Uma Segunda Chance
25 Capítulo 23
Notas iniciais
A raiva que sentia não tinha precedentes.
Eu tinha exposto a mulher que amo. O ser mais importante de toda a minha existência estava correndo um risco desnecessário por minha culpa.
Quando começamos a ler os diários, uma pergunta sempre persistia na parte de trás de minha mente “Por que esses diários chegaram em nossas mãos?”
Estava começando a ter minha resposta.
Sempre pensei que de algum modo a culpa era minha, que tinha feito um grande erro causando grande mal a Bella. Saber que eu estava certo, e começar a ver meus erros em primeira mão machucava mais do que pensava ser possível.
Com o fato de ser vampiro, um ser mais forte por si só, adicionado ao meu dom e dos membros da minha família, acabei caindo em uma falsa rede de segurança que tinha rasgado em um curto espaço de tempo.
Arrisquei sua vida a primeira vez que a conheci, além de seu cheiro maravilhoso meus olhos negros deixaram claro que estava sendo negligente com minha sede. Se meus olhos estivessem dourados não teria sido mais fácil resistir à tentação que foi seu sangue?
Depois houve a van desgovernada. E se eu não estivesse por perto?
E ainda houve o incidente com aqueles miseráveis em Port Angeles. Estava tão acostumado a poder ter uma mente como guia que fiquei displicente. Isso teria causado no mínimo uma cicatriz para a sua vida, se eles tivessem feito metade das coisas que um dia, o mesmo tipo de monstros, fizeram a Rosalie. Como seria a vida da minha doce e inocente Bella? Ela ficaria marcada para sempre. Um trauma que talvez não conseguisse superar. Novamente por minha culpa.
Mais uma vez a vida de Bella estava em perigo. Um mal ainda pior do que qualquer coisa que pudesse imaginar, ela estava na mira de vampiros que matavam seres humanos com o mesmo remorso de um humano matar um mosquito.
Porém, dessa vez, não era o único culpado para esse acontecimento.
– Eu não devia ter confiado em você Alice. – minha voz saiu mais dura do que planejava.
Seus olhos se arregalaram com o choque e mágoa, depois mudaram para culpa.
– Isso dificilmente é culpa de Alice, Edward! – a defendeu Jasper.
– Eu sei. A culpa foi minha de ter confiado na pessoa errada.
– Edward! – gritou Esme chocada.
– Seu dom não funciona direito com Bella. Fui imprudente. Acreditei em sua palavra sabendo que uma decisão pode ser alterada a qualquer segundo. A coloquei em risco por ouvir apenas a garantia de Alice que tudo ficaria bem. – disse a última palavra com escárnio. – Deveria ter ouvido o sexto sentido de Bella. – lembrei como ela sentiu um medo inexplicável. Imaginei ser apenas por causa da corrida em minha velocidade, mas não pensava assim. Ouvi vários relatos de humanos ter uma espécie de sentimento de que algo errado ou ruim estava para acontecer e serem provados corretos.
Se tivesse a levado de volta para casa ela estaria em segurança. Como pude ser tão imprudente?
– Me desculpe. – pediu Alice humildemente.
– Não se preocupe, isso não irá se repetir. – Nunca mais tomaria uma decisão confiando apenas em seu dom.
“Pare com isso!” os pensamentos de Jasper estavam frenéticos sentido a dor de sua esposa. Eu não me importava. Bella estava em risco. E a culpa era nossa. Se não estivesse no meio de uma família de vampiros nada disso estaria acontecendo.
– Acho melhor vocês se acalmarem. Alice. – pediu Carlisle o diário que ela segurava. – Eu vou continuar a leitura, só vou pedir que controlem seus temperamentos até terminarmos de ler tudo. Vamos aprender a lição e evitar futuros erros.
– Isso é fácil para você dizer. Não é vida de Esme em jogo. – sei que estava sendo grosso e rude, mas não pude conter minhas palavras.
Os olhos de Carlisle faiscaram com raiva. – Está enganado! Bella faz parte de nossa família. Não pense por um momento que se isso estivesse acontecendo agora e não em um diário, eu não colocaria minha vida em jogo para salvar a dela!
Senti vergonha por um momento. Podia ver que ele estava sendo sincero. Carlisle era um homem que faria tudo em seu poder para salvar sua família.
Dei um pequeno aceno de cabeça. Ainda tomado pela raiva e pelo medo do que estava por vir.
Eles emergiram um por um da floresta, se aproximando doze metros de uma só vez.
Claro, tinha que ser mais do que um vampiro! Bella era um ímã para perigo. Se fosse somente um seria mais fácil e rápido.
O primeiro homem diminuiu imediatamente, permitindo que o outro homem ficasse na sua frente, se deixando guiar pelo homem alto, de cabelos escuros tentando deixar claro quem era que liderava o bando. A terceira era uma mulher; a distância, tudo que eu conseguia ver dela era que ela tinha um cabelo em um incrível tom de vermelho.
Então eram três! Teria que ter cautela, qualquer erro custaria caro. Eu pegaria o líder, teria que dividir os outros dois entre a família, porém alguém tinha que ficar para proteger Bella, um erro seria fatal. Não estava disposto a pagar o preço por qualquer falha que viesse a acontecer.
Eles se enfileiraram antes de continuarem se aproximando cuidadosamente da família de Edward, exibindo o respeito natural de uma tropa de predadores quando encontram um grupo maior da sua própria espécie.
– Sim. Respeite o moço! – comentou Emmett tentando amenizar a tensão na sala. Dessa vez não funcionou. Conseguia ler seus pensamentos, ele considerava Bella como uma irmã mais nova. Emmett formou um forte vínculo com Bella e estava apavorado com as consequências que o menor erro poderia causar.
Enquanto eles se aproximavam, reparei no quanto eles eram diferentes dos Cullens.
O caminhar deles parecia de gato, e constantemente isso fazia parecer que eles estavam rastejando. Eles usavam o vestiário normal de qualquer mochileiro: jeans e uma camisa de botão casual, feita de um tecido pesado e a prova de água. No entanto, as roupas estavam desgastadas, pelo uso, e eles estavam descalços. Os dois homens tinham cabelos cuidados, mas o cabelo alaranjado da mulher estava cheio de folhas e sujeira da floresta.
