Uma Segunda Chance
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Ele me levou para o cômodo que me apontara como o gabinete de Carlisle. Parou do lado de fora da porta por um instante.
– Entre. – convidou a voz de Carlisle. Edward nem ao menos bateu na porta.
Revirei os olhos internamente para esses vampiros com seus sentidos apurados.
Bater na porta era completamente desnecessário, ele sabia que estávamos ao lado de fora.
Pensei se um dia iria me acostumar com isso. Carlisle devia ter ouvido toda a nossa conversa, mesmo trancando em seu escritório, sua audição captaria o menor ruído.
Será que ele se importava de Edward ter compartilhado parte de sua história comigo?
– Claro que não. – respondeu Carlisle prontamente.
Carlisle nunca teve vergonha de seu passado. Na verdade, ele gostava de apresentar aos outros como começou sua nova forma de alimentação. Ele achava que qualquer um seria capaz de seguir sua dieta, pois ele enfrentou meses sem alimentação na pior fase de um vampiro. Quando ele é recém-criado.
Sinceramente não via como ele foi capaz de tal façanha. Ainda lembro aqueles torturantes meses quando comecei nessa vida. A sede latente e queimação constante em minha garganta, mesmo caçando todos os dias. Admirava e me orgulhava da força que meu pai teve em se abster de sangue por tanto tempo.
Edward abriu a porta para um aposento de teto elevado com janelas altas na parede oeste. As paredes também eram revestidas, de uma madeira escura — onde eram visíveis. A maior parte do espaço nas paredes era tomada por estantes altas que sustentavam mais livros do que eu já vira fora de uma biblioteca.
Sem dúvidas essa era a melhor parte de toda a casa, a quantidade de livros faziam meus olhos brilharem. Tinha uma imensa vontade de pegar algum e começar a ler.
Carlisle estava sentado atrás de uma enorme mesa de mogno, numa poltrona de couro. Havia acabado de colocar um marcador nas páginas de um livro grosso que segurava. A sala era como eu sempre imaginei que seria um gabinete de reitor de universidade – só que Carlisle parecia muito jovem para estar nesse papel.
Parecia, era a palavra chave. Ele apenas tinha a aparência jovem, afinal, ele era um velho homem muito velho.
Carlisle fez uma pequena carranca. Ele realmente não gostou de ser chamado de velho. Ainda mais de uma vez na mesma frase.
– Não fique chateado velho. – implicou Emmett. Claro que ele não deixaria a oportunidade passar, para a infelicidade de Carlisle, vi na mente de meu irmão que ele estava pensando em terminar suas frases dirigidas para Carlisle com “velho”. Alternando em algum momento para “velhinho” e optar pela forma que mais incomodar meu pai.
– O que eu posso fazer por vocês? – Ele nos perguntou agradavelmente, levantando-se.
– Eu queria mostrar a Bella a nossa história – Edward disse.
Fiquei tenso imediatamente. Não podia estar pensando em compartilhar minha história com Bella. Ela jamais me perdoaria pelo que fiz.
– Bem, sua história, na realidade.
Imediatamente senti aliviado. A história de Carlisle era um campo mais seguro. O lado ruim era que vendo tudo que Carlisle passou a minha época negra, mostra claramente minha fraqueza. É difícil competir com alguém com uma moral tão impecável como de meu pai.
– Nós não queríamos incomodar. – Eu me desculpei um pouco insegura. Não queria que ele compartilhasse sua história contra sua vontade.
– Não é incômodo nenhum. Por onde você vai começar?
– Pelo cocheiro. – Edward respondeu, colocando sua mão levemente sobre o meu ombro e me virando para olhar na direção da porta pela qual havíamos entrado. Esperava que eu soubesse todos os termos que eram usados no tempo de Carlisle. Velho do jeito que era o idioma devia ser completamente diferente.
Conversar sobre os tempos de ensino médio de minha mãe tinha que ouvir coisas como usar máquina de datilografia, mimeógrafo e soube que meu pai já usou brilhantina. Acenei em todos os momentos certos, mas depois fui procurar no dicionário para descobrir do que ela estava falando.
Agora imaginei como iria me sair ao ouvir a história de alguém da idade de Carlisle. Pelo menos eu sabia o que era um cocheiro, pois diferente das histórias de Renné, onde podia recorrer a um dicionário, ouvindo os contos de Carlisle eu teria que buscar um livro de história.
Tentei difícil não rir da careta de Carlisle. Ok. Confesso que não tentei tão duro assim.
Meu riso se junto com os membros da minha família. Era raro ver o patriarca da casa tão desconcertado. Tive um segundo de preocupação que a gargalhada de Emmett quebraria alguns vidros.
– Até parece que vocês são jovens. – retrucou levemente irritado.
Carlisle estava parcialmente certo, poderíamos não ser tão jovens, mas naquela casa ele era de longe o mais velho.
– Admita velho, procurar sua vida através de um livro de história seria hilário. – comentou Emmett entre risadas ganhando um bufo pouco comum de Carlisle em troca.
A parede que víamos agora era diferente das outras. No lugar de livros, ela estava cheia de pinturas de todos os tamanhos, algumas com cores vibrantes, outras em um preto-e-branco monótono. Eu procurei alguma lógica, algum tema que a coleção tivesse em comum, mas não encontrei nada no meu rápido exame.
Edward me puxou para a extrema esquerda, me pondo de frente pra um pequeno quadro pintado a óleo, com uma moldura simples de madeira. Ele não se destacava entre os quadros maiores e mais brilhantes; pintado em vários tons de sépia, ele retratava uma cidade em miniatura cheia de telhados exageradamente inclinados, com espirais no topo de algumas torres espalhadas. Um longo rio enchia o primeiro plano, atravessado por uma ponte cheia de estruturas que pareciam pequenas catedrais.
– Londres nos anos 1650 – Edward disse. Deixei minha expressão guardada, mas caramba! Imaginar Londres num tempo tão remoto era estranho.
– A Londres da minha juventude – Carlisle acrescentou alguns pés atrás de nós. Eu recuei; não tinha escutado ele se aproximar. Edward apertou minha mão. Sorri tranquilizadora para ele, mas por dentro estava tentando não rir. Juventude e Carlisle não eram palavras que combinavam.
– Vamos querido, não fique rabugento. – tentou aplacar Esme. – Tem que ver que para uma garota de 16 anos, alguns séculos são considerados muito tempo.
– Pelo visto Bella não tem uma queda por caras mais velhos. – provocou Emmett. – Antes ela estaria extasiada com sua beleza.
– Então Edward deveria se preocupar. – Carlisle respondeu sorrindo pelo meu descontentamento com seu comentário.
– Bella não se importa com a minha idade, diferente de outra pessoa... – coloquei o máximo de ironia possível. Era inseguro o suficiente com nossa relação. Não deixaria seu comentário me abalar, tinha o suficiente de preocupações sem acrescentar nada a lista.
– Você quer contar a história? – Edward perguntou. Eu me virei um pouco para ver a reação de Carlisle.
Ele encontrou meu olhar e sorriu. – Eu gostaria – ele replicou. – Mas eu estou atrasado. O hospital informou esta manhã que o Dr. Snow está doente hoje. Além disso, você sabe essas histórias tão bem quanto eu. – Ele adicionou, sorrindo para Edward agora.
Era uma combinação estranha de absorver – as preocupações diárias do doutor da cidade enfiadas no meio da discussão sobre sua juventude na Londres do século XVII. Imagino se ele teve vontade em algum momento de sua vida de lecionar. Ele daria um ótimo professor de história, afinal, ele esteve presente em boa parte da história.
– Acho que vou ficar com complexo de velhice. – resmungou baixinho Carlisle, graças a nossa audição ouvimos facilmente sua reclamação.
– Crise de meia idade, velho? – zombou Emmett.
– Meia idade só se for atrasada. – entrei nos comentários.
– Nada é “meia” na vida de Carlisle. Tudo é inteiro! – Alice jogou junto.
– Comportem-se. – tentou repreender Esme.
Depois de me dar outro sorriso caloroso, Carlisle deixou a sala.
Eu olhei para a pequena pintura da cidade natal de Carlisle por um logo momento.
– O que aconteceu então? – Eu finalmente perguntei, olhando para Edward, que estava me observando. – Quando ele se deu conta do que tinha acontecido com ele? – demorei um pequeno tempo para entender as palavras anteriores de Carlisle. Edward deve ter visto em primeira mão a história de sua vida apenas lendo seus pensamentos. Não conseguia imaginar como seria conviver com Edward podendo ler todos os meus pensamentos, constrangimento nem chega a abranger o que isso significaria.
