Notas iniciais
Olá leitoras... mais um capítulo. Quero ouvir a opinião de vocês para saber o que acharam. Quero agradecer as recomendação de BieberFever e também da leitora BeatrizCullen, muito obrigada pelas palavras. Espero que continuem gostando e opinando na fic. Beijos.

“Amo você. – foram as últimas palavras que eu disse antes de cair em um sono profundo.”

– Isso é tão... difícil. Digo o fato de superar uma perda, como médico eu já passei por essa situação mais vezes do que eu gostaria, o olhar no rosto das pessoas ao saberem que seus entes querido não sobreviveram é arrasadora, mas parece que Bella está lidando com isso melhor do que muitas pessoas mais velhas. – Carlisle disse com um suspiro, parecia que ele estava se incluindo nessas pessoas mais velhas. Tivemos todos nossa cota de lidar com alguma perda depois que nos tornamos o que somos e com Carlisle não era diferente. Seu pai provavelmente o mataria se visse no que ele se transformou. Eu não lembrava com clareza de meus pais.
Carlisle ainda estava com o diário abaixado e parecia imerso em suas lembranças.

– Se você não vai continuar... Pode deixar que eu leio, estou curioso para saber das aventuras da Bellinha. – Emmett disse puxando o diário abruptamente da mão de Carlisle.

– Harram... – limpou a garganta desnecessariamente para começar a leitura. Gemi internamente, não tinha um bom pressentimento com o Emmett lendo os diários.

O mês seguinte ao acidente na Forks High School foi inquietante, tenso e, no início, constrangedor. Foi um mês de altos e baixos. E, eu que achei que morar em Forks fosse pacato.

– Era pacato até a Bellinha chegar e bagunçar toda a cidade. – Emmett falou sorrindo para o diário.

Para minha consternação, eu me vi no centro das atenções pelo resto da semana. E eu achando que o fato de ser novidade já tinha passado. Doces sonhos, baby girl. Mas claro, eu estava sendo muito ingênua por pensar que me livraria tão fácil, tinha que ser quase atropelada por uma van? Querido anjinho da guarda onde diabos você se meteu? Acho que ele pediu demissão, nem eu gostaria de ser seu anjo da guarda garota, acho que preferia trabalho escravo, seria bem mais fácil e agradável você parece ser um maldito imã para problemas. Vamos comprar um pé de coelho, um trevo de quatro folhas, pregar uma ferradura e tudo mais para vê se adianta alguma coisa... Hum... Pensando bem com o seu histórico multiplica cada item por 20 para garantir. Bufei internamente com minha Vadia Interior.


– Eu tenho a impressão que isso não ajudaria muito. – Emmett murmurou sorrindo.

O que acontecerá quando essa novidade acabar? Ser atropelada por um avião? Com a minha sorte era bom não pensar esse tipo de coisa, pois não duvidava nada que pudesse acontecer.

– Eu adoro os pensamentos dela... Vocês já pesaram uma pessoa ser atropelada por um avião? – Emmett disse rindo.

Tyler Crowley estava impossível, seguindo-me por toda parte, obcecado por se redimir de alguma forma. Acho que estava havendo a proliferação de cachorros nesta escola. Você precisa urgente comprar uma vacina antirrábica. Eu estava me sentindo um hidrante sendo rodeada por cachorros antes de levantarem a pata e demarcarem território.

– Mano não é por nada não, mas acho melhor você se apressar e demarcar a Bellinha antes que outro faça isso. Ela está cheio de admiradores. – Emmett disse com um sorriso, mas com um aviso por trás de suas palavras.

– Não sei do que você está falando. – menti. Eu podia sentir uma raiva irracional de saber que estavam interessados em Bella.

Tentei convencê-lo de que o que eu mais queria dele é que esquecesse tudo aquilo – em especial porque não acontecera nada comigo –, mas ele insistia sem parar. Seria má educação de minha parte se eu pedisse para ele se redimir calando a boca e não dirigir a palavra a mim, mantendo uma distância segura de 100 metros para que eu não corresse o risco de querer soca-lo? Porque se ele tivesse aprendido a dirigir melhor eu seria tratada quase normalmente agora.

– Acho que ela não gostou muito desse novo admirador. – Alice comentou com um sorriso. – Sorte a sua Ed. – Eu estava ficando cada vez com mais raiva de Crowley.

Ninguém parecia preocupado com Edward, mas expliquei repetidas vezes que o herói era ele – que ele havia por sorte me tirado do caminho.
Convenci Jessica, Mike, Eric e todos os outros que sempre comentavam que não o tinham visto ali até a van ser afastada. Eu disse que ele estava bem ao meu lado no momento do acidente e por reflexo, nos tirou do caminho evitando assim qualquer dano.

– Ela mentiu por você Edward. – Carlisle falou surpreso e com um toque de admiração da voz.

– Mesmo você sendo um estúpido e grosso e ela odiando mentir, Bella esta fazendo isso por você. Espero que você esteja ouvindo os pensamentos dos outros e no mínimo diga obrigado a ela. – disse Alice em minha direção. Apenas abaixei minha cabeça envergonhado. Bella estava cumprindo sua palavra, diferente de mim. Nossas diferenças só aumentavam.

Edward nunca ficou cercado de uma multidão de curiosos ansiosos por seu relato em primeira mão. Isso era tão injusto, porque ele não tinha que mentir para todos? Ele é bem melhor nisso do que eu. Parece que ele tem uma barreira invisível que afasta as pessoas.

– Isso é verdade, ele assusta as pessoas com a cara feia dele. E ele só mente bem porque ele rouba por saber a pergunta antes, assim ele já está preparado para mentir. – Emmett concordou. Apenas revirei os olhos. Bella sempre está certa.

As pessoas o evitavam, como sempre. Os Cullen e os Hale sentavam-se à mesma mesa de sempre, sem comer, conversando entre si.

– Claro que ela tinha que observar que não comemos. – Jasper murmurou.

