Uma Segunda Chance
6 Capítulo 5
Notas iniciais
“- Eu leio. – disse Carlisle para evitar maiores aborrecimentos. Ele pegou o diário e procurou a folha onde tinha parado e começou a ler.”
Quando abri os olhos de manhã, havia algo diferente. Olhei pela janela do meu quarto, a luz de fora era estranha, ainda era a luz verde-acinzentada de um dia nublado na floresta, mas de certa forma estava mais clara. Percebi que não havia um véu de neblina na minha janela.
Pulei da cama para olhar para fora.
Uma fina camada de neve cobria o jardim, acumulava-se no alto do meu carro e deixava a rua branca. Era uma paisagem linda. Fiquei um minuto observando a paisagem branca pela primeira vez querendo guardar na memória para tentar desenhar depois. Fiquei apreciando aquele momento com calma, o jeito em que a neve encobria os galhos das árvores e o chão, dando uma nova coloração da tão esverdeada Forks.
– Apreciando? Ah, por favor, é só neve – reclamou Rose.
– Ela gosta de desenhar Rose, é normal apreciar a paisagem. – Esme ponderou. Fazendo Rosalie bufar contrariada.
Charlie saíra para o trabalho antes que eu descesse ao primeiro andar. Geralmente eu fazia seu café antes de sair para minha corrida matinal, mas eu não enfrentaria esse frio. Pensando nisso quase gemi ao pensar em tomar banho.
Levei toda minha roupa para o banheiro, numa tentativa frustrada de conseguir me vestir o mais rápido possível e não sentir os efeitos da neve no clima. Foi uma verdadeira batalha eu conseguir sair do chuveiro. A água era tão quentinha e quando eu desligava o chuveiro estava um frio de bater os queixos, então eu voltava a ligar o chuveiro, perdi as contas de quantas vezes fiz isso, até lembrar que tinha que ir para escola.
– Agora entendo porque ela não gosta do frio. –murmurei um pouco triste. O simples fato dela não gostar disso me deixou... decepcionado? Reação estranha.
– Ela é acostumada com o calor filho, o corpo demora a se adaptar. Da mesma forma que se ela vivesse aqui, ela ia achar muito quente a cidade em que morava. – Carlisle disse em um tom profissional. Quando a matéria era o corpo humano Carlisle era o especialista. Ele sempre lidou com os humanos de perto e seus séculos como médico também contribuem para seus conhecimentos, bem diferente de nós que socializamos o mínimo possível.
Engoli rápido um copo com suco. Enquanto comia os dois sanduiches que eu tinha feito, eu preparava três panquecas para devora-las em seguida, por último joguei na bolsa umas barrinhas de cereais, caso eu sentisse fome.
– Ela realmente come muito! – Carlisle murmurou impressionado. Tentei forçar minhas memórias para a hora do almoço, e realmente eu não me lembrava das garotas comerem tanto, mas nunca dei importância para isso.
Sair de casa foi outra batalha. Estava quase desistindo de sair, ficar em baixo das cobertas parecia tremendamente tentador, não sabia de onde vinha essa vontade súbita de ficar em casa, mas algo me dizia que o único culpado não era o frio. Parece que meu corpo pedia para eu não ir para aula, mas como Charlie provavelmente não aceitaria essa desculpa resolvi ir mesmo assim.
Ao abrir a porta senti uma rajada de vendo frio e fechei a porta rapidamente. Estava muito frio! Como as pessoas moravam no polo norte era um mistério para mim. Respirei fundo e dei alguns pulinhos para me aquecer. Quando me senti pronta, abri a porta e corri para o carro o mais rápido que consegui. Fiquei tão orgulhosa de mim por conseguir tal proeza. Fiz tudo rápido sem destruir nada pelo caminho e o mais importante sem sentir muito o efeito do frio.Meus parabéns, agora me diga grande orgulho da humanidade, onde você pretende escrever se seus cadernos ficaram em cima do sofá para você dá seus lindos pulinhos de aquecimento?Oh minha querida fada do dente, por que minha vadia interior sempre tem que estar certa? Respirei fundo e fiz o mesmo processo para entrar em casa. Peguei meus cadernos e corri para o carro o mais rápido que consegui. Só por curiosidade, eu sei que os níveis de violência em Forks são quase nulos, mas você pretende mesmo deixar a porta aberta?Praguejei internamente e fiz uma nota mental de comprar uma porta automática. Tranquei a porta e fui correr de volta para o carro. Pelo menos esse era o plano, mas claro que eu já tinha gastado minha cota de sorte do dia, então acabei derrapando no piso e cai de bunda no chão. Eu sem dúvidas peguei o anjo da guarda mais preguiçoso da história! Se ele teve algum dia uma vida terrena ele era funcionário público e trabalhava por cota. Acho que ele devia pensar: “te ajudei duas vezes hoje, na terceira você se vira!” Custava me deixar cair na neve? Lá pelo menos tinha amortecedor.
Ninguém conseguiu parar de rir. Bella tinha pensamentos absurdos.
Subi no carro e verifiquei três vezes para ver se não faltava nada, liguei o aquecedor no máximo para não congelar. Finalmente conseguir seguir caminho rumo à escola, por algum motivo continuava com a estranha sensação que não deveria ir. Senti um arrepio que nada tinha a ver com a temperatura de fora. Tentei convencer a mim mesma que estava ficando neurótica e tentando tomar cuidado com as estradas. Nunca tinha dirigido na neve antes, mas por algum motivo não estava tendo problemas. Cheguei à escola sem problemas. Ao sair do carro uma coisa prateada atraiu meus olhos e andei até a traseira do meu carro para examinar os pneus.
Havia neles correntes finas formando losangos. Charlie se levantara cedo, sabe-se lá a que horas, para colocar correntes de neve no meu carro.
Minha garganta de repente se apertou. Eu não estava acostumada com alguém cuidando de mim, era eu quem cuidava dos outros e a preocupação muda de Charlie me pegou de surpresa.
– Ela sempre cuidou dos outros. – Carlisle disse com uma voz que era cheia de admiração. Esse simples pensamentos me fez ficar encantado, com ela sentir tanta emoção com um gesto tão simples. Esme estava emocionada também com a relação de pai e filha crescendo a cada dia.
Senti uma vontade de proteger e cuidar desse ser humano. Ela era tão nova para ter tanta responsabilidade.
Ainda estava parada lutando para reprimir a onda de emoção que as correntes de neve me provocaram, quando ouvi um som estranho. Foi um guincho agudo e estava se tornando rápido e dolorosamente alto.
Ficamos apreensivos com isso. De repente o pressentimento de Bella simplesmente parecia ter sentido.
Olhei para cima, sobressaltada. Vi várias coisas ao mesmo tempo. Nada estava se movendo em câmera lenta, como acontece nos filmes.
Em vez disso, o jato de adrenalina parecia fazer com que meu cérebro trabalhasse muito mais rápido, e eu pude absorver simultaneamente várias coisas em detalhes nítidos. Vários alunos estavam espalhados, o que mais me chamou a atenção foram os olhos apavorados de Edward Cullen parado a quatro carros de mim. Mas de importância mais imediata foi a van azul-escura que tinha derrapado, travado os pneus e guinchado com os freios, rodando como louca pelo gelo do estacionamento.
Ia bater na traseira do meu carro e eu estava parada entre os dois carros.
Ouvi ofego de surpresa. Ficamos todos imediatamente preocupados.
Minha mente ficou momentaneamente em branco e tudo que eu pensava era "Ela não!"
Não tinha tempo nem de fechar os olhos. Pouco antes de ouvir o esmagar da van sendo amassada, alguma coisa me atingiu, mas não da direção que eu esperava.
Entrei em pânico ao pensar em qualquer dano acontecendo a Bella. Não podia ser verdade.
