabe o efeito que causa nas pessoas. Não só sabe como usa ao seu favor. – apontei.
Ele inclinou a cabeça para um lado, os olhos ainda curiosos. Não sabia em que direção seus pensamentos chegariam. – Eu deslumbro as pessoas?
Revirei os olhos. – Vai me fazer acreditar que você nunca percebeu?
– Eu deixo você deslumbrada?
Fiquei impressionado com minha ousadia e um pouco constrangido. Como tive coragem de perguntar tão diretamente para Bella? Não conseguia disfarçar meus sentimentos, como Bella ainda não os notou?
– Acho que sou um pouco imune ao seu poder. – respondi sorrindo. Acho que a culpa era do pai dele, depois de ver o Dr. Delícia fiquei mais resistente a esse poder.
Grunhi alto com isso. Carlisle ficou um pouco constrangido mais tentava inutilmente conter seu sorriso.
– Ainda não entendo o que ela viu em Carlisle. – Emmett ainda ficava emburrado por Bella não reparar em sua beleza.
– O que posso fazer se ela tem bom gosto? – disse Carlisle com um sorriso. Grunhi novamente.
– Leia de uma vez Carlisle. – apontei o diário com raiva e cruzei os braços com uma criança contrariada.
Notei como ele ficou emburrado com isso, quando ia falar nosso garçom apareceu, ele era jovem aparentando em torno de 20 anos com cabelos pretos curtos.
– Olá, meu nome é Ambrósio. O que vocês desejam beber? – perguntou diretamente para mim com um sorriso gigante no rosto.
Edward pigarreou altamente chamando a atenção do garçom. Tinha a nítida impressão que o ouvi murmurar algo como “outro”, mas acho que entendi errado. Edward tinha olhos fulminantes em direção do coitado que se encolheu um pouco.
– Só pode ser perseguição. – falei entredentes. Ainda atrapalha a conversa com a MINHA Bella. O que ela iria me falar? Queria socar o idiota.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Um suco de laranja, por favor. – pedi quebrando a troca de olhares entre eles.
– Dois sucos – pediu ainda não deixando de fitar intensamente o garçom, que saiu apressadamente tropeçando em seus próprios pés.
Levantei a sobrancelha de forma questionadora para ele, que só deu de ombros levemente.
– O quê? – perguntou com olhos inocentes.
– Posso saber por que você estava fulminando nosso garçom com seu Olhar-do-Mal? – perguntei.
– Olhar-do-Mal? – questionou confuso. Merda. Falei alto.
– Não mude de assunto. O que o garçom fez contra você para ser tratado tão rudemente? – boa, desviar o assunto era bom.
– Que Olhar-do-Mal? – droga, ele era bom.
– Você parecia que queria ser o Ciclope.
– Ciclope?
– Você nunca viu X-men? – indaguei curiosa.
– Não sou fã de desenhos.
Estava prestes a perguntar sobre desenhos, quando notei o que ele estava fazendo. – O que o garçom fez? – voltei a questionar, estávamos rodando em círculos um evitando a pergunta do outro.
Droga, ela era boa. Geralmente eu conseguia desviar o assunto.
– Ele estava olhando de forma desrespeitosa para você. Imagino que seus pensamentos eram inapropriados. – falou polidamente. Desrespeitosa? Inapropriados? De que século ele veio?
Era melhor que não soubesse essa resposta. Sem dúvida a assustaria.
Estava prestes a perguntar quando o garçom chegou e colocou os dois copos de sucos na nossa frente. Ele nem olhou em minha direção, estava fitando o chão e falou bem baixinho.
– Estão prontos para pedir?
Cruzei os braços e olhei de forma acusatória na direção de Edward. Ele sorriu e deu de ombros, seus olhos aparentavam uma falsa inocência, como se não fosse culpa dele o comportamento do garçom.
– Vou querer penne com camarão aos quatro queijos. – pedi rapidamente para evitar o embaraço do nosso garçom. Que saiu rapidamente sem nem ouvir se Edward tinha algo a pedir.
Tomei rapidamente um pouco de suco estremecendo em seguida.
– Você está se sentindo bem? Está com tontura, náusea? Você está com frio, não está? – perguntou tudo de uma vez me analisando cuidadosamente.
– Eu estou bem – respondi surpresa com sua preocupação. – Porque tanta pergunta?