Seus olhos rápidos estudaram o jeito mais educado, urbano de Carlisle, que, acompanhado de Emmett e Jasper, andou cuidadosamente em frente para encontrá-los. Sabia que essa escolha não foi por acaso, não tinha dúvida que Edward não sairia do meu lado.
Pode ter certeza disso! Não ia deixar que ela ficasse sozinha nem um segundo. Apenas se isso significasse uma luta. A escolha óbvia era deixa-la com Esme, mas minha mãe adotiva não tinha o preparo necessário para combater alguém mais experiente. Queria garantir pelo menos duas pessoas ao lado de Bella, minha segunda escolha era Alice, mas não confiava em seu dom como antes.
O homem na frente tinha uma pele em um tom de oliva por baixo da palidez de costume, o seu cabelo era de um preto forte. Ele tinha uma estatura média, tinha músculos fortes, é claro, mas não era nada comparado com a força muscular de Emmett. Ele tinha um sorriso fluente, que mostrava uma linha de grandes dentes brancos brilhantes.
Os músculos de Emmett ficaram tensos nessa afirmação. Podia ver em sua mente que estava preparado para luta.
A mulher tinha um aspecto mais selvagem, os olhos rápidos dela olhavam sem descanso para o homem que estava na frente dela, e para o grupo que estava ao nosso redor, seu cabelo caótico estava voando levemente com a brisa. Sua postura era distintamente felina.
O segundo homem era o que mais me assustava, o que era algo a se dizer. Estava sentindo um frio na barriga, que estava aumentando meu medo. Ele se movia sem parar atrás dele, mais leve que o líder, o que era estranho, pois se eu pudesse apostar, meu voto era que este homem possuía o papel de liderança. Seu cabelo castanho claro e feições retangulares eram indescritíveis. Seus olhos, no entanto, completamente imóveis, de alguma forma pareciam muito vigilantes. Ele era todo o predador e algo a mais. Não podia colocar o dedo sobre o que era diferente de todos os outros, mas esse vampiro me causava arrepios.
Tentei segurar um gemido de pura agonia. Conseguia imaginar que Bella sentiria medo da situação, mas tinha uma pequena esperança de que ela confiasse em minha família e eu para lhe proteger. Ver o amor de minha vida nesse estado e não poder fazer nada, me deixava impotente.
Seus olhos eram diferentes também. Não eram do dourado ou preto que eu cheguei a esperar, mas de um vermelho profundo que era muito perturbador e sinistro.
– Pobrezinha. – Esme sussurrou sentindo tristeza por essa situação.
O homem de cabelos escuros, ainda sorrindo, deu um passo em direção a Carlisle. Eles me lembravam um pouco da banda pop Black Eyes Peas.
Dei um pequeno sorriso incrédulo com seu pensamento. Não podia acreditar que no meio de tantos predadores ela fosse pensar em bandas pops. Bella era realmente única.
– Nós pensamos ter ouvido um jogo – ele disse numa voz relaxada que tinha um leve sotaque francês. – Eu sou Laurent, estes são Victoria e James. – Ele fez gestos para os outros vampiros ao seu lado.
– Eu sou Carlisle. Esta é minha família, Emmett e Jasper, Rosalie, Esme e Alice, Edward e Bella. – Ele nos apontou em grupos, deliberadamente não chamando a atenção para indivíduos. Eu senti um choque agradável quando ele disse meu nome, como se eu fizesse parte de sua família.
Choque? Ainda ficava impressionado que apesar de tão inteligente, Bella era absolutamente obtusa em relação a sua importância em nossas vidas.
Como não pode ver o quanto ela significa? Bella é da família, porém a ligação que temos com ela não se pode comparar com meros mortais. Nem o amor de seu pai é tão grande quanto o nosso. Não quero menosprezar seus sentimentos, mas depois de nossa transformação, não só aumenta nossa força, aumenta também nossa capacidade de amar. Porém, para alcançar esse nível de ligação é 100 vezes mais difícil, poucos de nossa espécie querem criar esse vínculo. Afinal, tornaria o ponto fraco de um vampiro. Se algo acontecesse com Bella eu mataria tudo e qualquer coisa que lhe fez mal antes de acabar com minha existência.
Por isso vampiros preferem viver isolados do que se expor a este risco de se tornar vulnerável.
– Vocês têm espaço para mais alguns jogadores? – Laurent perguntou num tom sociável.
Por mais que fosse Laurent que estivesse falando, meus olhos não saiam de James. O que era uma tarefa difícil, visto que Edward estava tentando me esconder com seu corpo. Apenas conseguia ter alguma visão devido a sua posição. Ele estava me cobrindo em direção a Laurent que estava em nossa frente e James estava mais afastado a nossa esquerda.
Seus olhos demoram um pouco mais em Alice. Podia ser impressão minha, mas parecia que seus olhos brilharam com alguma emoção. Surpresa talvez?
Agora foi a vez de Jasper rosnar alto e em uma velocidade que poderia superar a minha, agarrou Alice em seus braços.
Seus pensamentos estavam caóticos. Jasper não era mais aquele homem calmo e reservado, ele se tornou o vampiro que via o risco de perder sua companheira. Tudo que pensava era “Proteger. Proteger minha companheira”.
Como um, nos afastamos dos dois o mais longe que a sala permitia. Emmett se colocou na frente de Rosalie e Carlisle fez o mesmo com Esme. Ninguém queria trazer o Major à tona.
Alice falava palavras calmantes e o abraçava. Demorou mais de cinco longos minutos até Jasper voltar ao normal.
– Desculpe. – pediu um pouco envergonhado.
Nunca tinha entendido essa reação, a perda de controle que um vampiro acasalado podia ter. Agora entendia completamente. Estava desesperado vendo o desenrolar dos acontecimentos. Ficava um pouco aliviado de ao menos não ter perdido o controle na frente de Bella com essa ameaça.
Como se ouvindo meus pensamentos, Jasper respondeu.
– Vocês ainda não estão acasalados. Quando isso acontecer e você fizer a marcação você não terá esse controle.