– Nem me fale. – reclamou Rosalie.
– Você fala como se eu gostasse. – retruquei. Nunca fiz muita questão para manter em sigilo meu desagrado com os pensamentos de Rosalie. Sempre foi a mente mais rasa e superficial de todos. Mesmo assim, fiz um esforço consciente para manter a privacidade de todos tão bem como podia. Respeitei os pensamentos dos membros de minha família e não contava para os outros, muito menos usei para chantagem.
Rosalie tinha que ser grata por isso, não tinha certeza se ela estenderia a mesma cortesia para mim se os papeis fossem invertidos.
– Dos males o menor. Se for para ter um leitor de mentes nessa casa pelo menos foi o Edward. Vocês conseguem imaginar se fosse Emmett? – Alice fez uma grande careta de terror.
– Ei. – retrucou um pouco indignado Emmett.
Alice tinha razão, não iríamos ter paz nessa casa.
Rosalie parecia um pouco preocupada em pensar nessa possibilidade. Apesar de ser uma pessoa superficial em grande parte, seu amor por Emmett era genuíno.
“E se ele não gostasse dos meus pensamentos? Ele não teria ficado comigo? Edward odeia estar dentro da minha cabeça. Emmett também se sentiria dessa forma?”
Vi o conflito mental, mas sempre evitei interferir, achava melhor minha irmã tratar suas dúvidas diretamente com Emmett do que me ter no meio como interlocutor. Poderia muito bem falar de suas inseguranças para meu irmão, então ele iria a acalmar. Porém, esse não era meu papel, ela teria que chegar a um acordo sozinha.
Esse foi outro dos meus dilemas, saber o que passava na cabeça de cada um. Meu primeiro impulso sempre era explicar o que passava na cabeça da outra pessoa, para acalmar seus medos. O problema era quando as perguntas aumentaram, sempre perguntavam o que estava acontecendo, o que a outra pessoa estava pensando e foi quando percebi que não era o meu direito em contar. Assim, mantinha os pensamentos guardados e o máximo de informação que daria seria a ideia geral, ou quando afetasse diretamente a minha família.
Minha família sempre viria em primeiro lugar. Bem, agora em segundo. Mesmo sem a conhecer, Bella sempre estaria em primeiro na minha vida. Ela sempre seria meu número um. A única.
Ele se voltou para as pinturas, e eu olhei para ver qual imagem prendia a sua atenção agora. Era uma grande paisagem em desbotados tons de outono – um prado vazio e sombreado em uma floresta, com um pico escarpado à distância. Sempre gostei de pintar e admirar obras de arte, mas essas pinturas eram diferentes de tudo que tinha visto.
– Quando ele soube em que tinha se transformado – Edward disse quietamente, — Ele se revoltou. Tentou se destruir. Mas isso não é uma coisa fácil de fazer.
Olhei um pouco surpresa com essa revelação. Não conseguia imaginar um homem como Carlisle um suicida.
Esme apertou a mão de Carlisle de forma firme, seus pensamentos mostravam o quanto essa parte ainda a deixavam inquieta. Sem Carlisle nossa família não existiria. Ele sempre foi o patriarca e devemos muito a ele.
Para ser preciso, não existiríamos sem ele. Afinal ele transformou todos os membros da família, exceto Alice e Jasper. Bem, ele não os mudou, mas salvou a vida deles de certa forma. Quem sabe como seria a vida deles sem nossa família?
Pensando bem, se tornando um vampiro pode fazer até o homem mais sensato perdido. Para levar um homem como Carlisle a tal extremo, ele não devia ter encontrado outra solução.
– Como? – Eu não quis dizer isso em voz alta, mas as palavras passaram pelo meu choque. – Quer dizer, eu vi o que você fez com uma van, não consigo imaginar algo que possa te destruir.
– Sim, não é uma coisa fácil. Ele pulou de grandes alturas – Edward contou-me, sua voz impassível. – Ele tentou afogar-se no oceano... mas ele era jovem para a nova vida, e muito forte. É incrível que ele tenha resistido... a se alimentar... quando ainda era tão novo. O instinto é mais poderoso nessa época, ele toma o controle de tudo. Mas ele estava tão enojado de si mesmo que teve força para tentar se matar de fome.
– Isso é possível? – Minha voz era fraca. Tinha a impressão que jamais saberia a dificuldade que Carlisle passou. Inanição para um ser humano o deixa incapacitado, para um vampiro devia ser diferente e mesmo ouvindo a história, não podia entender a profundidade de sua luta.
Bella era intuitiva. Para um ser humano conhecer a nossa luta pelo impulso de sangue era impossível. Por mais que descreva, nada chega perto da realidade. Nossos instintos são multiplicados, somando isso a nossa força e sentidos elevados, pode resultar em um estrago suficiente para destruir uma pequena comunidade.
– Não, há poucas maneiras de nos matar.
Eu abri minha boca para perguntar, mas ele falou antes que eu pudesse. Ele sabia o que eu ia perguntar e me cortou. Fiz um pequeno bico em sua direção.
Sorri levemente. Não ia entrar no tópico “Como matar um vampiro”. Tinha que oferecer essas informações aos poucos para ela não fugir correndo em algum ponto.
– Então ele ficou com fome, e eventualmente fraco. Ele vagou para tão longe da população humana quanto possível, reconhecendo que sua força de vontade estava enfraquecendo, também. Por meses ele andou pela noite, buscando lugares vazios, abominando a si mesmo.
Podia imaginar na minha cabeça a cena descrita por Edward. Como Carlisle ficaria perto dos humanos com seu controle por um fio? Sua única alternativa era se isolar. Por quanto tempo ele deve ter sofrido nessa agonia?
– Uma noite, um bando de veados passou pelo seu esconderijo. Ele estava tão selvagem de fome que atacou sem pensar duas vezes. Sua força voltou e ele compreendeu que havia uma alternativa além de ser o monstro vil que ele temia. Ele não havia comido carne de veado e sua vida anterior? Durantes os meses seguintes sua nova filosofia estava criada. Ele podia existir sem ser um demônio. Ele se encontrou novamente.
Oh! Tudo foi por acidente? Foi simplesmente assim que ele encontrou esse estilo de vida?
Ficamos um pouco confuso com seus pensamentos.
Quer dizer, não é uma coisa lógica? Em situações de fome ir para outras opções? Se não há carne, substituir para algo parecido. Em países mais pobres é comum comer até mesmo inseto, pelo preço alto e menor quantidade de carne de bovina.
Seguindo essa lógica, não é um pouco óbvio no lugar de se alimentar de sangue humano passar para o próximo animal de a cadeia alimentar? Sei lá, se alimentar de um leão? Do que ficar vagando pela floresta morrendo de fome por sei lá quantos meses.
Ok, vendo por esse lado tem lógica sua posição. Carlisle estava sentado, mais uma vez boquiaberto com os pensamentos de minha namorada.
– Pela primeira vez me sinto um completo idiota.
– Você não é idiota, Carlisle. Minha namorada que é mais inteligente que a média.
– Posso ver como você estará em apuros. – fiz uma pequena carranca com seu comentário.
Quer dizer, se estivesse no lugar dele não saltaria para um veado, afinal, assistir Bambi muitas vezes e me sentiria o caçador malvado que matou sua mãe.
Então optaria por um leão, não, amo o Rei Leão, não tinha como acabar com um parente do Simba.
Optaria por um grande urso. Sim, isso que eu faria. Hum, pensando melhor, eu gostei de Irmão Urso. E, se fosse um humano que foi transformado em urso? Perderia todo o propósito de se alimentar de animais.
– Bella? – sai dos meus pensamentos com a voz um pouco aflita de Edward. – Você está bem? Estou te chamando faz algum tempo.
Ela é de verdade? Bella estava realmente misturando um assunto tão mórbido como a alimentação de vampiros com desenhos infantis?
– Eu amo essa garota. – e quem disse isso não fui eu. E, sim meu irmão idiota. Rugi ferozmente para ele. Quem ele pensa que é para amá-la? Ela é minha! – Calma aí Ed Boy, você sabe que é um amor fraternal. Você está vendo a mente dela? Ela podia ser minha irmã de verdade.
– Se fosse esse o caso, ela teria herdado toda a inteligência.
– Ei, o que quer dizer com isso? – Emmett parecia genuinamente confuso.