Minha cabeça bateu no asfalto gelado e senti uma coisa sólida e fria me prendendo no chão. Eu estava deitada atrás do carro caramelo estacionado ao lado do meu. Mas não tive oportunidade de perceber mais nada, porque a van ainda vinha. Raspara com um rangido na traseira do meu carro e, ainda girando e derrapando, estava prestes a bater em mim de novo. Um palavrão baixo me deixou ciente de que alguém estava comigo e era impossível não reconhecer a voz de Edward. Duas mãos longas e brancas se estenderam protetoras na minha frente e a van estremeceu até parar a trinta centímetros do meu rosto, as mãos grandes criando um providencial amassado na lateral da van. Depois as mãos mexeram-se com tal rapidez que pareciam um vulto. Uma estava repentinamente agarrada sob a van e alguma coisa me arrastava, balançando minhas pernas como as de uma boneca de trapos, até que elas atingiram o pneu do carro caramelo. Um gemido metálico feriu meus ouvidos e a van parou, estourando o vidro, no asfalto – exatamente onde, um segundo antes, minhas pernas estiveram.
– Eu não acredito que você nós expôs dessa maneira. Você é um irresponsável Edward! – Berrou Rosalie indignada. Eu ainda estava em choque para responder qualquer coisa.
– Acalme-se Rose eu já disse para não tomarmos nenhuma atitude precipitada! – Carlisle falou e continuou a leitura.
Por um segundo o silêncio foi absoluto, antes que começasse a gritaria. No tumulto repentino, eu podia ouvir mais de uma gritando meu nome. Mas com mais clareza ainda, podia ouvir a voz baixa e frenética de Edward Cullen no meu ouvido.
– Bella? Está tudo bem? – me perguntou um pouco frenético. Lembranças antigas começaram a rondar minha mente, com muito esforço consegui reprimi-las e lhe responder.
– Eu estou bem. – Minha voz parecia estranha. Tentei me sentar e percebi que ele me segurava junto à lateral de seu corpo num aperto de aço.
– Ui ui... me aperta de jeito minha cacatua! – Emmett disse com uma voz afeminada. Rosnei para ele.
– Emmett respeite seu irmão – Esme falou o repreendendo. Em seus pensamentos ela estava emocionada por eu ter salvado a Bella e a ter tão próxima a mim. Revirei os olhos com isso. Só podia sentir alívio ao saber que ela estava bem.
– Cuidado – alertou ele enquanto eu me esforçava. – Acho que você bateu a cabeça com força.
Agora que ele falou isso eu percebi uma dor latejante acima da orelha esquerda.
– Ai – eu disse, surpresa. Porque ele tinha que me avisar? Eu podia descobrir alguns minutos depois, precisava acelerar o processo?
– Como ela não sentiu que tinha batido a cabeça? – perguntei incrédulo.
– O corpo dela ainda está sentindo a adrenalina, ela sentiria as dores eventualmente quando seu corpo “esfriasse”. – disse sorrindo com o duplo sentindo da frase. Revirei os olhos novamente, eu sabia que eu ia esfriar o corpo da Bella com minha pela fria. Tentei imaginar qual seria a sensação de ter seu corpo colado ao meu. – Isso é bastante comum, como você a avisou ela sentiu a dor mais rápida. – disse me tirando dos meus devaneios.
– Foi o que eu pensei. – Pela voz dele, tive a surpreendente impressão de que ele reprimia o riso. Isso... se diverte com a dor alheia, queria ver se fosse ele que... espera... pensando nisso me lembrei e fui logo falando.
– Como foi que… – tentei clarear a mente, tentando me orientar, minha cabeça estava realmente doendo. – Como foi que chegou aqui tão rápido?
– Oh não Edward, com tantas pessoas no mundo você foi salvar justo a mais observadora? – Jasper perguntou meio que gemendo. Ele começou a imaginar os problemas que teríamos e pensou em como me impedir caso isso viesse a acontecer. Fiquei com raiva disso e Jasper sentiu na hora minha mudança de humor, me olhando com a sobrancelha arqueada.
– Eu estava bem do seu lado, Bella – disse ele, o tom sério novamente. Ele é louco? Eu lembro de que ele estava afastado e num piscar de olhos estava ao meu lado. Como se viesse voando. De repente a semelhança entre ele e a cacatua não se resumiam ao cabelo.
Ouvi risinhos. Revirei os olhos novamente.
Eu me virei para me sentar e desta vez ele deixou, afrouxando o abraço em minha cintura e deslizando para longe de mim, o máximo que permitia o espaço limitado. Olhei para a sua expressão preocupada e inocente por uns instantes.
E depois eles nos acharam uma multidão de gente com lágrimas descendo pelo rosto, gritando uns com os outros, gritando para nós. Nossa! Pelo visto, esse seria o acontecimento do ano nessa escola que nada acontece. Acho que eles deveriam me agradecer por dar tanto entretenimento para eles em anos. Aluna nova – checado. Mãe com um passado escandaloso na cidade – checado. Vítima em acidente de carro – checado. Acho que acabo de compreender as lágrimas, se algo me acontecesse de quem falariam mal? Bufei internamente odiando a falsa atenção recebida.
Tentei me levantar, mas a mão fria de Edward puxou meus ombros para baixo. Lancei meu melhor olhar irritado para ele e tentei passar a mensagem “qual o problema agora cacatua me deixa levantar e vai procurar o que fazer, que tal voar por aí ou botar um ovo?”.
Eu nunca escaparia disso. Nem me surpreendi com as gargalhadas que recebi. Só mesmo a Bella para fazer a tensão da sala se dissipar tão rápido, ela nem precisa do dom de Jasper para conseguir amenizar toda nossas preocupações. Mas, tinha que sempre sobrar para mim o motivo de chacota?
– Fique quieta por enquanto. – claro ele diz isso por não ser a bunda dele congelando no asfalto.
– Mas está frio. – reclamei. Fiquei surpresa quando ele riu baixinho. Primeiro ele rir quando eu bato a cabeça e agora quando estou quase tendo uma hipotermia. Depois ainda dizem que quem tem um humor negro sou eu.
– De tantas coisas que ela poderia reclamar como, por exemplo, quase ser atropelada por uma van e ela fala do frio, isso que eu devia ter achado engraçado, eu não estava desmerecendo suas reclamações. – disse me defendendo. – E se alguém aqui tem humor negro é o Emmett. – acusei. Apenas recebi alguns sorrisos. Qual era o problema deles?
– Você estava lá – lembrei-me de repente, e o riso dele parou num instante. – Você estava perto do seu carro.
A expressão dele ficou séria.
– Não estava não. – como ele pode mentir para mim desse jeito? Eu o vi perfeitamente, seu olhar apavorado me chamou a atenção, era como se ele soubesse que isso iria acontecer.
– Vi você. – Tudo em nossa volta era um caos. Eu podia ouvir as vozes mais rudes de adultos que chegavam na cena. Mas, obstinadamente, me prendi a nossa discussão; eu estava certa e ele tinha que admitir isso.
– Isso vai ser divertido. – Emmett comentou, como se tivesse falando de um programa de TV qualquer e não na situação delicada que nos encontrávamos. Olhamos para ele perplexos. – Só eu que enxergo o que vai acontecer? – continuamos o encarando – Gente a Bellinha é uma das pessoas mais inteligentes e observadoras que eu conheço. Como vocês acham que o Sr. Eu Sei de Tudo Por que Posso Ler a Mente das Pessoas vai se sair não podendo ler a mente dela? Nosso Ed vai ficar desesperado. – e começou a rir. Não sei como ainda posso me surpreender do Emmett rir das desgraças da minha vida.
– Bella, eu estava parado do seu lado e tirei você do caminho. – Ele me olhou com olhos penetrantes, como se tentasse comunicar alguma coisa crucial.
– Não. – Finquei pé.
– Eu disse que você não tem poder nenhum sobre ela como tem com os outros humanos Ed – Emmett brincou, ainda rindo de minha situação.
O ouro em seus olhos inflamou.