– Isso não vai acontecer. – falei rapidamente, não querendo pensar nessa possiblidade. Bella era humana isso é fisicamente impossível para nós. Nosso relacionamento nunca chegaria nesse ponto.
Carlisle vendo meu dilema voltou a leitura.
Carlisle imitou o tom amigável dele. – Na verdade, nós já estávamos acabando. Mas certamente estaríamos interessados numa outra hora. Vocês pretendem ficar por muito tempo?
– Nós estávamos indo para o Norte, na verdade, mas ficamos interessados em ver a vizinhança. Nós não encontramos companheiros há um bom tempo.
Francamente, sem querer ser rude, mas Carlisle levava cortesia a um nível totalmente novo. Estava esperando ele os convidar para tomar chá.
Era estranho ver Carlisle envergonhado, mas depois desse diário estava virando um hábito.
– O que? Eu tinha que fazer conversa fiada para conseguir ganhar um pouco de confiança para vocês saíssem sem serem notados. – se defendeu.
– Não, essa região geralmente está vazia, com exceção dos visitantes inesperados, como vocês.
A tensa atmosfera havia lentamente se transformado numa conversa casual; eu concluí que Jasper estava usando seus dons peculiares para controlar a situação.
A conversa entre Laurent e Carlisle continuou, confesso que estava apenas ouvindo parcialmente suas palavras.
Eles estavam falando sobre a área de caça. Tentei não franzir a testa pelo tom que usava. Tinha certeza que ele não sofria nenhum arrependimento por se alimentar de humanos. Não era à toa que Laurent ficou surpreso ao saber que mantinham residência permanente, afinal, se os Cullen se alimentassem de humanos, Forks seria desabitada em poucos anos.
Odiava que Bella tivesse escutando essa conversa. Depois de tanto tempo tentando esconder as partes mais desumanas da minha natureza, para no final ela ser comparada ao animal indo para o abate.
– Porque vocês não vão a nossa casa onde podemos conversar confortavelmente? – Carlisle convidou. – É uma longa história.
James e Victoria trocaram olhares surpresos com a menção da palavra “casa”, mas Laurent controlou melhor a sua expressão.
Não conseguia me sentir à vontade mesmo com o dom de Jasper.
Encostei minha mão o mais discretamente possível na costa de Edward. Precisava de alguma ligação física com ele. Estava me sentindo extremamente desconfortável. Queria que Carlisle andasse com eles o mais longe possível para que Edward me levasse para casa.
Odiava mostrar o quanto estava apavorada, podia ver como ele ficou tenso, em dúvida entre me consolar e me proteger. Não queria colocar Edward nessa posição, mas eu precisava dele ou pelo menos de qualquer conexão. Sabia que no momento ele não poderia me abraçar como era minha vontade. Teria que me contentar com um pequeno toque de minhas mãos apoiando em suas costas.
Estava sentindo um gosto cada vez mais amargo vendo a posição em que coloquei Bella, pior, ela estava colando a culpa em cima dela. Não podia permitir isso. Sua preocupação por mim era desnecessária. A única em risco era ela.
Consegui firmar a minha respiração apenas ao tocar em Edward. Ele era o que mantinha meu medo ao mínimo. Saber que ele sempre me protegeria.
Estava ao máximo tentando ignorar a conversa, até que Laurent falou que já havia se alimentado. Fiquei cantando um mantra na minha cabeça para não pensar nisso. Não queria imaginar quem tinha sido suas vítimas. Seria alguém de Forks? Era algum pai de família? Talvez uma mãe? Seria uma criança?
Estremeci só em pensar. Tentei concentrar apenas em respirar. Não poderia entrar em pânico agora.
Estava ficando além de irritado com o comportamento de Carlisle. Sempre sendo um pacificador não era a alternativa.
– Droga Carlisle! – reclamei furioso. – Até quando você irá estender essa conversa? Está esperando que eles notem Bella e queriam se alimentar dela? – estremeci com a possibilidade. – Ou quer que eles digam algo que a assuste e a mande para longe?
– Edward! – falou se irritando também. – Estava tentando! Não tenho o dom de prever o futuro. – Alice estremeceu no comentário de Carlisle, fazendo Jasper rosnar. – Não estou lhe culpando por nada Alice. – se desculpou. – O que estou falando é que não sabemos a melhor forma de agir. Você deveria ter levado Bella na hora que soube que eles estavam vindo e correr o risco deles a caçarem? Era melhor ataca-los de surpresa? Eu não sei! Tentei fazer amizade para não repararem nela e caso viesse a acontecer eles não tentem nada contra Bella. Era a melhor alternativa que vi. Se tem uma ideia melhor, por favor, ir em frente.
Tinha uma ideia muito melhor. Desmembrar e incendiar esses nômades, mas esse não era o momento de falar. Iria precisar da ajuda de Jasper e Emmett. Meus irmãos estavam em sintonia comigo, pois seus pensamentos iam na mesma direção. Sabia que Carlisle era um pacificador no coração. Teria que deixa-lo de fora dos nossos planos.
– Nós vamos te mostrar o caminho se vocês quiserem correr conosco, Emmett e Alice, vocês vão com Edward e Bella pegar o Jipe. – Ele disse casualmente.
Finalmente. Não podia acreditar que tudo ia ficar bem. Ter Bella longe desses vampiros era um alívio. Senti a tensão dissolvendo pela minha família.
Três coisas pareceram acontecer simultaneamente enquanto Carlisle estava falando. Meu cabelo voou levemente com a brisa, Edward ficou rígido, e o segundo homem, James, virou sua cabeça de repente, me estudando, suas narinas infladas.
Uma rápida rigidez passou entre eles quando James começou a rastejar mais para perto.
Edward mostrou seus dentes, numa posição de defesa, um rosnado de animal brotou de sua garganta.
Não foi nada como os sons de brincadeira que eu ouvi dele esta manhã. Foi o ruído mais ameaçador que já tinha ouvido, e arrepios percorreram todo o meu corpo, desde os meus fios de cabelo até os calcanhares.
– Não! – gritei em agonia. Parecia que tudo estava indo bem. Como em um segundo nossos planos tinham desmoronado?