– Rapazes. – interrompeu Jasper. – Se importam se eu continuar? Eu realmente estou gostando de ouvir seus pensamentos.
Olhei intrigado para Jasper. Não gostando nem um pouco desse vínculo formado por eles. Quer dizer, eu queria todos se dessem bem, mas tudo tem um limite. Eles precisam ficar tão próximos?
“Ciúmes?” Jasper tinha um sorrisinho no rosto que me deu raiva. Eu não estava com ciúmes. “Empata, lembra?”. Bufei um pouco com seus pensamentos. Até um empata podia se enganar. Certo? “Certo, engane a si mesmo”. O dom de Jasper estava começando a me irritar. Não podia estar com ciúmes de meu irmão, seria irracional. É apenas um incomodo de ver tantas pessoas desenvolvendo um interesse em minha Bella.
Toda minha família tem um companheiro, e agora que finalmente encontrei o meu não quero ter que dividir. Quero aproveitar cada segundo possível ao seu lado. Não fico me intrometendo na relação deles. Pedindo por pela atenção de suas companheiras. “Possessivo?”, brincou Jasper.
– Continue lendo. – respondi impaciente com sua dissecação sobre meus sentimentos.
– Ele começou a fazer melhor uso do seu tempo. Ele sempre havia sido inteligente, ansioso por aprender. Agora ele tinha tempo ilimitado. Ele estudava durante a noite e fazendo planos durante o dia. Ele nadou até a França.
– Ele nadou até a França?
– Pessoas nadam o Canal o tempo todo, Bella – Ele lembrou pacientemente.
– Não qualquer pessoa. Atletas, esportistas, ou quem tem um bom preparo físico e adora um desafio. Honestamente, se Carlisle não fosse um vampiro você colocaria ele nessa categoria?– ele me deu um pequeno sorriso balançado a cabeça. Parecendo achar engraçado meu ponto de vista. – Ele não poderia pegar um barco?
– Não era necessário. Nadar é fácil para nós...
– Tudo é fácil para vocês. – Eu disse revirando os olhos.
Sorri com seu comentário. É verdade que ser da minha espécie tinha suas vantagens, mas se continuasse me interrompendo a cada momento eu não terminaria de falar tão cedo.
Ele esperou sua expressão divertida.
– Não vou interromper de novo... – ele me olhou cético. – Nos próximos dois minutos. – complementei. Não iria conseguir me manter calada.
Meu sorriso diminuiu até sumir completamente. Até quando Bella aguentaria? Ela parecia estar levando bem tudo o que lhe disse, mas uma hora tinha a impressão que ela não iria aguentar e sair gritando e correndo pela porta.
Ele riu sombriamente e terminou sua frase. – Por que, tecnicamente, nós não precisamos respirar.
Bom, que se danem os dois minutos. Como assim ele não precisa respirar? – Você...
– Não, não, você prometeu. – Ele riu, colocando o seu dedo gelado levemente sobre os meus lábios. – Você quer ouvir a historia ou não?
– Você não pode mandar uma dessas para cima de mim e esperar que eu não diga nada.
Eu murmurei contra o seu dedo.
Ele levantou a mão, colocando-a para descansar no meu pescoço. Meu coração bateu mais rápido por causa disso, mas eu continuei.
– Você não precisa respirar? – Eu reclamei.
– Não, não é necessário. É só um hábito. – Ele encolheu os ombros. Um hábito murmurou minha vadia interior, ele fala como se o ato de respirar fosse insignificante, como o ato de respirar fosse só um capricho. Revirei os olhos internamente. Gostaria de saber quando ele iria deixar de me surpreender ao descobrir as peculiaridades de sua espécie.
– Você podia ser menos blasé sobre isso? – falou Rosalie descontente.
– O que você queria que eu fizesse Rose? – falei um pouco impaciente. – Nossa espécie é completamente diferente. Uma hora ela vai perceber isso e finalmente perceber que não vale a pena se meter comigo. – terminei frustrado. Não queria ter dito minhas inseguranças, mas Rosalie sabia apertar os gatilhos apenas com seu tom de voz.
– Não comece a se menosprezar Edward, você sabe... – começou Alice, mas a interrompi. Sabia que ela ia falar, que isso não ia acontecer, Bella não iria me deixar.
– Continue a ler Jasper.
– “Continue a ler Jasper”, só isso que escuto. – murmurou Jasper, mas não liguei para sua reclamação.
– Quanto tempo você pode ficar... sem respirar?
– Indefinidamente, eu suponho; não sei. É um pouco desconfortável ficar sem o olfato.
– Um pouco desconfortável. – Eu repeti. – Você fala como se não fosse grande coisa.
Eu não estava prestando atenção à minha própria expressão, mas algo nela o fez ficar sombrio. Ele colocou suas mãos ao seu lado, e ficou parado, seus olhos atentos no meu rosto. O silêncio se prolongou. Sua expressão estava imóvel como uma pedra.
– O que foi? – Eu murmurei, tocando seu rosto gelado.
Seu rosto suavizou debaixo da minha mão e ele suspirou. – Eu fico esperando isso acontecer.
– O quê acontecer?
– Eu sei que em algum ponto, algo que eu diga ou algo que você veja será demais. E então você vai correr de mim, gritando enquanto foge. – Ele sorriu um meio-sorriso, mas seus olhos estavam sérios. – Eu não vou impedir você. Eu quero que isso aconteça, por que eu quero que você esteja a salvo. E, ainda assim, eu quero estar com você. Os dois desejos são impossíveis de se conciliar. – Ele falou, olhando para o meu rosto.
Esperando.
Ali estava, tudo em aberto. Minhas maiores preocupações expostas de uma forma que não imaginava. Por que falei isso de todas as pessoas justamente para Bella?
Ela não tem que aturar toda minha bagagem emocional. Tentando imaginar que ela estivesse aqui ao meu lado poderia entender o que me levou a falar. Ela era a única que seria capaz de amenizar minhas dúvidas. Bella sempre tinha uma palavra, um jeito ou um toque para fazer as coisas negativas sumirem.
– Eu não vou correr para lugar nenhum. – Eu prometi. – Mas, não espere que eu aposte quem fica mais tempo debaixo d’água com você ou algum membro da sua família. Isso seria totalmente injusto.
Ele soltou uma pequena risada, desfazendo sua expressão sombria anterior.
Como agora. Apenas uma frase diminuiu minhas inseguranças e terminou com um pequeno gracejo me fazendo sorrir. Ninguém da minha família seria capaz de fazer isso comigo. Só ela!
– Como você faz isso? – perguntou com uma expressão surpresa.
– Faço o quê? – estava confusa com sua pergunta. Não sabia o que eu tinha feito.
– Tirar todas minhas preocupações com apenas uma frase. – ele segurou meu rosto em suas mãos. – Você é boa demais para mim.
Eu franzi minhas sobrancelhas para ele. Não concordava com seu ponto de vista, mas sabia que isso só levaria a alguma discussão, resolvi voltar ao tópico da conversa. – Então, vamos continuar. Carlisle estava nadando até a França.
Ele pausou, voltando para a sua história. Reflexivamente, seus olhos foram parar em outra pintura – a mais colorida de todas, com a moldura mais ornamentada, e a maior; tinha duas vezes o tamanho da porta ao lado da qual estava pendurada. A tela transbordava com figuras brilhantes em vestes rodopiantes, contorcendo-se em torno de longas colunas e em varandas de mármore. Eu não sabia se representava a mitologia grega, ou se os personagens flutuando nas nuvens acima eram pra ser bíblicos.
– Carlisle nadou até a França, e continuou pela Europa, para as universidades de lá. À noite ele estudava música, ciências e medicina – agora isso fazia mais o estilo de Carlisle. Um verdadeiro nerd, nada comparado com um atleta da natação. – e encontrou sua vocação, sua penitência, em salvar vidas humanas. – Sua expressão ficou admirada, quase reverente. – Eu não posso descrever adequadamente a luta; Carlisle demorou dois séculos de esforço torturante para aperfeiçoar o seu autocontrole. Agora ele é imune ao cheiro do sangue humano e é capaz de fazer o trabalho que ama sem agonia. Ele encontra uma grande tranquilidade lá, no hospital... – Edward olhou para o nada por longo um momento. Repentinamente ele pareceu se lembrar do seu propósito. Ele bateu levemente com o dedo sobre a pintura na nossa frente.
– Ele estava estudando na Itália, quando descobriu os outros lá.
– Outros? – o interrompi.