– Por favor, Bella. – pediu suplicante.
– Por quê? – perguntei. Não entendendo onde ele queria chegar.
– Confie em mim – pediu ele, a voz suave e dominadora. Algo em seu tom de voz me fez recuar um pouco. Será que eu devia confiar nesse estranho?
Agora eu podia ouvir as sirenes. E isso me deu uma grande apreensão, não gostava desse som.
– Que garota estranha, sentando ao lado de um vampiro que já matou centenas de pessoas e fica apreensiva com um som de sirene – Rosalie comentou normalmente me fazendo trincar os dentes por ela trazer meu passado vergonhoso à tona de forma tão despreocupada.
– Promete que vai me explicar tudo depois? – eu precisava entender o que estava acontecendo, se ele queria a minha confiança teria que confiar em mim também.
– Tudo bem – rebateu ele, repentinamente exasperado.
– Combinado – falei.
Foram necessários seis paramédicos e dois professores – o Sr. Varner e o treinador Clapp – para afastar a van de nós o bastante para que as macas entrassem. Eu não queria uma maca, eu odiava maca.
– Ela é insana, porque odiar a pobre da maca? – Emmett indagou. E eu dei razão a ele. Bella Swan definitiva não faz sentido algum.
Edward recusou veemente a dele e eu tentei fazer o mesmo desesperadamente, mas o traidor lhes disse que eu tinha batido a cabeça e devia ter uma concussão. Eu queria gritar com todas as minhas forças que não queria ir para o hospital nenhum, eu olhei para o Edward implorando com o olhar para ele calar a maldita boca e me deixar ir para casa, mas ele simplesmente me ignorou. Fiquei com tanta raiva dele por ter aberto a matraca que eu tinha vontade de lhe socar. Só reprimir essa vontade porque se uma van não conseguiu fazer nenhum dano nele, imaginei que meus socos seriam menos eficientes. Tentei me livrar sozinha de todos os paramédicos e quando um veio colocar aquele maldito protetor de pescoço eu o joguei longe.
– Se você não quiser sair voando igual aquele maldito protetor você fodidamente vai ficar longe de mim! – quase rosnei para o paramédico. Ele ficou momentaneamente boquiaberto e concordou uma vez com a cabeça, mas acabou me mandando entrar na ambulância e me deitar na maca, já que o Sr. Eu-não-consigo-manter-minha-boca-fechada disse que eu tinha batido a cabeça.
– Acho que é a primeira vez que vejo a Bellinha chamar um palavrão. Não entendo que foi dirigida a um simples protetor, deveria ser em direção a você Edward. – Emmett comentou com um largo sorriso. – Agora falando sério, é impressão minha ou ela estava mais preocupada em ir ao hospital do que com o fato do Edward ter levando uma van? – Ninguém entendeu seu surto por usar uma maca e um simples protetor. Ela bateu a cabeça o que ela queria que eu fizesse? Eu estava realmente preocupado.
Eu estava prestes a retrucar, mas para piorar as coisas, o chefe Swan chegou antes que eu conseguisse fugir da ambulância.
– Bella! – gritou ele em pânico quando me reconheceu perto da ambulância.
– Eu estou bem, Char… pai – eu suspirei. – Não há nada de errado comigo. – eu sabia que era uma batalha perdida, não queria causar preocupação para o Charlie. Ele não merecia isso. Respirei fundo e fui para a ambulância, mas antes dei uma olhada ao redor e localizei a família de Edward, olhando à distância, com expressões que iam da censura à fúria, mas sem a menor sugestão de preocupação pela segurança do irmão.
Eu tive ainda a oportunidade de ver o amassado fundo no para-choque do carro caramelo – um amassado muito distinto, que combinava com os contornos dos ombros de Edward…
– Acho que não sou o único que não sabe disfarçar. – falei a todos.
– Como você queria que nós estivéssemos depois da sua ação? Felizes e contendes? – me perguntou Rosalie rudemente.
Tentei me concentrar no que tinha acontecido e não que eu estava dentro de uma ambulância, deitada em uma maca para ir ao hospital. Isso não funcionou, meu coração acelerou e eu estava quase tendo um ataque de pânico. Tentei respirar fundo, várias vezes, não adiantou. Não, por favor, agora não! Implorava mentalmente, mas o pânico dominava o meu corpo. Meu coração começou a acelerar. E quando menos esperei as memórias simplesmente vieram à minha cabeça sem minha permissão.
...
– Como você está? – Steve me perguntou sério, só que o canto de seus lábios tremeu. Claramente ele tentava com muito esforço não sorrir.
– Bem – murmurei com a mão na cabeça.
– Acho que temos uma concepção bem diferente então, porque sinceramente você não me parece nada bem, na realidade, se eu for bem sincero você parece uma merda. Com todo o respeito. – como eu imaginava ele começou a rir de mim.
– Para sua informação é errado rir de pessoas no meu estado.
– Achei que tinha ouvido você dizer que estava bem. – continuou sorrindo.
– Minha cabeça parece que vai explodir de tanto que dói, minhas pernas parecem gelatina e se você continuar rindo alto desse jeito, assim que eu conseguir descobrir qual os dois de você é o verdadeiro eu te bato! – murmurei ainda tonta. Isso só o fez rir mais.
– Desculpe bonequinha, não queria rir de você, só que você bêbada é muito engraçada!
– Eu não estou mais bêbada, já estou quase sóbria, acho que você pode chamar isso de ressaca. Como você me deixou beber daquele jeito? Você sabia que eu nunca tinha colocado um pingo de álcool no meu corpo! Você é mau!
– Culpe você mesmo Srta. Eu-nunca-perdi-uma-aposta. O que deu em sua cabeça para aceitar beber tequila daquele jeito? – falou incrédulo. – Você sabia que eles queriam lhe provocar, sorte sua que sua mãe não viu.
– Sabe você não devia me dar sermões, é meu aniversário você tem que me tratar bem, além do mais eu sou uma adolescente é quase meu dever fazer coisa errada. E só para constar, eu ganhei a aposta! – disse sorrindo.
– Você acabou de completar 15 anos! – falou um pouco alto e eu gemi com isso. – Desculpe, vou falar mais baixo. – ele olhou no relógio. – A propósito, quero ser o primeiro a lhe desejar, parabéns. Feliz Aniversário minha bonequinha!
– Ok, eu sei que bebi demais, mas nem tanto, acho que ganhei milhares de parabéns desde ontem, já que minha querida mãe achou ser uma ideia genial fazer meus quinze anos na véspera para passar os primeiros minutos do meu aniversário comemorando. Ela só não contava que eu provavelmente vou passar o resto dele dormindo, pois sinceramente não tenho forças nem para andar em linha reta. Então me desculpa por estourar sua bolha, mas você não é o primeiro a me dá parabéns, na realidade é o último! Porque não me deu parabéns à meia-noite? Achei que iria querer ser o primeiro. – disse um pouco magoada e fazendo um bico.
– Acabou o drama? – aumentei o bico – Olhe para mim bonequinha. – ele parou o carro no acostamento. Quando olhei de volta sua expressão era intensa. – Isso, agora ouça, são 05:46 h e você nasceu às 05:45 h então sim eu sou o primeiro a lhe desejar parabéns, porque foi a essa hora há 15 anos que você nasceu. Então eu tenho que além de lhe dar parabéns agradecer a qualquer entidade lá de cima por permitir que uma criatura tão linda e encantadora como você nascesse e fizesse parte de minha vida. Eu sei que já lhe falei antes, mas eu não canso de agradecer o dia que uma garotinha apareceu invadindo minha sala. Você não faz ideia como eu não passava de um homem solitário. Você encheu minha vida de luz, de esperança e amor. Eu sou grato por cada momento que me foi concedido a estar ao seu lado, até mesmo agora vendo sua primeira ressaca, querendo me bater e aturando seu mau-humor, eu sou grato! Porque simplesmente a sua companhia me faz sorrir. Eu amo você, espero que todos seus sonhos se realizem e que seja a pessoa mais feliz do mundo, pois você merece! – eu fiquei com os olhos cheios de lágrimas nesse momento.