Eu queria um pouco de paz e ficar longe do tagarelar infinito e das perguntas inacabáveis. Pedi licença e fui me sentar em uma mesa vazia, a mais longe e isolada que encontrei. Podia sentir os olhos de todo o refeitório me seguindo. Tentei andar o mais firme possível, mas os comentários eram tão alto que eu apertei minha bandeja do almoço com mais força que o necessário. Os alunos de Forks nunca ouviram falar em discrição? Quando falamos mal de alguém tentamos no mínimo sussurrar e falar no ouvido dos outros. Aqui não, eu podia escutar a mesas de distância.
“Onde ela vai sentar?”
“Qual será o problema?”
“Será que tem algo a ver com o acidente?”
“Ela vai ficar sozinha?”
Fora que eu podia ouvir os comentários maliciosos dos garotos. Acho que eu iria escrever um Manual de Como ser Discreto. Hum... pensando bem eu podia ganhar dinheiro escrevendo esses manuais, sem dúvida muita gente precisaria dele, eu podia entregar 10 exemplares para Jéssica e no final do décimo escrever “Recomesse do primeiro”.
E assim foi o caminho até a mesa vazia que eu encontrei. Peguei meu iPhone da bolsa e selecionei uma pasta de música que geralmente me acalmava. Coloquei meus fones e aumentei a música ao máximo possível, não queria ouvir os comentários incessantes. A primeira música da lista era a 2ª sinfonia de Beethoven. Respirei fundo e comecei a apreciar a música. Olhei ao redor vagamente e acabei encontrando com o olhar de Edward Cullen em minha direção, seu rosto tinha um olhar surpreso, antes de virar o rosto rapidamente e parecia esconder um sorriso. Como se ele soubesse o que eu estava ouvindo e se surpreendeu positivamente com a escolha? Balancei a cabeça, não queria pensar nisso. Imaginação demais.

– É óbvio que ele gostou... – Emmett falou com um franzir de lábios. – Acho que essa garota nasceu no século errado.

– Não tem nada de errado com o gosto musical dela. – falei. Emmett me lançou um olhar malicioso e Alice um largo sorriso. Esme parecia que ia explodir de felicidade. E eu estava surpreso demais com a escolha musical de Bella.

Queria muito conversar com ele e, no dia seguinte ao acidente, tentei. Da última vez que o vira, do lado de fora da emergência do hospital, nós dois estávamos furiosos.
Eu ainda tinha raiva por ele não ter me contado a verdade, embora cumprisse impecavelmente minha parte do trato. Mas ele salvara minha vida, independentemente de como tinha feito isso. E, da noite para o dia, a temperatura elevada de minha raiva desapareceu numa gratidão reverente.

Fiquei tão surpreso com isso. Gratidão. Bella sentia-se grata comigo. Ninguém nunca teve esse sentimento por mim. Apesar de ter quebrado minha promessa e ela ter sentido medo de mim, ela sentia-se grata. Bella era uma pessoa única. Ela tinha um coração puro. Uma melodia começou a ser formar em minha cabeça que foi interrompida pelo recomeço da leitura.

Quando cheguei à aula de biologia Edward já estava sentado, olhando para a frente. Eu me sentei, esperando que se virasse para mim. Ele não deu sinais de ter percebido minha presença.

– Oi, Edward – eu disse de um jeito agradável, para lhe mostrar que eu não iria lhe cobrar nada. Eu estava pronta para agradecer, eu não iria pedir uma explicação, se ele não cumpre suas palavras eu não podia muda-lo. Se ele quisesse falar eu ouviria, mas se não confiava em mim o entenderia. Não mudava o fato de que ele salvou minha vida, e eu queria agradece-lo verdadeiramente.

Ele se virou só um pouquinho para mim sem me olhar nos olhos, balançou a cabeça uma vez e depois desviou o rosto.

– Sério Edward qual o seu problema? – Alice me perguntou raivosa. Quando fui ler seus pensamentos, quase abri a boca de tanta surpresa, Alice considerava a Bella uma amiga. E estava com raiva da forma rude que eu a tratei. Quando isso aconteceu que não notei? – Ela só queria lhe dizer obrigada, e não lhe cobraria nada por mais que merecesse uma explicação e você a trata dessa maneira? Você deveria se sentir grato também.

– Alice tem razão, você não podia ter a tratado dessa maneira. Ela só queria lhe agradecer. – Esme disse reprimindo meu comportamento. Nos seus pensamentos ela já tinha Bella como uma filha, principalmente que ela sentiu a carência que Bella tinha em relação à mãe que morava longe. Como eu perdi isso tudo? Todos já estavam desenvolvendo algum tipo de afeto por essa desconhecida.

– Vocês esqueceram que eu não posso ler os pensamentos dela? – falei me defendendo. – Pela atitude dela no dia anterior o que me garantiria que ela não fosse me fazer perguntas? Eu devo estar agindo assim para não nos expor mais do que já fiz. – bufei. Alice e Esme cruzaram os braços e viraram o rosto. Rosalie era a única que concordava com minha atitude, mas diferente dos outros ela achava que a Bella não merecia uma pessoa como eu ao lado dela. Fiquei boquiaberto com isso. Rosalie admirava a Bella e queria que ela fosse feliz comigo longe dela. Rosalie estava correta, eu não era bom para Bella.

E esse foi o último contato que tivemos, mas ele ficava ali, a trinta centímetros de distância, todo dia. Eu o olhava às vezes, observava à medida que seus olhos dourados ficavam perceptivelmente mais escuros dia após dia. Ele não estava mentindo sobre a lente de contato.

– Você é um irresponsável Edward. Está colocando a Bella em perigo assim. – disse Rosalie furiosa. Eu tinha que concordar.

– Só ela para reparar a mudança da cor dos olhos. – Jasper estava impressionado.

Mike, enfim, ficou satisfeito com a frieza evidente entre mim e meu parceiro de laboratório. Eu podia ver que ele estava preocupado que o resgate ousado de Edward pudesse ter me impressionado, e foi um alívio para ele parecer ter tido o efeito contrário. Ele ficou mais confiante, sentando-se na beirada da minha mesa para conversar antes que começasse a aula de biologia, ignorando Edward completamente, como ele nos ignorava. Eu realmente não sabia qual era o problema da cacatua, pensei durante muito tempo e só cheguei a uma conclusão: TPM.

A gargalhada foi geral, a de Emmett superior a de todos. Nunca tinha visto Rosalie gargalhar assim. Ela gostava da forma indiferente que Bella me tratava.

Me perguntei mentalmente se ele sentia cólica também, isso explicaria sua cara emburrada. Poderíamos dá uma cartela de compridos para cólica para ele, disse minha vadia interior. Quem sabe ele não pegue a dica e vai se tratar? O pai dele é médico, já deve ter percebido que seu filho tem problema, quem sabe ele está entrando na menopausa por isso a mudança de humor. Não seria má ideia falar com o Dr. Delícia, suspirou a minha vadia. Você aproveita e pergunta se ele tem um irmão de preferência mais novo e que não tenha TPM, já basta a sua. Vocês dois juntos de TPM é capaz de haver das duas uma, suicídio ou homicídio coletivo, pois aturar vocês é impossível.