– O que é isso? – Laurent perguntou surpreso. Nem Edward nem James relaxaram suas posições agressivas. James se moveu levemente para o lado, e Edward se moveu em resposta. Seus olhos passavam por meu corpo e me repreendi mentalmente por usar tão pouca roupa. Gostaria de ter usado uma burca! Senti seus olhos demorando em direção as minhas pernas. Edward rosnou mais alto, não queria saber o que passava pela mente de James. Pelos olhares lascivos e famintos que estava me dando, era melhor não saber.
Encolhi meu corpo o mais perto fisicamente de Edward.
Rosnei com o que ouvia. Por um momento esqueci tudo o que Bella estava vestindo. Sua roupa de líder de torcida, que usou especialmente para me provocar e torcer por mim. Minha ira aumentava a cada segundo. Esses desgraçados mancharam uma memória agradável, alegre, de um momento em família, tornando algo perigoso e traumatizante para Bella.
Queria machuca-los tão ruim. Assim que terminasse a leitura, iria caça-los e mata-los sem piedade. Principalmente James! Como ousa ter tais pensamentos impuros por minha companheira?
– Ela está conosco. – A repulsa de Carlisle foi para James. Tenho certeza que seu olhar lascivo em minha direção não passou despercebido por Carlisle. Laurent pareceu ganhar algum sentido de consciência, tirando seu olhar de predador e voltando a ganhar alguma humanidade.
– Vocês trouxeram um lanche? – ele perguntou com uma expressão incrédula, dando um passo involuntário a frente como se fossem dividir o alimento. A pior parte de sua frase era que o lanche era eu. Gostaria de ter o poder de fusão do estilo do anime Dragon Ball. Assim poderia me fundir com Edward. Mesmo próximo a ele, não conseguia parar o medo que estava aumentando em mim.
Edward rosnou ainda mais ferozmente, asperamente, seus lábios se curvando sobre seus dentes brilhantes que estavam a amostra. Laurent andou pra trás de novo.
Raiva cega me dominou. Não conseguia parar de grunhir e rosnar. No momento era mais um predador, meus traços de humanidade estavam desaparecendo.
Como ousa supor que Bella era nada menos que um lanche? Tinha que impedir que isso acontecesse. Precisava salva-la desse tormento.
– Segurem ele! – ouvi Alice gritando antes que braços fortes me cercavam.
– Edward, pare! – gritou Carlisle. Não percebi que estava lutando contra Carlisle, Emmett e Jasper. Seus pensamentos frenéticos em minha direção. Vários minutos se passaram antes que nos acalmassem.
– Edward, sei como é difícil lidar com o que está acontecendo no diário, mas você tem que pensar que ainda não aconteceu. Infelizmente tenho a impressão de que esse é apenas um erro de uma série. – disse Carlisle gravemente.
Senti meu coração morto cair. Não podia piorar mais do que isso, certo? Era ruim o suficiente o perigo que Bella estava dentro, não podia suportar se algo pior viesse a acontecer.
– Eu concordo. – Emmett falou sério com uma expressão solene. – Algo muito ruim aconteceu.
– E você acha que o que está acontecendo no diário não é ruim o suficiente? – perguntei frustrado.
– Tenho confiança que conseguiremos destruir esse clã. – afirmou Jasper. – Alterar o passado corre grande riscos. Ninguém faria isso de ânimo leve. Algo extremo aconteceu e pelo que posso ver há muita história pela frente.
– Então não vamos perder tempo. Quanto mais rápido aprendermos tudo, mais preparado podemos estar. – afirmou Carlisle.
Senti meu coração afundar. O quão ruim isso iria ficar?
– Eu disse que ela está conosco. – Carlisle corrigiu com uma voz dura e um rosnado no final. Pela primeira vez pude ver seu lado mais animalesco. Lembrei sua história de vida. Carlisle tinha mais de 300 anos. Não era para ser tomado de ânimo leve. Ele era um vampiro a ser temido e respeitado, apesar de toda a polidez que apresentava. Lauren deu um passo atrás, sentindo o mesmo que eu.
– Mas ela é humana – Laurent protestou. As palavras não eram agressivas, apenas um tanto quanto surpresas, tentando justificar seu comportamento.
– Sim – Emmett ficou muito mais visível do lado de Carlisle, seus olhos estavam em James.
Tentei não ficar boquiaberta com Emmett. Até então o tinha visto com um grande urso de pelúcia, fofo e brincalhão. Agora esses traços estavam extintos dando lugar a um assustador e forte predador. Ele tencionou seus músculos em uma demonstração de força. Aquele Emmett que conheci e fiz brincadeiras não existia mais, somente um formidável predador, seu tamanho que eu considerava muito grande, parecia ainda maior.
Emmett ficou fazendo poses de halterofilista para mostrar seus músculos depois das palavras de Bella.
Ele parecia um gatinho que quando via um predador e ficava tenso, rosnando e silvando.
Meu irmão se jogou no sofá frustrado de ser comparado a um simples animal doméstico.
James lentamente abandonou sua posição, mas seus olhos não saíram de cima de mim, suas narinas ainda infladas. Edward continuou tenso como um leão na minha frente.
Então lembrei que Edward sabia exatamente o que ele estava pensando. Tive que me conter para não o abraçar. Não conseguia imaginar o quão difícil era essa situação para ele.
Respirei fundo tentando não ficar mais irritado, mas era difícil. Como Bella pode se preocupar comigo? Ela deveria estar sentindo raiva pela situação que a coloquei. Devia estar repudiando minha família, minha espécie. Isso seria a atitude normal. Claro que era faria exatamente o oposto, se preocupando com minhas necessidades acima da dela.
Quando Laurent falou, seu tom estava suavizado, tentando afastar a hostilidade repentina. – Aparentemente temos muito a aprender uns sobre os outros.
– Realmente – a voz de Carlisle ainda estava fria.
– Mas nós gostaríamos de aceitar seu convite – seus olhos vacilavam entre Carlisle e eu. – E é claro que não iremos causar nenhum mal a garota humana. Não iremos invadir seu espaço, como eu disse.
James olhou sem acreditar e agravado para Laurent e trocou outro breve olhar com Victoria, cujos olhos ainda passavam rapidamente de rosto para rosto. Naquela troca, senti que James não concordava com Laurent.