– Obrigada Steve, eu amo você, muito. Eu sempre lhe considerei como meu segundo pai. Eu não sei o que seria de mim sem você! Você me ensinou tudo que eu sou hoje e meu maior presente é ter você em minha vida. – ele também tinha lágrimas nos olhos e nos abraçamos por um longo momento.
– Ok, agora chega que vou lhe levar para seu presente.
– Eu já disse que eu não quero nada Steve, ter você em minha vida é o suficiente. Eu ganhei mais do que eu poderia pedir. Eu tenho você e a mamãe e além de tudo a apresentação foi perfeita, nem consigo acreditar. Eu não vejo a hora de me apresentar de novo. – disse sorrindo e esquecendo a dor de cabeça.
– É claro que você pode acreditar, você é uma bailarina excepcional. Sua mãe chorou feito um bebê por sinal! – disse brincando.
– É claro que Dona Renné iria chorar. Só que eu nunca achei que seria escolhida para o papel principal de O quebra-nozes. Achei que iam querer alguém mais experiente.
– Você é experiente, pode ser nova, mas experiência tem de sobra. Acaba de completar 15 anos e já está enfrentando a primeira ressaca. – disse com um sorriso no rosto.
– Eu não posso acreditar que você ainda está achando graça! Você devia estar brigando comigo por ter bebido. – disse incrédula do quanto ele estava se divertindo.
– Desculpe, mas é engraçado, nem acredito que você já cresceu tanto. Agora porque você não dorme um pouco ainda vamos demorar um pouco para chegar.
– Ok, só para constar eu não gosto desse carro, eu gosto mais do nosso cadillac. Agora que finalmente terminamos achei que você só iria dirigir ele – disse sorrindo.
– Eu sei o que você quer dizer, não estou acostumado com esse carro, para piorar esse cinto está me incomodando, parece que ele vai me enforcar, nem consigo me mexer direito. – disse Steve puxando o cinto para frente como se quisesse arranca-lo.
– Sabe seria vergonhoso ser enforcado por um cinto. – disse sorrindo e me acomodando melhor no banco para dormir um pouco.
...
Acordei com um alto barulho de buzina. Abri os olhos rapidamente tudo aconteceu tão rápido que só consegui registrar um olhar de pânico de Steve ao meu lado, seguindo de uma forte luz bem na minha frente. Steve tentou desviar do carro da frente, mas perdeu o controle quando ele chocou na lateral do nosso carro empurrando para longe da estrada, eu senti quando capotou uma, duas, três vezes, eu estava perdendo a consciência rapidamente.
...
Tentei lutar contra a escuridão, foi uma luta em vão.
...
Acordei com a dor aguda na minha perna que rapidamente se alastrou por todo o meu corpo. Abri os olhos lentamente tentando entender, o que estava acontecendo, eu me encontrava de cabeça para baixo. Olhei ao redor, torcendo para tudo não passar de um pesadelo, meu corpo todo dolorido era real demais para não ser verdade. Quando olhei ao redor fiquei alarmada, Steve não estava lá, onde ele estaria? Será que tinha ido pedir ajuda?
O vidro da frente estava quebrado e com sangue, com espaço para uma pessoa passar. O cinto! Não, ele não tiraria o cinto! Eu precisava sair de lá ele poderia ter se machucado.
Tirei o meu cinto e fiquei pendurada só pela minha perna. Gritei. Ela estava presa nas ferragens então precisei puxa-la, com algumas tentativas e um pouco de força eu consegui. Reprimi o grito. Não deixaria a dor me dominar, a ignorei com um único objetivo: Steve. Precisava ser rápida. A dor deixaria para depois.
Eu sentia que ele precisava de mim. Não podia passar pelo vidro, além de me cortar o espaço era pequeno por causa das ferragens. Tinha que passar pela porta, o problema era que estava travada e precisei empurrar com a ajuda de meus ombros até conseguir espaço suficiente para passar. Cada vez que empurrava mais dor sentia. Reprimi as lágrimas e tentei com mais força até que ela cedeu um pouco. Fui rastejando pela grama, não conseguia ficar de pé. Consegui ver um corpo mais ou menos a 40 metros. Pareciam quilômetros, quanto mais rápido eu tentava, parecia que o corpo se afastava. Quando estava chegando perto eu vi que era o meu Steve. Cheguei bem perto dele, podia sentir o forte cheiro de sangue, ele estava com vários cortes no rosto e corpo. Tinha muito sangue em todos os lugares. Fiquei desesperada.
– Steve, acorda! Por favor, você precisa acordar! Abre os olhos para mim, sou eu! – pedi acariciando o seu rosto. Eu tinha medo de tocar em qualquer lugar e causar mais algum dano. – Olha para mim, por favor! – eu pedi. Fiquei acariciando seu rosto até que ele abriu levemente os olhos.
– Minha bonequinha – sussurrou.
– Eu estou aqui. Você precisa ficar acordado, o socorro já deve estar a caminho! – disse tentando tranquiliza-lo e rezando para que viessem nos ajudar logo.
– Bonequinha eu quero que me ouça com atenção – disse Steve com a voz baixa – Eu não tenho muito tempo.
– Não! – Gritei desesperada. – Vamos conseguir Steve, eu sei que vamos! – disse chorando.
– Minha bonequinha, eu quero que me prometa que você será feliz. Que não importa o que aconteça você vai tentar ser feliz. Você nasceu para ser feliz. Quando você estiver em dúvida entre a razão e o que vai em seu coração escolha sempre o seu coração, me prometa bonequinha.
– Você prometeu sempre estar ao meu lado!
– E eu vou estar minha bonequinha, mas de outro jeito. Eu sempre estarei contigo, mas não em corpo, agora eu quero que me prometa. Eu não terei paz enquanto não tiver a sua promessa.
– Eu prometo. Mas você vai estar ao meu lado para me cobrar – tentei sorri.
– Obrigado... eu amo você... bonequinha...
Eu fiquei abraçada a Steve e segurando a sua mão. Eu não sai do seu lado nenhum minuto. Eu podia ouvir vozes falando comigo, mas não me importei. Ainda estava esperando ele abrir os olhos. Continue olhando para seu rosto sereno, ele tinha um pequeno sorriso no rosto como se estivesse em paz. Foi quando senti alguém me puxando, me tirando de perto do homem que eu considerava como um pai. Gritei, esperneei, de nada adiantou, colocaram algo no meu pescoço e me aplicaram alguma injeção para me levarem para uma ambulância. Eu tentei implorar para não me afastarem dele, ninguém me ouvi. Sentia que se eu saísse do lado dele eu o perderia. Ninguém pareceu se importar, apenas querendo me colocar na ambulância a qualquer custo.
Não sabia o que eles tinham me dado, mas estava me fazendo sonolenta, minhas reclamações viraram apenas sussurros. Então eu apaguei.
...
Meus olhos pesavam, meu corpo doía, não sabia onde estava. Tentei abrir meus olhos, porém as luzes machucaram. Tentei de novo devagar. Até que consegui. Tinha um senhor ao meu lado com uma prancheta nas mãos.
– Boa tarde Srta. Swan. Finalmente acordou. – Falou com uma voz amigável. Ele deve ter notado minha confusão.
– Você está internada aqui há 23 dias. – minha confusão aumentou. O que tinha acontecido?
– Você sofreu um acidente de carro, tivemos que opera-la com urgência. Seu estado era grave, você perdeu muito sangue. Você quebrou duas costelas, seu ombro direito estava deslocado, uma concussão grave na cabeça e sua perna direita quebrou em 3 partes. É uma lesão gravíssima na perna e você precisará fazer fisioterapia para poder voltar a andar. Isso levará alguns meses. Depois da cirurgia você entrou em coma e só acordou agora. – minha cabeça girava com tantas informações. Até que tudo fez sentido. Carro. Acidente. Steve. Não! Tentei falar, minha garganta ardia e nada saia.