Grunhi com isso. E mais risadas sucederam. Carlisle estava rindo, para esconder seu constrangimento de ser chamado de Dr. Delícia. Eu estava além de irritado, queria falar para Bella que Carlisle não tinha irmão nenhum e se tivesse seria bisavô do bisavô dela. E eu não tinha TPM!

– Não fiquei sem graça Dr. Delícia. Você é um pedaço de mau caminho. – Emmett disse piscando um olho para Carlisle. Rimos do constrangimento de Carlisle.

– Você precisa de remédios para cólicas Edward? – Carlisle me perguntou para mudar o foco das brincadeiras. Fiquei serio na hora. E as gargalhadas só aumentaram. Eu nunca tinha visto Carlisle brincar assim, ele parecia mais leve. Jasper estava no ápice de contentamento, ele estava usufruindo das emoções da sala.

No almoço eu continuava a sentar sozinha, gostava dos meus momentos de tranquilidade.
A neve desapareceu para sempre depois de um dia perigosamente gelado. Porém, a chuva continuava pesada, e as semanas se passaram. Era menos frequente eu conseguir correr, a chuva geralmente atrapalhava, mas não deixava de tentar.
Acordar cedo virou minha rotina, assim eu fazia um bom café da manhã para Charlie antes dele ir trabalhar, ainda colocava um lanche para ele levar ao trabalho. Meu pai não era nenhum jovem e precisava se cuidar. Se dependesse dele bacon e rosquinhas seriam seu café da manhã. Ele sempre retrucava comigo quando eu o proibia de comer coisas muito gordurosas. Ele sempre murmurava pelas minhas costas coisas como: “Parece que é minha mãe e não minha filha.” “Nunca vi uma mulher tão mandona” “Coitado do marido que ela arrumar, se eles brigarem ele vai dormir no sofá” “Sem dúvidas aprendeu com Renné” “Qual o problema com um pedaço de bacon?”. Eu sempre ria com isso, por mais que reclamasse eu podia notar seu sorriso por debaixo do bigode. Ele parecia ter um sorriso bonito. Tive uma ideia e tentaria executar em breve.

– Eu teria medo se fosse o chefe Swan. Imaginem quais são os planos da Bellinha – disse Emmett fingindo um estremecimento. Sorrimos com isso, Bella tinha o sério e compenetrado chefe de polícia enrolado em seu dedo mindinho. Sem dúvidas ele faria qualquer coisa pela filha.

Jessica me ligou na primeira terça-feira de março querendo minha permissão para convidar Mike para o baile de primavera das meninas dali a duas semanas. Se ela não tivesse me avisado, eu nunca saberia que estaria tendo um baile.

– Tem certeza de que não se importa… não estava pretendendo convidá-lo?

Fiquei apreensivo com isso, esperando ansiosamente a resposta de Bella. Ela queria ir ao baile com o sarnento do Newton? Fiquei tão tenso que me aproximei inconscientemente na direção de Emmett, querendo ouvir a resposta. Emmett viu minha reação e me lançou um sorriso.

– Claro que eu me importo Jéssica! Eu que vou convidar o Mike! – disse indignada.

Uma dor que não sabia que existia me tomou. Se eu tivesse um coração ele teria perdido uma batida. Senti a dor da perda, Bella iria ao baile com o idiota do Newton. Depois fiquei furioso, eu não iria permitir. Comecei a traçar planos de destruir uma perna do Newton para ele não poder ir ao baile. Vendo a minha reação Emmett caiu na gargalhada. Demorei um segundo para perceber por quê.

– Eu vou te matar Emmett! – disse fuzilando o Emmett com um olhar.

– Desculpe... foi... mais... forte... do que... eu – disse entre gargalhadas. – Você precisava... ver... sua cara. – Ninguém estava entendendo o que acontecia.

– Bella não disse isso, Emmett falou só para me provocar. – disse com raiva.

– Emmett comporte-se. – Esme brigou, mas gostou da minha reação.

– Desculpe. Vou ler direito agora – murmurou com um sorriso.

– Não, Jess, eu não vou – garanti a ela.

– Vai ser bem divertido. – Sua tentativa de me convencer foi meio desanimada. Não tinha dúvidas que Jéssica não gostava da minha companhia, mas eu tentava não ser rude.

– Divirta-se com o Mike – encorajei-a. Boa sorte, pensei mentalmente.

No dia seguinte, fiquei surpresa por Jessica não estar no humor esfuziante de sempre nas aulas de trigonometria e espanhol. Ela ficou em silêncio ao andar ao meu lado entre as aulas e eu tive medo de perguntar por quê. Primeiro, ela estava calada e não queria correr o risco dela desatar a falar. Segundo, se Mike a rejeitara, eu era a última pessoa a quem ela gostaria de contar. E terceiro, eu realmente não queria que ela voltasse a falar. Curta o silêncio, pedia minha vadia interior. Acredite é uma oportunidade rara. Fiz como minha vadia pediu, sabe-se lá quando terá outro baile, para Jessica levar um fora e ficar calada.
Observei na hora do almoço, Jessica se sentar o mais distante possível de Mike, batendo um papo animado com Eric. Mike estava incomumente quieto.
Quando fui para aula, Mike estava em silêncio me acompanhando, sua expressão de desconforto era mau sinal. Boa sorte, minha V.I. (Vadia Interior) falou rindo para mim.

– Mais aí – disse Mike, olhando para o chão –, a Jessica me convidou para o baile de primavera. – como se eu não soubesse. Ele ainda não conhecia a Jessica? Provavelmente toda a escola já sabia antes dele.

– Isso é ótimo. – Eu conferi mais brilho e entusiasmo à minha voz. – Você vai se divertir muito com a Jessica. – ou não, pensei. Mas de alguma forma eles combinavam. Sim, ambos parecem um cachorro correndo atrás do osso, ironizou minha V.I.

– Bom… – ele hesitou ao sondar meu sorriso, claramente nada feliz com a resposta que eu dera. – Eu disse a ela que ia pensar no assunto.

– Pelo menos ele não a dispensou completamente. – Jasper falou.

– Por que fez isso? – Fiquei aliviada por ele não ter dado uma negativa absoluta a ela.

– Acho que vocês pensaram iguais. – Emmett disse sorrindo. Não gostei do Jasper e da Bella pensarem parecidos. Jasper levantou uma sobrancelha para mim e sorriu.

O rosto dele ficou vermelho vivo enquanto ele baixava a cabeça novamente.

– Eu estava me perguntando se… Bom, se você tinha a intenção de me convidar. – oh não... espero não ter ouvido o que eu ouvi. A expressão de Mike não deixava dúvida.