Troquei um breve olhar com Jasper. Ele deu um pequeno aceno, concordando comigo. Isso ainda não tinha acabado. Esperava que juntos podíamos terminar esse conflito o mais rápido possível, com Bella segura seria mais fácil para destruí-los.
Carlisle mediu a expressão aberta de Laurent antes de falar.
– Nós iremos mostrar o caminho. Jasper, Rosalie, Esme? – ele chamou. Eles se juntaram me bloqueando enquanto se convergiam. Alice estava instantaneamente ao meu lado, Emmett ficou atrás lentamente, seus olhos se travaram quando ele passou por James.
– Vamos, Bella. – A voz de Edward era baixa e inexpressiva.
Durante todo esse tempo eu estive colada no lugar, aterrorizada demais para me mexer. Há alguns minutos, tudo o que queria era ir embora o mais rápido e distante possível e agora quando finalmente podia ir meu corpo não colaborava com minha mente, me deixando parada como uma mula empacada.
Edward teve que agarrar meu cotovelo e me puxar levemente para quebrar o meu transe. Agradeci sua força sobre humana, ele estava praticamente me carregando.
Alice e Emmett estavam logo atrás de nós, me escondendo. Eu tropeçava ao lado de Edward, ainda dominada pelo medo. Eu não podia ouvir se o grupo principal já havia ido embora. A impaciência de Edward era quase palpável enquanto andávamos em velocidade humana para a floresta.
Assim que chagamos a floresta, Edward me jogou em suas costas sem parar de andar. Foi rápido e abrupto. Eu me agarrei o mais forte que pude quando ele começou a correr, os outros bem atrás dele. Eu mantive minha cabeça abaixada, mas meus olhos, arregalados de medo, não quiseram fechar. Odiava minha incapacidade.
Eles se moviam pela floresta negra como fantasmas. A sensação de alegria que parecia dominar Edward quando ele corria estava completamente ausente. Em seu lugar havia uma fúria que o possuía e fazia ele ir ainda mais rápido. Mesmo eu estando nas costas dele, os outros acabaram ficando pra trás. Dessa vez, não tive a chance de ficar tonta ou com receio, acho que meu corpo só podia lidar com uma quantidade de medo por vez.
Nós chegamos no Jipe num tempo impossivelmente rápido, Edward mal parou e estava me jogando no banco de trás.
– Edward! – Esme me repreendeu pela forma que estava tratando Bella. Ela não tinha notado o que Jasper e eu vimos. Eles não iriam sair em paz. Pelo menos, James e Victoria não.
– Tenho que leva-la para um local seguro. – falei não dando mais explicação.
– Ponha o cinto nela – ele ordenou a Emmett que entrou ao meu lado.
Alice já estava no banco de frente e Edward ligava o motor. Ele rugiu e viramos para trás, girando para ficar de frente para a estrada sinuosa.
Edward grunhia algo rápido demais para eu entender, mas parecia uma sucessão de palavras profanas. Nunca imaginaria Edward falando palavrões, seu vocabulário parecia interminável. Acho que sua leitura de mentes ensinou mais algumas coisas. Nunca ouvi metade do que ele dizia.
A viagem sacudida foi muito pior dessa vez e o escuro só a tornou mais assustadora. Tanto Emmett quanto Alice olhavam para fora pela janela.
Sabia que era um momento de tensão, mas senti um certo alívio de estar voltando para casa. Queria muito a minha cama, dormir um pouco para descansar dessa aprovação.
Minha vadia interior comemorava que finalmente terminou.
“Só quero esquecer! Acho que aqueles olhos vão me dar pesadelos”
Concordava com minha V.I. Aqueles olhos vermelhos, o jeito predatório que me olhava, fazia minha pele arrepiar.
Nós entramos na estrada principal, e apesar da velocidade ter aumentado, eu podia ver muito mais claramente para onde estávamos indo. Nós estávamos indo pra o Sul, nos distanciando de Forks. Acho que a memória de Edward estava prejudicada. Ele não estava esquecendo onde morávamos?
– Onde estamos indo? – eu perguntei, tentando mostrar que ele pegou o caminho errado.
“Péssima hora para a memória fotográfica dar defeito! Ele não vê que precisamos ir para casa o mais rápido possível?”
Ninguém respondeu. Ninguém sequer olhou pra mim. Isso me deixou irritada.
– Droga, Edward! Me leve para casa. – a última coisa que queria era dar um passeio. Queria chegar em casa. Será que ele não percebeu o quanto essa situação me deixou nervosa?
– Nós temos que te levar pra longe daqui... muito longe... agora. – Ele não olhou pra trás, seus olhos estavam na estrada. O velocímetro marcava 240 quilômetros por hora. Não podia acreditar no que ele estava falando. Ele não podia ser sério. Como ele podia pensar que eu podia ir para outro lugar assim?
– Dê a volta! Você tem, que me levar pra casa! – eu gritei. Lutei contra o arnês idiota, rasgando as tiras.
– Emmett – Edward disse severamente.
E Emmett segurou minhas mãos com o seu aperto de aço. Olhei para ele com uma expressão traída por não ter tomado meu lado nessa disputa.
“Traidor!” gritou minha Vadia Interior também irritada.
Ele me deu um olhar de desculpas enquanto me segurava. – Desculpe, sis!
Grunhi com raiva. Bella ainda não percebeu o perigo que estava. Ela era alheia ao que estava acontecendo. Pela primeira vez não me importei com a raiva dela em direção a mim. Sua segurança era minha prioridade, arcaria com as consequências depois.
– Edward você não pode estar falando sério! Eu tenho que ir para casa.
– Eu tenho que fazer, Bella, por favor fique quieta. – fiquei indignada. Ele estava me tratando como uma criança mal comportada que estava fazendo uma birra.
– Não fico! Você tem que me levar de volta, Charlie vai chamar o FBI! Eles vão cair em cima da sua família, Carlisle e Esme! Eles terão que fugir, que se esconder para sempre! – estava ficando mais aflita a cada momento. Parecia que o encontro que tivemos com esses nômades o fez perder todo o bom senso.
– Acalme-se, Bella – sua voz continuava fria. – Nós já fizemos isso antes.