– Aqui tome isso. – me ofereceu um pouco de água com um canudo.
– Steve – foi tudo que sussurrei. Sua expressão mudou e vi um pesar em seu rosto. Antes de falar qualquer coisa eu já sabia a resposta.
– Eu sinto muito, ele não resistiu. – falou o médico e eu quebrei.
...
Sai das minhas memórias com um tagarelar sem fim ao meu lado.
O silêncio era tudo que se ouvia na sala. Ninguém ousou falar uma palavra. Até mesmo Emmett não fez nenhum comentário. Tudo fez sentido, a sua recusa veemente ao protetor de pescoço, o fato de não querer entrar na ambulância, como se recusava a ir ao hospital e não usar a maca. Ela suplicou com meu “eu” do diário e ele não a ouviu. Eu sou um estúpido! Sempre causando mais dor a Bella do que o necessário. Tenho certeza que seus olhos devem ter me implorado e eu recusei seu pedido.
– Eu não consigo acreditar. – Carlisle quebrou o silêncio. – Na situação dela ela não poderia nem se mexer! – ele estava incrédulo. – Tenho certeza que ela deslocou o ombro tentando abrir a porta. Quebrar um osso é uma dor insuportável, como essa menina saiu do carro e percorreu 40 metros? Ela deveria amar demais esse homem, não há outra explicação. – Novamente ninguém falou nada, só imaginando a dor que ela passou e Carlisle voltou a ler ainda impressionado.
Ao lado do meu leito. Reconheci Tyler Crowley, de minha turma de educação cívica, atrás das ataduras sujas de sangue que envolviam firmemente sua cabeça. Tyler parecia cem vezes pior do que eu. Mas olhava angustiado para mim.
– Bella me desculpe!
– Me desculpe? Ela poderia estar morta agora e tudo que esse idiota fala é “me desculpe”? – disse indignado. Emmett concordava comigo ele estava se apegando a Bella.
– Eu estou bem, Tyler… Você parece péssimo, está tudo bem com você? – Enquanto falávamos, enfermeiras começaram a desfazer sua atadura encharcada, expondo uma miríade de cortes superficiais em toda a testa e na bochecha de Tyler.
Ele me ignorou. Continuando seu tagarelar infinito.
– Achei que ia matar você! Eu estava indo rápido demais e derrapei no gelo… – Ele gemeu quando uma das enfermeiras começou a limpar seu rosto. Que homem frouxo, ele nem precisaria de pontos.
– Não se preocupe com isso, você não me acertou. – falei torcendo para que ele ficasse calado.
– Como foi que saiu do caminho tão rápido? Você estava lá e de repente tinha sumido… — yeah... doce ilusão, ele não iria calar a boca. Se eu pedisse para a enfermeira colocar um esparadrapo na boca dele será que elas se incomodariam muito? Talvez elas até ficassem feliz em me atender. Eu já vi crianças fazerem menos escândalos do que ele.
– Hmmm… Edward me puxou de lá. – eu disse a verdade. Edward me tirou do caminho tão rapidamente que nem Tyler conseguiu ver.
Ele parecia confuso.
– Quem?
– Edward Cullen… Ele estava do meu lado a tempo de me tirar do caminho. – Eu sempre menti muito mal, então optei por editar a verdade.
– Cullen? Não o vi… Caramba acho que foi tudo tão rápido. Ele está bem?
– Acho que sim. Está em algum lugar por aqui, mas ninguém o obrigou a usar uma maca. – na realidade ele me obrigou a usar uma maca, me fazendo lembrar coisas que eu não queria. Eu geralmente consigo reprimir esse dia da minha memória, mas estar envolvida em um acidente de carro, envolvendo maca, protetor de pescoço, ambulância e hospital é demais para qualquer mente.
Eles me levaram de novo na maca, para uma radiografia da cabeça.
Eu lhes disse que não havia nada de errado e tinha razão. Nem uma concussão. Perguntei se podia sair, eu precisava sair daquele lugar, mas a enfermeira disse que primeiro teria que falar com o médico. Então fiquei presa na emergência, esperando, atazanada pelas desculpas constantes de Tyler e suas promessas de que iria me compensar. Quase disse que se ele ficasse calado já estaria me compensando. Olhei ao meu redor, nada, as enfermeiras levaram todos os esparadrapos, não achei nada grande o suficiente que desse para jogar na cabeça do Sr. Eu-não-consigo-calar-minha-maldita-boca ao meu lado. Não importava quantas vezes eu tentasse convencê-lo de que estava bem, ele continuava a se atormentar. Por fim, fechei os olhos e o ignorei. Ele continuou num murmúrio cheio de remorsos.
– Ela está dormindo? – perguntou uma voz musical. Meus olhos se abriram. Ao ouvir a voz do causador de meus tormentos. Estava rodeada de pessoas que não sabiam calar a boca. Pensei em dar para os dois um guia com dicas de “Momentos que devo ficar com minha imensamente grande boca fechada”.
– Uau Edward, acho que alguém não gosta de você! – Alice disse com um largo sorriso no rosto. Ignorei seu comentário, não gostava da ideia de causar raiva em Bella.
Edward estava parado ao pé do meu leito, com um sorriso malicioso.
– Aí, Edward, me desculpe… – começou Tyler. Se ele fosse comentar seu rosário de desculpes eu calaria a boca dele nem que fosse com um lençol.
Edward ergueu a mão para detê-lo.
– Sem sangue, sem crime – disse ele, lampejando os dentes brilhantes. Ele foi se sentar na beira do leito de Tyler, virado para mim.
– Você não se importou de Tyler esta ensanguentado? – Jasper estava incrédulo.
– Acho que estar ao redor da garota Swan lhe fez ter um grande autocontrole – disse Carlisle orgulhoso. Se o fato de estar ao redor de Bella me fez ter tanto autocontrole não queria nem pensar no efeito que seu cheiro teria para mim, para ignorar o sangue ao meu lado.
Sorriu novamente com malícia.
– E então, qual é o veredicto? – perguntou-me.
– Não há nada de errado comigo, mas não me deixam ir embora – reclamei. – Por que é que você não foi amarrado a uma maca como nós? Por sua culpa estou nessa maca caso você ainda não tenha notado. – disse com um pouco de raiva.
– Tem a ver com quem você conhece – respondeu ele, ignorando meu comentário. – Mas não se preocupe, eu vim libertá-la.
Depois um médico apareceu e minha boca se abriu. Ele era jovem, era louro… e era mais lindo do que qualquer astro de cinema que eu já vira. Santa mãezinha do bebê Jesus! Aquele sem dúvidas era o homem mais lindo que eu já tinha visto. Pela primeira vez eu quase não me arrependia de ter pisado em um hospital, se fosse para admirar aquele ser incrível, não ia me surpreender que pessoas se machucassem propositalmente apenas para serem atendidas por ele. Quem era aquele homem afinal?
– Ela só pode ter batido muito forte a cabeça. – Emmett falou indignado. – Como ela pode achar Carlisle mais bonito que eu?
– Obrigado Emmett – Carlisle levantou a sobrancelha para ele. Eu podia ver que ele estava um pouco constrangido com a descrição de Bella ao seu respeito. Esme sorria com o constrangimento dele e eu, bom eu estava com muita raiva. Jasper tentava esconder um sorriso e eu não sabia o porquê, sua mente estava pensando em coisas aleatórias. Bella tinha me achado o mais bonito, ela não me achava mais? Não gostei de pensar nessa hipótese.
– Então, Srta. Swan – disse o doutor numa voz extraordinariamente agradável –, como está se sentindo? – No céu? – Eu sou o Dr. Cullen. – Merda!