Parei por um momento, odiando a onda de culpa que varreu meu corpo. Mas vi, pelo canto do olho, a cabeça de Edward se inclinar por reflexo na minha direção, ele parecia mais ansioso com a resposta do que Mike.

– Sim, porque Edward não sabe disfarçar quando está morrendo de ciúmes – Emmett provocou. Estava prestes a retrucar quando Jasper pensou. “Você está morrendo de ciúmes sim, Edward. Veja.” Jasper tinha razão, de repetente minha raiva irracional tinha um nome. Eu estava com ciúmes da Bella.

– Mike, acho que devia dizer sim a ela – eu disse da forma mais gentil que consegui.

– Já convidou alguém? – Será que Edward percebeu como os olhos de Mike disparavam para ele? Quis rir com aquilo. Mike achava que eu iria convidar o Edward-TPM-Cullen para o baile?

– Acho que ela preferia ir com um cachorro a alguém com TPM Edward. Se eu fosse você mudava meu humor. – Emmett falou me provocando. Rosnei com isso. Eu queria provar a Bella que eu era melhor do que o pulguento do Newton. Se isso viesse a acontecer eu mudaria minha atitude, pensei resoluto.

– Não – garanti a ele. – Não vou a baile nenhum. – disse tentando esconder o sorriso com o pensamento absurdo de Mike.

– E por que não? – Mike quis saber. Desde quando eu lhe devo satisfação?

– Como ele a trata dessa forma? – perguntei ríspido.

Eu não queria ser ríspida, então lembrei que eu tinha planos para sábado. Tinha um evento infantil para fazer. Depois do meu primeiro dia de trabalho a mãe de Marie gostou tanto de mim que me indicou para inúmeras mães, então todo final de semana eu tinha algum evento para fazer. O que eu achei ideal foi o tema de corrida de carros. Tínhamos que nos vestir de pilotos e eu usava um capacete. Gostaria de usar capacete em todos os eventos, eu sempre voltava com algum hematoma para casa. Charlie só faltava chorar de tanto rir quando eu contava o que acontecia. Às vezes ele ficava incrédulo com o que eu falava. Eu sentia na pele o que era ser um super-herói, eu salvei inúmeras vidas. Eu já tinha salvado um cachorro do micro-ondas que um menino o colocou lá por querer um cachorro quente; um gato de ser jogado por uma menina do terceiro andar que queria comprovar se todo gato caia mesmo em pé; uma menina de dentro do armário de limpeza que os meninos a trancaram para descobrir se ela era mesmo uma bruxa por estar fantasiada de bruxinha e assim por diante.
O próximo evento eu teria que me fantasiar de Bela. O tema do evento era todo sobre a Bela e a Fera. Eu realmente não gostava de me fantasiar de qualquer uma das princesas. Eu sempre soube que as garotas sonhavam com um príncipe encantado, mas nunca imaginei que os homens sonhavam com princesas. Certo que com pensamentos bem menos romântico do que as mulheres. As princesas faziam parte das fantasias sexuais de uma quantidade absurda de homens. A quantidade de cantadas que eu recebia dos pais ainda me deixava assustada. O famoso “oi princesa” me dava náuseas.

Rosnei com isso. Não podia acreditar que davam em cima da minha Bella dessa forma ainda mais em um evento infantil. Eu iria proibi-la de trabalhar de princesa. Queria quebrar a cara de algum engraçadinho que tentasse algo com ela.

Sai de minhas lembranças vendo o rosto de Mike ficar a cada minuto mais vermelho. Lembrei que o evento era no período da manhã, mas ele não precisava saber desse detalhe.

– Vou a Seattle no sábado – expliquei.

– Não pode ir em outro fim de semana? – Garoto insistente.

– Não, desculpe. Eu vou trabalhar esse dia. – eu disse. – Então você não devia fazer a Jess esperar mais tempo… É grosseria.

– Sutil como um elefante. – Emmett falou. Eu não conseguia esconder o sorriso do meu rosto.

– É, tem razão – murmurou Mike. E se virou, abatido, para voltar ao lugar dele. Fechei os olhos e apertei os dedos nas têmporas, tentando expulsar a culpa e a solidariedade de minha cabeça.

– Porque ela se sentiria culpada? Ele mereceu. – disse sorrindo mais. Gostaria de vê a cara de derrota do Newton.

O Sr. Banner começou a falar. Eu suspirei e abri os olhos. E Edward estava me encarando com curiosidade, com aquela frustração que eu já conhecia agora ainda mais evidente em seus olhos escuros. Eu sustentei o olhar, surpresa, esperando que ele desviasse a cabeça rapidamente. Mas, em vez disso, ele continuou a olhar com intensidade nos meus olhos, como se me sondasse. As mudanças de atitudes de Edward nunca deixavam de me surpreender.

– Sr. Cullen? – chamou o professor, esperando pela resposta a uma pergunta que eu não ouvira.

– O ciclo de Krebs – respondeu Edward, parecendo relutante ao se virar para o Sr. Banner.

Assim que os olhos dele me libertaram, eu baixei os meus para o livro à minha frente, tentando me situar. Eu não conseguia entender, o que levou a mudar de atitude? Comecei a copiar tudo que o Sr. Banner falava, por mais que já soubesse a matéria.
Quando o sinal finalmente tocou, dei as costas para Edward a fim de pegar minhas coisas, esperando que ele saísse de imediato, como sempre.

– Bella? – ele falou comigo? Oh senhor me dê paciência para aguentar as mudanças de humor do meu parceiro de biologia.

Eu me virei devagar, sem vontade nenhuma. A expressão dele era ilegível. Ele não disse nada. Esperei. Nada. Adeus paciência.

– Que foi? Está falando comigo de novo? – perguntei por fim. Os lábios dele se retorceram, reprimindo um sorriso.

– Na verdade não. – admitiu ele. Ele tem noção de quanto é contraditório?

– Ela tem razão. – Emmett murmurou.

Fechei os olhos e inspirei lentamente pelo nariz, ciente de que eu estava trincando os dentes. Ele esperou. O que ele queria afinal? Ficou calado novamente. Deviam vender paciência em pote. Eu compraria dúzias. Se ele não estava falando comigo, porque ele estava falando comigo? Céus eu estava ficando tão sem sentido quanto ele. Será que incoerência se pega pelo ar?

– Então o que você quer, Edward? – perguntei, ainda de olhos fechados. Respire. Inspire. Lembre que uma van não é capaz de causar dano nenhum a ele. Não adiantará jogar um livro na cabeça grande dele por mais que a ideia seja tentadora.

Emmett sorriu com isso. – Eu sempre falei que você era cabeçudo Edward. Espero que agora acredite em mim. – suspirei com isso. Parece que Bella sempre queria me causar algum dano físico.