– Não comigo como causa! Vocês não estão arruinando tudo pra mim! – lutei violentamente, mas foi totalmente fútil.
Alice falou pela primeira vez. – Edward, encoste.
Ele deu uma olhada dura pra ela, e aumentou a velocidade.
Gemi internamente. Isso não era hora para agir como um irmão e fazer o exato oposto que a irmã pede.
– Edward, vamos apenas conversar sobre isso.
– Droga Alice. Você sempre tem que se meter? Você já não causou danos o bastante? – minha irmã realmente estava me irritando. Não podia me apoiar nem nesse momento?
– Droga digo eu, Edward. Você não acha que também quero o que é melhor para Bella? Levando em uma corrida selvagem não vai ajudar.
– Vai me dizer que “previu” isso? – falei fazendo aspas para o seu dom.
– Chega. – disse Carlisle frustrado. – Parem de agir como crianças. Juro se continuarem vou levar todos esses diários para longe e ler sozinho.
– Você não pode fazer isso. Eles são meus! – rugi indignado com a suposição. Como se eu fosse deixar ele ler os pensamentos mais privados de Bella sem que esteja por perto.
– Eles foram enviados para a família Cullen e como líder do clã vou tomar as medidas que achar necessário. Estamos no primeiro, nem chegamos a metade e perdi a conta de quantas brigas tiveram. – sua voz foi ficando mais frustrada. – Controlem-se! Temos que saber todos os fatos e depois tomar várias decisões.
– Você não entende – ele rugiu frustrado.
Eu nunca havia ouvido a voz dele tão alta, era ensurdecedora dentro do Jipe. – Ele é um rastreador, Alice. Um rastreador!
As palavras anteriores de Carlisle foram perdidas no meio do caus. Sinceramente parecia que iria perder a minha mente. Um rastreador! Isso era infinitamente pior do que pensava. O risco da vida de Bella era imenso. Precisava afasta-la de Forks. Ele não iria a deixar em paz.
Carlisle olhou para a confusão ao seu redor, todos falando e gritando a sua indignação e medo. Seus olhos encontram com os meus e vi a pena que ele sentia. Ele sabia como a leitura dos diários me afetava.
Estava quase arrancando meus cabelos do tormento que sentia. – Vamos corrigir isso filho. – me garantiu.
Eu não tinha tanta certeza.
Eu senti Emmett enrijecer ao meu lado, e imaginei o porquê dessa reação a palavra. Ele murmurou o que parecia ser vários palavrões.
Parecia que ela significava mais pra eles três do que pra mim; eu queria entender, mas não houve oportunidade para eu perguntar.
– Encoste, Edward – o tom de Alice era razoável, mas com uma ponta de autoridade que eu nunca havia ouvido antes.
O velocímetro abaixou para cento e oitenta.
– Faça isso, Edward. – ele não a obedeceu.
– Me ouça, Alice. Eu vi a mente dele. Perseguir é a paixão dele, sua obsessão, e ele quer ela, Alice, ela, especificamente. Ele começa sua perseguição hoje.
– Ele não sabe onde.
Ele interrompeu ela. – Quanto tempo você acha que vai levar para que ele sinta o cheiro dela naquela cidade? Seu plano já estava traçado antes das palavras saírem da boca de Laurent.
Eu fiquei ofegante sabendo onde o meu cheiro o levaria. – Charlie! Você não pode deixá-lo lá! Você não pode deixá-lo. – Eu tentei me libertar das garras de Emmett sem sucesso. Meu coração estava acelerado pensando no meu pai desprotegido. Minha V.I. estava querendo fugir o mais logo possível, mas concordava que Charlie era mais importante.
– Ela está certa. – Alice disse.
O carro diminuiu um pouco mais.
– Edward. – parei de tentar me afastar de Emmett e interrompi o que quer que Alice queria falar. Um sentido de urgência em minha mente. – Eu não vou abandonar o meu pai. Se algo acontecer com ele eu não vou te perdoar. – por mais que me doesse dizer aquilo, eu não iria suportar se meu pai se machucasse por minha causa.
Meu peito parecia que ia explodir. Apenas ao imaginar Bella me odiando. Como poderia viver sem o seu perdão? Mas e se algo acontecesse com ela?
Minha mente estava em conflito. Não podia deixar Charlie desprotegido, mas não podia arriscar que Bella se machucasse. Ela era mais importante, mas sua felicidade também.
Seus ombros ficaram tensos com minha palavra. O carro diminuiu de novo, mas notavelmente, e então nós subitamente subimos no acostamento da estrada, parando. Eu voei para a frente, e depois bati com força quando voltei para o banco. Tentei não gemer com a dor que me causou. Sabia que iria acordar com vários hematomas.
Estava respirando fundo. O processo de expirar e inspirar fazia lentamente. Meu auto ódio aumentando. Estava tão preso no meu desespero para proteger Bella do perigo que acabei me tornando um. Estava a tratando sem o menor cuidado.
Sabia que estava em desespero, pois estava sentindo isso também, mas olhando agora na mente de Bella pude ver como fui rude e imprudente com seu bem estar.
Primeiro a carreguei abruptamente, sem a menor consideração com seus medos e limitação. Lembro como sentiu tonturas quando a carreguei a primeira vez, sem dúvidas não usei nem metade da velocidade que era capaz de chegar, agora porém, fui o mais rápido que poderia, sem aviso. A coloquei no carro de qualquer forma e agora freei sem o menor cuidado a fazendo se machucar.
Como pude esquecer que era humana? Que merecia um tratamento especial?
Isso não era bom. Meu número de erros não parava de aumentar.
– Bella, por favor. – implorou, mas não iria ceder. Era a vida de meu pai em risco. Charlie era completamente inocente.
Me irritava com a forma que ela falava, como se Charlie seria a única vítima. Bella era tão inocente como ele.
– Edward. Bella tem razão, temos que pensar nas opções. – Alice falou antes que pudesse me manifestar.
– Não temos opções – Edward falou arrastado.
– Eu não vou deixar Charlie – gritei. Ele me ignorou completamente. Estava ficando cada vez mais irritada
– Nós temos que levá-la de volta – Emmett finalmente falou, tomando meu lado, olhei com gratidão em sua direção.
– Não. – Edward foi absoluto.