Ele suspirou. – Bem, na realidade estou esperando você entrar em choque.
– Sinto lhe decepcionar, acredito que isso não irá acontecer. Pelo menos não agora. – acrescentei baixinho. Sempre fui boa em reprimir sentimentos desagradáveis, pelo menos na frente dos outros. Voltei a tomar o suco todo de uma vez. Estava morrendo de sede, fora meus pés que estavam me matando. Definitivamente era para eu estar de tênis. Fora que agora que a adrenalina tinha passado, meu corpo estava começando a reclamar do frio.
– Você está com frio?
– Um pouco – admiti.
– Você não tem um casaco? – a voz dele era de uma mãe dando bronca no filho que esqueceu o casaco em casa. Segurei a vontade de responder “Sim, mamãe” na ponta da língua.
– Sim. – respondi. – Em casa. – acrescentei baixinho.
– Percebi. – falou novamente com sua voz de “mãe” dando bronca.
Edward já estava tirando o casaco de couro bege claro, por baixo ele usava um suéter marfim, que ficava muito bem nele.
Sorri largo com isso. Bella admirou minha roupa, fiz uma nota mental em prestar mais atenção em meu vestuário.
– Eu sou o único que a deslumbro. – falou Carlisle somente para me provocar.
– Até você vai pegar no meu pé? – perguntei incrédulo. Emmett não era o suficiente?
– Obrigada – respondi quando ele me passou o casaco e vesti rapidamente. Estava frio. Mas tinha um cheiro bom, uma essência diferente e deliciosa. Não parecia ser perfume.
Por mais que fosse mais uma característica de nossa espécie, não pude deixar de ficar feliz que Bella gostasse do meu cheiro.
As mangas ficaram enormes em mim. Tive um pequeno trabalho dobrando as mangas para conseguir enxergar minhas mãos.
– Ou você é muito grande ou preciso crescer urgentemente.
– Você é perfeita como é. – falou baixinho e depois acrescentou. – Essa cor combina lindamente com o tom da sua pele. – corei com o elogio inesperado.
– Edward ataca. Cena 1. – disse Emmett em tom de voz como se fosse um diretor de um filme.
Ficamos em silêncio por um momento, ninguém ousando quebra-lo. Tinha tanta coisa para falar que estava começando a ficar com dor de cabeça. Precisávamos ter um conversa e não tinha a menor ideia por onde começar.
– Isso é mais complicado do que eu planejava — ele murmurou pra si mesmo.
Bom eu tinha que começar. Respirei fundo e comecei pelo mais óbvio, seus olhos que estavam de um whisky dourado mais claro do que eu já tinha visto.
– Pelo menos você vai estar de bom humor. – comentei casualmente.
Ele me encarou, aturdido. – O quê?
– Seu humor sempre está pior quando seus olhos estão pretos. – continuei.
Estranhei o rumo de seus pensamentos. Mesmo lendo diretamente o que ela estava pensando ela ainda conseguia me confundir.
– Do que está falando? – indagou com um pouco de receio na voz.
– Tenho uma teoria para isso.
Ele revirou os olhos. — Mais teorias?
– Só uma.
– Eu espero que você tenha sido criativa dessa vez – O sorriso dele era de zombaria, mas seus olhos estavam apertados.
Se eu imaginasse que ela já sabia o que eu era, provavelmente estaria em pânico. Como vou lidar com essa situação?
– Não imagina o quanto. – murmurei baixinho, mas ele ouviu.
– E? — ele apontou.
Nessa hora o garçom apareceu trazendo minha comida me fazendo salivar.
– O que você estava dizendo? — ele perguntou.
– Eu te conto no carro. Se... – pausei tirando meus olhos do meu prato.
– Tem condições? — ele ergueu uma sobrancelha, a voz maliciosa.
– Eu tenho algumas perguntas, é claro.
– É claro.
Olhei na direção de seu suco e fiquei com olhos pedintes. Ele balançou levemente a cabeça com olhos divertidos e me entregou seu suco, que tomei apenas um gole.
– Bem, vá em frente — instigou.
Eu comecei com a pergunta mais fácil. — O que você está fazendo em Port Angeles?
Ele olhou pra baixo, cruzando suas longas mãos lentamente em cima da mesa. Os seus olhos brilharam por baixo dos cílios, a leve sombra de um sorriso brincando em seus lábios.