– Desculpe. – Ele parecia sincero. – Tenho sido muito rude, eu sei. Mas é melhor assim, pode acreditar. – claro, é sempre bom tratar as pessoas rudemente. Como ninguém me ensinou isso antes?

Abri os olhos. Seu rosto estava muito sério. Ele parecia acreditar em cada palavra que ele disse.

– Não sei o que quer dizer – eu disse, na defensiva. Se no mundo paralelo dele tratar as pessoas desse jeito era o melhor, eu não sabia o que falar. Talvez eu pudesse lhe dar um livro de etiquetas ou se eu for rude com ele nos conseguiríamos ter um diálogo.

– É melhor não sermos amigos – explicou ele. – Confie em mim.

Meus olhos se estreitaram. Eu já ouvira isso antes. Eu confie nele uma vez, agora ele queria que eu confiasse novamente? Engoli a série de insultos que eu queria lhe falar. Esperei ele falar novamente. Nada.

– Eu confiei em você uma vez. Porque confiaria novamente? – sibilei entredentes. Ele baixou a cabeça. Pensei que ele fosse falar algo. Novamente ouve silêncio. Fiquei cansada disso. Já estava sem paciência.

Peguei meus livros, depois me levantei e fui para a porta. Eu pretendia disparar para fora da sala, mas é claro que a ponta da minha bota ficou presa no batente e deixei cair meus livros. Fiquei parada ali por um momento, pensando em deixá-los para trás. Depois suspirei e me abaixei para pegá-los. Ele estava ali; já empilhara meus livros. Entregou-os para mim.

– Obrigada – eu disse friamente.

Os olhos dele se estreitaram.

– Não há de quê – retrucou ele.

Eu me endireitei rapidamente, virei a cara de novo e fui para o ginásio sem olhar para trás.

– Como você quer ter alguma chance com a Bella desse jeito? – Emmett me perguntou pasmo. – Vou fazer um manual de como tratar as mulheres para você. Ed, você esta indo de mal a pior. Tem noção de quantos manuais você terá até o final desses diários? Nos ainda estamos no primeiro e ainda tem uma pilha ao seu lado.

– Dá para parar de fazer um comentário a cada cinco minutos? – falei irritado. Bella me fazia ficar incoerente.

Na aula de educação física jogávamos basquete. Estava com tanta raiva que joguei toda a minha frustração no jogo. Steve me ensinou essa técnica. Para evitar descontar qualquer sentimento negativo nos outros eu destinava a algum objeto. Geralmente um saco de pancadas, na falta dele me concentrei na bola de basquete. Imaginei que era a cabeça do Cullen. Não é a toa que meu tinha ganhou com larga vantagem.

– São bem parecidas. – Emmett murmurou.

– É uma boa técnica. – Carlisle concordou. – Não a parte de comparar sua cabeça com uma bola de basquete, só a parte de extravasar a frustração em outro objeto. – apenas revirei os olhos. Uma vantagem em ser um vampiro, se eu fosse humano Bella faria um dano real em mim.

Quando acabou as aulas fui bem mais calma para o meu carro. Felizmente ele sofrera danos mínimos com o acidente. Só tive que substituir as luzes de ré. Os pais de Tyler tiveram que vender a van para o desmanche. Se tivesse acontecido o mesmo com meu Cadillac eu jogaria Tyler no desmanche sem pensar duas vezes.
Quando virei a esquina e vi uma figura alta encostada na lateral do meu carro. Percebi que era Eric. Porque ele encostou-se a meu carro?

– Acho que o Ed não vai gostar de ouvir a resposta. – Emmett me disse sorrindo maliciosamente. Fechei os punhos com força. De novo? Porque eles não a deixavam em paz? Bella era minha! O que eu disse? Fiquei pasmo. Eu estava começando a ter pensamentos possessivos sobre a Bella.

– Oi, Eric.

– Oi, Bella.

– E aí? – eu disse enquanto abria a porta. Não prestei atenção ao tom desagradável na voz dele, então as próximas palavras de Eric me pegaram de surpresa.

– É… eu só estava pensando… se você gostaria de ir ao baile de primavera comigo. – A voz dele falhou ao dizer a última palavra.

– Pensei que as meninas é que deviam convidar – eu disse, sobressaltada demais para ser diplomática.

– Bastante sutil. – Rosalie falou. Rosalie falando de sutileza era quase irônico.

– Bom, e é – admitiu ele, envergonhado. Então porque não param de me convidar? Recuperei a compostura e tentei dar um sorriso caloroso.

– Obrigada por me convidar, mas vou a Seattle nesse dia.

– Ah – disse ele. – Bom, quem sabe na próxima?

– Claro – concordei e depois mordi o lábio. Eu não queria que ele entendesse isso tão literalmente.

Ele se curvou, voltando à escola. Ouvi um risinho baixo. Edward passava pela frente da minha picape, os lábios apertados.

– Eu aposto que você estava próximo só para ouvir toda a conversa. – Alice me acusou com um sorriso enigmático no rosto. Dei de ombros. Provavelmente ela estava correta.

Abri o carro e fui logo acelerando o motor queria ir embora o mais depressa possível, dei a ré para a rua. Edward já estava no carro dele, a duas vagas de distância, passando suavemente por mim, me dando uma fechada. Ele parou ali – para esperar a família; pude ver os quatro andando para lá, mas ainda perto do refeitório.

– Eu aposto que você fez isso de propósito de novo! – Alice gritou. Dessa vez eu não fazia ideia porque fiz isso, então apenas dei de ombros.

Pensei em bater na traseira de seu Volvo reluzente, mas eu amava meu carro demais. Olhei pelo retrovisor e vi que começava a se formar uma fila. Bem atrás de mim, Tyler Crowley estava no Sentra usado recém- adquirido, acenando. Eu estava irritada demais para responder. Buzinei para o projeto de ser humano na minha frente. Nada. Sabe eu também amo o Cadillac, mas ele pode ser concertado! O que custa empurrar o Volvo para frente? Respirei fundo. Tentando não ouvir a voz da vadia. Só um arranhãozinho para ele aprender a não trancar ninguém!

– Sim! Por favor, sim! – disse Emmett empolgado. – Eu quero vê a cara do Edward quando a Bellinha bater no carro dele.

Ouvi uma batida na janela do carona. Olhei, era Tyler. Olhei novamente pelo retrovisor, o carro dele ainda estava ligado, a porta aberta. Abrir a janela confusa. O que ele queria comigo?

– Desculpe, Tyler, estou presa atrás do Cullen. – Eu estava irritada.