– Não podemos deixar o pai dela sozinho. Ele não é páreo para nós. Podemos acabar com ele e proteger os dois.
– Você não viu, você não entende. Quando ele se compromete com uma perseguição, ele é inabalável. Nós teríamos que matá-lo.
Emmett não pareceu aborrecido pela ideia. – Isso é uma opção.
– E a fêmea. Ela está com ele. Se isso se transformar numa luta, o líder se juntará a eles também.
– Nós somos um número suficiente.
– Há outra opção – Alice disse baixinho.
Edward de virou furioso pra ela, sua voz era um rugido devastador. – Não... há... outra... opção!
Troquei um olhar silencioso com minha irmã. Era raro que brigássemos. Porém, quando acontecia podia imaginar os motivos. Na situação parecia que Alice teve uma visão, uma que não concordava. Não era o momento de pensar nisso, tinha certeza que iria descobrir em breve.
Emmett e eu olhamos pra ele em choque, mas Alice não parecia estar surpresa. O silêncio durou um longo minuto enquanto Edward e Alice se encaravam. Finalmente minha raiva explodiu. Não tínhamos tempo para sua discussão. Meu pai estava em perigo e qualquer momento era crucial
Quebrei o silêncio falando. – Vocês podem parar de se encarar e ouvir o meu plano?
– Não – Edward rugiu, Alice olhou pra ele finalmente encolerizada.
– Ouçam – eu implorei. – Vocês me levam de volta.
– Não – ele interrompeu, parecia sua única palavra.
Eu olhei pra ele e continuei. – Vocês me levam para casa. Eu digo ao meu pai que quero voltar para casa em Phoenix. Eu faço minhas malas. Nós esperamos até que o perseguidor esteja observando, então nós fugimos. Ele vai nos seguir e deixar Charlie em paz. Charlie não vai colocar o FBI na cola da sua família. Aí vocês podem me levar para a droga do lugar que quiserem.
Eles me olharam, atordoados.
Silêncio seguiu a essa declaração. A ideia era muito boa, admiti a contragosto.
– Realmente, não é uma má ideia. – A surpresa na voz de Emmett era definitivamente um insulto. Eu sempre tinha boas ideias.
“Droga em linha reta! Nós somos um gênio maldito!” nos defendeu a minha V.I.
– Pode dar certo, e nós não podemos simplesmente deixar o pai dela desprotegido. Você sabe disso – Alice disse.
Todos olharam para Edward.
– É perigoso demais, eu não quero ele a menos de cem quilômetros de distância dela.
Emmett estava muito confiante. – Edward, ele não vai passar por nós.
Alice pensou por um momento. – Eu não o vejo atacando. Ele vai tentar esperar até que nós deixemos ela sozinha.
– Não vai demorar muito até que ele se dê conta de que isso não vai acontecer.
– Eu ordeno que você me leve pra casa. – Eu tentei parecer firme.
Edward pressionou seus dedos nas têmporas e fechou os olhos. Percebi que mandar e ordenar ele não estava dando muito certo, tentei outra tática.
– Por favor – eu disse numa voz muito mais baixa. – Não me obrigue a deixar meu pai sozinho. – supliquei.
Ele não olhou pra cima. Quando ele falou, sua voz parecia exausta.
– Você vai partir essa noite. Quer os perseguidores vejam ou não. Você diz ao Charlie que não aguenta passar mais nem um minuto em Forks. Conte qualquer história. Eu não me importo com o que ele diga para você. Você tem quinze minutos. Você me ouviu? Quinze minutos a partir do momento que você entrar em casa. Diga o que for necessário para ele lhe deixar sair.
Ele ligou o motor do Jipe, nós viramos indo de volta pra casa, os pneus cantando.
Nesse momento percebi que era impossível negar os pedidos de Bella. O “por favor” acabou com minhas resoluções. Faria o que ela quisesse. Odiava ser tão fraco, porém podia ver o quanto ela sofreria se seu pai estivesse em risco.
A agulha do velocímetro começou a subir sem parar.
Alguns minutos se passaram em silêncio, só se ouvia o barulho do motor. Então Edward falou de novo.
– É assim que as coisas vão acontecer. Nós vamos para a casa dela, se o perseguidor não estiver lá, eu a levo até a porta. Então ela terá quinze minutos. – Ele me olhou pelo espelho retrovisor. – Emmett, você cuida do lado de fora da casa. Alice, você fica no carro. Eu ficarei lá dentro enquanto ela estiver. Depois que ela sair, vocês dois pegam o Jipe e vão dizer a Carlisle.
Parecia um plano razoável.
– Sem essa – Emmett interrompeu. – Eu vou com vocês. Não vou deixar minha irmãzinha e meu irmãozinho terem toda a diversão.
– Pense bem, Emmett. Eu não sei por quanto tempo ficarei fora.
– Até que a gente saiba até onde isso vai, eu fico com você. Será mais seguro para Bella dessa forma. – sabia que Edward iria ceder com esse argumento.
Edward suspirou. – Se o perseguidor estiver lá – ele continuou severamente. – Nós dirigimos direto.
– Nós chegaremos lá antes dele – Alice disse confiante.
Edward pareceu aceitar isso. Qualquer que fosse o seu problema com Alice, ele não pareceu duvidar dela agora.
Senti um pouco de culpa pelo tratamento de Alice. Seu dom funcionava com os outros, minha namorada que era diferente. Precisava dosar melhor minhas palavras.
– O que nós vamos fazer com o Jipe? – ela perguntou.
A voz dele tinha um tom duro. – Você vai dirigi-lo até em casa.
– Não, eu não vou – ela disse calmamente.
As palavras profanas impossíveis de escutar recomeçaram.
– Droga Alice! Você pode seguir meu plano uma vez? – falei cada vez mais frustrado. Toda a culpa que senti evaporou com o quanto ela estava dificultando todo meu planejamento. Será que ela não podia ver o quanto era difícil lidar com essa situação? Bella estava em risco, minha vontade era agarra-la no meu braço e correr.
– Eu acho que vocês deviam me deixar ir sozinha – eu falei ainda mais baixo.
Isso ele ouviu.
– Bella, só faça o que eu digo, só dessa vez – ele disse por entre os dentes trincados.