– Da nossa espécie. – complementou – Eles eram muito mais educados e civilizados do que os dos bueiros de Londres.
Franzi o cenho lembrando dos Volturi. Não querendo entrar em detalhes sobre a realeza de nosso mundo.
Ele tocou em um comparativamente calmo quarteto de figuras pintadas na varanda mais alta, olhando calmamente para a balbúrdia abaixo deles. Eu examinei o grupo cuidadosamente, e percebi, com uma risada espantada, que reconhecia o homem de cabelo dourado.
– Tenho que falar que a mudança no corte de cabelo faz maravilhas na vida das pessoas. – brinquei. Era difícil ficar séria olhando para os cachinhos do pai de Edward.
– Tenho que concordar com a Bella. Está vendo Carlisle como sua vida melhorou depois de mim? – Alice disse com um ar superior, por ter sido ela que cortou seu cabelo. Não tinha passado nem mesmo uma semana com Alice morando conosco quando ela pegou uma tesoura e disse que “ele não iria se arrepender” palavras dela. Aprendemos rapidamente que apesar do tamanho ela era uma força da natureza que não deve ser ignorada.
– Solimena, o artista, foi muito inspirado pelos amigos de Carlisle. Ele frequentemente os pintava como deuses. – Edward riu por entre os dentes. – Aro, Marcus, Caius. – Ele disse, indicando os outros três homens, dois de cabelo preto, um de cabelo branco como a neve. – Patronos noturnos das artes.
Dei um bufo lembrando esse trio pela memória de Carlisle. Eles se consideravam verdadeiros deuses e todos a baixo deles, inclusive os vampiros, apenas por serem mais velhos.
– Eles parecem ser idiotas. – acusou Emmett.
– E são. – confirmei.
– Crianças. Mostrem respeito, mesmo se vocês não gostarem deles. Eles são a realeza de nossa espécie e não é de bom tom ter esse tipo de pensamento, principalmente com o dom de Aro. – não conseguia entender como Carlisle conseguia defender os Volturi.
– Qual é o dom dele? – Alice perguntou.
– Vamos primeiro terminar de ler, depois explico o que vocês quiserem saber sobre os Volturi.
– O que aconteceu com eles? – Eu imaginei em voz alta, meu dedo pairando a um centímetro das figuras na tela.
– Eles ainda estão lá – Ele encolheu os ombros – Como têm estado há sabe-se lá quantos milênios.
– Milênios? – fiquei impressionada com os decibéis que conseguir alcançar com meu grito. – Como alguém consegue ser mais velhos que Carlisle? – tapei minha boca rapidamente quando percebi o que falei. Ouvi uma estrondosa gargalhada no andar em baixo. Odeio a audição de vampiro.
– Bom, agora ela sabe que sou jovem. – Carlisle ficou contente em ter um melhor referencial. Afinal, Bella só tem 16 anos, se comparada a Carlisle fica fácil ver o motivo de acha-lo tão velho. Agora comparado com alguns vampiros de que têm alguns milênios meu pai parecia ser bem jovem.
– Carlisle é jovem para sua espécie Bella. – explicou calmamente.
– Não diga “Carlisle” e “jovem” na mesma frase. – sussurrei, assim que ouvi outra gargalhada, pertencente à Emmett, sem dúvidas, perguntei onde diabos eu deixei meu filtro verbal?
Pelo menos Carlisle não estava aqui para ouvir o que estava pensando.
– Ah, ela seria tão envergonhada de saber. – comentou Esme, em referencia ao seu último pensamento. Tínhamos conhecimento do que ela estava pensando a respeito da idade de meu pai, inclusive o próprio.
– Carlisle ficou com eles por pouco tempo, só algumas décadas. – revirei os olhos para noção de tempo de meu namorado. Ele falava com se décadas não fosse nada. Em minha opinião, um final de semana é pouco tempo. – Ele tinha grande admiração por seus modos civilizados, seu refinamento, mas eles persistiram em tentar curar sua aversão por sua “fonte de comida natural”, como eles chamavam. Eles tentaram persuadi-lo, e ele tentou persuadi-los, sem sucesso. Nesse ponto, Carlisle decidiu tentar o Novo Mundo. Ele sonhava em encontrar outros como ele. Ele era muito sozinho, você entende.
Balancei a cabeça concordando. – Ele queria alguém que compartilhasse seus ideais não sua espécie. – murmurei. O que adianta estar no meio de sua espécie sem ter ninguém que compartilhasse seu modo de viver? Deve ter sido solitário e cansativo, tendo que defender seu ponto de vista a cada momento. Ter seu controle testado a cada momento, não sei como ele conseguiu viver décadas com eles.
Bella e eu temos pontos de vista em comum. Não aguentaria ser tentado por tanto tempo como Carlisle foi. Viver lutando pelo seu modo de vida não era fácil.
– Ele não encontrou ninguém por um longo tempo. Mas quando monstros se tornaram coisas de contos de fadas, ele descobriu que podia interagir com humanos insuspeitos como se fosse um deles. Ele começou a exercer a medicina. Mas a companhia que ele desejava fugia dele. Ele não podia se arriscar a ter intimidade.
Quando a pandemia de Gripe Espanhola se alastrou, ele estava trabalhando à noite num hospital em Chicago. Ele tinha uma ideia revirando em sua mente por diversos anos, e tinha quase se decidido a agir — já que não encontrava companhia, ele criaria uma. Ele não estava absolutamente certo de como sua própria transformação ocorreu, então ele estava hesitante. E ele era avesso à ideia de tirar a vida de alguém como a sua havia sido roubada. Ele tinha esse pensamento quando me encontrou. Não havia esperança para mim; eu fui deixado em uma enfermaria com os moribundos. Ele havia cuidado dos meus pais, e sabia que eu estava sozinho. Ele decidiu tentar...
Sua voz, quase um murmúrio agora, desapareceu. Ele olhou sem ver através das janelas ocidentais. Eu me perguntei quais memórias estariam em sua cabeça agora, as dele ou as de Carlisle. Eu esperei calmamente.
Minhas memórias humanas eram tão turvas. Sempre me perguntei se era tão vaga devido à gripe, ou acontecia com todo o vampiro. Rosalie lembrava muita coisa de sua vida anterior.
Comigo era completamente diferente, a única coisa clara era a transformação. Meus primeiros anos como um recém-criado também era embaçado. A sede de sangue dominava todos meus sentidos, meu pensamento era focado em sangue, sangue e sangue.
Pela primeira vez em tanto tempo, o que passei valeu a pena se o resultado me levaria a Bella.
Quando ele se virou para mim, um sorriso angelical iluminava sua expressão.
– E então a história se completa. – Ele concluiu.
– Você sempre esteve com Carlisle depois disso? – Eu disse.
– Quase sempre – Ele colocou sua mão levemente na minha cintura e me puxou com ele enquanto atravessávamos a porta. Eu olhei de volta para a parede com as pinturas, me perguntando se algum dia eu iria ouvir as outras historias.
– Claro que sim. Assim que ela quiser, contarei. – falou Carlisle. Gemi internamente. Será que minha família não tem nada melhor para fazer do que diminuir meu tempo ao lado de minha namorada?
Edward não disse nada enquanto nós atravessávamos o corredor, então eu perguntei.
– Quase?
Oh, não. Não, não e não!
Tão entretido em perder mais tempo com Bella tendo que a dividir com meu pai que perdi o rumo que a conversa tinha tomado.
Não podia contar meu passado. Bella iria me deixar assim que descobrisse. Espero que tenha sido sensato o suficiente para manter minha boca fechada.
Ele suspirou, parecendo relutante em responder.
– Passei um tempo separado de minha família.
– Não entendo. – respondi claramente confusa.
– Bem, eu tive um típico acesso de adolescência rebelde – uns dez anos depois que eu... nasci... fui criado, como você queira chamar. Eu não acreditava em sua vida de abstinência, e me ressentia por ele conter meu apetite. Então eu fui atrás da minha própria vida.
Por quê? O que é tão difícil de manter meu passado escondido? Não podia ter mantido minha boca fechada sobre o assunto?
Claro que não. Eu simplesmente não podia negar nada para Bella. Isso estava ficando ridículo. Só bastava ela pedir que daria a ela, não importa o quanto estava relutante em revelar essa parte.
Bella era tão perfeita e estava tão feliz dela ter me aceitado e querer estar ao meu lado. Como poderia me negar a responder alguma pergunta sua?
Mesmo sabendo o quanto isso iria me custar.