– Ah, eu sei… Só queria perguntar uma coisa enquanto estamos atolados aqui. – Ele sorriu. Ah, não! Só pode ser brincadeira! Isso não podia estar acontecendo.

– Vai me convidar para o baile de primavera? – continuou ele.

– Bem direto. Vocês não acham? – Emmett perguntou. Eu o achei presunçoso, ele parecia ter certeza que Bella diria sim a ele.

– Eu não estarei na cidade, Tyler. – Minha voz parecia meio áspera. Tive que me lembrar de que não era culpa dele que Mike-cachorro-correndo-atrás-do-osso, Eric-cara-de-nerd-jogador-de-xadrez e Edward-eu-sou-a-pessoa-mais-contraditória-do-planeta já tivessem gasto minha quota de paciência do dia.

– Eu tenho a impressão que ela não gosta de vocês! – Emmett disse o óbvio. Eu realmente não estava ajudando a Bella a gostar de mim.

– É, o Mike me contou – admitiu ele. – Eu esperava que você só estivesse se livrando dele do jeito mais fácil.

Tudo bem, a culpa era totalmente dele. Ele achava que eu não usaria a mesma desculpa com ele?

– Eu estarei mesmo fora da cidade. – disse asperamente.

– Tudo bem. Ainda temos o baile dos estudantes.

E antes que eu pudesse responder, ele estava voltando ao próprio carro. Pude sentir o choque na minha cara. Olhei para a frente e vi Alice, Rosalie, Emmett e Jasper entrando no Volvo. Pelo retrovisor, os olhos de Edward me acompanhavam. Ele sem dúvida tremia de tanto rir, como se tivesse ouvido cada palavra de Tyler. Meu pé apertou mais o acelerador… uma batidinha só. Acelerei o motor.

– Sim... Sim... – Gritou Emmett empolgado. Eu não me importei com o Volvo, valeria a pena para olhar a expressão do rosto de Bella.

Mas todos estavam dentro do carro e Edward partia, para sorte de nossos carros.

– Ah... que pena. – Emmett fez um muxoxo.

Dirigi devagar para casa, resmungando para mim mesma o tempo todo. Quando cheguei, decidi fazer enxilhadas de frango para o jantar. Seria um longo processo e isso me manteria ocupada. Enquanto refogava a cebola e a pimenta, o telefone tocou, várias vezes. Para meu completo desespero, eu recebi mais de dez convites para o baile pelo telefone. O pior é que eu não sabia quem era metade das pessoas que eu rejeitei. Melhor assim, diminuiria minha culpa, tinha certeza que um dia riria desse dia. Com certeza não seria hoje esse dia, eu estava com tanta raiva que cortei os temperos com mais força que o necessário. Eu com raiva e uma faca não é uma mistura saudável. Se eu fosse narrar às conversas elas seriam, mais ou menos assim:

Eu: Alô.


Completo desconhecido: Er... alô... Eu poderia falar com a Bella? Quer dizer, eu imagino que você seja a Bella... porque você mora com o seu pai, então você não tem a voz do seu pai... não que eu esteja falando que você tem voz de homem... ao contrário sua voz é muito bonita e...


Eu (tentando desesperadamente parar a diarreia verbal da criatura do outro lado do telefone): Sim sou eu. Posso ajudar?


Desconhecido (sem capacidade de falar uma frase coerente): Não... quer dizer sim... não que você possa me ajudar, na realidade você pode... mas eu não liguei para pedir ajuda... eu liguei para pedir uma coisa, mas não é ajuda...


Eu (senhor-amado-idolatrado-por-favor–ME-salve-salve!): Você poderia pedir de uma vez?


Desconhecido (parecendo que irá desmaiar a qualquer momento): Sim... claro... quer dizer... eu não queria incomodar... mas parece que eu estou incomodando... então... bom... vocêqueriraobailecomigo?


Eu (grande ponto de interrogação na cabeça): Desculpe, eu não entendi a última frase, você pode falar devagar?


Desconhecido (depois de um longo tempo em silêncio e respirar fundo 3 vezes): Você quer ir ao baile comigo?


Eu (querendo descobrir onde eu preguei o chiclete na cruz para ir tirar de lá o mais rápido possível): Desculpe, mas estarei em Seattle esse dia. Passar bem.

...

Eu: Alô.


Desconhecido nº 4: Oi Bella. Como você está?


Eu: Bem.


Desconhecido nº 4 (que consegue formular uma frase): Então, eu estava pensando que eu não tenho um par para o baile e já que você não tem um par podíamos ir juntos para cada um ter um par. O que acha?


Eu (chocada com sua lógica prática completamente sem lógica): Desculpe, estou indo para Seattle esse dia.

...

Eu (sem paciência alguma): Que é?


Desconhecido nº já perdi a conta: Bella?


Eu (querendo machucar alguém): quem mais seria?


Desconhecido nº já perdi a conta (com a voz tremula e fraca): Você quer... bom... ir ao baile... comigo?


Eu (querendo gritar): Não.

Não conseguíamos parar de rir. Eu gargalhava com os foras que a Bella deu, nunca pensei que ficaria tão feliz com isso. Jasper estava em júbilo de ficar ao nosso redor. Nunca tinha visto o Jasper dessa forma, nem a Rosalie rindo de forma tão intensa. Emmett não conseguiu voltar à leitura por um tempo, por causa das risadas.

– Eu já sou fã dessa garota. – Emmett disse.

Quanto tocou novamente eu pensei seriamente em não atender, mas por sorte era Jessica, e estava em júbilo; Mike falara com ela depois da aula e aceitara o convite. Uau, eu devia estar mesmo desesperada para achar que era sorte a Jessica estar me ligando.
Depois que desliguei, tentei me concentrar no jantar – cortei o frango em cubos e consegui terminar sem outros telefonemas.
Charlie pareceu desconfiado quando chegou em casa e sentiu o cheiro de pimenta-verde. Mas ele era um policial, mesmo que um policial de cidade pequena, então teve coragem suficiente para dar a primeira dentada. E pareceu gostar. Foi divertido observar enquanto ele aos poucos começava a confiar nas minhas habilidades culinárias.

– Pai? – perguntei quando ele quase havia acabado.

– Sim, Bella?

– Eu só queria que soubesse que vou a Seattle no sábado quem vem, eu tenho um evento na parte da manhã. – era a primeira vez que eu ia a Seattle, os eventos anteriores foram em Port Angeles.

– Vai lá sozinha? – perguntou ele, e não tive como saber se ele desconfiava de que eu tinha mesmo um evento ou se tinha um namorado secreto.

– Sim, pai. Pretendo ir de carro, assim eu aproveito e faço umas compras.