– Próxima. – pelo menos pensei que fosse.
– Mas essa é a mais fácil — eu reclamei.
– Próxima — ele repetiu.
Sorri levemente com isso. Essa pergunta não diria onde os pensamentos de Bella estavam, diria muita a meu respeito e muito pouco sobre ela.
Eu olhei pra baixo, frustrada. “Vá em frente”, vampiro idiota que fica procrastinando. Desenrolei os talheres, peguei meu garfo, e cuidadosamente espetei um camarão, coloquei na boca lentamente. Estava muito bom, continue comendo e esqueci completamente que Edward ainda estava na minha frente e porque estava frustrada um minuto atrás. Comida tem esse poder sobre mim.
– Não tem mais perguntas? – perguntou fazendo com que eu tirasse os olhos da minha refeição.
– Hãn? – indaguei surpresa que ele estivesse na minha frente até conseguir me situar. – Na realidade tenho. Antes preciso saber uma coisa.
– Diga.
– Você vai ser sincero? – perguntei por fim o pegando de guarda baixa, notei que ele ficou momentaneamente desconcertado e acrescentei. – Acho que já deixei bem claro na nossa conversa anterior sobre amizade. Sem mentiras. Se você vai continuar com meias verdades é melhor nem continuar a nossa conversa. Caso você não queira me falar, não vou lhe pressionar e perguntar mais nada. Mas se quiser conversar e parar de tentar mentir para mim irei lhe ouvir. Por isso lhe pergunto. Você vai ser sincero e está disposto a responder minhas perguntas?
Fiquei com um pouco de pena do meu “eu” do diário. Ainda não tinha ideia do poder de devastação que ela tinha sobre mim. Provavelmente, iria entrar em pânico por ter que revelar a verdade, sem ter ideia que ela já sabia de tudo. Ou pelo menos boa parte da verdade.
– Sim. – respondeu depois de alguns minutos. Fiquei feliz que ele aceitou.
– Ótimo. — olhei pra ele e tentei ser um pouco indireta — Digamos, hipoteticamente é claro, que... – Lembrei que ele jogou a verdade na minha cara na frente do restaurante hora de revidar. – Como você pode ler as mentes das pessoas?
Como eu pude duvidar que ela daria o troco só por eu ser um vampiro? Definitivamente tinha muita pena do meu “eu” do diário. Ele não sabe o que lhe atingiu. Fiquei surpreso que Bella notou tão rapidamente meu dom, nos tivemos poucas conversas. Como deixei passar tanta coisa?
Ele me olhou chocado por um instante. – Como você...? – deixou a pergunta inacabada antes de balançar a cabeça. – Ninguém nunca... – ele estava incrédulo. Nunca tinha visto o Sr. Sabe-tudo chocado. – Sim. – respondeu por fim.
– Menos a minha?
– Sim, você é minha exceção. Nunca encontrei alguém que fosse imune ao meu dom.
– Só uma confirmação ao que já imaginávamos. Você não pode ler a mente da Bella. – falou Carlisle.
– Alguma ideia por quê? – perguntei frustrado. Será que haveria uma forma de conseguir furar seu bloquei mental?
– Não faço ideia. Nunca imaginaria que uma humana conseguiria bloquear algum dom de vampiro.
– Nem vampiros conseguem. – murmurei. Nunca um vampiro teve sua mente imune para mim, quando mais uma humana.
Fiquei surpresa com isso. – Então isso quer dizer... – tentei encontrar uma forma sutil e delicada de lhe falar. – que você é um telepata paraguaio? – Isso, sutil como um elefante e delicada como o demônio da Tasmânia.
Apertei a ponte do meu nariz ouvindo a risada geral na sala. Como Bella consegue se concentrar nos detalhes mais insignificantes?
– Telepata Paraguaio! – Emmett estava tendo dificuldades para falar entre suas risadas. – Nunca tinha visto desse modo, vai ver não é Bella que é imune ao poder do Ed ele que veio com defeito! – Muito obrigado Bella, agradeci mentalmente. Minha família nunca vai deixar que eu esquecesse isso.
Comecei a rir com a careta que ele fez. – Será que fazem devolução? – cruzou os braços. Sem dúvida, irritado. – Se for defeito de fábrica talvez tenha tempo. Quanto tempo de garantia? – um bico lindo começava a se formar em sua boca. – Será que dá para trocar? – rir mais um pouco.