– Edward. – chamei olhando em seus olhos. – O que você quer dizer? – perguntei com certo receio, achando que estava entendo errado o que ele tinha me dito.
Eu vagamente me de conta de que nós estávamos indo em direção ao próximo lance de escadas, mas eu não estava prestando muita atenção ao meu redor.
Continuamos subindo e estávamos no topo da escada, em outro corredor com painéis. Até que ele parou completamente e me encarou. Seu rosto não mostrava nenhuma emoção.
– Eu matei humanos Bella.
Senti um arrepio percorrer meu corpo e sem ao menos notar minhas pernas foram cedendo e me encontrei sentada no último degrau da escada.
A verdade nua e crua. Ali exposta para Bella ver.
Eu era um monstro.
Assassino.
Não era melhor que qualquer outro criminoso.
O sentimento de vergonha e aversão sobre meu passado fluía em ondas.
– Por favor. Controle-se. – implorou Jasper ao ser sobrecarregando com tantos sentimentos negativos.
– Sinto muito, mas só irá piorar. – murmurei. Porque sabia no momento em que Bella me desprezasse pelo meu passado eu quebraria.
– Eu não entendo... – disse depois de alguns segundos. – Pensei que você só matava animais? – era para ser uma afirmação mais saiu como uma pergunta.
– Agora eu mato apenas animais. Mas ouve um tempo em que não era assim. Faz muito tempo isso, mas não muda o que aconteceu.
– Quanto tempo?
– Quase oitenta anos.
Oitenta anos. Edward tinha se sentando ao meu lado na escada. Olhei fixamente em seus olhos. Tentado imaginar o que aqueles olhos viram em tantas décadas. Encarando aquele belo rosto sem rugas era impossível imaginar sua idade, mas olhando naquelas obsidianas douradas dava para notar uma profundeza de alguém que viveu muito e viu demais.
Mesmo assim não conseguia enxergar um assassino. Respirei profundamente um par de vezes, preparando-me para a próxima pergunta que não tinha certeza se gostaria de ouvir a resposta.
– Quantas pessoas você matou? – Perguntei e num ato de reflexo fechei meus olhos. Por alguma razão não conseguia olhar agora. Queria que ele soubesse o quanto essa pergunta era importante para mim. Saber que ele se importava com quem matou. Que não foi apenas dominado pelo seu novo estilo de vida. Que ele se importava com a vida que ele tirou.
– Cento e um. – Ele responde com a voz trêmula.
Minha respiração escapa numa rajada e senti meu estômago se revirar.
Era o que eu tinha perguntado. Porém, não esperava essa resposta. Perguntei-me se faria diferença ele dizer 10 no lugar de 101. Eu acabei de perguntar um número tentando valorizar uma vida, mas se ele tivesse falado um número menor, chegaria a achar razoável?
No momento não tinha resposta para essas perguntas. Tudo que pensava era que o homem ao meu lado tinha matado mais de cem pessoas.
Minha linda menina não deveria saber essas coisas. Ter o conhecimento do lado escuro do mundo. Era preferível que ficasse na doce ignorância, sem saber o que os monstros faziam.
Agora lá estava eu, infectando para meu passado. Aterrorizando a mulher que eu amava.
– Você os conhecia ou sabia quem eram...?
– Não exatamente, mas eu os escolhi de propósito.
– Propósito? – Abrir meus olhos e imediatamente me vi presa nos seus. O que levaria essa bela criatura a escolher sua presa? Seus olhos estavam me imploram para entender. Algo me ocorre então, lembro o dia em que me salvou em Port Angeles. – Você lia a mente deles.
– Sim. – ele deu um pequeno suspiro por eu ter entendido. – Eu achava que estava fazendo um bem para a sociedade. Usava essa desculpa para saciar minha sede. Procurei os piores tipos de homens. A escória da humanidade. Assassinos que não se arrependiam do que fizeram e estavam determinados a fazer novamente. Estupradores em becos escuros, encurralando alguma infeliz dama. Eu sempre sabia o que eles estavam pensando e nunca vi um pingo de dúvida em suas mentes de que iriam mudar de ideia. Procurei aqueles que sentiam prazer em machucar sua vítima.
Minha mente foi para lugares há muito tempo esquecidos por mim. Aquela época em que meus olhos eram vermelhos carmesins.
Queria dizer que odiei cada momento desses anos da minha vida, porém estaria mentindo. Drenando aqueles monstros como eu era divino. Nada se compara ao sabor do sangue humano.
O único problema era que o preço a pagar por esse prazer era alto demais. Um que eu não poderia mais pagar.
Será que Bella iria me absolver ao saber que pelo menos não foram inocentes que foram minhas vítimas?
Suspiro em alívio. O frio e náuseas desaparecem rápido, mas não inteiramente. O fato dele não ter matado inocentes fez uma grande diferença.
– Você sabe que não foi o único. – Edward me olhou de forma interrogativa. – Meu pai. – expliquei. – Ele matou pessoas também. Ele foi policial boa parte de sua vida, antes de se tornar chefe de polícia. Eram homens como esses que você descreveu. Entendo porque isso o perturba, mas isso não o torna um deles.
– Não? – Ele ri amargamente. – Você está enganada! Isso me torna igual o pior do que eles. – falou com raiva. – Chefe Swan pode ter precisado matar algumas pessoas durante o dever, mas estou bastante certo de que ele só o fez em último caso e deixou os corpos deles relativamente intactos depois. Eu não. – sua voz era agora desesperada. – Você não sabe o que tive que fazer para manter o segredo justamente de pessoas como seu pai.
Olhe para ele confusa. Esperando para ele concluir o que estava falando, sem pressiona-lo. Edward me disse que parar de respirar era um pouco incomodo, mas parecia mais que isso. Pois, ele estava dando respirações superficiais tentando se acalmar.
– O que a polícia pensaria ao encontrar um corpo completamente drenado no meio da rua? – perguntou por fim. Agora entendi do que ele estava falando. Ele não apenas se alimentava e ia embora.
Ele não podia deixar provas para que alguém desconfiasse.
Bella não tinha ideia do que era esconder um corpo. Precisei simular um ataque de um animal se fosse perto de uma floresta, assim um bicho selvagem poderia estar perto demais e atacado. Depois de drenar minha vítima, faria garras em seu rosto e pescoço, dando preferência para locais que houvesse grande perda de sangue, teria que fazer isso em um dia chuvoso, para usar como desculpa a chuva para lavar o sangue da vítima.
Quando o local era longe da floresta, simula uma briga de bar, um assassinato. Sabia todo o tipo de corte possível com faca, navalha e arma de fogo.
Porém, tinha vezes que isso não era o suficiente. O corpo nunca seria descoberto, então tinha que enterrar ou jogar o corpo no mar. À forma mais fácil para não descobrirem era mutilar o corpo em pedaços e jogar em locais separados.
Não foi a época mais bonita da minha vida.
– Não posso descrever o que tive que fazer. Simular ataque de animais, brigas de bar, assassinato ou em alguns caso simplesmente esconder o corpo. – se não tivesse ao seu lado, não teria ouvido o que ele estava falando. – O que fiz sempre vai ficar na minha memória para sempre.
– Então, por que você resolveu parar?
– Não sei lhe dizer ao certo. – disse com um olhar distante. – Acho que uma série de fatores juntos me fez parar. – Ele disse calmamente. – Lembro que tinha acabado de me limpar depois do que... – estremeceu.
Estremeci ao completar mentalmente minha frase. Depois de ter mutilado um corpo e jogado ao mar.
– Olhei meu rosto no espelho e realmente me vi depois de muito tempo. Meus olhos estavam vermelhos pela alimentação recente e tudo que me veio à mente foi Carlisle e tudo que ele acreditava. Pensei que seria diferente se eu estivesse salvando pessoas boas e acabando com os maus. Que não seria tão terrível dessa maneira, mas eu estava errado e a prova estava em meus olhos. Eu estava brincando de Deus.
– Faz sentido. – Eu digo, tentando me colocar na situação dele. – Entendo por que isso seria tentador. Deve ser difícil poder ter certeza que alguém é ruim e não fazer nada para pará-lo. Quer dizer, você não pode chegar à delegacia e falar que ele é um assassino com a única prova sendo que você leu isso na sua mente. – dei um pequeno sorriso. – Não ajuda pensar nas pessoas que você salvou?
– Claro. Sei que o que fiz foi errado. Brincar de Deus não era meu direito, mesmo não sendo certo, ajuda saber que algumas pessoas se beneficiaram de meu erro.