– Estou bem – disse. Tinha que ser casado? Ó vida difícil essa minha. Eu precisava conhecer a Sra. Cullen e perguntar onde ela o encontrou. Será que ele tinha um irmão? Oh, meu santo Antônio, por favor, que você não tenha jogado a fôrma que foi feito o Dr. Cullen fora!
Todos deram risadinhas com isso. Todos, menos eu. Minha raiva aumentava em cada palavra que Carlisle lia.
– Então Esme, vai dar dicas para Bellinha onde encontrar um Carlisle? – Emmett indagou sorrindo.
– Ele tem fôrma única, mas posso apresentar uma pessoa tão boa e bonito quanto ele. – Esme me olhou sugestivamente. Fiquei constrangido com isso, se eu pudesse corar sem dúvidas estaria vermelho agora.
Ele foi até o quadro de luz na parede acima de minha cabeça e o ligou.
– Sua radiografia parece boa – disse ele. – Está com dor de cabeça? Edward disse que bateu com muita força. – acho que vou precisar imprimir o manual para seu filho linguarudo o mais rapidamente possível.
– Eu estou bem – disse entre dentes, lançando um breve olhar zangado para Edward.
Os dedos frios do médico sondaram de leve meu crânio. Ele percebeu quando estremeci.
– Dolorido? – perguntou ele.
– Na verdade não. – Já senti coisas piores.
– Infelizmente ela tem razão – Carlisle falou.
Ouvi uma risadinha, olhei e vi o sorriso complacente de Edward. Meus olhos se estreitaram. Agora que olhei para ele lembrei o que aconteceu. Olhei novamente para o Dr. Cullen. Cullen pai – Cullen filho. Eles eram diferentes e ao mesmo tempo parecidos. Examinei melhor um depois o outro. Pele extremamente branca – Checado. Olhos da estranha coloração dourado – Checado. Mãos extremamente frias – checado. Hum...
– Observadora demais. – murmuramos todos juntos.
– Bem, seu pai está na sala de espera… Pode ir para casa com ele agora. Mas volte se sentir vertigem ou tiver qualquer problema de visão. – quase rir para ele. Eu só voltaria para o hospital amarrada. Sinto muito Dr. Cullen, mas se eu tiver qualquer problema na visão eu ponho um óculos, se sentir vertigem espero deitada ela passar, mas voltar para o hospital não está em cogitação.
– Posso voltar para a escola? – perguntei, imaginando que Charlie tentaria ser atencioso.
– Talvez devesse descansar hoje. – ele tinha acabado de falar que eu estava bem. Não ia deixar o Charlie ficando preocupado à toa. Não ia desistir fácil. Olhei para Edward.
– Ele vai para a escola? – perguntei casualmente. Sabe seu filho acabou de aparar uma van e pode ir para escola, acho que eu também posso certo?
– Alguém tem que espalhar a boa notícia de que sobrevivemos – disse Edward, presunçoso.
– Na verdade – corrigiu o Dr. Cullen –, a maior parte da escola parece estar na sala de espera. – claro alguém tinha que espalha a fofoca. Aposto que Jéssica estava presente.
– Ah, não – eu gemi, cobrindo o rosto com as mão. Eu não ia suportar mais alguém tagarelar ao meu lado, minha cota de paciência foi esgotada por Tyler. Se eu tivesse que falar “estou bem” mais do que o necessário eu iria simplesmente escrever essa frase no papel para não responder, apenas mostrar a frase. Pensando bem essa é uma excelente ideia. Onde será que está meu caderno?
O Dr. Cullen ergueu as sobrancelhas.
– Quer ficar aqui? – o quê? Nem pensar. Agora entendia como as enfermeiras ficavam distraídas, como Charlie me disse. Também entre olhar para um bando de feridos e doentes e olhar para o Dr. Cullen, não é difícil imaginar qual a escolha.
– Não, não! – insisti, atirando as pernas pelo lado do leito e pulando para baixo rapidamente. Rápido demais. Eu cambaleei e o Dr. Cullen me segurou. Ele pareceu preocupado – Estou bem – garanti de novo. Antes que ele pensasse na ideia de ficar mais um minuto que seja no hospital.
– Tome um Tylenol para a dor – sugeriu ele enquanto me equilibrava.
– Não está doendo tanto assim – insisti. Eu tomava remédio em última hipótese. Meu estômago ficou sensível a tantos medicamentos que eu já tomei.
– Parece que vocês tiveram muita sorte – disse o Dr. Cullen, sorrindo ao assinar meu prontuário com um floreio.
– A sorte foi Edward por acaso estar parado do meu lado – corrigi com um olhar duro para o objeto de minha declaração. Notei que os dois trocaram brevemente um olhar. Interessante.
– Será que nada passa despercebido por ela? – Jasper falou. Bella Swan não parava de me surpreender. Eu não duvido que eu estava lendo a mente de Carlisle, tendo uma conversa silenciosa com ele.
– Ah, bem, sim – concordou o Dr. Cullen, repentinamente ocupado com a papelada diante dele. Depois desviou os olhos para Tyler e foi até o leito seguinte. Minha intuição vacilou, o médico deve ter percebido. Ainda captei um pequeno sorriso antes dele se virar completamente. Isso fica mais interessante a cada minuto. Acho que eu não sou a única que não sei mentir muito bem. É caro Dr. Cullen precisamos de um manual de “Como Mentir e Disfarçar melhor” quem aprender primeiro ensina para outro.
– Caramba Carlisle eu vou escrever esse manual para vocês – Emmett falou incrédulo. Carlisle tem séculos de prática e mesmo assim ela percebeu. – Vocês vão ter que aprender com o melhor aqui. – abriu um largo sorriso.
Carlisle ainda estava abismado. Ele nunca imaginou que iriam desconfiar dessa maneira dele em poucos minutos de contato. – Acho que preciso concordar com o Emmett, — depois sorriu – você está em maus lençóis meu filho. – disse olhando para mim. Quase gemi com isso. Definitivamente não seria fácil enganar a Bella.
– Mas acho que você terá que ficar conosco por mais um tempinho – disse ele a Tyler e começou a examinar os cortes.
Assim que o médico se virou, fui para o lado de Edward.
– Posso conversar com você um minuto? – sibilei baixinho. Ele recuou um passo, o queixo de repente trincado e seu olhar escureceu um pouco. Lembrei-me do primeiro dia de aula e achei prudente ir um pouco para trás.
– Seu pai está esperando você – disse ele entredentes.
– Acho que você vai começar a atuar não é? – Jasper disse. Balancei a cabeça concordando. Se quisesse que Bella acreditasse em mim precisava ser duro.
Eu olhei para o Dr. Cullen e para Tyler. Tyler não estava prestando atenção em nós, mas notei o Dr. Cullen ficar um pouco tenso. Isso estava ficando estranho. Eu falei baixo demais, não tinha como o Dr. Cullen escutar a essa distância.
– Gostaria de falar com você a sós, se não se importa – pressionei.
Ele olhou, depois deu as costas e andou pela sala comprida. Quase tive que correr para acompanhá-lo. Quase falei para opapa-léguasnão andar tão rápido. Se eu falasse “bip bip” ele entenderia a dica?
Sorri um pouco com isso. Só a Bella para me comparar com um desenho animado.
– Como você acha que vai conseguir a convencer de qualquer coisa Edward? Ela viu tudo – disse Jasper preocupado.
– Eu vou ter que atuar, eu não sei, acho que eu tentaria a ridicularizar. Tudo o que ela viu é absurdo demais. Ao contrário dela eu sou um bom mentiroso. – disse suspirando. Eu não queria mentir para Bella, mas seria necessário para nossa segurança.
Assim que viramos para um corredor pequeno, ele girou o corpo e me encarou.
– O que você quer? – perguntou, parecendo irritado. Seus olhos eram frios.
A animosidade dele me intimidou. Minhas palavras saíram com menos severidade do que eu pretendia.