– Acabou?
– Espera, só mais um pouco. – ri mais por alguns minutos. – Pronto, parei.
– Não tem graça. Você não sabe como é frustrante eu não poder ler sua mente.
– Ei, isso é invasão de privacidade!
– Nem me fale. – comentou Emmett.
– Não tenho culpa, não é como se eu pudesse evitar.
– É sua culpa quando você faz de propósito. Vai me dizer que você até hoje ainda não fica tentando ler minha mente? – ele teve a decência de parecer envergonhado.
– Te pegou de jeito mano. – tinha que concordar com Emmett meus argumentos forma por ladeira a baixo.
– Então... Como isso funciona? Quais são as limitações? Como você me achou sem poder ler a minha mente? – perguntei tudo de uma vez. Dúvida estava estampada em seu rosto. Sabia que ele estava decidindo o quê me contar, se me contaria tudo ou parte da verdade como tantas vezes ele já fez. Notei o brilho de determinação surgir em seu rosto.
– Eu te segui até Port Angeles — ele admitiu, falando depressa. — Eu nunca tentei manter uma pessoa específica viva, e é muito mais trabalhoso do que eu imaginava, principalmente não tendo sua mente como guia. Fico 24 horas do dia preocupado com você, com sua segurança, desde aquele acidente com a van, nunca me passou pela cabeça como você é frágil, qualquer coisa pode lhe machucar e essa possibilidade me deixa apavorado cada minuto que fico longe. — Ele pausou.
Acho que abri um pouco minha boca em surpresa. Jamais imaginei que confessaria tudo. O que ouvi me deixou apreensivo, Bella é demasiadamente frágil, qualquer coisa pode machuca-la. Se eu estava a seguindo como deixei que ela se machucasse?
Edward me seguiu? Ok, por essa eu não esperava. Só porque uma van não pode machuca-lo não significa que eu sou tão frágil. Ah, francamente. Ok, comparada a ele sem dúvidas sou frágil.
– Você sabe, se eu estivesse marcada para morrer naquele dia com a van, você estaria interferindo no meu destino. – comentei casualmente.
– Aquela não foi a primeira vez — ele disse. Sua voz era difícil de ouvir. Eu olhei pra ele assombrada, mas ele estava olhando pra baixo. – Você estava marcada para morrer na primeira vez que nos vimos.
Não, isso não podia ser verdade! Como ousei pensar por um segundo que seja e fazer algum mal a uma criatura divina como Bella? Que tipo de monstro apaixonado eu sou querendo acabar com o amor da minha vida? Como posso querer estar ao seu lado dessa forma? Bella só sentiria medo de mim.
Eu senti um espasmo de medo com essas duas últimas palavras, e lembrei o seu violento olhar negro naquele primeiro dia, aquela era a confirmação do que eu temia. Algo naquele dia fez despertar seu predador.
Sim, Bella teria medo de mim. Vergonha me inundou por ter sido capaz de tal atrocidade.
Agora observando sua postura torturada, vi o quanto aquele dia o atormentava, percebi que o medo tinha ido embora e no lugar ficou a vontade de consola-lo para que ele parasse de se torturar dessa forma. Seja lá o fator que acionou seu instinto ele estava o mantendo controlado agora, essa sua força de vontade me fez querer tirar toda sua agonia.
Como? Depois do que eu confesse Bella simplesmente sentia vontade de me consolar? Como isso é possível? Comecei a pensar que esse diário tinha sido escrito por minha imaginação fértil sonhando em encontrar a pessoa perfeita para mim. Não podia existir alguém tão bom dessa forma.
Quando ele olhou para os meus olhos, não havia nenhum traço de medo neles.
– Você se lembra? – seu rosto ainda estava tenso.
– Sim. – já estava calma e tinha olhos compreensivos.
– E porque você está aqui? Não devia sair correndo? – havia um traço de descrença na voz dele; ele ergueu uma sobrancelha.
– Sim, estou aqui por sua causa. – parei. – Porque, de alguma forma contrariando todo o segredo que ronda você e sua família você optou por me ajudar e me salvar daquela van desgovernada. – coloquei minha mão em cima da dele. – E por algum motivo fora da minha compreensão você optou por me seguir e me salvar novamente.