– Você sabe que mesmo sem o dom de Alice você mudou o futuro, certo? – ele me olhou confuso.
Como mesmo lendo os pensamentos de Bella não conseguia compreender onde sua mente ia?
– Você salvou pessoas Edward. Pessoas que estavam com seus dias contados, mulheres que teriam seu futuro destruído. Graças a você uma nova geração de pessoas nasceu. Aqueles que você salvou essa hora devem ter filhos e talvez até netos. Graças ao seu ato. – sorri em sua direção acariciando sua bochecha.
E lá estava ela novamente. Devia parar de deixar de ficar surpreso, agora noto o quanto isso é improvável. Essa mulher era surpreendente.
Ela me transformou de vilão para herói.
Vendo o lado positivo de meus atos desumanos. Aceitando aquilo que fiz, e mostrando o lado bom daquilo que fiz.
Jamais merecia uma pessoa como ela ao meu lado.
– Você tem sorte, você sabe. – apontou Jasper. Pela primeira vez entendi o que ele estava falando. Jasper sempre se sentiu indigno da minha irmã, nunca entendi a profundidade do quanto, achava que ela o amava e ele deveria ficar feliz com isso.
Agora entendo que é mais do que isso. Assim como ele, jamais me sentiria merecedor dela. Acenei imperceptivelmente para ele, dizendo que o entendi.
– Nunca pensei desse jeito, mas você pode ter razão. – ele suspirou e começou a brincar com minha mão – Levou apenas alguns anos para eu voltar para Carlisle e me voltar à sua visão. Eu achei que fosse ficar isento da... depressão... que acompanha a consciência. Não foi fácil, mas Carlisle e Esme, eles me receberam como o filho pródigo. Era mais do que eu merecia. Desde que voltei nunca matei um ser humano.
Ele segurou minhas duas mãos com as suas e olhou profundamente em meus olhos. Ele parecia tão nervoso.
– Bella, você pode ir se quiser, não vou lhe impedir. Então, gostaria de perguntar. – ele suspirou. – Você será capaz de me perdoar mesmo sabendo o que eu fiz?
Segurei minha respiração esperando ansioso pela resposta. Não lembro depois da minha transformação de ter rezado, mas lá estava eu, fazendo uma oração para que ela dissesse sim.
– Edward. – disse suavemente. – O que você fez está no passado, posso ver em seus olhos que você se pune o suficiente. Não há nada a perdoar, eu estou com você agora. Aceito você inteiro. Eu aceito o que você é, seu passado, seu presente e espero viver o futuro com você.
– Obrigado. – disse antes de me abraçar profundamente.
A vergonha por meu passado sempre me assombrou.
Minha habilidade em poder ler mentes não deixa espaço para mentira, pelo menos, por um longo tempo. Minha família me aceitou, mas vi a decepção que causei. A dor que veio junto com minha opção pelo meu modo de vida.
Com Bella era diferente, ela me entendeu e apoio tão condicionalmente sem passar a mão pela minha cabeça.
Ela sabia que eu tinha errado e passou por isso. Fazendo parecer tão simples, que me perguntava o que me levou a não contar antes.
Por um momento era difícil descobrir esse sentimento que venho sentindo, mas é preciso e tira meu fôlego.
Revejo cada palavra que trocamos. A forma que ela acolheu tudo tão bem e então me acerta.
Aceitação.
Pela primeira vez me vi sendo capaz de começar a me perdoar por aquilo que fiz. Se pudesse ter Bella ao meu lado e abraçar este presente que ela me deu tão livremente. Certamente iria me libertar da prisão que me coloquei.
Parecia mais fácil respirar agora. Bella me aceitava. Um sorriso estúpido apareceu em meu rosto, fazendo minha família rir. Não liguei, estava feliz demais com o desenrolar dos acontecimentos.
Não sei quanto tempos ficamos abraçados, antes de ele me ajudar a levantar e andar até paramos na frente da última porta do corredor.
– Meu quarto. – ele informou, abrindo a porta e me puxando para dentro.
Seu quarto era virado para o sul, com uma parede de vidro igual à sala no andar abaixo. Toda a parede de trás da casa deve ser de vidro. Muito bom que ele morava no meio do nada. Apenas podia imaginar o que faria se ele tivesse um vizinho que gostasse de ser voyeur.
A vista dava para o sinuoso rio Sol Duc, através da floresta intacta até a extensão da Montanha Olympic. As montanhas estavam muito mais próximas do que eu acreditava. A parede oeste estava completamente coberta por estante após estante de CDs. O seu quarto era melhor que uma loja de CDs. Em um canto havia um sofisticado aparelho de som, do tipo que eu teria medo de tocar por que teria certeza de que iria quebrar algo. Não havia cama, somente um enorme e convidativo sofá de couro preto. O chão era coberto por um grande tapete dourado, e as paredes eram recobertas um tecido pesado em um tom levemente mais escuro.
– Boa acústica? – Eu supus.
Ele riu e assentiu.
Ele pegou o controle remoto e ligou o estéreo. Estava quieto, mas o som do número de soft jazz soava como se a banda estivesse conosco no quarto. Eu fui olhar a sua intrigante coleção de musica.
– Como você organiza isso? – Perguntei incapaz de encontrar qualquer tipo de lógica para a ordem dos títulos. Sabia que Edward gostava de música, mas seu estilo musical era incrivelmente variado, não apenas clássico, tinha diversos estilos, o que me surpreendeu. Quando peguei seu celular era um grupo de música mais restrito, talvez suas favoritas.
Ele não estava prestando atenção.
– Humm... por ano, e, dentro disso, pela preferência pessoal. – Ele disse distraidamente.
Eu virei e ele estava me olhando com uma expressão peculiar em seus olhos.
– O quê?
– Eu estava preparado para sentir... alívio. Fazendo você saber sobre tudo, não precisando manter segredos de você. Mas eu não esperava sentir mais que isso. Eu gosto disso. Faz eu me sentir... feliz – Ele encolheu os ombros, sorrindo timidamente.
– Que bom – Eu disse, sorrindo de volta. Eu havia me preocupado que ele pudesse se arrepender de ter dito aquelas coisas. Era bom saber que esse não era o caso. – Ver você feliz me deixa feliz também.
– Por quê? – perguntou me deixando confusa.
– Por que o quê?
– Acho que um pouco de tudo. Por que você me perdoou? Por que você me aceitou tão plenamente? Por que minha felicidade é tão importante para você? Por que você não saiu correndo gritando ainda? – disparou uma pergunta atrás da outra.
Andei em sua direção até sentar ao seu lado no sofá. Coloquei minhas duas mãos em seu rosto e olhei diretamente em seus olhos. A resposta para essas perguntas era uma só.
– Porque eu amo você.
Acho que iria me tornar o primeiro vampiro na história a ter seu coração batendo. Tinha a sensação que poderia desmaiar a qualquer momento.
Sem mesmo notar o diário estava em minhas mãos. Não me lembro de puxar da mão de Jasper, só sabia que precisa ler isso com meus próprios olhos, sem terceiros interferindo.
Lá estava. Escrito por sua letra.
Bella me amava.
Não sabia exatamente o que estava sentindo, mas felicidade não era uma palavra forte o suficiente. Eu só queria que Bella estivesse ao meu lado para poder beija-la e jurar meu amor eterno e a fazer feliz para o resto de sua vida.
O beijo foi uma conclusão precipitada depois disso, não sei como acabei beijando Edward, apenas o sentir me puxar suavemente em seus braços enquanto sua boca se movia lentamente contra a minha.
Edward mudou rapidamente a velocidade do beijo e tive que nos separar por um momento para poder respirar. Estava ofegante e Edward também respirava pesadamente. Beijar ele era o céu, não queria parar, meu corpo governava meus atos e minha boca foi deslizando por seu pescoço dando suaves beijos até capturar o lóbulo da sua orelha, puxando um pouco, ganhando um sonoro gemido em troca. Meus dedos deslizaram em seu cabelo puxando firme. Eram tão suaves e macios que minha vontade era segurá-los e nunca largar.
– Deus, Bella! – ele disse com uma voz rouca, a testa enterrada em meu ombro. – Eu amo a tanto. Você é a coisa mais importante da minha vida. – contraria fui soltando seu cabelo para poder o olhar melhor. – Não! – grunhiu me assustando. – Por tudo que é sagrado não tire a mão do meu cabelo.