Soltei uma torrente de palavrões. Como ela ousa sugerir uma coisa dessas? Como se fosse possível deixa-la sem proteção ou me afastar um minuto que seja do seu lado quando sua vida está em risco.
Será que ela não ouviu minhas palavras? Ela era meu mundo. Quando meu mundo estava correndo um risco era impossível se separar.
Jasper demonstrou isso. Só em imaginar Alice em risco ele ficou louco. O mesmo vale para Bella. Não sairia do seu lado, a protegeria com minha vida.
– Ouça, Charlie não é imbecil – protestei. – Se você não estiver na cidade amanhã, ele vai suspeitar. – odiava ter que ser a pessoa lógica.
– Isso é irrelevante. Nós iremos proteger ele, e é só isso que importa.
Será que Edward perdeu a capacidade de raciocinar? – E quanto a esse perseguidor? Ele viu a forma como você agiu. Ele vai saber que você está comigo, onde quer que você esteja.
Emmett olhou pra mim, insultantemente surpreso de novo. – Edward, escute ela – ele persuadiu. – Eu acho que ela está certa. Odeio admitir isso, mas a única que está tendo boas ideias é Bella.
– Sim, ela está certa – Alice concordou.
– Eu não posso fazer isso – a voz de Edward estava gelada.
Estava horrorizado com a ideia. Ele não podiam estar me pedindo isso. – Vocês querem que eu deixe minha companheira em perigo? – rugi.
Emmett olhou cabisbaixo. – Eu sinto muito Edward, mas Bella é muito frágil. Perto de nós ela acabara se machucando.
– E deixa-la sozinha não seria um risco?
– Claro que não vamos deixar que ela fique sem proteção.
– Você não entende? Eu não posso me separar dela! Não quando sua vida está em risco. – gemi derrotado.
– Emmet devia ficar também – continuei. – Ele definitivamente deu uma boa olhada para Emmett.
– O que? – Emmett de virou pra mim.
– Você vai pegar ele mais facilmente se ficar – Alice concordou.
Edward olhou pra ela incrédulo. – Você acha que eu devo deixar ela ir sozinha?
– É claro que não – ela disse. – Eu e Jasper ficamos com ela.
– Eu não posso fazer isso – Edward repetiu, mas dessa vez havia um traço de derrota na voz dele. A lógica estava começando a entrar na cabeça dele.
Eu tentei ser persuasiva. – Fique por uma semana – eu vi a expressão dele no espelho e emendei. – Alguns dias. Deixe Charlie ver que você não me sequestrou, então você começa a sua caçada a James. Tenha certeza de que ele está completamente fora da minha cola. Então venha me encontrar. Venha por uma rota alternativa, é claro, então Alice e Jasper poderão voltar para casa.
Parei meu ritmo frenético e me joguei no sofá completamente derrotado. O plano era bom e lógico. Porém, meu coração parecia que estava rasgando apenas na possibilidade de ser afastado de Bella quando sua vida estava em risco. Na verdade, jamais queria me afastar dela, mas sabendo que estava segura e protegida e que a veria em poucas horas me dava força para sair e ir em casa. Passava horas vendo seu sono, só precisava de tempo para me trocar. Como poderia lidar com dias afastados?
Eu podia ver que ele estava começando a considerar a ideia.
– Te encontrar onde?
– Em Phoenix – é claro.
– Não. Ele vai ouvir que você foi pra lá – ele disse impaciente.
– E você vai fazer parecer que é ardil, obviamente. Ele sabe que vocês estarão comigo. Ele nunca vai acreditar que vocês vão me levar para onde dizem que estão me levando.
– Ela é diabólica. – Emmett gargalhou.
– E se isso não funcionar?
– Existem sete milhões de pessoas em Phoenix – informei.
– Não é tão difícil encontrar uma lista telefônica.
– Eu não vou para casa.
– Oh? – ele perguntou, um tom perigoso na voz dele.
– Edward eu não sou estúpida. Ele deve averiguar se eu realmente não fui para casa. Vou dar uma desculpa que meu carro quebrou e fiquei presa em algum hotel em alguma cidade próxima de lá.
– Edward, nós estaremos com ela – Alice lembrou ela.
– O que você vai fazer em Phoenix? – ele me perguntou severamente.
– Ficar dentro de casa.
– Eu gosto disso – Emmett estava pensando em cercar James, sem dúvida.
– Cala a boca, Emmett.
Queria muito socar meu irmão.
– Olha, se nós tentarmos derrotá-lo enquanto ela ainda estiver aqui, existe uma chance muito maior de alguém se machucar, ela vai se machucar, ou você, tentando protege-la. Agora, se nós pegarmos ele sozinho... – Ele ficou quieto com um sorrisinho no rosto. Eu estava certa.
O Jipe estava andando mais devagar agora que estávamos na cidade. A despeito da minha fala corajosa, os cabelos dos meus braços estavam de pé. Eu pensei em Charlie, sozinho em casa, e tentei ser corajosa.
– Bella – a voz de Edward estava muito suave. Alice e Emmett olharam pra fora pela janela, acho que tentando nos dar alguma aparência de privacidade. – Se alguma coisa acontecer com você... qualquer coisa eu vou me responsabilizar completamente. Você entende?
– Sim – eu engoli seco, apesar de não ter certeza do que estava falando.
Não. Ela não tinha ideia. Se algo acontecesse com Bella... não... não podia pensar nisso. Eu me mataria! Senti braços me envolver.
Esme.
– Vai ficar tudo bem filho.
Ele se virou para Alice.
– Jasper vai conseguir lidar com isso?
Apesar da recente confiança que Bella nos fez dar a Jasper. Ainda tinha receio de ter que testar com ela.
Podia ler em seus pensamentos que ele estava pensando o mesmo.
– Dê algum crédito a ele, Edward. Ele está indo muito, muito bem, levando tudo em consideração.
– Você vai conseguir lidar com isso?
E a pequena e graciosa Alice levantou os lábios numa careta horrorosa e deu um rugido gutural que me fez tapar meus ouvidos com as mãos.
Edward sorriu pra ela. – Mas mantenha as suas opiniões para si mesma. – Ele murmurou de repente.
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