– Seattle é uma cidade grande… Você pode se perder – encrespou-se ele.

– Pai, Phoenix é cinco vezes maior do que Seattle… E eu posso ler um mapa.

– Quer que eu vá com você?

– Não é preciso, mas se você quiser ir, você pode se fantasiar também, acho que ainda tem uma vaga de relógio ou chaleira. – um rápido olhar de pânico cruzou o rosto de Charlie, não sei se pela parte de vestir uma fantasia ou a possibilidade de ficar cercado de crianças travessas.

– Ah, bom... er... se não tem problema você ir só... quer dizer... eu tinha planos... então, você pode ir... – Charlie não parava de gaguejar e tinha um sério problema em ser coerente. Claro, enfrentar bandidos sem problemas. Ir a uma festa infantil fantasiado, nem pensar.

– Ok pai. Sem problemas. – Eu sorri para ele.

De repente parecia o momento ideal para realizar meu plano.

– Tenho pena do chefe. – murmurou Emmett.

– Pai... – falei com a voz baixinha. Ele me olhou desconfiado.

– Quer alguma coisa Bells? – fiz um bico com isso. Eu ainda ficava impressionada em como eu era transparente.

– Pai... – falei novamente. – deixa eu fazer sua barba? – pedi com minha melhor expressão de Gato de Botas. Charlie ficou um pouco pálido.

– Eu aposto que o chefe Swan vai deixar. – disse Emmett gargalhando.

– Eu não posso acreditar. O chefe Swan usa esse bigode desde que eu o conheço. – Carlisle estava incrédulo.

– Deixa pai! Tenho certeza que você vai ficar mais gato sem esse bigode. – Charlie ficou vermelho com isso. Eu sabia que tinha herdado isso dele.

– Eu não sei Bells. É melhor deixar como está. – ele parecia querer sair correndo da mesa.

– Se você não gostar é só deixar crescer de novo. – disse o óbvio. Ele estava prestes a negar. Resolvi mudar de tática. – Por favor, pai! – intensifiquei meu olhar.

– Ok. – disse suspirando. Dei um gritinho empolgado e pulei no colo dele enchendo ele de beijos. Charlie se possível ficou mais corado ainda.

– Obrigada pai. Eu já volto.

Fui correndo para o meu quarto. Eu já tinha separado tudo, voltei com uma rapidez impressionante, não queria correr o risco que ele desistisse.

– Você já usou essa navalha antes. – me perguntou apavorado.

– Claro pai, sou quase um Fígaro. – disse rindo. E para dar mais efeito ao meu comentário comecei a cantar e rodopiar ao redor da cadeira onde Charlie estava sentando, tentando imitar uma voz de soprano que nem o pica-pau*, fazendo Charlie rir muito.


*http://www.youtube.com/watch?v=NR_IeTnMYwo

Do nada me lembrei de Edward Cullen. Se ele fosse mais ruivo ia ser igualzinho ao pica-pau.

Suspirei em meio às risadas dos outros. Ela nunca pararia de me comparar com animais e desenhos infantis.

Quanto terminei fiquei impressionada com a diferença. Charlie parecia mais jovem e estava mais bonito. Eu podia entender porque Renné se apaixonou por ele.

– Ficou ótimo pai. Olha. – disse mostrando no espelho. – Tá um gato. Logo, logo vou ganhar uma nova madrasta. – acrescentei o deixando completamente sem graça. – sabe pai, você podia correr comigo de manhã, assim você fica mais sarado. As mulheres gostam disso, mas eu aviso logo que sou ciumenta. – será que Charlie iria explodir de tão vermelho?

– Já chega de deixar seu pai sem graça Bells, eu vou subir. – ele me deu um beijo na testa antes de ir para as escadas. – Bells. – me chamou. Olhei em sua direção esperando. – Eu não sei por que você quis vir para cá, mas estou muito feliz que você tomou essa decisão de morar comigo... aqui era muito solitário sem você... eu sentia muito sua falta. Todos os dias. – e continuou a subir. Charlie não era de demostrar suas emoções, sempre foi um cara fechado. Quando eu era criança eu não entendia esse seu jeito e achava que ele não gostava de mim. Agora eu vejo suas atitudes por um novo ângulo. Dei um sorriso radiante com isso. Eu amava meu pai.

– Isso é tão bonito. – disse Esme emocionada. – Vocês viram a interação deles?

– Como será que ficou o chefe sem aquele bigode? Eu não disse que a Bellinha ia conseguir. Se ela pedir para ele pintar o cabelo de roxo eu aposto como consegue. – Rimos com isso. Eu também não duvidava.

Na manhã seguinte, quando cheguei ao estacionamento, encostei deliberadamente o mais distante possível do Volvo prata. Não queria me colocar no caminho da tentação e terminar devendo um carro novo a ele.

– Cuidado Edward, seu Volvo corre perigo. – disse Alice rindo.

Ao sair do carro, me atrapalhei com minha chave e ela caiu numa poça a meus pés. Enquanto me abaixava para pegar, uma mão branca apareceu de repente e pegou a chave antes de mim. Endireitei o corpo rapidamente. Edward Cullen estava bem ao meu lado, encostando-se casualmente no meu carro.

– Como é que você fez isso? – perguntei numa irritação surpresa.

– Fiz o quê? – Ele estendia minha chave ao falar. Quando fiz menção de pegá-la, ele a largou na palma da minha mão.

– Aparecer do nada desse jeito.

– Bella, não é culpa minha se você é excepcionalmente distraída. – A voz dele era baixa, como sempre. Aveludada, abafada.

Fechei a cara. Os olhos estavam claros de novo, uma cor de mel dourada e profunda.

– Ela pode se tudo menos distraída Edward. E você sabe disso só está falando para provoca-la – disse Alice com ar de sabe-tudo. Eu tinha que admitir que era verdade. Provocar Bella parecia ser agradável.

– Porque o engarrafamento de ontem? – perguntei, ainda sem olhar para ele. – Pensei que você devia fingir que eu não existo, e não me matar de irritação. – por culpa dele o Tyler conseguiu me alcançar.

– Aquilo foi pelo Tyler, e não por mim. Tive que dar uma chance a ele. – Ele riu, malicioso.

– Eu sabia que foi de propósito! – Alice me acusou.

– Isso não se faz filho. – Esme me repreendeu.

– Você… – eu arfei. Não conseguia pensar em nenhuma palavra ruim o bastante. Pensei que o calor de minha raiva pudesse queimá-lo fisicamente, mas ele só parecia se divertir mais. Gostaria de ter o poder do ciclope. Ele fez de propósito!

– E não estou fingindo que você não existe – continuou ele.