Imediatamente voltei a segurar seus acobreados cabelos e voltei a beija-lo. Era tão bom que podia imaginar fazendo isso todos os dias.
Suavemente Edward começou a desacelerar o beijo até espalhar pequenos selinhos. Quando abrir meus olhos ele tinha um sorriso deslumbrante. Delicadamente me colocou de volta ao sofá. Quando fui mesmo parar em seu colo?
Ele se levantou e ficou perto de onde estava seus CDs, passando a mão pelos cabelos, aquele ato que sempre fazia quando estava nervoso.
– Edward, você vai voltar a ler hoje ou vamos esperar até amanhã? – perguntou um pouco irritado Emmett.
Não tinha notado que não estava lendo em voz alta. Esses momentos eram privados e não queria compartilhar com minha família.
Estava de frente para a janela, andei quando estava lendo. Por sorte, acabei ficando de costa para minha família, seria humilhante se vissem o que essa parte específica da leitura me causou.
Tomei um par de respirações calmantes. Jasper me ajudou com seu dom, ele estava um pouco desnorteado pela onda de luxúria sentida há um momento.
Edward sorria timidamente.
– Você ainda vai me matar Isabella Swan.
– Você pulou. – acusou Emmett.
– Do que você está falando? – perguntou Esme confusa.
– O que vocês acham que eles estavam fazendo para o Edward falar uma coisa dessas? – disse mexendo as sobrancelhas sugestivamente.
– Emmett respeite seu irmão. – pediu Carlisle. – Eles não estavam fazendo nada demais. – depois me lançou um olhar duvidoso. – Estavam?
Gemi alto. Até meu pai? – Não. – me defendi. – Apenas nos beijamos. Agora posso continuar?
– Se era só um beijo por que você não leu para gente? – meu irmão nunca iria deixar de ser intrometido.
– Porque não é da sua conta Emmett. Não quero expor Isabella mais do que o necessário. Ler seu diário é intrusivo o suficiente e você nem ninguém aqui irá ler nossos momentos privados. – não havia espaço para discussão em minha voz. Estava falando completamente sério.
– Eu? Como poderia matar alguém como você? Ou será que você está perdendo seu jeito assustador? – resolvi provoca-lo. – Será que o leão não passa de um gatinho?
Droga. Não deveria ter lido em voz alta essa parte. Emmett não parava de miar e ficar imitar um gato. Sério que ele acabou de se lamber?
Rosalie bateu com força em sua cabeça para ele parar.
Bom.
Enquanto isso eu precisava pensar um jeito de cuidar da boca impertinente da minha namorada. Como ela me chama de gatinho? Quero lhe mostrar como está enganada.
Ele parou, levantando suas sobrancelhas em incredulidade. Então ele mostrou um sorriso largo e perverso.
– Você realmente não devia ter dito isso – Ele sorriu.
Ele rosnou, um som baixo atrás da garganta; seus lábios se curvaram sobre seus dentes perfeitos. Seu corpo se deslocou de repente, um pouco agachado, tenso como um leão a porto de dar o bote.
Eu não o vi saltar em mim — foi muito rápido. Eu me encontrei repentinamente no ar, e então nós nos chocamos contra o sofá, batendo ele na parede. Todo o tempo, seus braços formaram uma proteção de aço ao redor de mim — eu mal senti o impacto.
Ele me dobrou em uma bola contra o seu peito, prendendo-me mais firmemente do que correntes do ferro. Eu o encarei, seu maxilar relaxou enquanto ele sorria seus olhos brilhando com humor.
Acho que provei meu ponto.
– Edward! Você podia a ter machucado. – repreendeu Esme.
– Jamais faria isso. – tomaria cuidado a cada momento, nunca correria risco com a pessoa mais preciosa do mundo.
– Você estava dizendo...? – Ele disse travesso.
– Que você é um monstro muito, muito aterrorizante – disse sorrindo para ele. Ele era tão rápido e forte. Era engraçado como eu conseguia esquecer isso.
– Muito melhor – Ele aprovou.
– Você vai sair de cima de mim agora ou pretende ficar aí?
Ele gargalhou.
– Acho que vou ficar por aqui, estou muito confortável para me mover. – para provar o ponto ele parecia se aconchegar mais em mim e colocar seu rosto em meu pescoço.
– Nós podemos entrar? – Uma voz macia chamou do Hall. Edward grunhiu parecendo um pouco irritado.
Ok, na realidade, muito irritado. Ele tinha uma carranca em seu rosto.
Quem diabos iria me interromper? Minha família tem uma excelente audição. Eles sabiam que estava com minha namorada. Não podiam dar um minuto de privacidade?
Quem seria tão intrometido?
Lutei para me libertar, a posição era um pouco constrangedora com alguém presente, Edward apenas me reajustou, então eu estava convencionalmente sentada no seu colo, eu pude ver Alice e Jasper na porta.
Tinha que ser minha irmã intrometida. Lancei um olhar sujo para ela e ela me deu um sorriso largo.
Minhas bochechas queimaram, mas Edward apenas balançou a cabeça, parecendo desistir de algo.
Sim, nunca lutar com Alice. Aprendi minha lição da maneira mais difícil. Isso não me impede de lutar com ela, só seleciono mais minhas lutas.
– Entrem. – Edward disse revirando seus olhos. Era estranho vendo fazer isso, parecia mais um hábito meu do que dele. – O que você quer que não possa esperar? – perguntou diretamente para sua irmã.
Alice pareceu não achar nada de incomum no nosso abraço, ela caminhou, quase dançando, seus passos eram tão graciosos, para o meio do quarto, onde ela se curvou sinuosamente para o chão. Jasper, porém, parou na porta, sua expressão nada chocada. Ele encarou o rosto de Edward, e eu desejei saber se ele estava provando a atmosfera com sua sensibilidade incomum.
– Parecia que você estava tendo Bella para o almoço, e viemos ver se você a dividiria. – Alice anunciou.
– Desculpe, não acredito que tenha o suficiente para desperdiçar. – ele replicou, seus braços me segurando apertado.
– Ei, o almoço está aqui! – respondi um pouco indignada de ser ignorada.
– Por um segundo eu pensei que ela ficaria ofendida. – falou Esme.
– É da Bella que estamos falando. – Alice apontou como um fato. Realmente, somente minha namorada seria capaz de ouvir isso sem sair correndo e ainda fazer alguma brincadeira sobre o assunto.
– De fato. Isso seria rude. – Jasper disse, sorrindo para si mesmo enquanto caminhava para dentro do quarto. – Alice disse que esta noite terá uma verdadeira tempestade, e Emmett quer jogar bola. Você está no jogo?
– Yes! – comemorou meu irmão. Nada como um bom jogo para deixar Emmett animado.
As palavras eram bem comuns, mas o contexto me confundiu.
Eu presumi que Alice era um pouco mais confiável que o meteorologista, entretanto.
Os olhos de Edward brilharam, mas ele hesitou.
– É claro que você deveria trazer Bella. – Alice gorjeou. Eu pensei ter visto Jasper lançar um olhar rápido a ela.
– Isso seria prudente? – Jasper perguntou um pouco preocupado.
– Quantas vezes tenho que dizer que nunca deixaria nada acontecer com Bella? – retruquei irritado.
– Ela só irá assistir Jasper. Bella não vai se machucar. – afirmou Alice.
Jasper jamais iria contra as decisões de Alice. E eu acreditava nela também.
Se Alice disse que não tinha problema Bella ir, estão seria tudo ok. Eu iria ver em sua cabeça.
Além disso, queria me mostrar um pouco para Bella. Queria que ela torcesse por mim.
– Você quer ir? – Edward me perguntou, excitado, sua expressão vívida.
– Claro. – Eu não poderia desapontar tal rosto. Depois percebi que concordei sem nem saber para onde. – Hmm, onde estamos indo?
– Temos que esperar o raio para jogar a bola, você verá por quê. – ele prometeu.
– Vou precisar de um guarda-chuva?
Todos três riram em voz alta.
Rimos com seu comentário. Somente a Bella se preocuparia com isso.
– Ei. – olhei para seus rostos sorridentes. – Não quero pegar nenhum resfriado. Obrigada. – sim, eu também sei usar sacarmos. Eles queriam me meter no meio de uma tempestade desprotegida? Não mesmo.
Meu riso morreu quando pensei nas consequências. Eu poderia pegar sol, chuva, tempestade que não sofreria absolutamente nada.
Bella por outro lado. Como posso esquecer sua fragilidade tão rapidamente? Há um minuto prometo que nada acontecerá com ela e no próximo esqueço sem bem-estar completamente.