– Ela é maravilhosa. – Esme usou um tom de voz orgulhoso. Podia sentir sua alegria ao perceber que Bella estava me aceitando em sua vida. Eu estava surpreso demais para ter qualquer reação.
Com um pequeno sorriso e um olhar de descrença estampado em seu rosto ele continuou. – É mais difícil do que devia ser manter você a vista. Geralmente posso encontrar alguém facilmente, uma vez que já tenha ouvido sua mente antes. É como procurar alguém conhecido, se você já tiver visto essa pessoa se torna mais fácil procurar. Agora imagine procurar um completo estranho, apenas com sua descrição física ou tipo de roupa, torna a busca mais lenta e mais complicada. – Ele me olhou ansiosamente, esperando minha reação. Ele se importaria se eu voltasse a comer? Não queria deixar meu jantar esfriar.
Suspirei alto. Tão humana. Estou fazendo a revelação de meu dom e ela pensando na comida a sua frente. Minha Bella era um monstrinho quando se tratava de comida.
Voltei a comer enquanto ele continuava seu relato.
– Eu estava me concentrando em Jéssica, não cuidadosamente, jamais poderia imaginar que você conseguiria arrumar problemas em Port Angeles. – acrescentou num tom um pouco irônico.
– Não me meto em problemas tão fácil assim. – disse um pouco indignada.
Em troca recebi um levantar de sobrancelhas. Se ele não tivesse um rosto tão bonito gostaria de soca-lo.
Fiquei surpreso com o comentário. Era raro Bella me dirigir um elogio. Então ela me achava bonito?
– Primeiramente, não notei quando você saiu sozinha. Então, quando percebi que você não estava mais com ela, saí procurando você na livraria que vi na mente dela. Sabia que você não havia entrado, e que havia ido para o sul… e sabia também que você teria que voltar para o restaurante. Então eu estava apenas esperando por você, procurando aleatoriamente pelos pensamentos das pessoas nas ruas para ver se alguém havia notado você para que eu soubesse onde você estava. Eu não tinha motivos para me preocupar, mas eu estava estranhamente ansioso. Principalmente que eu não poderia sair do carro. – estranhei seu comentário. Porque ele não poderia sair do carro? Algo relacionado ao com o sol? Sai de minhas divagações quando notei sua respiração ficar mais rápida.
Era estranho ouvir meu relato dessa forma. Por isso acabei perdendo Bella de vista, seria uma tarefa árdua ficar constantemente na mente de Jessica. O pior, jamais imaginei o quanto seria difícil procura-la sem ter sua mente como guia, como se tudo já não fosse complicado o suficiente ainda tinha o sol me impossibilitando de seguir seu cheiro.
– Comecei a dirigir em círculos, ainda… ouvindo. – era estranhando ele falar somente “ouvindo” ao se referir a sua capacidade de ler a mente das pessoas. – O sol estava finalmente se pondo, e eu estava prestes a sair e te procurar a pé. E então... – ele parou sua frase ali.
Notei a mudança brusca em seu corpo, sua fúria era palpável.
Ouvindo pela minha versão os fatos só aumentou minha fúria assassina. Eu o queria eles mortos. Mas que isso, eu precisava deles mortos. Fiquei repetindo mentalmente que Bella não merecia um assassino ao seu lado para me convencer a ser bom para ela, tentando me acalmar.
Fiquei surpresa com sua mudança e dei seu tempo para continuar.
– Eu ouvi o que eles estavam pensando. – disse entre dentes, suas palavras pareciam um rosnado, seu lábio superior se curvando lentamente sobre os seus dentes – Eu vi seu rosto na mente dele. – ele se inclinou para frente de repente, um cotovelo aparecendo por cima da mesa, a mão cobrindo os olhos. O movimento foi tão rápido que me surpreendeu, tinha certeza que foi um gesto involuntário.
– Foi muito… difícil. Você não imagina o quão difícil foi para mim apenas te tirar de lá e deixá-los… vivos. – suspirou com sua voz abafada pelo seu braço.
Sim, Bella jamais saberia o ódio que senti para acabar com a vida daqueles miseráveis que ousaram pensar em lhe machucar e não era o único a pensar dessa maneira, Rosalie também queria acabar com a vida deles. Por mais nobre que fosse a atitude de Bella, no fundo ninguém conseguia entender suas motivações. Meus motivos eram claros, precisava merecer sua companhia.