– Você vai assusta-la Edward – Esme falou apreensiva. – Ela é só uma garota que já passou por muitas coisas. – disse com pesar. – Você sabe o efeito que nossa espécie tem nos humanos. – abaixei a cabeça envergonhado. Se eu me conhecia bem o bastante, isso era só o começo.
– Você me deve uma explicação – lembrei a ele.
– Eu salvei a sua vida… Não lhe devo nada.
Eu vacilei com o ressentimento na voz dele. Há pouco tempo ele estava sorrindo e agora sua agressividade era palpável.
– Você prometeu. – lembrei novamente. Fiquei torcendo internamente para ele não quebrar sua promessa, eu tinha confiado nele como ele me pediu.
– Bella, você bateu a cabeça, não sabe do que está falando. – O tom de voz era cortante.
Então perdi a calma e olhei para ele desafiadoramente, não acreditando no que estava acontecendo.
– Não há nada de errado com a minha cabeça. – como ele pode me acusar disso? Estava começando a ficar com raiva.
Ele sustentou o olhar.
– O que quer de mim, Bella?
– Quero saber a verdade – eu disse. – Quero saber por que estou mentindo por você. – eu detestava pessoas mentirosas, acho que era por isso que eu mentia tão mal. Meu corpo automaticamente rejeitava a mentira. Se eu fosse fazer isso por ele, o mínimo que eu merecia era um bom motivo.
– Edward o que ela quer é justo. Eu entendo sua situação, o que os dois estão fazendo é o certo. – Esme disse vendo o quanto tudo era contraditório. Eu não podia dizer a verdade e o mínimo que Bella merecia era a verdade.
– O que você acha que aconteceu? – rebateu ele.
A resposta saiu num jato.
– Só o que sei é que você não estava em nenhum lugar perto de mim… O Tyler também não o viu, então não venha me dizer que bati a cabeça com força. Aquela van ia atropelar nós dois… E não aconteceu, e suas mãos pareceram amassar a lateral dela… E você deixou um amassado no outro carro e não está nada machucado… E a van devia ter esmagado minhas pernas, mas você a levantou… – Pude perceber como aquilo soava como maluquice e não consegui continuar. Estava tão irritada que podia sentir as lágrimas saindo; tentei obrigá-las a voltar, trincando os dentes. Todas as emoções do dia se acumularam. Eu estava ficando cansada dessa discussão que parecia não ir para lugar algum.
Ele me encarava incrédulo. Mas seu rosto estava tenso, na defensiva.
– Acha que eu levantei a van? – O tom de voz questionava minha sanidade, mas só o que conseguiu foi me deixar mais desconfiada. Era como uma fala dita com perfeição por um ator habilidoso. Isso me magoou. Edward mentia bem, eu depositei minha confiança nele e em troca ganhei sua zombaria e questionamento sobre minha capacidade mental.
Senti um nó no meu estômago. Eu a tinha magoado. Eu queria que meu “eu” do diário pedisse desculpas e contasse uma parte da verdade.
– Seu teatro não funciona com ela Edward. – Jasper disse, impressionado como todos que ela conseguiu me ver com tanta clareza. – Acho que suas habilidades como mentiroso foram por água a baixo. – Ela descobriu que eu sou um bom mentiroso rápido demais.
Eu apenas concordei uma vez, as mandíbulas contraídas.
– Sabe que ninguém vai acreditar nisso. – Agora a voz dele tinha um tom de desdém. O que ele pensava em mim? Diferente dele eu cumpria minhas palavras. Eu tinha dito que não falaria nada e assim faria.
– Não vou contar a ninguém. – Eu disse cada palavra devagar, controlando cuidadosamente minha raiva.
A surpresa passou rapidamente pelo rosto dele.
– Então por que isso importa?
– Importa para mim – insisti. – Não gosto de mentir… — e nem de mentirosos, quase completei – Então é melhor haver uma boa razão para que eu faça isso. – disse a verdade.
– Não pode simplesmente me agradecer e acabar com isso? – por um lado ele tinha razão. Ainda não tinha agradecido a ele.
– Obrigada. – Eu disse simplesmente.
– Você não vai deixar passar em branco, não é?
– Não.
– Neste caso… Espero que goste de se decepcionar.
Trocamos um olhar zangado em silêncio. Fui a primeira a falar, tentando me manter concentrada.
– Por que se deu ao trabalho, então? – perguntei friamente.
Ele estancou e por um breve momento seu rosto pasmo ficou inesperadamente vulnerável.
– Não sei – sussurrou ele.
Todos me olharam surpresos, mas por sorte não falaram nada.
E depois ele me deu as costas e se afastou. Achei melhor seguir lentamente para a saída no final do corredor. Edward Cullen era um mistério.
A sala de espera foi mais desagradável do que eu temia. Parecia que cada rosto que eu conhecia em Forks estava lá, me encarando. Charlie correu para mim; eu levantei as mãos o parando, já imaginava sua pergunta.
– Não há nada de errado comigo – garanti a ele, carrancuda. Ainda estava exasperada, não estava com humor para conversinhas.
– O que o médico disse?
– O Dr. Cullen me examinou e disse que eu estava bem e que podia ir para casa. – Eu suspirei. Mike, Jessica e Eric estavam todos ali, começando a convergir para nós. – Vamos – instei com meu pai. Antes que eles me alcançassem.
Charlie pôs um braço pelas minhas costas e me levou até as portas de vidro da saída. Acenei timidamente para eles, esperando dar a entender que eu estava bem, já que não tinha feito a placa de “estou bem”.
Seguimos no carro em silêncio. Eu estava tão imersa em meus pensamentos que mal dava pela presença de Charlie. Tinha certeza absoluta de que o comportamento defensivo de Edward no corredor fora uma confirmação das coisas estranhas que eu ainda não conseguia acreditar ter testemunhado.
Quando chegamos em casa, Charlie finalmente falou.
– Hmmm… Vai precisar ligar para a Renée. – Ele inclinou a cabeça, sentindo-se culpado. Oh, não! Como Charlie fez aquilo comigo, ele conhecia a mamãe. A ideia de ter qualquer outro acidente me envolvendo faria Renné pirar.
– Você contou à mamãe!
– Desculpe. – ele sabia o que me aguardava. Por isso sua cara culpada.
– Sério pai, acho que a mamãe vai me matar por telefone. – disse perturbada com o que Renné falaria. – Você se lembra como ela é!
– Eu sei, me desculpe por isso. Eu estava preocupado e achei melhor ligar para ela. – murmurou tristemente.
– Dá próxima vez vou deixar você se entender com ela. – ameacei com um sorriso. Não queria deixa-lo chateado. Charlie estremeceu brevemente pensando na hipótese.
– Entendo seu ponto, vou tentar me controlar. – disse sorrindo brevemente.
É claro que a minha mãe estava histérica. Ela falava tão rápido que eu não entendia nada só tive tempo de dizer a ela que eu me sentia bem pelo menos umas trinta vezes, pena que não pude levantar um placa escrita “estou bem” por telefone. Ela me implorou para ir para casa – esquecendo-se do fato de a casa neste momento estava vazia –, mas foi fácil resistir a suas súplicas, ela já tinha me dito por e-mail o quanto estava feliz com Phil.
Decidi que podia muito bem ir para a cama mais cedo naquela noite, estava no limite. Charlie continuou a me observar ansiosamente e aquilo estava me dando nos nervos. Todos me tratavam como se eu fosse de porcelana.
Deitei na cama já imaginando os pesadelos que a noite me aguardava, resolvi ignorar as lembranças ruins e confusas do dia de hoje e me permitir lembrar de muito tempo atrás.
...