– Ela vai? – Jasper perguntou a Alice.
– Não. – ela estava segura. – A tempestade atingirá acima da cidade. Deve estar bem seco na clareira.
– Ótimo, então. – O entusiasmo na voz de Jasper era contagiante, naturalmente. Eu me vi ansiosa, ao em vez de assustada.
– Você é bom? – perguntei para Jasper. Imaginei que ele não seria tão empolgado se não jogasse bem, então quis ver que tipo de resposta me daria. Seria ele arrogante, confiante, tímido ou outra coisa?
– Bom o suficiente para chutar a bunda do seu namorado. – falou para provocar Edward.
– Hey! – resmunguei com sua mentira deslavada para minha namorada. – Eu sou muito melhor que você.
–E eu sou melhor que vocês dois juntos. – entrou Emmett em nosso argumento.
– Parem com isso. Chega de brigas nessa casa. – Carlisle falou com autoridade na voz. Ficamos quietos depois de sermos repreendidos. Quando viu que nos acalmamos ele emendou. – Vocês sabem que eu sou o melhor jogador.
Então a briga recomeçou com força total.
Cada ponto que um fez, melhores lançamentos, jogos que ganharam foram jogados no meio de gritos e rugidos.
– Chega. – Esme gritou. Foi assustador. Esme nunca grita. – Se vocês se comportarem assim na frente da Bella vocês irão se ver comigo!
– Sim. Vamos ver no jogo quem ganha. Assim vai ficar provado quem é o melhor jogador. – Alice tentou acalmar. – Eu, é claro. – e lá começou a briga novamente.
Geralmente não me importava com esse tipo de brigas, fiquei surpreso de participar. Em regra, era Emmett que inicia dizendo que era melhor em alguma coisa, mas sempre deixava para lá, ou no máximo aceitava alguns de seus desafios. Agora era participante ativo na discussão.
Não precisava perguntar o porquê de ter feito isso. Estava querendo ser o melhor para Bella em tudo. Até aquilo que não faria muita diferença.
Senti o seu corpo ficar tenso pelo comentário de Jasper uma pequena briga iria surgir vendo a testosterona no ar para saber quem era o melhor. Isso era coisa totalmente de homem. Resolvi entrar no meio para tentar acalmar os ânimos.
– Acho bom você retirar o que disse. – Jasper interrompeu o concurso de encarar com Edward. Ele tinha um sorriso no rosto, parecia que tinha atingido um nervo do meu namorado.
– Por que faria isso? – me perguntou. Sorri amplamente para ele o que o fez ficar desconfiado.
Comecei a pensar em toda a frustração e raiva que podia, junto com outros sentimentos negativos. Só uma mulher sabe o que é ter TPM, bom e agora Jasper.
– Ok, eu retiro. Eu retiro. Pare com isso. – murmurou frustrado.
– Então você teve TPM? – agora era minha vez de provocar meu irmão.
– Boa sorte quando sua namorada estiver no período dela. – falou constrangido em se imaginar sentindo assim.
Arrepiei-me em pensar que teria que passar isso com Bella todo mês.
– Eu lhe salvo. – brincou Alice. – Vamos ver se Carlisle quer ir.
– Como se você não soubesse — Jasper zombou, e depois me olhou entre mim e Edward. – Você vai ter um tempo difícil irmão. – e piscou antes de sair.
– O que foi isso?
Dei de ombros. – Apenas mexendo com suas emoções. – fiquei curiosa com o que estaria assistindo. – O que vamos jogar? – perguntei.
– Você vai assistir – Edward brincou. – Nós vamos jogar baseball. – revirei os olhos para ele. Como se fosse jogar no meio deles. Ele pode pensar o contrário, mas tenho amor pela minha pele.
Eu revirei meus olhos. – Vampiros gostam de baseball?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– É o passatempo Americano – ele disse com uma solenidade zombeteira.
– Você se acha muito engraçado, Cullen. – ele estava me provocando novamente.
– Não sei do que você está falando. – tentou parecer inocente.
– Eu sei o que você está tirando sarro de mim. – acusei.
– Estou?
Eu já tinha percebido isso, mas era mais divertido jogar ignorante com ela. Nunca senti vontade de provocar ninguém. Aderir brincadeiras era estranho para mim.
– Hurrum. – disse. – Você se acha muito engraçado.
– Eu sou um comediante nato. – disse com uma voz arrogante me fazendo rir. – Viu. Meu público delira.
– Eu aposto todas as piadas que você conhece são velhas demais para contar.
– Você está me chamando de velho?
– Eu certamente sou.
Olhei completamente ofendido. Como ela me chama de velho na minha frente?
Certo, eu estava me divertindo. Não podia nem me fazer de indignado. Ela era adorável me provocando.
– E você está insinuando que eu não sei nenhuma piada?
– Por que você não vá em frente e me diga uma, então?
Droga. Não estava esperando ela ligar para o meu blefe tão rapidamente. Odiava as piadas de Emmett e nunca prestei muita atenção. E a maioria que ouvi era indecente e jamais falaria para minha namorada.
Eu pensei por um momento. Eu lembrava vagamente de uma.
– Eu me lembro de uma piada – disse.
– É boa?
– Hum... Eu não sei – admitiu com uma risada. – Eu acho que ela é antiquada. Lembro-me de quando eu era mais jovem...
– Antiquado é um termo novo para totalmente ultrapassada? – perguntou Emmett com uma voz suave que me irritou.
– Bem, diga-me.
Ele parecia envergonhado – Tudo bem.
– Silêncio. O Edward vai contar uma piada. – pediu Emmett seriamente, como se alguém estivesse falando.
Fiquei ainda mais constrangido em continuar a leitura. Não devia ter tirado o diário das mãos de Jasper.
Não lembrava a última vez que contei uma piada, isso significa que não contei nenhum desde que me transformei.
– Uma senhora mandou um de seus filhos avisar a certa amiga que tinha dado à luz um menino. O portador, ou por querer abrilhantar o recado, ou por esquecer-se das palavras “dar á luz”, disse: “Minha mãe manda-lhe contar que deu à vela um menino”.
O silêncio que se seguiu na sala era gritante. Eu podia ter dito isso em voz alta para alguém rir de um silêncio ser gritante, porém sentia os olhos em mim e a mente de minha família parecia um pouco em branco. Voltei a leitura.
Fiquei olhando fixamente para meu namorado. Então, um pouco mais. Permaneci olhando mais algum tempo.
Bella estava agindo que nem minha família.
– O que foi? – perguntei frustrado com minha família.
– O que vamos fazer com ele? – perguntou Emmett parecendo completamente frustrado.
– Sinceramente eu não sei. – respondeu Alice parecendo desolada.
– O quê? – perguntei novamente. Não entendi essa frustração da minha família. Não foi tão ruim, foi?
Espero que Bella tenha achado engraçado.
Eu estava séria.
– Foi tão ruim assim? – perguntou por fim. Acho que tinha ficado calada por mais tempo do que imaginei.
– Essa era a piada? – acho que tinha no fundo uma esperança de não ter acabado.
– Hum... Sim... Quer dizer... Veja só. Tem esse termo sobre “dar a luz” quando um bebê está nascendo e naquele tempo se usava muita vela para ter luz...
Coloquei meu dedo em sua boca para ele para de falar. – Edward. Não se explica uma piada. Nunca.
Tentei explicar a piada para Bella. Ela não entendeu e foi por isso que não tinha achado graça, certo?
Eu acho que não foi tão ruim assim.
– Foi sim. – murmurou minha família. Falei alto e não percebi. Franzi o cenho um pouco. Eu achei engraçada na época.
– Sinto muito. – ele disse entre meus dedos, fazendo um biquinho fofo que me fez rir.
– Edward, foi horrível. – a piada foi tão ruim que tive que rir.
Ele sorri e encolheu os ombros. – Provavelmente era engraçada quando ouvi quando menino. Emmett sempre foi o piadista da família, mas eu não gosto do seu estilo. São todas vulgares e cheias de palavras de baixo calão.
– Pelo menos são engraçadas. – se defendeu.
– Então vamos colocar contar piada fora de sua lista de perfeição.
Ele se fingiu ofendido. – Srta. Swan, você está dizendo que eu não sou perfeito?
– Eu poderia ser... – fingi pensar e ponderar muito. – Porém acho que você é perfeito para mim. – e quando seus lábios tocaram os meus eu tinha certeza disso.
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