– Então está tentando mesmo me matar de irritação? Já que a van do Tyler não fez o serviço?

Franzi o cenho com isso. Eu não gostava de pensar em morte e Bella na mesma frase.

A raiva lampejava por seus olhos castanho-claros. Os lábios se apertaram numa linha rígida, sinais de que o humor se fora.

– Bella, você é completamente absurda – disse ele, a voz baixa e fria. Dei as costas e comecei a me afastar. Ele tem certeza que a absurda sou eu?

– Espere – chamou ele. Continuei andando. Mas ele estava do meu lado, me acompanhando facilmente. Esqueci que ele é parente do papa-léguas.

– Desculpe, foi grosseria minha – disse ele enquanto andávamos. Eu o ignorei. – Não estou dizendo que não é verdade – continuou ele –, mas, de qualquer forma, foi uma grosseria dizer aquilo. – resumindo ele não se arrependia nada. Então para que pedir desculpas?

– Seus pedidos de desculpas são péssimos. – disse Emmett para mim.

– Por que não me deixa em paz? – rosnei. Ele me ignorou durante o mês inteiro e agora fica perturbando a minha mente. Que tipo de jogo ele estava jogando? Vamos-fazer-a-Bella-perder-toda-a-paciência-do-ano? Porque se fosse ele estava conseguindo com maestria.

– Quero perguntar uma coisa, mas você está me evitando – ele riu. Parecia ter recuperado o bom humor. Será que ele me emprestava um pouco? Pois meu bom humor foi embora. Como ele diz que eu estou o evitando? Ele que não dirigia a palavra a mim.

– Você tem distúrbio de personalidade múltipla? – perguntei séria.

– Lá vem você de novo. – Deveria ter perguntado se ele tem TPM temporária. Quem sabe alguma virose que afeta o sistema neurológico dele. Respirei fundo, tentando me acalmar. Vamos Bella você consegue dialogar com uma pessoa.

– Tudo bem, então. O que quer perguntar? – viu só como consigo.

– Eu estava me perguntando se, no sábado que vem… Sabe como é, no dia do baile de primavera…

– Está tentando me irritar? – eu o interrompi, girando para ele. Pelo olhar, ele parecia se divertir perversamente. Sim, definitivamente ele estava tentando me irritar. Parabéns, você conseguiu!

– Eu aposto que se você a convidasse para o baile ela lhe daria um fora. – Emmett disse com uma certeza assustadora. – Pena que não saberemos.

– Como você sabe que o Edward não vai convida-la para o baile Emmett? – perguntou Alice confusa. Confesso que eu também, o Emmett tinha certeza desse fato.

– Você não teria coragem de enfrentar a Bellinha. – disse simplesmente. Ele estava falando completamente sério. Eu não tinha medo de uma humana. Se bem que em se tratando da Bella isso não era completamente verdade. Tinha certeza que ela conseguiria matar meu ego facilmente.

– Quer, por favor, me deixar terminar?

Mordi o lábio e respirei fundo. Fiquei calada esperando o que quer que o cabelo de pica-pau fosse falar.

– Eu a ouvi dizer que vai a Seattle nesse dia e estava pensando se você queria uma carona.

Fiquei um minuto confusa. Por essa eu não esperava.

– Como é? – Não tinha certeza do que ele pretendia.

– Quer uma carona para Seattle? – sim, ele falou o que eu pensei ouvir. Mas ainda não fazia sentido.

– Com quem? – perguntei completamente confusa.

– Comigo, é claro. – Ele enunciou cada sílaba como se estivesse falando com alguém com problemas mentais. E mesmo assim, eu ainda não conseguia compreender.

– Por quê?

– Bom, eu pretendia ir a Seattle nas próximas semanas e, para ser sincero, não tenho certeza se você encontrará o caminho.

– Eu tenho um mapa, obrigada por sua preocupação. – Recomecei a andar.

– Mas se estamos indo para o mesmo lugar porque não economizar gasolina? – Ele acompanhava meus passos novamente.

– Não vejo problema com isso. – Qual era a dele afinal?

– O desperdício de recursos não-renováveis é problema de todos.

– Francamente eu não consigo entender você. Pensei que não quisesse ser meu amigo. Você me evitou por semanas, ou será que foi imaginação da minha cabeça?

– Eu disse que seria melhor se não fôssemos amigos, e não que eu não queria ser.

– Ah, agora está tudo muito claro. Obrigada pela explicação – Ironia pesada. Percebi que tinha parado de andar de novo. Agora estávamos sob a cobertura do refeitório.

– Seria mais… prudente para você não ser minha amiga – explicou ele. – Mas estou cansado de tentar ficar longe de você, Bella.

– Acho que isso foi uma declaração. – Emmett falou. Eu estava pasmo com essa declaração. Esme e Alice pareciam que iriam explodir de felicidade.

Os olhos dele estavam gloriosamente intensos quando disse esta última frase, a voz ardente.

– Vai comigo a Seattle? – perguntou ele, ainda intenso.

– É claro que não, depois da forma que vem me tratando você acha que eu iria para algum lugar com você? Esquece. A resposta é não. – disse com raiva.

Fiquei magoado com isso. Nunca pensei que doeria tanto uma rejeição. Não achava mais graça de todos aqueles que Bella deu um fora, eu fazia parte do grupo de perdedores. Tenho certeza que foi difícil para eu fazer essa proposta e mesmo assim ela me rejeitou. Alice e Esme desfizeram os sorrisos do rosto e pareciam sentir pena de mim. Então, Emmett gargalhou.

– Emmett! – gritamos todos juntos.

– É... mais forte... que eu... vocês tem que ver... a cara... de vocês... – dizia entre risadas.

– Me dá aqui. – Alice pegou o diário das mãos do Emmett.

Eu ainda não sabia o que falar, eu nunca tinha ido a Seattle não seria ruim ir acompanhada. Qualquer coisa eu poderia voltar no carro com o pessoal do trabalho. Então balancei a cabeça uma vez confirmando.

Ele sorriu brevemente e depois seu rosto ficou sério.

– Você realmente deve ficar longe de mim – alertou ele. – Vejo você na aula.

Ele se virou abruptamente e voltou pelo caminho de onde viemos.

– Acho que você tem um encontro. – Alice disse sorrindo.

Notas finais
Então o que acharam?? Obrigada pelos comentários da capítulo passado. Gostaria de verdade de saber a opinião de vocês, ela é muito importante. É a minha primeira fic e eu vou mudando de acordo com a opinião de vocês. Eu não recebi 1/3 de comentários para o número de leitores. Como eu estou mudando a história é bom saber o que estão achando ou o que querem que mude. Beijos...