Minha mãe foi embora de Forks apenas com um bebê de poucos meses no colo. Para os cidadãos de Forks isso deveria ter sido motivo de especulações sem fim. Mudamos de várias cidades até estabelecemos na ensolarada San Diego. Minha mãe começou a trabalhar em uma renomada faculdade, trabalhava como secretária, como não tinha com quem deixar uma criança de 5 anos, ela costumava me levar com ela depois da escola. Costumava sentar perto dela e ficar colorindo alguns desenhos.
Lembro perfeitamente como minha mãe falava ao telefone quando escutei uma linda melodia longe de onde estávamos. Não pensei duas vezes em segui aquele som, como uma boa criança curiosa faria.
Andando pelos grandes corredores eu só seguia o som que a cada passo ia ficando mais claro. Chegando a uma grande porta eu pude ouvir um som muito distinto tocando, era uma linda melodia, eu já tinha ouvido antes, minha mãe sempre tocou música clássica em casa e fiquei admirando o senhor sentado em frente a um grande piano preto.
Fui me aproximando sem nem perceber e quando vi já estava ao lado dele. Quando ele me viu ficou surpreso e parou de tocar.
– Não para não, o senhor toca bonito! – Disse o reprimindo, coloquei a mão na cintura para provar meu ponto de vista. Ele me surpreendeu como uma gargalhada.
– Me desculpe senhorita. Não queria lhe causar nenhum aborrecimento – e voltou a tocar. Eu sorri para ele.
– Tá bom, eu desculpo. Mas só porque a mamãe disse que devemos perdoar!
Nessa hora todos nós rimos imaginando a cena de uma linda garotinha de 5 anos “perdoando” o senhor por ter parado de tocar.
Quando a música terminou, ele me olhou e disse:
– Então o que uma linda jovem faz por aqui?
– Eu não sou jovem eu sou criança! – falei como se fosse óbvio.
– Claro, claro! Como sou bobo. Então me diga criança o que faz aqui?
– Vim ver você tocar, ué. – eu estava achando suas perguntas tolas.
– E você está sozinha?
– É claro que não, eu não posso ficar sozinha ainda sou criança. – disse revirando os olhos.
– E quem está lhe acompanhando?
– Você. – disse apontando o óbvio.
De novo todos riram.
– Não podemos negar que a menina tinha um ponto! – disse Emmett
– Certo, e fora eu tem mais alguém que lhe acompanhou? Como você chegou aqui?
– Eu segui a música. Minha mamãe ficou no telefone – disse sorrindo.
Nessa hora escutamos alguém gritando meu nome.
– BELLA!
– Acho que você se meteu em problemas mocinha! – disse o senhor sorrindo para mim.
– Até que enfim te achei Bella, eu não disse para não andar sozinha? Você não pode sair sem me avisar. O que você está fazendo? Você não pode sair do meu lado desse jei... – Renné parou de falar ao olhar para lado e encontrar com o senhor sentado no piano – Me desculpe eu não queria que minha filha lhe atrapalhasse eu não a vi saindo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Não tem problemas, ela não me atrapalhou de maneira nenhuma. Na realidade estava adorando a companhia dessa linda garotinha. Desculpe não me apresentei, meu nome é Steve.
– Prazer, meu nome é Renné e essa é minha filha Isabella.
– Mãe! Você sabe que eu não gosto de Isabella! – olhei para o Steve – Muito prazer, Bella – disse fazendo uma pequena reverência com meu vestido lilás.
– É verdade, falha minha, essa como você pode ver, é minha filha Bella.
– É um grande prazer conhece-las. Bella estava me contando que ouve músicas clássicas. – disse Steve sorrindo largo.
– Sim, eu sempre ouvi músicas clássicas desde que ela estava na minha barriga, ela não parava de se mexer e só se acalmava quando eu colocava música clássica e quando parava de tocar ela me dava cada chute. – Renné respondeu colocando as mãos na barriga.
Esme ficou melancólica por um momento. Lembrava bem da gestação de seu filho, ele chutava muito, mas ela nunca reclamou.
– Já li alguns estudos que dizem que acalma a criança escutar esse tipo de música – falou Carlisle para distrair Esme, ele a conhecia bem demais e sabia que o assunto de gravidez sempre a deixava triste.
Vi que Rosalie ficou cabisbaixa. Essa era uma experiência que ela nunca teria. Rose sempre se sentiu amargurada com isso. Notando o clima, Carlisle continuou a leitura.
– Então virou um fã dos clássicos?
– Na realidade não, eu tenho os meus favoritos, mas essa pequena aqui sim, ela é uma viciada e olha que tentei fazer gostar de outras coisas – disse Renné rindo – mas eu tenho que leva-la de volta, desculpe novamente eu tenho que ir trabalhar.
– A não mãe me deixa ficar, eu não aguento mais colorir! – disse subitamente emburrada.
– Porque você não a deixa aqui comigo? – perguntou Steve, vendo meu bico.
– Não quero lhe atrapalhar.
– Mas, mamãe eu não atrapalho ninguém! Eu sou uma ótima companhia! – Disse entusiasmada. Steve e Renné deram uma gargalhada com a minha espontaneidade.
– Essa garota é bastante modesta! – Disse Emmett rindo, acompanhado dos demais.
Ela não me parava de surpreender. Desde quando crianças gostam de clássicos?
– Tem certeza que não vai lhe atrapalhar?
– Claro pode deixa-la comigo, qualquer coisa eu lhe procuro.
– Ok, muito obrigada. E você se comporte ouviu bem mocinha?
– Tá mamãe.
Quando Renné saiu, Steve pediu para eu me aproximar e sentar ao lado dele.
– Você sabe tocar piano?
– Não... – Disse fazendo bico, eu também queria tocar como ele. Steve era bastante bonito, tinha por volta dos seus 30 anos na época. Ele tinha aproximadamente 1,80 m, olhos e cabelos castanhos claros e uma pele bronzeada. – Você é tão bonito. – disse para ele. – ele somente riu para mim.
– Muito obrigado e você é linda parece uma bonequinha. Agora me diga, você quer que eu te ensine a tocar?
– Jura? – disse empolgada.
– Juro! – ele me respondeu com um sorriso amigável.
– Jura jurandinho? – ainda estava em dúvida se ele estava sendo sincero. Ele riu.
– Sim, eu juro para você!
– Então jura de dedo mindinho! – Falei esticando a mão e dando o dedo mindinho para ele. Ele sorriu para mim e selou o acordo. – Mamãe me disse que nunca devemos quebrar uma promessa. – avisei para ele.
– E sua mãe está absolutamente certa. Nunca prometa algo que não possa cumprir. E eu sempre cumpro as minhas, que tal começarmos? – me perguntou, começando a me mostrar as notas musicais.
Esme se emocionou imaginando a cena. Era bonito ver a inocência de uma criança. Rosalie voltou a ficar triste lembrando que jamais ia ter uma filha para poder ensinar essas coisas.
Agora eu entendia a magoa de Bella comigo. Desde pequena Bella aprendeu a não quebrar suas promessas. Tão diferente de mim.
Suspirei ao lembrar nosso primeiro encontro. Eu sentia tanta falta do Steve. Eu queria poder desfrutar de só um abraço, ficar no colo dele por só um minuto. Era pedir demais um minuto de sua companhia? Deixei as lágrimas rolarem por meus olhos por saber que não poderia.
– Eu sei como é difícil superar uma perda. – Esme murmurou emocionada com o sofrimento da Bella. Estávamos todos na mesma situação até mesmo Rosalie.
Depois eu lembrei o que ele me prometeu. Steve nunca quebrava suas promessas.
– Steve. – sussurrei baixinho. – Eu sinto tanto sua falta, agora eu entendo o que você quis dizer. Eu sou grata por ter você ao meu lado pelo tempo que foi concedido. Eu aproveitei cada minuto com você, sempre que eu sinto saudades estou tentando lembrar nossos bons momentos juntos. Ainda é difícil mais eu juro que estou tentando. Tem dias que é mais fácil outro nem tanto. Amo você. – foram as últimas palavras que eu disse antes de cair em um sono profundo.
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