Só uma coisa me passava pela cabeça.
Fiquei em estado de alerta e extremamente atendo ao que seria pronunciado a seguir, agora que foram confirmadas nossas suspeitas sobre não poder ter acesso em sua mente, qualquer informação era crucial.
A comida daqui era ótima!
Bati minha mão em minha cabeça num claro sinal de exasperação. Lá estava eu, contando meus pensamentos mais tortuosos e Bella apreciando o jantar. Tão humana.
Assim que terminei o maravilhoso jantar olhei em sua direção. Ele ainda estava com o rosto na mão, e estava tão imóvel que parecia uma escultura de pedra.
– Edward. – chamai baixinho. Ele fez um leve movimento com a cabeça, sinal de que estava me ouvindo. – Você sabe por que não queria que você tomasse nenhuma atitude... drástica? – foi a única palavra que encontrei para substituir assassinato. Ouvi seu suspiro e prossegui. – Você não pode fazer justiça com as próprias mãos, você não é Deus. Diga-me Edward, se você caçasse aqueles caras você acha que eles aprenderiam a lição?
Ele levantou sua cabeça rapidamente. – Aprender? Acha mesmo que eles vão aprender alguma coisa?
– Talvez sim, talvez não. – ignorei sua voz alta, falando em um volume normal. – Provavelmente não aprendam da noite para o dia, isso leva tempo. Cadeia não é um paraíso Edward, está mais para purgatório. Você consegue imaginar ser privado da sua liberdade por anos? – senti sua ira diminuir a medida que falava meus motivos. – Prefiro acreditar na mudança das pessoas a ficar imaginando que nunca terão solução. Prefiro imaginar que elas irão melhorar e aprender com seus erros do ficar pensando que isso nunca irá acontecer. – vi um olhar cético cruzar seu rosto e entendi o motivo. – Você pode me achar uma iludida otimista, mas eu prefiro isso a ser um pessimista irremediável. Já passei muito tempo da minha vida pensando das injustiças da vida e isso só me fez mal. Pelo menos vendo o lado bom eu me sinto feliz. – terminei com um pequeno sorriso. Sua expressão era ilegível.
Não era o único que não tinha palavras. A sala em silêncio. Esse tipo de pensamento podia imaginar em Carlisle, mas jamais em uma adolescente humano. É possível que Bella para de me surpreender? Ou melhor, é possível que ela seja real?
– Você é uma completa anomalia Bella. – falou baixinho com um brilho diferente no olhar.
Revirei meus olhos. – Vou fingir que é um elogio.
– Não tenha dúvidas que é. – murmurou. – Você está pronta pra ir para casa? – perguntou com a voz mais alta.
Fiquei na dúvida. Nem tinha pedido sobremesa. Por algum motivo optei por irmos de uma vez. – Vamos. – será que eles podiam embalar a sobremesa para levar?
O garçom apareceu e Edward pediu a conta. Antes dele se retirar perguntei.
– Tem sobremesa? – vi um brilho de diversão passar pelos olhos do garçom, quando Edward grunhiu audivelmente.
– Claro senhorita, o que vai pedir? – falou em uma extremamente formal.
Olhei rapidamente no cardápio antes de escolher. – Torta de morango, para levar. – pedi.
Pouco tempo depois o garçom voltou trazendo minha torta em uma pequena sacola e a conta entregou para Edward. Comecei a oferecer para dividirmos a conta, mas quando ele lançou seu Olhar-do-Mal para mim resolvi me calar. O Sr. Mandão era bom nisso.
Bufei com isso. Jamais deixaria Bella pagar um alfinete, muito menos um jantar que lhe convidei para ir. Só por ter desfrutado sua companhia não tinha preço.
Ele abriu a porta do passageiro novamente, segurando ela pra mim enquanto eu entrava no carro.
Dentro do carro, ele ligou o motor e colocou o aquecedor no máximo. Tinha esfriado muito, estava feliz por ele ter cedido seu casaco. Preferi não manifestar isso em voz alta. Seu tom de “mãe” não era muito agradável.
Sorri levemente com isso. Pelo menos tinha acertado no casaco.
– Já respondi suas perguntas. Agora – disse significantemente – É a sua vez.
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